sábado, 16 de setembro de 2017

Menino cadeirante realiza sonho de ver Ivete Sangalo no Rock in Rio

Heitor Lopes vai ver pela segunda vez seu grande ídolo, Ivete Sangalo
Heitor Lopes vai ver pela segunda vez seu grande ídolo, Ivete Sangalo Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

Camila Zarur

O caminho que separa Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, da Cidade do Rock, na Zona Oeste do Rio, foi embalado por Heitor e seus covers de Ivete Sangalo. É a segunda vez que o menino de 5 anos verá a cantora, de quem é fã faz tempo, considerando sua pouca idade. Antes que o garoto pudesse atravessar os portões do Rock in Rio com sua cadeira de rodas, no entanto, ele e sua família precisaram passar por uma pequena saga.

Heitor nasceu com mielomeningocele, uma má formação no tubo neural que impede a medula neural de se desenvolver corretamente. Desde os primeiros anos, isso exigiu uma cadeira de rodas para que o garoto pudesse se locomover. A paixão por Ivete começou por conta de um grupo de dança adaptado, no qual Heitor é um dos dançarinos. A primeira música executada pelos participantes foi "Tempo de alegria", da intérprete baiana, o que rendeu ao menino uma eterna admiração.

Além de Ivete e da dança, Heitor também é apaixonado pelo rugby. E, o esporte, indiretamente, acabou ligando as suas paixões. A primeira vez que esteve em um show de Ivete foi no encerramento das Paraolimpíadas do ano passado, no Maracanã, a convite do jogador de rubgy adaptado Thiago Amaral.

Entre o esporte e a música

Heitor com os pais, os professores Cristiano e Renata Azeredo
Heitor com os pais, os professores Cristiano e Renata Azeredo Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

O esportista, que havia elencado os problemas de acessibilidade na última edição do Rock in Rio, em 2015, foi chamado esse ano para fazer parte da equipe responsável em adaptar o espaço do festival. Assim, Amaral, que se tornou amigo da família do Heitor, os convidou para o evento teste na Cidade do Rock, na última terça-feira. O lugar, antigo Parque Olímpico, reacendeu todas as lembranças da Paralímpiada que o menino tinha. O pedido para prestigiar o concerto no Rock in Rio veio em seguida:

Ele ficou tão feliz na terça-feira que, quando chegamos em casa à noite, compramos logo o ingresso para o dia de hoje. Passei sete horas para buscá-los na bilheteira no dia seguinte, mas valeu a pena — conta o pai de Heitor, o professor Cristiano Azeredo.

Segundo ele, o festival conta com uma boa estrutura para pessoas com necessidades especiais; as rampas estão com a inclinação ideal, não há degraus pelo espaço e o chão está bem liso para que a cadeira de rodas não tenha problemas para transitar. O receio de que o Rock in Rio não estivesse adaptado para cadeirantes fez com que, em um primeiro momento, os pais não quisessem levar Heitor ao show.

Ele estava pedindo tanto para ver a Ivete, mas estávamos com medo do festival não estar pronto para recebê-lo e que a experiência fosse desconfortável. Mas depois que o Heitor veio aqui na terça e aproveitou bastante, ficamos tranquilos. Ele foi na roda-gigante! Tem uma cabine especial para cadeirantes. Hoje ele está pedindo para ir de novo — diz a mãe, a professora Renata Azeredo.

Defensoria Pública pede suspensão do concurso para agente penitenciário no RN

Segundo a ação, o edital do concurso fere o princípio da isonomia ao não especificar testes físicos diferenciados para pessoas com deficiência física.

Por Anderson Barbosa, G1 RN
Concurso prevê a criação de 571 vagas para agentes penitenciários no RN (Foto:  Divulgação/Sindicato dos Agentes Penitenciários do RN (Sindasp))
Concurso prevê a criação de 571 vagas para agentes penitenciários no RN (Foto: Divulgação/Sindicato dos Agentes Penitenciários do RN (Sindasp))

A Defensoria Pública do Rio Grande do Norte está pedindo a suspensão do concurso público que prevê a criação de 571 vagas para agentes penitenciários do estado, antes que o resultado seja homologado. Segundo a defensora Cláudia Carvalho Queiroz, titular da 10ª Defensoria Cível de Natal, a medida é necessária porque o edital do concurso feriu o princípio de isonomia ao não especificar testes físicos diferenciados para os candidatos com deficiência.

As provas teóricas foram realizadas dia 16 de julho. Já os exames físicos, em agosto. Aproximadamente 15 mil pessoas participaram do concurso.

"No concurso de agente penitenciário aqui do estado, essa adaptação ocorreu só na fase objetiva. Na prova de aptidão física, o edital, no nosso entendimento, contraria a legislação em vigor estabelecendo que não haveria adaptação e todos concorreriam nos mesmos moldes e com os mesmos parâmetros. Mas, na verdade, pelo princípio da não discriminação, haveria a necessidade de adaptação para que todos concorram na medida das suas desigualdades. Se aquela deficiência é ou não compatível com o cargo, isso será verificado durante o curso de formação", ressaltou a defensora.

A Defensoria Pública explicou que o pedido de suspensão do concurso foi feito a partir de uma denúncia feita por um candidato que tem deficiência motora. Consta na ação que o candidato, no dia 9 de agosto, solicitou à banca examinadora que fosse feita uma adaptação do teste físico à sua condição de pessoa com deficiência, o que foi negado. A resposta foi a de que todos os candidatos deveriam participar dos testes de adaptação física “em igualdade de condições”, inclusive, independentemente da faixa etária, condição física e/ou psicológica”.

Assim, o candidato participou do teste físico no dia 26 de agosto, mas não conseguiu aprovação. O candidato alega que apresenta um encurtamento de 3,5 centímetros na perna esquerda, de modo que o esforço físico que ele fez não foi suficiente para alcançar o índice mínimo de 2.000 metros na corrida de média distância, tendo conseguido cumprir apenas 1.697 metros.

Além do pedido de suspensão, a Defensoria Pública dá prazo de 15 dias para que o Estado promova as retificações necessárias no edital, adequando o certame e publicando, no mesmo prazo, edital de convocação para um novo Exame de Aptidão Física para os candidatos inscritos como pessoas com deficiência e que foram reprovados, com as modificações que os permitam realizarem os exercícios de esforços físicos compatíveis com a sua condição física.

