sábado, 4 de novembro de 2017

Minivila Olímpica do Coroado terá turmas de goalball e voleibol sentado

Inscrições foram realizadas somente no sábado (31/10), para as duas modalidades

Por GloboEsporte.com, Manaus, AM

Volei Sentado será uma das modalidades oferecidas (Foto: TV Tapajós/Reprodução)
Volei Sentado será uma das modalidades oferecidas (Foto: TV Tapajós/Reprodução)

Com o intuito de promover a inclusão social e a prática paradesportiva, a Minivila Olímpica do Coroado, na Zona Leste de Manaus, recebe no sábado, dia 4, turmas de iniciação esportiva para Pessoas com Deficiência (PCD), nas modalidades de goalball e voleibol sentado.

As inscrições serão realizadas somente no sábado, a partir das 14h, para a modalidade de goalball, e às 15h30, para os interessados em voleibol sentado. Os documentos necessários para inscrição são registro geral (RG), comprovante de residência e foto 3x4.

Segundo o secretário Municipal de Juventude, Esporte e Lazer, João Luiz, a Prefeitura de Manaus investe também em modalidades paralímpicas com o objetivo de incentivar o esporte a paratletas.

Investimos constantemente no esporte para identificar novos atletas e é com esse pensamento que estamos agora abrindo novas turmas para pessoas com deficiência. Quem sabe um dia elas possam se tornar atletas de alto rendimento e levar a nossa cidade para o alto do pódio - ressaltou o secretário.

Segundo o coordenador e professor das atividades, Eldo Gomes, as modalidades são voltadas para pessoas com deficiência visual ou física.

Gostaria de ressaltar primeiramente que nossas atividades serão abertas para todas as idades. Vale lembrar que o goalball é para pessoas com deficiência visual e o voleibol para físicos. São modalidades paralímpicas e quem sabe não encontramos outra Laiana Batista (paratleta amazonense medalhista na Rio 2016) - explicou Gomes.

Além das novas modalidades oferecidas, a Semjel oferece também outro esporte paralímpico, o futebol de 5, que treina às terças e quintas, de 19h as 20h30, na quadra da Minivila do Coroado.

Primeira edição dos Jogos Abertos reunirá diversas modalidades esportivas no AP

Abertura da competição acontecerá no dia 6 de novembro, mas ainda não foi confirmado os locais onde serão realizados os jogos. O torneio é destinado a atletas amadores

Por GlovoEsporte.com, Macapá

Evento terá modalidades destinadas para paratletas (Foto: Reprodução/Comel)
Evento terá modalidades destinadas para paratletas (Foto: Reprodução/Comel)

Para quem gosta de esporte é bom ir se preparando, pois no mês de novembro acontecerá a primeira edição dos Jogos Abertos de Macapá. A abertura acontecerá no dia 6, o auditório do Serviço Social da Indústria (Sesi), no bairro Trem, mas ainda não está confirmado os locais onde serão realizadas as partidas.

O evento terá competições em modalidades coletivas e individuais. Serão disputados jogos de voleibol, basquete de trinca, handebol, futlama, futsal, jiu-jítsu, judô, muay thai masculino e feminino. A competição também inclui pessoas com deficiência nas modalidades bocha, goalball, basquete adaptado e natação.

A primeira edição dos Jogos Abertos é voltada para atletas amadores e não federados, portanto não é permitido a participação de jogadores profissionais em nenhuma das modalidades esportivas do evento.

Jogos abertos iniciarão a partir do dia 6 de novembro (Foto: Reprodução/Comel)
Jogos abertos iniciarão a partir do dia 6 de novembro (Foto: Reprodução/Comel)



Novembro Azul reforça cuidado com a saúde do homem

Por mais um ano, a Secretaria de Estado da Saúde reforça os cuidados com a saúde do homem em celebração ao Novembro Azul

novembro azul

A campanha tem o objetivo principal de combater o câncer de próstata por meio do incentivo à realização periódica dos exames em busca de diagnóstico precoce. O câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre os homens. Apenas no Paraná são estimados mais 5 mil casos para 2017.

De acordo com o superintendente de Atenção à Saúde, Juliano Gevaerd, a única forma de aumentar as chances de cura do câncer de próstata é diagnosticando logo no início da doença. “Atualmente, cerca de 25% dos casos levam à morte pois são descobertos já em estágios avançados. A recomendação é fazer uma visita anual ao urologista a partir dos 50, ou a partir dos 45 se tiver fatores de risco”, destaca.

