sábado, 26 de agosto de 2017

Inclusão é debatida durante Semana da Pessoa com Deficiência em Ji-Paraná

Este ano, semana debate os direitos, necessidades e realizações da pessoa com deficiência. Estudantes da Apae participaram de uma confraternização em uma boate.

Por Marco Bernardi, G1 Ji-Paraná e Região

Alunos da Apae tiveram a oportunidade de dançar e se divertirem em uma boate (Foto: Marco Bernardi/G1)
Alunos da Apae tiveram a oportunidade de dançar e se divertirem em uma boate (Foto: Marco Bernardi/G1)

A inclusão social é um dos principais temas que estão sendo discutidos durante a Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Ji-Paraná (RO), na Região Central.

Para o assistente social da Apae, Marcos Gomes, o evento é importante para a inclusão de pessoas com necessidades especiais no convívio social e no mercado de trabalho.

“É importante que a gente inclua os alunos da Apae na sociedade e no mercado de trabalho. As vezes as famílias não tem essa oportunidade, então a Apae, através dos professores, fazem isso por eles”, afirma Marcos.

Inclusão social é um dos temas da Semana da Pessoa com Deficiência (Foto: Marco Bernardi/G1)
Inclusão social é um dos temas da Semana da Pessoa com Deficiência (Foto: Marco Bernardi/G1)

Além dos debates realizados, a semana trouxe também interação e entretenimento aos estudantes da Apae de Ji-Paraná. Na quarta-feira (23) os alunos participaram de uma confraternização em uma boate e nesta quinta-feira (24) foram ao cinema.

“Quase 80% dos alunos não tem esse espaço, para eles é novidade, por isso colocamos na programação a ida dos alunos a boate e também ao cinema, onde eles podem se divertir e ficar todos à vontade. É a inclusão em um espaço de lazer”, conta o assistente social.

Nesta sexta-feira (25) um churrasco de confraternização será realizado em um parque aquático da cidade. O evento será encerrado na próxima segunda-feira (28) com a realização de uma palestra motivacional.

Fonte: g1.globo.com

Pessoas com mais de 40 anos devem fazer teste para hepatite C, diz campanha

Campanha para diagnóstico precoce de hepatite C alerta para a necessidade de exames nessa população. Segundo dados do Ministério da Saúde, 1,5 milhão de pessoas não sabem que têm o vírus.

Por Monique Oliveira, G1

O teste rápido para hepatite C mede a presença de anticorpos contra o vírus no sangue  (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)
O teste rápido para hepatite C mede a presença de anticorpos contra o vírus no sangue (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)

O vírus da hepatite C foi mapeado em 1989 nos Estados Unidos. O teste só passou a existir no Brasil em meado dos anos 1990. Soma-se a isso o fato de que a hepatite C é uma doença silenciosa: anos se passam e o vírus, sem avisar, pode levar à cirrose e ao câncer hepático.

Ainda, antes usava-se seringa de vidro no Brasil e agulha reutilizável -- o que contribuiu para a disseminação do micro-organismo. Seringa de plástico só veio depois.

Com tudo isso, muita gente ainda pode ter o vírus da hepatite C sem saber: no caso, 1,5 milhão de pessoas, segundo dados de 2016 do Ministério da Saúde.

E foi esse cenário de desconhecimento que estimulou o lançamento de campanha para a detecção precoce de hepatite C nesta sexta-feira (25) em São Paulo. A iniciativa é da Sociedade Brasileira de Hepatologia e da Sociedade Brasileira de Infectologia.

"O teste só chegou ao Brasil em 1993, antes disso, não se conhecia o vírus. Por isso, a população acima de 40 anos é o principal alvo da campanha", diz Edmundo A. Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Também, segundo o especialista, diabéticos devem fazer o teste. Isso porque a hepatite C tem uma relação íntima com a doença: portadores do vírus têm quatro vezes mais chance de desenvolver diabetes tipo 2.

"Não se sabe muito bem ao certo a relação, mas acredita-se que a hepatite C contribui para a resistência à insulina", explica Lopes.

Como a hepatite C é transmitida pelo sangue, também usuários de drogas injetáveis e aqueles que possuem percings e tatuagens também podem ter sido expostos ao vírus caso material descartável não tenha sido usado.

O que é a hepatite C?

A hepatite C é uma lenta e gradual inflamação do fígado que, no limite, pode levar à cirrose e ao câncer hepático. Com isso, o órgão que tem a importante função de eliminar substâncias tóxicas do corpo pela filtragem do sangue, fica totalmente comprometido.

"Estamos insistindo no diagnóstico porque hoje a chance de cura hoje é de mais de 90% e sem efeitos colaterais", diz Sérgio Cimerman, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

O diagnóstico para a hepatite C é feito pelo teste anti-HCV, que identifica anticorpos no sangue que tentaram lutar contra o vírus. O teste está disponível no Sistema Único de Saúde, mas as entidades exortam para que o exame faça parte da rotina clínica de médicos em populações mais vulneráveis.

Fonte: g1.globo.com

Judiciário inclui direito da pessoa com deficiência em concursos


Todo concurso público do Poder Judiciário deve incluir questões sobre os direitos de pessoas com deficiência. Desde a edição da Resolução n. 230/2016 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o tema constou em, pelo menos, 15 editais para ingresso nos quadros de pessoal de tribunais federais, estaduais, eleitorais e trabalhistas. A inovação faz aniversário neste sábado (22/7).

Dois órgãos exigiram o assunto ainda em 2016: o Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (SE) e a Fundação de Previdência Complementar do Judiciário (Funpresp-Jud). Neste ano, outros 13 exames preveem o tópico.

Antes, direitos de pessoas com deficiência eram cobrados em provas para áreas específicas. O tema constava em campos como engenharia, serviço social e atendimento ao público. Agora, a matéria surge como tópico básico para todos os cargos, de nível médio e superior, em, ao menos, cinco provas de tribunais a serem aplicadas até o fim do ano.

População crescente

Cerca de 15% da população global – mais de um bilhão de pessoas – possui algum tipo de deficiência, estima a Organização Mundial de Saúde (OMS). A taxa sobe à medida que a população envelhece e doenças crônicas avançam, segundo o órgão. Entre brasileiros, o índice é de 23,92%, de acordo com o Censo 2010.

"É um grande segmento que o juiz precisa conhecer, bem como o médico e o arquiteto. Não podem ficar sem esse conhecimento básico", afirma a superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Teresa Costa. "Também é importante que o técnico saiba que um surdo tem o mesmo direito de ser atendido que os demais. O cadeirante, por exemplo, pode precisar de ajuda com um degrau", completa.

Cerca de 500 causas ligadas a pleitos de deficientes tramitam no Judiciário fluminense, assistidas pelo IBDD. Acesso à saúde, interdições clínicas e acessibilidade em meios de transporte estão entre as principais requisições. "São casos que chegam à Justiça toda hora, direitos básicos à dignidade e à sobrevivência", relata a superintendente.

"Exigir esse conhecimento é um avanço incrível. Só faz crescer a noção de igualdade na sociedade", define Teresa. "O Brasil tem uma das legislações mais modernas na área. No entanto, não consegue fazer com que seja respeitada", diz.

