sábado, 4 de agosto de 2018

MPF pede que agências dos Correios cumpram normas de acessibilidade em Uberlândia

Ação civil foi ajuizada pela Procuradoria da República da cidade. G1 procurou empresa pública para se manifestar sobre o assunto.

Por Caroline Aleixo, G1 Triângulo Mineiro

Agência dos Correios em Uberlândia (Foto: Caroline Aleixo/G1)
Agência dos Correios em Uberlândia (Foto: Caroline Aleixo/G1)

O Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia ajuizou uma ação civil pública contra a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) por descumprir normas de acessibilidade em agências da cidade.

Na ação, o procurador da República Leonardo Andrade Macedo solicita à Justiça Federal que a empresa pública seja obrigada a apresentar projeto de adequação de todas as unidades da Subseção Judiciária de Uberlândia que apresentaram irregularidades no prazo de 90 dias.

As alterações devem ser executadas em um prazo de três anos caso o Judiciário defira a liminar. O Ministério Público também pede que o juiz determine aos Correios que, ao fim das obras, apresente laudo técnico para comprovação das adequações. Em caso de descumprimento dos prazos, pede-se a aplicação de multa diária de R$ 10 mil por dia de atraso e por agência.

O G1 procurou os Correios para se manifestar sobre o assunto e informar por qual motivo as normas ainda estão sendo descumpridas - uma vez que, na própria ação, o MPF cita que houve procedimentos tratando sobre o mesmo assunto em outras localidades do país e que a empresa já tem ciência dos problemas - e aguarda retorno.

Denúncia e irregularidades

A ação surgiu com pedido de liminar ocorreu após a Procuradoria da República instaurar inquérito no ano passado para apurar os fatos. O MPF recebeu a denúncia de um morador de Uberlândia que é deficiente visual e encontrou dificuldades no atendimento em uma agência localizada na Avenida João Pinheiro, no Centro, por não contar com acessibilidade nos painéis de senha.

Em seguida foi solicitado à Secretaria Municipal de Planejamento Urbano um relatório sobre a situação das agências dos Correios na cidade. Em pelo menos seis estabelecimentos foram apontadas irregularidades em desacordo com a legislação que garante direitos à pessoa com deficiência e mobilidade reduzida.

Os estabelecimentos ficam nos bairros Brasil, Umuarama, Centro e Martins. Entre os problemas detectados estavam falta de comunicação sonora e tátil como pista tátil, placas em braile, mapa tátil, além de não contar com sanitários acessíveis, entre outros.

Fonte: g1.globo.com

Futebol é usado como inclusão social - Veja o vídeo

Esporte é forma de distração para pessoas com deficiência

Resultado de imagem para Futebol é usado como inclusão social

Não é só um jogo. No Brasil, mais de 45 milhões de pessoas tem algum tipo de deficiência e mediante aos preconceitos e exclusão social, um esporte as acolhe. No Esporte Espetacular, a série 'Valor em Jogo' mostra como o futebol pode servir como estímulo e ferramenta de inclusão para pessoas com deficiências.

Clique AQUI e veja agora a reportagem completa.

Lauro Chaman conquista medalha de prata no Mundial de Ciclismo de Estrada

Imagem

Por CPB

O ciclista Lauro Chaman (classe C5) conquistou nesta sexta-feira, 3, a medalha de prata na prova contrarrelógio no Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada em Maniago, na Itália. A competição começou nesta quinta-feira, 2, e se estende até o dia 5 de agosto.

Com o tempo de 34m07s97, o brasileiro garantiu o segundo lugar na prova, que teve como campeão o holandês Daniel Abraham Gebru, que finalizou a prova em 33m26s80.

Lauro é o atual campeão mundial na prova de resistência e já conquistou este ano uma medalha de ouro na etapa da Bélgica da Copa do Mundo de Paraciclismo de Estrada 2018, assumindo a primeira colocação provisória na classificação geral. Nos Jogos do Rio 2016, ele foi medalhista com uma prata e um bronze.

Esta é a segunda competição que vale pontos em busca da classificação para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, a primeira foi o Mundial de Ciclismo de Pista, em março deste ano, no Rio de Janeiro. Os eventos são organizados pela União Internacional de Ciclismo (UCI).

O Brasil está representado por oito atletas: Lauro Chaman (classe C5), Soelito Gohr, (classe C5), André Grizante (classe C4), Victor Herling (classe C2), Marcos Ribeiro (classe C1), Eduardo Ramos Pimenta (classe H3), Jady Malavazzi (classe H3), Marcia Ribeiro Fanhani (classe B - Tandem).

Ao todo, participam desta competição 347 atletas de 43 países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Bielorrússia, Brasil, Canadá, China, Colômbia, Coréia do Sul, Croácia, Dinamarca, Emirados Árabes, Eslovênia, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Guiana, Holanda, Hungria, Indonésia, Irlanda, Itália, Japão, Letónia, Malásia, Nova Zelândia, Peru, Polônia, Portugal, República Checa, Romênia, Rússia, Suíça, Suécia, Ucrânia e Venezuela.

Acompanhe as disputas do Mundial de Ciclismo de Estrada 2018 por meio da página do Comitê Paralímpico Brasileiro, no facebook.

