sábado, 23 de setembro de 2017

“Fiz plástica pra me ver bonita e fiquei cega”, diz Joelma Albuquerque - Veja o vídeo

Há dois anos, a cabeleireira de Ceilândia perdeu a visão após uma cirurgia estética. Médicos não sabem explicar o que deu errado

por LEILANE MENEZES

Hugo Barreto/Especial para o Metrópoles

Aos poucos, o rosto dos próprios filhos torna-se uma lembrança que teima em se desfazer. Joelma Albuquerque persegue a memória dos semblantes amados para que eles não sejam como fotografias borradas pela ação do tempo.

Em pensamento, a mãe tenta adivinhar como envelhecerá o caçula, João, com 18 anos recém-completados. Da última vez que ela o enxergou, o menino tinha 16 anos. Agora, os olhos dela já não alcançam o mundo ao redor.

Há dois anos, Joelma perdeu a visão após uma cirurgia plástica. Investiu dinheiro e correu riscos para se ver mais bonita, mas não teve a chance de admirar os resultados da abdominoplastia (para retirar o excesso de gordura e de pele da barriga) e da mamoplastia (para remodelar os seios) que fez aos 45 anos.

Perto de completar meio século de vida, Joelma sentia-se bem na própria pele, mas alguns sinais naturais do tempo a incomodavam. “Queria ficar mais bonita para o meu marido, para o meu trabalho. É muito difícil ser mulher em uma sociedade que te diz o tempo todo que só é bom ser jovem e vestir 38”, afirma.
Ela, então, se planejou: economizou, organizou a agenda para ficar dois meses sem trabalhar em seu salão de beleza e escolheu cuidadosamente um cirurgião plástico. Em 12 de outubro de 2015 internou-se para fazer os procedimesto.

                             HUGO BARRETO/ESPECIAL PARA O METRÓPOLES
                          Hugo Barreto/Especial para o Metrópoles
Joelma passa maquiagem e arruma o cabelo sem ajuda de ninguém. “No começo, vestia umas roupas ao contrário. Hoje acontece menos.”

Três dias depois, já em casa, sentiu a visão embaçar. “No começo, achei que era efeito de um creme que passei no rosto, mas foi piorando e fui até um hospital, onde passei a noite em observação”, lembra.

Na manhã seguinte, ao acordar, Joelma estava 100% cega. Abrir os olhos naquele dia foi o que ela chama de “o pior momento da minha vida”. A primeira reação da cabeleireira foi sentir-se culpada. “Comecei a me condenar, a pensar que eu tinha feito algo para merecer aquilo. Sou evangélica e meu pastor me ajudou muito a superar essa sensação”, relata.

Depois de me fortalecer, eu só pensava: Deus vai me ensinar a viver na escuridão"
Joelma Albuquerque

Médicos fizeram uma bateria de exames, analisaram todos os resultados, mas nunca encontraram uma resposta para justificar a cegueira. Levaram três meses para chegar a uma conclusão: Joelma nunca mais voltaria a enxergar, nem mesmo com transplante de córneas. “O nervo óptico nos dois olhos estava morto e ninguém sabe o motivo. Não tenho provas de que foi erro médico nem de que não foi. Minha pressão era normal, a saúde perfeita”, diz.

Ao sair da internação, Joelma desabou e chorou nos braços do marido, Cláudio. “Naquele momento, ele me disse: serei os seus olhos fora do seu corpo. Aquilo me deu muita força para seguir em frente”. A motivação para superar comentários maldosos sempre veio do amor. “Muita gente me dizia que isso era punição de Deus pela minha vaidade. Meu Deus não é vingativo, ele é só amor. Entender isso foi essencial para a minha volta à vida.”

O primeiro dia sozinha em casa

Ações rotineiras como limpar a casa e cozinhar tornaram-se desafios. Joelma optou por não contratar ajuda, apesar da insistência da família. Quando todos saíram para trabalhar ou estudar, num dia comum, ela resolveu dar faxina sozinha. Pegou balde, sabão e vassoura e começou o serviço. Caiu no chão duas vezes. “Só pensava: Deus me dá a sua mão, eu preciso me levantar”.

Aos poucos, ela reaprendeu a fazer as atividades cotidianas. A divisão de tarefas também ficou cada vez mais frequente na família. Os filhos mostraram-se grandes companheiros. Ajudaram a mãe a descobrir tecnologias que permitem acessar a internet mesmo sem a visão e apoiam-na em tudo. “Me tornei um pouco filha, deixei que cuidassem de mim”, avalia.

A parte mais triste de ficar cega é o medo de esquecer o rosto dos meus filhos, especialmente o do mais novo, que ainda vai mudar muito"
Joelma Albuquerque

Quando fez a cirurgia, Joelma estava no auge de sua carreira. Cabeleireira respeitada em Ceilândia, ela começou um salão de beleza na garagem da própria casa. Anos depois, conseguiu inaugurar sua loja, na QNP 17. Estudou até virar referência em coloração de cabelos.

“Tinha quatro filhos, casa própria e estava realizada profissionalmente. Gostaria que meu corpo refletisse minha autoestima. Hoje penso que poderia ter feito isso de outra maneira”, afirma.

Joelma não deixou de trabalhar por conta da limitação visual. Continua à frente do salão que leva seu nome. Também monitora de perto sua equipe. “Toco no cabelo da cliente, cheiro e sei os produtos que ela já usou, se os fios estão saudáveis. Tudo passa pelas minhas mãos”, relata.

Ela ainda faz escovinha e outros procedimentos, especialmente em ações de caridade da igreja que frequenta. “Não poder fazer mechas nos cabelos de uma cliente ainda é muito triste para mim, uma ferida aberta. Eu era muito boa nisso”, lamenta.

HUGO BARRETO/ESPECIAL PARA O METRÓPOLES
Hugo Barreto/Especial para o Metrópoles
Mesmo sem enxergar, Joelma Albuquerque ainda atende clientes em seu salão

Todos os dias pela manhã, Joelma ainda para diante do espelho. Agora, não vê mais sua imagem refletida nele, mas não perdeu o hábito de se maquiar, enfeitar-se com bijuterias e escolher cuidadosamente a roupa que usará. “Não pude ver o resultado da cirurgia, curtir minha nova forma. Mas eu me pego, me toco, me vejo bonita. Todo dia eu repito para mim mesma na frente do espelho: você é linda.”