O próprio teor da resolução é requisitado em prova de concurso, ao lado de leis como o Estatuto da Pessoa com Deficiência. O texto instituiu comissões permanentes de acessibilidade e inclusão em todo o Judiciário. Determinou, ainda, a remoção de barreiras físicas e de comunicação, e que no mínimo 5% do quadro de cada órgão interprete língua de sinais.

Fontes: PORTAL CNJ JUDICIÁRIO - nandoacesso.blogspot.com.br

Tenho que encarar e me acostumar com a realidade

Me chamo Viviane, tenho 25 anos, convivo com o diagnóstico de artrite reumatoide há 2 meses, sou balconista, moro em São Vicente – SP.

Por Priscila Torres*


Há alguns meses vinha sentindo muita dor no tornozelo esquerdo, fui para vários especialistas, ortopedista, vascular, neurologista e clínicos, cada um falava uma coisa diferente, até que no terceiro ortopedista que fui, pediu para que eu procurasse um reumatologista. Após 2 meses só sentindo dor e tomando injeção na emergência do hospital e levando vários atestados para o trabalho, fui atendida pelo reumatologista, que pediu alguns exames de sangue.

Depois de alguns dias levei o resultado e ele falou que eu estava com artrite reumatoide, não me assustei muito pois não conhecia o problema, o medico muito arrogante falou que estava no início e que eu só precisava ter força de vontade, me senti muito mal neste momento pois por trabalhar 8 horas em pé com apenas 15 minutos de lanche, e o problema ser no tornozelo, achei muito forte a resposta. No mesmo dia o médico já me passou o remédio para o tratamento. Já estou utilizando o medicamento há mais de um mês e estava me sentindo melhor, desinchou muito minhas articulações, porém tem 5 meses que não caminho como as outras pessoas, todos os dias acordo com uma dor imensa e não consigo apoiar por completo o pé no chão , começo a forçar e ao poucos consigo andar, porém mancando.

Há mais de 1 mês que estou tomando o remédio e acordei com o pé muito inchado e doendo, uma moleza tremenda no corpo, vontade de ficar na cama o dia inteiro, sem precisar me apoiar em meus pés , mas a realidade é outra, tenho que ir trabalhar pois tenho muito medo de ser mandada embora por causa dos atestados, e isso amigos não é fácil, acordar e não ter ânimo como antes, quase não saio de casa porque fico mancando, minha vida mudou muito, fico triste mas tenho que encarar e me acostumar com a realidade, um abraço.

Priscila Torres*
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil - http://www.artritereumatoide.blog.br/

Brasileiro critica falta de acessibilidade em voo internacional da Avianca

Publicitário que tem tetraparesia e pesa mais de 90 quilos voltava do México para São Paulo e precisou ser carregado por funcionários da companhia aérea porque não havia elevador, rampa ou finger no aeroporto de Cancún. Cliente informou à empresa que tem deficiência, mas não foi colocado em poltrona adequada.

Luiz Alexandre Souza Ventura

Alexei Schenin publicou post no Instagram para denunciar o descaso. Imagem: Reprodução

O publicitário brasileiro Alexei Schenin, de 43 anos, que tem tetraparesia espástica e usa a cadeira de rodas há 15 anos, avalia se vai acionar a Justiça após passar por uma situação de constrangimento e de risco para a sua segurança em um aeroporto do México.

Schenin estava com a namorada no Aeroporto Internacional de Cancún, onde pegou um voo da Avianca Internacional (AV969) às 13h48 desta quinta-feira, 24, para voltar a São Paulo, com escala em Lima, no Peru. Acostumado às regras das companhias, ele informou na compra da passagem que tem uma deficiência

“Chegamos no aeroporto e pedimos informações sobre o portão de embarque. O funcionário nos informou que seria feito pelo andar térreo, que não havia elevador para entrar no avião, mas que não era necessário se preocupar porque ‘quatro pessoas capacitadas’ fariam esse trabalho”, diz o publicitário.

“As quatros pessoas não eram capacitadas, entre elas havia um idoso, e o embarque foi muito complicado. Eles me colocaram em uma cadeira específica, que tem um cinto de segurança, mas é muito precária. Quase me derrubaram pela escada e, diferente do havia sido informado, o embarque não foi prioritário”.

Com mais de 1,90m de altura e pesando 90 quilos, Schenin ressalta que pediu aos comissários de bordo para usar uma poltrona na primeira fila, algo comum no Brasil para passageiros com deficiência, mas isso foi negado. “Os assentos do meio são muito apertados e, apesar do meu tamanho, os funcionários da companhia aérea disseram que não seria possível mudar porque o avião estava lotado, mas havia muitas cadeiras vazias”, diz o publicitário. “A única mudança que fizeram foi retirar o passageiro sentado na minha frente para melhorar o espaço para minhas pernas”.

Outro problema relatado pelo brasileiro em Cancún e também em Lima é a barreira do idioma. “É muito difícil conversar, explicar os detalhes, falar com as pessoas. É realmente horrível”.

Brasileiro pegou voo da Avianca Internacional (nº 969) às 13h48 desta quinta-feira, 24, para voltar a São Paulo, com escala em Lima, no Peru. Imagem: Arquivo Pessoal/Alexei Schenin
Brasileiro pegou voo da Avianca Internacional (nº 969) às 13h48 desta quinta-feira, 24, para voltar a São Paulo, com escala em Lima, no Peru. Imagem: Arquivo Pessoal/Alexei Schenin

RESPOSTA – O #blogVencerLimites entrou em contato com Aeroporto Internacional de Cancún por meio de mensagens enviadas aos dois e-mails informados na página do terminal na internet, mas não houve resposta.

Procurada, a Avianca Brasil afirmou que é independente e tem operações separadas da Avianca internacional, responsável pelos voo usado pelo brasileiro. Dessa forma, pedimos explicações à Avianca Internacional e aguardamos resposta.

REGRAS – A ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) informou ao blog que só pode intervir em casos que ocorram em solo nacional e os operadores aéreos sejam brasileiros. “A agência sempre orienta que os passageiros verifiquem o contrato de transporte e também as regras do país de embarque. É importante esclarecer que cada país possui suas próprias regras. Não há uma regra internacionalizada. Por esse motivo, o passageiro deve estar atento às regras vigentes do país de origem, pois essas valerão, pelo princípio da extraterritorialidade”, destacou a agência em nota enviada por e-mail.

Acessibilidade na periferia de São Paulo

Moradores de Cidade de Tiradentes, na zona leste da capital paulista, destacam problemas como ausência de sinalização adequada, falta de semáforos acessíveis, manutenção precária nas calçadas e rampas irregulares. Encontro nesta quarta-feira, 23, debate a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente familiar. Confira na reportagem uma galeria de imagens do bairro feitas pelo fotógrafo Carlos Goff.

por Luiz Alexandre Souza Ventura

Foto: Carlos Goff - http://carlosgoff.wixsite.com/fotografia (clique aqui)

Levar acessibilidade a todos os bairros de qualquer cidade é um desafio que exige comprometimento do poder público e uso correto dos recursos que garantam aos moradores conforto e segurança para ir e vir. Em São Paulo, essa realidade é multiplicada pelo tamanho da metrópole, que abriga mais de 2.7 milhões de pessoas com deficiência.

