sábado, 30 de setembro de 2017

Estudante de música com nanismo ganha piano de cauda adaptado; veja vídeo

Shirley Nunes nasceu com acondroplasia, displasia óssea que impede o crescimento. Luthier, Rogério Resende adaptou um piano para que a estudante pudesse alcançar os pedais do instrumento.

Por Letícia Carvalho, G1 DF

Shirley Nunes ao lado de Rogério Resende, especialista em reformar, afinar e construir pianos, que a presenteou com um instrumento adaptado  (Foto: Letícia Carvalho/G1 )
Shirley Nunes ao lado de Rogério Resende, especialista em reformar, afinar e construir pianos, que a presenteou com um instrumento adaptado (Foto: Letícia Carvalho/G1 )

Os alunos que percorrem os corredores da Casa do Estudante da Universidade de Brasília (UnB) vão passar a ouvir – além dos sons das cigarras – clássicos de Beethoven, Chopin e Rachmaninoff. A estudante de música Shirley Nunes, de 27 anos, ganhou nesta quinta-feira (28) um piano de cauda feito sob medida para o seu 1,18 metro de altura.

Click AQUI para ver o vídeo.

A jovem nasceu com acondroplasia, uma displasia óssea que impede o crescimento. A acondroplasia é o tipo mais comum de nanismo, e causa o encurtamento das pernas, dos braços e do tronco. Por causa da estatura, Shirley não conseguia alcançar os pedais do instrumento, que tem em média de 72 centímetros entre o teclado e o chão.

Por esse motivo, ela se aventurava a tocar apenas composições barrocas – em que o pedal é um item dispensável –, já que a instituição não tem pianos adaptados. O sonho de poder interpretar clássicos de compositores do romantismo a fez procurar o luthier (especialista em reformar, afinar e construir instrumentos musicais) Rogério Resende.

Após conhecer a história da jovem, Resende decidiu criar um piano para a estudante. Durante oito meses, ele pesquisou e se dedicou a elaborar um modelo que atendesse às necessidades de Shirley. Assim, o especialista retirou 22 centímetros de um instrumento e o "rebaixou", para que a jovem pudesse tocar sem nenhum tipo de adaptação.

Resultado de imagem para Estudante de música com nanismo ganha piano de cauda adaptado; veja vídeo
Estudante de música anã da UnB ganha piano de cauda adaptado

“Preparei [o piano] exatamente para a altura dela. Certamente, Shirley será uma grande pianista”, disse Resende, que também coleciona o instrumento e criou um museu itinerante com mais de 70 exemplares acústicos.

Posicionado no centro da sala do apartamento da estudante, o piano branco ganhou até uma inscrição em vermelho com o nome da brasiliense.

“Quando conheci o Rogério, vi que no mundo existem pessoas boas. Nunca imaginei que teria um piano de cauda. Estou maravilhada.”

Ajuda em dois passos

Antes de presenteá-la, Resende importou do Canadá um adaptador, que permitiu que Shirley alcançasse os pedais dos instrumentos do Departamento de Música da UnB.

Para o especialista, no entanto, o equipamento não bastava. “Aquilo não a atendia dignamente. Eu mesmo fiz a proposta para ela: ‘vou preparar um piano para você’”, afirmou o afinador.

Shirley Nunes ganhou nesta quinta-feira (28) um piano feito sob medida (Foto: Letícia Carvalho/G1)
Shirley Nunes ganhou nesta quinta-feira (28) um piano feito sob medida (Foto: Letícia Carvalho/G1)

Autodidata

Aos 6 anos, Shirley viu pela primeira vez o instrumento de teclas brancas e pretas. Sem condições financeiras para comprar um piano, os pais derem para a filha um teclado pequeno. O ouvido afinado a levou a aprender intuitivamente. Depois do teclado, a jovem passou a tocar órgão.

“Ouvia os hinos da igreja e tentava reproduzir.”

Quando completou 23 anos, Shirley decidiu se aventurar em um piano. Ela, então, ingressou em uma escola na Asa Sul, no Plano Piloto. Após 10 meses de aulas, decidiu fazer a prova de habilidades da UnB. Em 2016, Shirley foi aprovada no vestibular do Departamento de Música.

Agora, com um piano de cauda que leva a sua assinatura, Shirley almeja um novo passo: “Quero muito tocar em uma orquestra”.

Fonte: g1.globo.com

Medalhista paralímpico visita o TO para conhecer projeto de goalball - Veja o vídeo.

Leomon Moreno conquistou o bronze com a Seleção Brasileira de Goalball na Rio 2016 e veio conhecer projeto do IFTO de Paraíso que inclui aluno cego na modalidade

Por GloboEsporte.com

(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Resultado de imagem para Medalhista paralímpico visita o TO para conhecer projeto de goalball
Leomon (esq.) veio para treinar os alunos de Paraíso do Tocantins

Alunos do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), da cidade de Paraíso, receberam a ilustre visita do medalhista de bronze pela Seleção Brasileira de Goalball, Leomon Moreno, nas Paralimpíadas do Rio em 2016. O atleta que foi um herói na conquista paralímpica, veio até o estado para conhecer o projeto que os alunos desenvolveram no instituto para ajudar um colega com deficiência visual a praticar o esporte nas aulas de educação física. 

Click AQUI para ver o vídeo.

Leomon Moreno veio de Brasília (DF) junto com Gabriel Goulart, técnico de goalball, depois que ficou sabendo da atitude dos alunos do Instituto Federal do interior do Tocantins. Treinador e medalhista paralímpico decidiram então ajudar com treinamentos e trouxeram uma bola oficial de goalball para incentivar a pratica do esporte.

Eu fiquei muito impressionado com a postura dos alunos de ter se sensibilizado com o problema do aluno [Felipe Mota] e ter montado toda essa estrutura. Lá em Brasília eu já enfrentava essa barreira sozinho, eu via como era difícil - disse o técnico Gabriel Goulart.

Leomon Moreno disse que espera no futuro próximo a descoberta de vários talentos no estado.

- E que daqui a pouco com certeza vou enfrentar alguma equipe do estado ou até jogar por alguma daqui também, isso é o que eu espero – disse medalhista paralímpico.

Goalball

O goalball é praticado por homens e mulheres com deficiência visual, por esse motivo a bola precisa ter guizos e deve se fazer silêncio no ambiente da partida. O esporte é praticado por três jogadores de cada lado da quadra e o gol tem 9m de largura por 1,2m de altura. A modalidade fez parte das Paralimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, a equipe masculina do Brasil faturou a medalha de bronze nos jogos.