Fonte:

A vida depois de… ficar paraplégico ao dar um passo em falso - Veja o vídeo.

Ex-secretário de turismo do DF, Tavinho está sobre uma cadeira de rodas. Após cair do telhado de casa, ele reaprende e ensina a viver

por LETICIA CARVALHO

REPRODUÇÃO/FACEBOOK
Reprodução/Facebook
Tavinho e Mariana

Em uma manhã de domingo até então tranquila, Luis Otávio Neves, 50 anos, resolveu consertar o telhado de casa na Quadra 23 do Park Way. Enquanto arrumava as telhas, a sua companheira há 16 anos, Mariana Braga, o amparava. Era 31 de maio de 2015 e, em questão de segundos, a vida deste homem virou de cabeça para baixo.

Após um pequeno descuido, Tavinho, como é carinhosamente conhecido, sofreu uma queda do teto ao chão. Calçando um tênis, ele subiu no telhado com a ajuda de uma escada. Depois de pisar em falso, acabou quebrando uma das telhas, caiu de uma altura de 3m e ficou paraplégico. “Gritei de dor e percebi que já não sentia mais as pernas”, lembrou.

Ele fraturou a vértebra L1 e o impacto do acidente comprimiu a medula espinhal. “Um movimento errado mudou tudo. Eu poderia ter morrido”, lembra. Durante 30 dias, ele ficou internado no Hospital Sarah Kubitschek, onde começou sua reabilitação.

Um ano antes da queda, o publicitário e bacharel em direito atuou como Secretário de Turismo da gestão de Agnelo Queiroz (PT) no GDF. Ocupou a posição entre 2011 e 2014. No cargo, ele lidou com situações profissionais difíceis de solucionar. A realização de uma Copa do Mundo, até então, estava no topo de sua lista de desafios. Após o acidente, ele redefiniu o conceito da palavra “dificuldade”.

Hoje, nada o deixa mais feliz que perceber a evolução diária em sua recuperação. Pequenas vitórias são motivos de grande alegria. Durante dois meses, ele contou com ajuda de um cuidador para fazer tarefas ordinárias, como tomar um banho.

Essas conquistas simples o encorajaram a testar seus limites.“Este ano, consegui fazer um mergulho em Cozumel (México). Quase chorei embaixo do mar. Um dia ainda vou tentar esquiar novamente”, projeta.

Não dá mesmo pra duvidar dos planos dele. Na cadeira de rodas, Tavinho já andou de barco, nadou em rio e viajou para acompanhar as Olimpíadas Rio 2016. Assistir aos Jogos Paralímpicos, contudo, não foi possível devido a uma cirurgia pela qual ele passou.

O ex-secretário foi submetido a uma operação que tinha o objetivo de diminuir a intensidade da dor neuropática – causada por lesão no sistema nervoso central. Para tentar amenizar o desconforto, Tavinho toma, em média, nove remédios diferentes diariamente.
O esporte também tornou-se um aliado no tratamento. Ele pratica canoagem e desbrava as águas do Lago Paranoá duas vezes por semana. Um detalhe: o caiaque não é adaptado para usuários de cadeira de rodas, mas ele enfrenta o desafio.

Dirigir foi mais um obstáculo nesse processo de readaptação. Ele precisou se matricular em uma autoescola e aprendeu a conduzir um carro sem o movimento das pernas, em um veículo com câmbio automático. No lugar dos pedais, Tavinho com as mãos freia e acelera o automóvel por meio de uma alavanca. Tudo para poder ter autonomia, levar os filhos ao colégio, comprar os próprios remédios e ir a consultas.

GIOVANNA BEMBOM/METRÓPOLES
Giovanna Bembom/Metrópoles
Detalhe do carro modificado para atender as necessidade de Tavinho

Mariana, casada com Tavinho, admira a postura do marido, que não perdeu a alegria. “Ele é o mais otimista e sempre manteve o bom humor. Escolheu esse modelo da cadeira, mais leve, porque a gente sempre gostou de dançar e ele queria continuar dançando.”

Nunca me dei o direito de ficar de baixo astral. Tenho dois filhos, uma mãe de 84 anos, esposa. Se eu me permitisse a tristeza, isso jogaria para baixo a minha família inteira"
Tavinho

Arquivo Pessoal
Tavinho com a mulher e os filhos

Barreiras no caminho

Ao perder os movimentos das pernas, Tavinho, que já esteve no papel de gestor no DF, sentiu o peso de uma cidade mal planejada. Por falta de acessibilidade, para transitar nas comerciais do Plano Piloto e até mesmo na Rua das Farmácias, ele, muitas vezes, precisa se arriscar junto aos carros nas pistas.


GIOVANNA BEMBOM/METRÓPOLES
Giovanna Bembom/Metrópoles

A primeira visita a um shopping depois de deixar o hospital marcou Tavinho e família. Durante um passeio ao Gilberto Salomão, o publicitário se viu impedido de entrar em uma loja de departamentos por falta de passagem para a cadeira de rodas.

Ao se encontrar por acaso com o dono desse centro de compras, ele sugeriu a adaptação do local para maior acessibilidade. A resposta, segundo Tavinho, não foi gentil. O empresário o aconselhou a deixar o prédio, dar a volta no estacionamento e entrar pelo subsolo. “Ele ainda me disse que seria um ótimo exercício”, acrescentou o ex-secretário de turismo.

O caso virou ocorrência na 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul). Tavinho, no entanto, não prosseguiu com a denúncia. A intimação do empresário para prestar depoimento já satisfez o ex-secretário, que preferiu guardar suas energias para novas batalhas.

Desde o acidente, Tavinho se distanciou da atividade política. Em 2012, ele viveu momentos de turbulência em sua vida pública. Na época, ele integrava as bases do PSB, partido liderado no DF pelo então senador Rodrigo Rollemberg.

Quando Rollemberg deixou de apoiar a administração de Agnelo Queiroz, Tavinho preferiu sair do partido a abrir mão do cargo de secretário. A divergência gerou um mal estar naquele período, mas não abalou a amizade entre ele e o hoje governador, que lhe deu demonstrações de solidariedade após a queda.

Tavinho tem fé que a limitação física é passageira. Ele mantém-se forte na esperança de não mais precisar da cadeira de rodas. Nunca perguntou aos médicos se voltará a andar.