Assuntos relacionados ao universo da pessoa com deficiência serão discutidos nesta quarta-feira, 23, no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes (CFCCT), a partir das 10h. Com o tema ‘A pessoa com deficiência e sua família’, o ‘Café com Direitos’ pretende dialogar sobre a inclusão dentro de casa, com troca de experiências para incentivar a reflexão sobre os desafios na busca pela garantia de direitos. O evento é mensal e aborda temáticas que favoreçam a promoção e a defesa de direitos da população da zona leste da capital paulista.

Foto: Carlos Goff - http://carlosgoff.wixsite.com/fotografia (clique aqui)

“É muito ruim. As rampas são mal feitas. E não há sinalização no chão, piso tátil, semáforos sonoros e outros recursos. Muitas vezes preciso andar pela rua”, diz Galdino Oliveira Teixeira, de 70 anos, morador de Cidade Tiradentes desde 1989.
“Parece que os responsáveis não fiscalizam. Entregam os projetos nas mãos de terceiros e jamais visitam os locais para verificar o que foi feito”, diz o Oliveira, que usa a cadeira de rodas há dez anos.

Foto: Carlos Goff - http://carlosgoff.wixsite.com/fotografia (clique aqui)

Foto: Carlos Goff - http://carlosgoff.wixsite.com/fotografia (clique aqui)

Recursos de acessibilidade beneficiam muito mais do que pessoas com deficiência. Devem atender toda a população. E, muitas vezes, passamos a observar esse detalhe somente quando precisamos usar.

“Meu olhar para a acessibilidade aumentou. Eu não imaginava a dificuldade que as pessoas com cadeira de rodas enfrentam”, diz Antonia Aurilene Gomes de Araújo Santos, de 40 anos, mãe do menino Luiz Miguel, de 5 anos, diagnosticado recentemente com autismo. “Não há rampas na calçadas, nem mesmo nos pontos de ônibus, um lugar que precisa muito desse recurso. Para quem tem deficiência visual, falta piso tátil. Eu, por exemplo, jamais havia pensado em como é importante a presença de um semáforo com áudio nas cidades”.

Foto: Carlos Goff - http://carlosgoff.wixsite.com/fotografia (clique aqui)

Foto: Carlos Goff - http://carlosgoff.wixsite.com/fotografia (clique aqui)

Foto: Carlos Goff - http://carlosgoff.wixsite.com/fotografia (clique aqui)

“Temos intensificado, com as demais secretarias municipais, o trabalho de interlocução sistemática com as prefeituras regionais para conhecer a fundo as expectativas e necessidades da população com relação a acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência”, afirma Cid Torquato, secretário da pessoa com deficiência de São Paulo, que participa da atividade desta quarta-feira, junto com Marinalva da Silva Cruz, secretária adjunta, e Tuca Munhoz, assessor técnico da SPTrans. O encontro terá interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

A reunião será na Biblioteca Temática em Direitos Humanos Maria Firmina dos Reis, no andar térreo do Centro de Formação Cultural, que fica na Avenida Inácio Monteiro, nº 6.900, na esquina com a Rua Alexandre Davidenko. A entrada é livre.

“O evento traduz nossa atuação transversal e parecerias com as outras pastas – no caso Trabalho, Cultura e Direitos Humanos -, bem como nossa obrigação de levar os serviços e políticas públicas municipais em prol das pessoas com deficiência, principalmente às regiões e bairros mais carentes de nossa cidade”, ressalta Torquato.

Pessoas não podem ser definidas por suas doenças

Mudança de análise sobre o que é uma deficiência, suas causas e consequências, vai abrir caminhos para quem está no 'limbo' jurídico e não consegue obter benefícios garantidos em lei. Avaliação médica, com uso do Código Internacional de Doenças (CID), será substituída pela aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), com observação de fatores biológicos, psicológicos e sociais que podem impedir o exercício da cidadania.

por Luiz Alexandre Souza Ventura

Novo método de avaliação das deficiências deve estar implantado no País já em 2018. Imagem: Reprodução
Novo método de avaliação das deficiências deve estar implantado no País já em 2018. Imagem: Reprodução

Uma pessoa não pode ser classificada somente por sua doença ou por características física, sensorial e intelectual para exercer a cidadania, ser incluída na sociedade, ter acesso a direitos ou cumprir seus deveres. A avaliação do ser humano e suas deficiências precisa ser muito mais abrangente e considerar de que forma suas limitações, quando existem, impedem convivência, socialização e evolução, e resultam na exclusão.

Reportagem publicada pela associação Amigos Múltiplo pela Esclerose (AME) mostra como a mudança do pensamento sobre o que é uma deficiência, suas causas e consequências, pode abrir caminhos para quem enfrenta a Esclerose Múltipla (e outras doenças que causam deficiências) requerer, por exemplo, aposentadoria especial, Benefício de Prestação Continuada (BPC), vagas de trabalho exigidas pela Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 – chamada de Lei de Cotas -, Carteira Nacional de Habilitação (CNH) especial e isenção de impostos na compra de carros, ou o Auxílio-Inclusão (especificado na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – Nº 13.146/2015).

“Pessoas com Esclerose Múltipla não são obrigatoriamente consideradas com deficiência. Quem tem doença neurológica, mas não apresenta sintomas que afetem a capacidade, seja de forma parcial ou plena, não é considerado uma pessoa com deficiência”, explica a advogada Sumaya Afif, que atende pessoas que têm EM e seus familiares na busca de benefícios previstos em lei. “O Código Internacional de Doenças (CID) G35, que identifica a EM, indica apenas que a pessoa tem uma doença neurológica desmielinizante”.

Aos olhos da lei, existem cidadãos com claras possibilidades de serem contemplados pelas legislações, mas há pessoas que estão no ‘limbo’, o que inclui quem tem Esclerose Múltipla, por suas características (no âmbito jurídico é chamado de ‘necessidades especiais’), como fadiga, descontrole da bexiga, reações ao calor excessivo e outros sintomas para os quais não há um CID específico. É uma distinção que provoca a exclusão.

“Se o paciente de EM tem uma crise, um surto, mas isso não afeta sua capacidade, sua mobilidade, ele não será considerado uma pessoa com deficiência. Agora, se o surto provocar por exemplo uma monoplegia de membro inferior, CID G83.1, ou uma paraplegia espástica, CID G11.4, a classificação é alterada”, destaca a advogada. “Essa mudança tem de ser feita pelo médico, e esse profissional precisa ter muita sensibilidade para deixar o paciente mais confortável a pleitear qualquer benefício”.

             
“Nossas batalhas diárias por um mundo mais inclusivo, mais receptivo às diferenças, tomam cada vez mais forma e espaço na sociedade e nas empresas”, diz a fotógrafa Maria Paula Vieira.

NOVO CENÁRIO – Para a auditora fiscal do trabalho, Ana Maria Machado da Costa, a avaliação da deficiência no Brasil passa por uma grande modificação. A partir da ratificação da convenção da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre os direitos da pessoa com deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão, há uma nova visão sobre o assunto, que deixa de ser somente um impedimento físico, sensorial, intelectual ou mental, mas passa a ser uma interação desses impedimentos com a sociedade.

Coordenadora do Projeto Estadual de Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio Grande do Sul, órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego, Ana Maria Costa explica que um novo método de avaliação deve estar implantado no País já em 2018.

