sábado, 24 de fevereiro de 2018

Sem apoio, brasileiro nº1 do mundo no lançamento de dardo anuncia adeus

Aos 48 anos, o cadeirante brasileiro Jonas Licurgo já foi prata no Mundial de Londres de Atletismo classe F55. Carioca terminou 2017 como o primeiro do mundo na modalidade

Jonas Licurgo prata lançamento de dardo Mundial de Londres 2017 (Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB)
Jonas Licurgo prata lançamento de dardo Mundial de Londres 2017 (Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB)

Por GloboEsporte.com, Rio de Janeiro, RJ

Jonas Licurgo não é o primeiro e nem será o último atleta brasileiro obrigado a abandonar o esporte de alto rendimento por falta de patrocínio. Prata no Mundial de Londres em 2017, ouro no Jogos Parapan-Americanos de Toronto e bronze no Mundial de Doha, ambos em 2015, o carioca figurava, há 5 anos, entre os 3 melhores do mundo do lançamento de dardo paralímpico. Em 2016 e 2017, terminou a temporada como o primeiro.

Hoje, aos 48 anos e ainda no auge, Licurgo precisou abandonar a carreira profissional no esporte. E não por motivos naturais, como os decorrentes desgates físico e mental comuns no esporte. Muito menos por ter dedicido fazer outra coisa da vida. Jonas retirou-se das competições por falta de apoio. Em post nas redes sociais, publicado nesta quarta-feira, o atleta, claramente decepcionado, explicou que seu retorno financeiro no esporte não permitia nem ao menos que ele comprasse sua passagem de avião para os torneios:

Anuncio hoje a minha aposentadoria no esporte de alto rendimento. Quando, o que você ganha no esporte não dá mais pra comprar uma passagem de avião pra competir, não dá pra você se alimentar adequadamente, não dá pra você pagar o seu treinador, não dá pra você comprar os suplementos adequados para repor o que gasto com os treinos... então, é porque não dá mais pra continuar. 

Dei o máximo com o que eu tinha, agora, vejo que fui muito além, até mesmo das minhas expectativas. Tive uma carreira curta, porém com muito êxito... estou entre os 3 melhores atletas do mundo a 5 anos. Terminei o ano de 2016 e 2017 em 1° do Mundo, e o que que eu ganhei com isso? Absolutamente nada! A não ser dezenas de tapinhas nas costas e várias entrevistas em todas as emissoras do Brasil que não me somaram em nada. Vocês não têm noção de como estou me sentindo neste momento, sabendo que competições importantes estão por vir, e eu sem condições de competir em todas por falta de recursos. Só tenho que agradecer a todos vocês que sempre estiveram ao meu lado, sempre torceram por mim, choraram comigo e se alegraram juntos, só que não dá mais. Fica aqui, o meu muito obrigado por tudo que vcs fizeram por mim - escreveu Jonas em sua página.

Além da falta de patrocínio, Jonas ainda lida com o fato de que a sua principal prova - lançamento de dardo F55 - ainda não foi ncluída na Paralimpíada. Em 2016, no Rio, a prova para a sua classse não entrou no cronograma dos Jogos. Para Tóquio 2020, o carioca sabe que enfrentará o mesmo problema.

Jonas Licurgo é prata no Mundial paralímpico de atletismo (Foto: Marcio Rodrigues/CPB)
Jonas Licurgo é prata no Mundial paralímpico de atletismo (Foto: Marcio Rodrigues/CPB)

Na disputa pela prata em Londres, Jonas Licurgo chamou a atenção ao envolver-se em uma situação bastante curiosa. Na ocasião, o atleta já tinha feito 3 dos 6 lançamentos a que tinha direito e todas as marcas estavam bem abaixo das expectativas até então e o brasileiro mal conseguia se equilibrar na cadeira no momento das tentativas. Licurgo então se dirigiu ao árbitro pedindo para ver a lista dos atletas eliminados (os dois últimos ao fim da primeira rodada). Ao ver o nome do grego Charalampos Varytimidis, Jonas não pensou duas vezes e foi até o atleta e sua técnica, pedindo uma cadeira emprestada. Varytimidis cedeu o equipamento prontamente,  e Jonas conquistou a prata com 29.05m de marca.






Grupo 'Supermães' promove palestra gratuita sobre autismo em Tatuí

Evento será neste sábado (24), às 16h, no Lions Clube.

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Por G1 Itapetininga e Região

O grupo "Supermães", de Tatuí (SP), promoverá a palestra “Como ressignificar o autismo que chegou em minha vida?”, com a criadora do método Coaching Corpo e Mente, Wanessa Moreira. O evento será no sábado (24), às 16h, no Lions Clube de Tatuí.

A palestra é gratuita e voltada para pais, familiares, professores e cuidadores de portadores de TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Ela abordará a vida após o luto do diagnóstico, a reestruturação das emoções da família, a interação entre pais e terapeutas e o papel dos educadores.

Os interessados devem confirmar presença até esta quinta-feira (22) com Josiane, pelo telefone (15) 99661-9737. O evento conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Tatuí e do Lions Clube de Tatuí.

Fonte: g1.globo.com - Imagem Internet/Ilustrativa

Justiça bloqueia verbas de município para tratamento de paciente no Maranhão

Comarca determinou o sequestro de valores do Município de Bacabal para fins de tratamento de saúde a uma paciente com paralisia cerebral tetraplégica, epilepsia e deficiência mental.

Imagem Internet/Ilustrativa
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Por G1 MA, São Luís

A 4ª Vara da Comarca de Bacabal determinou o sequestro de valores do Município para fins de tratamento de saúde a uma paciente com paralisia cerebral tetraplégica, epilepsia e deficiência mental. Na ação, foram enumerados todos os medicamentos e parte da alimentação especial necessária, totalizando R$ 9.656,74.

De acordo com o juiz João Paulo Mello, o bloqueio de verbas públicas é medida considerada de caráter excepcional, que deve ser concedida em casos de comprovada desídia estatal e/ou reiterada omissão no fornecimento do medicamento/equipamento e de risco à saúde ou à vida do interessado.