Confira a programação dos atletas brasileiros:

Sábado 04/08 – prova de resistência

Jady Malavazzi (WH3)
Eduardo Ramos Pimenta (MH3)
Domingo 05/08 – prova de resistência
Lauro Chaman (MC5)
Soelito Gohr (MC5)
André Grizante (MC4)
Victor Herling (MC2)
Marcos Ribeiro (MC1)
Marcia Fanhani (Tandem B) / Camila Coelho (piloto)

Time São Paulo

O atleta Lauro Chaman é integrante do Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo que beneficia 62 atletas e seis atletas-guia de dez modalidades.

Fonte: cpb.org.br

Medalhistas paralímpicos competem no Circuito de Atletismo a partir deste sábado

Imagem

Por CPB

Tem início neste sábado, 4, a segunda etapa nacional do Circuito Loterias Caixa de Atletismo. O Centro de Treinamento Paralímpico, na capital paulista, será o palco até domingo, 5, do evento, que estará repleto de medalhistas paralímpicos. Ao todo, 23 atletas que já subiram ao pódio em ao menos uma edição de Jogos Paralímpicos integrarão as disputas da competição.

Ao todo, 296 atletas de 19 estados e do Distrito Federal estão inscritos no evento. São Paulo é a unidade da federação com o maior número de representantes, 125. Esta será a última oportunidade para os atletas obterem vagas para o Campeonato Brasileiro da modalidade, que ocorrerá no fim de setembro, também no CT Paralímpico. O Brasileiro reunirá os melhores atletas do ano por Índice Técnico Competitivo (ITC) e os melhores do ranking nacional.

Na lista dos medalhistas paralímpicos, destacam-se nomes como Petrúcio Ferreira. Atual campeão paralímpico dos 100m, classe T47 (para amputados de braço), o paraibano já bateu dois recordes mundiais nesta temporada. No Grand Prix de Paris (França), em junho, baixou sua própria marca dos 100m de 10s53 para 10s50. Duas semanas mais tarde, no Grand Prix de Berlim (Alemanha), foi a vez do recorde dos 200m: o atleta de 20 anos registrou 21s17 - quatro centésimos abaixo do seu antigo tempo.

Dona de sete pódios, Terezinha Guilhermina é a mais experiente (39 anos) e puxa a fila da geração de velocistas deficientes visuais que trouxe uma série de medalhas paralímpicas ao país. Além dela, estarão em ação as atletas da classe T11 (cegas totais) Jhulia Karol, Jerusa Geber, Silvânia Costa e Thalita Simplício, além de Alice Corrêa, da classe T12 (baixa visão).

As provas de campo também têm rendido resultados expressivos ao atletismo paralímpico brasileiro. Recordista, campeão mundial e paralímpico do lançamento de disco F11, o paulista Alessandro Rodrigo também estará em ação no CT.

Além de atletismo, o Circuito Loterias Caixa ainda contempla disputas de esgrima em cadeira de rodas, halterofilismo e natação. A segunda etapa nacional de natação acontecerá nos dias 18 e 19 de agosto. Em outubro, acontecerão os Campeonatos Brasileiros das três modalidades.

Imprensa

Os profissionais de imprensa interessados em cobrir a segunda etapa nacional do Circuito Loterias Caixa de atletismo não precisam de credenciamento prévio. Bastará dirigir-se à sala de imprensa da arena para identificação.

O Circuito

O Circuito Loterias Caixa é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. Este é o mais importante evento paralímpico nacional de atletismo, halterofilismo e natação. Composto por quatro fases regionais e duas nacionais, tem como objetivo desenvolver as práticas desportivas em todos os municípios e estados brasileiros, além de melhorar o nível técnico das modalidades e dar oportunidades para atletas de elite e novos valores do esporte paralímpico do país. Em 2018, as disputas das fases nacionais serão separadas por modalidade - haverá ainda um Campeonato Brasileiro de cada esporte.

Patrocínios

O paratletismo tem patrocínio da Braskem.

Serviço

Data: 4 e 5 de agosto

Cidade: São Paulo (SP)

Local: CT Paralímpico Brasileiro, em São Paulo - Rodovia dos Imigrantes, km 11,5 (ao lado do São Paulo Expo)

Programação*

Segunda etapa nacional do Circuito Brasil de atletismo

Sábado (4/8) - 8h às 12h e 14h às 18h

Domingo (5/8) - 8h às 12h

*Programação sujeita a alterações

Fonte: cpb.org.br

Unicamp promove simpósio sobre educação inclusiva

                            Imagem: Unicamp
                               Descrição não fornecida pelo divulgador

A Pró-Reitoria de Graduação (PRG) da Unicamp promove, no próximo dia 16 de agosto, o “II Simpósio de Educação Inclusiva no Contexto Universitário: Diálogos entre Formação Docente e Práticas Pedagógicas”. O evento, promovido em parceria com a Central de Tradutores e Intérpretes Libras (TILS), é gratuito e está com inscrições abertas através do endereço:https://educacaoinclusiva.prg.unicamp.br/

A docência universitária na perspectiva inclusiva é um assunto emergente e de extrema importância para sociedade como um todo. Um número crescente de pessoas com deficiência tem se formado docentes e seguido carreira no ensino superior. Paralelamente aos constantes desafios que tais docentes enfrentam em sua formação e prática pedagógica, a própria Universidade se depara com a real oportunidade de evoluir em sua forma e abarcar a educação inclusiva desde o ingresso de estudantes com deficiência até a composição de seus quadros de funcionários e docentes. A reflexão e a discussão dessas questões envolvem a educação inclusiva no contexto universitário e destacam a importância da construção de uma identidade para professores com deficiência.