“A avaliação da deficiência por um laudo médico será substituída por um modelo biopsicossocial (estudo da causa ou progresso da doença usando fatores biológicos, psicológicos e sociais), feito por equipe multidisciplinar e multiprofissional. Não será mais apenas uma avaliação médica. Dessa forma, não será o CID que irá determinar a deficiência, mas sim os impedimentos da pessoa e a relação desses com a sociedade, os obstáculos e dificuldades para o exercício da cidadania”.

No caso da Esclerose Múltipla, comenta a coordenadora, há uma diversidade de sintomas e manifestações. E, muitas vezes, antes de apresentar qualquer sequela, a pessoa que tem EM já é classificada como alguém que não terá condições futuras de trabalhar. “É a sociedade limitando os direitos dessa pessoa de exercer a sua cidadania”.

O grupo que trabalha nessa mudança é coordenado pela Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) e cada ministério que tem políticas públicas voltadas a esses cidadãos tenta validar um instrumento para essa avaliação.

“O foco da discussão não é mais o CID, mas sim a CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade) e as barreiras que a pessoa enfrenta para ser cidadão. Não estamos mais debatendo se a pessoa tem essa ou aquela doença. Estamos avaliando a vida dessa pessoa na sociedade”.

Aos olhos da lei, existem cidadãos com claras possibilidades de serem contemplados pelas legislações, mas há pessoas que estão no 'limbo' por suas características ou sintomas, para os quais não há um CID específico. É uma distinção que provoca a exclusão. Imagem: Reprodução
Aos olhos da lei, existem cidadãos com claras possibilidades de serem contemplados pelas legislações, mas há pessoas que estão no ‘limbo’ por suas características ou sintomas, para os quais não há um CID específico. É uma distinção que provoca a exclusão. Imagem: Reprodução

DESIGUALDADE – A psicóloga Vitória Bernardes, especializada na inclusão de pessoas com deficiência, explica que há uma grande dificuldade na produção de laudos para pessoas com Esclerose Múltipla por causa do CID. “A classificação de funcionalidade abre uma grande possibilidade de aumentar o conhecimento sobre como quem tem EM está em desigualdade de oportunidades. O CIF vai avaliar questões físicas, sociais e até culturais”, diz a especialista.

“Quando uma pessoa com EM vai fazer entrevista de emprego, dificilmente será contratada, principalmente se não tiver amparo legal, como a Lei de Cotas, por exemplo. Não somos o resultado somente das nossas deficiências, mas do encontro dessas limitações com a realidade sociocultural”.

Acostumada a enfrentar com sua cadeira de rodas os obstáculos impostos pela falta de acessibilidade no dia a dia, a psicóloga afirma que pessoas não podem ser avaliadas como se estivessem isoladas por suas doenças. “Os maiores perrengues de pessoas com deficiência são provocados por essa interação sociocultural. Por isso que o CIF é importante, porque vai avaliar todos os fatores, a pessoa em sua totalidade, para compreender os contextos nos quais está inserida e determinar se a pessoa tem, de fato, uma deficiência”.

Discussão sobre uso da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) evoluiu a partir da promulgação da Lei Brasileira de Inclusão. Imagem: Reprodução
Discussão sobre uso da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) evoluiu a partir da promulgação da Lei Brasileira de Inclusão. Imagem: Reprodução

CONADE – A implantação do Código Internacional de Funcionalidade no Brasil é uma das principais discussões no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), explica o conselheiro Wilson Roberto Gomiero, que representa a AFAG (Associação dos Familiares, Amigos e Portadores de Doenças Graves).

Gomiero recebeu o diagnóstico de Esclerose Múltipla aos 37 anos. Hoje, com 63, tem triplegia com espasmos (somente a mão direita funciona normalmente), e acumula longa experiência no enfrentamento da doença e principalmente da forma como a sociedade impede que pessoa com EM cuidem da própria vida.

“Para fazer a implantação do CIF, criamos um comitê de trabalho com cidadãos, representantes da Previdência, dos ministérios da Saúde, do Trabalho, que estão qualificando os critérios de enquadramento do código. Esse processo está em construção nesse momento”, explica o conselheiro. “Estamos mudando totalmente a forma de observar a deficiência. É algo promissor”.

A discussão sobre essa mudança e sobre uso do CIF evoluiu a partir da promulgação da Lei Brasileira de Inclusão, afirma Gomiero. “Acredito que essa alteração será consolidada em um período de quatro anos. A partir da implementação com qualidade, serão eliminadas as falsidades na identificação de pessoas com deficiência. No caso da Esclerose Múltipla, o benefício virá pelo olhar diversificado dos sintomas, por psicólogos, médicos, fisioterapeutas e outros especialistas”, conclui.

Evento para incentivar doação ocorre amanhã

ANDRÉ ROSSI AMERICANA

Divulgação
1ª EDIÇÃO DO EVENTO  Cerca de 400 adquiriram camisetas

O Centro de Terapia Renal de Americana realiza amanhã a 2ª Caminhada Renal da cidade. O objetivo é incentivar a doação de órgãos e a conscientização sobre o tema. A concentração será na Avenida Brasil, em frente à prefeitura, com início marcado para as 9h.

Cerca de 400 pessoas adquiriram a camiseta do evento, de acordo com a nutricionista do centro, Cleonice Bardi. Porém, qualquer pessoa pode participar da caminhada.

"Vamos estar com a equipe completa, com educador físico, equipe de enfermagem do Centro de Terapia Renal, médicos. (...) Fizemos a venda das 400 camisetas, então esperamos que ao menos esse número de participantes compareça", disse Cleonice.

Os participantes sairão da frente da prefeitura às 9h e caminharão até a Unimed, que também fica na Avenida Brasil. Depois, eles retornarão ao ponto de partida, onde será servido um lanche aos presentes.

Essa é a segunda caminhada organizada pelo centro. A do ano passado buscava chamar a atenção para a doença em si. Já a edição deste ano tem como maior foco a doação de órgãos.

"O mês para doação de órgãos é setembro. Antecipamos um pouco, última semana de agosto, para já chamar a atenção. (...) Quando começa o tratamento (da hemodiálise), as chances de alta são muito baixas. A alta vem mesmo pelo transplante", informou Cleonice.

200 PESSOAS
Segundo Cleonice, 200 americanenses sofrem de doença renal e fazem hemodiálise na cidade. Geralmente, as sessões são realizadas três vezes por semana, sendo que cada uma demora em média quatro horas.

Após alerta de manicure, mulher descobre que mancha na unha era câncer.

Imagem: Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook
Uma americana descobriu um câncer após ir à manicure

Denise de Almeida Do UOL

A manicure Lisa Harrison chamou a atenção nas redes sociais ao contar como uma cliente descobriu um câncer por conta de uma mancha na unha. Uma mulher, que não teve o nome revelado, chegou ao salão de beleza em que Lisa trabalha com uma marca escura em suas unhas. Lisa conta que, quando a cliente chegou ao salão, apenas pediu um esmalte escuro o suficiente para cobrir a listra negra que estava em suas unhas já há algum tempo.

