sábado, 21 de outubro de 2017

Cadeirante é preso por armazenar pornografia infantil em Ouro Preto, RO

Suspeito foi detido durante a Operação Luz na Infância que acontece em 24 estados e no DF. Polícia localizou um computador com imagens de crianças e adolescentes em cenas de sexo.

Por Marco Bernardi, G1 Ji-Paraná e Região Central

Cadeirante foi preso durante ação em todo Brasil (Foto: WhatsApp/Reprodução)
Cadeirante foi preso durante ação em todo Brasil (Foto: WhatsApp/Reprodução)

Um cadeirante de 34 anos foi preso nesta sexta-feira (20) por armazenar conteúdo de pornografia infantil em Ouro Preto do Oeste (RO), na Região Central do estado. Segundo o delegado Niki Alves, o suspeito foi preso em cumprimento de um mandando na Operação Luz da Infância, deflagrada nesta sexta-feira para combater a pedofilia em 24 estados e no Distrito Federal.

Um computador com imagens de crianças e adolescentes em cenas de sexo foi localizado durante buscas na casa do suspeito. A polícia acredita que o cadeirante possa integrar uma rede de distribuição de imagens contendo pornografia infantil.

“Foi realizada uma busca e apreensão na casa na residência do cidadão, em decorrência da Operação Luz na Infância, e foi constatada fundada a suspeita de armazenamento de vídeo pornográfico contendo menores em seu computador”, explica o delegado.

O cadeirante foi preso em flagrante com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e foi encaminhado a Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp).

Segundo a Polícia Civil, o suspeito pagou fiança e responderá o processo em liberdade. A pena por oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar pornografia infantil é de um a quatro anos de reclusão e pagamento de multa.

Operação Luz na Infância
A Operação Luz da Infância foi realizada simultaneamente em 24 estados e no Distrito Federal, cumprindo busca e apreensão e de condução coercitiva.

A operação tem como principal foco o combate ao compartilhamento de fotos e vídeos de pornografia infantil pela internet através da chamada “deep web” ou “darknet”, a internet obscura, que não pode ser acessada pelos meios convencionais.

Pedofilia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a pedofilia como transtorno mental. Pedófilos, geralmente, são pessoas adultas que têm preferência sexual por crianças pré-púberes ou no início da puberdade.

Manter relação sexual ou ato libidinoso com menores de 14 anos é crime previsto no Código Penal, assim como manter, compartilhar, publicar ou divulgar conteúdo de pornografia infantil.

Fonte: g1.globo.com

Defensoria Pública do Acre emite resolução para beneficiar pessoas com visão monocular - Veja o vídeo

Com a edição da resolução, defensora explica o que muda para quem tem visão monocular. 'A pessoa terá o mesmo direito garantido àquelas com deficiência', diz.

Por Jornal do Acre 1ª edição, G1 AC, Rio Branco

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Defensoria pública do Acre emite resolução para beneficiar pessoas com visão monocular

A Defensoria Pública do Acre emitiu uma resolução, editada na quinta-feira (19), para beneficiar pessoas que têm visão monocular.

Click AQUI para ver o vídeo

O objetivo é assegurar todos os direitos à pessoa que dispõe de visão monocular da mesma forma que aquelas com qualquer tipo de deficiência. Em entrevista ao Jornal do Acre 1ª edição desta sexta-feira (20), a defensora pública-geral do estado, Roberta Caminha, diz o que muda com a resolução.

A defensora explica que no âmbito da defensoria pública todas as pessoas que possuem a visão monocular, ou seja, visão de apenas um olho, devem procurar o local para requerer direitos.

“Ela terá direito a prioridade no atendimento, na inscrição do concurso público ela terá o mesmo direito garantido àquelas pessoas com deficiência”, conta.

A visão monocular ainda não está expressamente prevista na lei, segundo a defensora. Roberta destaca que é preciso abordar a convenção de Nova York, que em 2009 ingressou no Brasil a nível constitucional.

Depois menciona também o estatuto da pessoa com deficiência, que veio para mudar o pensamento e o conceito de deficiência para a sociedade.

“Nós não temos que ver a pessoa com deficiência tão somente focando nela, mas nós temos que focar na sociedade, que precisa ultrapassar as barreiras para incluir aquela pessoa para que ela tenha igualdade de oportunidades e a Defensoria Pública, como uma instituição de inclusão social, tem como objetivo primordial a promoção dos direitos humanos”, diz.

A resolução é vista como um avanço e todo aquele que necessitar da defensoria pública pode procurá-la, levando os documentos necessários, sobretudo, o laudo médico constatando a situação.

“Nós estamos ali a disposição. A Defensoria Pública é sinônimo de cidadania e de igualdade social. Nós estamos ali para proteger o direito de todos aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade social”, finaliza.

Defensora pública geral do estado, Roberta Caminha, diz o que muda com a resolução (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)
Defensora pública geral do estado, Roberta Caminha, diz o que muda com a resolução (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)

Fonte: g1.globo.com

APÓS ACIDENTE, ENFERMEIRA OBSTETRA ACOMPANHA PARTOS EM CADEIRA DE RODAS

Melissa ao lado de parturiente durante contrações (Foto: Juliana Matos)

O dia 15 de outubro de 2016 ficará para sempre marcado para a enfermeira obstetra Melissa Martinelli, 39. A caminho de mais um plantão, ela sofreu uma acidente com a moto que pilotava. Assim que era socorrida pela ambulância do Samu, percebeu que havia algo errado: já não sentia mais as pernas. Assim que ouviu do médico que não voltaria mais a andar, Melissa, que é mãe de dois, só pensava em duas coisas: “Como ia entrar na igreja com meus filhos quando eles casassem e como atenderia o parto das minhas gestantes”, relata a enfermeira obstetra que há 11 anos atende gestantes. Ela conta que receber o diagnóstico, perdeu o chão. “Aquela notícia tirou minha alma, foi como se a minha alma tivesse saído do meu corpo. Eu só chorava e o meu médico falava para eu ficar calma, que conseguiria trabalhar atendendo pré-natal, mas não é o que queria. Senti que morri nesse dia”, conta.