Conforme a decisão, o Município de Bacabal demonstrou negligência no cumprimento de sua obrigação, cabendo à Justiça efetivar a decisão, nesse caso, o bloqueio de verbas públicas para obrigar o Poder Público a cumprir ordem judicial que concede medicamento, equipamento ou tratamento de saúde.

A decisão judicial informou que será expedido um alvará em nome da parte autora a ser sacado por sua representante legal assim que ocorra a transferência dos valores para conta à disposição da Justiça.

“Posteriormente, deverá ser apresentada a prestação de contas e cópia das notas fiscais referentes aos gastos arcados com os recursos dispostos, sob pena de ressarcimento dos valores e de se sujeitar às sanções cabíveis, inclusive de natureza criminal, além de revogação das liminares concedidas”, finalizou a decisão.

Fonte: g1.globo.com - Imagem Internet/Ilustrativa

Conceito de moda inclusiva vai produção de peças adaptadas a uso de modelos com deficiência

Agência e digital influencer impulsionam conceito de igualdade para todos

                                Agência O Globo / Fábio Guimarães
                                     
                                Uma das modelos da agência Becs Model

POR LUANA SOUZA* *Estagiária, sob supervisão de Virginia Honse


NITERÓI — A inclusão nunca esteve tão na moda. Etiquetas em braile, calças com design curvo para cadeirantes, aberturas e zíperes em lugares estratégicos. Estas são algumas das funcionalidades da moda inclusiva. No Brasil, cerca de 6% da população tem algum tipo de deficiência, segundo o IBGE, e as grifes estão de olho nesse mercado. Em Niterói, a Equal Moda Inclusiva foi criada por Silvana Louro com este conceito. Ela trabalha há 20 anos no segmento, sempre preocupada em mudar a situação das pessoas com deficiência que não encontram muitas opções para se produzir.

Temos vestidos, saias, blusas, casacos, calças, tanto adaptadas quanto não. O conceito é incluir. Então, não adiantaria ter roupas só para pessoas com deficiência — conta Silvana. — As roupas têm que ser funcionais, lindas e para todos. É importante democratizar cada vez mais a moda.

Um ‘look’ de sucesso

Apesar do ativismo crescente e do surgimento de grifes como a Moda Inclusiva, ainda é difícil conseguir roupas adaptadas que estejam na moda e sejam estilosas. A modelo e digital influencer niteroiense Rebeca Costa, que tem nanismo, criou um perfil no Instagram para mostrar as peças de roupas que consegue encontrar. Unindo o interesse por moda e a vontade de ajudar, Rebeca criou o Look Little.

Eu compro em lojas normais de adulto. Não acho nada inclusivo para minha deficiência. Eu faço adaptações quando dá, mas em roupas de panos mais duros, é necessário recorrer à costureira — explica Rebeca. — Todas as roupas e sapatos que eu ganho e compro, eu compartilho no Instagram. para mostrar que podemos ser o que quisermos, ainda que a moda nos exclua. Aliás, o meu interesse pela moda surgiu inspirado em minhas irmãs, que sempre se vestiram muito bem. Mas sempre foi muito difícil trocar figurinhas porque a moda não é nada inclusiva para as pessoas que fogem do padrão.

Além do seu guarda-roupa, Rebeca compartilha sua vida no Instagram. Aos poucos, a digital influencer foi começando a falar sobre autoestima e determinação. Assim, acabou atingindo vários tipos de público. Hoje, ela tem mais de 30 mil seguidores que esperam por suas fotos, dicas de estilo e alimentação e curtem sua rotina na academia e suas mensagens de apoio.

Eu influencio principalmente meninas com algum tipo de deficiência ou que sofrem bullying e depressão. Ao mesmo tempo em que as ajudo, aprendo e me ajudo também. Eu pude perceber muitos princípios e ideais lindíssimos nos seres humanos. Mas, infelizmente, ainda existe preconceito. O mundo não está preparado para o diferente. Mas como eu sempre digo, o preconceito está nos olhos de quem o enxerga e quem o vive. Eu não vivo isso. Sou definida pelos meus sonhos e conquistas.

Quem quebrou preconceitos foi Rozi Marinho. Fundadora da Becs Model, que agencia modelos há 20 anos em Niterói, começou há três, por acaso, o trabalho de inclusão por conta de um concurso de miss.

Uma menina curtiu a página do concurso, gostei do perfil dela e resolvi convidá-la para participar do concurso. Durante o bate-papo ela me disse que era deficiente auditiva, e eu falei que não havia nenhuma cláusula no regulamento que a impedisse.

Essa foi a porta de entrada para Rozi agenciar outras modelos com deficiência. Hoje já são 17 agenciados, e Rebeca é uma delas.

A Rozi conheceu meu trabalho pelo do Instagram e acreditou no meu potencial. Ela viu em mim uma mulher que a sociedade não enxerga e me fez acreditar que posso ser todos os tipos de mulheres que quero ser — afirma Rebeca.

Segundo Rozi, as marcas, hoje, estão atentas à importância da inclusão, da diversidade e da quebra de padrões de beleza:

Um bom exemplo são as modelos plus size. As pessoas com deficiências também são capazes de exercer a profissão de modelo, trabalhando sua autoestima e gerando representatividade no mercado da moda.







Ninguém é melhor do que nós. A deficiência não é uma fatalidade.

«Há os que lutam um dia e são bons, há os que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam a vida toda e esses são os imprescindíveis.»

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O objetivo da associação é mostrar a todos como integrar pessoas com deficiência.

Texto Ana Pago | Fotografias Gerardo Santos/Global Imagens

O poema de Bertolt Brecht foi inspiração para Nitucha Sousa, sempre em luta para conseguir oportunidades iguais para gente portadora de deficiência (como ela). Depois das escolas, o projeto que criou, Imprescindíveis em Ação, chega agora às empresas para mostrar como se trabalha a sério.