Participam do evento autoridades da Unicamp e do poder público. Entre eles a Secretária Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Dra. Linamara Rizzo Battistella, e a Sra. Eliane Jocelaine Pereira, Secretária Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Cidadania, além da Pró-Reitora de Graduação, Profª Eliana Amaral. Na programação estão também o Prof. Dr. David Rodrigues, do Ministério do Ensino de Portugal e Universidade Lusofonica do Porto e o Secretário Adjunto de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Luiz Carlos Lopes. A programação completa está disponível na página do evento na internet:  https://educacaoinclusiva.prg.unicamp.br/

Inscrições para um dos prêmios mais importantes de acessibilidade digital do mundo encerra no dia 19 de agosto

Sites e aplicativos poderão ser inscritos na etapa nacional do World Summit Award 2018

Foto de mãos de um homem segurando um celular

As inscrições para participação do World Summit Award 2018 estão abertas. Elas vão até o dia 19 de agosto. Para participar, basta inscrever seu conteúdo ou aplicativo no site do prêmio.

Na etapa brasileira, serão premiados ainda os projetos que mais se destacarem pelos recursos de acessibilidade digital. Os critérios serão avaliados segundo as diretrizes internacionais do World Wide Web Consortium (W3C).

Os projetos escolhidos para representar o Brasil na competição global serão anunciados durante o Digitalks. O evento acontece no dia 4 de setembro em São Paulo. Os vencedores receberão diplomas e troféus, além de reconhecimento internacional.

Mais de 180 países participarão da competição global. A proposta é reconhecer e promover os melhores e mais inovadores conteúdos digitais. A iniciativa estimula também a contribuição à inclusão e a acessibilidade digital.

No Brasil, o WSA é representado pelo Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência, Cid Torquato, em parceria com Tore Haugland.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Polícia sueca mata jovem com síndrome de Down que carregava arma de brinquedo

Eric Torell, de 20 anos, era severamente incapacitado e tinha dificuldade de fala, segundo a mãe.

GETTY IMAGES
Polícia patrulha ruas de Estocolmo em 2017

Por BBC

Um rapaz autista com síndrome de Down foi morto a tiros pela polícia por carregar uma arma de brinquedo, em Estocolmo, na Suécia.

De acordo com a imprensa local, os policiais abriram fogo contra Eric Torell, de 20 anos, na madrugada de quinta-feira, em reação a uma situação que descreveram como "ameaçadora".

O jovem foi dado como desaparecido horas antes, depois de sair de casa, segundo a família.

A mãe de Eric, Katarina Söderberg, disse que a arma de brinquedo foi um presente e descreveu o filho como "o homem mais gentil do mundo".

Ela contou à agência de notícias sueca Expressen que Eric era severamente incapacitado e tinha dificuldade de fala - praticamente só usava a palavra "mãe".

Söderberg afirmou ainda que a arma de plástico se parecia com "uma submetralhadora".


"É impossível de entender. Ele não faria mal a uma mosca", disse a mãe.

O incidente ocorreu por volta das 4h, hora local, no bairro Vasastan, em Estocolmo, depois que a polícia recebeu denúncias de que havia um homem armado na região.

Três policiais chegaram ao local e se aproximaram de Eric, pedindo que ele largasse o que acreditavam ser uma arma perigosa. Ele foi baleado após não cumprir a determinação e agir "ameaçadoramente", segundo a polícia.

O jovem chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Söderberg contou que o filho já havia saído de casa várias vezes antes, mas sempre foi encontrado ou retornou por conta própria.

De acordo com o Expressen, uma investigação está em andamento para avaliar se a conduta policial foi imprópria.

Fonte: g1.globo.com

Cientistas testam Google Glass em terapia para crianças com autismo

A terapia se baseia no aplicativo desenvolvido pelos cientistas de Stanford, que fornece algumas pistas sobre a expressão facial das pessoas às crianças que usam o Google Glass

(FOTO: PEXELS)
Criança com olhos azuis (Foto: Pexels)

Crianças com autismo conseguiram avanços em suas habilidades sociais utilizando uma combinação de um aplicativo de smartphone com o Google Glass a fim de melhorar sua capacidade para decifrar as emoções transmitidas pelas expressões faciais das pessoas. O resultado foi obtido em um estudo piloto realizado por cientistas da Universidade Stanford (Estados Unidos) e publicado nesta quinta-feira, 2, na revista científica Digital Medicine.

O autismo é um distúrbio de desenvolvimento caracterizado por déficits sociais, dificuldade de comunicação e comportamentos repetitivos. A terapia se baseia no aplicativo desenvolvido pelos cientistas de Stanford, que fornece algumas pistas sobre a expressão facial das pessoas às crianças que usam o Google Glass. Ligado ao smartphone por uma conexão sem fio, o dispositivo semelhante a um par de óculos é equipado com uma câmera que registra o campo de visão do usuário, além de uma pequena tela e um alto falante que dão a ele informação visual e auditiva.

Enquanto a criança interage com outros indivíduos, o aplicativo identifica seus nomes e emoções pela tela ou pelo alto falante. Depois de três meses de uso regular do sistema, os pais das crianças com autismo envolvidas no estudo relataram que elas passaram a fazer mais contato visual e a se relacionar melhor com as pessoas.