Até lá, ainda de acordo com a ação, o Estado deve suspender o prosseguimento do concurso público, uma vez que o certame já se encontra na fase de convocação dos aprovados.

Na ação, que foi instaurada no dia 4 deste mês, o Estado tem até esta sexta-feira (15) para tomar conhecimento da ação por meio do Processo Judicial Eletrônico e mais cinco dias para se manifestar a respeito.

Fonte: g1.globo.com

Cerca de 300 pessoas são multadas em vagas de idosos em comércios

Motoristas autuados foram pegos durante primeira semana de fiscalização

SÃO PAULO Osvaldo Albuquerque, do R7

Alessandra dos Santos da Mata Campos/02.09.2017/Agência Estado
João Doria diz que vai aumentar fiscalização em vagas preferenciais
João Doria diz que vai aumentar fiscalização em vagas preferenciais

A Prefeitura de São Paulo multou cerca de 300 motoristas que pararam em vagas destinadas a pessoas com deficiência e idosos sem o cartão de permissão (documento exigido para não ter penalizações), durante a primeira semana de fiscalização em estabelecimentos comerciais. O número foi divulgado pelo presidente da da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), João Octaviano.

Em evento realizado na manhã desta sexta-feira (15), o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que a fiscalização nessas vagas vai aumentar gradativamente por parte da CET.

Segundo Octaviano, as pessoas que têm direito a estacionar nas vagas preferenciais mais ainda não têm a identificação, também serão autuado. "É importante que todos tenham o cartão, independente de ser deficentes ou idosos, para criar o hábito de se cumprir regras".

Segundo o supervisor do departamento de mobilidade da CET, Edison Passafaro, o procedimento para emissão do cartão leva de 30 a 45 dias devido a análise dos laudos do indivíduo com dificiência.

A multa para quem estacionar nessas vagas preferenciais indevidamente é de R$ 293,47, além de sete pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

Cientistas americanos desenvolvem injeção única que pode reunir todas as vacinas infantis.

Um dos primeiros "presentes" de quase toda criança é uma carteira de vacinação a ser preenchida com cada uma das doses que ela precisa tomar para poder se proteger de doenças.

GETTY IMAGES
criança tomando injeção
Crianças precisam tomar uma série de doses de vacina logo nos primeiros meses e anos de vida

Mas uma tecnologia que está sendo desenvolvida nos Estados Unidos pode mudar um pouco essa realidade. A ideia é criar uma só dose que valesse por todas - uma única injeção que daria às crianças todas as imunizações de uma vez.
Essa dose única armazenaria as vacinas em cápsulas microscópicas, que seriam liberadas aos poucos em tempos específicos.

A técnica começou a ser aplicada em estudos com camundongos e foi divulgada na publicação científica Science. Cientistas afirmam que a tecnologia poderia ajudar pacientes em todo o mundo.

Micropartículas

A imunização de crianças hoje é feita em muitas doses, tomadas desde as primeiras semanas de vida.

Para tentar mudar isso, a equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) desenvolveu um novo tipo de micropartícula que permitiria combinar todas as vacinas em uma única dose.

As partículas são como copos em miniatura preenchidos com as vacinas e depois fechados com uma tampa. A ideia é que o design desses "recipientes" permita que cada um se quebre no momento certo, liberando o conteúdo no corpo.

GETTY IMAGES
Criança sendo vacinada
Ideia é transformar compelamente a vacinação

Os testes mostraram que essa liberação pode ocorrer no tempo exato de nove, 20 e 41 dias depois que a vacina foi injetada em camundongos.

Outras partículas que poderiam durar por centenas de dias também foram desenvolvidas, mas ainda não foram testadas.

Impacto significativo

Para um dos cientistas que faz parte do estudo, a descoberta pode ter um impacto "significativo".

"Nós estamos muito animados com esse trabalho. Pela primeira vez, nós podemos criar uma 'biblioteca' de pequenas partículas de vacina fechadas em uma cápsula, cada uma programada para ser liberada num tempo exato, para que as pessoas um dia possam receber uma única injeção que, na verdade, teria diversas vacinas dentro dela", disse Robert Langer, do MIT.

"Isso pode ter um impacto significativo em pacientes de todos os lugares, especialmente nos dos países em desenvolvimento", afirmou.

A ideia é que as liberações curtas e precisas da vacina imitem o procedimento normal de imunização.

"No mundo em desenvolvimento, essa pode ser a diferença entre não se vacinar e receber todas as suas vacinas de uma só vez", explica a pesquisador Kevin McHugh.

Fonte: bbc.com


Ministério da Saúde estuda tirar insulina do Farmácia Popular se preço não for reduzido

Segundo o ministro Ricardo Barros, pasta paga por unidade do produto distribuída pelo programa quase três vezes mais que o desembolsado para distribuição na rede pública; farmácias credenciadas garantem 30% do acesso à insulina no País

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

Colaboração para o UOL.
Insulina pode ser retirada do Aqui Tem Farmácia Popular, caso o preço pago pelo produto não seja reduzido
Insulina pode ser retirada do Aqui Tem Farmácia Popular, caso o preço pago pelo produto não seja reduzido.

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde estuda retirar a insulina do Aqui Tem Farmácia Popular caso o preço pago pelo produto não seja reduzido. A medida faz parte de uma estratégia da pasta para restringir o orçamento do programa, criado durante o governo petista e que beneficia mensalmente uma média de 9,8 milhões de pessoas. Pela proposta, a que o Estado teve acesso, a distribuição do produto passará a ser feita somente nos postos de atenção básica caso não haja uma redução nos valores pagos pelo Ministério da Saúde às farmácias. Estimativas de mercado indicam que 30% do acesso à insulina no Brasil é feito por meio das farmácias credenciadas ao programa.

O ministro da Saúde Ricardo Barros afirmou que a pasta paga pela unidade do produto distribuída no Farmácia Popular R$ 27,50, quase três vezes mais do que é desembolsado para o produto distribuído na rede pública R$ 10.