O histórico familiar de câncer de próstata, principalmente em parentes de primeiro grau (pai e irmão); a obesidade; o tabagismo; o consumo de álcool em excesso; e sedentarismo são fatores de risco para o desenvolvimento da doença. A incidência também é maior em homens da raça negra, que devem fazer os exames anualmente a partir dos 45 anos.

O coordenador estadual da Saúde do Homem, Rubens Bendlin, explica que a doença dificilmente vai apresentar sintomas quando ainda está na fase inicial, por isso é necessária a realização dos exames. “Vontade de urinar com frequência, dor ao urinar, sangue ou sêmen na urina e dor óssea são sintomas que surgem já na fase avançado do câncer”, fala.

Um dos principais exames para detecção é o PSA (antígeno prostático específico), que avalia a quantidade da proteína produzida pela próstata e, geralmente, quando a doença atinge essas glândulas essas níveis são aumentados. Cerca de 20% dos pacientes tem o câncer diagnosticado apenas com o exame do toque retal, que avalia o tamanho, a forma e a textura da próstata, o que permite detectar a presença de nódulos.

Os exames estão disponíveis na rede pública de saúde durante todo o ano. Para receber atendimento gratuito, é necessário buscar a unidade de saúde mais próxima da sua residência. “Além da consulta médica regular, o cuidado com a saúde começa com a prevenção. Por isso, incentivamos uma alimentação saudável, a prática de atividades físicas e a manutenção de uma boa saúde emocional”, ressalta Gevaerd.

Menina morre afogada após ficar presa em bomba de piscina em Itamaracá

A criança de 8 anos brincava na piscina, em Itamaracá, quando teve o cabelo sugado pela bomba

Por: Portal FolhaPE

Foto: Reprodução/Facebook
Laura Beatriz tinha 8 anos
Laura Beatriz tinha 8 anos

Uma menina de 8 anos morreu nesta quinta-feira (2) após ficar presa pelos cabelos na bomba de sucção de uma piscina na Ilha de Itamaracá, Região Metropolitana do Recife (RMR). Laura Beatriz Barbosa Guimarães, como foi identificada, estava brincando na piscina quando seus cabelos foram sugados pelo equipamento.

Segundo testemunhas, familiares tentaram resgatar a menina, mas seu corpo só foi retirado da água depois que o equipamento foi desligado. A menina foi encaminhada para uma unidade de saúde no município, mas chegou sem vida ao local.

A família da criança mora em São Lourenço da Mata, RMR, e estava em uma casa de veraneio para passar o feriado de Finados. A escola de Beatriz, Centro Educacional Balão Mágico, também em São Lourenço, publicou uma nota de pesar no Facebook. "Ela esteve conosco ontem (01) se apresentando em nossa Expobam (feira de exposições). Neste momento de dor nos solidarizamos com todos os familiares e amigos de nossa querida Laura", diz trecho da nota.

Comentário de Odele Souza ( flaviavivendoemcoma.blogspot.com.br )

O acidente fatal que vitimou Laura Beatriz, foi idêntico ao que vitimou minha filha Flavia, que há quase 20 anos, vive em coma vigil.

É uma vergonha que a Lei Federal para Segurança nas Piscinas que há anos aguarda para ser aprovada continue tramitando no limbo da burocracia de Brasilia. Enquanto isso, crianças continuam morrendo afogadas, sugadas pela sucção dos ralos das piscinas. A demora na aprovação da Lei que tornará mais seguras as piscinas do Brasil é inaceitável. Que vergonha senhores!


Viver com uma doença invisível: o drama de uma mulher diagnosticada com artrite reumatoide aos 29 anos


Por Priscila Torres

O número pode assustar os desavisados, mas estima-se que a artrite reumatoide atinge 1% da população mundial — só no Brasil são mais de 2 milhões de pessoas. A doença crônica e autoimune é caracterizada pela inflamação das articulações e, quando não tratada adequadamente, pode alcançar órgãos vitais, como o coração, pulmões e cérebro. Apesar de ter maior incidência em pacientes com idade entre 40 e 60 anos (na maioria dos casos, mulheres), a enfermidade também afeta pessoas mais jovens. É o caso da canadense Eileen Davidson, que advoga pela causa de quem sofre com essa doença invisível e terrivelmente dolorosa.