De acordo com os autores do estudo, as terapias precoces para o autismo têm se mostrado especialmente eficazes, mas muitas crianças não são tratadas rápido o suficiente para obterem os benefícios máximos. Atualmente, por causa da falta de terapeutas especializados, as crianças podem levar até 18 meses para receberem um diagnóstico antes de começarem o tratamento.

"Temos muito poucos médicos especializados em autismo. A única maneira de enfrentar esse problema e criar sistemas domésticos de tratamento que sejam confiáveis. Essa é uma necessidade muito importante que não é atendida", disse um dos autores do estudo, Dennis Wall, que é professor de pediatria e ciência biomédica de dados em Stanford.

Os pesquisadores relatam que, antes de participar do estudo, olhar nos olhos de outra pessoa era algo opressivo para o garoto Alex, de 9 anos. Sua mãe, Donji Cullenbine, tentava estimular delicadamente o contato visual, sem sucesso. "Eu sorria e dizia para ele: 'você olhou para mim três vezes hoje'. Mas na verdade não via avanço nenhum.", disse a mãe.

Segundo ela, o novo dispositivo mudou o que Alex sentia ao olhar para o rosto dos outros . "Funciona como um ambiente de jogo, no qual ele queria vencer. Ele queria acertar qual era a emoção da pessoa e tinha uma recompensa imediata quando acertava", contou.

Os cientistas batizaram a nova terapia de "Óculos de Superpoderes" para que ela fosse mais atraente para as crianças. A terapia se baseia na análise comportamental aplicada, um tipo de tratamento para o autismo no qual os médicos ensinam o reconhecimento de emoções utilizando exercícios estruturados, como cartões que mostram rostos expressando diferentes emoções.

Embora a análise comportamental aplicada tradicional ajude as crianças com autismo, segundo os autores, esse tipo de terapia tem algumas limitações. Ela precisa ser feita individualmente por terapeutas treinados, os cartões nem sempre capturam toda a gama de emoções humanas e as crianças podem ter dificuldades para transferir o que aprenderam para suas vidas cotidianas.

A equipe coordenada por Wall decidiu utilizar os princípios da análise comportamental aplicada em um sistema capaz de trazer para os pais e as situações cotidianas para o processo de tratamento. A solução foi construir um aplicativo para smartphones que utiliza o campo da inteligência artificial conhecido como "aprendizado de máquina", no qual os algoritmos reconhecem padrões e, à medida que recebem mais dados, adaptam-se a novos cenários e corrigem suas decisões com o mínimo de intervenção humana.

Utilizando o aprendizado de máquina, o aplicativo reconhece oito expressões faciais básicas: alegria, tristeza, raiva, nojo, surpresa, medo, desprezo e neutralidade. O aplicativo foi treinado com centenas de milhares de fotos de rostos que mostravam as oito expressões. Ele possui também um mecanismo que permite aos usuários calibrarem a leitura para indicar expressões neutras, quando necessário.

Segundo Wall, as crianças que têm desenvolvimento normal aprendem a reconhecer as emoções ao fazer contato visual com as pessoas ao seu redor. Para as crianças com autismo, o processo é diferente. "Eles não absorvem essas situações sem um tratamento direcionado", disse o cientista.

No estudo, 14 famílias testaram os Óculos de Superpoderes em casa por um período médio de 10 semanas. Todas elas tinham uma criança com idades enter 3 e 17 anos, com diagnóstico confirmado de autismo. A terapia foi utilizada pelo em menos três sessões de 20 minutos por semana.

Brincadeira terapêutica

No início e no fim do estudo, os pais completaram questionários para fornecer informação detalhada sobre as habilidades sociais de seus filhos. Em entrevistas posteriores, os pais e as crianças descreveram os resultados do programa terapêutico em suas famílias.

Os pesquisadores estabeleceram três maneiras para utilizar o programa de reconhecimento de emoções. No modo "jogo livre", as crianças usavam o Google Glass enquanto interagiam ou brincavam livremente com seus familiares, enquanto o aplicativo fornecia a elas as dicas visuais e auditivas cada vez que uma emoção era reconhecida nos rostos em seu campo de visão.

No modo "adivinhe minha emoção", um dos pais simulava uma expressão facial correspondente às oito emoções básicas e a criança tentava identificá-la. A brincadeira ajudava as famílias e os cientistas a acompanhar os avanços da criança na identificação de emoções.

Já no modo "capture o sorriso" é a criança quem dá a outra pessoa pistas sobre a emoção que deseja provocar, até que a pessoa a expresse. O objetivo é ajudar os cientistas a avaliar a capacidade da criança para compreender diferentes emoções.

De acordo com o estudo, as famílias relataram aos pesquisadores que o sistema é "envolvente, útil e divertido", que "as crianças se mostraram dispostas a usar o Google Glass" e que "os dispositivos resistiram bem ao desgastes por serem usados por crianças."

Doze das 14 famílias, incluindo a do menino Alex, disseram que as crianças fizeram mais contato visual depois de receber o tratamento. Em poucas semanas de envolvimento nos testes, Alex começou a se dar conta de que os rostos das pessoas dão pistas para suas emoções. "Ele me disse: 'mamãe, eu estou conseguindo ler as mentes'. Meu coração se encheu de emoção. Gostaria que outros pais tivessem a mesma experiência", disse a mãe.