Quando a manicure perguntou mais a respeito do sinal, a mulher contou já ter sido aconselhada em outros salões de beleza e que aquilo poderia ser sinal de falta de cálcio, sangue preso ou mesmo algo hereditário.

"Isso é melanoma! Não quis assustá-la, mas disse que ela precisava procurar um médico imediatamente", contou a manicure em sua página no Facebook.

Dias depois a cliente ligou para Lisa e revelou que havia recebido o diagnóstico de um melanoma muito agressivo, que já havia se espalhado para seus nódulos linfáticos.

A manicure lembrou, em seu post, a importância de investigar mudanças em seu corpo. "Por favor, preste atenção a anormalidades em suas unhas.Alterações nelas podem geralmente não ser preocupantes, mas às vezes é a indicação de uma doença muito séria", escreveu.

Lisa termina a mensagem pedindo que os seguidores verifiquem sinais nas unhas dos pés e mãos de idosos ou de outras pessoas incapazes de fazerem este autoexame. "Um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença", alertou.

O que é o melanoma?

Doença responsável por 30% de todos os tumores malignos diagnosticados no Brasil, o melanoma é um câncer de pele, explica o doutor José Carlos Torres,mastologista e ginecologista oncológico do Hospital Albert Einstein e do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher, da Unicamp.

Este câncer atinge o melanócito, a célula que produz a melanina, pigmento que dá cor à pele. Segundo o médico, pessoas de pele branca estão muito mais sujeitas ao risco de melanoma.

"A radiação solar é um dos fatores produtores de melanoma, mas também há casos em áreas não expostas ao sol. O sol não é o único fator, mas o fato é que é mais comum em brancos e em áreas da pele expostas ao sol", esclarece Torres.

É por isso que o uso de protetor solar reduz o risco de melanoma, alerta o médico.

Para Torres, o caso da americana que descobriu o câncer por conta da mancha na unha é extremamente incomum, já que a unha representa uma certa proteção à pele, mas pode ocorrer e é de difícil diagnóstico.

"Geralmente a doença avança mesmo, porque a pessoa acha que é uma manchinha, não dá muita importância. Ali naquela região ninguém está esperando que possa ter um tumor. A maioria das pessoas acha que é uma batidinha que sofreu ali na unha", afirma.

Torres recomenda que qualquer pessoa que note uma mancha -- seja a marca mais clara ou mais escura do que a pele -- nova pelo corpo deve procurar um dermatologista, para investigar o caso. Manchas que sangram, coçam ou crescem também devem ser analisadas. "Ainda que não seja nada grave, é melhor que o médico veja e diga isso do que a pessoa correr risco", explica.

ONG inaugura banco de perucas com mais de 50 modelos diferentes para doação.

Reprodução/Cabelegria
Além da unidade recém-inaugurada, o projeto também está presente no hospital Santa Marcelina
Além da unidade recém-inaugurada, o projeto também está presente no hospital Santa Marcelina

do BOL, em São Paulo

Criada em 2013 para confeccionar perucas para pacientes em tratamento contra o câncer, a ONG Cabelegria inaugura nesta sexta-feira (25) um banco de perucas no Instituto do Câncer Dr. Arnaldo,em São Paulo. A partir do envio de fios por voluntários, o local oferece mais de 50 modelos de perucas para doação.

O banco de perucas da ONG possui modelos com as mais diferentes variações, incluindo tons e cortes diferentes, incluindo modelos coloridos e com dreads.

O Cabelegria aceita doações de mechas, com fios a partir de 20 cm, toucas para confeccionar a base da peruca e linha para costurar as mechas na base. Maiores informações podem ser consultadas na página da ONG ou na publicação a seguir:

                  

Para doar o cabelo precisa ter, no mínimo 20cm, aceitamos cabelos tingidos e que possuam química desde que estejam em bom estado.
Por favor, amarre o cabelo e coloque-o em um saco plástico para que fique mais seguro e protegido. Pedimos também, que esteja completamente seco (o cabelo pode estragar se estiver molhado ou úmido).
Pedimos que por favor que não mandem com trança ou com muito creme.
Segue o endereço, para envio:
A/C Cabelegria
Caixa Postal – 75207
São Paulo/SP
CEP. ‪02415-972

Obs. Somente esses dados são suficientes para o envio
O certificado estará disponível no site em no máximo um mês e meio, após o recebimento.
Para isso é importante que junto com o cabelo tenha um papel com NOME COMPLETO – ENDEREÇO - CEP – CPF
Pedimos que por favor, mantenha consigo o código de rastreamento para que possa confirmar a entrega da doação.
Doações em mãos são recebidas nos locais abaixo:
Banco de Perucas Móvel (roteiro disponivel no site www.cabelegria.org)

- Hospital Santa Marcelina (terca e quarta das 10h às 14h – quinta das 08h as 12h) - Rua Santa Marcelina, 174 – Itaquera – São Paulo/SP
- Instituto Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho (Segunda à Sexta das 10h às 16h) -Rua Dr. Cesário Motta Jr., 112 – Vila Buarque – São Paulo/SP
Você também pode nos ajudar a transformar todas as doações de cabelos em linda perucas, acesse o site, compre um de nossos produtos e nos ajude na confecção das perucas! www.cabelegria.org/loja

Obrigada por apoiar nossa corrente do bem!

Brasil terá 26 atletas na II Copa Sul-Americana de Tiro Esportivo, no Rio de Janeiro

Imagem

Por CPB

Dez atletas da Seleção Brasileira e 16 atletas de clubes de tiro esportivo se enfrentarão na II Copa Sul-Americana de Tiro Esportivo, de 2 a 6 de setembro, no Centro Militar de Tiro Esportivo (CMTE) - Complexo de Deodoro, no Rio de Janeiro. O evento, organizado pela Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE), receberá pela primeira vez provas do programa paralímpico e contará ainda com atiradores da Colômbia.

A competição valerá pontos para obtenção do índice mínimo para ir ao Campeonato Mundial da modalidade, em maio do ano que vem, em Cheongju, na Coreia do Sul. Embora a performance na Copa Sul-Americana não garanta a vaga no evento, os critérios utilizados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) na escolha dos atletas que fazem parte da Seleção no Rio são os mesmos adotados pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, em inglês) para o Mundial.

“A Sul-Americana é um preparatório para o Mundial, uma das competições mais importantes que temos antes dos Jogos Paralímpicos e vale vaga para Tóquio 2020. Depois dela, temos as Copas do Mundo e o Parapan-Americano de Lima, no Peru, em 2019”, disse James Walter, técnico da Seleção Brasileira.

O palco do evento, aberto apenas para convidados, será o mesmo utilizado no Rio 2016, no Complexo de Deodoro, e a competição contará com a presença de três atletas que participaram da edição brasileira dos Jogos Paralímpicos: Geraldo Rosenthal, Carlos Garletti e Alexandre Galgani.

Fonte: cpb.org.br

Conheça, Marcos Melo Jr...Veja o vídeo.

Eu me chamo Marcos Melo Jr, tenho 38 anos sou fisioterapeuta e sempre fui aquele tipo de cara que adora desafios e esporte.


Já tinha feito muitos tipos de esportes diferentes, montain bike, trilha de moto, canyoning, escalada em rocha e etc. Um esporte que eu sempre quis fazer foi o que ocasionou meu acidente e consequentemente minha lesão medular. Foi fazendo vôo livre de asa delta que em 2007 fui jogado contra a montanha e bati de cabeça em uma rocha fraturando todas as vértebras do pescoço e explodindo a C6 e ficando tetraplégico.

