sábado, 6 de janeiro de 2018

Tarifa de ônibus em Jundiaí terá aumento a partir de segunda-feira

Gratuidades para idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência estão mantidas, assim como a meia passagem para estudantes e a tarifa social.

Por G1 Sorocaba e Jundiaí

Bilhete Único poderá ser adquirido a R$ 4 (Foto: Divulgação)
Bilhete Único poderá ser adquirido a R$ 4 (Foto: Divulgação)

O preço da tarifa do transporte público de Jundiaí (SP) será reajustado a partir de segunda-feira (8). A tarifa do bilhete único que custa R$ 3 passará para R$ 4, enquanto a passagem comprada com dinheiro terá aumento de R$ 3,80 para R$ 4,40.

De acordo com a prefeitura, que divulgou os reajustes nesta sexta-feira (5), a atualização dos preços ficou estabelecida após estudos com base na planilha de custos do sistema de transporte público, realizados pela Unidade de Gestão de Mobilidade e Transporte (UGMT) e apresentados a setores da sociedade.

As gratuidades para idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência estão mantidas, assim como a meia passagem para estudantes e a tarifa social em dois domingos por mês.

Desta forma, serão priorizadas ações como revitalização dos terminais, novos ônibus, câmeras de segurança e aplicativos para acompanhamento das linhas e o tempo gasto no deslocamento da viagem.

Gastos com o serviço

Segundo a prefeitura, o serviço de transporte público custa R$ 137. 534. 557, 56 milhões por ano e o último reajuste na tarifa ocorreu em 2012.

Para compensar a manutenção do valor, em 2013, foi criado o complemento com verba pública (subsídio) pago pela prefeitura às empresas de transporte, que, desde então, aumentou seis vezes. Apenas em 2017, o subsídio consumiu R$ 25,2 milhões, valor recorde.

Com base nos estudos realizados, será possível manter o subsídio em R$ 113 milhões ao longo de quatro anos. Sem essa limitação, o valor a ser desembolsado seria de R$ 257 milhões.

Durante o ano de 2017, a tarifa se manteve inalterada para não impactar no orçamento das pessoas que dependem do serviço. Atualmente, o transporte público municipal atende 120 mil passageiros por dia.

Fonte: g1.globo.com

Inscrições para processo seletivo da Fundação de Ensino e Pesquisa de Uberaba terminam na próxima segunda

São vagas para pessoas com deficiência e cadastro de reservas. Os salários variam de R$ 767 a R$ 2.220,87.

Por G1 Triângulo Mineiro

A função de técnico de Análises Clínicas é uma das oportunidades abertas  (Foto: Divulgação)
A função de técnico de Análises Clínicas é uma das oportunidades abertas (Foto: Divulgação)

Terminam na próxima segunda-feira (8) as inscrições para o processo seletivo da Fundação de Ensino e Pesquisa de Uberaba (Funepu). São vagas para pessoas com deficiência (PCD) e cadastro de reservas.

Para a primeira modalidade, serão disponibilizadas uma vaga para biomédico, técnico em enfermagem e técnico em laboratório de análises clínicas.

Já para a composição do cadastro de reservas, as áreas disponíveis são: auxiliar de manutenção predial, biomédico, condutor de ambulância, motofretista, além de cargos técnicos em enfermagem, farmácia, laboratório de análises clínicas, manutenção predial e radiologia e imagenologia. Os salários variam de R$ 767 a R$ 2.220,87.

O processo seletivo será realizado por meio de prova objetiva, com questões de múltipla escolha. O candidato terá que ser aprovado nesta etapa que será de caráter eliminatório/classificatório.

Segundo o presidente da Funepu, professor José Eduardo dos Reis Félix, os aprovados para as vagas de pessoa com deficiência serão submetidos à avaliação médica.

“Eles passarão pelo Departamento de Medicina do Trabalho da Funepu, o qual avaliará a compatibilidade entre as atribuições essenciais da função e a deficiência de que o candidato é portador, emitindo laudo de parecer, nos termos deste edital”, acrescentou.

As inscrições podem ser feitas no site da Funepu. O edital completo e outras informações sobre o processo também estão no site.

Fonte: g1.globo.com

‘Pintou a Síndrome do Respeito’

Exposição de quadros produzidos por artistas com deficiência intelectual faz parte de um projeto do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural. Cidade Dutra, na zona sul da capital paulista, recebe a sexta etapa da mostra itinerante. A entrada é gratuita.

Luiz Alexandre Souza Ventura

Mostra tem sete exposições itinerantes e uma etapa final com obras de participantes do programa 'Pintou a Síndrome do Respeito', do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural. Imagem: Reprodução
Mostra tem sete exposições itinerantes e uma etapa final com obras de participantes do programa ‘Pintou a Síndrome do Respeito’, do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural. Imagem: Reprodução

A sexta etapa da ‘Expo 21 – A Era da Inclusão’ chega neste mês ao Centro Educacional Unificado (CEU) Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo, com trabalhos produzidos por artistas com deficiência intelectual. O nome é uma alusão ao terceiro cromossomo que se liga ao par 21 do código genético e dá origem à Síndrome de Down.

É a valorização da produção artística de pessoas com deficiência para ampliar os acessos a bens culturais e oportunidades, combater a exclusão e formar valores positivos de participação na vida social.

A mostra tem sete exposições itinerantes e uma etapa final com obras de participantes do programa ‘Pintou a Síndrome do Respeito’, do Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural (IOK), que atende pessoas com deficiência intelectual, e também sem deficiência, em situação de vulnerabilidade social. A instituição promove oficinas de arte, dança e esportes.

É a valorização da produção artística de pessoas com deficiência para ampliar os acessos a bens culturais e oportunidades, combater a exclusão e formar valores positivos de participação na vida social. Imagem: Divulgação / IOK
É a valorização da produção artística de pessoas com deficiência para ampliar os acessos a bens culturais e oportunidades, combater a exclusão e formar valores positivos de participação na vida social. Imagem: Divulgação / IOK

A próxima etapa, em fevereiro, será organizada na  Fábrica de Cultura da Vila Nova Cachoeirinha. Três novas obras foram escolhidas para compor a exposição final prevista para a semana de celebração do Dia Internacional da Síndrome de Down (21 de março).

