segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Desejamos um FELIZ ANO NOVO a você e seus familiares.

A Diretoria da APNEN deseja aos nossos seguidores, leitores, amigos a você e os seus familiares, um FELIZ 2019


Fonte: APNEN NOVA ODESSA

Declaração negativa sobre pessoas de cadeira de rodas gera movimento no Twitter

"Nada mais triste do que uma pessoa bonita em uma cadeira de rodas", escreveu Ken Jennings e isso motivou cadeirantes a provarem o contrário

shutterstock
Americano diz que não há nada mais triste do que ver uma pessoa bonita em uma cadeira de rodas e pessoas reagem
Americano diz que não há nada mais triste do que ver uma pessoa bonita em uma cadeira de rodas e pessoas reagem

É comum as pessoas usarem as redes sociais para expor aquilo que pensam e muitas vezes não consideram a proporção que uma postagem pode ganhar. O autor americano Ken Jennings ‏é uma prova disso. Em 2014, ele utilizou o Twitter para expor a seguinte opinião: “Nada mais triste do que uma pessoa bonita em uma cadeira de rodas”. Quatro anos se passaram, o tweet ressurgiu e está mobilizando internautas.

A publicação motivou cadeirantes a postarem fotos de si mesmos mostrando que eles não são dignos de pena e que possuem muito amor próprio. A repercussão está sendo tanta que criaram até uma hashtag que chegou aos trending topics do Twitter neste domingo (22). Por meio da #HotPersonInAWheelchair (pessoa bonita na cadeira de rodas ) é possível encontrar fotos de pessoas que tornam essa limitação física um mero detalhe.

Orgulho de ser cadeirante

As pessoas no Twitter começaram a reagir ao comentário do americano. “Demorei muitos anos para amar e aceitar meu corpo pelo que é – sendo uma cadeirante. Eu me recuso a deixar qualquer pessoa minar o amor que sinto por mim mesma. Ninguém vai afastar minha alegria de mim. Eu sempre serei deficiente e fofa”, expõe uma jovem.


It took me so many years to love and accept my body for what it is—in a wheelchair. I wouldn’t trade it for anyone else’s. I refuse to let anyone undermine my love for myself. Don’t take that #DisabledJoy away from me. I am #disabledandcute forever. pic.twitter.com/pBwDP1FFx7

“Isso está acontecendo porque Ken Jennings se recusou a pedir desculpas por um tweet terrível que ele fez em 2014. Muitas pessoas bonitas estão usando seus dispositivos para subir essa tag orgulhosos por serem cadeirantes . É patético ele não reconhecer seu comportamento errado”, desabafa outra usuária.

                        Resultado de imagem para Being Charis

O mais impressionante é que pessoas do mundo todo estão aderindo a ideia e usando a hashtag, inclusive os brasileiros. "Um cara falou que "não existe nada mais triste que uma pessoa bonita na cadeira de rodas". Desculpa entristecer vocês com minha foto” postou uma brasileira.

Nas postagens, as pessoas estão mostrando que não é triste ver uma pessoa na cadeira de rodas . A resposta para o desagradável comentário de Jennings está sendo uma celebração da capacidade e da força das pessoas cadeirantes.


"Representatividade importa", diz cadeirante que participou do clipe de Kevinho

Para Maria Paula Vieira, a melhor parte está sendo receber mensagens de meninas que também são deficientes e estão se vendo representadas no clip

Por Larissa Bomfim

Reprodução/Youtube
O clipe 'O Bebê', de Kevinho e MC Kekel, abre espaço para debater representatividade pela participação de Maria Paula
O clipe 'O Bebê', de Kevinho e MC Kekel, abre espaço para debater representatividade pela participação de Maria Paula

Geralmente, quem aparece nos clipes de música, além do próprio artista, são mulheres que estão dentro "do padrão de beleza", e é bastante raro ver uma uma pessoa com deficiência ou uma bailarina gorda  , por exemplo. Quando Kevinho e MC Kekel lançaram o clipe em parceria da canção "O Bebê", porém, o destaque foi para a representatividade, com Maria Paula Vieira.

Na produção audiovisual, Maria Paula faz par romântico com o funkeiro e, no fim do vídeo, os dois encontram MC Kekel, que tem uma filha com deficiência na trama. Além dessas cenas, também aparecem dançarinos cadeirantes fazendo a coreografia da música — algo que está sendo bastante elogiado pelos internautas, especialmente porque levanta debates sobre a importância da representatividade e inclusão.

Em entrevista ao Delas , Maria Paula conta que foi uma experiência surpreendente. "A mídia e o meio musical são extremamente padronizados, com mulheres ditas perfeitas. Então é uma surpresa quando um artista ou um meio tão grande abre espaço para algo assim. E me encheu ainda mais de felicidade saber que a ideia partiu do próprio Kevinho."

Segundo ela, a participação em uma produção que já foi vista por mais de 5,4 milhões de pessoas em menos de dois dias foi uma conquista não apenas pessoal, mas também para muitas outras pessoas com deficiência. "Eu sempre batalhei pela inclusão, e poder ser uma das pessoas a fazer parte disso me deixou muito feliz."

Para ela, a melhor parte, por enquanto, está sendo essa grande recepção por parte do público. "Eu estou recebendo muito carinho, tanto dos meus amigos, quanto fãs do Kevinho. Mas os comentários que mais têm me feito feliz e realizada são, justamente, de meninas deficientes, fãs dele, comentando sobre ter alguém como elas ali, se verem representadas. É isso que me faz sentir orgulho desse trabalho."

Por que a representatividade é tão importante?

Reprodução/Youtube
Segundo Maria Paula, é importante falar sobre representatividade e mostrar que pessoas com deficiência são normais
Segundo Maria Paula, é importante falar sobre representatividade e mostrar que pessoas com deficiência são normais

Além de atriz, Maria Paula também é jornalista, fotógrafa e modelo. Apesar de atuar em tantas áreas, ela conta que ainda são poucos os exemplos de inclusão e representatividade que viu por aí, mas acredita que é necessário ressaltar a importância disso.

"Eu sempre lembro da novela Viver a Vida, da Rede Globo, em que a atriz Aline Moraes fez o papel de uma cadeirante. Na época, eu era adolescente e era muito difícil aceitar que eu era diferente das outras meninas, até porque muitas me excluíam na escola. Quando eu vi aquela atriz linda, sendo igual a mim, percebi que eu também poderia ser linda, ter as minhas próprias qualidades, sem me preocupar com o que a sociedade fosse dizer."