Depois da lesão veio a reabilitação e as dificuldades.

Como sou e sempre fui um atleta fiquei pensando como poderia retornar aos esportes que sempre pratiquei. Para um tetraplégico é sempre mais complicado começar em um esporte adaptado pela própria limitação causada pela lesão.

Conheci primeiramente a natação ainda na reabilitação, mas não gosto muito de piscina. Passei pelo Rugby em cadeira de rodas, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, esgrima em cadeira de rodas sendo três vezes campeão brasileiro e terminando por enquanto no paraciclismo. Iniciei no paraciclismo em dezembro de 2014 muito timidamente, logo apaixonei pela sensação de liberdade e vento na cara, sensação que sentia seis vezes por semana antes da lesão, pedalava praticamente todos os dias.

                                        

Logo os passeios com a handbike se tornaram em treinos que foram me levando mais longe e mais rápido.

Ja em 2015 competindo conquistei o primeiro e segundo lugares na última etapa da Copa Brasil de Paraciclismo. Em 2016 iniciei o ano brigando pelo título do campeonato brasileiro, uma competição tão acirrada e equilibrada que só foi decidida na última prova da última etapa de 2016.

Terminei o ano com o vice-campeonato, mas com gostinho de vitória. Realizei a última prova somente com uma marcha. No transporte para a competição quebraram o cambio da bicicleta me impossibilitando de fazer as mudanças tão importantes.

Agora em 2017 já iniciei o ano com um segundo e terceiro lugar na primeira etapa da Copa Brasil de Paraciclismo.

Este ano está sendo um ano para concretizar alguns outros projetos como um canal no YouTube. Vários amigos sempre me deram força para iniciar esse projeto por eu ser fisioterapeuta e ter passador por diversas vivências que com certeza ajudará muitas pessoas.

O canal se chama "Marcos Melo Jr - Tocando a Vida" e tem várias dicas sobre assuntos diversos como esporte, viagens, deficiência. Segue o link do último vídeo. Espero que gostem:



Ah, se quiserem me adicionar meu face é facebook.com/mmelojr

                           


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Escritora viúva com seis filhos autistas e um disléxico inspira famílias

Dos sete filhos de Vikie, seis têm Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Dos sete filhos de Vikie, seis têm Transtorno do Espectro Autista (TEA) Foto: Facebook/Reprodução

Após a morte do marido, a vida de Vikie Shanks, de 59 anos, mãe de sete jovens, dos quais seis são autistas e um é disléxico, tornou-se ainda mais desafiadora. Para contornar as dificuldades, ela passou a escrever um blog, palestrar sobre o tema e se engajar com outras famílias que convivem com pessoas diagnósticadas com o transtorno do espectro autista, inspirando-as a continuar firmes na criação dos filhos, frisando que a condição neurológica não é o que os define.

"Uma pessoa com autismo deve viver em um mundo que foi preparado para pessoas 'neurotípicas', então não deveria ser uma surpresa que, estatisticamente, eles são mais propensos a experimentar problemas de saúde mental coexistentes", afirma Vikie, cujos dois filhos mais novos têm paralisia cerebral, em entrevista à emissora britânica "ITV News Central".

Com isso, autora nascida no Iêmen, na Península Arábica, fez referência a um estudo da Universidade de Coventry, no Reino Unido, que descobriu que dois terços dos adultos recém-diagnosticados com o TEA atentaram contra a própria vida. Mas para Shanks, esse dado não foi uma surpresa. Ela acredita que seu marido, Paul, que cometeu suicídio há 10 anos, também tinha o espectro, além de diversos distúrbios mentais.

Em seu blog, Shanks escreveu que os filhos eram ainda pequenos quando perderam o pai e, na época, não ficaram sabendo dos detalhes que levaram a sua morte.

"Autismo pode ser comparado a computadores, Windows versus Linus, mesmas máquinas; diferentes sistemas operacionais, nenhum é melhor do que o outro, é apenas sobre entender como cada um funciona" frisou Shanks, que nasceu em Aden, no Iêmen, mas mora atualmente em Warwickshire, na Inglaterra.

                Vikie Shanks e seus filhos
              Vikie Shanks e seus filhos Foto: Divulgação / Vikie Shanks Blog

Shanks salientou que sempre a perguntam como ela conseguiu criar seus filhos sozinha após ficar viúva. Quando ela é questionada sobre isso, diz que "dormiu muito pouco" e que precisou de muita energia.

"Eu não ousava parar para sentar ou relaxar pelo medo de que nunca seria capaz de me levantar novamente!", disse.

A escritora contou que aprendeu a desenvolver uma estratégia de não pensar muito no futuro, porque seria "assustador demais".

"Sem família para contar e com apenas alguns poucos amigos próximos, todos os dias era um pesadelo logístico. E agora aqui estamos, com três dos mais novos atendendo escolas especiais e os outros indo para regulares", afirmou Shanks.

Ela salientou ainda que as pessoas criam muitas expectativas com relação aos outros, incluindo seus filhos. No entanto, disse acreditar não ser preciso muito esforço para tornar as vidas deles menos estressantes.

"Tudo o que é necessário para conseguir isso é uma melhor compreensão, consciência e tolerância de suas diferenças", contou.

Sua história, publicada no livro "Unravelled: The inspirational true story of a journey out of darkness" (Decifrada: A verdadeira história inspiradora de uma jornada para além da escuridão, em tradução livre), já foi inclusive abordada por ela em uma palestra no TEDx, com o tema: "Porque meus filhos autistas não precisam de uma 'cura'".

"Se o seu filho tem o espectro autista, por favor, converse sobre isso com ele. Ajude-o a entender que o autismo dele não o define", completou Shanks.

Vikie Shanks no TEDx em 2016
Vikie Shanks no TEDx em 2016 Foto: Facebook/Reprodução

'Sinto saudade de ser criança': em uma década, gravidez de meninas de 10 a 14 anos não diminui no Brasil

Ausência de educação sexual e tolerância com abusos ajudam a explicar 305 mil nascimentos entre crianças e pré-adolescentes de 2005 a 2015; piores índices são na região Norte.

Por BBC

Maria, que engravidou aos 13 anos: 'Quando entendi que estava grávida, senti muito nervosismo. Pensei: não vou ser mais criança, agora eu vou cuidar de outra criança' (Foto: BBC Brasil)
Maria, que engravidou aos 13 anos: 'Quando entendi que estava grávida, senti muito nervosismo. Pensei: não vou ser mais criança, agora eu vou cuidar de outra criança' (Foto: BBC Brasil)

Aos 13 anos de idade, Maria entendia pouco sobre seu próprio corpo. Demorou quatro meses para descobrir que esperava um filho - fruto da primeira relação sexual que teve na vida, com um homem de 21 anos. Até receber a notícia da gravidez, Maria não sabia como ocorre uma gestação - jamais tinha recebido qualquer orientação em casa ou na escola. Tampouco sabia que a lei brasileira configura situações como a dela como estupro de vulnerável.