Ela foi diagnosticada com artrite reumatoide aos 29 anos e perdeu ao chão.  Conviver com a dor era insuportável, mas como a doença realmente não tem sintomas aparentes era muito difícil conseguir o apoio das pessoas, que sempre diziam que ela parecia estar muito bem e saudável. Esgotada, sem dormir (ou dormindo muito), desacreditada, essa mulher tocou o fundo do poço. Teve uma crise nervosa, parou de fazer o tratamento e pensou em desistir.

O que a salvou foi o fato de ter alguém que dependia dela. A culpa por não ser mais a boa mãe que tinha sido para Jacob, seu filho de 2 anos, a consumia diariamente e foi isso que a fez dar a volta por cima.

Eileen entrou na academia, começou a cuidar da saúde e voltou ao reumatologista para continuar o tratamento. Descobriu que essa causa não era apenas sua, criou um blog para contar como é viver com a doença e, hoje, dedica seu tempo ao voluntariado, levantar fundos e escrever para inspirar outras pessoas.

Quem nunca Pagou o INSS tem Direito a Benefício da Previdência Social?

É possível que a pessoa que nunca pagou o INSS tenha direito a um benefício da Previdência Social? Sim, é uma ajuda do Governo Federal, no valor de um salário mínimo, para as pessoas de família de baixa renda. 

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Mas quem tem direito a este benefício? 

As pessoas que têm mais de 65 anos de idade ou, de qualquer idade, se tiverem alguma incapacidade de longa duração.
Devem estar em acordo com a Lei  (nº 8742/93)  Art. 20º  - § 3o

Além da idade ou da incapacidade, o interessado ao benefício tem que provar também que a família não tem condições de manter este idoso ou esta pessoa com deficiência, que pode ser de natureza mental, física, intelectual ou sensorial.

É como se fosse uma aposentadoria? 

Exatamente isso, mas é um benefício da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) conhecido como BPC – Benefício de Prestação Continuada. 

A diferença é que as aposentadorias e pensões têm o décimo terceiro e o BPC não tem. 

Como o INSS avalia se a pessoa é de uma família de baixa renda? 

A avaliação é feita por meio de um assistente social.
Por isso, é necessário que o interessado leve no INSS, no dia do protocolo do pedido, um estudo social feito por um assistente social. 

Como conseguir um estudo social? 

Basta procurar um assistente social no CRAS, que é o Centro de Referência de Assistência Social. Toda cidade tem pelo menos um CRAS (encontre o CRAS da sua cidade). 

A família deve estar inscrita e atualizada no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) antes da apresentação de requerimento à unidade do INSS. 

Em quais situações o INSS pode negar o pagamento deste benefício? 

Em apenas três situações. Quando a pessoa não tem a idade mínima, quando não prova a incapacidade ou quando entende que a família não é de baixa renda. 

E o que fazer quando o interessado não conseguir o benefício? 

Se a negativa for por que não ficou comprovada a incapacidade, deve-se questionar a perícia feita pela Previdência Social. 

Se for negado por causa da renda familiar, deve-se ter o cuidado de apontar todas as despesas que a família tem com a pessoa deficiente ou idosa, por que nem sempre o INSS não leva isso em consideração. 

Depois que o benefício começa a ser pago, ele pode ser cessado? 

Sempre quando há mudança em um dos requisitos que deu origem ao pagamento. O INSS tem um órgão chamado COINP – Coordenação-Geral de Inteligência Previdenciária que fica procurando pelo em ovo para cancelar benefícios. 

Eu vi um caso que a pessoa estava viajando para o exterior e teve o benefício cortado. Tinha um que tinha uma caminhonete no nome dele. 

Em outro caso o filho abriu uma firma no nome da mãe e ela perdeu o benefício. 

Existem fraudes, mas também tem muita gente inocente. 

As redes sociais podem servir de prova para que esses benefícios sejam cortados? 

Muitas vezes colocamos algo que não somos no Facebook, no Instagram, enfim, na internet. 

E isso pode servir para o INSS fazer prova contra você mesmo. E depois, a pessoa pode não conseguir provar que focinho de porco não é tomada. E aí pode ficar sem o benefício.