“Nenhum deles vai me dizer com certeza e não quero receber uma resposta que vai me jogar lá para baixo. Tenho certeza que vai acontecer. Eu faço a minha parte”, diz, com um sorriso tranquilo.



Cadeirantes utilizam triciclo motorizados gratuito para percorrer a Cidade do Rock - Veja o vídeo.

Portadores de necessidades especiais podem utilizar equipamento de maneira gratuita pelo período de duas horas durante o evento.

Por Bruno Albernaz, G1 Rio

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Cadeira motorizada facilita mobilidade na Cidade do Rock

Para se tornar uma Cidade do Rock mais acessível, o Rock in Rio recebeu algumas adaptações que auxiliam pessoas com dificuldades de locomoção. 

Click AQUI para ver o vídeo.

Nessa edição, os portadores de necessidades especiais podem utilizar cadeiras motorizadas de maneira gratuita pelo período de duas horas durante o evento - a partir da terceira é cobrado um valor adicional por hora.

O engenheiro mecatrônico Julio Alves trouxe para o Rock in Rio o Kit Livre, equipamento que transforma uma cadeira de rodas convencional em triciclo motorizado. Segundo o profissional e idealizador do projeto, a ideia foi o resultado de sua tese do mestrado.

"Aqui no Rock in Rio foi uma parceria que surgiu junto com a equipe de operação que organiza a área de pessoas com necessidades especiais. A ideia é promover mais acessibilidade para quem está com algum tipo de deficiência física motora. A pessoa que lesionou a perna, a pessoa que é cadeirante, ou qualquer outro tipo de necessidade que atrapalhe na sua movimentação, o kit vem para auxiliar isso e ele pode aproveitar todas as atrações da Cidade do Rock”, diz o engenheiro.

O técnico ambiental, Alan Umbelino, de 31 anos, sofreu um acidente há 1 mês e foi de muletas para o Rock in Rio. Para ele, esse serviço foi fundamental para sua locomoção. “Desde a portaria eu já vim no carrinho de cadeira até o local de credenciamento. Agendei o uso da cadeira e vou ter a oportunidade de conhecer a cidade do rock de uma maneira mais acessível”, conta o técnico ambiental.

Além desse serviço, os portadores de necessidades especiais encontram na Cidade do Rock sinalização em braile, piso tátil, estacionamento exclusivo para pessoas com dificuldade de locomoção, plataformas em frente aos palcos reservadas, área com piso que vibra para o público com deficiência auditiva sentir o som e uma oficina para reparos de cadeiras de rodas.

Fonte: g1.globo.com



Superação: DJ tem 40% do corpo amputado e vence o câncer

Devido a infecções geradas na pele em função da paraplegia, Renildo Silva teve que passar pelo procedimento

por PALOMA SANTOS

REPRODUÇÃO/TV FOLHA
Reprodução/TV Folha

Renildo Silva Santos, de 35 anos, decidiu passar por uma dramática intervenção cirúrgica para sobreviver e seguir com a carreira de DJ. A hemicorporectomia, procedimento ao qual foi submetido, é uma amputação severa, em que são retirados todos os tecidos e órgãos do umbigo para baixo.

A cirurgia se fez necessário por conta de um câncer gerado pelas infecções da paraplegia. Aos 12 anos, ele e um amigo subiram no telhado da casa de um vizinho para pegar uma pipa, mas foram recebidos a balas. Renildo foi atingido e ficou paraplégico.

O tumor ameaçava órgãos vitais, e uma equipe do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo viu na amputação uma chance de o DJ continuar vivo. “Eles falaram de cara que iriam cortar abaixo do umbigo e me disseram que a chance de acabar com a doença era grande, mas não total. Na hora, eu fechei com eles. Só eu e minha esposa sabíamos o sofrimento que eu passava, sendo internado a toda hora, tomando injeções, remédios, sempre com febre”, contou, em entrevista à Folha de S. Paulo.

A única mudança no organismo que ele percebe é um aumento da sensação de calor, que, de acordo com os médicos, é em razão da perda de área corpórea.
A cirurgia demorou cerca de 15 horas e precisou de seis equipes médicas que se revezavam. “Foram retirados ossos das pernas e liberada toda a parte muscular, formando uma espécie de suporte para os órgãos internos”, explicou André Sagawara, da Rede Lucy de Reabilitação do Governo de São Paulo.

Vida normal

Nas últimas semanas, o DJ começou a testar a prótese, com a qual ele já consegue “ficar de pé”, sem apoio, e se locomover. Com ela, Renildo mede 1,14m. O objetivo é que, com a adaptação e o tempo, a prótese cresça e ganhe “joelhos”, para que ele possa fazer vários tipos de movimentos. Ao final, ele deverá ter 1,60m.

“Não tenho ansiedade para o futuro. A cirurgia deu certo, estou bem. O que vier a mais será lucro. A prótese vai me dar mais qualidade de vida, mas quero tocar minhas coisas logo, fazer minhas festas, ganhar meu dinheiro, cumprir meus compromissos”, disse.

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Fonte: metropoles.com/brasil - Imagens Folha de São Paulo

Grupo Globo e Comitê Paralímpico Brasileiro lançam selo especial para celebrar o Dia do Atleta Paralímpico

                           Imagem
por CPB

O Grupo Globo e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) se uniram em uma parceria que deu origem ao Selo Brasil Paralímpico. A marca será lançada nesta sexta, dia 22, data em que é comemorado o Dia do Atleta Paralímpico e vai ser usada pelas duas entidades, em todas as plataformas, sempre que o assunto for o Movimento Paralímpico.

A marca foi criada pela área de Comunicação & Branding da Globosat tendo como base três pilares: força, excelência e conquistas. Cada um deles foi representado por um elemento visual.

A comemoração do dia do atleta paralímpico também inclui programação especial na Globo e nos canais SporTV. Clodoaldo Silva, Yohansson do Nascimento, André Rocha e Ricardinho Alves são os convidados do SporTV desta sexta, dia 22. Os atletas estarão em diferentes atrações ao longo do dia para falar sobre suas modalidades, contar sobre os treinamentos e revelar o que está por vir.