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A paralisia cerebral provocou 70 por cento e incapacidade motora a Nitucha Sousa. Mas isso não a detém. Criou a associação Imprescindíveis em Ação.

À noite, quando se permite parar, acontece a Nitucha Beatriz Sousa ficar muitas vezes em silêncio à janela. Devia estar cansada das frustrações, pensa a jovem animadora sociocultural de 28 anos, com setenta por cento de incapacidade motora. Cansada de levar pontapés por ter paralisia cerebral e o mundo aceitar mal as diferenças.

Ainda assim, não desejava estar noutro lugar. E hoje até foi um bom dia, agora que começou finalmente a ir às empresas promover a inclusão social e a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para os portadores de deficiência. Ninguém segura o furacão Nitucha.

«Houve um tempo em que me senti diminuída e inútil. Não me achava essencial, isso estava a definir‑me aos poucos. Considerava‑me um estorvo», diz Nitucha, que tem paralisia cerebral.

«Por muito que a minha vida seja bem mais do que a paralisia cerebral, houve um tempo em que me senti diminuída e inútil. Não me achava essencial, isso estava a definir‑me aos poucos. Considerava‑me um estorvo», diz a jovem empreendedora, familiarizada com o sentimento genérico de exclusão a que nunca se resignou.

Em 2015, terminado o curso de Animação Sociocultural no IDS – Instituto para o Desenvolvimento Social, em Lisboa, foi procurar emprego. Bateram‑lhe com porta atrás de porta na cara. A violência do embate foi de tal ordem que daria para derrubar um touro. A ela, deu‑lho e fúrias para ir à luta. Chegava de revolta a consumi‑la por dentro.

«Foi quando agarrei no trabalho que desenvolvi no meu último ano de curso e criei o projeto Imprescindíveis em Ação, com que concorri a um financiamento da Associação Salvador em 2016», conta Nitucha. De 65 candidaturas apresentadas, 23 saíram vencedoras e a dividir um prémio de cem mil euros entre elas. Uma delas era a sua.

«A missão consistia em desenvolver ações de sensibilização para a temática da deficiência em escolas, prisões, empresas.» Nunca na perspetiva do coitadinho – penas têm as aves –, mas de anunciar à sociedade que cada um encerra o seu potencial próprio, sem exceção. «Não queria que mais pessoas na minha posição passassem pelo mesmo.»

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Nas escolas, associação simula situações de mobilidade reduzida para os alunos terem consciência das limitações.

Pelo contrário, precisava de lhes mostrar que fazem falta. Dizer a todas que são fundamentais, no sentido preconizado pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht. 

«Ninguém faz o que quer que seja melhor do que nós, a deficiência não é uma fatalidade. Temos capacidades. Podemos estudar, trabalhar e realizar‑nos como qualquer um.»

Creio que a maioria de nós não está preparada para lidar com a deficiência, nem sequer está para aí virada», observa João Piedade, um dos responsáveis da empresa visitada pela Imprescindíveis em Ação.

O que nos traz de volta à igualdade de oportunidades no mercado de trabalho e ao dia – 26 de janeiro, uma estreia absoluta – em que Nitucha levou a Associação Imprescindíveis em Ação aos escritórios de Lisboa da Hi Portugal, empresa de transfers e tours turísticos.

«No meu caso é diferente, porque também tirei Animação no IDS, tenho as bases do social. Mas creio que a maioria de nós não está preparada para lidar com a deficiência, nem sequer está para aí virada», observa João Piedade, um dos responsáveis.

Tudo isto lhe mexe com os nervos: como é possível, por exemplo, alguém reparar num invisual a tentar atravessar uma estrada movimentada sem lhe dar a mão? Somos os piores cegos por não querermos ver.

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E perceberem como é possível ultrapassá-las.

«Passamos a vida fechados na nossa bolha, sempre com problemas mais importantes do que os dos outros. Acho que as pessoas precisam de lidar com um caso concreto para se interessarem», sublinha o manager da firma de transporte turístico, confiante de serem estas experiências de proximidade as que mais inspiram a mudança.

No que lhe diz respeito, não tem dúvidas de que ter conhecido a Nitucha lhe foi mais útil a ele do que a ela. «Se não soubermos o que se passa à nossa volta até podemos não ter problemas, mas também não vamos detetar oportunidades nem saberemos descobrir soluções», sublinha João Piedade, adepto da máxima que diz que parar é morrer.

«Um recluso do Estabelecimento Prisional de Caxias disse‑me que a prisão, afinal, não é a pior das limitações. Mesmo em reclusão vai lutar pelos seus sonhos. E essa é a minha mensagem: podemos ser tudo.»

Daqui em diante, à medida que esta etapa junto das empresas for ganhando forma, a ideia da Associação Imprescindíveis em Ação é colocar os trabalhadores no papel de funcionários com necessidades especiais, como têm vindo a fazer nas prisões e escolas um pouco por todo o país.

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Se for preciso vendá‑los, tolher‑lhes um pouco os movimentos, pois que seja: só assim chegarão ao final do dia cientes de que todos puderam desempenhar a respetiva função, apesar das limitações a que estiveram sujeitos. Mais importante: tê‑lo‑ão feito ultrapassando as inevitáveis barreiras nascidas do preconceito.

«Eu própria tenho consciência de que cruzar‑me com estas pessoas mudou a minha vida», reconhece Nitucha, que desde abril de 2016 já falou para trinta turmas em escolas da Grande Lisboa e correu sete estabelecimentos prisionais e centros tutelares educativos na capital.

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Nitucha já falou para trinta turmas em escolas da Grande Lisboa, foi a sete estabelecimentos prisionais e centros tuitelares educativos.

Tem sido oradora em seminários e conferências no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa), Universidade Fernando Pessoa (no Porto), Escola Superior de Saúde de Santa Maria (também no Porto), Instituto Politécnico de Castelo Branco e Universidade do Algarve (UAlg).

Ter uma «uma mãe sensacional» ajudou‑a. «A pouco e pouco deu‑me assistência para eu mexer no fogão, passar a ferro, ser independente.»