Fontes: g1.com.br  - inclusaodiferente.net

Projeto de lei quer acelerar adoção de crianças com deficiência; no DF houve só uma desde 2015

Projeto agiliza processo para crianças com alguma deficiência ou doença crônica; aprovação depende de sanção presidencial. No DF, das 117 adoções realizadas desde 2015, uma criança é deficiente.

Por G1 DF e TV Globo

A analista de sistemas de Brasília Raquel Nunes adotou o Marcelo, que foi diagnosticado com paralisia cerebral (Foto: TV Globo/Reprodução)
A analista de sistemas de Brasília Raquel Nunes adotou o Marcelo, que foi diagnosticado com paralisia cerebral (Foto: TV Globo/Reprodução)

O Senado aprovou na última quarta-feira (25) um projeto de lei que agiliza os processos de adoção em casos de crianças com alguma deficiência ou doença crônica. A medida só terá validade ser for aprovada pelo presidente, Michel Temer. Em todo o país, há 47.486 crianças em abrigos à espera de uma família, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Somente no Distrito Federal, nos últimos três anos 117 crianças foram adotadas – sendo apenas uma deficiente. A analista de sistemas Raquel Nunes esperou quatro anos na fila de espera da adoção para conhecer o filho Marcelo, que tem paralisia cerebral.

"Meu filho mudou tudo na minha vida, primeiro porque me ensinou o amor que eu não sabia que existia. Eu achava que o amor de mãe adotiva ia ser com o tempo e a grande verdade é que não existe diferença."

Marcelo foi adotado pela analista de sistemas Raquel Nunes, moradora de Brasília (Foto: TV Globo/Reprodução)
Marcelo foi adotado pela analista de sistemas Raquel Nunes, moradora de Brasília (Foto: TV Globo/Reprodução)

Logo que nasceu, Marcelo ficou internado em uma UTI neonatal e, segundo a mãe, o diagnóstico médico era pouco esperançoso. "[Disseram que] ele não ia nem andar e nem falar, mas meu filho é um grande milagre. Eu costumo dizer que isso tem a ver com o amor mesmo", disse Raquel. Hoje, no entanto, o filho corre, brinca e se comunica.

Assim como Marcelo, outras crianças com deficiências e até grupos de irmãos devem ser incluídos no Estatuto da Criança e do Adolescente como prioridades nas varas de adoção. O projeto, de autoria do deputado Augusto Coutinho (SD-PE), também formaliza o apadrinhamento.

Pessoas ou empresas vão poder ajudar no desenvolvimento de crianças e adolescentes incluídos em programas de acolhimento. O objetivo é garantir apoio, principalmente, para as crianças com menores chances de adoção.

O texto também permite a inclusão no cadastro de adoção de recém-nascidos e crianças mantidas em abrigos que não forem procuradas pela família biológica em até 30 dias. Mães adotivas passarão a ter direito à licença maternidade e o prazo máximo para a conclusão do processo será de 120 dias.

A analista de sistemas Raquel Nunes, de Brasília, tinha duas filhas quando adotou Marcelo (Foto: TV Globo/Reprodução)
A analista de sistemas Raquel Nunes, de Brasília, tinha duas filhas quando adotou Marcelo (Foto: TV Globo/Reprodução)

Para a coordenadora do Nícleo de Infância e Juventude da Defensoria Pública, Gabrielle Bezerra, a criação de prioridades na fila e os benefícios trabalhistas como forma de incentivar a adoção tem efeitos limitados. Segundo ela, é preciso melhorar a preparação dos pais na fila da adoção.

"Os processos de adoção bem sucedidos são aqueles em que há uma doação por parte dos pais em se dedicarem a realmente serem pais daquele filho", disse. "Ser pai ser mãe é realmente como se fosse uma missão na vida, entendeu?"

Fonte: g1.globo.com

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Educação e síndrome de Down: estímulo é a palavra-chave

Créditos: arquivo pessoal
Karina Gouvea e a mãe Gislene. Trabalhando desde os 16 anos e com ensino médio completo, Karina Gouvea teve grande incentivo da arte.

por Camilla Hoshino

Karina Gouvea tem 38 anos e leva uma vida cultural agitada: congressos, viagens e namoro. Desde os 16, conquista sua independência e já trabalhou em vários lugares. Hoje atua na parte de assistência administrativa de uma empresa multinacional. “Entrego malotes, correspondências e materiais de escritório”, conta.