Penas alternativas são revertidas em cadeiras de rodas a paratletas do AP

Parceria com o Tribunal de Justiça garantiu R$ 17,1 mil para compra dos equipamentos. Entrega das cadeiras na semana do Dia Nacional do Paratleta

Por Carlos Alberto Jr, GloboEsporte.com, Macapá

Paratletas iniciam treinos para se adaptar com o novo equipamento (Foto: Carlos Alberto Jr/GE-AP)
Paratletas iniciam treinos para se adaptar com o novo equipamento (Foto: Carlos Alberto Jr/GE-AP)

A Associação dos Deficientes Físicos do Amapá (Adefap), localizada em Macapá, recebeu três cadeiras de rodas adaptadas para corrida de rua, estimadas em R$ 17,1 mil. A entrega dos equipamentos é fruto de parceria com o Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), que reverteu aplicações de penas e medidas alternativas na compra dos itens.

A entrega dos materiais no dia 19 de setembro foi feita pela Vara de Execuções de Penas e Medidas Alternativas (Vepma), da Comarca de Macapá. A data foi escolhida em função da comemoração do Dia Nacional do Paratleta, celebrado de 22 de setembro.

A ideia do projeto é usar os recursos das penas para fomentar a inclusão e o esporte no estado. Para Cleverton Barbosa, diretor de esportes da Adefap, as doações vão ajudar bastante os atletas, pois eles usavam cadeiras inadequadas para as provas de corrida de rua.

"Estávamos precisando desse auxílio e fizemos um projeto para o Tjap ano no passado. Agora que firmamos essa parceria, vamos auxiliar tanto os cadeirantes que já participam de competições, quanto aqueles que querem participar de atividades esportivas", disse Cleverton.

Ralberdan Rodrigues é o 1º no ranking de corrida de rua adaptado (Foto: Carlos Alberto Jr/GE)
Ralberdan Rodrigues é o 1º no ranking de corrida de rua adaptado (Foto: Carlos Alberto Jr/GE)

Ralberdan Rodrigues pratica handebol, basquete e corrida de rua adaptado. Atualmente, ele é o 1º no ranking estadual na corrida. Mesmo conquistando várias medalhas, ele nunca usou a cadeira de rodas adequada para as competições de velocidade.

"Eu usava cadeira de rodas adaptada para o basquete nas competições de corrida de rua. Agora com as doações, estou iniciando os treinamentos para me adaptar e melhorar ainda mais", revelou empolgado o paratleta.

Cleverton Barbosa completa que a parceria vai permanecer, mas sem nenhuma previsão de data para novas doações. "O Tjap continuar com as doações, mas sem datas fixas. Elas virão assim que a entidade juntar o montante para comprar itens aos nossos atletas" finalizou.

MPF apura desrespeito a acessibilidade de pessoas com deficiência

Inquérito vai identificar locais onde há buracos, ausência de rampas e outros problemas que dificultam a locomoção


O Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria dos Direitos do Cidadão, instaurou inquérito civil para verificar as irregularidades existentes em São João da Boa Vista (SP) quanto à acessibilidade para pessoas com deficiência em vias do município. O procedimento visa à correção de falhas que dificultam a mobilidade dessas pessoas, como buracos, sinalização precária e áreas impróprias de travessia.

O MPF já está providenciando registros fotográficos em 32 pontos públicos da cidade, entre ruas, avenidas e praças, para identificar os locais onde melhorias devem ser implementadas. Um dos focos da Procuradoria são as condições de interação e segurança no trânsito, que podem colocar em risco os pedestres com dificuldade de locomoção.

Ao final da apuração, a Procuradoria se reunirá com os órgãos responsáveis da Prefeitura para que se promova a adequação das vias às garantias de acessibilidade previstas na legislação. A Lei Municipal nº 50/83, por exemplo, obriga proprietários de terrenos a murar os imóveis e pavimentar calçadas. O descumprimento de determinações desse tipo, embora prejudique a circulação de todos, gera transtornos principalmente às pessoas com deficiência.

É dever do MPF zelar pelo direito desses cidadãos, e o Poder Público tem a obrigação de garantir a mobilidade e a integridade deles nas vias de tráfego. A acessibilidade deve ser tratada como tema prioritário pelos gestores não só nesta data, mas todos os dias., destacou o procurador da República Guilherme Rocha Göpfert, responsável pelo inquérito, em referência ao Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

Mulher posta vídeo de desabafo sobre problemas com vagas de cadeirante em Uberlândia - Veja o vídeo.

O vídeo já ultrapassou cinco milhões e meio de visualizações e 100 mil compartilhamentos.

                     

Click AQUI para ver o vídeo

Fonte: g1.globo.com

"Todos têm papel fundamental na inclusão"

Embraco, multinacional do setor de refrigeração com sede em Santa Catarina, mantém projeto para contratação e desenvolvimento de pessoas com deficiência há quase dez anos. Em entrevista ao #blogVencerLimites, gerente da companhia destaca a necessidade de envolvimento de todos os funcionários para garantir que o processo seja positivo e produtivo. Engenheiro, pedagoga e operador contam como chegaram à corporação, avaliam o cenário nacional e o acesso de profissionais com deficiência ao mercado de trabalho.

Luiz Alexandre Souza Ventura

Rinaldo Puff é engenheiro, Ana Carolina Fruit é pedagoga, Adriana Horbatiuk é gerente de recursos humanos e Fábio Ferreira trabalha como operador. Imagem: Divulgação
Rinaldo Puff é engenheiro, Ana Carolina Fruit é pedagoga, Adriana Horbatiuk é gerente de recursos humanos e Fábio Ferreira trabalha como operador. Imagem: Divulgação

“A contratação de pessoas com deficiência se transforma em um processo efetivamente inclusivo quando toda a liderança da companhia está fortemente envolvida e tem o papel de recrutar, acolher, desenvolver esse profissional”, afirma Adriana Horbatiuk, gerente de recursos humanos, comunicação e sustentabilidade da Embraco, multinacional do setor de refrigeração com sede em Santa Catarina.

Em entrevista ao #blogVencerLimites, a executiva fala sobre o projeto iniciado pela empresa em 2008 para captação de profissionais com deficiência. “Valorizar as diferenças é somar resultados e isto vai muito além de preencher a cota prevista em lei”, afirma a executiva.

Segundo Adriana, quando o projeto foi criado, as vagas ficavam alocadas no setor de recursos humanos, que ainda é o guardião do processo . “Com o amadurecimento das lideranças e colaboradores, conseguimos transferir para as áreas também as vagas e os custos”, comenta a gerente. “Desta forma, toda a empresa está comprometida com a inclusão, valor seguido e respeitado por todos. Hoje não temos um funcionário 100% dedicado a este processo, mas temos várias pessoas do time, com diferentes papéis e visões gerindo o sistema”.

                                 Adriana Horbatiuk é gerente de recursos humanos, comunicação e sustentabilidade da Embraco. Foto: Divulgação/Andre Kopsch
Adriana Horbatiuk é gerente de recursos humanos, comunicação e sustentabilidade da Embraco. Foto: Divulgação/Andre Kopsch

A executiva ressalta que todos na empresa têm papel fundamental na inclusão, um dever que não é somente da companhia, mas de cada colaborador, ampliando o conhecimento interno sobre a diversidade, para acolher, desenvolver e integrar os funcionários no dia a dia.