"O objetivo é sensibilizar os parceiros para diminuir essa diferença de custo e ampliar a oferta de medicamentos", justificou o ministro. De acordo com ele, a oferta da insulina será mantida "desde que não onere os recursos públicos". Pela proposta feita pelo ministério a que o Estado teve acesso, caso não haja entendimento, a insulina deixaria de ser distribuída no Aqui Tem Farmácia Popular a partir de 1 de janeiro. Procurado, no entanto, o ministério disse não haver data definida.

A retirada da insulina da cesta de produtos oferecidos no Aqui Tem Farmácia Popular é um dos pontos da discussão com fabricantes e representantes do setor varejista para reduzir o preço pago pelos medicamentos do programa.

Estão incluídos no Aqui Tem Farmácia Popular 42 produtos. Do total, 26 medicamentos (para o tratamento de hipertensão, diabetes e asma) são adquiridos pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos pacientes de forma gratuita. Para os demais produtos, os descontos chegam a 90%.

Atualmente, o investimento no programa é de R$ 2,6 bilhões. Caso nenhuma mudança seja feita, o governo estima que, para 2018, o Farmácia Popular exigiria R$ 3 bilhões. A proposta de Barros é reduzir a base de cálculo dos remédios, o que, a princípio, traria uma economia de R$ 750 milhões.

"Quero organizar o pagamento. Hoje tem uma tabela, com valores distintos. Minha proposta é que paguemos o preço médio do mercado, com uma remuneração de 27% para farmácias", disse o ministro.

A proposta, no entanto, provocou uma forte reação do setor produtivo, que ameaça sair do programa. "Para alguns itens, a redução seria de 70% . Isso tornaria inviável nossa participação no Aqui Tem Farmácia Popular", afirma o presidente executivo da Associação Brasileira de Redes e Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto. O presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, disse estar preocupado. "O programa é de grande importância, com impacto positivo nos indicadores de saúde", disse. "Mas é impossível atender a proposta do ministro."

Queda de braço. A queda de braço entre a pasta e o setor ainda deve se arrastar. Questionado sobre a ameaça de debandada do programa, Barros afirmou que a negociação ainda está em curso e que aguarda resposta dos setores envolvidos. "Vamos de novo contrariar interesses", resumiu. "Queremos reduzir o gasto com medicamento individualmente para atender mais pessoas. Quanto mais barato a gente compra mais pessoas podem ser atendidas."

Barreto sugere que outras mudanças sejam feitas no programa para garantir os preços atuais. Entre elas, a proposta para redução de ICMS. Como o imposto faz parte da arrecadação dos Estados, tal medida somente poderia ser possível caso houvesse anuência de secretários de fazenda. Na reunião, também foi proposto pelos empresários o fim do remédio gratuito no Aqui Tem Farmácia Popular ou a restrição do programa para aqueles que tenham obtido a receita de profissionais do Sistema Único de Saúde.

O Farmácia Popular é um dos programas símbolo da gestão do PT. O formato mais antigo da iniciativa, as unidades próprias de farmácia, foi extinto pelo governo em junho deste ano, sob a justificativa de que ele era dispendioso e pouco eficaz. A verba que era usada no programa passou a ser rateada entre os municípios.

A maior parte das pessoas atendidas pelo Aqui Tem Farmácia Popular acessa medicamentos de forma gratuita. De acordo com última informação do ministério, entre os medicamentos mais distribuídos estão o para controle de hipertensão e para diabetes. Para retirar os medicamentos, o usuário deve apresentar o documento de identidade, CPF e receita médica dentro do prazo de validade, que em fevereiro deste ano foi ampliada para 180 dias. A prescrição médica pode ser emitida tanto por um profissional da rede pública quanto por médico que atende em hospitais ou clínicas privadas.


Parece até mentira

mentira2
Imagem editada que mostra um soldado subindo a escada de um helicóptero sobre o mar do qual emerge uma baleia orca em sua direção. A imagem foi por muito tempo alvo de debate sobre edição de imagens e divulgação de imagens falsas na internet.

Por Lucio Carvalhopara a Inclusive

Sei que muitos que me conhecem (ou julgam conhecer) me tomam por alarmista, talvez até um arauto preferencial de más notícias. É uma injustiça pensarem isso de mim. Sou um otimista quase doentio. E mesmo quando não há possibilidade alguma, eu luto talvez a luta mais infame de todas, que é a de mesmo na adversidade manter viva alguma esperança. Só o que não me permito é ser lunático, este é meu limite, especialmente quando estão em questão a vida e a realidade dos outros.