No posto de saúde de Autazes (AM), município a quatro horas de distância de lancha e carro de Manaus, Maria recebeu um único atendimento psicológico. O objetivo do profissional, conta ela, foi explicar o que era ser mãe.

"Quando entendi que estava grávida, senti muito nervosismo. Pensei: não vou ser mais criança, agora eu vou cuidar de outra criança", lembra ela, com a fala tímida, enquanto o filho, hoje com três anos, circula pela casa simples onde moram.

Maria e a criança são sustentadas pelos minguados rendimentos que a mãe dela recebe com bicos em serviços domésticos e o Bolsa Família. Sua condição não é exceção na cidade de Altazes onde, segundo o IBGE, quase metade dos domicílios tem renda total de no máximo um salário mínimo. Maria teve que deixar a escola - perguntada sobre o que fará no futuro, respondeu que não sabe.

Sente saudade de ser criança? "Sinto. Eu jogava bola na rua, bola de gude". E agora? "Não…. Fico em casa e vou à igreja", diz, enquanto revê na televisão o filme "Esqueceram de Mim 3".

Dois anos após o primeiro parto, aos 13, ela sofreu um aborto e, hoje, aos 16, acaba de dar à luz uma menina, que mama em seus braços. Depois do último parto, quis fazer uma laqueadura, mas o procedimento não é permitido para mulheres tão jovens.

Hoje, cria os filhos sozinha. O pai da primeira criança morreu assassinado. O da recém-nascida, de 23 anos, mora em uma comunidade afastada do centro de Autazes e só soube que seria pai quando a gravidez estava no sexto mês. Os dois já não estão juntos - Maria diz que ele ajuda a comprar fraldas ou talco, mas não costuma cuidar da filha. "O que pedir, ele dá, mas tem medo de pegar porque ela é muito pequenininha".

Maria - cujo nome verdadeiro foi preservado para não expô-la, assim como o das demais entrevistadas - é uma das quase 305 mil brasileiras de 10 a 14 anos que tiveram filhos entre 2005 e 2015, segundo o Datasus (banco de dados do Ministério da Saúde), que reúne os registros de maternidades e cartórios.

Os números mostram que a gravidez entre meninas dessa idade ocorre em todo o país, principalmente nas áreas mais pobres, alcançando os piores índices na região Norte. O mais grave é que a taxa de natalidade entre mães nessa faixa etária não tem caído, ao contrário da tendência geral do país, que observa redução da fertilidade.

Com a ajuda da demógrafa Suzana Cavenaghi, a BBC Brasil calculou que o número de nascidos vivos a cada mil mulheres entre 15 e 49 anos caiu de 58,9 bebês em 2005 para 53,6 em 2015. Enquanto isso, a taxa para meninas entre 10 e 14 anos ficou em 3,2 bebês nos mesmos anos.

Não há um banco de dados que permita ampla comparação internacional para gravidez entre meninas dessa idade. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, a gestação nesse grupo etário é bem mais baixa e está em contínua queda: segundo o relatório mais recente do Departamento de Saúde americano, a taxa de nascimentos por mil garotas de 10 a 14 anos caiu de 0,6 em 2007 para 0,2 em 2015. Em 1991, era de 1,4.

Grávida aos 14 anos em uma comunidade pobre amazonense, Lúcia sofreu represálias na escola e na igreja (Foto: BBC Brasil)
Grávida aos 14 anos em uma comunidade pobre amazonense, Lúcia sofreu represálias na escola e na igreja (Foto: BBC Brasil)

Retrocesso na educação sexual

Ouvidos pela BBC Brasil, especialistas das áreas de saúde, educação e direito que acompanham o tema apontam para diversos fatores que podem explicar a persistência desse quadro, com destaque para a falta de orientação sexual em casa e nas escolas.

Segundo a Unesco, o ensino sobre os temas sexualidade e prevenção à gravidez sofreu enorme retrocesso no Brasil desde 2011, quando a polêmica envolvendo o material educativo "Escola sem Homofobia" (que ficou tachado de "kit gay") acabou levando ao recolhimento de todo o suporte didático para educação sexual, que era distribuído desde 2003 para crianças a partir dos 12 anos, no âmbito do Programa Saúde na Escola.

"Hoje, nessa faixa etária de 10 a 14, nada tem sido feito no campo das políticas públicas de educação e sexualidade. Não existe uma diretriz nacional. Isso acaba virando um tabu e, como consequência, temos as crianças engravidando", critica Rebeca Otero, coordenadora de Educação da Unesco no Brasil.

Para o órgão da ONU, a educação sobre sexualidade e gênero deve começar desde os cinco anos, para meninas e meninos. Isso nunca foi implementado no Brasil, diz Otero.

"A orientação da Unesco é que os assuntos sejam adaptados a cada faixa etária: o conhecimento do corpo, por que sente o desejo, o que é abuso sexual. Tendo essa informação, a criança vai saber como se proteger de uma gravidez, como postergar sua vida sexual, caso queira".

Sem orientação, as meninas de menor renda são as mais vulneráveis, nota Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, especializado em sexualidade.
"Muitas vezes, nas casas mais pobres, a família inteira é obrigada a viver num mesmo ambiente. Então, pais fazem sexo e elas não só assistem, como passa a ser algo muito natural ainda cedo", observa.

"E hoje há também muito mais mães e pais separados, em busca de novos parceiros. Essas meninas convivem em ambiente muito mais sensualizado do que antigamente. Mas, ao mesmo tempo em que vivem num mundo social com muita liberdade, há um despreparo da escola, da família, para encarar que elas já podem ser sexualmente ativas. Elas ficam vulneráveis pela ignorância", afirma.

Especialistas acreditam que violência sexual e tolerância com relações supostamente consentidas entre adultos e menores de idade estão por trás da maioria dos casos de gravidez na pré-adolescência (Foto: BBC Brasil)
Especialistas acreditam que violência sexual e tolerância com relações supostamente consentidas entre adultos e menores de idade estão por trás da maioria dos casos de gravidez na pré-adolescência (Foto: BBC Brasil)

'Já vai abrindo as pernas'

E se a escola e a sociedade não educam para evitar a gravidez, em geral também não estão preparadas para acolher as meninas gestantes, ressalta Otero.

Grávida aos 14 anos de um namorado de 19 em uma comunidade pobre de Autazes, Lúcia sofreu represálias na escola e na igreja evangélica. "Já vai abrindo as pernas, depois fica sem condição", disse ter ouvido de um professor.

Ela não queria um filho, mas, religiosa, nem cogitou o aborto. "Sabia que era uma vida, não podia matar."

A filha nasceu há um mês e agora ela só pode ir à igreja se ficar isolada. Foi excluída do grupo de jovens, em que participava do coral, sua principal distração. O pastor quer que ela case com o pai da criança "para voltar à comunhão e participar do grupo de senhoras".

"Eu não sou senhora. Tenho que ter responsabilidade por causa dela, mas não tenho que ser senhora. Me senti abandonada, senti revolta", contou.

Lúcia sente saudade do seu corpo. Os seios ficaram bem maiores, a barriga ganhou estrias. Está traumatizada com a gravidez e diz que não quer mais ter filhos. O processo de parto foi difícil, com duas hemorragias, e acabou em cesárea. "Achei que tinha morrido. Minha vista escureceu, perdi o movimento do corpo. Dor de parto vai quebrando tudo dentro da gente", relembra.