Agora, além de alargar a sensibilização às empresas, quer ainda fazer acompanhamento personalizado a quem mais precisa. «Um recluso do Estabelecimento Prisional de Caxias disse‑me que a prisão, afinal, não é a pior das limitações», diz Nitucha. «Mesmo em reclusão vai lutar pelos seus sonhos. E essa é a minha mensagem: podemos ser tudo.»

Ter uma «uma mãe sensacional» ajudou‑a a cortar o medo de uma machadada. «A pouco e pouco deu‑me assistência para eu mexer no fogão, passar a ferro, ser independente.»

Quando há coisa de 13 anos os pais foram para Angola tentar melhor vida e ela ficou com os irmãos – duas raparigas mais velhas de 33 e 31 anos, uma mais nova de 25 e o irmão com 30 –, continuou a tratar da casa como se nada fosse.

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A Hi Portugal, empresa de tours turísticos, é uma das empresas onde Nitucha esteve com a sua associação a desenvolver uma ação de formação.


«Ir de novo morar com os meus pais, confortável mas dependente, seria um retrocesso quando o que eu quero é andar para a frente»

«Muita gente diz que não gosta de viver sozinha… eu cá adoro!», ri‑se a mentora do Imprescindíveis em Ação, decidida a levar avante a sua associação, custe o que custar. Uma a uma, as irmãs partiram para Angola, para junto dos pais; o irmão está a viver na Holanda.

Ela escolheu ficar. «Ir de novo morar com os meus pais, confortável mas dependente, seria um retrocesso quando o que eu quero é andar para a frente», justifica.

Ainda há muito caminho a percorrer no sentido da inclusão social. A sociedade precisa de Nitucha. «Os problemas existem, claro que sim. Só não podemos deixar que nos limitem mais do que as nossas limitações.»

DO PIOR DOS MEDOS À MELHOR DAS REVOLTAS

Parece‑lhe que já perdeu a conta às pancadas dolorosas, mas se tivesse de eleger apenas uma seria aquela. A mais violenta de todas. A pior. «Acabei o curso em 2015 e consegui entrevista numa empresa de distribuição de publicidade», conta Nitucha, incapaz de esquecer.

Ia esperançada – precisava muito do trabalho para se orientar com os irmãos. Não supunha que a deixassem quarenta minutos à espera sem a olharem nos olhos uma vez que fosse.

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«Quando o responsável apareceu, limitou‑se a dizer que não me contratava. Perguntei porquê, se não me conhecia. Propus‑lhe trabalhar uma semana de graça, só para mostrar as minhas capacidades, e ele respondeu que não o faria por eu ser assim, uma vergonha para a empresa.» Foi a gota de água que fez transbordar.

«As pessoas mostram-se muito sensíveis, criam personagens que ficam bem na televisão, mas na prática o preconceito mantém-se igual ao que era há uns anos», diz Tiago Matos.

No espaço de um ano, Nitucha criou o Imprescindíveis em Ação, conseguiu financiamento, viu chover solicitações e transformou o que era um projeto escolar na Associação Imprescindíveis em Ação (AIA), de modo a conseguir estruturar as respostas. A equipa cresceu entretanto para sete pessoas, entre as quais Ruben Machado – professor dela no curso de Animação Sociocultural no IDS – e Tiago Matos, formado em Gestão pelo ISCTE e especialista em mentoria de projetos na área do mercado de trabalho.

No seu caso, a visão reduzida a dez por cento nunca foi entrave para nada, embora admita que a sociedade não está preparada para a deficiência. «As pessoas mostram-se muito sensíveis, criam personagens que ficam bem na televisão, mas na prática o preconceito mantém-se igual ao que era há uns anos», diz Tiago.

Ainda bem que Nitucha soube transformar o seu pior medo na melhor das revoltas.




Alana Maldonado é confirmada como judoca da Sociedade Esportiva Palmeiras

Foto: Divulgação internet
Alana Maldonado é confirmada como judoca da Sociedade Esportiva Palmeiras
Legenda: Alana Maldonado com a camisa do Palmeira e a medalha dos Jogos Paralímpicos Rio 2016

Medalhista de prata do judô paralímpico nos Jogos Rio 2016, Alana Maldonado, 22, brilha nos tatames internacionais desde 2015. De lá pra cá, a judoca subiu no pódio em todas as competições. Os resultados chamaram a atenção e despertou interesse do Palmeiras, clube que a atleta passa a representar na categoria olímpica da modalidade.

Não pense que Alana Maldonado vai abandonar o paradesporto, longe disso. A atleta continuará na Associação Mariliense de Esportes Inclusivos (AMEI), entidade filiada à CBDV, responsável pelo seu surgimento no esporte, e crê que as oportunidades que terá de participar de eventos regulares vão contribuir para o seu crescimento.

“Vamos ver o calendário paralímpico para não atrapalhar e definir quais competições eu vou participar, mas temos interesse de participar do Regional e do Inter-Regional, caso me classifique. Mas tudo vai depender do calendário paralímpico, não vou deixar que nada atrapalhe. Pelo contrário, vou pegar mais ritmo de competição, vai ser algo que vem pra somar”, disse a atleta.

A oportunidade de ser atleta do Palmeiras veio por intermédio do seu técnico na AMEI, Denílson Lourenço, que trabalha há um ano no Verdão. Segundo Alana, a negociação com o diretor de judô Alexandre Gaspar foi rápida e acordo foi selado por um ano, com possibilidade de renovação.

“Meu técnico está no Palmeiras há um ano e a gente havia conversado sobre essa possibilidade. No início do ano, junto com a diretoria do judô do Palmeiras, ele me procurou e vi que seria algo bom para mim. Mas foi tudo muito rápido, ontem (quinta-feira) conversei com o diretor e acabamos fechando”, explicou Alana.

Tão logo o acordo foi fechado, a judoca de Tupã não perdeu tempo e tratou de colocar o quimono e seguiu para o tatame para o primeiro treino com os novos companheiros. A medalhista não escondeu a felicidade e contou que os colegas a acolheram da melhor maneira possível.