Na sexta, a partir de 12h55, o nadador Clodoaldo Silva e André Rocha, atual campeão mundial de lançamento de disco, vão marcar presença no "Giro", que vai ao ar no SporTV 2. Na sequência, às 15h, é a vez do corredor Yohansson do Nascimento participar do "Planeta SporTV", que também vai ao ar no SporTV 2. O alagoano acumula medalhas desde Pequim, em 2008. Nos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio, ele foi prata no revezamento 4x100m masculino - T42-47 e bronze nos 100m rasos T45/46/47. Ricardinho, integrante da Seleção de futebol de 5, é o convidado do "Tá na Área", transmitido ao vivo, às 17h, no SporTV. Ele é o mais jovem atleta a ganhar o título de melhor jogador do mundo, prêmio que levou aos 17 anos.

Já no Globo Esporte do dia 22, o público poderá acompanhar uma matéria sobre o dia a dia de um atleta paralímpico, como são os treinos e qual a estrutura é necessária para um bom resultado. No domingo, dia 24, o Esporte Espetacular também dedica uma matéria exclusiva ao tema e exibe os detalhes do Centro de Treinamento Paralímpico, que fica em São Paulo e é um dos mais modernos do mundo.

Para quem quiser acompanhar o cenário dos atletas paralímpicos ainda com mais detalhes, o sportv.com vai dedicar um espaço exclusivo para matérias sobre o tema. De 21 a 23/09 no endereço http://sportv.globo.com/site/ep/paralimpicos/ os fãs poderão conferir matérias com os nadadores Daniel Dias e Patrícia Santos e com o halterofilista Evânio Rodrigues.

Além da programação do dia 22, o SporTV prevê a transmissão de diferentes eventos esportivos de modalidades paralímpicas. A estreia será a exibição ao vivo das semis e final da Copa de Futebol de 5, dias 7 e 8 de outubro, no canal SporTV 3.

Fonte: cpb.org.br

Equipe brasileira de bocha disputa torneio em Kansas, Estados Unidos

Alaor Filho/CPB/MPIX
Imagem

Por CPB

Quatro atletas do Brasil iniciam nesta sexta-feira, 22, a disputa do Open Internacional de bocha paralímpica, em Kansas, nos Estados Unidos. A competição se estenderá até o dia 29 e é uma das principais do calendário anual da Federação Internacional de Bocha (Bisfed, em inglês).

José Carlos Chagas e Guilherme Germano (classe BC1) e Natali Fraga e Maciel Santos (BC2) foram os atletas selecionados pela Associação Nacional do Desporto para Deficientes (ANDE), responsável pela bocha paralímpica do Brasil. Além deles, uma equipe com sete profissionais multidisciplinares também viajou ao país norte-americano.

O evento será disputado no KCI Expo Center e contará com 80 atletas de 16 países: Alemanha, Argentina, Austrália, Bermudas, Brasil, Canadá, Colômbia, Croácia, Estados Unidos, Grã Bretanha, Grécia, Holanda, Japão, México, Eslováquia e Taiwan.

Vale ressaltar que esta é uma das modalidades mais vencedores do esporte adaptado brasileiro. Nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, Antonio Leme, Evani Calado e Evelyn Vieira foram medalhistas de ouro nos pares BC3, enquanto Dirceu Pinto, Marcelo Santos, Eliseu Santos ficaram com a prata nos pares BC4.

Fonte: cpb.org.br

Brasil goleia a Holanda e fica em sétimo no Mundial de Futebol de 7

Imagem

Por CPB

A Seleção Brasileira de futebol de 7 encerrou nesta sexta-feira, 22, a sua participação no Campeonato Mundial da modalidade, disputado em San Luis, na Argentina. A equipe nacional terminou o evento com uma vitória sobre a Holanda por 7 a 0, em partida válida pela disputa do sétimo e oitavo lugares da competição.

O Brasil havia ficado com o primeiro lugar do Grupo A da competição, após vitórias sobre a Irlanda, Canadá e Espanha. No entanto, por causa do cruzamento das chaves, acabou enfrentando o Irã nas quartas de final. A equipe asiática é a atual vice-campeã paralímpica, e superou os brasileiros por 1 a 0, na prorrogação.

A participação do país seguiu e o time foi derrotado pelos Estados Unidos por 3 a 2, o que fez com que o Brasil fosse para a disputa do sétimo lugar.

O Mundial de Futebol de 7 terminará neste sábado, 23. Irã e Ucrânia reeditam a final dos Jogos Paralímpicos, em que os ucranianos ficaram com a medalha de ouro. Disputam o bronze Rússia e Inglaterra.

Fonte: cpb.org.br

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é comemorado com festas, palestra e Caravana da Inclusão

Apresentação artística na estação de Metrô Tatuapé, pelo Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

Em 21 de setembro é comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A data foi marcada com diversas ações apoiadas e participadas pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e parceiros.

A estação do Metrô Tatuapé disponibilizou espaço para ações culturais inclusivas nos períodos da tarde e início da noite. Corais, peça teatral, grupos de danças, esportistas e músicos se apresentaram. Balcões foram disponibilizados para que os parceiros, entidades de atendimento ao público com deficiência, também oferecessem informações sobre suas ações e produtos, além de exporem seus materiais. A Secretaria apresentou suas atividades, entre as quais a Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência.

Na região central, os bairros da Bela Vista e Barra Funda apresentaram peças teatrais, gincanas educativas, sessões de cinema e teatro, encontros e musicais, todos com proposta inclusiva. O Centro de Memória do Bixiga (Sodepro) preparou ações que comemoram a data com o evento “Bixiga para Todos”.

À noite, a Hanbit Chamber Orchestra fez o encerramento, com a apresentação “Music in the Dark” (Música no Escuro), no Theatro São Pedro, e contou com o apoio das Secretarias Estaduais dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Cultura. Formada por músicos com deficiência visual, a Hanbit é uma companhia de artes sul-coreana, com sede em Seul, na Coreia do Sul. Nos 14 anos desde a sua formação, tem desenvolvido projetos sociais de inclusão. A apresentação teve a participação especial do CORALUSP.

Orquestra de companhia de artes sul coreana, formada por músicos com deficiência visual

Além da Capital, também o interior de São Paulo comemorou o Dia Nacional de Luta com vasta programação. A cidade de Rio Claro promove a Semana da Pessoa com Deficiência, de 17 a 24 de setembro. Representante da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência foi convidada, no dia 22, a minsitrar a palestra “Lei Brasileira de Inclusão: o que muda para as pessoas com deficiência”. A data também foi marcada pela realização da Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania, na cidade de Barretos.