Lúcia decidiu ter uma segunda chance na vida: vai se mudar no próximo ano para Presidente Figueiredo, outra cidade do Amazonas, onde terá o suporte de uma tia. A filha vai ficar com a mãe de Lúcia em Autazes - ela, que também teve o primeiro filho aos 14 e foi obrigada ao matrimônio, apoia a decisão da menina.

"Casamento cedo tira a liberdade. Eu vou sentir saudades da minha filha, mas lá a escola é melhor. Quero ser arquiteta, pegar ela quando eu tiver faculdade e condição de criar", planeja Lúcia.

Abusos por trás da gravidez

Especialistas no tema acreditam também que a violência sexual e a tolerância com relações supostamente consentidas entre adultos e menores de idade estão por trás da maioria dos casos de gravidez na pré-adolescência.

"Nem todos os casos nessa faixa são resultado de estupro, mas o que vemos muitas vezes são meninas que sofrem abusos sexuais durante a infância e isso acaba estimulando sua sexualidade, levando essas meninas a namorarem mais cedo, o que acaba desembocando nessa gravidez", afirma Ana Carolina Araújo, conselheira tutelar em Ceilândia, cidade satélite de Brasília.

A polícia do Distrito Federal registrou 832 estupros de vulneráveis (menores de 14 anos) em 2016, mas Araújo acredita que a maioria dos casos não chega a ser denunciada. Essa é a mesma impressão da delegada Juliana Tuma, titular da única Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescente de Manaus. Ela diz que chegam para ser investigados por dia, em média, de seis a sete suspeitas de estupros de vulneráveis.

No Amazonas, a quantidade de nascidos vivos de mães de 10 a 14 anos cresceu 40% desde 2005 (maior alta entre os Estados), chegando a 1.432 em 2015.

Para o promotor de Autazes, Cláudio Sampaio, que já atuou também em outras cidades do Estado, a redução do problema virá "somente com projetos sociais, um debate maior da própria sociedade, que seja incentivado por órgãos públicos ou por igrejas, pra poder fortalecer o respeito à sexualidade da mulher e o respeito à criança".

"Aqui no Norte, vejo uma cultura, digo no sentido de hábitos que estão enraizados na sociedade, de aceitação das relações sexuais entre crianças e adultos. Isso é considerado normal, infelizmente, e acontece até no próprio núcleo familiar, com padrastos, com irmãos, com tios", afirma.

Mas essa solução proposta pelo promotor esbarra em outro problema que ele próprio identifica: a "ausência do poder público" em uma região distante do restante do país, de grande extensão e com enormes desafios logísticos devido à floresta.

Ele ressalta a necessidade de maior presença do governo federal, já que é comum autoridades locais estarem envolvidas em abusos. O caso mais famoso é o de Coari, cujo ex-prefeito Adail Pinheiro chegou a ser condenado a 11 anos e 10 meses de prisão por exploração sexual infantil, mas esse ano recebeu indulto (perdão) da pena e foi solto.

"O governo federal precisa cuidar das pessoas daqui, e isso não é propriamente dar dinheiro, dar um Bolsa Floresta. É preciso que o poder público venha e capacite as pessoas, para que possam desempenhar profissões, para que entendam a necessidade de respeito às mulheres", cobra.

As três garotas com quem a BBC Brasil conversou no Amazonas relataram ter sofrido algum tipo de abuso sexual durante suas vidas, casos que seguem sem punição. Maria foi estuprada por um comerciante ao 13, quando já estava grávida. Lúcia teve a coxa acariciada por um funcionário do posto de saúde aos 12 - ele depois estuprou a irmã dela, que tinha 14.

Em Manaus, Joana, hoje com 17 anos e mãe de dois filhos, contou que sofreu seu primeiro abuso aos 5. O estuprador foi um vizinho, que pagou R$ 50 a sua mãe, viciada em drogas. Com muito sangramento, foi parar num hospital. "Meu útero saiu do lugar, até hoje sinto dores por isso". Nada aconteceu com ele, que a abusou novamente cinco anos depois, dessa vez por R$ 100.

Joana saiu de casa para um abrigo depois de se cortar "todinha com uma gilete". Passou por vários. "Depois do meu segundo estupro, com 11 anos comecei a ser putinha", conta. Sua primeira gravidez, aos 13 anos, foi interrompida com quatro comprimidos de um remédio abortivo. Na segunda, aos 14, decidiu ter o filho. O pai era seu namorado, então com 21 anos, homem que a explorava sexualmente e a induzia a se drogar junto com sua mãe.

Nascimento do primeiro filho deu a Joana chance de ser atendida por serviço de apoio a vítimas de violência sexual (Foto: BBC Brasil)
Nascimento do primeiro filho deu a Joana chance de ser atendida por serviço de apoio a vítimas de violência sexual (Foto: BBC Brasil)

"Passei duas semanas pensando com Deus se abortava. Pensei: vai atrapalhar minha vida, vai acabar minha vida de puta."

A gravidez na pré-adolescência em geral traz efeitos negativos para as meninas e seus bebês: estudos mostram maior incidência de evasão escolar, de depressão pós-parto e de nascimentos prematuros e com baixo peso. Entre elas, o acompanhamento pré-natal e a amamentação costumam durar menos tempo do que entre as mães adultas. São consequências da pouca maturidade e das condições sociais precárias dessas meninas.

No caso de Joana, a gravidez acabou tendo impacto positivo. O acompanhamento pré-natal a levou ao Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual de Manaus, onde recebeu apoio psicológico e conseguiu interromper a venda do seu corpo e, gradualmente, o uso de drogas.

Hoje ela está casada e tem uma boa relação com o pai de sua segunda filha, de sete meses. Ele tem 21 anos e trabalha com manutenção de ar-condicionado - item onipresente na fervente Manaus.

"Depois que meus filhos nasceram, veio um amor muito grande. Eu quis deixar a vida velha pra lá. Mas às vezes eu choro, quando meus filhos estão dormindo. Fica um reflexo (lembrança) na minha cabeça. Eu fico lendo a Bíblia, fico lendo, fico lendo, e só assim eu acalmo. Se eu for começar a pensar, eu fico doida", diz ela, que é evangélica.

"Eu tenho muito sonho de que mato ele (o abusador, que segue morando no bairro da infância de Joana). Eu quero matar ele, mas se eu for pra cadeia, o que vai ser dos meus filhos? Eu penso muito nisso."

A BBC Brasil questionou os ministérios da Educação e Saúde sobre as críticas quanto à falta de políticas públicas para enfrentar a gravidez de garotas e saber o que o governo pretende fazer para enfrentar o problema. A pasta da Educação não se manifestou. Já a pasta da Saúde se limitou a comentar as causas do problema e minimizar sua gravidade, destacando que os nascimentos nesse grupo representam 0,9% do total de nascidos vivos no país.

"A leve tendência de aumento, (da gravidez) na faixa de 10 a 14 anos, pode estar associada a vários fatores tais como violência sexual, aspectos culturais, iniquidades, falta de oportunidades, dentre outros; além disso esse é um percentual muito pequeno, quando considerada todas as faixas etárias", respondeu o ministério.

Fonte: g1.globo.com