SERVIÇO
Sexta etapa da EXPO 21 – A Era da Inclusão
Local: Centro Educacional Unificado (CEU) Cidade Dutra
Endereço: Avenida Tomás de Sousa, nº 552 – Jardim Monte Azul – São Paulo/SP
Data: 23 a 31 de janeiro
Horário: segunda à sexta – 9 às 17h
Entrada gratuita
Patrocínio: Banco Toyota, Casa Tognini e Bradesco Seguros (por meio da Lei Rouanet)



O país onde apenas os cegos podem ser massagistas profissionais.

As autoridades do país decidiram há mais de um século que apenas só cegos podiam ganhar dinheiro com o ofício, como forma de garantir-lhes uma fonte de renda.

BBC Brasil

Na Coreia do Sul, apenas cegos podem ser massagistas profissionais

Na Coreia do Sul, apenas cegos podem ser massagistas profissionais 

Mãos firmes, dedos habilidosos e conhecimentos básicos de anatomia humana são elementos indispensáveis para ser um massagista em qualquer lugar do mundo.

Mas há um país onde isso não é o suficiente.

Lá, o principal requisito para tirar uma licença de massagista não tem nada a ver com as mãos, experiência ou técnica.

Na Coreia do Sul, eles vão mais longe: as autoridades exigem que apenas pessoas cegas possam praticar este ofício milenar.

É um dispositivo protegido por uma polêmica lei que foi desafiada quatro vezes e que o Tribunal Constitucional sul-coreano o acaba de ratificar nesta terça-feira.


As autoridades do país asiático decidiram há mais de um século que apenas pessoas cegas podiam ganhar dinheiro fazendo massagem, como forma de garantir-lhes uma fonte de renda para sua sobrevivência.

Na nova sentença, o Tribunal Constitucional da Coréia do Sul explicou que a decisão de continuar com a lei deve-se ao fato de que os cegos têm poucas opções de carreira e que essa é a "única maneira" de ajudá-los a ganhar a vida.

Dada a alta demanda de massagistas no país, muitos coreanos tentaram nos últimos anos revogar a lei, cujo descumprimento pode levar a multas de até US$ 4,5 mil (cerca de R$ 15 mil) ou até três anos de prisão.

No entanto, o Tribunal decidiu que a lei permanecerá em vigor e que apenas pessoas - cegas - com uma licença poderão exercer a profissão em todo o país.

Polêmica

A Coreia do Sul aprovou esta lei em 1913, após a invasão do país pelo Japão.

No final da Segunda Guerra Mundial, os representantes do governo dos Estados Unidos que controlavam a península coreana suspenderam esse requisito, que voltou a ser adotado em 1963.

Desde então, as polêmicas entre massagistas cegos e não-cegos têm sido frequentes, uma vez que estes exigem o direito constitucional de escolher sua profissão.


Lei de 1913 que reserva mercado profissional para cegos voltou a ser adotada na Coreia do Sul em 1963

Isso porque, de acordo com a Constituição do país, cada cidadão tem o direito de escolher sua carreira e o Estado não deve interferir nela.

A proibição também levou à abertura de lojas onde são oferecidas massagens ilegalmente.

Segundo dados do governo sul-coreano, cerca de 7 mil pessoas cegas atuam como massagistas, enquanto o número de pessoas sem problemas de visão que também exercem a profissão é de 12 mil.

Os críticos da lei argumentam que ela é também uma forma de discriminação, limitando os cegos a um único trabalho sem a possibilidade de crescer em outras profissões.

Tatuadora atende pessoas com câncer de graça para cobrir cicatrizes

A mãe perdeu o seio e ela aprendeu a tatuar pessoas com câncer.

Thais Carvalho Diniz Do UOL, em São Paulo

                    Imagem: Divulgação/Bárbara Ink
                       Divulgação/Bárbara Ink
                    A tatuadora Bárbara Nhiemetz

Toda segunda-feira o estúdio da tatuadora Bárbara Nhiemetz, 25, que fica no centro de Curitiba, deixa de atender comercialmente e faz tatuagens gratuitas em pessoas que passaram pelo câncer e desejam cobrir uma cicatriz.

O projeto "Cores que Acolhem" foi inspirado pela dor pessoal da paranaense, que viveu a doença ao lado da mãe. Sueli, 60, teve de retirar a mama esquerda quando a filha tinha apenas 7 anos de idade.

"Vi minha mãe perder a autoestima e a feminilidade. Estive com ela durante todo o tratamento, amadureci diante do sofrimento dela e me vi tocada nas diversas vezes que percebi o seu desânimo diante do espelho", contou Bárbara ao UOL.

Entretanto, além da história de Sueli, a tatuadora teve o câncer presente em sua vida novamente quando o filho, Zekky, nasceu em 2014. "Descobrimos três tumores e ele teve de passar por tratamento. Ficar tanto tempo no hospital, mais uma vez, me fez ter vontade de praticar a solidariedade e decidi que quando o Zekky tivesse alta eu faria algo para ajudar."

Como financeiramente, disse Bárbara, não era possível, ela decidiu usar a sua arte, a tatuagem. E em setembro de 2015, quando Sueli completou 17 anos de cura, se especializou na técnica de reconstrução de mamilo e em cobrir cicatrizes.

"A primeira pessoa que tatuei com esse intuito foi minha mãe. Fiz um desenho floral no lugar do seio e, hoje, em vez de sentir vergonha, esconder, ela usa camisetas entreabertas que deixam a tatuagem à vista.Poder ver minha mãe feliz novamente com o próprio corpo me fez querer ver outras pessoas sorrindo também."