Caravana da Inclusão em Barretos, coordenada pelo Secretário Adjunto Luiz Carlos Lopes

Palestra sobre a Lei Brasileira de Inclusão na cidade de Rio Claro, na Semana da Pessoa com Deficiência

Sobre o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência – 21 de setembro

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído oficialmente em 14 de julho de 2005, pela Lei nº 11.333. Antes disso, nos anos de 1980 e 90, movimentos sociais celebravam informalmente a data, que foi escolhida para coincidir com o início da Primavera, no Hemisfério Sul.

O fenômeno da Primavera pode ser metaforicamente comparado ao renascimento e renovação da vida, assim como acontecem com as flores durante esta estação. As pessoas com deficiência são motivadas a lutarem pela construção de uma sociedade inclusiva, em que podem viver de forma igualitária, justa e digna.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Lais Souza saúda evento de esportes adaptados: "Abre a cabeça das pessoas"

Tetraplégica desde o acidente de esqui, em 2014, ribeirão-pretana relata dificuldades enfrentadas por cadeirantes no dia a dia; evento aberto ao público vai até o dia 27 de setembro, no Shopping Iguatemi

Por GloboEsporte.com, Ribeirão Preto, SP

Lais Souza apoia experimento em cima de uma cadeira de rodas:
Lais Souza apoia experimento em cima de uma cadeira de rodas: "É muito importante para abrir a cabeça da pessoa que anda" (Foto: Fabricio Fiacadori)

Principal estrela do Projeto Experimentando Diferenças de Ribeirão Preto, evento no qual as pessoas vivenciam na prática os chamados "esportes adaptados", a ex-ginasta Lais Souza lamentou as dificuldades encontradas pelos cadeirantes no dia a dia, seja nas ruas e calçadas, ou em estabelecimentos públicos e comerciais.

Tetraplégica desde o acidente de esqui, em 2014, a ribeirão-pretana observou como importante a conscientização das pessoas. Sentar numa cadeira de rodas e entender as dificuldades ao tentar se locomover contribui, segundo ela, para uma conscientização social.

Dá uma outra visão para as pessoas em cima da cadeira de rodas. Poder ver a dificuldade que é arremessar uma bola dentro da cesta ou simplesmente uma noção do que passamos nas ruas, as dificuldades com as calçadas, alguns lugares que não têm rampa. É muito importante para abrir a cabeça da pessoa que anda - comentou Lais Souza.

Apesar de notar mudanças estruturais, a ex-ginasta idealiza e espera por melhoras, desde o grau de inclinação das rampas, até o tamanho dos banheiro.

Ainda tem muito o que acontecer, coisas a acertar. A maioria dos lugares tem uma boa adaptação, mas talvez falte um olhar mais clínico, alguns detalhes. O banheiro teria que ser maior, o comércio deveria ter rampas não tão inclinadas ou um poste na frente. São detalhes que precisam ser melhorados. O projeto "Experimentando diferenças" é um passo - comentou.

Instalado numa arena de 130m² no Shopping Iguatemi, o evento oferece modalidades como futebol de olhos vendados, basquete e corrida em cadeira de rodas, handbike (bicicleta pedalada com as mãos em pista virtual), bocha e games com simulação virtual de corrida.

A entrada é gratuita. O horário de funcionamento é das 14h às 20h. O evento, aberto nesta quarta-feira, termina no próximo dia 27.

Dentre os esportes oferecidos no projeto Experimentando Diferenças, está o basquete em cadeira de rodas (Foto: Cristiano Borges/O Popular)
Dentre os esportes oferecidos no projeto Experimentando Diferenças, está o basquete em cadeira de rodas (Foto: Cristiano Borges/O Popular)

Julgamento de filhas suspeitas de matarem pai PM cadeirante acontece em Guarujá

Crime aconteceu em janeiro de 2015.

Por G1 Santos

Filhas são suspeitas de assassinar policial em Guarujá, SP (Foto: Guilherme Lucio / G1)
Filhas são suspeitas de assassinar policial em Guarujá, SP (Foto: Guilherme Lucio / G1)

As duas filhas do policial aposentado Reinaldo de Carvalho Santos, de 40 anos, que são acusadas de matar o pai, em Guarujá, no litoral de São Paulo, passam por julgamento nesta quinta-feira (21). O crime aconteceu em janeiro de 2015.

De acordo com informações da Polícia Civil, o policial militar aposentado de 40 anos foi assassinado dentro do próprio apartamento. As duas filhas adolescentes, de 14 e 16 anos, e o namorado de uma delas, são os principais suspeitos.

Três audiências já foram realizadas e, agora, o julgamento acontece no Fórum de Guarujá, a partir das 9h. Como o processo está em segredo de Justiça, o Tribunal de Justiça não pôde divulgar quem são as testemunhas.

 Anderson Vieira, de 32 anos, é suspeito de matar ex-policial em Guarujá, SP (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
Anderson Vieira, de 32 anos, é suspeito de matar ex-policial em Guarujá, SP (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Crime
O PM estava aposentado desde que recebeu um tiro na região das costas e ficou tetraplégico. De acordo com informações da polícia, as jovens estavam na cena do crime quando Reinaldo foi assassinado. A polícia conseguiu entrar no apartamento e se deparou com o corpo do policial na cama, com marcas de sangue no nariz e no lençol, sem marcas de tiros.

“A filha mais velha teria sufocado o pai com um travesseiro na cama onde ele permanecia deitado. Já o namorado teria terminado de tirar a vida da vítima com o uso de um fio elétrico, encontrado dentro da casa”, explicou o delegado Sérgio Lemos Nassur, na época do crime. Por ser deficiente, a vítima não conseguiu reagir ou pedir ajuda. As duas garotas e o rapaz fugiram no carro da própria vítima, que foi abandonado em Vicente de Carvalho.

A filha mais nova do PM, que na época tinha 15 anos, se apresentou a polícia alguns dias após o crime. A adolescente disse para a polícia, acompanhada da mãe e de um advogado, que quando chegou ao apartamento o pai estava morto no quarto. A irmã e o namorado estavam na sala e ao questioná-los sobre o que teria acontecido, o rapaz teria incentivado uma possível fuga. Após isso, eles fugiram para São Paulo. Dias depois, a jovem se encontrou com a mãe.