Por isso, ela afirma que o clipe de "O Bebê" está sendo muito importante, principalmente por quebrar estereótipos, como representar pessoas com deficiência sempre ligadas a histórias de superação, por exemplo. "Ali não houve nenhum exemplo de superação ou capacitismo. Mostrou uma jovem normal, saindo com seu namorado, curtindo a vida."

Algumas das cenas mostradas no clipe, entretanto, abordam problemas do cotidiano de uma pessoa com deficiência que necessita da cadeira de rodas para locomoção, como não conseguir pegar um ônibus porque o veículo não está adaptado.

"Existe uma crítica na questão de acessibilidade, mas isso é realmente necessário ser mostrado, é necessário se falar da dificuldade que ainda se enfrenta por ter um país desestruturado. É justamente isso que a mídia precisa fazer, mostrar a vida normal, criticar o necessário, mas sem colocar o ar de piedade. Até porque somos pessoas normais, com dias bons e ruins, alegrias e tristezas, como qualquer pessoa", complementa.

Para a atriz, é a partir desses espaços que são abertos que as pessoas "fora do padrão" começam a se enxergar. "Representatividade importa muito, é necessário que a criança ou a jovem deficiente, negra, surda, se veja na mídia, lembre que ela existe, que é aceita, que existem muitas pessoas como ela e que ela não precisa seguir um padrão, pois ela é linda, especial, como qualquer pessoa pode ser."

Da mesma forma, é através dessa mesma representação que a sociedade também passa a ver essas pessoas com outros olhos. "É de extrema importância que a sociedade também enxergue que existem pessoas de inúmeros jeitos diferentes, que têm uma vida normal, que merecem ter seu espaço e não serem excluídas. Quanto mais a mídia abrir esse espaço, colocar as diferenças em pauta, com a informação, muita coisa tende a ser melhor, a mudar, a evoluirmos."

Representatividade, preconceito e empatia

Reprodução/Youtube
Apesar de existir um debate sobre representatividade, ainda há preconceito quando assunto é pessoas com deficiência
Apesar de existir um debate sobre representatividade, ainda há preconceito quando assunto é pessoas com deficiência

De acordo com Maria Paula, essa visibilidade e representatividade é o que gera mais empatia entre as pessoas porque existem, sim, muitas dificuldades. "Sempre passo dificuldade nas ruas mal estruturadas, cheias de buracos, a dificuldade de achar banheiros acessíveis em locais públicos, fora a dificuldade de ter restaurantes e bares totalmente adaptados."

"Falta muita estrutura ainda para existir real acessibilidade no nosso país, tem muito projeto para ser feito para melhorar e realmente conseguirmos exercer nosso direito de ir e vir em qualquer lugar", afirma.

Entretanto, ela acredita que também há ainda mais preconceito. "É um preconceito velado. Existe muito capacitismo em relação à pessoa com deficiência, ainda somos muito tratados como incapazes. Acham que não podemos trabalhar, frequentar escola, uma universidade, de amar, de ter relações sexuais... E quando fazemos algo comum, somos exemplo de superação, mas na verdade só estamos seguindo uma vida normal, como qualquer pessoa."

É por motivos como esses que uma produção como a de Kevinho e MC Kekel merece a visibilidade que está tendo. "É sobre como é importante ver essa representatividade e de uma forma positiva, sem os estereótipos que tanto nos é colocado. Significa validar a existência, lembrar que somos importantes, é sobre empoderamento. Quando vivemos em uma sociedade cheia de julgamento, é necessário dar espaço e voz na mídia para todos", finaliza.

Mecânico é preso por maus-tratos após agredir homem com síndrome de down em RO

Vítima foi agredida com chutes, socos e empurrões. Testemunha informou que suspeito iniciou as agressões após não encontrar cerveja na geladeira de casa.

Por G1 RO

Homem foi conduzido à Central de Flagrantes de Porto Velho — Foto: Toni Francis/G1
Homem foi conduzido à Central de Flagrantes de Porto Velho — Foto: Toni Francis/G1

Um mecânico, de 50 anos, foi preso na noite do último sábado (29) depois de agredir um jovem com síndrome de down. A ocorrência de maus tratos foi registrada na Central de Flagrantes de Porto Velho.

De acordo com a Polícia Militar (PM), uma guarnição foi chamada a uma residência no bairro Nova Esperança, Zona Norte da capital, e em contato com a dona da casa, uma mulher de 58 anos, recebeu a informação de que o marido dela havia agredido um homem, de 31 anos, com síndrome de down.

Segundo o relato da mulher, o suspeito chegou na casa após ter ingerido bebida alcoolica e procurou cerveja na geladeira. Ao não encontrar a bebida, passou a quebrar objetos dentro da casa. Nesse momento, a vítima teria pedido para o homem parar de quebrar as coisas, e então foi agredida com chutes, socos e empurrões.

As agressões só cessaram quando a mulher interviu, sendo xingada pelo marido. Com a chegada da polícia o suspeito recebeu voz de prisão, e antes de ser encaminhado à Central de Flagrantes da cidade, ainda ameaçou os moradores da residência.

Fonte: g1.globo.com

Sem material em braille, irmãos com deficiência visual contam com ajuda de colegas para cursar letras no interior do CE

Marcos Lavor e Edilândia Lavor cursam estudam em Iguatu, mas faculdade não dispõe de material em braille.

Por G1 CE e Honório Barbosa

Irmãos cearenses Marcos e Edilândia Lavor, com deficiência visual congênita, enfrentam dificuldades para se formar em Letras, no interior do Ceará. — Foto: Honório Barbosa
Irmãos cearenses Marcos e Edilândia Lavor, com deficiência visual congênita, enfrentam dificuldades para se formar em Letras, no interior do Ceará. — Foto: Honório Barbosa

Em uma moradia simples de Malhada Limpa, localidade distante 30 km de Iguatu, no interior do Ceará, os irmãos Marcos Lavor, 20 anos, e Edilândia Lavor, 23 anos, ambos com deficiência visual congênita, enfrentam obstáculos físicos e sociais para alcançar o sonho de se tornar professores de português. Os dois cursam letras e, com a falta de materiais didáticos em braille, acessam o conteúdo digitalizado pelos colegas bolsistas por meio de um sistema de leitura implantado em seus computadores pessoais.