De vez em quando, entretanto, minha esperança recebe reforços. E embora eu procure tentar ser parcimonioso ao falar sobre mim, hoje me deu vontade de contar sobre um reforço desses, que se passou comigo mesmo, na realidade. Eu diria até que foi tão inédito e imprevisto que fiquei desarmado na situação, durante o dia inteiro, e só agora, com o dia já acabando, caiu a ficha do que me aconteceu e não sei se eu tanto havia esperado por ouvir uma coisa dessas, mas na hora a porção mais racional da minha mente computou a coisa toda como se fosse absolutamente lógica e natural. No fundo, inconscientemente, percebi que estivera esperando ouvir (trata-se de um diálogo que ouvi furtivamente) aquela conversa por anos a fio. Na verdade, parece até mentira, uma década já…
Tudo se passou hoje próximo ao meio-dia, pela manhã. Fui à escola dos meus filhos para resolver uma burocracia sobre matrículas e presenciei sem querer a conversa de uma família que visitava a escola para conhecê-la pessoalmente com a orientadora pedagógica, nos corredores que dão ao pátio interno. Este é um ritual que conheço bem e que, mesmo que somente nesse último ano tenha vivido relativos momentos de tranquilidade, duvido que as pessoas que não têm filhos com deficiência consigam imaginar em que tormento isso pode se tornar, quando deveria ser o mais trivial dos gestos para qualquer cidadão e sua família.
Bem, feito o esclarecimento, continuo meu relato. A conversa não me chamaria a atenção, provavelmente (não, eu não sou fuxiqueiro nem indiscreto), se no meio da charla eu não tivesse ouvido o nome do meu filho. Bem, não que ele me dê grandes problemas disciplinares (o meu anjinho…), mas os alertas paternais soaram instantaneamente, por via das dúvidas. O que diabos estaria fazendo o nome do meu filho naquela prosa tão animada?
Então foi que ouvi o que me pareceu por um instante ser mesmo o óbvio a ser dito, que foi mais ou menos assim: “Que ótimo saber disso! Nós queremos mesmo uma escola com inclusão! Com pessoas de todo jeito! É isso que queremos para o nosso filho, esse convívio, porque isso conta muito para nós! Deveriam todas ser assim!” Parece óbvio se você tem também um filho com deficiência, não é? Mas e se não tem? Pois este era justamente o caso! Eu estava ouvindo a conversa de uma família de um aluno sem deficiência que gostaria de matricular seu filho numa escola onde houvesse, naturalmente, crianças com deficiência. Não era uma realidade imprevista que lhes estava sendo apresentada, era o desejo deles, de sua livre e espontânea vontade. E eles declaravam que se importavam com isso, que isso pesaria na sua avaliação.
Nada mais natural, não é verdade? Deveria, mas, sendo realista, não mesmo. Aqui também, parece até mentira… Não sei porque não saí atrás da família e me abracei neles e lhes dei beijos e abraços, mas algo do meu temperamento me conteve e eu, ali, no calor do momento, não entendi tão bem quanto descrevo agora do que se tratava. A ficha custou a cair. Falta de hábito dá nisso, não é verdade?
Não que isso justifique um denuncismo quase obsessivo que se vê por toda a parte, sobretudo redes sociais, mas a verdade é que para a infelicidade de todos, não exclusivamente a minha, há um cenário que tem favorecido sobremaneira o surgimento abundante de más notícias a respeito de situações que se na lei estão resolvidas, na prática continuam boiando no amplo mar da precariedade. É com o que temos nos virado como sociedade.
Pois bem, diante de tudo isso não seria eu a menosprezar os sofrimentos autênticos de ninguém e, apesar de ser obrigado a concordar com a máxima que diz que o mal alheio pesa como um fio de cabelo, somente uma criatura sem alma usaria de seu direito de livre expressar para tripudiar do sofrimento alheio, embora um recente caso ocorrido na vizinha Argentina sobre o qual escrevi algumas poucas linhas me mostre que provavelmente, sim, existam bem mais de uma alma assim.
Não sei o porquê (isso é retórica, sei muito bem) mas sinto como agressões não apenas aquelas situações que ocorrem ao arrepio da lei, mas também as que ocorrem à revelia do mínimo senso de humanidade. A mim, particularmente, a indiferença aos problemas dos demais também me passa uma potentíssima sensação de agressão. Ainda que de um teor menos violento, trata-se de uma outra espécie de violência que, se no âmbito moral individual pode ser considerada inofensiva, institucionalmente ela costuma encobrir muitas vezes casos de covardia política ou até mesmo omissão criminosa. Não gosto nem um pouco, mas acontece, e em volume muito maior do que eu desejaria. E também não tenho admiração alguma por sentimentos de compadecimento e piedade; aliás, duvido muito de que alguém goste de ser objeto deles.
Enfim, entendo que às vezes não há para as pessoas soluções em vista e, assim, há que se ter bom senso para não julgar os demais desconsiderando o seu contexto particular. Embora isso não costume vir nos manuais de empatia, trata-se de não prejudicar os interessados da atenção que lhes alcança e muitas vezes é premente, fundamental. Às vezes, a única efetivamente possível. A isso se chama civilidade. Sou avesso, portanto, a qualquer comportamento à Maria Antonieta. Pelo menos no terreno inclusivo, sejamos honestos, não há tantos brioches assim a oferecer. Há que ser compreensivo com situações duras, excludentes e até mesmo ilegais, que ainda subsistem porque, afinal, o processo costuma seguir mais o percurso acidentado da realidade que o terreno argiloso da idealização.
O fato dentre os fatos é que, se dependemos muito mais dos outros do que dispomos muitas vezes de nossa própria força, acho justo que, ao lado de tantas denúncias, abusos e violências também se possa oferecer um pouco de reforço para quem porventura estiver precisando dele. Se me engrandeço por isso, por seu meu filho o exemplo? É claro que, por isso especificamente, não. E nem se trata disso. Para mim, pessoalmente, muitas vezes tem sido difícil romper essa contenção a que nos amarra a realidade social, e também a individual (acredito que como todo mundo), mas, como ouvi quase sem querer o que ouvi, apenas quis dar eco a esse empurrão que recebi sem nem entender direito a razão… Se alguém que tiver lido até aqui estivesse precisando ouvir isso também, saiba que é real, não é ficção. Como li há um tempo no blogue do Paratodos, em texto da Fabiana Ribeiro, é muito bom às vezes poder ouvir um “Vai, meteoro” desses. Em eventos inúmeros a que fui e em palestras, já ouvi coisas das mais fantásticas e singelas sobre inclusão, mas nunca como essa, que a gente recebe sem precisar nem pedir, por acaso, de graça, a troco de nada.

Secretaria promove discussão sobre Tecnologia Assistiva e apresenta Panorama da Inclusão no Brasil e no Mundo

Secretaria promove discussão sobre Tecnologia Assistiva e apresenta Panorama da Inclusão no Brasil e no Mundo

Na tarde desta quinta-feira, 14 de setembro, aconteceu na sede da Microsoft Technology Center, em São Paulo, encontro com o tema “Panorama da Inclusão no Brasil e no Mundo”. O evento foi idealizado a partir da experiência trazida do Congresso Mundial de Acessibilidade, realizada pela ONU, na Suiça, com participação da Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Dra. Linamara Rizzo Battistella e Guilherme Lira, presidente da organização Acessibilidade Brasil e diretor da empresa Tecassistiva.

Voltado ao público do sistema S – SESC, SESI, SENAI, SEBRAE e SENAC, o objetivo do encontro foi de reunir gestores corporativos e gestores de Educação para conhecerem o novo panorama mundial da Tecnologia Assistiva, principalmente sobre os recursos tecnológicos em postos de trabalho.