                         Imagem: Divulgação/Bárbara Ink Tattoo... 
                             Divulgação/Bárbara Ink Tattoo
                         Sueli Pedroso, a mãe de Bárbara, inspirou o "Cores que Acolhem" 

Um novo ciclo

Desde que existe, o "Cores que Acolhem" já atendeu cerca de 85 pessoas, a maior parte foram mulheres com mais de 40 anos e que passaram pelo câncer de mama. "São os casos mais comuns. Mas também já fiz em cicatriz de cirurgia de intestino, que fica na vertical e bem extensa, e câncer de útero."

Segundo ela, foram raros os contatos com homens. "Alguns chegam a ligar, mas creio que, por vergonha, não aparecem."

Imagem: Divulgação/Bárbara Ink
Divulgação/Bárbara Ink
Segundo Bárbara, é comum o desejo de realçar a cicatriz para valorizar a luta contra a doença. Neste caso, a tatuagem foi feita abaixo da marca de um câncer de mama

Com a ajuda do marido, Thiago, a tatuadora faz os agendamentos que, muitas vezes, ocupam toda a segunda-feira. Bárbara conta que começou a perceber a necessidade emocional das clientes e, por isso, não é como uma sessão comum.

"Atendo no máximo duas por semana. Não é necessário fazer tudo de uma vez, faço quantas sessões forem necessárias. Vamos no limite delas. Essas mulheres chegam muito abaladas emocionalmente, com falta de amor-próprio e não tem por porque fazê-las sofrer mais."

As clientes são recebidas com café, bolo e têm ali o espaço para desabafarem. "Deixo de um jeito que elas se sintam em casa.Na maioria dos casos querem me contar todo o processo da doença e procuro escutar." Para Bárbara, esse trabalho é o meio de agradecer pela vida de Zekky e Sueli.

E as amizades ficam. A tatuadora diz que conversa com muitas clientes depois da sessão e se sente "parte da família". "Um dos momentos mais emocionantes que vivi foi uma reconstrução de mamilo. Ela não se sentia à vontade de ficar nua na frente do marido há muito tempo e quando terminei a tatuagem, pediu que ele entrasse na sala. Ver aquela cumplicidade voltando foi algo inexplicável."

Imagem: Arquivo pessoa
Arquivo pessoal
Bárbara e o filho, Zekky, que, assim como a mãe da tatuadora, ajudou a inspirar o projeto

Quem pode fazer Qualquer pessoa que tenha uma cicatriz decorrente de um câncer pode entrar em contato pela página Bábara Ink Tattoo e marcar um horário. Online ou por telefone, a tatuadora vai explicar que é necessário uma liberação médica.

"Peço uma autorização do oncologista e cirurgião dizendo que não há risco de reincidência no mesmo local, por exemplo, e de que o paciente está apto para o procedimento. Com isso, podemos fazer sem riscos."

Novos óculos inteligentes podem ajudar pessoas com deficiência visual

A Samsung anunciará as novidades de 2018, como os novos óculos, na próxima semana, durante a CES – Consumer Electronics Show, evento nos Estados Unidos.

Foto de três óculos inteligentes. Eles possuem lentes escuras e retangulares, com opções de armações em rosa, branca e preta.

A Samsung anunciará ao mundo alguns de seus lançamentos para o ano de 2018 durante a CES – Consumer Electronics Show, evento que acontece na próxima semana, nos Estados Unidos. Entre eles, estão projetos do Creative Labs, equipe da sul-coreana que tem liberdade para desenvolver projetos independentes, incluindo os óculos inteligentes Relúmĭno.

O gadget foi criado para que pessoas com alguns tipos de deficiência visual possam enxergar com mais clareza, trabalhando em conjunto com um aplicativo móvel instalado no smartphone do usuário. O app consegue identificar situações visuais que podem ser problemáticas àquele usuário, enviando essas informações aos óculos, que se ajustam automaticamente.

No modo “regular”, os óculos deixam as imagens embaçadas mais claras, decifrando os contornos dos objetos na visão do usuário, tornando-os mais proeminentes. Já no “modo de inversão de cores” o Relúmĭno faz com que fique mais fácil ler textos em uma tela a uma distância considerada normal, sem ser necessário aproximar ou afastar a tela do rosto para obter uma boa leitura. Esse modo também exibe o texto em alto contraste para melhorar a experiência.

Outros projetos do C-Lab

O pessoal do C-Lab da Samsung também vai apresentar outros dois projetos: um alto-falante direcional portátil chamado S-Ray e o GoBreath, dispositivo que monitora a atividade pulmonar do usuário para melhorar sua saúde.

O S-Ray é um aparelho individual, para que somente uma pessoa possa ouvir os sons emitidos. Ele conta com dois alto-falantes retangulares que podem ser conectados a computadores, por exemplo, além de um terceiro em formato circular que deve ser acomodado no pescoço, projetando o som para os ouvidos do usuário.

Já o GoBreath é um dispositivo portátil assoprável, mais ou menos como um bafômetro, sincronizado com um app próprio que analisa o sopro do usuário que sofre com problemas pulmonares, ou que foi submetido a uma cirurgia de pulmão. Com o aparelho, o usuário aprende a respirar de maneira adequada com técnicas de respiração, conseguindo recuperar sua saúde mais rapidamente.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

"África com Autismo" Conheça a mãe e a filha que cruzaram o continente para combater o autismo...

Em novembro de 2015, Melanie Cowpland, 44 anos, e sua filha Sofia, de 11 anos de idade, partiram do Reino Unido em uma moto com sidecar tendo um destino em mente - a África do Sul. Depois de passar nove meses na estrada, a dupla concluiu com sucesso a sua aventura épica, mas o que torna tudo mais especial é que o passeio foi desenhado por Melanie para ajudar Sofia, que tem autismo, a se desenvolver e ver o mundo...