Adriana Horbatiuk defende o foco no potencial dos empregados com deficiência, com um olhar além das cotas, e afirma que a empresa tem de ajudar os funcionários na jornada para alinhar habilidades e talentos de cada pessoa com os cargos que serão ocupados.

“Todos os colaboradores são essenciais para o nosso negócio e procuramos fornecer as ferramentas necessárias para que tenham uma experiência de trabalho diferenciada e alcancem excelentes resultados. Desenvolvemos atividades que envolvem o estímulo à reflexão sobre suas aspirações, para que o colaborador identifique os próximos passos de carreira. Temos programas de desenvolvimento com metodologia de aprendizagem EEE (Experiência, Exposição e Educação), além de treinamentos direcionados aos operadores para que evoluam na carreira e estejam preparados para executar suas atividades. O processo de desenvolvimento passa por avaliações de performance e comunicação constante”.

No Brasil, a Embraco mantém funcionários com deficiência física, sensorial e intelectual em diversas áreas e funções, de todos os níveis hierárquicos, inclusive em cargos de liderança e na diretoria.

Atualmente com 51 anos, Rinado Puff entrou na Embraco em 1988, como estagiário. Imagem: Arquivo Pessoal
Atualmente com 51 anos, Rinado Puff entrou na Embraco em 1988, como estagiário. Imagem: Arquivo Pessoal

“Todo processo de inclusão é válido, mas deve haver a contrapartida do interessado em buscar seu desenvolvimento. Não deve ser visto como algo apenas para beneficiar a pessoa com deficiência, precisa haver ganho para a empresa também. Há muitas pessoas com deficiência que têm um potencial latente, que pode e deve ser explorado para beneficiar ambas as partes”, diz o engenheiro Rinaldo Puff, pesquisador da Embraco.

Atualmente com 51 anos, Puff entrou na empresa em 1988, como estagiário. Foi promovido três vezes. Em 1997, sofreu fratura na coluna vertebral durante um acidente e ficou paraplégico. Após a reabilitação, concluiu mestrado e doutorado em Ciência e Engenharia de Materiais pela UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina), e fez também um MBA em Gestão Empresarial pela FGV/SOCIESC.

“Ainda há um gap cultural muito grande, o que faz com que pessoas sem deficiência também aproveitem de espaços sem pudor. Há também limitações de acessibilidade em hotéis e restaurantes, o que dificulta o turismo, mas vejo melhorias neste aspecto, principalmente aqui no Sul do País”.

Puff ressalta que inclusão e exclusão da pessoa com deficiência depende muito da própria pessoa. “Se ela se sente excluída, a sociedade automaticamente a exclui. Então, apesar das limitações, ninguém deve deixar de buscar seu espaço”.

                                       Fábio Ferreira, de 25 anos, trabalha atualmente como operador de manufatura. Imagem: Arquivo Pessoal
Fábio Ferreira, de 25 anos, trabalha atualmente como operador de manufatura. Imagem: Arquivo Pessoal

Fábio Ferreira, de 25 anos, é surdo e trabalha atualmente como operador de manufatura. Está na Embraco há três anos. “Quando eu fui procurar uma vaga de trabalho, procurei por intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) para saber o que as empresas ofereciam e quais eram as condições de trabalho. Na Embraco, temos intérpretes, e isso facilitou”, comenta.

“Em outras empresas que trabalhei não havia e ficava mais difícil. Aqui, em reuniões, homenagens e eventos com a presença de surdos, sempre há um intérprete. A ausência de especialistas em Libras prejudica principalmente a comunicação”, avalia.

Ana Carolina Fruit (de casaco azul) tem 35 anos trabalha na Embraco há quase uma década. Imagem: Arquivo Pessoal
Ana Carolina Fruit (de casaco azul) tem 35 anos trabalha na Embraco há quase uma década. Imagem: Arquivo Pessoal

Para a pedagoga Ana Carolina Fruit, de 35 anos, que tem Síndrome de Down e trabalha na Embraco há quase uma década, o processo de recrutamento de pessoas com deficiência vem sendo realizado de maneira adequada. “As empresas precisam de mais profissionais habilitados em braile e Libras”.

Ana Carolina afirma que jamais passou por uma situação de discriminação ou exclusão. “Tive acesso ao ensino completo, até pós-graduação, com apoio de toda família e dos profissionais da educação”, ressalta. “Gosto de estar por dentro de notícias sobre pessoas com deficiência. Leio livros, notícias na internet, assisto vídeos e telejornais. Considero a Lei Brasileira de Inclusão muito importante. Independentemente da deficiência, todos têm dificuldades a serem superadas”, conclui a pedagoga.

Casos de Alzheimer devem dobrar até 2030, com 90 mi de doentes

Idade é o principal fator de risco para, mas é possível ter qualidade de vida

SAÚDE Dinalva Fernandes, do R7

Thinkstock
Há 44 milhões de pessoas com Alzheimer no mundo
Há 44 milhões de pessoas com Alzheimer no mundo

Com o envelhecimento da população, a incidência de doenças relacionadas à idade está aumentando, como é o caso do Alzheimer. Já são 44 milhões de pessoas com a doença no mundo. Dados da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer) mostram que pelo menos 7,1% das pessoas acima dos 65 anos no Brasil apresentam algum tipo de demência, sendo que Alzheimer é responsável pela metade desses casos. Até 2030, o número de diagnósticos deve mais que dobrar.

A descoberta da doença traz grande impacto para a família e o desgaste emocional é muito grande para todos, afirma o neurologista e especialista em neurologista cognitiva e comportamental pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) Antônio Eduardo Damin.

— A doença de Alzheimer impacta não só o paciente, mas também as pessoas ao seu redor. Por isso, manter o bem-estar físico e psicológico de toda a família é essencial para que o paciente seja bem cuidado. A principal característica do transtorno é a perda das funções cognitivas, com prejuízos na memória, linguagem e no comportamento, afetando a independência do indivíduo.

O neurologista explica que o cenário da doença de Alzheimer tem melhorado nos últimos anos, com tratamentos farmacológicos e não farmacológicos. Mas ainda tem que melhorar bastante coisa na questão social.

— Tem muita gente que acha que é normal a pessoa ter esquecimento durante o envelhecimento, ficar esclerosado, caduco. A proporção de pessoas com mais de 50 anos está aumentando muito, e isso aumenta a detecção de novos casos, principalmente nos países desenvolvidos. Porém, entre 30% e 40% dos pacientes com Alzheimer não são diagnosticados.

Não é só perda de memória

É bastante comum relacionar o Alzheimer com a perda de memória, mas os sintomas são diversos, como déficit de atenção, dificuldade em nomear objetos e de reconhecer familiares, e alterações de comportamento, segundo o especialista.