Aos três anos de idade, Karina foi diagnosticada com síndrome de Down. A família optou por uma escola regular, junto com os outros dois irmãos. Foi assim até concluir o ensino médio e depois cursos profissionalizantes. A mãe, Gislene Gouvea, afirma que a escolha do colégio foi pensando na autonomia e adaptação para os outros espaços sociais ou “a toca dos leões”, como ela descreve.

“Tive muita dificuldade em matemática, mas gostava de português, história e física”, relembra Karina. Durante o colégio, além de um curto período de fonoterapia, ela contou com a ajuda de uma professora auxiliar no contraturno, que ficava disponível para todos os alunos. O gosto pela arte, também entre suas disciplinas favoritas quando criança, coloriu sua imaginação e influenciou a participação posteriormente em aulas de dança, fotografia, pintura e teatro.

O que é a síndrome de Down?A Síndrome de Down não é uma doença. Ela acontece quando uma pessoa nasce com um cromossomo a mais em cada célula do corpo. As pessoas com síndrome de Down, ao invés de duas cópias do cromossomo 21, têm 3. (Fonte: Ministério da Saúde)

Estimular é necessário
“As grandes conquistas estão relacionadas aos estímulos que recebem desde cedo e o tripé fundamental é a família, a escola e a terapia”, garante a fonoaudióloga Christiane Caruzzo. Há vinte anos trabalhando com terapia e autismo, ela relata que as crianças, em geral, reagem de maneiras diferentes aos estímulos, por isso é importante levar em conta a individualidade de cada um.
Em relação às crianças com síndrome de Down, a fonoaudióloga aponta algumas características que podem afetar o desenvolvimento cognitivo, entre elas a apraxia da fala, uma dificuldade de programação e planejamento dos movimentos motores. Além disso, a memorização de curto prazo. “É importante trabalhar de forma lenta, repetida e com elementos concretos”, afirma.
Seu filho Henrique, de setes anos, tem síndrome de Down e frequenta o primeiro ano do ensino fundamental. Com ele, ela utiliza o trabalho manual, com auxílio de letrinhas de madeira para a formação de palavras. “Na educação infantil eles acompanham as crianças do ensino regular, mas no ensino fundamental o atraso fica mais evidente”, observa.
Mesmo com o trabalho e as pesquisas no Brasil sendo recentes, segundo ela, alguns métodos interessantes podem ser destacados no processo de alfabetização: método dos dedinhosmultigestos e a utilização de aplicativos, que estimulam não apenas linguagem auditiva, mas sobretudo a visão.
Pensando no desenvolvimento de capacidades desde o nascimento, o Movimento Down, em parceria com mães e especialistas, criou o Guia de Estimulação para Crianças com síndrome de Down, uma dica para os primeiros anos de vida.

