sábado, 6 de outubro de 2018

Mãe entra em coma no parto e acorda 23 dias depois, ao ter o filho colocado em seu colo

Caso aconteceu em Fortaleza (CE). A ideia de colocar mãe e bebê juntos, na UTI, foi de uma enfermeira. Para surpresa de todos, no mesmo instante, a mãe despertou chorando. Vinte dias depois, ela recebeu alta e foi para casa com o filho nos braços

Por Aline Dini

       Essa imagem é do exato momento em que Amanda teve o primeiro contato com o filho, Vitor Hugo (Foto: Maternidade )
Essa imagem é do exato momento em que Amanda teve o primeiro contato com o filho, Vitor Hugo (Foto: Maternidade-Escola Assis Chateaubriand)

Já está comprovado que o contato pele a pele entre mãe e bebê é importante para o vínculoentre ambos. Mas um caso que veio à tona nesta quinta-feira (4), deixou até mesmo médicos e especialistas emocionados: uma mulher de Fortaleza (CE) saiu do coma induzido após sentir o toque da pele do recém-nascido pela primeira vez. Amanda Cristina Alves da Silva, 28, não apresentava estímulos sensoriais e auditivos ou movimentos desde o dia do parto, mas ao ser colocada junto ao bebê reagiu no mesmo momento, começando a chorar. Uma semana depois, contrariando todas as expectativas ela recebeu alta da UTI. CRESCER conversou com Amanda e alguns dos especialistas que a atenderam no hospital para saber mais sobre essa emociante história. 

O bebê, Vitor Hugo, foi encaminhado à UTI neonatal, onde ficou por seis dias, enquanto a mãe seguiu para o pós-operatório na UTI obstétrica. “Uma semana após a internação, começamos a retirar o remédio que a mantinha dormindo, porém, ela não respondeu como esperávamos. Só conseguimos desligar a sedação nove dias após sua entrada no hospital. Apesar de todos os exames atestarem que ela tinha boa resposta neurológica, ela não se movimentava, só mexia os olhos”, contou a enfermeira Fabíola Nunes de Sá.

       Amanda com a equipe médica, após voltar do coma (Foto: Reprodução Maternidade-Escola Assis Chateubriand)
Amanda com a equipe médica, após voltar do coma (Foto: Reprodução Maternidade-Escola Assis Chateaubriand)

Última esperança

A equipe médica já havia tentado diversos recursos para fazer com que Amanda reagisse, todos sem sucesso. Foi quando cogitaram enviar a paciente para uma outra unidade de saúde, já que não saberiam por quanto tempo ela permaneceria naquele estado. Nesse momento, a enfermeira Fabíola sugeriu o que seria um último recurso: colocar mãe e filho juntos. Apesar da estranheza, devido a paciente estar na UTI, a equipe analisou junto ao infectologista da unidade quais seriam os riscos para o bebê e chegaram à conclusão de que a ideia poderia ser realmente apropriada. Para a surpresa e emoção de todos, deu mais certo do que poderiam imaginar.

A maternidade é conhecida por suas práticas humanizadas, mas nunca antes o corpo clínico havia experimentado uma situação semelhante, como conta o obstetra Carlos Augusto Alencar Junior, gerente de atenção à saúde e responsável por todos os setores dali. “Já havíamos levado crianças para as mães na UTI, mas nunca com uma paciente com respostas tão limitadas, que mexia apenas os olhos. Na mesma hora, porém, ela teve os batimentos do coração acelerados e chorou”, disse.

Fabíola, que a acompanhou de perto, contou que o objetivo inicial era apenas aproximar a mãe do bebê. “Colocamos Vitor Hugo em seu tórax e como ela não conseguia mexer os braços, nós levamos os braços dela até o bebê, para que a abraçasse. Foi quando vimos sair gotas de leite dos seus seios. Isso após 23 dias do parto! Jamais esperávamos uma resposta tão rápida assim”, relatou, emocionada, a enfermeira.