MM Viagens -

POR FAUSTO MACIEIRA*

O roteiro de épica jornada... (Foto: Divulgação)
O roteiro de épica jornada... (Foto: Divulgação)

Antes da viagem, Melanie era uma motociclista novata, mas no final ela tinha pilotado pelo comprimento da África e, após inúmeras falhas mecânicas em sua Ural, ela tinha se tornado profissional em diagnosticar e resolver problemas na estrada. Sofia também aprendeu muito ao longo do caminho, com Melanie escrevendo em seu blog que "ela não fica facilmente aborrecida com mudanças, sua higiene pessoal melhorou, colaborar em algumas tarefas não é mais um cenário de 3ª Guerra Mundial. Geralmente, sua luta comigo está a 20% do que costumava ser, e eu diria que mudou para uma faixa mais normal do que você esperaria de uma menina de 11 anos de idade.

Quando ela anunciou sua intenção de levar sua filha através da África em um sidecar, algumas sobrancelhas foram levantadas, mas, inabalável, a dupla persistiu com a sua missão e uma coisa é certa, a aventura foi uma experiência de mudança de vida para ambas...

Em entrevista a Bryn Davies, editor da página Adventure Bike Rider, Melanie conta como planejou, enfrentou e desfrutou dessa longa jornada.

ABR: de onde veio a ideia de África com Autismo?

Melanie Cowpland: Eu amo viagens independentes, mas não tinha viajado desde que Sofia tinha dois anos, porque era muito difícil com seu autismo. Quando ela tinha oito anos, tornou-se claro que ela seria capaz de começar a lidar com isso. De início era uma viagem de estrada no verão, que em seguida estendeu-se por um ano inteiro, e a sincronia foi perfeita para a sua situação escolar.

ABR: Quanto de incentivo Sofia deu no planejamento e preparação para a viagem?

MC: ela realmente não incentiva porque não tem consciência. Foi mais um caso de eu a incentivando, a estimulando com tantos cenários "reais" caso possível, a levando na moto acampar nos fins de semana, por exemplo, ou, no caso da parte europeia, eu ficava dizendo a ela que o clima provavelmente seria horrível, mas é melhor passar por isso rapidamente do que ficar parando.

Eu repeti isso muitas vezes e, quando chegou a hora, ela era minha líder de torcida, me mantendo indo em frente, o que foi maravilhoso. A maior preparação para ela foi viver em um motorhome por quatro meses antes de sairmos, de modo que ela estava acostumada a poucos brinquedos, sem TV e Internet. Felizmente a moto quebrou algumas vezes antes de sairmos, e assim que ela estava acostumada a isso também!

Sofia e Melanie usaram na vigem uma Ural 750cc com sidecar ano 2003... (Foto: Divulgação)
Sofia e Melanie usaram na vigem uma Ural 750cc com sidecar ano 2003... (Foto: Divulgação)

ABR: Quanta experiência de motociclismo você tinha antes da viagem?

MC: Eu passei no meu teste para fazer a viagem; acho que rodei cerca de 5.000 (Nota MM: 8.000 quilômetros) milhas antes de sair, entre a moto estar dentro e fora da oficina.

ABR: como você decidiu a rota?

MC: A rota mais segura era a prioridade para mim. Enquanto eu queria expô-la a um certo risco, eu não queria que fosse um risco que eu não pudesse controlar. A página do Departamento de Estrangeiros (Nota MM: do Governo Britânico) foi útil para isso.

ABR: para muitas pessoas, só o pensamento de andar de moto através da África é bastante perigoso, mas como foi na realidade a partir do ponto de vista da segurança?

MC: No geral, as partes que visitamos eram seguras. A maioria de povos da África são amáveis, hospitaleiros e amistososs, então é uma boa experiência e você se sente seguro. Como em toda parte no mundo, incluindo o lado oeste, há povos que não são agradáveis, mas o que é diferente sobre a África é que o resultado de um roubo simples pode ser muito pior.

Em termos de condições rodoviárias, eu não tive qualquer problema entre o Cairo e Alexandria, mas nós éramos maiores do que uma moto sem side, e muito mais perceptíveis.

ABR: Qual foi o seu momento mais perigoso na viagem?

MC: foi uma noite muito quente na Tanzânia; não conseguimos dormir, então decidi que devíamos voltar para a estrada. Eu parei para uma descansar e fumar um cigarro às 3h da madrugada e um caminhão da polícia parou depois de nós, com cerca de cinco homens pulando da parte traseira e alguns da frente, e eles claramente não estavam pensando em nada de bom. Quando eu finalmente identifiquei um pelo uniforme e me dirigi a ele diretamente, eles perceberam que eu era uma mulher e estava viajando com uma criança.

Eles ficaram tão chocados que esqueceram suas intenções e começaram a me dar conselhos de segurança sobre onde era melhor para estacionar. Depois de cerca de um minuto disso, eu pedi para eles irem embora. Este foi um momento tenso para mim, porque eles levaram cerca de 30 segundos antes de visivelmente se moverem de volta para o caminhão. Eles pularam dentro e saíram. Não ficamos muito tempo ali, no caso deles mudarem de ideia!

Sofia e a girafa... (Foto: Divulgação)
Sofia e a girafa... (Foto: Divulgação)

ABR: E o seu mais memorável?

MC: essa é uma pergunta difícil - há tantos momentos memoráveis para escolher! Acho que para mim tem que ser Sofia pescando seu primeiro peixe, um atum do Oriente Médio. Ela não desistiu, mesmo quando seus braços começaram a doer. Foi um momento de orgulho.

Para Sofia, no momento em que foi a experiência no lago de lava - ela está apenas começando a perceber o esforço que fizemos foi grande, e o apoio incrível que ela teve das pessoas que a apoiaram ao longo da viagem.

ABR: Como a sua viagem foi recebida pelos moradores que você conheceu ao longo do caminho?

MC: Com espanto, choque, descrença e inspiração. Um monte de gente ficou surpresa porque (o mundo) não era tão inseguro como eles pensavam que era. Como eu estava realmente fazendo isso, ninguém se incomodou em me dizer que eu não podia; só no Zimbábue, quando eu estava planejando a passagem por Moçambique, que as pessoas (homens principalmente) estavam tentando me dizer que eu não poderia, que era muito perigoso. Mas era claro que era principalmente boato. Então, nós fomos e, como se viu, não fomos em comboio por outras razões, e os lugares onde estivemos estavam tranquilos, , apesar dos constantes rumores e paranóia.