Na opinião da especialista em políticas de educação e fundadora do Movimento Down, Maria Antônia Goulart, o maior ou menor acesso a essas terapias faz diferença para que a criança desenvolva algumas habilidades, como de motricidade e linguagem, que impactam diretamente na aprendizagem.
“Mas esses serviços ainda são pouco oferecidos no (SUS) Sistema Único de Saúde , o que significa, na prática, que crianças que têm melhores condições financeiras acabam tendo mais condições de avançar no seu desenvolvimento”, aponta.
Autonomia e interpretação
Amante dos livros que ganha desde a infância, Tamile Ritzmann Fronczak sonha em ser professora. Aos 23 anos, ela cursa o segundo semestre de Pedagogia na Universidade Positivo, em Curitiba. Uma vez por semana, faz estágio de observação em uma escola infantil.
Com miopia e após uma cirurgia no coração, a estudante teve o apoio de vários profissionais e atividades para ter bons resultados quando criança: educadora visual, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicopedagoga, além de estimulação aquática e programas de enriquecimento instrumental.
Mas se houve um fator indispensável para trabalhar a comunicação, de acordo com sua mãe, Maria Teresinha, foi a oportunidade de convívio. Ela lembra que a filha teve dificuldade de locomoção, mas que os colegas ajudavam Tamile a chegar ao parquinho da escola. Enquanto ela começava a andar, os colegas aprendiam o significado da solidariedade.
“Precisamos desmistificar a deficiência, pois todos nós temos necessidades diferentes em algum momento da vida. Na escola pública, por exemplo, alguns alunos chegam com fome, o que também afeta o processo de educação e vai demandar auxílio”, diz Teresinha.
Créditos: arquivo pessoal
Tamile Ritzmann Fronczak está no segundo semestre de Pedagogia e faz estágio em uma escola infantil.
Para a mãe, a estimulação precoce e a oferta de experiências diversificadas ao longo da vida de Tamile também foram a base para para construir uma leitura do mundo após sua alfabetização. “A alfabetização está relacionada ao processo de reconhecer os símbolos e as estruturas, enquanto o letramento é a capacidade de utilizar esses símbolos para uma comunicação com o mundo”, afirma Teresinha, que começa a aprender os conceitos com a própria filha.
Em casa, quando criança, Tamile tinha a tarefa de fazer a lista de compras semanal, observando o que estava faltando na geladeira e copiando o nome dos produtos. “Se ela não colocava na lista, nós não comprávamos, então ela sentia a responsabilidade daquilo”. Além disso, os pais desenhavam mapas com sinalização quando saíam de casa, para ela aprender a se localizar desde cedo.
Hoje, a universidade se adaptou para atender as necessidades específicas da aluna, disponibilizando uma professora auxiliar e reduzindo a carga horária, para garantir o apoio no contraturno. Todas as janelas da semana estão preenchidas e, nesse meio tempo, já leu uma obra inteira do pedagogo e filósofo Paulo Freire. E as palavras que Tamile escolheu para escrever as páginas da própria vida, também parecem ser aquelas destacadas no livro do autor admirado por ela: educação e autonomia.

Números
No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, 2013, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 0,8% da população têm algum tipo de deficiência intelectual. Deste total, 54% tem um grau intenso ou muito intenso de limitação. Apesar disso, ainda não se sabe o número exato de brasileiros com síndrome de Down. Neste caso, é utilizada a estimativa da Organização Mundial de Saúde de que, no mundo, uma em cada setecentas crianças nasce com síndrome de Down. O Movimento Down organiza uma campanha pela notificação dos nascimentos: Notificar Importa!

Educação inclusiva
Reconhecer que cada pessoa tem necessidades específicas é o ponto de partida para o desenvolvimento de políticas que garantam a inclusão. E, sendo a escola um dos primeiros espaços de aprendizagem coletiva, ela se torna um ambiente indispensável para que crianças desafiem suas dificuldades e demonstrem habilidades.
“A educação inclusiva é aquela realizada em sala de aula regular ou comum, que atende a toda a diversidade dos estudantes matriculados, incluindo alunos com e sem deficiência. A premissa é a de que pessoas diferentes aprendem melhor juntas, em estratégias colaborativas”, explica Maria Antônia Goulart, fundadora do Movimento Down e especialista em políticas de educação.
No caso de estudantes com deficiência, esse direito é expresso na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo Brasil em 2006. Em 2008, surge a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, criada pelo Ministério da Educação, para se adaptar às novas legislações. Somente em 2015, entra em vigor a Lei Brasileira de Inclusão (LBI).
Apesar da garantia pelo Estado de uma estrutura adequada para o acolhimento de pessoas com deficiência nas escolas, que inclui transporte acessível, atendimento educacional especializado, diversidade de instrumentos de avaliação, entre outros elementos, apresentados na Cartilha Escola para Todos, elaborada pelo Movimento Down, não se pode padronizar os métodos de aprendizagem aplicado às crianças que têm síndrome de Down, segundo Maria Antônia Goulart.
“O importante é estar atento às características do estudante, ao seu estilo de aprendizagem e oferecer os recursos necessários de forma personalizada a partir do seu perfil e não da síndrome”, defende. Ela reforça que, embora algumas questões sejam comum nas crianças com síndrome de Down de forma mais ampla, como a hipotonia (redução do tono muscular), experiências que ganham sucesso são as que identificam as características da criança, elaboram o Plano de Desenvolvimento Individualizado e ajustam as estratégias e os materiais pedagógicos a essas necessidades.
Direito de todos
É dever do Estado garantir “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino” (Constituição Federal, art. 208)
“Qualquer escola, pública ou particular, que negar matrícula a um aluno com deficiência comete crime punível com reclusão de um a quatro anos”. (Artigo 8º da Lei 7.853/89)