Da localidade onde vivem, no distrito de José de Alencar, até a Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Iguatu (Fecli), unidade de ensino da Universidade Estadual do Ceará (Uece), os irmãos percorrem 60 km todos os dias, em um ônibus escolar. A mudança para o centro urbano é impossibilitada pelas condições financeiras da família, sustentada à base de agricultura e da criação de alguns animais, quando a chuva ajuda.

"Aqui a gente tem o apoio e o aconchego da família", define Edilândia.

Falta acessibilidade

O que sobra em suporte familiar aos irmãos, falta na educação formal a que têm acesso, ainda hoje em condição de ouvintes, por falta de material didático em braille. Atualmente, Marcos e Edilândia cursam o segundo e quinto semestres de Letras, respectivamente. No entanto, na faculdade não há impressora, nem textos e livros em braille, dificultando o acesso ao conteúdo das disciplinas.

As condições estruturais do lugar também não respeitam as limitações impostas pela deficiência visual dos universitários, que precisam superar ainda a falta de sinalização no piso, e contar, mais uma vez, com a ajuda dos colegas para se locomover.

Graças ao avanço tecnológico e à chegada de sinal de internet na zona rural onde vivem, Marcos e Edilândia estudam de casa, fazem os trabalhos acadêmicos, participam de atividade em grupo e estudo coletivo à distância.

"Se não fosse a internet, seria impossível, não tínhamos como continuar estudando e morando aqui no sítio com a família", reforça Marcos.

Com o material digitalizado pelos colegas bolsistas, eles conseguem ouvir o conteúdo das disciplinas por meio do sistema implantado nos computadores, em casa. "Se houvesse textos (em braille) com os conteúdos das disciplinas, a gente teria melhores condições de estudo”, pontuam.

Alfabetização

Marcos e Edilândia estudaram até os oito anos na zona rural, na condição de ouvintes. "A gente estava na escola, mas não era estudante realmente. Não participava das atividades", lembra Edilândia.

A alfabetização em braille foi possível em Iguatu, na Escola Carlos de Gouvêa, em uma sala de inclusão, da Educação Especial. Concluíram o Ensino Fundamental e, depois, foram para o Liceu de Iguatu, onde terminaram o Ensino Médio.

O próximo passo foi enfrentar o vestibular da Uece e, cada um a seu tempo, conseguir aprovação para o curso de Letras.

Com a experiência de superação, os dois sonham em se tornar professores de português em uma sala de ensino regular. "A gente quer ensinar em uma sala regular, e não apenas para cegos", confirma Edilândia. “Fomos criados normalmente e isso nos ajudou bastante a ter força e motivação para superar as dificuldades", conclui.

Fonte: g1.globo.com

Apesar de leis, acessibilidade não é realidade em muitos condomínios

Dificuldade é ainda maior em prédios antigos que dependem de adaptações

O Globo

Normas asseguram o direito de acesso digno a áreas de circulação e moradia Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
Normas asseguram o direito de acesso digno a áreas de circulação e moradia Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo

RIO - Um ano se passou desde a entrada em vigor da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), e as pessoas com os diferentes tipo de deficiência ainda enfrentam muitos desafios no que diz respeito à habitação, um dos tópicos abordados no texto. Se os prédios novos e os equipamentos públicos estão cada vez mais adequados, os condomínios residenciais antigos, que correspondem à maioria das habitações, ainda caminham a passos lentos em direção a uma arquitetura mais inclusiva.

Cadeirante desde 2000, o economista Maurice Steiger vivencia situações indesejadas. Um deles aconteceu quando comprou o apartamento onde mora, na Barra. Ele adquiriu o imóvel na planta há quatro anos, após verificar que o projeto previa acessibilidade nas áreas comuns. Mas quando chegou a hora de pegar as chaves, a situação era outra.

— A área de circulação estava cheia de degraus. Busquei os responsáveis e disseram que nada poderia ser feito porque o projeto havia sido aprovado daquele jeito. Então, levei a questão aos outros moradores e mostrei que, se não fosse resolvido, o condomínio teria que arcar com os custos da adaptação posterior. Consegui, dessa forma, mobilizar a todos e forçamos a construtora a cumprir o prometido — conta ele.

Enquanto isso, no prédio da namorada de Steiger, em Ipanema, a luta é por uma portaria acessível para cadeirantes, para que ele possa acessar o endereço com conforto e segurança. Há um ano ela tenta aprovar uma intervenção do gênero junto aos outros condôminos, mas até agora não obteve êxito.

— Quando vou visitá-la, tenho que descer da cadeira e subir me arrastando pelos degraus. É muito constrangedor — relata Steiger.

A lista de aborrecimentos aumentou ainda mais quando ele e a namorada resolveram buscar um novo apartamento, onde planejam morar juntos.

— Já fui a um prédio que era descrito como acessível e isso significava entrar no endereço pela garagem junto com os carros. Também precisamos lidar com o despreparo dos corretores. Já fui visitar imóveis nos quais eu não tinha como entrar, e só descobri isso quando cheguei diante da porta do edifício — lamenta ele.

LEIS LOCAIS PREVALECEM

Segundo o integrante da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-Rio, Antônio Ricardo Correa, a LBI simboliza um marco social com a consolidação de todas as leis existentes sobre acessibilidade no país. Porém, quase todas as regras de construção são municipais, já que a Constituição Federal estabeleceu que cada cidade deve definir as regras urbanísticas e seus respectivos códigos de obra. Por isso, é fundamental que cada local crie, adapte e aperfeiçoe a sua própria legislação.

Ele explica que, no Rio, não se aprova qualquer projeto de construção sem o cumprimento de determinações de acessibilidade que envolvem, principalmente, regras sobre escada, áreas de circulação, tamanho das vagas de garagem, disposição dos elevadores, guaritas, acessos às garagens.

— Mas como uma legislação não pode retroagir para prejudicar quem já exerceu o seu direito, como no caso de edifícios construídos antes das determinações vigentes, a legislação estabelece regras mais brandas para esses casos. Com isso, a aplicação de parte das leis de acessibilidade se torna obrigatória apenas nas obras de reforma, como ampliação e mudança de uso — observa o advogado.