Foram 19 dias de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e mais 32 dias internada no hospital para iniciar o tratamento de reabilitação. Ela conta que enquanto esteve hospitalizada, toda a reabilitação foi feita voltada para que ela pudesse atender partos o mais rápido possível.

E assim foi feito. Três meses após o acidente, ela voltou a atender suas pacientes. “Primeiro acompanhei alguns partos com a minha sócia, que é uma grande parceira, irmã de alma e que muito me ajudou até que estivesse pronta para atender o primeiro parto sozinha sendo a parteira principal”, diz Melissa.

A enfermeira obstetra conta que não foi nada fácil chegar até aqui. Foi preciso muita mudança em toda a sua rotina. “Tudo mudou. Precisei me reinventar ao me ver em uma cadeira de rodas. Tive que adaptar o meu carro para dirigir, meu consultório, minha casa, e também me readaptar para acompanhar os partos. Também não ando mais de moto, que era o meu lazer, e tive que me adaptar na academia pois agora uso os aparelhos de forma diferente.”

Melissa também faz fisioterapia diariamente, acupuntura e tratamento com uma psicóloga que, segundo ela, tem ajudado muito a superar as dificuldades e fraquezas que muitas vezes aparecem. “O mais difícil também foi saber que eu não poderia estar de pé para abraçar meus filhos e meu marido e que não poderia mais segurar de pé minhas pacientes quando elas precisassem”, diz Melissa, que é mãe de Rayssa, 21, e Taoã, 10. “Tem momentos que fico pensando que podia ter passado mais tempo com minha família, difícil pensar que podia ter feito mais antes do acidente”, relata, emocionada.

Melissa, que mora em Brasília (DF), atende partos domiciliares e trabalha na casa de parto São Sebastião, que atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Ela também é uma das proprietárias da Casa Humaniza, uma casa de parto particular que funciona na cidade.

Apesar dos médicos não darem muita esperança sobre se vai voltar a andar, a parteira não perde as esperanças. “Alguns médicos falaram que só o tempo poderá dizer se voltarei a andar, que é um processo, que leva tempo. Tenho muita fé e acredito que vou voltar a andar. Sou a menina dos olhos de Deus e ele não pisca para mim”, afirma.

Melissa diz que todos os dias após o acidente têm sido um aprendizado. “Só sabemos como somos fortes quando precisamos ser fortes. Aprendi que a resiliência é o ato de se transformar, de se reinventar diante de um forte trauma, a ter paciência e é isso que busco dia a dia”, diz.

Sorridente e com uma força que sabe lá de onde vem, Melissa diz que não vai desistir de seus sonhos. “Deus não coloca algo impossível dentro do seu coração que ele não consiga realizar. O universo dá o que a você atrai. Ninguém deve desistir de seus sonhos”, diz a parteira. Ela é enfática e tem uma única certeza nessa vida: “vou voltar a andar. Levar meus filhos de pé até o altar e ainda vou ajudar muita gestante a agachar no parto”, diz a parteira.

Melissa voltou a atender partos três meses após acidente (Foto: Felliane Almeida)


Fontes: Ser Lesado - fernandazago.com.br

GASTOS DE 20 MIL, XIXI 'CONTROLADO' E AJUDA DE ESTRELAS: COMO LAÍS SOUZA MANTÉM A ESPERANÇA DE VOLTAR A ANDAR

Foto: BBCBrasil.com
Laisno exercício

Enquanto as mãos esboçam uma movimentação mínima de ondulação no exercício de remada, seus olhos fecham no esforço para manter aquele “balanço” até que o fisioterapeuta Robson Lopes dê o sinal de descanso. O movimento pode parecer ínfimo para quem passou a infância e boa parte da juventude entre piruetas e saltos na ginástica artística, mas, hoje, cada avanço é uma conquista.

“Tenho noção do que é o real, mas continuo com meus sonhos, com a minha esperança de correr atrás, de tentar conseguir recuperar um movimento, nem que seja do braço, qualquer coisa”, diz à BBC Brasil.

Laís perdeu todos os movimentos do pescoço para baixo no acidente de 2014 por conta de uma lesão na coluna cervical C3. E, apesar das poucas “certezas” que a medicina traz para o seu caso, ela se mantém firme na esperança de voltar a se mexer.

“Não quero me adaptar à cadeira de rodas de jeito nenhum. Quero fazer o contrário: sair dela.”

Adaptação e gastos

É para isso que Laís vai todos os dias à fisioterapia, até mesmo quando está fora de Ribeirão Preto. E é por isso que a ex-ginasta hoje se desdobra, fazendo eventos e palestras em todo o país, na tentativa de arcar com os altos custos de sua nova realidade, que ultrapassam R$ 20 mil por mês.

Um simples xixi, por exemplo, custa para Laís R$ 3,20 – preço da sonda que ela usa para isso -, o que faz com que ela tente “controlar” suas idas ao banheiro para não que ultrapassem seis por dia.

“É bem caro. Tem desde (gastos com) sonda pra fazer xixi e cocô, os remédios, mais as pessoas que me cuidam – isso é a parte mais cara. Algumas viagens que eu tenho de fazer para os tratamentos, fisioterapia, faculdade…”, diz

“Uso de cinco a seis sondas no dia. Se eu for a um happy hour , por exemplo, eu vou dar PT (perda total, gíria para quando se bebe demais)”, brinca. “Em geral, a cada quatro horas, devo usar uma sonda. Mas fico me policiando e atenta ao momento do xixi, porque você tem de encontrar um banheiro adaptado, um banheiro limpo e não encontra…”

A falta de banheiros adaptados e os altos custos da vida na cadeira de rodas foram algumas dificuldades que Laís Souza encontrou desde que retornou ao Brasil, após ter passado seis meses em um hospital nos Estados Unidos. Foi na volta para casa que ela se deparou com os primeiros obstáculos de sua nova realidade, que iam muito além de calçadas esburacadas e da escassez de rampas.

“Cheguei aqui e eu não entrava em casa. A cadeira não passava”, contou. A ex-ginasta teve de passar um tempo na casa do irmão até conseguir um apartamento adaptado para ela.