A doença de Alzheimer, como outras demências, é ocasionada pelo depósito de substâncias anormais no cérebro, que gera morte prematura dos neurônios. O diagnóstico de Alzheimer, em geral, é um diagnóstico provável porque o definitivo só é feito com biopsia cerebral, explica Damin.

— Com o histórico de alguns sintomas clássicos de Alzheimer, como problema de memória, desorientação e dificuldade em processar a linguagem, fazemos exames laboratoriais, ressonância ou tomografia que servem para descartar outros problemas, como falta de vitaminas, por exemplo. Com isso acerta em média 90%, 92% das vezes. Raramente fazemos biopsia em pessoas vivas.

Thinkstock
O tratamento para pacientes com Alzheimer deve ser multidisciplinar
O tratamento para pacientes com Alzheimer deve ser multidisciplinar

A agressividade é outro fator comum nos pacientes, e provém de diversos fatores, como a privação sensorial porque o estímulo sensorial é importante, explica o neurologista.

— Quem é privado de sensações tende a se manifestar de forma mais agressiva, o que chamamos de “Fenômeno do Entardecer”. Toda vez que anoitece, o paciente fica mais agitado porque o estímulo sensorial é menor à noite. Outra questão é que muitos pacientes não entendem ou não percebem a própria doença. No início, pode até entender, mas com a evolução do transtorno, ele não percebe mais. Então, ele não sabe porque tem dificuldade para fazer determinadas coisas, e isso o deixa agitado e agressivo. Outro ponto é a não aceitação dos familiares sobre a doença, e isso gera conflitos muitas vezes.

Ainda de acordo com o especialista, embora a doença não tenha cura, quando detectada precocemente, é possível oferecer mais qualidade de vida ao paciente, por meio do tratamento multidisciplinar e medicamentos que melhoram as funções cognitivas, retardando o avanço do Alzheimer.

— O tratamento adequado inclui o acompanhamento de profissionais como neurologista, psiquiatra, geriatra, neuropsicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, entre outras especialidades.

‘Não sei quem você é, mas eu te amo’
O principal fator de risco para o Alzheimer é a idade, mas outros pontos também podem influenciar no desenvolvimento da doença. No entanto, Damin é enfático: não há como prevenir o aparecimento do transtorno.

— Não existe nada que evite o Alzheimer. Estudos mostram que há fatores modificáveis que podem postergar o aparecimento da doença, como controlar os fatores de risco cardiovascular (diabetes, colesterol, obesidade, hipertensão) e fazer atividades físicas, intelectuais e sociais. Já os fatores não-modificáveis, que não se pode mudar: idade e influência genética.

Para a gerontóloga e arteterapeuta Cristiane Pomeranz, o melhor a se fazer para se proteger da doença é investir em afeto.

— Se tiver que fazer alguma coisa a nosso favor é apostar no afeto e no relacionamento com as pessoas ao longo da vida.

Independentemente do que acontecer comigo, se eu tiver me relacionado bem com as pessoas e ser uma pessoa querida, tudo vai ser mais fácil. Se eu tiver um surto, por exemplo, e ofender aquela pessoa, ela vai poder relevar com mais facilidade, afinal de contas ela me ama. Eu escuto muito isso das idosas com quem trabalho: “eu não sei quem você é, mas eu te amo”.

Damin ressalta que é necessária bastante atenção com a agressividade porque nem sempre está relacionada ao Alzheimer.

— Toda vez que idosos começam a ficar agitados ou agressivos é necessário descartar outras causas, como infecção urinária.

Thinkstock
Especialista recomenda investir em afeto para se proteger da doença
Especialista recomenda investir em afeto para se proteger da doença

Tirar o idoso com Alzheimer de casa é importante, mas pode ser constrangedor e difícil em alguns momentos, confessa o escritor Fernando Aguzzoli, autor do livro Quem, eu? Uma avó. Um neto. Uma lição de vida, baseada em sua experiência como cuidador de sua avó com Alzheimer.

— Uma vez, eu fui a um supermercado com a minha avó e ela disse que eu estava roubando o pão que eu tinha pegado. Eu tentei explicar para ela que só podia pagar na saída, mas comecei a olhar em volta e fiquei com vergonha daquela situação. Tem que ter muito bom humor e jogo de cintura para viver esses momentos porque é complicado.

Outro ponto importante a se pensar é a segurança do paciente com o transtorno. A família tem que perceber a dificuldade daquela pessoa e ver o que pode ser feito para ajudá-la, orienta o neurologista.

— Para uma pessoa com dificuldade de movimentação, por exemplo, o ideal é instalar apoios no banheiro; alguns idosos não podem morar sozinhos, então alguém tem que morar com eles ou passar no imóvel para checar se está tudo bem; outros não podem sair sozinhos por terem dificuldade de se orientar, então a chance de se perder é bem maior. O ideal é deixar uma identificação com ele, com nome e telefone; também é importante instalar travas de gás; em caso de o idoso morar com um parente, é bom tirar as chaves das portas e escondê-las para que idoso não saia de casa à noite. Essas são apenas algumas medidas gerais.


Salvador recebe campeões paralímpicos para o Brasileiro de Futebol de 5

Salvador recebe campeões paralímpicos para o Brasileiro de Futebol de 5
Foto: Jefinho, do ICB-BA, dribla Villa, da Urece-RJ, na semifinal do ano passado. Em 2013, as duas equipes fizeram a final, com os baianos sagrando-se campões. (Wander Roberto/CBDV/Inovafoto)

Depois de quatro anos, o principal campeonato do futebol de 5 (para cegos) no país volta a Salvador. Com a presença de 12 equipes de nove Estados, a Série A da Copa Loterias Caixa será realizada de 3 a 8 de outubro, no Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras. O atual campeão da competição é o anfitrião ICB-BA, com sete conquistas nas últimas oito edições.

Neste ano, o torneio será ainda mais especial graças à parceria do Grupo Globo com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Neste mês de setembro foi lançado o selo Brasil Paralímpico, que dá visibilidade às modalidades paradesportivas, e o primeiro evento nacional transmitido ao vivo será a Série A da Copa Loterias Caixa de Futebol de 5. O canal Sportv 3 exibirá no sábado, 7, as duas semifinais, a partir de 10h, e a final no dia seguinte, domingo, 8, às 9h30.

A Série A contará com a participação de times da Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Destaque para cariocas, paraibanos e gaúchos, com dois representantes cada.

As equipes levarão a Salvador cerca de 120 atletas, entre os quais o baiano Jefinho e o gaúcho Ricardinho, dois dos melhores do mundo entre cegos e campeões paralímpicos com a Seleção Brasileira nos Jogos Rio 2016. Eles e os demais têm ainda outras motivações para irem bem na competição em solo soteropolitano. Com a proximidade da Copa América, de 25 de novembro a 4 de dezembro, em Santiago, no Chile, os jogadores terão a última oportunidade para mostrar à comissão técnica da Seleção que merecem ser convocados.