ABR: Qual foi o seu país favorito e por quê?

MC: Outra pergunta difícil! Para mim eu acho que gostei mais dos desertos no norte da África e da Namíbia, porque eles são mais crus e indomáveis. Para Sofia, foi o sul da África em geral. Eu acho que pode ter sido porque o inglês era mais facilmente falado e as piscinas mais abundantes.

ABR: Eu li em seu blog sobre o desafio Fanta - você pode explicar aos nossos leitores no que consiste estepequeno e divertido jogo?

MC: Mmanter Sofia engajada em uma meta que não era sobre viagens e mantê-la com um vínculo de casa era importante. Isto inspirou o jogo da Fanta. Ela gostou da bebida, então primeiro eu disse a ela que o gosto é muito melhor em uma garrafa de vidro, então alguém disse que o sabor da uva na África do Sul era o melhor, então como estávamos na viagem, falávamos sobre quantos sabores diferentes havia e se ela os tinha experimentado.

É um pouco como manter-se distraído lendo palavras de placas de número, mas apenas projetado para Sofia, então para ela o jogo teve significado durante a duração da viagem em si.

ABR: antes da viagem de vocês havia muitos céticos, particularmente quando você participou de um curso de formação para pilotar o sidecar - as dúvidas te estimularam ou você começou a ter segundos pensamentos?

MC: Pelo que eu tinha entendido, o treinamento seria geralmente sobre expectativas, estratégias, etc., mas quando chegamos lá eles tratarm de tudo sobre habilidades off-road, eu mal tinha pilotado a moto na estrada, muito menos no off-road, por isso não funcionou tão bem como um dia de treinamento. Eles também não tinham experiência com o sidecar, então eu convidei o meu mecânico, que é muito experiente com sidecars, para o o treinamento, para ter esse enfoque coberto se fosse necessário. Eu fiquei tão feliz porque ele estava lá!

Na verdade, a atitude deles só me aborreceu. Um deles, até esse ponto, tinha me apoiado e ajudou com o planejamento, de modo que ser confrontada pelos outros dessa forma foi chocante. Senti-me desgosto mais do que tudo.

Eu sabia que haveria pessoas me criticando, mas realmente isso não importava para mim , se deveria ou não fazer a viagem ou me incentivar. Minha decisão de fazer a viagem não teve nada a ver com as opiniões de pessoas que não me conhecem ou que têm o que eu tenho em termos de experiência e motivação para me apoiar. A viagem tinha tudo a ver com conhecer as necessidades de Sofia - ficou claro no treinamento que eles tinham perdido completamente este ponto. As pessoas com as quais eu senti melhor para trocar opiniões que iriam afetar a minha decisão foram favoráveis.

ABR: Como foi o desempenho da moto e do sidecar durante a viagem?

MC: No início foi tudo bem, mas depois que tivemos uma primeira grande quebra na Etiópia, isso pareceu clarear o resto do caminho através da África.

A moto se comportou razoavelmente bem... (Foto: Divulgação)
A moto se comportou razoavelmente bem... (Foto: Divulgação)

ABR: você experimentou alguma dificuldade mecânica ao longo do caminho? Como você lidou com elas?

MC: Reconstruí dois motores, por problemas estruturais devido à perda de um parafuso no primeiro caso e muito peso sobre as estradas precárias da Namíbia no segundo. Tivemos um tanque de combustível rompido na Etiópia, e pelo o resto da viagem, os carburadores pareciam hipersensíveis ao etanol - o que não é bom em um lugar como a África. Uma bobina nova e um interruptor novo fram necessários ao longo do caminho também. Felizmente todas as rodas eram intercambiáveis, no entanto, na verdade, só tivemos um pneu furado, devido a um raio solto.

Lidar com problemas foi parte da aventura - na África há sempre um plano e uma coincidência, e pessoas incríveis colocando você de volta na estrada mais cedo do que você pensa.

ABR: Qual foi a parte mais gratificante da viagem?

MC: Chegar em East London e na África do Sul, nosso ponto final, sobre a moto e não em um reboque.

Dividir sensações, parte fundamental da viagem de Melanie e Sofia... (Foto: Divulgação)
Dividir sensações, parte fundamental da viagem de Melanie e Sofia... (Foto: Divulgação)

ABR: O mais importante de tudo; a Sofia gostou do passeio?

MC: Sim, ela gostou. Mas obter uma resposta clara dela não é tão fácil. Acho que vai levar anos para ela processar tudo. Aúnica coisa sobre a qual ela não hesita atualmente é sair para um passeio de moto, então eu sei com certeza foi uma experiência positiva para ela.

ABR: Qual é a próxima aventura para Melanie e Sofia Cowpland?

MC: acabamos de completar um giro de dois meses na Europa, que temos chamado de "A Aventura de Pé Torto". Gostaria agora de terminar o livro sobre a África, e, possivelmente, o sobre a a turnê da Europa também, antes de planejar a nossa próxima viagem que provavelmente será nos EUA. Dito isto, quem sabe o que o próximo ano vai trazer! O que eu sei é que quero que a Sofia seja independente como adulta. Com autismo isso pode significar pensar mais fora da caixa para, ajudá-la a fazer o mesmo!

Para manter-se atualizado com as viagens de Melanie e Sofia, dirija-se à página www.adventurewithautism.org ou as siga no Facebook e Social Media (/adventurewithautism).

Bryn Davies para Adventure Bike Rider.com

Para ler esta entrevista no original em inglês, clique aqui

Opinião MM: Em tudo e por tudo, uma aventura corajosa, majestosa, inspiradora. Uma mulher viajando, em uma moto enorme, com a filha especial, pela África, o Continente Misterioso.