Foi preciso pouco tempo, aliás, para Laís perceber que a vida “adaptada” no Brasil para uma pessoa com deficiência custaria bem caro – para bancar tudo, precisou contar com a ajuda de bastante gente.

“É difícil (conseguir pagar tudo). Mas tenho vários anjos na minha vida. Hoje, tenho um patrocinador, que me ajuda bastante. Tenho também uma ajuda do governo, que uso toda com remédios. E tem o (jogador de futebol) Neymar, que me ajuda com minha moradia em São Paulo, a clínica a que vou me ajuda também. O cavaleiro Doda Miranda me ajudou muito no início também.”

A pensão por invalidez que ela recebe do governo federal é de pouco mais de R$ 4 mil, que gasta com os pelo menos cinco remédios que toma por dia. Os gastos estão por toda parte: desde os cuidadores, que a ajudam a fazer tudo todos os dias (são dois), a faculdade, as despesas com tratamento e fisioterapia, até a própria cadeira que a leva e traz de todos os lugares.

“Só a cadeira custou R$ 23 mil. A roda dela é como se fosse uma roda de carro, é bem cara. Quando fura, tento trocar a câmara de dentro, mas, se machucar o pneu, tem de trocar, igual a de um carro.”

Tudo isso não é luxo para Laís – é o básico que ela precisa para continuar vivendo. “Minha deficiência é muito grande. Se for em qualquer carro, eu não consigo ir, se for uma calçada com buraco gigante, a gente tem que fazer alguma coisa para driblar o buraco. Então, a adaptação continua bem difícil.”

Recuperação

A “adaptação” de Laís à nova vida começou ainda quando acordou no hospital com a notícia de que “dificilmente conseguiria respirar sozinha novamente”, conforme um dos médicos disse à sua mãe. Ela conseguiu – teve de reaprender a fazer isso, assim como a falar, depois de ter passado meses em silêncio.

Hoje, ela tem uma dicção perfeita, mantém o mesmo otimismo de antes – mesmo admitindo ter dias ruins de vez em quando – e usa a cabeça para apontar as coisas que quer ou precisa. Quando um fio do cabelo insistiu em repousar no seu olho, ela fez sinais com o pescoço e pediu para um de seus ajudantes, Willian Campi, retirá-lo. Quando teve sede, apontou para a salinha do filtro e disse: “Vamos tomar água?”.

A vida de Laís agora é assim: sempre pedindo coisas para alguém. Isso já a incomodou muito, assim como as despesas a pagar às vezes pesam, e o desânimo por não poder sequer mover sua própria cadeira toma conta dela.

“Não gosto de ficar pedindo as coisas sempre. Quando tinha de comer, eu pedia para alguém. Aí, nada vinha do jeito que queria, porque era uma outra pessoa que estava fazendo. Mas, agora, já aprendi o jeito de falar, o jeito de mostrar, de fazer”, diz.

“Fui de muito movimento extremo para nada de movimento. Esse tempo de adaptação, de hospital, foi muito difícil, mas até hoje continua. Não conseguia entender. Porque não me sobrou nem um dedo (que se movimenta). Isso não entrava na minha cabeça. Até que eu fui entendendo. Parei de me perguntar o porquê e fui viver.”

Ainda assim, três anos após o acidente, Laís se vê como uma mulher de sorte. “Recebo muitas mensagens de gente em situação muito pior que a minha. Quero fazer de tudo pra ajudar essas pessoas. Só que, por mais que eu tenha a estrutura que tenho hoje, ainda me falta. Imagina pra eles.”

Evolução

Aos poucos, Laís tem conseguido evoluções na fisioterapia. Durante os exercícios, dá para ver o cansaço em seu olhar, mas ela não para. Neste ano, a ex-ginasta conseguiu pela primeira vez ficar sentada no chão com o apoio das próprias mãos. Ficar em pé com o auxílio de um equipamento também foi mais uma conquista recente.

Com a ajuda dos fisioterapeutas, ela é erguida do sofá e se mantém ereta para o próximo exercício: algumas cabeçadas de um lado para o outro na bola que despertam a sensação de estar livre da cadeira por alguns segundos. Laís chegou até a “dar uma volta” de pé pela sala sendo conduzida por Robson.

“Fico muito feliz quando consigo alguma coisa na fisioterapia. Só que sou muito exigente. Enquanto não tiver um movimento real, não vou ficar satisfeita. Acho que talvez seja por isso que não paro. Venho tentando me esforçar, treinar para caramba pra sair (da cadeira). Porque, depois da primeira vez que eu mexer essa mão, vou fazer várias coisas”, diz, soltando um riso de ansiedade por esse momento.

“Aliás, agora mesmo, a gente está aqui conversando, e eu estou achando que minha mão está mexendo. Ela não está. Mas a sensação é de que está.”

O otimismo de Laís, por enquanto, vem menos de um prognóstico concreto e mais da sua determinação em mudar sua realidade. Ela vai ao médico três vezes ao ano e acompanha constantemente os avanços da medicina para reverter quadros como o dela, mas, nas atitudes mais simples, mantém seu pensamento em colocar em prática aquilo que já está gravado em uma tatuagem no seu braço: levantar da cadeira.

“Primeiro, acordo, e aí tento mexer meu braço. Ele não mexe. Mas aí coloco uma música e já começo o dia diferente. Já vou deixar um chinelinho do lado da cama para quando eu levantar.”

Foto: BBCBrasil.com
Taís começa a sessão de fisioterapia com Robson Lopes; de pé, Willian, um de seus cuidadores

Foto: BBCBrasil.com

Laís fica de pé com ajuda de aparelho

Fonte: Terra
A tatuagem de Laís Souza com uma pessoa levantando da cadeira de rodas






Dor, trauma... E recomeço...

Acidentados têm de conviver com dores e buscar uma rotina adaptada a novas condições físicas

Arte: Elias Fernandes; Edição: Lúcia Valentim Rodrigues e Pedro Cirne; Edição de fotografia: Lucas Lima; Reportagem: Lucas Borges Teixeira.