- Esta será a minha primeira disputa de Série A como jogador de futebol de 5 e é um desafio muito grande, não só para mim, mas também para os meus companheiros que participam dessa competição, a mais importante do Brasil e uma das mais importantes do mundo. Espero ir muito bem, principalmente porque tenho o sonho de estar na Copa América ajudando a Seleção - conta o ala Maxwell Valente, atleta do Cedemac-MA.

Títulos por Estado:
BA - 7
MG - 5
RJ - 4
PB - 4
MT - 3
RS - 2
PR - 2
SP - 1
ES - 1

Serviço
Copa Loterias Caixa de Futebol de 5 – Série A
Data: 3 a 8 de outubro
Horários: Tabela completa aqui
Local: Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras
Endereço: Estrada do Coqueiro Grande, 127 - Fazenda Grande 2, Salvador/BA
Entrada franca

Fonte: cbdv.org.br

Jairo Klug e Diana Barcelos são campeões no Mundial de Remo de Sarasota

Igor Meijer/FISA
Imagem

Por CPB

Jairo Klug e Diana Barcelos conquistaram a primeira medalha do Brasil na versão paralímpica do Mundial de Remo, que será disputado até o dia 1º, em Sarasota-Bradenton, nos Estados Unidos. A dupla saiu-se vitoriosa no skiff duplo misto e faturou o único ouro brasileiro até aqui.

A equipe completou os 2.000m em 7mins28s950 - mais de seis segundos à frente da dupla francesa, composta por Antoine Jesel e Guylaine Marchand, que registrou a marca de 7min34s700. Completaram o pódio os alemães Valentin Luz e Jessica Dietz, que cumpriram o percuso em 7min40s720.

"Uma prova muito, muito boa. Treinamos apenas seis vezes juntos neste barco, então ficamos extremamente felizes em conseguir esta vitória", disse Jairo.

Além do resultado positivo da dupla, o Brasil ainda é representado na Flórida por Renê Pereira. Ele classificou-se para a final A da sua prova, o single skiff masculino (PR1 M1x, braços e ombros). A disputa por medalhas ocorrerá no domingo. Renê representou o Brasil nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, no ano passado.

Fonte: cpb.org.br

Não vou fingir que a simulação da deficiência funciona

Crédito da foto: dominikgolenia / Foter / CC BY-ND
2014-03-10-walk_and_wheel300x200.jpg

As atividades destinadas a simular a experiência da deficiência são muitas vezes louvadas como experiências emocionantes, poderosas e que servem para abrir os olhos das pessoas. Com apenas algumas horas em uma cadeira de rodas, usando tampões de ouvido, ou vestindo uma venda nos olhos, as pessoas supostamente ganham uma compreensão mais profunda do que é a vida de quem tem uma deficiência. Eu, por exemplo, não concordo com isso.

O objetivo por trás de aumentar a sensibilidade e a conscientização é respeitável, mas há muito tempo me pergunto se a simulação de deficiências realmente consegue fazer isso.

Como um jogo de faz-de-conta pode conscientizar alguém sobre uma deficiência que carrego por toda minha vida? Claro, sei que existem várias pessoas e organizações que tentam fazer o melhor ao usar atividades de simulação para criar mudanças positivas. Mas, no final do dia, o vislumbre temporário da deficiência que esses exercícios fornecem é apenas isso – temporário. É simplesmente impossível mergulhar totalmente no ser de outra pessoa.

É aqui que reside o problema da simulação de deficiência. Pode tornar uma pessoa mais consciente das experiências do outro, mas não mergulha profundamente até a raiz da discriminação contra pessoas com identidades minoritárias. Em vez disso, é mais provável evocar empatia ou piedade do que a verdadeira aceitação. Várias vezes ouvi reações que apontam isso. Por exemplo, conversando com uma amável amiga minha que teve que circular em cadeira de rodas por Washington para um projeto da escola, ela me disse: “Eu não sei como você faz . Quando eu tentei entrar no trem, desisti e saí da cadeira para reguê-la sobre o vão entre o trem e a plataforma. É tão difícil usar uma cadeira de rodas!”.

Supondo que a maioria das pessoas que participam de atividades de simulação tenham reações semelhantes (o que mais encontrei), por que isso não causa mudanças realmente visíveis ao acabar com as barreiras de estigma e acessibilidade que enfrento todos os dias? Vinte e três anos após a aprovação do American with Disabilities Act (lei americana dos direitos das pessoas com deficiência), a comunidade de pessoas com deifiência física ainda enfrenta a falta de acessibilidade em tantos lugares. Claramente, a mensagem de viagem que se espera da simulação de deficiência não está funcionando.

Alguns podem argumentar que isso ocorre porque muitas atividades de conscientização da deficiência simplesmente não estão sendo feitas da maneira correta, ou que não há muitas pessoas envolvidas nelas. Bem, para mim elas simplemente não funcionam. A simulação não é a maneira ideal de transformar a visão da sociedade sobre a deficiência.

Considere o fato de que, para muitos, a deficiência é uma identidade e uma cultura, assim como a raça, a religião, a etnia, o gênero, a orientação sexual, etc. Agora, imagine se as escolas e as organizações começassem a realizar eventos de consciência negra em todos os lugares, durante os quais pessoas brancas pintassem a cara de preto e passeassem nas ruas por algumas horas para entender as experiências dos negros. Penso que é um eufemismo dizer que isso despertaria forte indignação por diversos motivos.

Em primeiro lugar, o termo “consciência” faz com que os grupos minoritários pareçam um problema. Em segundo lugar, uma breve atividade nunca pode substituir uma vida de experiências. Se ser negro e ser deficiente são identidades, por que os eventos de conscientização da deficiência são considerados únicos aceitáveis, enquanto os eventos de conscientização para outras identidades seriam, sem dúvida, considerados ofensivos? Para mim, ter minha identidade como pessoa com deficiência física reduzida a uma experiência de simulação isolada é o oposto da aceitação .

Se essa lógica não o convenceu de que a simulação de deficiência não é eficaz, reflita sobre a situação em sentido inverso: minha deficiência enfraquece severamente as articulações e os músculos nas pernas, então a única maneira de experimentar a caminhada é vestindo pesados aparelhos de perna feitos de metal e plástico. O perambular estranho que faço ocasionalmente em minha cozinha durante a fisioterapia, de maneira alguma, me dá uma verdadeira compreensão sobre o que é, para uma pessoa sem deficiência, andar, subir escadas ou transpor os obstáculos do dia a dia.

Da mesma forma, uma pessoa sem deficiência que usa uma cadeira de rodas para se locomover desajeitadamente, de modo algum terá uma compreensão genuína do que é ser uma pessoa com deficiência rolando em duas rodas e sendo impedida de prosseguir por um meio-fio alto todos os dias. Em cada caso, a simulação não é natural ou precisa. Tanto eu como a pessoa sem deficiência estaríamos usando nada mais do que dispositivos externos feitos de metal e plástico para fazer algo que normalmente não fazemos, e isso não se traduz na compreensão de experiências internas profundas de alguém que não somos.