Amanda Alves, que também é mãe de Victoria Cristina, 4 anos, Christopher Bryan, 1 ano e 9 meses, se recorda do momento em que recebeu o caçula Vitor Hugo em seu colo: “A primeira cena que lembro desde que tive a crise de convulsão que me fez ir às pressas para o hospital é de ter um bebê em meus braços, de ter visto a cabecinha dele e também sentido o seu cheiro. Foi uma situação espetacular, mas ao mesmo tempo confusa. Quando já podia me comunicar, perguntei ao meu pai se aquele bebê era o meu. Passei a mão na barriga e vi que não tinha mais nenhum bebê ali. Sim, aquele era o meu filho!”, contou.

Já no dia seguinte, o quadro de Amanda só evoluiu: ela conseguiu sentar, com o apoio da equipe de fisioterapia e, progressivamente, passou a mexer os braços e as pernas. Vinte dias depois, foi para casa sem qualquer sequela, levando o filho nos braços.

A enfermeira Fabíola de Sá, que teve a ideia de colocar mãe e filho juntos (Foto: Reprodução Maternidade-Escola Assis Chateubriand)
A enfermeira Fabíola de Sá, que teve a ideia de colocar mãe e filho juntos (Foto: Reprodução Maternidade-Escola Assis Chateaubriand)

A importância da humanização


A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac-UFC) é um dos 40 hospitais do Brasil gerenciados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), do Ministério da Educação, e que tem uma das mais antigas enfermarias que usa o método canguru (em que a mãe e o bebê ficam em contato pele a pele). Até alguns anos, a prática só era feita com mães que tinham parto normal, mas atualmente as que passam pela cesárea também são incentivadas a esse tipo de vínculo com seus bebês. “Essa prática diminui a infecção dos bebês, ajuda a amamentação e quebra barreiras”, diz o obstetra Alencar Junior. A instituição também participa da “Colaborativa PROADI SUS”, uma parceria no Ministério da Saúde para incentivar ideias que visam reduzir a mortalidade nas UTIs. A ideia da enfermeira Fabíola de colocar mãe e filho juntos, aliás, partiu de uma das reuniões que reúnem diversos profissionais do hospital para discutir caso a caso o que pode ser feito pelos pacientes com estados graves como o de Amanda. A história de Amanda agora vai virar um estudo dentro da maternidade para avaliar a importância desse contato pele a pele entre mãe e bebê.


Dançarinos com Síndrome de Down se apresentam nesta sexta em São Pedro da Aldeia, no RJ

Espetáculo 'Down Dance' será apresentado no Teatro Municipal, às 19h, e tem ingressos a partir de R$ 15.

Por G1 — Região dos Lagos

Espetáculo conta com dançarinos com Síndrome de Down e cadeirantes — Foto: Marcos Souza
Espetáculo conta com dançarinos com Síndrome de Down e cadeirantes — Foto: Marcos Souza

O Teatro Municipal de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio, recebe nesta sexta-feira (5), às 19h, a Companhia Down Dance e convidados para o espetáculo "Down Dance – O Sonho".

Os ingressos são vendidos por R$ 15 (meia entrada) e R$ 30 (inteira) na bilheteria do teatro, na Carlos Eduardo Escola de Dança e no comércio local.

O produtor Allan Lobato afirma que o espetáculo pretende destacar o respeito, a inclusão, a socialização e a acessibilidade em relação às pessoas com Síndrome de Down e cadeirantes.

"Essas pessoas merecem ter oportunidades e o principal objetivo do projeto é esse. Essa é uma iniciativa para que nossos dançarinos sejam vistos de forma independente de suas adversidades. Nós queremos levar, por meio da arte e da dança, uma mensagem para as pessoas, que elas se sensibilizem e percebam o quanto eles são capazes, sua superação e, principalmente, o amor que têm a transmitir", disse o produtor.

O espetáculo conta com cerca de 30 dançarinos, sendo 15 integrantes da Companhia Down Dance, cadeirantes e convidados, com faixa etária entre 17 e 51 anos de idade.

O Teatro Municipal Dr. Átila Costa está localizado na Rua Francisco Santos, s/nº, no bairro Nova São Pedro.