“Estou muito feliz. Sei que é algo que vai somar bastante ao que eu quero. Tenho certeza que isso lá na frente vai fazer diferença pra mim. Fui muito bem recebida por todos. Pela comissão técnica, pelos atletas... ontem mesmo já fiz o meu primeiro treino e foi muito legal. Diferente para eles treinar com uma atleta paralímpica, mas todos me acolheram muito bem”, contou.

O próximo desafio de Alana Maldonado e dos outros judocas da seleção será na Copa do Mundo na cidade de Antalya, Turquia, de 19 a 26 de abril. O ano terá ainda a disputa do Campeonato das Américas IBSA, de 17 a 23 de maio, em Calgary, Canadá, e o principal evento do ano, o Campeonato Mundial na cidade de Lisboa, em Portugal, de 16 a 18 de novembro.

Patrocínio e apoio ao esporte

O judô paralímpico brasileiro conta com o patrocínio da Infraero para formar atletas como Alana Maldonado, prata nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e invicta em pódios em toda a sua carreira. O apoio é direcionado para realização das etapas do Grand Prix as fases de treinamento, estrutura física e profissional e custeio das viagens para as competições internacionais e intercâmbios, além do suporte em outras necessidades existentes para o crescimento da modalidade.

Fonte: cbdv.org.br

Selecionados os dez candidatos ao Curso de Capacitação em Arbitragem de Goalball

Foto: Leandro Martins/CPB/MPIX
Selecionados os dez candidatos ao Curso de Capacitação em Arbitragem de Goalball
Legenda: Juliana Castro, árbitra brasileira de nível internacional

Dez candidatos foram selecionados ao Curso de Capacitação em Arbitragem de Goalball, de 7 a 11 de março, no Centro de Treinamento Paralímpico de São Paulo. As aulas, teóricas e práticas, serão realizadas durante a etapa Sudeste 2 da modalidade e tem como objetivo formar novos árbitros regionais.

“A importância é de continuar com o nosso processo de formação, dado o crescimento do esporte no Brasil, capacitando novos profissionais”, disse a coordenadora de arbitragem nacional, Carla Da Mata.

Atualmente, a CBDV tem no calendário anual sete competições de goalball, além dos eventos das federações parceiras da confederação, o que proporcionará uma maior oportunidade dos árbitros estarem sempre em atividade, o que contribuirá para o seu crescimento.

E devido ao alto número de inscritos para concorrer a uma das vagas neste curso, a CBDV aproveita para anunciar que realizará uma nova capacitação durante o Regional Sudeste 1 de goalball, que acontece de 13 a 17 de junho, no Centro de Treinamento Paralímpico de São Paulo. Em breve serão abertas as inscrições.

Confira os nomes selecionados.

Bruna Souza
Diego Barbosa
Isabella Alves
João Pedro dos Santos
Lucas Menezes
Luciene Falsarelli
Renata do Nascimento
Sabrina Santos
Vinicius Mendes Pereira
Vivian Souza

Cronograma

Dia 7/3 | Quarta-feira
8:30 – 12:30 (aula teórica)
14:30 – 18:30 (aula prática)

Dia 8 a 11/3 | Quinta a domingo
Durante todo o dia (aula prática seguindo o cronograma da competição)

Fonte: cbdv.org.br

Brasileiros ajudam a desenvolver o esporte na África em evento da Fundação Agitos

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Por CPB

Os velocistas Verônica Hipólito e Yohansson do Nascimento, os halterofilistas Marcia Menezes e Luciano Dantas e os treinadores Everaldo Braz, do atletismo, e Weverton Santos, do halterofilismo, tiveram a oportunidade de ministrar cursos práticos e teóricos sobre suas modalidades a 53 atletas e técnicos de países de língua portuguesa na África.

A iniciativa faz parte do projeto da Fundação Agitos, braço desenvolvedor do IPC, de fomento ao desenvolvimento de comitês e do movimento paralímpico pelo mundo, com o apoio da Toyota, a fim de criar um impacto sustentável nas regiões. O evento teve início na segunda-feira, 19, e se encerra nesta sexta-feira, 23.

Acostumados a estar em ação nas pistas e nos bancos de halterofilismo, os brasileiros vivenciaram uma experiência completamente diferente no continente africano. Além de compartilharem o conhecimento do país, hoje uma das 10 potências mundiais no esporte paralímpico, eles puderam conhecer de perto a realidade de Comitês que ainda estão em fase inicial no desenvolvimento e nas condições oferecidas a atletas e técnicos. O melhor, segundo eles, foi poder contribuir positivamente para tentar mudar esta situação.

"A sensação de estar aqui foi semelhante a ver nossos atletas ganharem uma medalha em Jogos Paralímpicos. Estou muito grato. Conheci uma realidade que jamais imaginei. Os países que estavam no workshop têm uma estrutura muito precária, mas a gente percebe o interesse e a dedicação dos técnicos e dos atletas em aprender, em desenvolver, mesmo com pouco. Vi muitos com potencial imenso e que, com certeza, com desenvolvimento certo, podem estar em Tóquio 2020. Estou muito feliz por poder ter ajudado um pouco", relatou Everaldo. "Volto para o Brasil querendo trabalhar, estudar e me dedicar mais, já que temos toda a estrutura para isso."

Nas aulas de halterofilismo, a sensação se repetiu. Márcia Menezes, primeira atleta adulta do Brasil a conquistar medalha em um Mundial da modalidade (bronze em Dubai 2014), afirmou que encerrou os workshops feliz por poder contribuir com sua experiência de 10 anos na modalidade.

"Foi muito gratificante. Era incrível ver como eles estavam atentos e aprendendo. O que me deu mais prazer foi ver o brilho nos olhos quando a gente ensinava algo, dava um feedback. Saio daqui muito satisfeita e com o objetivo de valorizar ainda mais tudo o que temos", disse a atleta.

Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau foram os países participantes do evento.

Fonte: cpb.org.br

CPB lança campanha institucional e apresenta novo Embaixador Paralímpico

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Por CPB

O Comitê Paralímpico Brasileiro lançará na próxima quinta-feira, dia 1º, a sua nova campanha institucional. O CPB mostrará a sua mais recente criação em evento acontecerá no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo (SP). O evento será aberto à imprensa, que pode confirmar presença pelo e-mail imp@cpb.org.br - mais informações sobre a cerimônia abaixo. A ocasião também marcará a apresentação de mais uma personalidade que integrará o projeto Embaixador Paralímpico.

A campanha do CPB estará em vigor pelos próximos dez meses. Além de dar maior alcance ao Movimento Paralímpico, ela tem a intenção de quebrar paradigmas da sociedade em relação às pessoas com deficiência. Diversos medalhistas paralímpicos e mundiais já têm presença confirmada na cerimônia. Antônio Tenório, dono de seis medalhas em Jogos Paralímpicos (quatro ouros, uma prata e um bronze), é um deles.

As peças anteriores embalaram o público rumo aos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. As campanhas #NaMesmaBatida do #CoraçãoParalímpico, #GuerreirosParalímpicos e #CarregoNoPeito buscaram o engajamento das pessoas que empurraram a nossa delegação durante a campanha na última Paralimpíada.

Confira AQUI o teaser da nova campanha institucional do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Já o novo embaixador paralímpico é mais uma personalidade do esporte, que compartilha de valores semelhantes aos do Movimento Paralímpico nacional. O Programa Embaixador Paralímpico, lançado em 2015, reúne personalidades que emprestam suas vozes e imagens ajudar a divulgar o paradesporto no país.

O novo integrante entrará no seleto rol de representantes do Movimento Paralímpico nas mais diversas áreas de atividade. O programa já conta com os apresentadores Rodrigo Hilbert e Fernanda Lima, os pilotos Ayrton Senna (in memorian) e Emerson Fittipaldi, os atores Cléo Pires e Paulo Vilhena, os atletas Flávio Canto, Gustavo Kuerten e Ronaldinho Gaúcho, o senador da República e ex-jogador Romário e os empresários Luis Severiano Ribeiro, Nizan Guanaes e José Victor Oliva.

SERVIÇO
Evento: Lançamento da campanha institucional do CPB e apresentação do novo embaixador paralímpico
Data: 1/3 (quinta-feira), das 10h às 12h
Local: Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo - Rodovia dos Imigrantes, Km 11,5 - ao lado do São Paulo Expo
Imprensa: Confirmar presença pelo e-mail imp@cpb.org.br

Fonte: cpb.org.br

Abertura do Circuito Loterias Caixa terá participação de referências do atletismo

Daniel Zappe/MPIX/CPB
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Lorena Spoladore, da classe T11, no Open Loterias Caixa 2017

Por CPB

Neste fim de semana, 24 e 25, o Centro de Treinamento Paralímpico recebe a fase regional São Paulo do Circuito Loterias Caixa de Atletismo e Natação. O evento abre o calendário nacional das modalidades, e contará ao todo com 655 atletas - 409 na pista e no campo de atletismo do CT, outros 246 na piscina. A fim de aquecer para os maiores objetivos da temporada, nomes consagrados do atletismo terão a primeira oportunidade de competir em 2018.

São Paulo será a primeira parada das fases regionais do Circuito Loterias Caixa na temporada. Em março, serão realizadas as fases Rio-Sul, em Porto Alegre (RS), nos dias 10 e 11, e Norte-Nordeste, do dia 22 a 25, em Aracajú (SE). Goiânia (GO) receberá a última fase, Centro-Leste, de 12 a 15 de abril.

Os atletas que atingirem os índices estabelecidos pelo departamento técnico do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) garantem participação nas etapas nacionais do Circuito Loterias Caixa, em junho e agosto. O Campeonato Brasileiro, antiga terceira fase nacional, reunirá os melhores do ano em outubro. As três competições serão realizadas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

Uma mudança no regulamento do Circuito deste ano permite que atletas que já obtiveram índices classificatórios para as fases nacionais compitam nas etapas regionais. Ainda que não ganhem medalhas tampouco pontuem para o respectivo clube, os destaques da modalidade têm a possibilidade de ganhar ritmo de competição. De quebra, ainda irão interagir com iniciantes, dos quais são espelho.

“Para mim, é muito bacana estar com os novos atletas. Eles se espelham em nós e querem chegar onde chegamos, e onde ainda queremos chegar. A gente pega energia dessa galera também, já que eles chegam com muita gana, vontade e para quem está há muito tempo nisso é bom renovar as forças”, disse Lorena Spoladore, medalhista de prata do revezamento 4x100m T11-13 (para deficientes visuais) e bronze no salto em distância T11 nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016.

Lorena está inscrita em três provas neste fim de semana: 100m no sábado pela manhã, os 400m, à tarde e, por fim, os 200m na manhã de domingo. Todas provas são da classe T11 (para cegos).

Além de Lorena, nomes como o do atual campeão paralímpico dos 400m T20 (deficiência intelectual), Daniel Martins, e do medalhista de ouro do lançamento de disco F11, Alessandro Silva, também estão confirmados nas disputas que abrem o Circuito Loterias Caixa.

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir a etapa regional São Paulo do Circuito Loterias Caixa de Atletismo e Natação não precisam de credenciamento prévio. Bastará dirigir-se à sala de imprensa do Centro de Treinamento Paralímpico para identificação.

O Circuito
O Circuito Caixa Loterias é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e patrocinado pelas Loterias Caixa. Este é o mais importante evento paralímpico nacional de atletismo, halterofilismo e natação. Composto por quatro fases regionais e duas nacionais, tem como objetivo desenvolver as práticas desportivas em todos os municípios e estados brasileiros, além de melhorar o nível técnico das modalidades e dar oportunidades para atletas de elite e novos valores do esporte paralímpico do país. Em 2018, as disputas das fases nacionais serão separadas por modalidade - haverá ainda um Campeonato Brasileiro de cada esporte.