O resultado positivo deu margem a novas aventuras motorizadas, que não têm data para terminar. Com a evolução de Sofia, a dupla trocou a pesada Ural por uma BMW 650 GS, mais ágil e fácil de pilotar. Foi com a moto acima que as duas percorreram 8.000 milhas - cerca de 13.000 quilômetros - entre hulho e agosto do ano passado.

O autismo é uma condição difícil e permanente, que afeta a comunicação e interação com outras pessoas. Em alguns momentos há maturidade e em outros o oposto, tornando a convivência extremamente trabalhosa. A coragem de Melanie é admirável em todos os sentidos, e nos leva a repensar os próprios problemas. Que em geral não são tão grandes assim...

FAUSTO MACIEIRA*

Fausto Macieira (Foto: Divulgação)

Terapia genética que corrige cegueira será vendida a R$ 2,7 milhões nos EUA

Luxturna corrige mutação que leva à perda de visão progressiva, mas alto preço suscita debates nos Estados Unidos.

Por G1


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Medicamento pode restaurar visão em pessoas que possuem mutaçao no gene RPE65 (Foto: Pixabay)

Terapia genética inovadora contra degeneração hereditária da retina será vendida por 850 mil dólares nos Estados Unidos (aproximadamente 2 milhões e 750 mil reais), informam a France Presse e Efe. A condição pode levar à perda total de visão.

Administrado em dose única, o medicamento corrige mutação no gene RPE65 que pode resultar em cegueira. O gene fornece instruções para reações químicas essenciais para a visão normal.

O anúncio foi feito em meio a um debate sobre o alto preço dos medicamentos nos Estados Unidos, em especial os dos tratamentos qualificados como inovadores, diz a France Presse. O Luxturna é considerado o primeiro remédio americano baseado na terapia genética

O medicamento custará US$ 425 mil (RS$ 1.375.470) por olho, mas o preço final se mantém abaixo de um milhão de dólares, que era inicialmente estimado quando recebeu a autorização da agência de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) em meados de dezembro, diz a France Presse.

O valor, no entanto, não será arcado pelos pacientes que necessitem do procedimento, mas pelos hospitais e operadoras de planos de saúde, que bancarão a maior parte do pagamento, segundo informaram fontes da empresa à agência Efe.

Nos exames clínicos realizados para comprovar a eficácia de Luxturna, nove em cada dez pacientes se viram beneficiados pelo tratamento pelo menos durante um período de dois anos e meio, informa a Efe.

Produzido pela empresa de biotecnologia Spark Therapeutics, com sede na Filadélfia, nos Estados Unidos, o medicamento será administrado em dose única.

Sobre o tratamento

Hoje, aproximadamente 2 mil pessoas vivem com a doença nos Estados Unidos. Indíviduos portadores vão perdendo a visão ao longo do tempo até que a condição progride para a cegueira completa, informa o FDA.

O tratamento com Luxturna deve ser feito separadamente em cada olho em dias separados, com pelo menos seis dias entre os procedimentos cirúrgicos. É administrado via injeção subretiniana por um cirurgião experiente na realização de cirurgia intraocular, diz a agência.

Reações adversas mais comuns de Luxturna incluíram vermelhidão do olho (hiperemia conjuntival), catarata, aumento da pressão intraocular e lágrima da retina.

Como funciona a terapia

1 - Cientistas selecionam um vírus


2 - O vírus é modificado geneticamente


3 - Cientistas usam a capacidade de infecção do vírus para que ele 'corrija' a mutação


4 - O vírus é injetado no olho e passa a entregar cópia certa do gene RPE65


5 - O paciente passa a produzir enzima que ajuda a converter a luz em um sinal elétrico que reconstitui a visão

Fonte: FDA (Food and Drug Administration)


Terapias de alto preço

Antecipando-se às críticas, a Spark prometeu reembolsar os pacientes se o tratamento não for efetivo, e também planeja solicitar que as autoridades de saúde autorizem um pagamento por etapas, informa a France Presse.

A decisão da empresa segue tendência de outros laboratórios de biotecnologia -- recentemente, a empresa de biotecnologia continua assim o enfoque adotado recentemente pelo laboratório suíço Novartis no início da comercialização do Kymriah, destinado a tratar uma forma muito agressiva de leucemia em crianças e jovens adultos, informa a France Presse.

É o caso do Spinraza (Nusinersen na Europa), desenvolvido por Biogen e Ionis Pharmaceuticals contra a atrofia muscular, e do Soliris, fabricado pelo Alexion Pharmaceuticals para tratar uma rara doença renal. Ambos custam cerca de 750 mil dólares.

O medicamento mais caro do mundo é o Glybera, o primeiro vendido por um milhão de dólares pelo grupo holandês UniQure para tratar várias doenças genéticas.

Fonte: g1.globo.com

Fundamental para alfabetização de cegos, braile divide espaço com novas tecnologias - Veja o vídeo.

Dispositivos com telas especiais, ainda muito caros no Brasil, começam a ser mais comuns e acessíveis em países como Estados Unidos, Espanha e Japão. Público jovem usa áudio como alternativa para publicações digitais. Nesta quinta-feira, 4 de janeiro, foi celebrado o Dia Mundial do Braile, único sistema natural de leitura e escrita que permite a representação do alfabeto, números e simbologias científica, fonética, musicografia e informática.

Luiz Alexandre Souza Ventura


Braile tem base na combinação de seis pontos dispostos em duas colunas e três linhas, o que permite a formação de 63 caracteres. Imagem: Divulgação / Fundação Dorina Nowill
Braile tem base na combinação de seis pontos dispostos em duas colunas e três linhas, o que permite a formação de 63 caracteres. Imagem: Divulgação / Fundação Dorina Nowill

“Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, terei de encontrar uma outra forma”. A frase escrita por Louis Braille em um diário permanece atual. Em sua curta passagem por esse mundo (ele morreu aos 43 anos por causa de uma tuberculose), o professor é lembrado em cada livro, placa, painel e publicação com o sistema de leitura e escrita usado por cegos de todo o planeta.