Fonte: g1.globo.com

UFF Pede Patente De Método Que Auxilia Diagnóstico Precoce De Autismo

Estudo pode ser a chave para laudos mais precisos

Resultado de imagem para UFF pede patente de método que auxilia diagnóstico precoce de autismo

A demora para obter um laudo preciso de seu filho, diagnosticado com Transtorno de Espectro Autista (TEA), foi o que motivou Gisele Nascimento, bióloga, pedagoga e socióloga, a direcionar seus estudos para desenvolver métodos que pudessem auxiliar no processo para acelerar o diagnóstico. Ela, que também está no espectro, ingressou então, em fevereiro do ano passado, no doutorado em Ciências e Biotecnologia pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências e Biotecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) para aprofundar sua pesquisa. Em setembro, antes mesmo do término do curso, previsto para o fim do ano, a UFF já fez o pedido de patente de uma ferramenta criada por Gisele que pode auxiliar no diagnóstico de TEA em bebês de 5 a 18 meses e cuja utilização é financeiramente viável, o que permitiria sua aplicação em clínicas médicas.

O método é por medição de movimento ocular, já utilizado em pesquisas no exterior e apenas no campo científico, devido ao seu alto custo. O kit criado por Gisele, composto por um software, uma câmera e um tablet ou um computador, teria um perfil mais popular. O estudo foi feito na UFF de forma multidisciplinar com orientadores das áreas de Ciências da Computação, Biologia e Pedagogia. Por meio da câmera (acoplada ao computador que contém o software) é feita uma análise na medição do movimento ocular no bebê, que pode detectar possíveis aspectos que auxiliam na conclusão do laudo de autismo, que é caracterizado por déficit social relacionado à atenção.

A técnica de fazer a avaliação do paciente por meio da análise do globo ocular já existe, porém não era acessível. Estava apenas no âmbito acadêmico e científico e não era possível, até então, aplicá-la no dia a dia, num consultório ou até mesmo pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E por muitos fatores, entre eles, porque é caro — explica a orientadora Diana Cavalcanti, professora de Biologia e coordenadora da área de Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão.

EM ANÁLISE NO INPI

Em processo de análise para a concessão da patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) — e que ainda deve passar por testes em grande escala —, o kit é visto como um grande avanço para acelerar o laudo de autismo, que ainda não é feito com precisão total, segundo Gisele.

-Esse kit pode mudar a forma de fazer laudos. Atualmente, é muito raro fechar um laudo em um paciente antes dos 2 anos. Os médicos têm muita dificuldade nessa área, porque não existe teste genético nem citológico. Então o exame é clínico, com base em características comportamentais. E muitas vezes não dá para identificar algo cedo. Isso camufla algumas análises — diz Gisele, que também é mestre em Diversidade e Inclusão pela UFF e desenvolveu um método para alfabetização de autistas. — Descobrir o autismo precocemente possibilita intervenções clínico pedagógicas, proporcionando melhores resultados à criança na primeira infância. Os pais podem se organizar, buscar informações e assim direcionar intervenções ao filho.

Um método semelhante ao utilizado por Gisele é o Eye Tracking, que consiste na detecção do transtorno através das reações dos olhos do bebê após ser exposto a imagens de rostos, inclusive o materno. A partir dessas respostas, é possível se aproximar da hipótese do autismo ou descartá-la. A técnica foi desenvolvida por uma equipe comandada pelo psicólogo curitibano Ami Klin e está em fase de avaliação no Marcus Autism Center em parceria com a Emory University, em Atlanta, nos Estados Unidos. Essa fase de testes é necessária porque o método precisa ser avaliado em grande escala, como explica Alysson Renato Muotri, professor de Medicina da Universidade da Califórnia que estuda o TEA desde 2002:

O método (de Ami Klin) existe apenas no âmbito acadêmico porque é algo que ainda não conta com grande poder estatístico para que sua eficiência seja constatada. Ou seja, é preciso ser testado em milhares de pacientes bebês e, anos depois, eles precisam ser reavaliados para que a eficiência seja comprovada. A demora se dá, também, pelo alto custo do método, que requer uma certa tecnologia.