Patrocínios
O paratletismo tem patrocínio das Loterias Caixa e da Braskem.

A natação tem patrocínio das Loterias Caixa.

Serviço
Data: 24 e 25 de fevereiro
Cidade: São Paulo (SP)
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro - Rodovia dos Imigrantes, Km 11,5 - ao lado do São Paulo Expo

Programação*
Circuito Loterias Caixa de Natação e Atletismo - Etapa Regional São Paulo
Sábado (24/2) - 8h às 12h e 14h às 18h
Domingo (25/2) - 8h às 12h
*Sujeita a alterações

Fonte: cpb.org.br

Projeto de lei quer facilitar mamografia para mulheres com deficiência

Hospital Municipal do Campo Limpo é o único da capital que dispõe de equipamento adaptado para a realização de exames de mamografia para pessoas com deficiência

Arte em fundo rosa claro, com um laço em rosa escuro ao centro

O vereador por São Paulo Paulo Frange (PTB) visitou o Hospital Municipal do Campo Limpo, único da capital que dispõe de equipamento adaptado para a realização de exames de mamografia para pessoas com deficiência. O mamógrafo tem regulagem para diferentes alturas e pode ser usado por mulheres em cadeiras de rodas e com outros tipos de deficiência que não permitam a realização do exame em pé.

O projeto de lei 614/2017, de autoria do vereador, está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Vereadores e visa instituir uma Campanha Permanente de Prevenção do Câncer Ginecológico e Mamário, transformando a legislação atual, que promove a mobilização de forma apenas periódica. Paulo Frange lembra que “o acesso aos serviços de saúde, para todos, sem exceção, é um direito previsto pela Constituição, além de cumprir com a Lei Brasileira de inclusão da pessoa com deficiência de 2015” e a aprovação do projeto vai permitir que mais hospitais possam ter a estrutura necessária para a realização do exame, em todas as regiões da cidade.

“A grande dificuldade das mulheres que são cadeirantes para fazer o exame de mamografia é, exatamente, ter onde fazer. Os hospitais não têm estrutura para receber esse tipo de paciente, nem mesmo na iniciativa privada”, lembra Frange. “O Poder Público não ficou omisso ao longo desse tempo. Há três anos, no Hospital do Campo Limpo, temos um mamógrafo ideal para a realização do exame, dentro de um programa de atendimento, das pessoas com deficiência”, explica.

O programa de atendimento para pessoas com deficiência no Campo Limpo facilita o agendamento dos exames e o transporte para o hospital, e garante, também, o acompanhamento de cada caso. “Devido ao número elevado de pacientes que precisam da estrutura que temos aqui, o maquinário não pode ficar restrito a este hospital. A distância, para alguns, é longa. Aumentar o número de mamógrafos para as pessoas com deficiência é algo muito bem-vindo para toda a rede pública e privada de hospitais”, afirma o diretor técnico da unidade, Dr. Luís Carlos Hamada, ao comentar a iniciativa do vereador Paulo Frange.

Maria de Jesus, de 64 anos, é cadeirante e realiza periodicamente o exame na unidade. Ela considera muito boa a estrutura que tem hoje para o atendimento e exalta, de maneira bem direta, a iniciativa do vereador, “Uma maravilha”.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Com atendimento gratuito, O Projeto Coral Encantar promove cultura e desenvolvimento social em crianças e jovens de escolas públicas

Criado em 2013, o projeto vai muito além da música na missão de dar novas perspectivas para menores entre 6 e 17 anos. Ameaçado pela perda do patrocínio, foi abraçado pelos pais das crianças e luta para sobreviver.



Um projeto educativo-social que promove o desenvolvimento intelectual e a integração de crianças de baixa renda na sociedade a partir da música, dedicando atenção integral a cada participante e suas famílias. Esse é o Coral Encantar que, desde 2013, reúne crianças de escolas públicas para o aprendizado e a prática do canto e da música, desenvolvendo todo o seu potencial artístico e criativo, aumentando assim a autoconfiança e a autoestima.

Atualmente, o Encantar abraça 50 crianças, com aulas aos sábados, das 9h30 às 11h30. A partir do dia 24 de fevereiro, uma parceria com a Associação Cultural e Assistencial Nipo-Brasileira do Jabaquara (AJAB) vai permitir que as aulas continuem neste mesmo horário. Além de cantar, os alunos também têm a possibilidade de aprender a tocar instrumentos musicais como a flauta e alguns criados por eles mesmos, como os instrumentos de percussão os xilofones. O violino está nos planos dos organizadores. Mas, para isso, é preciso recurso financeiro. Até dezembro de 2017, a questão financeira estava resolvida, graças ao patrocínio de uma multinacional, que pagava as despesas do projeto por meio da Lei Rouanet. Mas o patrocínio foi suspenso para 2018, devido a mudanças estratégicas da empresa, colocando em risco a continuidade do projeto. Ao receber a notícia, pais e responsáveis dos alunos se uniram aos organizadores para não deixá-lo morrer. “O Encantar é um projeto transformador, que muda a vida das crianças, abrindo novas perspectivas para o futuro delas. A mobilização dos pais e das próprias crianças para não deixar o projeto acabar foi a maior prova disso”, diz Amélia Nakauchi, produtora cultural e idealizadora do Coral Encantar.

A ressurreição

A mobilização dos pais ajudou a levantar contribuições financeiras e permitiu que o Encantar realizasse uma apresentação surpreendente, em 7 de dezembro, no Centro de Culturas Negras do Jabaquara. Naquele dia, os alunos apresentaram um musical completo, com cenário, diálogos e figurinos, intitulado “Contando e Cantando o Mistério da Feiurinha”, uma adaptação do livro “O Fantástico Mistério de Feiurinha”, de Pedro Bandeira.