Para o presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-Rio), Cláudio Hermolin, ainda vai demorar alguns anos até que as determinações da LBI e outras normas sejam sentidas de maneira prática.

— Como o ciclo de produção do mercado imobiliário é muito longo, alterações neste sentido só começam a ter os seus resultados observados depois de cerca de três anos — prevê ele.

Ainda assim, ele acredita que a abordagem poderia ser mais eficiente. Seria o caso, por exemplo, de oferecer incentivos aos condomínios mais antigos para que busquem as adaptações.

— Essas obras, muitas vezes, são complexas e caras, já que reformar é mais difícil do que construir do zero. Para amenizar, poderiam ser oferecidos descontos em impostos como o IPTU para quem promove as mudanças — sugere ele.

Enquanto isso não acontece, quem precisa desses recursos acaba à mercê da boa vontade dos administradores. Como afirma Ricardo Gonzalez, diretor do Instituto Novo Ser, dedicado a pessoas com deficiência, ainda é muito difícil encontrar um prédio antigo adequado a todos os públicos.

O mais comum, segundo ele, é que os responsáveis façam as alterações apenas quando surge uma demanda específica. E ainda há o entrave de fazerem inadequadamente, como rampas com inclinações incorretas.

— Não há motivo algum para isso. A gente entende que a acessibilidade não é só para quem tem deficiência. Trata-se do conceito de um desenho universal, que também atenda a gestantes, idosos e obesos. Os administradores não podem ter esse comodismo de esperar a solicitação. Já imaginou o transtorno que é verificar se conseguiremos acessar todos os lugares que desejamos visitar? — questiona ele.

DIFICULDADES DENTRO DE CASA

Além das áreas comuns, também há as adaptações internas. Cadeirante desde 1997, a coordenadora da Seleção Brasileira de Ginástica Artística Feminina, Georgette Vidor, já chegou a gastar R$ 106 mil para a adequação de um apartamento em Correas, Petrópolis, que incluiu a instalação de um elevador interno, já que era um duplex. Segundo ela, um cadeirante que mora em um apartamento de 100m² precisa desembolsar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil para fazer as intervenções mais simples.

O problema é que as alterações nem sempre são possíveis. No imóvel onde reside no Rio, por exemplo, ela não conseguiu ajustar todos os cômodos. Em função disso, há uma suíte e um banheiro que ela não pode acessar dentro da própria casa. Para evitar situações como essa, ela defende que as construtoras se antecipem a estas questões.

— Um caso clássico é a largura das portas. Não consigo entender porque ainda mantêm medidas tão estreitas que inviabilizam a passagem de uma cadeira de rodas em alguns cômodos — ilustra ela.

Para demonstrar a profundidade do problema, o conselheiro Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência Andrei Bastos lembra que minar esses empecilhos passa também pela formação dos profissionais que atuam na construção, como engenheiros e arquitetos.

— As universidades precisam adotar este tema como disciplina obrigatória para que mais profissionais cheguem ao mercado com essa consciência — defende ele. — Afinal, se a acessibilidade é incorporada no momento do projeto, isso não implica em nenhum gasto extra. Trata-se apenas de fazer a coisa da maneira certa.

A CRONOLOGIA DAS PRINCIPAIS LEIS

1987: A primeira lei de acessibilidade editada pelo município do Rio é a de número 1.174, que dispõe sobre a obrigatoriedade de construção de rampas de acesso a elevadores para deficientes em edificações.

2000: No âmbito federal, foi promulgada neste ano a lei 10.098, com intuito de que ar a construção, ampliação ou reforma de edifícios destinados ao uso coletivo, para que sejam executadas de modo que sejam ou se tornem acessíveis.

2001: Neste ano, foi editada a Lei Municipal 3.311, prevendo a obrigatoriedade de condomínios residenciais implantarem adaptações, de natureza ambiental ou arquitetônica, que possibilitem acessibilidade às partes comuns e de serviços, bem como à moradia de pessoas com deficiência.

2016: A Lei Brasileira de Inclusão que entrou em vigor no passado reserva o Capítulo V para tratar do direito à moradia digna para as pessoas com deficiência. Entre as novidades, o poder público se comprometeu a dar prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria aos deficientes nos programas habitacionais.


Passageiros reclamam precariedade e falta de acessibilidade em ônibus de Niterói

Cadeirante não consegue embarcar usando elevador em três tentativas

Lívia Neder

Tentativa frustrada. O servidor público Álvaro Eduardo Salgado tenta embarcar em ônibus da linha 66: três tentativas sem sucesso
Foto: Pedro_Teixeira / Pedro Teixeira
Tentativa frustrada. O servidor público Álvaro Eduardo Salgado tenta embarcar em ônibus da linha 66: três tentativas sem sucesso Foto: Pedro_Teixeira / Pedro Teixeira

NITERÓI — Apesar de a prefeitura garantir que mais de 90% dos ônibus das linhas municipais foram renovados e contam com equipamentos de fácil acesso para cadeirantes, a realidade vai na contramão da informação. Algumas linhas, principalmente as que circulam pela Zona Norte, estão longe disso, segundo os usuários.

O GLOBO-Niterói convidou o técnico em atividade judiciária Álvaro Eduardo Salgado, que é cadeirante, para testar a acessibilidade desses ônibus. Em três tentativas de embarque na linha 66, todas foram frustradas. Na primeira, o ônibus não tinha elevador, e nas outras duas, os elevadores estavam enguiçados, segundo os motoristas.

— Quando os motoristas alegam que os elevadores estão com defeito, nunca temos certeza se é verdade ou má vontade porque essa é uma prática comum entre eles. Existem quatro tipos de elevadores nos ônibus de Niterói. Dois são melhores, e os outros são péssimos para o embarque. Além da falta de conservação há falta de habilidade dos motoristas, que deveriam ser treinados — pondera Salgado.

Sempre lotados

Moradora do Fonseca, a gerente comercial Tatiane Brandão revela que a precariedade das linhas 42 e 66, que fazem o trajeto Barreto-Icaraí, destoa de linhas que circulam em outros bairros.