Nesta quinta-feira, 4 de janeiro, foi celebrado o Dia Mundial do Braile, referência ao nascimento de seu criador, em 1809 na cidade de Coupvray, na França, há 40 km de Paris. Aos três anos, quando brincava na oficina do pai (Simon-René Braille, fabricante de arreios e selas) o menino machucou o olho esquerdo. A infecção do ferimento alastrou-se, atingiu o olho direito e ele jamais enxergou novamente.

“O braile é fundamental ou indispensável para as crianças que nascem cegas ou perdem a visão na primeira fase da infância. É o único sistema natural de leitura e escrita que permite a representação do alfabeto, além de números e simbologias científica, fonética, musicografia e informática”, diz Regina Oliveira, coordenadora de revisão da  Fundação Dorina Nowill para Cegos e membro dos conselhos Mundial e Ibero-americano do Braile.

“Vale lembrar que o braile evolui constantemente. Esse contato com a escrita também permanece em constante evolução. Mesmo com a adoção de smarphones e computadores, o braile ainda é o único meio de leitura e escrita”, comenta. “Pesquisas indicam que informações visuais correspondem a 80% do total recebido por uma pessoa. E o áudio corresponde a apenas 20%. Partindo deste princípio, o braile é o único sistema que ajuda a suprir o acesso da pessoa cega à maioria de informações visuais”, ressalta a especialista.


                    Regina Oliveira é coordenadora de revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos e membro dos conselhos Mundial e Ibero-americano do Braile. Imagem: Divulgação / Fundação Dorina Nowill
Regina Oliveira é coordenadora de revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos e membro dos conselhos Mundial e Ibero-americano do Braile. Imagem: Divulgação / Fundação Dorina Nowill

Regina Oliveira comenta que as novas tecnologias têm ajudado na própria produção em braile, com mais agilidade, quantidade e qualidade. Três páginas de um livro no sistema equivalem a uma página do impresso. Por isso, a produção digital é uma alternativa, com leitura em telas especiais, equipamentos ainda muito caros no Brasil, mas que começam a ser mais comuns e acessíveis em países como Estados Unidos, Espanha e Japão.

“Encontramos uma grande oferta de títulos disponíveis em livros digitais acessíveis. Muita gente que gosta desse formato, que é complementar e amplia o acesso à informação e à cultura. Isso é saudável e deve ser uma escolha individual, não uma imposição por falta de opções”, defende a coordenadora.

“Muita gente reclama da falta de livros em braile. São pessoas que também gostam de ler, de folhear o livro. Defendemos o mesmo direito de uma pessoa que enxerga e pode pegar o livro na mão”, afirma.

NOVOS DESAFIOS – Regina Oliveira destaca como positiva a regulamentação de programas e leis federais, como a Lei Brasileira da Inclusão da Pessoa com Deficiência (nº 13.146/2015), mas ressalta que os desafios passam pela aplicação desse direito na prática.

“Toda criança cega tem de ser alfabetizada e de ter acesso a livros didáticos em braile. Ainda não é a realidade. Pedidos de materiais didáticos em braile chegam nas gráficas perto do início do ano letivo, o que compromete o acesso no primeiro dia de aula”, comenta.

Em restaurantes, explica a coordenadora, a presença de cardápio em braile possibilita a independência. Sinalizações nos museus ajudam a pessoa cega a fazer o passeio, ver e entender a obra livremente. Ter um acompanhante pode impede o aprendizado da grafia de uma determinada palavra ou elimina o contato direto e expressão de uma opinião.

A comunicação em braile confere ainda autonomia para que a pessoa cega possa administrar medicamentos e dosagens recomendados, ou garante privacidade para conferir a fatura de cartão de crédito ou valores cobrados nas contas de água e luz. “Braile vai além dos livros, considera também embalagens, cardápios, catálogos e até sinalizações”, diz.

“Pais de crianças cegas precisam se conscientizar de que, sem o braile, seus filhos serão eternamente analfabetos. Eles até podem crescer falando um português impecável, que aprenderam com os áudios, mas ficam afastados da escrita”, completa Regina Oliveira.

Louis Braille criou o método na França. José Alvares de Azevedo implementou o sistema no Brasil. Imagem: Reprodução
Louis Braille criou o método na França. José Alvares de Azevedo implementou o sistema no Brasil. Imagem: Reprodução

Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 6.562.910 cidadãos com deficiência visual severa (506.377 cegos e 6.056.533 com baixa visão). O senso também registrou que 29.211.482 têm alguma dificuldade para enxergar. A data ‘8 de abril’ foi estabelecida em 2010 o como ‘Dia Nacional do Braile’ para celebrar o nascimento de José Álvares de Azevedo (1834, no Rio de Janeiro), primeiro professor brasileiro cego que trouxe o método para o País em 1850.

Azevedo, que nasceu cego, é o patrono da educação dos cegos no Brasil. De família abastada – era filho de Manuel Álvares de Azevedo -, foi para a França em 1844, com apenas 10 anos, para Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris (Institut National des Jeunes Aveugles), onde permaneceu por seis anos. Voltou ao Brasil em 1850 com o propósito de difundir o braile e criar uma escola para cegos. Escreveu e publicou artigos sobre as possibilidades e condições de educação para pessoas cegas.


O braile tem base na combinação de seis pontos dispostos em duas colunas e três linhas, permite a formação de 63 caracteres diferentes, que representam as letras do alfabeto, números, simbologia científica, musicográfica, fonética e informática.

Adapta-se à leitura tátil porque os seis pontos em relevo podem ser percebidos pela parte mais sensível do dedo com apenas um toque. A leitura do braile é feita da esquerda para a direita, com uma ou ambas as mãos. Algumas pessoas que conseguem ler até 200 palavras por minuto.

O Sistema Braile obedece a regras internacionais de altura do relevo e de distância entre pontos, entre linhas e entre ‘celas’, que são formadas por duas colunas de três pontos. Há combinações para a representação de letras, números, símbolos científicos, notas musicais, fonética e informática.