Além disso, seria tolo se, ao falar com alguém que andasse, eu dissesse: “Eu não sei como você faz isso. Andar é tão difícil. Claro que é difícil para mim. Mas para uma pessoa sem deficiência é instintivo. E usar uma cadeira de rodas é difícil para uma pessoa sem deficiência. Para mim, que sempre me locomovi desta forma, é inato. Fora isso, ser deficiente não é só um desafio por causa das minhas circunstâncias físicas, um esteriótipo que uma simulação normalmente leva os participantes a acreditar; É difícil também por causa de barreiras ambientais, sociais e de atitudes.

Então, você pode estar “consciente” de mim o quanto quiser. Você pode tentar rolar um quilômetro na minha cadeira de rodas. Você pode analisar e discutir e dissecar a experiência de um milhão de ângulos diferentes. Mas precisamos parar de confundir a empatia com aceitação. Devemos abraçar as diferenças como um fato da existência humana sem primeiro precisar imitá-las, pois esses tipos de atividades não contribuem efetivamente para avanços de longo prazo no movimento dos direitos das pessoas com deficiência.

Emily Ladau escreve regularmente para The Mobility Resource, onde este texto foi publicado originalmente em 2014.

Primeira mulher disputa partida oficial de futebol de 7 no Brasileiro de Acesso Por CPB

Imagem
Mariana (segunda agachada da esq. à dir.) posa com a sua equipe

Por CPB

A disputa pelo sétimo lugar no Campeonato Brasileiro de Futebol de 7 - Divisão de Acesso, nesta sexta-feira, 29, no CT Paralímpico, em São Paulo, representou muito mais do que o nome pode sugerir. No dia de encerramento da competição, Mariana Damasio colocou seu nome na história da modalidade e tornou-se a primeira jogadora a entrar em campo em torneios oficiais da Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE).

Praticante do futebol de 7 desde maio deste ano, Mariana viajou a São Paulo com a sua equipe, a APEBH, para integrar a comissão técnica - uma vez que não achava real a possibilidade de participar do torneio. No entanto, após votação no Congresso Técnico, os times decidiram liberá-la para competir entre os homens. Decisão que a surpreendeu, mas a qual ela agarrou da melhor maneira.

"Participar do Campeonato Brasileiro foi um sonho. Eu não esperava, pois vim para São Paulo como membro da comissão técnica da equipe. Vocês podem imaginar o significado que isso tem para mim e para a equipe", disse atleta, que teve paralisia cerebral e tem limitações principalmente nos membros inferiores por ter nascido prematura.

"Além disso, é importante para conseguirmos trazer mais meninas para o futebol de 7 e termos uma visibilidade maior e desenvolver o futebol de 7 feminino. São poucas meninas no futebol convencional, então você pode imaginar no futebol de 7. É um sonho possível e vamos lutar agora para trazer mais meninas", completou.

A participação de Mariana não limitou-se apenas a entrar em campo. A jogadora foi a responsável por um dos gols da APEBH, na vitória que rendeu à equipe o sétimo lugar do torneio, sobre a APARU, por 10 a 3. Não foi, no entanto, seu primeiro contato com o esporte paralímpico.

"Eu comecei no paradesporto em março, no rugby em cadeira de rodas. E aí de lá eu comecei a sentir falta do futebol, pois joguei futsal durante dez anos e parei por questões fisicas, por causa da deficiência. No rugby, comecei a sentir falta, pois praticamos em uma quadra", contou.

O CAMPEONATO
O CETEFE ficou com o título do Campeonato Brasileiro de Futebol de 7 - Acesso ao superar na decisão o CADS. O bronze ficou com o APBS, que bateu o CEPE.

Fonte: cpb.org.br

Palavrões inclusivos

Você, amigo/amiga, que tem filho/filha incluído/incluída na escola regular, sabe me dizer quantos palavrões inclusivos ele/ela já sabe dizer?

Swear word thought bubble against red background
Bolha de pensamento com representações gráficas de injúrias.

Por Lucio Carvalho para a Inclusive

Você, amigo/amiga, que tem filho/filha incluído/incluída na escola regular, sabe me dizer quantos palavrões inclusivos ele/ela já sabe dizer?

Talvez você ainda não tenha percebido, mas na verdade o palavrão precede a inclusão. Não se pode estar incluído – a não ser performaticamente – na escola regular, no mundo regular, sem o domínio prévio e uso também regular de vários palavrões/turno.

Na verdade, pesquisadores têm estudado muito a respeito de quantos palavrões/turno em média alunos em idade escolar costumam dizer. Parecem variar entre 14 até algo beirando a centena. Aqui não cabe, nem por hipótese, elencar exemplos, dadas as inumeráveis possibilidades do idioma, fora os neologismos e regionalismos. A imaginação (ou a memória) neste caso costuma ser o suficiente.

Sei que vou parecer chocante ao dizer isso, mas se você ouvir ou ler um deles, procure ficar tranquilo. O mundo como ele é e a escola como ela é não são só feitos de fotos de formatura e passeios educativos. Diuturnamente os alunos usam palavrões ao leo ou dirigidamente e, se perguntados (pasmem agora!), não costumam sequer ofender-se por isso.

É que, como os linguistas costumam dizer e ninguém costuma prestar muita atenção, o contexto é que determina o valor do termo e não vice-versa. Há quem tema evoluir-se daí para uma situação de bullying conflagrado, mas se este é um temor justificável, por outro lado é uma gestão das mais impraticáveis. Melhor (bem melhor!) cuidar caso a caso. O bullying não costuma ser muito bem gerenciado nas escolas, infelizmente, até ir parar nas páginas policiais dos jornais. E as leis, também infelizmente, não vêm colaborando muito para melhorar a situação.

Talvez fosse preferível a alguns que o jargão do alunado fosse mais especializado e recheado de dizeres sóbrios e circunspectos como o do jurídico, por exemplo. Mas os egrégios alunos notam que sua inclusão depende muitas vezes de certa desenvoltura com o uso deles: os palavrões. As devidas correções e sanções, se cabíveis (e isto é um juízo de cada família em particular), melhor que fossem feitas por artifícios um tanto quanto fora de moda hoje em dia, tais como o incentivo ao uso de bibliotecas, diálogos face a face, recursos audiovisuais educativos e etc. Emojis e YouTube livre não, por favor.

É possível que, com isso, o futuro da ciência até possa ficar um tanto quanto comprometido, mas há que se imaginar ou pelo menos desejar que este seja um fenômeno transitório e, logo a seguir, as coisas melhorem um pouco. Cabe lembrar ainda que o governo, com seus cortes no setor, tem colaborado muito mais com a derrocada da ciência do que palavrões nos pátios escolares. Portanto, mesmo que alguns cheguem ao pânico por isso, é mais do que justo dividir as contas das dificuldades educacionais entre seus fidedignos responsáveis do que depositar toda a culpa exclusivamente no dorso do corpo discente das escolas.