A Dra. Linamara ministrou palestra sobre “Os Direitos da Pessoa com Deficiência no Mundo segundo as Recomendações da ONU – Perspectivas 2020”, destacando informações sobre tecnologias assistivas e a forma de disponibilização desse material. "Quem recebe um produto assistivo deve receber treinamento como parte do fornecimento da tecnologia assistiva".

Dra. Linamara destacou ainda que há hoje no mundo aproximadamente 1 bilhão de pessoas com deficiência, ou seja, uma em cada sete pessoas apresenta algum tipo de restrição motora, sensorial ou intelectual. E a cada dez pessoas com deficiência, apenas uma recebe suporte de tecnologia assistiva. “Temos aí um gap enorme em termos de mercado”.

Segundo a Secretária, o gap de tecnologias assistivas existe porque o mercado tecnológico ainda não conhece o consumidor, seu potencial de compra e sua necessidade. Estimativas apontam ainda que no ano de 2050 chegaremos a 2 bilhões de pessoas com deficiência no mundo e a falta de tecnologia assistiva, caso a realidade atual permaneça, será alarmante.

Outro apontamento feito pela Secretária foi sobre a necessidade do protagonismo da pessoa com deficiência. “Queremos que o usuário possa se expressar e dizer qual sua necessidade na pesquisa, na indústria e na formação do mercado”.

Dra. Linamara Battistella, Secretária de Estado, expondo sobre o Panorama Mundial da Inclusão

Ao encontro disso, ela citou a ação que a Secretaria fomenta, em que mentores com deficiência auxiliarão equipes de startups para o desenvolvimento de projetos que contribuam para que as pessoas com deficiência tenham acesso a todos os bens, produtos e serviços. Segundo a Secretária, “é necessário que a sociedade entenda o ganho de valorizar a diversidade humana”.

O evento seguiu com a palestra de Guilherme Lira, diretor da Tecassistiva, que trouxe informações a respeito do “Novo Panorama da Tecnologia Assistiva nos Postos de Trabalho, no Brasil e no Mundo”. Segundo Lira, “a ausência de postos de trabalho adaptados sobrecarrega muito o sistema previdenciário”. Ele informou que no Brasil, mais de 2,4 milhões de pessoas com deficiência utilizam o Benefício de Prestação Continuada – BPC.

O diretor apresentou propostas, como a criação de núcleos de acessibilidade utilizando tecnologias assistivas, para apoio às escolas; além de desenvolvimento de plataformas tecnológicas para emprego assistivo nas unidades do sistema S.

Na ocasião, foram apresentados também cases de sucesso do Sistema S, realizadas no SESC, SENAI e SENAC, seguidos de mesa-redonda com especialistas do SEBRAE, APAE e SENAC trouxeram à tona os desafios e oportunidades para a inclusão no trabalho.


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

MP pede cirurgia cardíaca em criança com Síndrome de Down no Maranhão

Ação Civil Pública pede que o estado custei o procedimento, a transferência aérea para hospital especializado em São Paulo e forneça a medicação. O governo do Maranhão não se pronunciou sobre o caso

Por G1 Maranhão

Imagem Internet/Ilustrativa
Resultado de imagem para MP no Maranhão

O Ministério Público do Maranhão entrou com uma ação civil pública solicitando que o Estado do Maranhão custeie a realização de uma cirurgia cardíaca em uma criança de um ano e dois meses com Síndrome de Down e cardiopatia congênita, o problema de saúde mais comum entre os pacientes com a síndrome.

A ação foi protocolada no último dia 6 de setembro com pedido de liminar e em caráter de urgência. Outro pedido é que a criança e sua mãe sejam transferidas via área, preferencialmente, para um hospital especializado da rede pública ou privada no estado de São Paulo e que o Estado do Maranhão forneça a medicação e os aparatos necessários, além da manutenção da criança e sua acompanhante no local.

A cirurgia foi recomendada pelo serviço de pediatria do Hospital Universitário Materno Infantil da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), devido à gravidade do estado de saúde da criança. Entretanto, após a inclusão da criança na lista de espera no hospital, em janeiro, as cirurgias no hospital foram suspensas e não há previsão para retorno.

Na ação, o promotor de justiça de Vargem Grande, Benedito Coroba, ressalta que a cirurgia é necessária para a sobrevivência da criança e sua família não pode custear o alto valor do procedimento, estimado em R$ 150 mil.

“A enfermidade da criança é de grande proporção e a cirurgia é de extrema urgência, pois, segundo os médicos, há os riscos de hipertensão pulmonar e de morte, caso não seja realizada esta cirurgia”, enfatiza o representante do MPMA.
O governo ainda não se manifestou sobre o assunto.

Fonte: g1.globo.com - Imagem Internet/Ilustrativa

EUA investigam perda de audição e outros problemas em seus diplomatas em Cuba


Embaixada americana em Havana, a que vítimas estão ligadas.
Embaixada americana em Havana, a que vítimas estão ligadas. Foto: Desmond Boylan / AP

O Globo

WASHINGTON — Um estrondoso ruído fez com que um diplomata dos Estados Unidos saltasse da cama durante sua hospedagem em um hotel de Havana. Bastou alguns instantes para que o barulho cessasse por completo, e reaparecesse outra vez ainda mais intenso. Pouco depois veio a perda auditiva e problemas para falar, sintomas similares aos apresentados por outros atingidos ao menos 21 americanos em um mistério internacional que se desenrola em Cuba. Novos detalhes da investigação lançada pelos EUA indicam que alguns dos incidentes aconteceram em espaços específicos, o que confunde os americanos. Os primeiros casos foram admitidos pela Casa Branca em agosto, apesar de os sintomas terem sido relatados há nove meses.

Não há nenhuma explicação razoável — afirmou Fulton Armstron, ex-funcionário da CIA que serviu em Havana antes da reaproximação diplomática. — É mistério atrás de mistério.

Inicialmente, as suspeitas se concentraram em uma possível arma sônica cubana. No entanto, os diagnósticos de dano cerebral leve, que não costumam acontecer por meio de ruídos, geram dúvidas em agentes do FBI, do Departamento de Estado e de agências de Inteligência envolvidos. De acordo com vários funcionários, algumas vítimas apresentam problemas de concentração ou memória.