Dor, trauma... E recomeço | Acidentados contam como trocaram a tristeza por novo sentido na vida

Uma batida de carro, um acidente doméstico, um sequestro relâmpago que acabou em tragédia. Em questão de segundos, eles viram suas vidas mudarem de rumo e tiveram de aprender a conviver com dores nunca imaginadas.

Depois de um assalto e de uma batida de carro, Jefferson Maia, 53, teve de reorganizar sua vida sobre uma cadeira de rodas, com o movimento parcial de apenas um braço. Já Eusuclemia Vieira, 64, viu tarefas simples do cotidiano ficarem extremamente mais difíceis quando perdeu os dois braços.

As primeiras preocupações de Evanilda Leite foram amorosas e financeiras, enquanto para Ricardo Shimosakai uma paixão na vida acabou virando um trabalho.

O corpo deles mudou quando ainda eram jovens e isso trouxe limitações e novas condições físicas. Quatro pessoas contam como deixaram em segundo plano a tristeza dessas perdas e mergulharam de cabeça no inesperado para encontrar novo sentido para a vida.

Mesmo penoso e cansativo, eles mostram que o caminho pode ser recompensador.

"É como se eu tivesse nascido assim"


"Eu já nem lembro como eu era antes do acidente", afirma Eusuclemia Vieira. "Hoje, vejo umas fotos antigas minhas com os dois braços e penso que é uma prima."Com o tempo, a artista plástica de 64 anos aprendeu a viver sem os braços, debilitados em decorrência de um acidente no Rio de Janeiro há 43 anos.

Tudo aconteceu em 1974, quando Zuzu, como gosta de ser chamada, tinha 21 anos. "Era um dia de sol, eu estava lavando o cabelo na laje de casa quando uma prima me chamou.Eu me debrucei sobre o muro e o cabelo molhado enroscou em um fio desencapado." A jovem tomou uma descarga de 6.000 volts.

"Eu fiquei inconsciente, mas, como reflexo, segurei no cano de ferro do varal, o que intensificou o choque.".

A descarga elétrica foi tão grande que um dos postes da rua explodiu. "Só assim a tensão parou... eu poderia ter morrido."

A rua inteira ficou sem luz. "Os vizinhos foram me acudir para evitar que eu morresse com a língua enrolada e me levaram ao hospital."

Um deles chegou a pegar os dedos de Zuzu, separados da mão esquerda durante o acidente. "Mas os médicos falaram que não teria como colocá-los de volta, já havia perdido."

A carioca passou oito meses internada em três hospitais diferentes. Por três meses, ficou em coma. "Os médicos achavam que eu não ia sobreviver, mas, no fim, saí sem sequelas na cabeça. Só o braço que não teve jeito." Ela teve os dois antebraços amputados.

O processo de recuperação psicológico, contudo, foi rápido. "Eu não queria ficar triste porque não queria deixar os meus pais mais tristes.Eles me ajudaram muito... me davam comida na boca, faziam as coisas mais básicas."

Zuzu conta que perdeu muitas amigas no período. "Algumas foram me visitar, mas logo pararam." Ela diz não ter se abalado nem ter guardado ressentimentos. "Eu até as entendo. Se a gente fosse comer uma pizza, quem ia me dar de comer? Quem ia me levar no banheiro? Era mais fácil simplesmente não me chamar."

Mas este não era o principal problema para a jovem. "Minha maior dificuldade, para ser sincera, era no período de menstruação", conta, um pouco encabulada. "De resto, eu aprendi a fazer tudo: pegava ônibus, ia estudar, saía para passear... Mas nesse período eu não gostava nem de sair de casa para não depender dos outros."

Atualmente a artista faz tudo sozinha. Em 1979, foi aos Estados Unidos colocar braços mecânicos, acessório que usa até hoje. "Quando eu preciso, peço ajuda. Num mercado, por exemplo, mesmo quem tem os braços pede ajuda para alguém do lado se não alcançar o produto, né? Eu faço o mesmo!".

Cidadã americana desde os anos 1980, Zuzu passa os dias entre Brasil e Estados Unidos, onde tem uma casa, e se dedica à pintura.Envia anualmente obras à Associação de Pintores com os Pés e a Boca, com quem tem contrato.

"Parece que nem aconteceu nada, não sei se até hoje não caiu a ficha, mas é como se eu tivesse nascido assim", afirma a carioca. "Faço o que eu quero e levo a vida muito bem. Graças ao bom Deus, sou feliz."

"Não tem de esperar por uma cura".

Evanilda Leite tinha uma vida agitada. Aos 20 anos e com dois filhos, a brasiliense fazia planos: queria cursar uma boa faculdade e, quem sabe, firmar um futuro com o namorado.

Em 1987, um acidente fez com que ela tivesse de readaptar suas expectativas. Eva, como é conhecida, ia de carro com uma amiga de Brasília para o Rio de Janeiro."Ela estava dirigindo, perguntei se estava bem. Como disse que sim, abaixei meu banco e cochilei", conta a escritora. "Mas ela dormiu.".

O carro perdeu o controle e saiu da estrada. Capotou oito vezes. Por volta da quinta, Eva foi jogada para fora do veículo. "Quando acordei, já estava no chão e não me mexia mais." O impacto atingiu as vértebras C4 e C5 da coluna cervical, que resultou em tetraplegia.

"Foi um processo muito longo. Eu era jovem, tinha muitos sonhos e tive de readaptar tudo." Além disso, a brasiliense conta que não havia muita informação sobre a sua condição na época."No hospital, me deram o [livro] 'Feliz Ano Velho', de Marcelo Rubens Paiva, mas eu estava traumatizada, não quis ler. Já li mais de 20 títulos sobre o assunto, mas esse nunca li."

Eva conta que acreditava que poderia haver uma cura para a sua condição. "Falavam muito disso no hospital", lembra. "E no final foi ruim, porque eu ficava esperando me recuperar."

De acordo com a psicóloga Luana, esta é uma reação normal. "Há os estágios da negação, da raiva, da depressão, da barganha e, por fim, da aceitação. Eles podem se misturar, mas, a partir daí, a pessoa só tem a ganhar", explica.