Longe de parecer que desejo defender os benefícios do uso dos palavrões, estou apenas aceitando a sua existência e tentando entender como isso produz interface com outras tantas questões, tais como a inclusão de alunos com deficiência e/ou necessidades educacionais especiais. Poderia aqui simplesmente negar sua existência e imaginar que as escolas fossem terrenos como ilhas de fantasia e bem aventurança, mas esse é o tipo de pensamento que, creio eu, não ajuda exatamente a ninguém.

Além disso, se há uma medida de troca de valores e bens culturais (mesmo que sejam os bens culturais que não apreciamos), ela se dá justamente na medida em que os valores sejam realmente compartilhados. De outro modo, o que há é superproteção, encapsulamento e a conversão justamente dos alunos que estão ali para beneficiar-da inclusão em bibelôs inclusivos, baluartes de projetos dos quais deixaram há muito de serem agentes ativos e participativos para serem convertidos em objetos de admiração, enlevo, orgulho, compaixão, etc. Nada que alguém possa efetivamente levar para a vida.

De mais a mais, se é mesmo desejável para a sociedade melhorar a qualidade argumentativa e o vocabulário dos estudantes, nada pode ser mais hipócrita do que exigir-se um comportamento que, na vida familiar e/ou social, não é seguido. São aquelas típicas soluções que não solucionam nada, como as que visam, por exemplo, deter a corrupção apenas retoricamente, mantendo às vezes até abertamente as práticas corruptas. Seria apenas mais do mesmo exigir dos estudantes um comportamento para o qual não se colabora, uma exigência desproporcional fadada a reproduzir mais revolta e violência, porque realizada a partir de uma falsificação moral ao invés de um compromisso realista.

Quero dizer que com o uso de palavrões estaria comprovada a eficácia de um projeto educacional inclusivo ou que isto basta ou que se trata de um indicador confiável? É claro que não! Apenas trata-se de ter certeza que há um mínimo de horizontalidade nas relações, que não se está ensinando paternalismo como se inclusão fosse e que, do ponto de vista das relações humanas, estar incluído é também estar exposto às vicissitudes da vida social e não apenas às benesses, aplausos, lágrimas e bombons. É dar a ideia de que os alunos incluídos um dia também saem do jardim de infância.

Assustaram-se? Pois tratem de se acalmar! Nosso próximo artigo versará nada mais nada menos do que sobre o baixo calão e sua importância na sociabilização escolar brasileira.



Parque em Mangaratiba cria trilha inclusiva para PCDs

A trilha do Curumim, no Parque Estadual Cunhambebe, é interpretativa, sensorial e inclusiva, com acessibilidade para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Foto de uma trilha repleta de árvores, com um caminho em terra ao meio. Cinco pessoas, de diferentes idades, estão andando. À frente, está uma jovem negra, cadeirante, que sorri.

Em Mangaratiba, no Rio, há um parque com trilha adaptada para Pessoas com Deficiência. A trilha do Curumim, no Parque Estadual Cunhambebe, é interpretativa, sensorial e inclusiva, com acessibilidade para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Ela se conecta na região do Vale do Sahy com a Trilha da Ruína, uma estreita faixa de terra entre a montanha e o mar.

A ideia de uma trilha adaptada surgiu em junho deste ano, na Semana do Meio Ambiente, quando o Parque Cunhambebe recebeu uma visita de alunos da Escola de Educação Especial de Mangaratiba Emanuela Ribeiro de Souza, que atende pessoas com deficiência visual e intelectual, paralisia cerebral, entre outras. Na ocasião, 25 jovens participaram de atividades de educação e interpretação ambiental conduzidas pela equipe do Parque.

Assim, a trilha do Curumim foi inaugurada no final de agosto e seus primeiros visitantes foram os alunos da Escola de Educação Especial. O dia foi de fortes emoções para a equipe, as crianças e suas famílias. Eles tiveram a chance de conhecer a natureza através de seus sentidos, plantar mudas de espécies nativas e até atravessar o rio por uma passarela flutuante.

Em 21 de setembro, Dia da Árvore e da Pessoa com Deficiência, a trilha do Curumim recebeu novos visitantes da Escola. Os guarda-parques e as crianças plantaram mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, emocionando a todos mais uma vez.

O Parque Estadual Cunhambebe é gerido pelo Inea-RJ e o Viva Rio é responsável pela equipe de Guarda-Parques.



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Trecho entre Ticen e Terminal Rita Maria terá obras de acessibilidade para pedestres a partir desta segunda

Entre as mudanças, calçadas deverão ser alongadas, com nivelamento por lombo-faixas.

Por G1 SC

Prefeitura divulgou imagens de como deve ficar a acessibilidade na região (Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação)
Prefeitura divulgou imagens de como deve ficar a acessibilidade na região (Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação)

Começam nesta segunda-feira (25) as obras para melhorar a acessibilidade dos pedestres e pessoas com deficiência no trecho de 275 metros entre o Terminal de Integração do Centro (Ticen) e o Terminal Rodoviário Rita Maria, no Centro de Florianópolis.

As mudanças fazem parte do projeto Rotas Acessíveis, da prefeitura, e deverão beneficiar pessoas com deficiência, idosos e pessoas com carrinhos de bebê ou malas. O prazo de conclusão é de 90 dias.

As calçadas deverão ser alargadas e ganhar piso de concreto de melhor qualidade. Também será colocada sinalização visual e tátil para auxiliar pessoas com deficiência na hora de atravessar a rua. As rampas de acesso serão retiradas, e o pavimento será nivelado com lombo-faixas.

Os trabalhos vão ser feitos pela empresa AMVT Construções Ltda, vencedora de licitação. O valor da obra é de R$ 90.452,87, com recursos do município.

Outro trecho

O segundo trecho da obra, entre o Ticen e o prédio da prefeitura (na esquina entre as ruas Tenente Silveira e Arcipreste Paiva) teve projeto elaborado pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf). Estão previstas adequações de acessibilidade, especialmente para deficientes visuais.

Fonte: g1.globo.com

Cegos apontam falhas na acessibilidade em Campinas: 'Sem coragem, não sai às ruas' - Veja o vídeo.

Cidadãos sentem-se excluídos diante da dificuldade para tarefas simples, como sair de casa ou pegar um ônibus; nesta quinta (21) é celebrado o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência.

Por Fernando Evans, G1 Campinas e Região

Resultado de imagem para Cegos relatam dificuldades de acessibilidade na cidade de Campinas
Cegos relatam dificuldades de acessibilidade na cidade de Campinas

Sair de casa, atravessar a rua ou pegar um ônibus. Para alguns cidadãos de Campinas (SP), essas simples ações são verdadeiras "tarefas árduas". Em comum, o fato de serem cegos e de se sentirem excluídos por parte da cidade que, para eles, falha no quesito acessibilidade.