A Polícia Civil pediu a prisão temporária Anderson Vieira, de 32 anos, o namorado da filha mais velha. Ele deixou a prisão em 2013 após ser condenado por homicídio. A irmã mais velha e o namorado não foram mais encontrados.

Filha ainda retornou ao prédio para pegar carro da família (Foto: Reprodução / TV Tribuna)
Filha ainda retornou ao prédio para pegar carro da família (Foto: Reprodução / TV Tribuna)

Fonte: g1.globo.com

Primeiro Seminário sobre Luta da Pessoa com Deficiência acontece em Ji-Paraná, RO

Palestras e discussões sobre o que ainda precisa melhorar para a classe aconteceram. Pais, deficientes e profissionais participaram do evento.

Por Pâmela Fernandes, G1 Ji-Paraná e Região Central

Palestras e atividades foram realizadas em alusão ao Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência em Ji-Paraná, RO (Foto: Pâmela Fernandes/G1)
Palestras e atividades foram realizadas em alusão ao Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência em Ji-Paraná, RO (Foto: Pâmela Fernandes/G1)

Uma manhã com palestras em comemoração ao Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência foi realizada nesta quinta-feira (21), aconteceu em Ji-Paraná (RO), a cerca de 370 quilômetros de Porto Velho. Pais, filhos, profissionais e autoridades políticas participaram da programação que foi realizada na câmara de vereadores.

A diretora da Associação de Pais e Amigos de Especiais (Apae), Maria José, conta que a programação é o primeiro passo para mostrar a luta das pessoas com deficiências. "Buscamos a melhoria na acessibilidade, nos atendimentos públicos, buscando os direitos que já existem desde 1982. Hoje, nosso encontro é para fazer uma reflexão, pois ainda há muito que fazer", explica.

Responsável por uma das palestras, a nutricionista Thamara Thomazi, a alimentação às vezes é esquecida como parte importante do desenvolvimento de uma criança com autismo, por exemplo. “A alimentação é muito importante. No caso dos autistas, muitos deles tem muitas alergias e precisam ser cuidadas. Em outros casos, eles simplismente rejeitam um alimento outro. Saber o que pode estimular faz toda diferença”, explica.

       Bruna, mãe de Sara, acredita que informação é muito importante para o processo de aceitação (Foto: Bruna Simões/Arquivo pessoal)
Bruna, mãe de Sara, acredita que informação é muito importante para o processo de aceitação (Foto: Bruna Simões/Arquivo pessoal)

Mãe de Sara, de 3 anos e meio, Bruna Simões conta que quando a filha tinha 1 ano de idade, percebeu que ela não se desenvolvia como as outras crianças. 

Então, procurou uma fonoaudióloga para saber o motivo da filha não falar. A profissional de imediato identificou as características e encaminhou a menina para o centro do autismo, onde Sara foi diagnosticada com autismo leve.

Segundo Bruna, ele nem se quer sabia o que era o aspecto autista. Ela e a família passaram pelo momento de adaptação. Para a mãe, a informação foi importante e segundo ela, a notícia de que você tem um filho especial sempre é complicado para família.

"Ficamos perdidos. Mas, depois que abriu vaga, a vida da minha filha mudou completamente. Os tratamentos no centro são excelentes e a mudança na alimentação melhorou muito a qualidade de vida dela. O importante é que a família não fique em 'luto' pela situação para sempre", explica.

Maria, mãe do Gabriel acredita que ainda há muito o que ser conquistado pela classe (Foto: Pâmela Fernandes/G1)
Maria, mãe do Gabriel acredita que ainda há muito o que ser conquistado pela classe (Foto: Pâmela Fernandes/G1)

Disponível 24 horas para o filho, a mãe do Gabriel, Maria Aparecida Silva conta que chegou tentar trabalhar fora para ajudar nas despesas da casa, deixando outra pessoa cuidando do filho, mas, o menino ficou doente e ela teve que parar.

“Não fiquei 15 dias fora de casa. Ele começou a ficar depressivo. Me chamava o dia inteiro que não estava em casa e quando chegava, chorava muito. Demorou meses para se recuperar e entender que eu não ia mais deixá-lo”, conta a mãe.

Gabriel tem 16 anos, tem hidrocefalia e já passou por 14 cirurgias. Maria explica que os gastos com o filho, com alimentação diferenciada e inúmeras fraldas, são muito altos e é necessário que seja repensado este valor pelos poderes públicos. Entretanto, afirma que cuidar do filho é uma de suas maiores alegrias.

“Eu faço tudo para ele. No inicio, pensei que eu não ia conseguir, mas, hoje vejo o quanto ele me ensinou na vida. Eu sou muito grata a Deus. A minha vida mudou, não foi fácil, sair do eu da gente, mas depois que eu entendi que eu só era completa junto com ele, hoje eu sou feliz”, explica.

Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência em Ji-Paraná, RO (Foto: Pâmela Fernandes/G1)
Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência em Ji-Paraná, RO (Foto: Pâmela Fernandes/G1)

Fonte: g1.globo.com

Curso de maquiagem devolve autoestima a mulheres cegas

Projeto ensina participantes a usarem sombras, lápis e até cílios postiços

BELEZA Isadora Tega, do R7

Isadora Tega
Adriana Barsotti coloca em prática as lições que tem aprendido no curso
Adriana Barsotti coloca em prática as lições que tem aprendido no curso

"Antes de eu ser uma pessoa com deficiência, eu sou mulher." Essas são palavras da massoterapeuta Geisa Souza Santos, uma das 45 mulheres que tiveram a vida transformada após participar de um curso de automaquiagem para deficientes visuais, numa iniciativa da rede de salões Jacques Janine e a Laramara (Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual).

Lançado em 2016, o projeto Muito Além da Beleza dá a mulheres cegas ou com baixa visão a oportunidade de se reinventarem por meio da maquiagem. Henrique Malveis, um dos idealizadores, contou ao R7 que se inspirou em uma blogueira britânica para criar a iniciativa social e citou a carência de ações desse tipo no Brasil.