— Quando preciso dessas linhas, é um sufoco. Ônibus lotados e caindo aos pedaços. Muitas vezes sem ar- condicionado, alguns têm até bancos quebrados. É triste porque em outros pontos da cidade, como a Zona Sul, os ônibus estão ótimos. Até no transporte público há desigualdade social clara — lamenta.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Estado do Rio de Janeiro (Setrej), a Expresso Barreto, que opera as linhas 42 e 66, foi comprada há menos de um ano pela Viação Brasília, e há um plano de investimento em andamento. “Esperamos que os problemas existentes estejam sanados o quanto antes”, diz o Setrej, em nota.

A prefeitura não informou quais são as principais empresas de ônibus alvo de denúncias e multas. Diz em nota que a Coordenadoria municipal de Acessibilidade e a NitTrans têm realizado ações conjuntas de fiscalizações para verificar se os elevadores para cadeirantes funcionam e se os motoristas estão familiarizados com o uso do equipamento.

“Na última delas, no terminal rodoviário, seis ônibus foram multados e retirados de circulação por falhas pontuais nos equipamentos”, diz a nota.

A prefeitura ressalta que reclamações sobre problemas no funcionamento dos ônibus podem ser feitas pelos telefones da Subsecretaria Municipal de Transportes (2710-1134) e da ouvidoria municipal (3523-8404) ou por meio da plataforma Colab.re.

Festival estimula convivência entre pessoas com e sem deficiência

Cidade das Artes vai ter festa pelo dia da luta pela inclusão, mas ainda há o que melhorar em acessibilidade na região

Lucas Abreu

A turma de alunos de dança cigana com Síndrome de Down da é uma das atrações do evento Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
A turma de alunos de dança cigana com Síndrome de Down da é uma das atrações do evento Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

RIO — Amanhã é o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, e, se ainda há muito o que fazer pela inclusão delas, algumas iniciativas com esse objetivo já estão em curso. É o caso do festival O que Move Você, que ocupará a Cidade das Artes no domingo, e vai reunir grupos de dança, shows musicais, números de humor e samba.

—Queríamos marcar a data, e a ideia veio do Caio Leitão, da escola de samba Embaixadores da Alegria — conta Bel Kutner, diretora artística da Cidade das Artes, referindo-se a um dos criadores da agremiação que reúne portadores de nanismo e pessoas com outras deficiências.

Fundada há 13 anos, a Embaixadores da Alegria desfila anualmente na Marquês de Sapucaí. Dias antes do carnaval, arrasta o público pelas ruas do Engenho de Dentro.

— A Embaixadores da Alegria é uma iniciativa que transforma o carnaval em inclusão. Já beneficiou mais de 15 mil pessoas, e aproximadamente duas mil por ano se envolvem nas nossas atividades e nos desfiles — conta Caio Leitão.

Segundo ele, a ideia de fazer o festival O Que Move Você começou com a música “Faz o mundo rodar”, da banda Whipallas. A letra fala sobre motivação e desejo de ir mais longe, características que, segundo o guitarrista e vocalista Pedro Lenz, todos têm. O grupo se apresentará no evento, quando será filmado o clipe da música, sob a direção de Rogério Gomes.

O mestre-sala e a porta-bandeira da Embaixadores da Alegria Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
O mestre-sala e a porta-bandeira da Embaixadores da Alegria Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

O festival começará às 10h, com atividades como leituras de histórias, performances e oficinas de arte, destinadas a pessoas com e sem deficiência. Ainda estão na programação uma apresentação do humorista Gigante Leo e show do tecladista cego Luis Otávio.

O evento também terá apresentações de uma turma de dança cigana cujos integrantes são pessoas com síndrome de Down; da Pulsar, companhia de dança formada por bailarinos com e sem deficiência; e da Carioca Sobre Rodas, projeto que ensina dança de salão para cadeirantes. E uma peça de teatro com jovens atendidos pelo Instituto Priorit, especializado em atividades para crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista. A ONG One by One, que atende crianças de baixa renda com necessidades especiais, vai comandar atividades na Sala de Leitura.

Uma das grandes atrações do evento será a remontagem da exposição com dez cadeiras de rodas customizadas, a Wheelchair Parade, vista por mais de um milhão de pessoas durante a Olimpíada do Rio.

Personalidades vão ancorar as atividades: Daniele Suzuki, Paolla Oliveira, Eriberto Leão, Arnando Cezar Coelho, Marcelo Serrado e Cris Vianna confirmaram participação. O campeão paralímpico Clodoaldo Silva também estará lá, contando sua experiência.

A Embaixadores da Alegria entrará em cena no fim da tarde, para encerrar o evento com samba. À frente da bateria virá a pioneira Fernanda Honorato, primeira rainha de bateria e primeira repórter de TV com síndrome de Down do país.

— A Embaixadores me abriu muitas portas, me proporcionou muitas oportunidades e autonomia — diz ela.

A advogada Lú Rufino, de 43 anos, porta-bandeira da escola, sente o mesmo: ela teve poliomelite na infância e conviveu com dificuldades motoras por toda a vida, até que, em 2014, o quadro se agravou:

— Quando eu perdi o movimento da perna direita, tive que decidir o que eu queria ser, e minhas opções eram ser triste ou ser sambista. Escolhi ser feliz.

OS PERCALÇOS PARA VIVER A CIDADE

Há outros bons exemplos de inclusão na região. Um deles é o projeto Praia Para Todos, do Instituto Novo Ser, que desde 2008 disponibiliza profissionais e equipamentos para que pessoas com deficiência possam tomar banho de mar e praticar esportes nas praias da Barra e de Copacabana.

Renata e Cristiano Azevedo acham importante que o filho Heitor frequente espaços públicos Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Renata e Cristiano Azevedo acham importante que o filho Heitor frequente espaços públicos Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Segundo Ricardo Gonzalez, criador do projeto e cadeirante, o Praia Para Todos já atendeu mais de 6.600 pessoas, mas só funciona de dezembro a abril, devido à escassez de recursos.

— Gostaríamos de manter o projeto por pelo menos mais cinco meses, mas precisaríamos dobrar o nosso orçamento para isso — conta.

Tida como o mais democrático espaço de lazer dos cariocas, a praia, aliás, não é tão inclusiva, atesta o surfista e músico André Melo de Souza, cadeirante.

— São pouquíssimos os acessos adequados. Eu moro em frente à praia, mas, quando quero ir para a areia, preciso da ajuda dos meus amigos — diz ele.