Click AQUI para ver o vídeo.

"Se você não tiver coragem, não sai para a rua. É cruel. Um cego precisa mesmo coragem", resume Leílson Castro de Barros, de 28 anos.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Campinas tem mais de 5 mil cegos e outras 25 mil pessoas com grandes dificuldades de visão. E os deficientes visuais são apenas uma parte da comunidade que aproveita este 21 de setembro, Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, para batalhar por melhor qualidade de vida.

Cego há sete anos, José Wellington Ferreira, de 34, relata dificuldades no bairro Campo Belo, em Campinas (SP) (Foto: Fernando Evans/G1)
Cego há sete anos, José Wellington Ferreira, de 34, relata dificuldades no bairro Campo Belo, em Campinas (SP) (Foto: Fernando Evans/G1)

Morador do Campo Belo há 15 anos, José Wellington Ferreira, de 34, ressalta que acessibilidade é um conceito que não chegou ao seu bairro.

"Lá é um lugar esquecido, não há nenhuma acessibilidade. Nem para quem enxerga. São ruas sem asfalto, bueiros abertos", lamenta.

Ferreira já enxergou e trabalhou, por um bom tempo, como cobrador no sistema de transporte coletivo da cidade. Nem as lembranças de caminhos que antes fazia com frequência o deixam em segurança para usufruir do município como qualquer cidadão.

"Perdi a visão há sete anos e tive de aprender a entender o mundo novamente. Nem tudo é como eu me lembro. Eu conhecia muito bem a Avenida Campos Sales, no Centro, mas tentei andar ali e não tenho facilidade nenhuma. A acessibilidade é falha e não me sinto seguro", comenta.

Piso tátil da Av. Glicério, revitalizada há um ano, é alvo de críticas (Foto: Murillo Gomes)
Piso tátil da Av. Glicério, revitalizada há um ano, é alvo de críticas (Foto: Murillo Gomes)

'Centro é o melhor, não o ideal'

Os quatro são atendidos no Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores e usam, com frequência, o transporte coletivo para chegar ao local. Todos passam pela região central e são unânimes ao afirmar que essa é a área de Campinas com melhor acessibilidade, mas não a ideal.

Um dos símbolos de transformação da região central, a Avenida Francisco Glicério, cuja revitalização foi entregue há um ano, é alvo de críticas dos deficientes visuais.

"Melhorou alguma coisa esse piso tátil [da Glicério], só não consegui entender o motivo dele ficar mudando de direção. Você está indo em um sentido e, de repente, muda. Cada hora ele [piso tátil] te manda para um lado. Eu perco a referência", diz Adriana Galhardo Pereira, de 29 anos.

Para José Wellington Ferreira a "avenida criada como modelo tem muitas falhas" e isso, em sua opinião, ocorre porque pessoas com necessidades especiais não são ouvidas nessas questões.

Adriana Galhardo Pereira, de 29 anos, diz que piso tátil da Glicério
Adriana Galhardo Pereira, de 29 anos, diz que piso tátil da Glicério "muda de direção" (Foto: Fernando Evans/G1)

"O espaço entre o piso tátil e a guia é muito pequeno. Sinto que os veículos passam muito perto. E existem muitos obstáculos no caminho e há uma 'disputa' de espaço com outras pessoas", explica Ferreira, que cita um exemplo da falta de planejamento.

"Faço tratamento dentário na Glicério e não consigo usar o piso tátil, tem um barraca de cachorro-quente em cima dele."

"Meca" do comércio da região central, andar pela Rua Treze de Maio é um desafio para quem não enxerga. Além de enfrentar o vaivém de pessoas, não há ferramentas que auxiliem os deficientes.

"No meio daquela multidão de pessoas, a referência que eu uso é uma canaleta para escoar água que tem no centro da rua. Só que a bengala às vezes prende ali, é um problema", ressalta o baiano Leílson Bastos, que mora em Campinas desde 2014.

Conterrânea de Bastos, Jaqueline Silva dos Santos, de 27 anos, vive no município desde os 5 anos. Enxergou até os 15 e, desde então, "vê" Campinas de outra forma. O terminal central é um ponto de passagem obrigatório, mas só anda por lá acompanhada.

"É um local muito bagunçado. Eu pego ônibus lá, mas acompanhada. Sozinha, jamais! Tem muita barraca."

Passageiros no terminal de ônibus na região central de Campinas; deficientes visuais reclamam das dificuldades de acessibilidade (Foto: Reprodução EPTV)
Passageiros no terminal de ônibus na região central de Campinas; deficientes visuais reclamam das dificuldades de acessibilidade (Foto: Reprodução EPTV)

Solidariedade

Para os entrevistados, um fator compensa parte da falta de sinalização, de semáforos sonoros e de acessibilidade na região central: a solidariedade. "As pessoas acabam ajudando, o que dá uma margem de segurança", diz Leílson.

O baiano considera a situação da periferia cruel para os cegos. "Não há padrão nas calçadas, não tem nenhuma acessibilidade. Melhora quando o bairro é pouco movimentado, porque daí a gente anda pela rua", conta.

Jaqueline reforça que o Centro é onde encontra mais ajuda. "No Vida Nova, onde eu moro, não tenho suporte algum. Não sei se ficam constrangidos, com medo, mas é no Centro que consigo andar com maior facilidade."

Jaqueline dos Santos, 27 anos, diz que no bairro não recebe ajuda (Foto: Fernando Evans/G1)
Jaqueline dos Santos, 27 anos, diz que no bairro não recebe ajuda (Foto: Fernando Evans/G1)

Prefeitura

As dificuldades enfrentadas pelos cegos foi informada à Prefeitura de Campinas, que emitiu nota destacando que as novas obras na cidade, de prédios públicos ou pavimentação dos bairros, são feitas com acessibilidade desde 2013.

"A Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Cidadania realiza estudos de viabilidade e acessibilidade das vias de acordo com análise da Emdec, que acompanha e realiza projetos para garantir acessibilidade com segurança. Destaca-se também que todas as novas obras de pavimentação da Prefeitura estão sendo realizadas com guias das calçadas e rampas de acessibilidade, que vão facilitar o trânsito de pessoas com dificuldade de locomoção e pais com carrinhos de bebê, entre outros", diz a nota.

A Administração informou ainda que, por meio da Emdec, "são realizados os estudos técnicos de viabilidade e elaboração de projetos para implantação de rampas de acessibilidade e piso tátil em função de demandas feitas pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Cidadania ou feitas por munícipes diretamente à Emdec."

A Prefeitura, no entanto, não se posicionou sobre as dificuldades relatadas pelos cegos na região central. Informou que a implantação dos projetos de acessibilidade envolve diversos setores da Administração e, ainda, em caso de contrapartida, empreendedores e empresas privadas.

Fonte: g1.globo.com