Até agora, o governo do presidente americano, Donald Trump, não identificou nenhum culpado ou dispositivo que explique os casos. Os investigadores consideram várias teorias, incluindo um ataque por parte dos governos cubano ou russo. Um dos incidentes ocorreu no Hotel Capri, tradicional estabelecimento de Havana. Os ruídos ocorriam à noite, e algumas vítimas sofreram traumatismo cerebral leve. Outros sintomas incluem inchamento do cérebro, náusea, enxaqueca e problemas de audição.

HAVANA NEGA ENVOLVIMENTO

O governo cubano se negou a responder perguntas específicas sobre o incidente, e divulgou uma nota por meio do Ministério de Relações Exteriores em que rechaça qualquer participação no caso, prometendo total cooperação em sua resolução. Os investigadores acreditam que, se as Forças Armadas cubanas estiverem envolvidas, as ordens não necessariamente vieram de patentes mais altas.

Em maio, Washington expulsou dois diplomatas cubanos em protesto à falta de proteção do governo aos americanos que trabalham na ilha.

Para Mark Fierstein, que trabalhou nas relações entre Cuba e EUA no governo Obama, a Casa Branca já teria adotado punições — como o encerramento das atividades na reinaugurada embaixada — caso acreditasse que Havana é, de fato, responsável. E Washington não parou de enviar diplomatas à ilha, mesmo depois do ocorrido.

Se acreditassem que o governo cubano estava deliberadamente atacando os EUA, isso já teria tido um efeito muito pior — disse Fiestein.

Torneio de boxe amador terá luta de cadeirante e mais seis duelos, em Manaus

Evento será realizado neste sábado, no ginásio do Zezão, na Zona Leste de Manaus

Por GloboEsporte.com, Manaus, AM

Boxeador cadeirante, Marclei (direita), fará um dos duelos no sábado (Foto: Divulgação)
Boxeador cadeirante, Marclei (direita), fará um dos duelos no sábado (Foto: Divulgação)

A Federação Amazonense de Pugilismo (FAP) realizará, neste sábado, às 19h, a terceira etapa do Torneio de Boxe Olímpico Amador. A novidade do evento será uma luta do cadeirante Marcley Medeiros, que enfrentará João Souza, no duelo meio-pesado (81kg). O combate será um dos sete, que ocorrerão no ginásio Zezão, na Zona Leste de Manaus, com entrada gratuita.

De acordo com o presidente FAP, Pedro Nunes, o adversário de Marcley não é cadeirante, mas resolvou encarar o desafio e sentará em uma cadeira de rodas. O dirigente explicou ainda que os demais, nas outras lutas, tem atletas Novo Airão, Presidente Figueiredo e Itacoatiara. Informações pelo contato (92) 99135-0128.

Card completo
Peso Galo (56kg)
Leonardo Martins x Daniel Silva

Leve (60kg)
Anderson Souza x Everson Alves
Meio-médio Ligeiro (64kg)
Sindomar Corrêa x Leonardo Melo

Médio (75kg)
Cléber Duarte x Elias Santos
Meio-médio (69kg)
David Souza x Anderson Pereira

Peso pesado (91kg)
Lucas Silva x Joá Dias
Meio-pesado (81kg) - cadeirante
Marcley Medeiros x João Souza

Pessoas com deficiência ganham direito a meia-entrada em eventos esportivos e culturais de Rio Branco

Pessoas com deficiência ganham direito a meia-entrada em eventos esportivos e culturais de Rio Branco

Por G1 AC, Rio Branco

Imagem Internet/ILustrativa
Resultado de imagem para Pessoas com deficiência ganham direito a meia-entrada em eventos

Portadores de necessidades especiais têm, a partir de agora, o direito a meia-entrada nos estabelecimentos comerciais de Rio Branco. Sancionada pela Prefeitura da capital e publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, 14, a Lei N° 2.249 concede às pessoas com deficiência o benefício em sessões de cinema, teatro, espetáculos esportivos, shows e eventos culturais realizados em ginásios, arenas, salas e casas de espetáculo da cidade.

A publicação determina que no momento da compra do ingresso a pessoa apresente o cartão de Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social da pessoa com deficiência ou de documento emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os registros devem ser apresentados com documento oficial com foto. Caso o portador de necessidade especial necessite de acompanhamento, o benefício será estendido ao acompanhante, que também pagará 50% do valor.

Pela lei, os estabelecimentos, produtoras e promotoras de eventos devem exibir de forma clara e ostensiva em todos os pontos de venda de ingresso, físicos e virtuais, os requisitos para se ter acesso à meia-entrada. A medida começa a valer a partir da data de publicação no Diário Oficial e será regulamentada pelo Executivo Municipal em 90 dias, a partir da data de publicação.

Fonte: g1.globo.com -  Imagem Internet/ILustrativa

Pessoas com deficiência em movimento

Campanha 'Defitness Club', idealizada pela advogada Nathalia Blagevitch (Caminho Acessível), com Hamilton Almeida (CASADPTADA) e Paulo Oliveira (Amigos Cadeirantes), será lançada em 21 de setembro. Meta é mostrar que pessoas com deficiência podem sair do sedentarismo de maneira saudável para conquistar independência. Ação estimula compartilhamento nas redes sociais de vídeos e fotos durante a atividade física com a hashtag #Defitness

Luiz Alexandre Souza Ventura

Defitness Club (deficiência + fitness) incentiva o compartilhamento de vídeos e fotos de pessoas com deficiência fazendo exercícios na academia ou qualquer outro local, inclusive em casa, marcando a publicação com a hashtag #Defitness. Imagem: Divulgação
Defitness Club (deficiência + fitness) incentiva o compartilhamento de vídeos e fotos de pessoas com deficiência fazendo exercícios na academia ou qualquer outro local, inclusive em casa, marcando a publicação com a hashtag #Defitness. Imagem: Divulgação

Quando trocou sessões de fisioterapia por aulas de musculação adaptada, a advogada Nathalia Blagevitch venceu uma barreira que, muitas vezes, pessoas com deficiência não ultrapassam, seja por insegurança, falta de estímulo ou até mesmo de oportunidade.