Souza elogia a acessibilidade dos shoppings, e diz que sua rotina ficou mais fácil com a chegada de BRT e metrô à região. Mas ainda há problemas, frisa:

—As estações do BRT são acessíveis, mas o equipamento de fixação da cadeira nos ônibus está sempre quebrado. Tenho que ficar atento para viajar em segurança.

André Melo de Souza elogia a acessibilidade dos shoppings Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
André Melo de Souza elogia a acessibilidade dos shoppings Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Procurado, o Consórcio BRT lembra que representa 16 empresas, cada uma com um padrão de manutenção diferente, o que, no entanto, "não é uma justificativa para que um equipamento fundamental para o exercício dos direitos das pessoas com deficiência não esteja em pleno funcionamento". Por isso, a partir do relato de Souza, promete fazer uma inspeção rigorosa nos equipamentos de fixação das cadeiras dos ônibus.

Pais de Heitor, de 6 anos, que nasceu com mielomeningocele e não tem movimento nas pernas, Renata e Cristiano Azeredo também elogiam as condições dos shoppings da região. E frisam que fazem questão de levar o menino a espaços públicos, apesar das dificuldades encontradas em muitos deles.

— A gente entende que ele precisa ser visto pelas pessoas, porque só assim vão começar a pensar uma cidade com maior acessibilidade — diz Azeredo.


domingo, 30 de dezembro de 2018

Jovem surdo aprende a dançar sentindo apenas as vibrações das músicas em RO - Veja o vídeo

“Sou muito feliz dançando e não vou parar. Não deixarei que a surdez acabe com meu sonho”, explica Mateus.

Por Fabiano do Carmo, G1 Guajará-Mirim e Região

Resultado de imagem para Jovem surdo consegue dançar apenas sentindo as vibrações das músicas em RO
Jovem surdo consegue dançar apenas sentindo as vibrações das músicas em RO

Algumas pessoas, mesmo podendo ouvir, sentem dificuldades para entrar no ritmo, mas Mateus Ribeiro Mendes, de 23 anos, morador de Guajará-Mirim (RO) é surdo e isso não o impede de fazer arte com os movimentos do corpo, pois ele sente as vibrações das músicas.

Clique AQUI para ver o vídeo

“Sinto as batidas dos instrumentos, o meu corpo sente a vibração da música e fica mais ou menos fácil para dançar”, explica Mateus Ribeiro.

Sonhando em ser reconhecido no mundo artístico da dança, ele passa horas ensaiando e assistindo vídeos de coregrafias na internet para realizar as apresentações em escolas e eventos particulares. Recentemente participou da 8ª edição do "Festin-açu", o único festival internacional de teatro no estado de Rondônia.

Além de dançar em espaços públicos, ele grava vídeos de piadas em libras e em seguida publica em redes sociais para que outros surdos possam assistir.

Mateus sentindo a música durante apresentação  — Foto: Fabiano do Carmo/ G1
Mateus sentindo a música durante apresentação — Foto: Fabiano do Carmo/ G1

Segundo Mateus os primeiros passos não foram fáceis, pois não tinha muita sensibilidade para sentir alguns tipos de vibrações. Com o passar do tempo e longas horas de ensaio conseguiu desenvolver a capacidade de diferenciar os ritmos através do contato das ondas sonoras com seu corpo.

O que chama a atenção do público é a sincronia de Mateus com a música. Quem assiste uma apresentação dele fica impressionado com a sensibilidade em sentir e interpretar perfeitamente a letra e o ritmo das canções.

“Antes das apresentações vejo muitos vídeos e treino bastante. O volume tem que ser sempre no máximo para eu sentir as vibrações da música”, acrescentou.

Mateus Ribeiro durante apresentação em Rondônia  — Foto: Fabiano do Carmo/ G1
Mateus Ribeiro durante apresentação em Rondônia — Foto: Fabiano do Carmo/ G1

Como surgiu o interesse pela dança?

Foi por volta dos 9 anos de idade que a dança começou a fazer parte da vida dele. Ao assistir apresentações na televisão Mateus começou a notar que as pessoas faziam gestos e passos de acordo com cada tipo de vibração.

Foi então que ele descobriu que era possível dançar com o auxílio das vibrações produzidas pelo som. Ele explica que a partir disso começou a ter vontade de se apresentar em público. Em 2009 aconteceu um evento na escola em que estudava, era dia das mães e ele decidiu fazer uma homenagem com uma música do Michael Jackson.

Deste então Mateus passou a receber convites para se apresentar em arraiais, em escolas e convidado para dançar em outros municípios de Rondônia e na Bolívia. Com um repertório eclético ele dança músicas que vão de Calypso a Beyoncé.

Para aprender uma nova coreografia o primeiro passo é assistir vídeos e começar a memorizá-los.

Surdez

A avó do Mateus, Maria Dilce, contou ao G1 que ele nasceu ouvinte, mas antes completar um ano de idade contraiu malária. Durante o período de internação Mateus começou a perder a sensibilidade auditiva e pouco tempo depois ficou surdo.

“Eu sou surdo e sou muito feliz dançando, não vou parar de dançar. Não posso deixar que isso [surdez] acabe com meu sonho que é ser reconhecido no mundo artístico da dança”, expôs Mateus.

Fonte: g1.globo.com

Em quatro anos, mais de 7 mil deficientes auditivos voltaram a ouvir no Acre - Veja o vídeo

Dados são do Programa Saúde Auditiva, desenvolvido pela Saúde do Acre. Programa iniciou em 2014 e desde então, tem trazido novos momentos para os pacientes.

Por Marcelo Pereira, Jornal do Acre 1ª edição — Rio Branco

Resultado de imagem para No AC, programa ajuda pacientes com problemas auditivos
No AC, programa ajuda pacientes com problemas auditivos

Dados do Programa Saúde Auditiva mostram que mais de 7 mil deficientes auditivos voltaram a ouvir no Acre nos últimos quatro anos. O programa iniciou em 2014 e, desde então, leva novos momentos para os pacientes.

Clique AQUI para ver o vídeo

A idosa Maria da Glória, de 81 anos, é costureira há pelo menos 60 anos e perdeu parte da audição do ouvido esquerdo depois de sofrer um acidente com um telefone. Após passar por uma cirurgia para correção, ela acabou perdendo também a audição do ouvido direito após uma limpeza.