Pode ser utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão, mas nem toda pessoa cega lê o braile. Cada caractere pode ser percebido com apenas um toque da parte mais sensível do dedo indicador (a polpa). Também pode ser escrito à mão, utilizando uma ferramenta chamada reglete e outra chamada punção, que funcionam como caderno e caneta. A escrita manual deve ser feita da direita para a esquerda para garantir o relevo ao virar o papel que foi puncionado.

Fonte: brasil.estadao.com.br

HISTORIA DE AMOR - Mulher com câncer morre 18 horas após se casar no hospital

Christina Lee/Divulgação Instagram
22.dez.2017 - A norte-americana Heather Mosher morreu 18 horas depois de se casar no hospital
A norte-americana Heather Mosher morreu 18 horas depois de se casar no hospital

do BOL, em São Paulo - (Com informações do ABC News)..

Uma mulher que enfrentava um câncer de mama morreu 18 horas após se casar em um hospital, em Connecticut, nos EUA. Com informações do ABC News.

Heather Mosher e Dave Mosher se conheceram em uma boate e logo criaram afinidade. Ele pretendia pedi-la em casamento em dezembro de 2016, quando Heather foi diagnosticada com câncer de mama. A notícia não abalou os planos do casal."Agora mais do que nunca, eu precisava que ela soubesse que não faria isso sozinha", contou o noivo ao jornal americano ABC News.

Os planos de casamento foram feitos em meio a duas rodadas de quimioterapia e duas cirurgias. A data original do casório estava marcada para dia 30 de dezembro de 2017, mas os médicos sugeriram que fosse antecipado o quanto antes fosse possível. A cerimônia aconteceu no hospital St. Francis, no dia 22 de dezembro, na presença de amigos e parentes. Na cama e respirando por aparelhos, Heather usou peruca, anel, joias e vestido para a cerimônia.

As fotos da união foram divulgadas no Instagram da amiga fotógrafa de Heather, Christina Lee, que deixou uma mensagem de despedida: "Menos de 24 horas depois, seu espírito deixou seu corpo e ascendeu para ficar com Deus".

O funeral foi realizado na data original que os noivos pretendiam se casar. Em entrevista ao ABC News, o noivo se emocionou: "Quando você está com o seu grande amor... é como se tentassem separar seu braço do corpo, não dá. Você está conectado. Ela era minha garota."

Professora transforma vida de crianças especiais com aulas de capoeira

Caio Rodrigues/UOL
Professora Michele Correa Rodrigues (no canto à direita), durante aula de capoeira em São Leopoldo (RS)
Professora Michele Correa Rodrigues (no canto à direita), durante aula de capoeira em São Leopoldo (RS)

Luciano Nagel Colaboração para o UOL, em São Leopoldo (RS)

A cada toque do berimbau, uma gingada. Na batida do atabaque e do pandeiro, crianças, adolescentes e adultos cantam e jogam capoeira. Os passos e os ritmos são monitorados cuidadosamente pela voluntária e professora Michele Correa Rodrigues, 34.

"Fênix", como é chamada entre os capoeiristas, trabalha como voluntária há quatro anos na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) do município de São Leopoldo (RS),distante cerca de 35 km de Porto Alegre. A entidade atende mais de cem crianças portadoras de síndrome de Down, autistas e com paralisia infantil.

Ao menos duas vezes por semana, Michele dedica suas tardes com treinos especiais de capoeira, que envolvem habilidades lúdicas, aos alunos da Apae.

"A capoeira desenvolve habilidades importantes para o desenvolvimento motor da criança, além de estimular a interação social, que é uma das áreas afetadas nos alunos com autismo", explica a voluntária, que também cursa a faculdade de educação física.

A prova de que a capoeira tem beneficiado a vida do pequeno Gabriel, 4, é confirmada com orgulho pela mãe, Laura da Rosa, 33.

"Gabriel tem autismo e começou a praticar o esporte há um ano. Desde então aprendeu a ter disciplina e esperar sua vez na realização das tarefas designadas pela professora. Estou muito satisfeita com os resultados alcançados", diz Laura.

Caio Rodrigues/UOL
O garoto Kauã toca agogô

A mesma opinião é compartilhada pela mãe de Kauã, aluno autista de 8 anos. "Meu filho tinha medo de tudo, era assustado e, desde que começou a treinar, melhorou o seu comportamento.Hoje, já brinca com os amigos e interage muito mais", confirma Sandra Haubert, 41. Kauã começou a praticar capoeira em março deste ano.

Michele explica que, durante as aulas, são apresentados os instrumentos musicais utilizados na prática da capoeira, ou seja, berimbau, pandeiro, atabaque e agogô.

No entanto, alguns alunos com autismo apresentam certa sensibilidade ao som, o que acaba deixando a criança ou adolescente mais agressivo e irritado na sua forma de agir.

                       Caio Rodrigues/UOL
                          
                       A alegria de ensinar e ajudar

"Por isso, de início, apresento os instrumentos tocando um som muito leve para não os incomodar e aos pouquinhos vão se acostumando e adquirindo confiança.Também trabalho com figuras, cores e faço os movimentos dos animais dentro do jogo da capoeira", conta a voluntária.

Neste ano ela levou seus alunos para participarem da 20ª edição das Olimpíadas Especiais das Apaes do Rio Grande do Sul.O evento ocorreu durante a primeira semana de dezembro, na Ulbra (Complexo Esportivo da Universidade Luterana do Brasil), no município de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.

Das 11 modalidades esportivas, a prática da capoeira estava inserida na competição que contou com mais de 800 atletas de 205 Apaes de todo o Rio Grande do Sul. O objetivo do evento foi integrar os alunos e promover a sua inclusão na sociedade.

A professora Michele, também casada com um capoeirista, lembrou orgulhosa da classificação do primeiro lugar com sua equipe de oito alunos especiais.

"Foi muito gratificante para mim. Trabalhar com estas pessoas e ver o desenvolvimento delas a cada dia, isso é muito bom e não tem preço."

Divulgação
A turma premiada na 20ª edição das Olimpíadas Especiais das Apaes do RS.