“No começo, achei que não daria conta, mas meu professor (Omi Neto, da rede BodyTech) me encorajou em cada treino, e sempre me perguntava no dia seguinte como eu me sentia”, diz. “Posso afirmar que meus treinos são construídos por quatro mãos, respeitando meus limites e incentivando minha consciência corporal”.

Nathalia tem paralisia cerebral, é professora tutora em um curso preparatório para o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e também comanda o site Caminho Acessível.

Defitness Club (deficiência + fitness) incentiva o compartilhamento de vídeos e fotos de pessoas com deficiência fazendo exercícios na academia ou qualquer outro local, inclusive em casa, marcando a publicação com a hashtag #Defitness. Imagem: Reprodução
Defitness Club (deficiência + fitness) incentiva o compartilhamento de vídeos e fotos de pessoas com deficiência fazendo exercícios na academia ou qualquer outro local, inclusive em casa, marcando a publicação com a hashtag #Defitness. Imagem: Reprodução

A decisão pela musculação surgiu quando Nathalia assistiu a uma palestra da deputada federal Mara Gabrilli (PSDB/SP), que é tetraplégica e publica nas redes sociais vídeos e fotos durante as atividades físicas que pratica diariamente.

“Quando nos deparamos com uma paralisia tida como irreversível, é muito difícil associar a atividades que exigem movimento, força e bom condicionamento físico. Esse é o maior motivo para eu postar meu dia a dia fitness nas redes sociais. Quero mostrar que uma pessoa com deficiência pode ir muito além da cadeira de rodas. Ela pode sim ter um corpo malhado e, principalmente, saudável”, comenta a deputada.

Nathalia Blagevitch decidiu pela musculação e o boxe adaptado após assistir a uma palestra da deputada federal Mara Gabrilli e quer incentivar a prática entre pessoas com deficiência. Imagem: Divulgação
Nathalia Blagevitch decidiu pela musculação e o boxe adaptado após assistir a uma palestra da deputada federal Mara Gabrilli e quer incentivar a prática entre pessoas com deficiência. Imagem: Divulgação

Os resultados surgiram gradativamente. Nathalia usa uma motocicleta elétrica para se locomover e seu braço direito tem restrições de movimento. “Dentro da minha limitação, já consigo dar alguns passos sem ajuda. Também carrego minha bolsa sozinha, porque minha resistência física está muito maior. Pode parecer pouco, mas na minha vida prática isso faz toda a diferença”.

Segundo o professor Omi Neto, que nunca havia treinado uma pessoa com deficiência, as rotinas de Nathalia foram construídas a partir de conteúdos e exemplos de outros países, com foco nas potencialidades da aluna, pouco exploradas até aquele momento.

“O treinamento é voltado para o ganho de força e de massa muscular, além de maior amplitude articular. O objetivo maior é que ela ganhe independência nas atividades do dia a dia. Em paralelo, melhoramos a sua condição cardiorrespiratória, em caminhadas na esteira com inclinação e aulas personalizadas de boxe”, explica Neto.

Rotinas de Nathalia, orientadas pelo professor Omi Neto, têm foco nas potencialidades da aluna, pouco exploradas até aquele momento. Imagem: Reprodução
Rotinas de Nathalia, orientadas pelo professor Omi Neto, têm foco nas potencialidades da aluna, pouco exploradas até aquele momento. Imagem: Reprodução

Os benefícios obtidos com a atividade esportiva constante inspiraram Nathalia a criar o Defitness Club (deficiência + fitness), com incentivo ao compartilhamento de vídeos e fotos de pessoas com deficiência fazendo exercícios na academia ou qualquer outro local, inclusive em casa, marcando a publicação com a hashtag #Defitness.

A campanha será lançada oficialmente no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, 21 de setembro. Personalidades como Fernando Fernandes, Laís Souza, o nadador Daniel Dias e o time dos atletas de alto rendimento do Instituto Mara Gabrilli já aderiram à ação.

Participa da iniciativa Hamilton Almeida, criador do CASADPTADA, voltado à tecnologia assistiva, design universal e notícias do universo inclusivo. “Muitos cadeirantes treinam. E tem uma galera grande no Crossfit, inclusive competindo. Precisamos propagar essa ideia. É possível sim, diz Almeida.

Também faz parte Paulo Oliveira, do canal Amigos Cadeirantes, que usa a cadeira de rodas desde 2008 e incorporou atividades físicas ao dia a dia e à reabilitação. “Mantenho uma rotina de treino muscular três vezes na semana, mas isso aumenta em algumas oportunidades. A verdade é que os treinos físicos permitem que eu continue amando a vida. É quase uma terapia”, afirma.

'Como eu sobrevivi a um paraquedas que não abriu durante o salto'

Australiana Emma Carey estava realizando um sonho quando foi vítima de um acidente que mudou sua vida para sempre.

Por BBC

Emma Carey sofreu um acidente de paraquedas nos alpes suíços (Foto: Emma Carey)
Emma Carey sofreu um acidente de paraquedas nos alpes suíços (Foto: Emma Carey)

Emma Carey foi criada na capital da Austrália, Canberra, e sempre foi fascinada por esportes. Durante um mochilão pela Europa, conseguiu realizar um de seus sonhos: pular de paraquedas na Suíça. Mas o sonho virou um pesadelo quando o paraquedas principal e o de emergência ficaram emaranhados. Ela sofreu um acidente que mudou para sempre a sua vida.

"Eu senti um pequeno puxão e a queda desacelerar um pouco. Não parecia estar certo, estávamos indo muito mais rápido do que deveríamos. Eu gritava para meu instrutor: 'estamos bem?'", contou Carey ao programa Outlook, da BBC.

O instrutor não respondeu - tinha ficado inconsciente após ter sido estrangulado pelos paraquedas, que estavam enrolados um ao outro.

"Ele não estava respondendo, mas, como a queda é muito barulhenta, pensei que talvez não pudesse me ouvir ou que eu não pudesse ouvi-lo. Relaxei por alguns segundos, mas, quando notei que continuávamos caindo, percebi que havia algo muito errado."

Embora tenha sido tudo muito rápido, ela conta que muitas coisas passaram por sua cabeça enquanto caía.