“Foram fazer uma limpeza que estava com inflamação e adquiri uma bactéria. Passou a noite toda mexendo dentro do meu ouvido, no dia seguinte não ouvia nada e tinha uma bola de sangue”, relembrou.

Pacientes voltam a ouvir por meio de um aparelho de amplificação  — Foto: Reprodução
Pacientes voltam a ouvir por meio de um aparelho de amplificação — Foto: Reprodução

Para a fonoaudióloga Indira Viana, quando uma pessoa volta a ouvir não é simplesmente recuperar a capacidade de escutar, de apreciar uma música ou até compreender o que os outros estão falando, mas sim a realização de um sonho, que foi o caso de Maria da Glória.

Os pacientes voltaram a ouvir graças a adaptação de aparelho de amplificação por meio do programa, desenvolvido pela Saúde do Acre no Hospital das Clínicas, em Rio Branco.

“Ela percebeu a importância quando começou a fazer diferença na vida dela e que conseguiu se comunicar melhor, ouvir os clientes, ouvir o barulho da máquina, ir para igreja para poder ouvir o que estavam falando. Então, se sentiu muito satisfeita porque percebeu a diferença que fez na vida dela”, disse.

Contente, Maria explica o que significa para ela voltar a ouvir bem. “Significa tudo. É maravilhoso”.

A dona de casa Maria das Dores veio para uma consulta porque reclama de zumbidos no ouvido. É feito uma avaliação para identificar se há ou não alguma irregularidade de fato na audição, mas, vai além, porque há casos que precisam de aparelho que custam de R$ 7 mil a R$ 8 mil, mas pela Saúde saem de graça.

"Pode mudar a vida de muita gente porque vem com a intenção de substituir, na medida do possível, o que a tecnologia permite. As faixas de frequência que o ouvido humano percebe a intenção e recebe a intensidade. Aquilo que o paciente perdeu ele vem com intuito de suprir", disse a profissional.

No caso da dona de casa, não vai ser necessário a utilização do aparelho auditivo. Ela diz que escuta bem, mas veio para uma prevenção. “É muito bom o atendimento, até para se precaver”, avaliou.

Maria da Glória perdeu a audição dos dois ouvidos — Foto: Reprodução
Maria da Glória perdeu a audição dos dois ouvidos — Foto: Reprodução

Teste da orelhinha

A fonoaudióloga Indira explicou a importância do teste da orelhinha. Segundo ela, problemas auditivos não são uma questão exclusiva dos adultos ou idosos, as crianças também precisam de atenção e cuidados.

"Assim que nasce é feita a triagem auditiva neonatal universal, que é dentro dos primeiros 30 dias do nascimento. É para justamente detectar precocemente a deficiência auditiva", explicou.

Foi com essa preocupação que a dona de casa Maridiane Mourão levou a filha Paloma, de apenas 22 dias, para o exame da orelhinha. “Foi rápido, não machuca e, graças a Deus, está tudo normal”, disse.

Fonte: g1.globo.com





Deficiente auditivo lança 4º livro e aborda preconceito e dificuldades em ‘Poesia de um Surdo’

Pré-lançamento do livro Poesia de um Surdo ocorre nesta quinta (13), no Centro de Multimeios, na Morada do Sol.

Por Aline Nascimento, G1 AC — Rio Branco

Livro de deficiente auditivo aborda preconceito e dificuldades enfrentadas  — Foto: Reprodução
Livro de deficiente auditivo aborda preconceito e dificuldades enfrentadas — Foto: Reprodução

"A minha surdez tem a 'cor' do teu preconceito, mas, eu sou um sujeito de alma lavada". O trecho faz parte do livro de poesias do escritor Alessandro Borges, conhecido como Poeta da Baixada.

O escritor fez um pré-lançamento da obra "Poesia de um Surdo", na manhã desta quinta-feira (13), no Centro de Multimeios, no bairro Morada do Sul, em Rio Branco.

Ao G1, Borges contou que levou cerca de um ano para terminar a obra composta de 105 poema e afirmou que o livro é uma espécie de desabafo das dificuldades enfrentadas.

“Trabalho várias temáticas no livro, como por exemplo, falo do bullying e do preconceito racial. Faço um involucro de tudo isso para que a sociedade desperte para o tema”, complementou.

Com quatro livros já publicados, o escritor contou que o trabalho é uma produção independente e que vai organizar um evento maior para lançar oficialmente o livro.

Obra levou cerca um ano para ficar pronta — Foto: Reprodução
Obra levou cerca um ano para ficar pronta — Foto: Reprodução

“Geralmente a gente vende de mão em mão, de amigo para amigo. Não costumo colocar nas livrarias do estado porque os livreiros não valorizam muito essa questão de obras acreanas. Mas, recentemente tive meu trabalho exposto na Livraria Betel e a Livraria Paim também ficou com algumas cópias", ressaltou.

Ainda segundo Borges, uma dos pontos mais abordados no livro é o preconceito. "Sabemos que, nós portadores de necessidades especiais, de certa forma, ainda somos discriminados, apesar de algumas políticas públicas voltadas para essa situação", lamentou.

Fonte: g1.globo.com

O segredo mais protegido do esporte: acidente de Schumacher completa 5 anos

Imagem: Pascal Rossignol/Reuters
Pascal Rossignol/Reuters

Do UOL, em São Paulo

Há 5 anos Michael Schumacher sofreu o acidente mais trágico de sua vida durante prática de esqui em Méribel, na França. Foi sua última aparição em público. O alemão bateu a cabeça em uma rocha, teve sérias lesões cerebrais e desde então sua real condição de saúde é o segredo mais bem guardado do esporte. 

Em uma mansão na Suíça cercada por câmeras de segurança, poucos são autorizados a entrar. O brasileiro Felipe Massa é uma das pessoas que visita o velho amigo de Ferrari, mas o que acontece por ali fica por ali. 

Há uma espécie de pacto de silêncio entre amigos, familiares e até jornalistas. A imprensa especializada em Fórmula 1 respeita a privacidade de Schumacher e não escreve ou questiona o filho Mick sobre o assunto, que é mais divulgado pelos tabloides do mundo todo.