Entre as famílias cujas crianças tinham um autismo mais severo, a escolha pelo modo "jogo livre" foi menos frequente, segundo os cientistas.

Redução de sintomas

Em uma escala padronizada para avaliar as habilidades sociais das crianças, aplicada com base em um questionário, foi registrada uma redução média de 7,38 pontos ao longo do estudo, indicando sintomas menos severos de autismo. Nenhum dos participantes teve aumento nos pontos, indicando que ninguém teve piora nos sintomas.

Seis dos 14 participantes tiveram uma redução dos pontos grande o suficiente para descer um degrau na classificação de severidade do autismo. Quatro deles tiveram a classificação alterada de "severo" para "moderado", um passou de "moderado" para "leve" e um de "leve" para "normal".

Os cientistas afirmam, no entanto, que esses bons resultados precisam ser interpretados com cuidado, já que se trata de um estudo piloto, que não envolveu um grupo de controle. Ainda assim, Wall afirma que "os resultados são promissores".

Segundo Wall, alguns dos comentários dos pais nas entrevistas ajudam a ilustrar a melhora no quadro das crianças. "Os pais disseram coisas como 'alguma chave foi acionada, meu filho está olhando para mim', ou 'de repente o professor veio me dizer que meu filho está envolvido nas aulas'. Tudo isso é muito reconfortante e animador para nós", afirmou Wall.

A equipe de cientistas agora está terminando um teste da terapia mais amplo, com controle aleatório. Eles também planejam testar a terapia em crianças que acabaram de ser diagnosticadas com autismo e estão na fila de espera para tratamento. A Universidade de Stanford já deu entrada em um pedido de patente para a nova tecnologia.

Encontro em Suzano mostra TI e acessibilidade digital para deficientes

Evento é neste sábado (4) e as inscrições podem ser feitas gratuitamente.

Por G1 Mogi das Cruzes e Suzano

Suzano vai receber o 1º Encontro Web Sem Barreiras (Foto: Wanderley Costa/Secop Suzano)
Suzano vai receber o 1º Encontro Web Sem Barreiras (Foto: Wanderley Costa/Secop Suzano)

Suzano recebe neste sábado (4), o 1º Encontro Web Sem Barreiras destinado a profissionais, estudantes e comunidade em geral, com ou sem deficiência. O objetivo é gerar interesse pela Tecnologia da Informação (TI).

O evento é a partir das 8h, em um auditório de uma faculdade de Suzano e conta com organização da administração municipal por meio do Serviço de Ação Social e Projetos Especiais (Saspe).

Haverá a presença de especialistas, palestrantes surdos e deficientes visuais e intérprete de libras. O evento é gratuito.

Segundo a idealizadora do evento, a desenvolvedora web Thabata Marchi, trata-se de um encontro único e que contará com a participação de pessoas de várias regiões do País, como São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

O foco está em dois públicos: os leigos e quem é da área e está interessado em ampliar o conhecimento sobre como deixar um site mais acessível e como melhorar layouts.

Após o credenciamento, que ocorrerá das 8h às 9h, haverá palestras sobre experiências de vida, capacitações e interação com o público até as 18h.

Outras informações estão disponíveis no site . “O nosso objetivo é incentivar pessoas a entrarem na área de TI. Queremos dar visibilidade às pessoas com deficiência e mostrar que podem não só aprender e se desenvolver como também compartilhar conhecimento”.

Destacou Thabata, que organiza o encontro com a diretora de projetos do Saspe, Sandra Lopes Nogueira.

Criação de Sites

Outra ação no mesmo sentido que ocorrerá na cidade é o curso Criação de Sites com HTML5 e CSS3 para pessoas surdas, que será realizado por Thabata, também idealizadora da capacitação.

Ainda há vagas e as inscrições continuam abertas no Saspe (Rua General Francisco Glicério, 1.334 – Centro), onde ocorrerão as aulas, de 13 de agosto a 10 dezembro.

A proposta é ensinar os alunos com deficiência auditiva a criarem sites estatísticos do zero, possibilitando que consigam trabalhar nesta área.

1º Encontro Web Sem Barreiras

Quando: 4 de agosto

Onde: Faculdade Piaget

Endereço: Avenida Mogi das Cruzes, 1.001, Jardim Imperador

Horário: a partir das 8h

Inscrição: gratuita e pelo e-mail websembarreiras@gmail.com.

Fonte: g1.globo.com

Flip proibida para cadeirantes

É uma escolha, não uma fatalidade. Uma escolha que gera efeitos discriminatórios, em desacordo com a lei

Conrado Hubner Mendes, 34 anos, jurista. Imagem produzida para ilustrar entrevista cedida à revista Época. São Paulo (cid.) - Brasil - 16/06/2011. Foto: Davilym Dourado/ Editora Globo. Foto: Davilym Dourado / Editora Globo

por Conrado Hübner Mendes * Doutor em Direito e Professor da USP

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) é um acontecimento que o Brasil contemporâneo não faz por merecer. De astral elevado e informal, numa linda cidade histórica litorânea, centenas de pessoas reúnem-se em tendas, casas e praças para ouvir e falar sobre temas das humanidades: a tolerância, a liberdade, a igualdade, o amor, o belo, a maldade, o sofrimento, o preconceito, a diversidade. Conhecem autores, adquirem livros, leem e conversam nos cafés. Não bastasse a promoção da leitura e da civilidade, gerou quase R$ 50 milhões em receitas. Uma ideia que já inspirou outros festivais e que deveria se espalhar pelo país.