Aos poucos e com muito esforço, Eva começou a aceitar a nova vida. O primeiro passo foi voltar a morar com os pais.

"Eu tinha um namorado na época e fiquei morrendo de medo que ele me deixasse."

sso não aconteceu. Eva ficou mais quatro anos com o rapaz, com quem ainda teve uma filha, no início dos anos 1990.

Ela conseguia estabelecer uma rotina cada vez mais estável, inclusive no namoro. Segundo ela, o fim do relacionamento dos dois nada teve a ver com o acidente, mas com uma traição por parte dele. "Assim que entendi [que a lesão seria permanente], meu primeiro pensamento foi: o que vou fazer para me me virar?" Ela queria parar de depender dos pais e se tornar financeiramente independente.

No final dos anos 1990, começou a escrever um livro de memórias, "Minha Vida Tem Rodas, Meus Sonhos Têm Asas", publicado em 2004 e já na segunda edição. De lá para cá, escreveu mais duas obras. Eva também pinta com a boca.

A única coisa que a brasiliense diz ainda não ter se acostumado é com as dores, em especial nas costas e nos ombros. "Até hoje estou tentando aprender a conviver. Na vida do tetra, cada dia é diferente: às vezes tá tudo bem, mas aí desanda."

Aos 51 anos, a artista vive bem com os três filhos na capital federal. Arrependimentos, diz quase não ter. "Só perdi muito tempo achando que ia me recuperar rápido. Mas, com o tempo, você vê que há muito mais o que recuperar. Tem de dar continuidade à vida, não esperar por uma cura."

Animada, ela brinca sobre o seu plano para o futuro: "Pode falar pro Marcelo (Rubens Paiva) que um dia eu ainda vou ler livro o dele?".

"Me aprimorei como ser humano".

Aos 23 anos, Jefferson Maia era o estereótipo do carioca jovem: bem-humorado, ativo e adepto de uma boa festa. Apaixonado pelo mar, trabalhava como mergulhador de prospecção de petróleo no Rio de Janeiro.

Um dia, foi abordado por assaltantes quando voltava do curso de especialização na capital fluminense. "Eu era muito novo, tentei fugir", conta o pedagogo. "O sujeito atirou e a bala pegou na região cervical do pescoço."

No hospital, o diagnóstico: havia ficado tetraplégico (paralisação total de todos os membros). "Entrei em um conflito existencial muito grande, passei mais de um ano inerte na cama", lembra Maia

"Cada pessoa tem o seu tempo para assimilar a notícia, é uma quebra de planos, de sonhos, de expectativas", explica a psicóloga clínica e hospitalar Luana Inácio de Oliveira.

Com a ajuda de amigos e parentes, Maia começou a reabilitação. Para a sua surpresa, os resultados foram animadores: aos poucos, ele recuperava alguns dos movimentos do braço e, com esforço, conseguia ficar em pé.

Em uma viagem, conheceu um jovem com a mesma condição que ele. O rapaz dirigia. Jefferson ficou impressionado porque, até então, não sabia que alguém com sua limitação física conseguisse dirigir um automóvel normalmente.

O problema é que, parado desde o acidente, ele não tinha dinheiro para comprar um carro. "Não deu outra: fui falar com meu pai para ter um carro adaptado para mim. Estava conseguindo minha liberdade de novo.”

O carioca, no entanto, abusou dessa autonomia. Quase dois anos depois da frustrada tentativa de assalto, Maia sofreu um acidente de carro ao voltar para casa. Ele havia bebido. "Por insanidade e inconveniência, bati em um poste."

O acidente fez com que a lesão na cervical fosse intensificada. Maia estava com o quadro permanente de tetraparesia (paralisação parcial dos membros), sem movimento da cintura para baixo ou na mão direita, só tinha certa mobilidade no braço esquerdo. "Foi muito difícil quando eu vi que a lesão era definitiva."

No hospital, conheceu um paciente com uma condição similar a sua que nadava. "Eu achava que tetraplégico não podia fazer nada, mas aí entrei na natação."

O carioca foi a fundo no mundo dos esportes. Mesmo com dores, treinou diversas modalidades. Além do nado, praticou pesca paraesportiva e retomou o mergulho adaptado. "Quem naquela época imaginaria que alguém na minha condição dava para mergulhar?"

Até que conheceu o rúgbi em cadeira de rodas. "A gente achava que só havia essa modalidade no basquete, ninguém falava disso nos anos 1990." Maia se juntou a alguns colegas e montou um time. Quando a modalidade foi reconhecida pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o carioca se tornou o primeiro capitão da seleção brasileira. "As pessoas acham que tetraplégico é é bibelô, elas se assustam quando veem um monte de cadeirante se derrubando. É desmistificador." Em 2016, ele carregou a tocha para a Paralimpíada do Rio.

Maia conta que sua maior dificuldade foi a falta de informação. "Isso me comeu por cinco, oito anos, porque achava que não podia fazer nada. Hoje, temos muito mais visibilidade."

Nos anos 2000, o carioca fez pedagogia para começar a dar palestras e ajudar a passar conhecimento sobre a sua condição. No início da Lei Seca, foi contratado para participar do setor educativo do projeto, cargo que ocupou até o ano passado.

Hoje, aos 63 anos, Maia se dedica à pintura e procura fazer o maior número de atividades possível, como ir ao Rock in Rio. Sua condição, claro, traz algumas reações colaterais. "A coluna dói o tempo todo, a posição sentada é ingrata, né? Às vezes, quando vou deitar à noite, (a coluna) chega a gemer."

Bem-humorado, o artista plástico afirma que é preciso enfrentar cada dia como se fosse um novo. "Antes de passar a cura física, a gente precisa enfrentar a cura emocional."

Ele não se lamenta. "Meu universo social se expandiu muito. Hoje, muita gente me conhece e me agradece quando dou minhas palestras", conta, com a voz embargada. "No fim, eu ganhei mais porque me aprimorei como ser humano."

"O problema é a sua cabeça".