A opção da família foi divulgar o mínimo de informações. Exemplo disso aconteceu em abril de 2014, quando os parentes divulgaram que ele tinha saído do estado de coma. Logo depois, foi divulgado por sua assessora de imprensa Sabine Khem que o ex-piloto demonstrava "momentos em que tinha consciência e que estava desperto".

Três meses depois da confirmação da saída do coma, o estafe afirmou que Schumacher tinha sido transferido do hospital que ficou desde o acidente para sua casa, na Suíça. A assessora de imprensa disse que só emitiria novos comunicados caso houvesse notícias a serem dadas, e não foram divulgadas mais informações sobre seu estado desde então.

A porta-voz explicou em 2016 que a vida privada do ídolo já era reservada e pouco divulgada antes mesmo do acidente e que os fãs entendem e respeitam. "Michael desenhou uma linha clara entre sua vida pública e privada, que sempre foi aceita pelos fãs e mídia. A decisão de proteger sua privacidade foi tomada em interesse do próprio Michael. Eu acho que esse era o desejo secreto dele. É por isso que agora eu ainda quero cumprir seus desejos e não deixar que nada saia", disse Sabine.

Enquanto os 5 anos da tragédia é lembrado, em 3 de janeiro Schumacher receberá homenagens pelos seus 50 anos. A Fórmula 1 prepara celebrações para o ídolo e a fundação Keep Fighting, da família do alemão, lançou aplicativo relembrando os feitos do heptacampeão.

Imagem: Andrej ISAKOVIC / AFP.
Andrej ISAKOVIC / AFP
Mick Schumahcer segue os passos do pai 

Filho piloto não fala sobre a situação do pai 

"Meu ídolo é meu pai, simplesmente porque ele é o melhor, é meu exemplo". A frase é o máximo que se consegue tirar sobre o assunto de Mick Schumacher em entrevistas.

Mick, de 19 anos, segue os passos do pai e estava com Michael no momento do acidente. Atualmente o filho de Schumacher é campeão da F-3 Europeia e se prepara para estrear pela Prema na temporada da F-2 do ano que vem. Assim, estará no último degrau antes da Fórmula 1. Ferrari e Mercedes demonstraram interesse em contar com o piloto em seus programas de desenvolvimento.

A privacidade da família é tão importante que quando decidiu seguir a profissão do pai, ainda no kart, Mick adotou o sobrenome da mãe, Corinna Bestch. 

Imagem: France Presse.
France Presse
Felipe Massa é um dos poucos autorizados a visitar o alemão 

O silêncio da família foi respeitado, mas alimentou "fake news" 

A família Schumacher já ganhou diversas causas judiciais, especialmente na Alemanha, contra jornais que publicaram notícias falsas a respeito de Michael. Sabe-se que apenas amigos próximos de Schumacher, como Jean Todt, Ross Brawn e Felipe Massa, costumam visitá-lo. 

Nenhum dos visitantes falam após um encontro com o alemão, mas da última vez que Todt se pronunciou, suas palavras foram interpretadas de forma a alimentar "fake news". 

"Sempre sou cuidadoso ao dizer algo. Mas é verdade que eu assisti ao GP do Brasil na Suíça com Michael", disse Todt, o presidente da FIA e ex-chefe de Schumacher na época de ouro da Ferrari, recentemente. 

Todt não disse qual era o estado de Schumacher, mas a declaração abriu caminho para uma série de reportagens. O jornal sensacionalista alemão Bild chegou a publicar que ele não estava mais acamado. As fontes de tais matérias viriam de "sua casa na Suíça", mas sem mais informações.

O mesmo jornal também publicou há pouco tempo que um arcebispo alemão "próximo do esportista" disse que ele podia "sentir as pessoas a seu redor" e que ele tinha saído do coma. Porém, a informação já tinha sido dada pela própria família em 2014.

Imagem: FIA/Getty Images.
FIA/Getty Images
Corinna, mulher do alemão, mantém a privacidade da família

Tabloides publicaram supostos valores de tratamento  

Algo que poderia indicar a real condição de saúde de Schumacher seria alguma informação sobre seu tratamento, como quais os profissionais que o assessoram e quantos são.

Vários jornais, especialmente tabloides sensacionalistas na Inglaterra, 
publicaram ao longo destes cinco anos estimativas dos custos do tratamento, mas sempre sem citar qualquer fonte. 

A última destas reportagens falava em 50 mil libras por mês (quase R$ 250 mil) e citava a revista alemã Bravo dizendo que ele será transferido em breve para os Estados Unidos para continuar o tratamento com um especialista em lesões cerebrais. Não é a primeira vez que esse rumor, nunca confirmado, circula na imprensa.

Outro rumor que surgiu em 2018 foi sobre uma mudança da família Schumacher para Mallorca, na Espanha. As autoridades da cidade negaram oficialmente a notícia. 

Imagem: AFP PHOTO JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN.
AFP PHOTO JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN
Jean Todt e Schumacher em 2004 

Ânsia por notícias de Schumacher já virou caso de polícia  Pelo menos por duas vezes, a polícia suíça investigou casos envolvendo a tentativa de disseminar informações sobre o estado de Schumacher.

A primeira aconteceu em agosto de 2014, quando um executivo responsável por uma empresa de transporte cometeu suicídio na prisão depois de ser detido por suspeita de ter roubado a ficha médica do ex-piloto e ter tentado vender as informações para veículos de mídia.

Em dezembro de 2016, a polícia investigou o caso do vazamento de fotos do piloto tiradas de dentro de sua casa e que também foram oferecidas para a mídia por R$ 5 milhões. 

Entre a falta de notícia e as lembranças 

Se por um lado a privacidade de Schumacher é respeitada, por outro, os feitos do heptacampeão de Fórmula 1 são lembrados pelo estafe. Após o acidente, uma conta no Instagram foi criada para os fãs e é alimentada com lembranças dos feitos do alemão. 

Foi o estafe que divulgou também  a última entrevista de Schumacher antes do acidente, feita em 30 de outubro de 2013, dois meses antes do acidente, quando o alemão citou Ayrton Senna como ídolo de infância. 

Um raro momento também foi protagonizado por Corinna em novembro, quando a mulher do alemão divulgou uma carta ao músico Sascha Herchebach, que compôs uma canção em homenagem ao piloto. "Todos sabemos que Michael é um lutador e não desistirá", diz trecho da carta.