A coordenadora de Desenvolvimento Institucional do Movimento Down, Bianca Ramos, afirma que, por vários motivos, o desenvolvimento da capacidade oral e, consequentemente, o processo de alfabetização podem ser afetados.
É o caso de sua irmã Karolina, de 16 anos, em que a escola busca valorizar potências para pensar em boas estratégias de aprendizagem. Além de terapia e apoio pedagógico suplementar, a família discute com professores um equilíbrio entre as atividades de apoio, a alfabetização e aquelas compartilhadas com a turma regular.
“A construção com a escola, em diálogo com os demais profissionais que a apoiam, também é uma tarefa diária e que envolve bastante tensionamento. A família acaba tendo um papel central na articulação e na tomada de decisão, mas nem sempre tem todas as informações necessárias para isso”, comenta.
Passo a passo garantir a vaga de uma criança com deficiência na escola
1º: Diálogo com a escola
2º: Procurar advogado inscrito na OAB da cidade ou Defensoria Pública do município
3º: Acionar a Secretaria de Educação do Estado
4º: Denunciar ao Ministério Público ou ao Disque 100- Direitos Humanos

(FONTE: Movimento DOWN)

Outros caminhos  
“É sempre um prazer ser campeão”, diz o atleta Juan Rodrigues do Nascimento Silva, de 27 anos, que conhece bem o gostinho da vitória. Após superar problemas respiratórios e dificuldades motoras na infância, em virtude da síndrome de Down, Juan integra atualmente a seleção brasileira de futebol e também a de natação para atletas com essa necessidade específica. Sua rotina envolve treinos de segunda a sábado.
Augustinho Meireles tem orgulho das conquistas do filho e a certeza de que o incentivo é a palavra-chave para o desenvolvimento de pessoas com Down. Vice-presidente da Associação Paradesportiva JR, que incentiva a prática de esporte e o desenvolvimento de atletas com Deficiência Intelectual (DI), ele avalia como o esporte mudou a vida de Juan e dos outros 90 alunos da JR. “A gente percebe a evolução deles na parte da fala, do pensamento, das atividades em grupo e também na conquista da independência”.
Mas a atenção desde o momento do nascimento foi indispensável. Com um mês, Juan já recebia o auxílio de fonoaudiólogos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Ele entrou na escola com nove anos, mas a necessidade de acompanhamento dos pais e de profissionais não permitiu que ele ficasse mais do que três anos dedicado ao ensino regular. “Hoje a lei garante a inclusão, mas naquela época era mais difícil”, lembra o pai.
Crédito da imagem: arquivo pessoal
                            
Juan Rodrigues do Nascimento Silva, de 27 anos, é atleta. Após anos dedicado ao esporte, ele pensa em voltar a estudar.
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  • Crédito da imagem: arquivo pessoal
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    Juan Rodrigues do Nascimento Silva, de 27 anos, é atleta. Após anos dedicado ao esporte, ele pensa em voltar a estudar.
  • Crédito da imagem: Marcello Palhais / Estilo Down
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    Juan entrou na escola com nove anos, mas a necessidade de acompanhamento dos pais e de profissionais não permitiu que ele ficasse mais do que três anos dedicado ao ensino regular
A família, que optou por dar liberdade a Juan e deixar que ele expressasse suas aptidões, logo percebeu o amor pela música e pelo esporte. Hoje, sem completar alfabetização, Juan tem vontade de aprender a ler e a escrever, mas não acha que ir para a escola seja o caminho. “Ele tem uma trajetória de escolhas próprias e está voltando a se interessar pelos estudos. Nós vamos ajudar”, afirma Augustinho.
“Quando eu era pequeno eu nadei na Apae e foi isso que mudou para mim. Depois comecei a nadar com a JR. Hoje estou competindo natação fora do país”, conta o atleta, que já disputou na Grécia, Itália, México, entre outros lugares.
E se de um lado Juan esbarra nas letras, de outro sua saúde e seu treino estão em dia. Por enquanto esse é o equilíbrio que permite o atleta seguir em frente com a expectativa e o pensamento de um vencedor: “Rumo ao mundial do Canadá em 2018”.