                    Imagem Internet/Ilustrativa
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Em 2001, Ricardo Shimosakai, 49, saía do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde foi encontrar amigos, quando foi abordado por dois homens em um carro no meio do caminho. Como morava perto dali, havia decidido voltar a pé para casa.

"Eles devem ter me visto dentro do aeroporto e ficaram de olho. Quando eu já estava fora, um carro me abordou e eles me colocaram para dentro", conta o empresário.

Era um sequestro relâmpago. Como Shimosakai havia acabado de passar uma temporada no Japão, tinha pouco dinheiro no banco. "Fomos até o caixa eletrônico, mas eu tinha acabado de reabrir a conta." Isso irritou os criminosos, conta.

Enquanto os sequestradores decidiam o que fazer, o empresário aproveitou o momento em que o carro parou para tentar fugir. "Abri a porta e saí correndo, mas um deles atirou." Shimosakai acordou no hospital sem o movimento das pernas. Ele tinha 32 anos.

O paulista conta que não passou por depressão durante o período de readaptação "Eu entendo quem passa. É um processo difícil: você tem de se reacostumar com o seu corpo." Muito ativo, o paulista decidiu investir seu tempo em passeios e viagens, suas grandes paixões.

"Mas eu tinha de fazer os roteiros por mim mesmo porque nenhuma agência de viagem oferecia opções com acessibilidade." Os amigos, em especial os que tinham a mesma condição física, ficavam curiosos e pediam dicas para ele. "Até que começaram a me incentivar a ganhar dinheiro com isso."

À época, Shimosakai trabalhava em uma multinacional, que "pagava bem, mas era chato".Ele decidiu fazer um curso de turismo e trabalhar em uma agência para ganhar know-how. Até que, em 2010, fundou a Turismo Adaptado, uma operadora de viagens voltada a pessoas com necessidades especiais.

"Há muitas dificuldades na hora de viajar. Não é só saber se o hotel é acessível, e os passeios?", argumenta o empresário. Além de agenciamento de viagens, a Turismo Adaptado oferece palestras e consultorias para empresas, redes de turismo e hotéis interessados em aprimorar seu atendimento ao público com necessidades especiais. Em outubro, ele irá ao Panamá dar uma palestra sobre o assunto.

Shimosakai conta que a maior dificuldade foi, de fato, aprender a se virar com as novas limitações do corpo. "Você tem de aprender a lidar. Durante uma fase, vai ficar dependendo das pessoas e depois vai ficar sentado o dia inteiro, o que pode criar feridas. Mas você se acostuma. O problema é a sua cabeça, não é não andar ou não ouvir."

O empresário também começou a praticar esportes adaptados. "Muita coisa veio depois do acidente, uma vida nova. Sem dúvida, sou mais feliz hoje do que era antes."

"Há muitas situações na vida em que a gente não tem escolha, mas somos os únicos responsáveis por como lidamos com estes acontecimentos", afirma a psicóloga Luana de Oliveira. "Cada um é capaz de encontrar seu caminho. O ser humano pode encontrar um sentido na vida diante do caos, do inesperado.".

Mais de 900 atletas disputam quatro modalidades no CT Paralímpico

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Por CPB

O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo (SP), será palco na próxima semana de dois importantes eventos do calendário do esporte adaptado no país. Entre os dias 27 e 29 de outubro, ocorrerá a terceira e última etapa nacional do Circuito Loterias Caixa de Atletismo, Halterofilismo e Natação, além do Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas. As duas competições têm papéis preparatórios importantes para campeonatos internacionais das respectivas modalidades.

No Circuito Loterias Caixa, 864 atletas estarão em ação - 501 pelo atletismo, 93 no halterofilismo e 270 na natação. Os atletas das duas últimas modalidades competirão em fase final de preparação para o Mundial Paralímpico da Cidade do México. Após o adiamento dos eventos em decorrência de um terremoto que assolou a capital mexicana, o Brasil será representado por 34 atletas.

O Mundial de Halterofilismo acontecerá entre os dias 2 e 8 de dezembro, no Ginásio Olímpico Juan de la Barrera. Serão 17 brasileiros na disputa - seis na categoria júnior e outros 11 no adulto. Já a natação terá sua versão do Mundial entre os dias 2 e 7 de dezembro, na Piscina Olímpica Francisco Márquez. Dezessete nadadores do Brasil irão compor a equipe nacional na Cidade do México.

A esgrima em cadeira de rodas também terá um fim de ano movimentado. A partir de sexta-feira, 41 esgrimistas disputam o Campeonato Brasileiro - o último evento nacional da modalidade. A competição também será preparatória para os quatro atletas convocados para o Mundial, que acontecerá entre os dias 7 e 12 de novembro, em Roma (Itália). Alex Sandro Souza, Jovane Guissone, Lenilson Oliveira e Moacir Ribeiro compõem a equipe do Brasil. 


Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir o Circuito Loterias Caixa de Atletismo, Halterofilismo e Natação e o Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas não precisarão de credenciamento prévio. Bastará dirigir-se à sala de imprensa do Centro de Treinamento Paralímpico para identificação.

O Circuito
O Circuito Caixa Loterias é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e patrocinado pelas Loterias Caixa. Este é o mais importante evento paralímpico nacional de atletismo, halterofilismo e natação. Composto por quatro fases regionais e três nacionais, tem como objetivo desenvolver as práticas desportivas em todos os municípios e estados brasileiros, além de melhorar o nível técnico das modalidades e dar oportunidades para atletas de elite e novos valores do esporte paralímpico do país.

Patrocínios
A equipe brasileira de paratletismo tem patrocínio das Loterias Caixa e da Braskem.
As equipes de esgrima, halterofilismo e natação têm patrocínio das Loterias Caixa.