Informado pelo GLOBO-Niterói sobre o kit de Gisele, Muotri o avalia com grande potencial:

-Se for barato e viável, sem uso de material muito sofisticado, será possível aplicar de uma forma mais rápida e mais fácil num grande número de pessoas. Sempre é algo que demanda anos de análises e comparação de resultados para que, de fato, seja constatado eficiente. Mas o fato de poder ser utilizado pelo SUS é ótimo.

A investigação de autismo em bebês passou a ser obrigatória no país. Em setembro do ano passado foi sancionada a lei nº 13.438/2017, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e obriga o SUS a adotar protocolos padronizados para a avaliação de riscos em bebês. Essa lei estabelece que crianças de até 18 meses tenham acompanhamento médico baseado em protocolo ou outro instrumento de detecção de risco no desenvolvimento psíquico.

PALAVRA DO ESPECIALISTA

A VISÃO DE: Gabriela Macedo Dias, médica do setor de psiquiatria Infantil da Santa Casa do Rio de Janeiro. Ela lida com TEA há mais de 15 anos

“Estima-se que a cada 68 crianças, uma seja autista”

As pesquisas em relação ao autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), vêm crescendo consideravelmente, assim como o número de diagnósticos. Hoje, estima-se que a cada 68 crianças, uma seja autista (mais especificamente, um a cada 42 meninos e uma a cada 189 meninas). A causa do autismo ainda não é conhecida, embora a ciência esteja convencida que o fator genético é intrínseco. Com o avanço da medicina, o diagnóstico vem acontecendo cada vez mais cedo.

De forma objetiva, o autismo pode ser explicado como um distúrbio do neurodesenvolvimento que compromete a capacidade da pessoa de se relacionar com o mundo que a cerca. Crianças com menos de 2 anos já aparecem, com frequência, em consultórios e ambulatórios de psiquiatria e neurologia especializados. A queixa inicial dos pais, na maioria das vezes, é o atraso na fala dos filhos. Porém, regularmente o sintoma associa-se a isolamento social (por exemplo, a criança que prefere brincar sozinha na creche, sem fazer questão de estar integrada ao grupo).

O autismo ainda não tem uma cura, mas já é sabido que o diagnóstico precoce favorece uma melhor evolução do quadro, assim como a aceitação da família acerca do diagnóstico e das intervenções clínicas. O transtorno se apresenta de forma diferente de criança para criança.

A visão atual do autismo é de um espectro, onde há uma ampla variação nos desafios e pontos fortes de cada pessoa. No entanto, há um denominador comum: a dificuldade de interação social e de comunicação, a presença de comportamentos repetitivos e a necessidade de manter uma rotina.

Uma vez que o transtorno se manifesta de formas diferentes, a intensidade de cada quadro também difere de paciente para paciente. O autismo é classificado em três níveis de gravidade: leve (nível 1), moderado (nível 2) e grave ou severo (nível 3). Eles são determinados de acordo com a quantidade de apoio necessário ao autista. No nível 3 está aquele paciente com dificuldade intelectual e com déficit grave na comunicação. O comportamento costuma ser inflexível, resistente a mudanças e tendência ao total isolamento social. Um bom exemplo é o personagem de Dustin Hoffman no filme “Rain Man” (1988). Ele interpreta um paciente autista grave, sempre acompanhado pelo irmão, personagem de Tom Cruise.

Os pacientes de nível 2 são aqueles que também necessitam de suporte, porém há uma menor deficiência na linguagem, muito bem interpretado por Peter Sellers no filme “Muito além do jardim” (1979).

No nível 1, de intensidade leve, estão as crianças que precisam de pouco suporte. São aquelas com melhor desenvolvimento, cuja dificuldade de se comunicar não impede as interações sociais, exemplificado nos filmes “Adam” (2009) e “Um time especial” (2011). Outro bom exemplo é o filme “Temple Gradin” (2010), baseado no livro “Uma menina estranha”, escrito pela própria Temple. A obra conta a história de uma mulher com autismo que acabou se tornando uma das maiores especialistas do mundo em manejo de gado e planejamento de currais e matadouros.