Em sua 16ª edição, a Flip 2018 trouxe novidades, como a Casa de Não Ficção Época & Vogue, que incluiu mesas sobre política, violência, corrupção, junho de 2013, Rússia, o feminino. Até mesmo o STF entrou na onda. Tive a oportunidade de debater com o ministro Luís Roberto Barroso e o jornalista Felipe Recondo os serviços prestados pelo tribunal à democracia. Por uma hora e meia, numa casa abarrotada, o ministro alertou: “Instituições são como autoestradas. Se fotografamos apenas o acidente de percurso, teremos uma imagem distorcida”. O “acidente de percurso” foi um eufemismo generoso, e dali seguiu uma interação franca e descontraída.

Meu irmão planejou aproveitar a Flip. Tetraplégico, já sabia que Paraty é inóspita para pessoas com mobilidade reduzida — ou que caminhem sem olhar para o chão. Depois de cinco horas de estrada, foi impedido de entrar com seu carro no centro histórico na quinta-feira. Voltou para o hotel. Na sexta-feira, após tentativas de contatar a prefeitura, conseguiu que a Guarda Municipal abrisse as correntes. Sem nenhuma outra ajuda, seu carro foi lentamente até uma casa e de lá ele acompanhou o evento por uma tarde. No sábado, como a Guarda Municipal estava almoçando, teve de esperar até que as correntes fossem liberadas. Com as ruas repletas de gente, seu assistente e eu pedíamos licença para o carro passar. A hostilidade de alguns, que davam tapas no carro, só se retraía quando viam o adesivo com o sinal internacional de deficiência. Deram-se conta de que, pelo menos num festival de literatura, sua falta de urbanidade não pega bem.

A Flip costuma reagir a críticas. Ao longo dos anos, não foram poucas. Já foi criticada por excluir mulheres e negros de sua programação. A edição de 2017 representou uma virada. Teve Lima Barreto como homenageado e foi celebrada por ter se tornado “mais negra e mais feminista”. Joselia Aguiar, curadora, destacou as mesas “mais diversas e mais inclusivas”. Mauro Munhoz, um dos fundadores, apontava a convivência entre pessoas diferentes: “Há um certo embrutecimento das coisas, ódio, intolerância, mas mostramos como as pessoas podem conviver em harmonia”.

Visões incompletas.

A festa continua parceira da segregação.

Não me refiro, ainda, a demandas por representatividade de pessoas com deficiência, mas a algo moralmente mais elementar: o cuidado, o respeito e a atenção. O tema não é novo. Em 2010, o arquiteto Marcelo Ferraz já criticava num artigo o piso impróprio para caminhar, que exige “pular de pedra em pedra, como num riacho”. Pedia solução criativa, pois cidades, antes de belos cenários, devem ser “de todos e para todos”. Em 2016, Jairo Marques, jornalista cadeirante, que participou da Casa Folha, contou que só chegara graças a um “bombeirão gente boa”. Lembrou-se dos elevadores do Coliseu romano e das rampas de acessibilidade de Jerusalém para mostrar a “desumanidade” das ruas de Paraty, “agressiva com pessoas com deficiência, idosos, mulheres grávidas e quebrados de toda ordem”.

O problema tem duas camadas: a prefeitura, que se esquiva de humanizar ruas e calçadas, e a Flip, que não oferece nenhum serviço de atendimento. Não contamos nem com a solução ótima nem com a subótima. Paraty continua proibida para cadeirantes, mas a Flip não precisa ser. É uma escolha, não uma fatalidade. Uma escolha que gera efeitos discriminatórios, em desacordo com a lei. Com 17 anos de atraso, que a Flip 2019 fique atenta a isso. E seus patrocinadores também.




Paranaense conquista medalha inédita para o Brasil no Mundial de Paraciclismo

Cadeirante desde os 13 anos, quando perdeu o movimento das pernas em um acidente de carro, Jady Malavazzi fatura o bronze em Maniago, na Itália. Competição vale pontos para Tóquio 2020

Foto: Divulgação/CBC
Paranaense conquista medalha inédita para o Brasil no Mundial de Paraciclismo

Por GloboEsporte.com, Maniago, Itália

A ciclista Jady Malavazzi (classe WH3) tornou-se, nesta quinta-feira, a primeira brasileira a subir no pódio em um Mundial de Paraciclismo de Estrada. O feito aconteceu em Maniago, na Itália, quando a paranaense de 23 anos cruzou a linha de chegada em 24min20s30, atrás da italiana Francesca Porcellato (23min36s57) e da americana Alicia Dana (24min03s85). O evento conta pontos para a corrida paralímpica para Tóquio 2020.

Jady, que compete em handbike (bicicleta impulsionada pelas mãos) perdeu o movimento das pernas aos 13 anos após sofrer um acidente de carro. Antes de virar ciclista em 2011, o paranaense chegou a jogar basquete em cadeira de rodas.

- A prova hoje foi em um percurso bastante técnico, com subidas e curvas perigosas. Antes de largar eu estudei cada parte da pista, todos os detalhes. Conquistar uma medalha inédita no evento mais importante da modalidade (depois dos Jogos Paralímpicos) é uma sensação incrível, e tem um gostinho ainda mais especial sendo no contrarrelógio - comentou Jady.