Serviço
Data: 27 a 29 de outubro
Cidade: São Paulo (SP)
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro - Rodovia dos Imigrantes, Km 11,5 - ao lado do São Paulo Expo

Programação*
3ª etapa nacional do Circuito Loterias Caixa de Atletismo, Halterofilismo e Natação
Sexta (27/9) - 9h às 12h e 15h30 às 18h (dia apenas com halterofilismo)
Sábado (28/9) - 8h às 12h e 14h às 18h
Domingo (29/9) - 8h às 12h

Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas
Sexta-feira (27/9) - 9h às 17h
Sábado (28/9) - 9 às 17h
Domingo (29/9) - 8h às 13h

*Sujeita a alterações

Fonte: cpb.org.br

CPB divulga nova convocação para o Mundial Paralímpico de Natação

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Por CPB

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) divulgou nesta sexta-feira, 20, a nova convocação para o Mundial Paralímpico de Natação, que acontecerá entre os dias 2 e 7 de dezembro, na Cidade do México. A equipe brasileira será composta por 17 atletas - Matheus Rheine é o único desfalque da lista inicial em comparação à relação anterior. O atleta foi cortado após ter sofrido lesões nos ombros.


O Mundial Paralímpico de Natação aconteceria inicialmente de 30 de outubro a 6 de novembro, mas foi adiado em decorrência de um forte terremeto que atingiu a capital do México. A competição está prevista para acontecer na Piscina Olímpica Francisco Márquez, que foi sede dos Jogos Olímpicos de 1968.

Fonte: cpb.org.br

Governo de São Paulo anuncia gestor oficial do Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro e amplia Time São Paulo

Vista panorâmica da cerimônia de assinatura do acordo entre CPB e Governo de São Paulo. Foto: Thiago Alves

Na manhã de sexta-feira, 20, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo anunciou o gestor oficial do Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro pelos próximos cinco anos: o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), organização da sociedade civil selecionada no edital de chamamento público. Na ocasião, foi assinado o acordo de cooperação entre a ambos e anunciado também a ampliação do Time São Paulo, equipe de campeões do paradesporto.

“Estamos liberando R$ 3,3 milhões e, com isso, o Time São Paulo vai de 56 para 60 atletas, e mais oito atletas-guia”, disse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Temos, hoje, um dos quatro melhores centros paralímpicos do mundo, junto com a China, Coreia do Sul e Ucrânia. Mas não basta ter essa estrutura, é preciso ser bem gerida. Fomos buscar a excelência do Comitê Paralímpico Brasileiro”, destacou o governador.

A Secretária de Estado, Dra. Linamara Rizzo Battistella, saudou as “verdadeiras mulheres de peito do Brasil”, as mulheres do Remama, projeto do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, em parceria com a Rede de Reabilitação Lucy Montoro e a Raia Olímpica da USP, que reúne mulheres sobreviventes do câncer de mama, tema do “outubro rosa”.

À frente do fomento ao paradesporto desde a concepção do Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro, em 2013, Dra. Linamara reiterou que o Governo de São Paulo está fazendo do esporte uma grande ferramenta de mudança e de inclusão social. “O sucesso no esporte se revela pelas medalhas e sobretudo pelas mudanças nesse processo, que fortalece a saúde e a indústria tecnológica do esporte, além de mudar a concepção dos profissionais da área. Estamos fazendo desse centro um grande fomentador da mudança do panorama do esporte, não só nacional, mas mundial”, enfatizou.

Dra. Linamara assina acordo com Comitê Paralímpico. Foto: Lincoln Yoshiaki

Ela destacou a presença e trajetória esportiva do atual presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos em Atenas, em 2004, e foi eleito o melhor jogador do mundo para futebol de 5, em 1998. “Este centro representa um sonho de todos os brasileiros que moram em São Paulo, é a casa do atleta paralímpico. E o CPB vem inovar com tecnologia e boa gestão com bons profissionais. Queremos trabalhar com ênfase nos paralímpicos, mas também receber os atletas olímpicos e a sociedade para conviver com nossos atletas. Fechamos esse grande projeto assinando esse termo de cooperação e entregando a gestão para quem entende do assunto. Que toda estrutura trabalhe de forma sinérgica, porque esporte é coisa séria, feita por especialistas. O governo aplaude, dá apoio, ajuda no desenvolvimento e respeita quem sabe fazer”, ressaltou a secretária.

Dra. Linamara acrescentou, ainda, que o Centro de Treinamento conta com modernas instalações que sugerem um hotel cinco estrelas, e vem se configurando como o maior complexo esportivo desse país, e o mais bem equipado do mundo. “Construímos o melhor centro paralímpico do planeta. Governador, missão cumprida! ”, afirmou.

Com 95 mil m² de área construída, o Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro reúne 15 modalidades (atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, natação, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5, futebol de 7, golbol, halterofilismo, judô, rúgbi, tênis, tênis em cadeira de rodas, triatlo e voleibol sentado) e está dividido em 11 setores que englobam áreas esportivas de treinamento, hotel, centro de convenções, laboratórios, condicionamento físico e fisioterapia. O Centro foi, inclusive, local de aclimatação da delegação brasileira para os Jogos Paralímpicos Rio 2016.

             
Presidente do Comitê Paralímpico, Mizael Conrado, assina acordo para gestão do Centro Paraolímpico

O CT Paraolímpico tem o objetivo de fomentar o paradesporto brasileiro, criando condições para que seus atletas se destaquem nas competições municipais, estaduais, nacionais e internacionais, com ênfase nas técnicas avançadas e novas tecnologias.
O governador Geraldo Alckmin aproveitou a ocasião para anunciar a extensão do projeto do Time São Paulo. O programa foi iniciado em 2011 e, com o acordo, será válido por mais um ano, somando sete anos de parceria. O orçamento total do projeto subirá para R$ 3,3 milhões; em 2017, foram beneficiados 56 atletas e nove atletas-guia de dez modalidades diferentes. Com a ampliação, serão 60 os atletas contemplados.