Pensamos em fazer isso por causa de uma blogueira britânica chamada Lucy Edwards, que ensina tutoriais de maquiagem no YouTube. Só que a grande diferença dela para outras blogueiras é que ela é cega. Nós achamos isso muito interessante, porque não havia nada parecido no País. Então, levamos a ideia para a Laramara e para o Jacques Janine, que abraçaram e fizeram o projeto crescer.

Coordenado por Chloé Gaya, maquiadora e consultora de imagem do Jacques Janine, e por um time de makeup artists voluntárias da marca, o curso, que já está em sua quarta edição e é dividido em cinco módulos, ensina as participantes a utilizar pincéis, aplicar sombras e até mesmo cílios postiços, tudo isso sozinhas. Chloé revela que, para ministrar as aulas, fez um treinamento diferente com a equipe.

Isadora Tega
Cada aluna é acompanhada por uma voluntária
Cada aluna é acompanhada por uma voluntária


Para nos sentirmos no lugar das alunas, maquiamos umas as outras com os olhos vendados. Isso nos ajudou na hora de auxiliá-las. Cada uma das participantes é acompanhada por uma voluntária.

A profissional acredita que o Muito Além da Beleza permite que as alunas tenham uma nova perspectiva sobre a relação entre a deficiência e sua identidade, pois faz um convite ao autoconhecimento e à valorização da própria imagem.

Você percebe que todas as mulheres são apaixonadas por maquiagem, as que enxergam e as que não enxergam, e que mesmo com essa dificuldade elas encaram o desafio e confiam. Isso é muito lindo. É muito gratificante quando sentimos a felicidade das participantes ao aprenderem os segredos para independência na maquiagem.

Eu não mostrava meus olhos para ninguém. Agora, adoro passar sombra e "causar"
Geisa Souza

Geisa Souza, de 38 anos, participou do curso e construiu uma das histórias mais bonitas de todas as edições. Cega desde os 26, em decorrência de um glaucoma, ela passou mais de uma década usando óculos escuros por vergonha de seus olhos. Mas isso mudou.

A automaquiagem trouxe para mim um ganho muito grande. Eu não mostrava meus olhos para ninguém, de jeito nenhum. Eu tinha muita vergonha deles, achava que as pessoas não olhariam para mim, só para os meus olhos. Agora, eu adoro passar uma sombra preta, tirar os óculos e “causar” (risos).

A autoconfiança conquistada por Geisa pode ser notada, também, em outras mulheres do projeto. A pedagoga especializada em deficiência visual Adriana Barsotti, de 46 anos, afirma que ganhou uma injeção de autoestima e ainda exaltou a independência que o curso proporciona.

Isadora Tega
Geisa se prepara para aplicar cílios postiços
Geisa se prepara para aplicar cílios postiços

Eu sempre fui muito vaidosa, sempre gostei de me arrumar. Quando eu enxergava, eu via minha mãe se maquiando, até que, aos sete anos, perdi a visão por conta de um tumor no cérebro. Mas, mesmo sem enxergar, sempre gostei de fazer as coisas sozinha, sem depender dos outros. Só que a maquiagem é uma coisa muito visual... eu só conseguia passar lápis de olho e batom. Mas agora a gente está aprendendo a ter mais autonomia e ser independente. É interessante como o projeto me fez sentir mais bonita, com autonomia. Não tem preço não depender de outra pessoa.

Adriana defende que, assim como quem tem a visão perfeita, as deficientes visuais devem se arrumar e se sentir bonitas — e é isso que tem tentado pregar depois do Muito Além da Beleza.

A deficiência em uma pessoa, por si só, já é encarada como uma característica negativa pela sociedade, mas não é assim. Pelo contrário. A gente tem de mostrar para os outros que a pessoa com deficiência tem os mesmos direitos que uma pessoa que enxerga tem, inclusive de se arrumar, se produzir, se amar.

Confira na galeria a seguir mais imagens do projeto: Click AQUI

Inclusão escolar é tema de doutorado na Unesp

Tese defendida pela pedagoga Thais Watakabe Yanaga aborda processos de resiliência e o desenvolvimento de alunos na educação especial para identificar melhores formas de apoiar os estudantes. "Não se trata apenas de acessibilidade ou adaptações de materiais didáticos. É o desenvolvimento da cultura escolar que valoriza a diferença, faz a pessoa se sentir bem naquele ambiente para ser vista por suas potencialidades". Nesta quinta-feira, 21 de setembro, celebramos o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência.

Luiz Alexandre Souza Ventura

Participaram do estudo quatro alunos surdos, um cego e outro com deficiência visual, três com deficiência física, dois com Síndrome de Asperger e um com Síndrome de Down, além de 14 professores. Imagem: Reprodução
Participaram do estudo quatro alunos surdos, um cego e outro com deficiência visual, três com deficiência física, dois com Síndrome de Asperger e um com Síndrome de Down, além de 14 professores. Imagem: Reprodução

Identificar ações de inclusão que contribuam para o bom crescimento dos alunos da educação especial. Esse foi o ponto de partida da tese de doutorado defendida pela pedagoga Thais Watakabe Yanaga no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp)  de Presidente Prudente.

O estudo ‘Inclusão escolar e processos de resiliência em adolescentes e jovens com deficiência’, apresentado em junho sob orientação da professora Renata Maria Coimbra, analisou as ações de inclusão desenvolvidas pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR), onde Thais trabalha como pedagoga, e verificou de que forma o procedimento ajuda adolescentes e jovens da educação especial considerados em situações de risco.

“A inclusão escolar não se refere apenas às questões de acessibilidade física e estrutural, nem de adaptações de materiais didáticos ou curriculares, vai muito além”, diz a pesquisadora. “Trata do desenvolvimento de uma cultura escolar que valoriza a diferença, que faz com que a pessoa se sinta bem naquele ambiente, que ela seja vista pelas suas potencialidades e não pelas suas limitações”, afirma.

“Entendemos como situação de risco aquele acontecimento que interfere negativamente no bom crescimento da pessoa e que é apontada por ela como uma ameaça. No caso dos alunos da educação especial, por exemplo, são as dificuldades que enfrentam em momentos de discriminação e preconceito”

Para o estudo, a pesquisadora trabalhou com a análise dos documentos institucionais que trazem como referência a inclusão. E identificou que o IFPR tem como intenção oferecer uma educação sem diferenciação de raça, gênero, deficiência, condição social, como também uma infraestrutura adequada com elevador, banheiro adaptado, softwares para biblioteca, contratação de intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais), além de eliminar práticas preconceituosas e discriminatórias.