Correndo contra o tempo, Jady não diminuiu o ritmo em nenhum momento. Ao longo dos 13,6km de prova, a brasileira adotou uma pilotagem agressiva desde o início e conseguiu manter uma excelente regularidade durante o percurso.

Jady Malavazzi em ação no Mundial de Paraciclismo de Estrada (Foto: Divulgação/CBC)
Jady Malavazzi em ação no Mundial de Paraciclismo de Estrada (Foto: Divulgação/CBC)

- O crono é sempre uma corrida desafiadora. Trabalhei duro nos últimos meses para melhorar o meu rendimento nesse estilo de prova. Sou grata à CBC e ao CPB pela oportunidade de representar o meu país e os meus patrocinadores. Estou muito feliz - finalizou.

Ainda nesta quinta, a seleção marcou presença na prova masculina da handbike com o atleta Eduardo Ramos Pimenta, que terminou na 24ª colocação da categoria MH3. O italiano Federico Mestroni levou o ouro, seguido pelo italiano Paolo Cecchetto com a prata e o canadense Alex Hyndman com bronze.

O campeonato segue nesta sexta-feira, com os brasileiros Lauro Chaman (MC5), Soelito Gohr (MC5), André Grizante (MC4), Victor Herling (MC2), Marcos Ribeiro (MC1) e Marcia Fanhani (Tandem B) / Camila Coelho (piloto) disputando a prova contrarrelógio. No sábado e domingo acontecem as provas de resistência.

UFJF oferece 98 vagas para pós-graduações gratuitas em Governador Valadares

Vagas são para os cursos de Gestão Pública Municipal, Gestão Pública e Esporte e Atividades Físicas Inclusivas para pessoas com Deficiência; saiba como se inscrever.

Imagem Internet/Ilustrativa
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Por G1 Vales de Minas Gerais

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) está com inscrições abertas para processo seletivo com oferta de 98 vagas em pós-graduações gratuitas em Governador Valadares. As aulas são ofertadas por meio do Centro de Educação à Distância (Cead) nos cursos de Gestão Pública Municipal, Gestão Pública e Esporte e Atividades Físicas Inclusivas para Pessoas com Deficiência.

As inscrições para a seleção de alunos podem ser feitas pela internet até às 16 h do dia 27 de agosto. Cada candidato só pode se inscrever em um curso, caso haja mais de uma inscrição, só será considerada a última.

O processo seletivo será desenvolvido por meio de avaliação da Carta de Intenção. O resultado parcial será divulgado dia 26 de setembro, os recursos podem ser solicitados entre os dias 27 e 28, e o resultado final será divulgado dia 5 de outubro.

O formulário de inscrição e o edital completo se encontram disponíveis no  site do Cead. Mais informações pelo telefone (33) 3221-6716 ou pelo e-mail uab.sec@valadares.mg.gov.br.

Fonte: g1.globo.com - Imagem Internet/Ilustrativa

Técnica com células-tronco recupera visão de idosos com doença degenerativa, aponta estudo da USP - Veja o vídeo.

Método apresentou melhora expressiva em 80% dos pacientes com Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Doença não tem cura e pode levar à perda total da vista.

Por Jornal da EPTV 2ª Edição


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Pesquisadores da USP desenvolvem tratamento para doença que pode levar à perda da visão

Com o celular nas mãos, o aposentado Manoel Eleotério Neto, de 72 anos, responde a todas as mensagens recebidas. Diagnosticado com Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), ele ouviu dos médicos que poderia ficar cego, mas a letra miúda não é mais problema desde que se submeteu a uma técnica desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto (SP).

Clique AQUI para ver o vídeo

No Hospital das Clínicas (HC), os cientistas passaram a usar células-tronco, capazes de dar origem a outras células, extraídas do próprio paciente. O método apresentou resultados animadores e 80% dos pacientes tiveram melhora expressiva na visão.


Manoel Eleotério Neto responde às mensagens no celular após receber injeção com células-tronco em Ribeirão Preto, SP (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
Manoel Eleotério Neto responde às mensagens no celular após receber injeção com células-tronco em Ribeirão Preto, SP (Foto: Carlos Trinca/EPTV)

Retina afetada

A degeneração macular é mais comum a pacientes com mais de 50 anos de idade. Segundo os pesquisadores, a doença incapacitante afeta a retina e pode levar à cegueira. Estima-se que 8,7% dos idosos no mundo convivam com o problema – só no Brasil, são cerca de três milhões.

Após descobrir a doença há 16 anos, o oftalmologista recomendou a Manoel o uso de vitaminas, mas elas não seriam suficientes para conter o avanço da perda da visão.

“Ele disse: ‘sua visão vai caindo, o senhor vai perder a visão, e quando o senhor tiver uns 65 anos, o senhor vai ficar cego.’ Eu fiquei apavorado.”


A pesquisadora do HC-USP, Carina Costa Cotrim, em Ribeirão Preto, SP (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
A pesquisadora do HC-USP, Carina Costa Cotrim, em Ribeirão Preto, SP (Foto: Carlos Trinca/EPTV)

O mesmo prognóstico foi dado ao aposentado Walter Cassioti, de 72 anos. A angústia foi ainda maior ao saber que não havia remédios ou cirurgia para tratar a doença.

“No começo, eu enxergava razoável, mas via deficiência ao prestar atenção, por exemplo, em uma formiga que vai passando e eu perdia a imagem. Já estava atingindo a retina. Tinha uma deformidade nas imagens porque estava entortando a retina.”