Emma Carey na praia Image caption Jovem voltou a andar e diz ter tirado muitas coisas boas do acidente (Foto: Emma Carey)
Emma Carey na praia Image caption Jovem voltou a andar e diz ter tirado muitas coisas boas do acidente (Foto: Emma Carey)

'Completamente paralisada'

Carey sobreviveu ao acidente, mas ficou paraplégica.

"Caímos em um campo com grama, o que foi muita sorte, pois estávamos cercados por montanhas, pedras e penhascos."

Ela diz ter visto tudo ocorrer.

"Lembro do impacto, não cheguei a ficar inconsciente em nenhum momento", relata. "Tentei levantar minhas pernas pouco antes de atingirmos o chão, não lembro o que estava tentando fazer. Aí pousamos com muita força, caí de barriga e com o instrutor sobre as minhas costas, já que ele estava amarrado a mim."

Carey conta que naquele momento sentiu a dor mais intensa de toda a sua vida. "Eu não sabia que você podia sentir tanta dor. Sentia no corpo inteiro, e gritava", diz.

"Não havia ninguém por perto, e meu instrutor estava inconsciente nas minhas costas. Então pensei que a primeira coisa que eu deveria fazer seria tirá-lo de cima de mim."

Ela voltou a andar, mas perdeu a sensibilidade da cintura para baixo (Foto: Emma Carey)
Ela voltou a andar, mas perdeu a sensibilidade da cintura para baixo (Foto: Emma Carey)

Foi quando a jovem notou a extensão dos danos da queda em seu corpo.

"Tentei rolar e percebi que tudo da minha barriga para baixo não se mexia. Eu não conseguia mexer minhas pernas, meus pés, meus dedos, nem mesmo meu abdômen. Eu estava completamente paralisada."

'Medo de não conseguir mais ser feliz'

Carey diz que começou a sentir raiva.

"Lembro de estar muito brava comigo mesma por não ter valorizado as minhas pernas. E agora teria que viver sem poder usá-las... senti muita raiva", relata.

"Pensei que, se as minhas pernas não se movessem mais, não iria querer viver, porque não teria como eu viver assim. Acho que meu maior medo não era ter que viver em uma cadeira de rodas, mas nunca mais sentir felicidade de novo."

Poucos minutos depois, a amiga dela pousou com seu instrutor. Eles chamaram uma ambulância aérea, que levou as vítimas do acidente a um hospital.

"Quebrei minha espinha, minha pélvis e todos os meus dentes. A pior parte era o ferimento na medula espinhal, que significava que eu estava paraplégica."

O instrutor que estava com ela também sobreviveu.

Recuperação

Um mês depois, Emma Carey pôde voltar à Austrália, onde precisou passar mais um mês hospitalizada.

"Consegui dar alguns passos e caminhar com muletas algumas semanas depois de voltar à Austrália. Mas ficava tonta toda vez que ficava em pé, minha pressão baixava. O mesmo acontecia quando tentava andar de cadeira de rodas."

Os médicos lhe disseram que não conseguiria andar sem ajuda novamente. Tempos depois, porém - após se mudar e não conseguir achar suas muletas -, a jovem percebeu que eles estavam errados.

Emma Carey diz que pensa em pular de paraquedas mais uma vez para ter uma boa memória da prática (Foto: Emma Carey)
Emma Carey diz que pensa em pular de paraquedas mais uma vez para ter uma boa memória da prática (Foto: Emma Carey)

Mas isso não quer dizer que a sua vida tenha voltado a ser a mesma.

"Ainda não sinto nada da cintura para baixo e perdi o controle da minha bexiga e do meu intestino - preciso usar cateteres para ir ao banheiro."

Carey hoje posta fotos de sua recuperação na internet e vende ilustrações pela internet.

"Não quero que as pessoas pensem que tenho uma saúde perfeita, então simplesmente mostro minha vida. E a resposta é incrível."

Apesar das dificuldades, ela diz ver o lado positivo do acidente.

"Eu não mudaria o que aconteceu. Tirei tanta coisa boa disso, acho que o que tem que acontecer vai acontecer. Embora tenham sido os quatro anos mais difíceis da minha vida, mais difíceis do que eu jamais imaginei que a vida pudesse ser, eu certamente estou melhor hoje."

A jovem não descarta pular de paraquedas de novo.

"Quero criar uma boa memória, mas não sei se seria capaz."

Fonte: g1.globo.com

Caravana da Inclusão acontece em Barretos e fomenta debate sobre pessoas com deficiência

Público reunido na Caravana da Inclusão, realizada em Ipaussu, SP

A Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania percorre diversos municípios do estado de São Paulo, sempre promovendo o empoderamento da pessoa com deficiência. Após passar pelo município de Ipaussu, a Caravana da Inclusão chega a Barretos, no dia 22 de setembro de 2017.

Com o tema central “O papel do Ministério Público e da Defensoria Pública na garantia dos direitos da pessoa com deficiência”, participam representantes regionais, gestores municipais, pessoas com deficiência e profissionais da área.

A Caravana é liderada pelo Secretário Adjunto de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Luiz Carlos Lopes. Pela manhã, os convidados abordarão assuntos pertinentes à população local, visando questões inclusivas para as pessoas com deficiência.

No período da tarde, alunos de Etecs e escolas estaduais de Barretos abrirão uma roda de debate, para assuntos que estimulem a todos a serem mais participativos, com atitudes inclusivas.

Nos encontros anteriores, a Caravana da Inclusão já reuniu mais de 20.500 participantes, entre gestores públicos municipais e outras autoridades

Para mais informações, acesse o site da Caravana da Inclusão:  http://caravana.sedpcd.sp.gov.br/

EVENTO

Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania – 2017
Local: Barretos
Horário: 9h às 17h
Data: 22 de setembro
Endereço: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Barretos
Avenida C1, 250 – Bairro Idê Daher – Barretos/SP

ENTRADA FRANCA - PARTICIPE!!

AGENDA DE 2017 (SP):
11/08 - Cruzeiro
23/08 - Ipaussu
22/09 – Barretos
20/10 – Barrinha
10/11 – Piracicaba
01/12 – Ibiúna