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Estudo comprova benefícios da educação inclusiva. Imagem: Reprodução

Os professores fizeram parte de dois momentos do trabalho. O primeiro foi a seleção dos alunos de educação especial considerados em processo de resiliência, a partir do que eles entendiam por crescer bem. Foram escolhidos os estudantes que não se vitimavam e não encaravam a deficiência como um problema, apresentando bom relacionamento, pró-atividade, interesse e força de vontade.

“Os alunos que se caracterizam como mantendo um bom crescimento, superam as situações de risco identificadas contra eles, por meio dos fatores de proteção encontradas no contexto social como: o apoio da família, dos amigos e professores”, explica Thais.

Na segunda etapa foram feitas entrevistas individuais com os professores. O objetivo era entender de que forma as ações de inclusão propostas pelo instituto eram percebidas e praticadas por eles.

Para os professores, as ações institucionais citadas no documento oficial não são realizadas porque a instituição não oferece cursos de capacitação e não prepara os professores para receber os alunos, principalmente aqueles com deficiência.

Segundo os professores, a preocupação da instituição consiste em oferecer uma infraestrutura adequada, mas não em desenvolver uma cultura inclusiva, mostrando a importância desta integração para a comunidade acadêmica”.

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“Ainda não existe a inclusão de fato na educação”. Imagem: Reprodução

Com os alunos, além da entrevista individual, outra forma de avaliação foi a fotografia. Thais pediu para fotografarem pessoas, lugares e momentos que consideravam bons e ruins dentro do espaço escolar. Depois eles deveriam explicar o motivo que os levaram a tirar a foto.

“Este exercício permitiu analisar as ações de inclusão que eram desenvolvidas na unidade e que contribuíam para o bom crescimento destes estudantes”.

Segundo os alunos, as principais ações das quais participaram e se sentiram incluídos são as que respeitavam as suas limitações e que não os diferenciavam, entre elas, o de poder participar de projetos de pesquisa como bolsista, competir no basquete tendo a limitação da visão, ou, ainda, ajudar os professores no ensino dos outros alunos, pelo domínio do conteúdo.

“Eles querem ser reconhecidos pelas suas potencialidades”, diz a pedagoga.

Thais avaliou que a maioria dos estudantes gosta de estudar na instituição e se sente incluída, pois percebe a preocupação dos professores e da equipe pedagógica com o seu aprendizado.

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Projeto multiplataforma aborda a inclusão escolar. Imagem: Reprodução

“Os estudantes surdos relataram que dispunham de apenas um intérprete de Libras em cada Câmpus. Quando havia mais de um aluno surdo, somente um era atendido”.

Também foram destacadas dificuldades na comunicação com os professores, servidores da biblioteca, secretaria e colegas de classe, além da situação de alguns professores não respeitarem suas limitações, utilizando vídeos sem legenda e promovendo palestras sem o uso de interpretação da Libras.

Participaram do estudo quatro alunos surdos, um cego, um com deficiência visual, três com deficiência física, dois com Síndrome de Asperger e um com Síndrome de Down, além de 14 professores.

Thais trabalhou com professores e alunos das unidades da IFPR de Londrina, Assis Chateaubriand, Jacarezinho, Paranavaí, Telêmaco Borba e Umuarama, todos municípios pertencentes ao Estado do Paraná.

A pedagoga ressalta que em seu trabalho, para identificar os alunos dos quais ela iria trabalhar, conciliou os fundamentos do pesquisador canadense Michael Ungar – que estuda a temática da resiliência em adolescentes em situação de risco – com o processo de inclusão de adolescentes e jovens no ensino médio e superior.

Ungar reforça a necessidade de entender resiliência como algo associado à cultura e ao contexto do indivíduo. A cultura tem uma grande contribuição nos processos relacionados à resiliência, já que as necessidades para o bom crescimento do indivíduo são negociadas por meio ‘das e entre’ as culturas, pois o sujeito que é considerado em processo de resiliência em certo contexto cultural, pode não ser visto da mesma forma em outra cultura.

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Apoio à luta da pessoa com deficiência. Imagem: Divulgação/Apae de São Paulo

Para ele, o processo de resiliência é visto como resultante daquilo que as comunidades definem como funcionamento saudável e socialmente aceito para suas crianças e adolescentes, bem como a capacidade de suas comunidades em prover recursos.

O pesquisador reforça que o processo de resiliência destes adolescentes está atrelado a sete tensões, que, ao serem resolvidas de maneiras diferentes pelos adolescentes, auxiliavam no bom crescimento psicossocial, associado com bem-estar e resiliência, de acordo com critérios de suas culturas e contextos.

As tensões são: acesso a recursos materiais (à possibilidade do indivíduo acessar recursos sociais que garantam assistência financeira e a concretização de necessidades básicas); justiça social (à capacidade de reivindicar seus direitos, seja pessoal ou coletivo); poder e controle (auto-confiança do adolescente e capacidade de tomar conta de si próprio); relacionamentos interpessoais (rede composta de familiares, professores e amigos associada à suporte emocional); identidade (percepção do indivíduo sobre suas habilidades e limites); coesão (além da preocupação consigo próprio, há um senso de responsabilidade para com as necessidades da comunidade); e aderência cultural (capacidade de aderir (ou ficar em oposição) às normas culturais, crenças e valores de sua comunidade).

Thais analisou em sua tese de que forma as ações desenvolvidas no IFPR contribuíam para a resolução destas sete tensões nos alunos da educação especial, considerados em processo de resiliência. Ela concluiu que contribuem efetivamente na resolução de cinco das sete tensões propostas por Ungar.

“Somente a tensão ‘justiça social’ e ‘poder e controle’ necessitariam de outras ações, como dar voz aos alunos para que eles passem a ter uma posição mais ativa, ao invés de deixar sempre a instituição decidir por eles”, finaliza Thais Watakabe Yanaga.

Nesta quinta-feira, 21 de setembro, celebramos o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, instituído por movimentos sociais em 1982 e oficializado em 14 de julho de 2005 pela Lei Federal nº 11.133. A data foi escolhida por sua proximidade com a Primavera e o Dia da Árvore, representado o nascimento de reivindicações pela cidadania e a participação plena da pessoa com deficiência em igualdade de condições.