O presidente do CPB, Mizael Conrado, definiu a celebração do acordo como “um grande marco para o esporte paralímpico brasileiro”. Como ex-atleta fez uma rápida ida ao passado e disse estar orgulhoso do atual momento. “Hoje nós celebramos o grande marco do esporte paralímpico brasileiro. Me lembro que quando era atleta, nós dependíamos de espaços cedidos e que na maioria das vezes estavam ocupados, pois lamentavelmente o Brasil ainda não tinha uma estrutura esportiva para atender a todos os cidadãos. Muitas vezes não treinávamos numa escola pois ela já estava ocupada por alunos e tínhamos que voltar para casa sem treinar. Hoje, além de termos o nosso espaço, temos o melhor espaço para cada um dos atletas. Nós temos o que há de melhor de centros de treinamentos do mundo. Estamos muito orgulhos de recebermos esse voto de confiança do Governo do Estado de São Paulo para que possamos gerir, zelar e desenvolver todas as ações dentro desse espaço. É um motivo de muita alegria e de muito orgulho ser merecedor dessa confiança do Governador e da Dra. Linamara, conduzindo o Comitê Paralímpico Brasileiro”.

Ao final da Cerimônia de assinatura do acordo entre o Governo de São Paulo e o Comitê Paralímpico, o governador Geraldo Alckmin arriscou jogar tênis de mesa com atleta do Time São Paulo Paralímpico. Não fez feio.

TIME SÃO PAULO PARALÍMPICO

Iniciativa da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, o Time São Paulo Paralímpico conta com seleção de 56 atletas e 8 atletas-guia das modalidades: atletismo, natação, ciclismo, halterofilismo, judô, tênis de mesa, bocha, tiro esportivo e triatlo. A equipe é constituída por meio de parceria estabelecida, em 2011, entre a Secretaria e o Comitê Paralímpico Brasileiro, que confere suporte ao desenvolvimento esportivo de atletas de alto rendimento, vinculados ao Estado de São Paulo.

O governador Geraldo Alckmin arrisca jogo de tênis de mesa com atleta do Time São Paulo

Os critérios adotados para seleção da equipe são os resultados obtidos nas Paralimpíadas Rio 2016 e o potencial do atleta para participar das Paralimpíadas 2020. Em dezembro de 2016, a parceria foi renovada devido ao desempenho dos atletas nas competições paralímpicas. Em 2016, nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro, o Brasil conquistou a oitava colocação no quadro geral, somando 72 medalhas, com 14 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze. Desse total, 30 subidas ao pódio foram de integrantes do Time São Paulo Paralímpico, sendo 8 de ouro, 13 de prata e 9 de bronze.


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Fórum discute inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho no ES - Veja o vídeo.

Evento acontece nesta quinta (19) e sexta-feira (20), no campus de Vitória do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).

Por G1 ES

Pessoas com deficiência são tema de fórum em Vitória (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

O crescente número de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é tema do fórum de educação na área tecnológica que acontece nesta quinta (19) e sexta-feira (20), no campus do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), em Vitória.

Click AQUI para ver o vídeo.

Entre 2009 e 2014, o número de pessoas com deficiência no mercado de trabalho cresceu 32%, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho.

Normatização de diretrizes curriculares, possibilidades de ensino e metodologias específicas para estudantes com deficiência são assuntos que serão discutidos no 2º Fórum Crea-ES de Educação e Formação na Área Tecnológica.

Com a lei 13.409/2016, as universidades federais e os institutos federais de ensino técnico de nível médio devem reservar parte das vagas destinadas às cotas de escolas públicas a estudantes com deficiência. A sistemática de reserva de vagas nas instituições federais de ensino tem validade de 10 anos, até 2022, para quando está prevista a revisão do programa.

O decreto amplia o ensino profissional, como revela o pedagogo do Ifes Marcus Podestá, e será preciso rediscutir a maneira de ensinar.

“As escolas públicas vão ampliar o ensino para estudantes que vão desde a deficiência física à cognitiva, ou intelectual. Por isso, a metodologia e questões administrativas para atender às necessidades de cada estudante já devem ser praticadas”, disse.

A tecnologia é um aliado na sala de aula, segundo o pedagogo, permitindo a integração dos alunos independente da suas limitações.

“No caso de uma aluna cega, por exemplo, a limitação em sala de aula foi resolvida com a aquisição de recursos tecnológicos. Ou seja, a cada dia, menos se justifica essas pessoas estarem fora do mercado”, ponderou.

Marco ainda ressalta a importância de adaptar as atribuições da profissão conforme as atividades que o futuro profissional conseguirá desempenhar.

“E quando o aluno for para o mercado de trabalho, a ideia é que suas atribuições sejam inseridas dentro das atividades que ela consiga desenvolver. Ou seja, dar ênfase no que as pessoas conseguem fazer”, falou.


Fonte: g1.globo.com

Inscrições abertas para curso de classificação funcional de paracanoagem

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Por CPB

A Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), com apoio da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e do Comitê Paralímpico Brasileiro, realizará, entre os dias 30/10 e 3/11, um curso de classificação funcional de paracanoagem. Esta será a terceira vez que este tipo de iniciativa ocorre no país. O objetivo é capacitação e a formação de classificadores funcionais da modalidade.
O curso oferece vagas limitadas e os participantes deverão ser atletas, estudantes ou profissionais de Educação Física, Medicina e Fisioterapia. Os interessados deverão enviar seus currículos para o e-mail classificacaofuncional@canoagem.org.br. As inscrições ficam abertas até 25/10. A confirmação ocorrerá em 27/10. Além do curso para novos classificadores, haverá uma reciclagem para classificadores funcionais que já participaram de outros programas como este.
 
Segundo o supervisor da paracanoagem na CBCa, Leonardo Maiola, a classificação funcional é um assunto que necessita de constante estudo, ciência e evolução. “As regras ainda são recentes, pois sofreram alterações em 2015. Por isso, precisamos capacitar cada vez mais classificadores e oportunizar, também, reciclagens para que todos fiquem cientes de pequenas alterações técnicas e de novos estudos que possam reforçar a fidedignidade da classificação”, argumentou. 
 
Classificadores Funcionais
Classificador Médico: fisioterapeuta ou médico da área do esporte, preferencialmente com experiência no paradesporto ou na canoagem.
Classificador Técnico: profissional de educação física com experiência no paradesporto ou na canoagem e/ou ex-atleta de canoagem

Dúvidas e Informações: leonardo.maiola@canoagem.org.br 

Programação Click aqui

Com informações da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa)
Fonte: cpb.org.br