A ideia de criar o musical partiu dos próprios alunos, surpreendendo a regente do Coral, Lissa Kawashima. Parecia algo inatingível, diante dos custos da produção: como fazer cenários e figurinos sem recursos? Os alunos deixaram o negativismo de lado e apostaram nesse desafio, criando uma onda otimista que envolveu até o esposo de Lissa, Marllon Chaves, que atua como diretor de teatro. Ele adaptou o roteiro e ajudou na direção. Com a ajuda das mães, as crianças e a Lissa criaram o figurino, a partir de itens simples e figurinos emprestados. A “união fez a força” e o espetáculo foi um sucesso. “Vimos o Centro de Culturas Negras do Jabaquara lotado, aplaudindo de pé e emocionado com a apresentação”, relembra Amélia.

Por ser municipal, a apresentação do musical no Centro Cultural não teve custo de locação do espaço, mas envolveu uma contrapartida: doação de algum item ou serviço, sendo que optaram pela doação de 2 espelhos dos camarins. Mais uma vez, as famílias dos alunos se uniram aos responsáveis pelo projeto, fazendo a doação de recursos próprios, conseguindo assim a verba necessária para a substituição.

No dia 21 de janeiro, a parceria com a AJAB permitiu mais uma apresentação do Encantar. O evento aconteceu em comemoração do Shinenkai (ano novo japonês), com músicas que já fazem parte do repertório do Coral, exclusiva para os associados da AJAB.

Projeto do bem

Os benefícios que o projeto tem oferecido às crianças podem ser notados na história de cada uma delas. Um bom exemplo é o garoto Luiz Faustino. Com 10 anos, ele foi um dos 16 selecionados para participar do programa Júnior Bake Off Brasil, do SBT, que estreou no dia 6 de janeiro. De acordo com a mãe, Magali Faustino, os selecionadores do SBT disseram que Luiz foi escolhido por ser amigável e colaborativo, características que ela atribui à sua participação no Coral.



“Meu filho ingressou no Encantar em 2015 com problemas emocionais, por conta da ausência do pai. Essa carência o prejudicava muito no dia a dia. Como ele sempre gostou de música, eu decidi inscrevê-lo no Encantar. Após sua entrada no Coral, ele amadureceu, adquiriu mais responsabilidade e melhorou o comportamento. O Encantar trouxe outra visão de vida ao meu filho, que hoje é focado e determinado. Essa mudança fez com que ele fosse um dos selecionados a participar do Júnior Bake Off Brasil, no SBT. As técnicas utilizadas na aula de canto foram aproveitadas diante das câmeras, no teste. Sua percepção musical e teatral cresceu e contribuiu para que ele entrasse no programa e enfrentasse as câmeras sem medo algum. O Encantar o preparou para situações inusitadas, diz Magali.

Reabilitação pelo Encantar

O relato de Nilda Antônia do Nascimento, mãe de Gabriela, 13 anos, e Giuliana, de 9, é mais uma demonstração de como o Encantar atua positivamente na vida dos alunos. Ela conta que conheceu o projeto através de uma amiga, enquanto procurava uma atividade para a filha Giuliana, então com 6 anos. “Tive problemas durante o parto e isso prejudicou suas habilidades motoras e a fala. Por indicação médica, eu a matriculei em aulas de ginástica em um clube da Prefeitura, mas ela não desenvolvia, vivia isolada. No Encantar, pude perceber que ela conseguiu se abrir e conversar com outras crianças. Hoje minha filha lê e escreve muito bem, melhorou bastante na escola. Mudou completamente, deixando surpresos inclusive os médicos que a acompanham”, afirma Nilda.

Giuliana foi uma das melhores alunas do Projeto Encantar em 2016, para a alegria da mãe. “O coral fez e faz muito bem para a minha filha. Ela fica triste quando não pode ir às aulas, por qualquer razão. Minha filha mais velha, Gabriela, também é aluna do projeto. Era bastante tímida e hoje consegue se expressar muito bem, se impor e mostrar toda sua força e garra. Eu, como mãe, fiquei muito feliz com o progresso das minhas filhas. Quando recebe essas oportunidades, a criança tem a chance de crescer e melhorar diariamente. Seria desolador para mim e minhas filhas se o Encantar acabasse.”

Como em família

Monitora do projeto, Eliene de Oliveira acompanha o desenvolvimento do Coral e das crianças há 3 anos. Para ela, um dos segredos do sucesso do projeto é que todos se sentem muito bem nas aulas e nas atividades, “como se fossem todos da mesma família”. “Abrimos as portas do projeto para toda a família. Sempre que existe alguma atividade, queremos reunir pais e responsáveis pelos alunos. No início, eu recebia as crianças e conversava com elas, sempre de forma profunda e empática. Observei que elas chegavam inseguras, com medo e recheadas de problemas. Com o passar do tempo, notei uma transformação. O Encantar vai muito além da musicalização; ele existe para estimular e ver essas crianças prosperando, passando por uma metamorfose positiva”, diz ela.



Mãe de bailarina, Eliene e a filha Jéssica criaram um projeto de dança para crianças de uma comunidade na zona Norte, inspirado no Encantar. “Usei o conhecimento adquirido no Encantar, todas as técnicas de gestão, e junto com minha filha atendemos hoje 36 crianças com aulas de balé e jazz. Sei que o Coral faz a diferença na vida dos professores, alunos, na minha e de todos! Se existe uma palavra que consegue expressar tudo o que sinto por esse projeto, essa palavra é “amor”. É muito gratificante ver as crianças felizes e realizadas”, declara Eliene.

“Em apenas quatro anos, o Encantar já deu frutos tão importantes. É um projeto que realmente faz a diferença. Não podemos deixar que acabe”, diz Amélia. O Projeto está aberto a patrocínio de empresas nacionais e multinacionais por meio da Lei Rouanet. Para saber mais sobre ele e as formas de patrocínio acesse no facebook: projetoencantarTSA ou contate no e-mail amelia@agenciatsa.com.br.

Endereço da AJAB:  Rua das Nhandirobas, 388 - Parque Jabaquara

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Fonte: Coral Encantar p/ e-mail