Encaminhados ao HC para o estudo, Walter e Manoel fizeram parte de um grupo de dez pacientes que recebeu injeções intraoculares de células-tronco. O material retirado da medula óssea de cada um deles foi processado e isolado nos laboratórios do Hemocentro.


Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) leva à cegueira (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) leva à cegueira (Foto: Carlos Trinca/EPTV)

Após o procedimento, os pacientes passaram por um ano de exames para avaliar a função visual. Os resultados mostraram uma sensível recuperação da visão e a estabilização.

“Essas células, depois que são injetadas dentro do olho, se incorporam no tecido da retina e têm um fator que a gente chama de fator trófico. Elas liberam fatores que melhoram o ambiente hostil da retina. Aquelas células da retina que estão sofrendo e que não estão funcionando são resgatadas, é chamado resgate funcional das células ruins”, diz a pesquisadora Carina Costa Cotrim.

Ainda de acordo com a pesquisadora, o estudo possibilitou avaliar a segurança do uso das células-tronco dentro do olho e mostrou que pode ser um dos caminhos para a descoberta da cura.

“Não houve crescimento de células indesejáveis. Não houve descolamento de retina ou infecção, então, foi muito positivo nesse fator. Quando a gente pensa que uma doença que a tendência é piorar e a gente tem resultados que melhoraram uma porcentagem de visão, isso é uma grande esperança para a população que é acometida pela DNRI.”

Manoel, que já tinha perdido a esperança em enxergar com qualidade novamente, diz que o procedimento mudou a sua vida.

"100% não fica nunca mais, nem com células-tronco, mas vamos botar uns 40% ou 50%. Para quem estava com 3%, é bastante. A visão é ótima pelo que eu estava. Vejo celular, claro que eu não faço [digitar] como vocês. Faço devagar, mas eu enxergo."

Consigo tocar a vida para frente. Valeu a pena fazer, diz o aposentado Walter Cassioti em Ribeirão Preto, SP (Foto: Carlos Trinca/EPTV)
Consigo tocar a vida para frente. Valeu a pena fazer, diz o aposentado Walter Cassioti em Ribeirão Preto, SP (Foto: Carlos Trinca/EPTV)

Fonte: g1.globo.com

Brasileiro é condenado a 9 anos de prisão na Austrália por agredir e deixar mulher na cadeira de rodas

Arte/UOL
Mehreen Ahmad sofreu danos cerebrais e precisa de ajuda para comer e fazer as necessidades básicas
Mehreen Ahmad sofreu danos cerebrais e precisa de ajuda para comer e fazer as necessidades básicas

do UOL, em São Paulo - Com informações da Australian Associated Press.

A paquistanesa Mehreen Ahmad, 32, era ativa, sorridente e vaidosa. Há um ano, ela comemorava o fim do período de provas na faculdade em Perth, Austrália, quando foi agredida pelo brasileiro Eduardo Santos Abrahão Filho, 28. Hoje,presa a uma cadeira de rodas, precisa de ajuda para se locomover e comer. Os médicos dizem que seu quadro é irreversível, e a Justiça australiana declarou o brasileiro culpado - cumprirá 9 anos de prisão pelo caso.

Segundo a imprensa australiana, o brasileiro admitiu a agressão, mas disse que foi acidental. Ele rezava durante o julgamento e ficou vermelho ao ouvir a sentença nesta quinta-feira (2). A decisão judicial foi acompanhada por jornais e TVs locais.

Por causa da agressão, Ahmad sofreu danos cerebrais e foi levada pela família de volta ao Paquistão. Ela recebe cuidados 24 horas por dia.

Segundo o juiz Bruno Fiannaca, ainda não se sabe ao certo o que levou Abrahão Filho a agredir Ahmad. O brasileiro e a paquistanesa haviam se conhecido semanas antes da festa.Eles deixaram o local para comprar cigarros, naquela noite, mas, na volta, não entraram no apartamento onde ocorria a celebração e foram para as escadas.

Ao juiz, Abrahão Filho disse que a estudante estava com a boca sangrando e que, por isso, teria ficado nervoso. O acusado conta que colocou a mão sobre a boca de Ahmad. Os amigos dela acreditam que ele tentou evitar que ela gritasse.

Eles brigaram, ela o chutou e Abrahão Filho empurrou a cabeça da estudante contra o chão. Ela rolou dois lances de escada abaixo.

Ahmad foi encontrada em volta de uma poça de sangue por amigos. O brasileiro fugiu, mas acabou preso horas depois. Ele ainda tinha sangue nos braços e nos sapatos.

Para o juiz, o ataque foi brutal e não foi acidental. O magistrado afirmou que a decisão do brasileiro de fugir foi covarde e insensível. Ele dormia em casa quando foi encontrado pelos policiais.

Em uma carta, Abrahão Filho descreveu suas ações como desprezíveis e se mostrou arrependido.

Os pais de Ahmad ouviram a sentença do Paquistão, onde vivem. Segundo a mãe da jovem declarou à imprensa australiana, o ataque impactou profundamente a vida da família.

"Se ela tivesse morrido naquele dia, nós teríamos, eu acho, aceitado a sua perda", afirmou. "Em vez disso, estamos presos no que parece ser uma escuridão sem fim.".

O brasileiro deve passar pelo menos sete anos e meio na prisão antes que possa ser elegível para a liberdade condicional.