Seja qual for o nível do autismo, receber o diagnóstico não é fácil. Famílias peregrinam tentando achar um panorama diferente. Mas é fundamental lembrar que no tratamento do Transtorno do Espectro Autista, o diagnóstico e a intervenção precoces são cruciais para melhorar as chances da criança de desenvolver habilidades cognitivas importantes e funcionar em um nível elevado no futuro. E, sem dúvida, a participação da família, da escola e de todos aqueles que cercam a criança faz a diferença na qualidade do seu desenvolvimento.

PALAVRA DO ESPECIALISTA

A VISÃO DE: Waldirene Araújo, psicopedagoga e coordenadora do núcleo de Educação da Pós-Graduação da Unisuam.

“TEA -únicos e complexos ”

O TEA (Transtorno do Espectro Autista) é uma condição do sujeito que apresenta acentuada dificuldade em interagir socialmente. As características específicas variam na forma como se manifestam e no grau de severidade. Sabe-se que este transtorno ou condição mental pode ter múltiplas explicações, origens ou causas.

É importante ressaltar que não são todos os estudiosos que consideram o autismo uma deficiência neurológica. Podemos relacioná-lo a causas psicoafetivas, neurobiológicas ou genéticas.

Quando se discute o autismo é necessário ter em mente a diversidade de sintomas e as múltiplas formas de manifestações clínicas, considerando os níveis de desenvolvimento e de funcionamento destas. A observação do comportamento e a caracterização das manifestações atitudinais são pistas para definir um perfil de investigação diagnóstica, que no caso do autismo é complexo.

O autismo está inserido na relação de Transtornos Globais do Desenvolvimento, acompanhado pelas psicoses infantis e síndromes – de Ret, Asperger e Kanner. Além de estar associado, em alguns casos, à deficiência intelectual, deficiência auditiva, epilepsia, síndrome de Down ou outras comorbidades.

O TEA apresenta-se em tipos ou subcategorias: autismo infantil, síndrome de Rett, síndrome de Asperger, transtorno desintegrativo da infância e transtorno geral do desenvolvimento não especificado. Quanto aos graus de apresentação, eles podem ser leves, moderados ou severos.

Cada tipo apresenta formas específicas de comportamentos e dificuldades. O Transtorno autístico, autismo clássico ou autismo infantil manifesta-se com atrasos na linguagem, na interação social e na comunicação, surgindo comportamentos incomuns (Grau severo). O Transtorno geral do desenvolvimento não especificado tem em seu comportamento determinadas características do autismo clássico, outras não aparecem (Grau leve). O Transtorno desintegrativo da infância atinge geralmente os pré-escolares. Neste tipo, as crianças perdem as habilidades linguísticas e a capacidade de interagir socialmente (Grau moderado). Na síndrome de Asperger, as dificuldades apresentam-se na utilização funcional da linguagem e nas dificuldades com a interação social (Grau moderado). Os indivíduos que apresentam a Síndrome de Rett, frequentemente são meninas acometidas a medida em que envelhecem (Grau severo). Em todos os casos, a dificuldade de aprendizagem é um sintoma característico e precisa ser acompanhado o mais precocemente possível.

A desordem cerebral representada no desenvolvimento da pessoa com autismo interfere consideravelmente na maneira como ela lida com o mundo. Suas percepções, sensações, a forma como distingue os sons, seus comportamentos, habilidades de interação social e comunicação são únicas, complexas e tornam-se desafios diários desta condição crônica. Esta deficiência neurológica tem mobilizado médicos, cientistas, professores, psicopedagogos, fonoaudiólogos e psicólogos na tarefa de pesquisar manejos específicos que possam minimizar as dificuldades diárias destes indivíduos.

Os estudos avançam, e assim como as famílias, as escolas e a sociedade têm se apropriado das características e peculiaridades destes sujeitos únicos e significativos na tarefa inclusiva de cada dia.

Esperança por todos os Felipes que ainda virão

Luciana Calaza é jornalista e coordenadora do Juntos!, grupo de apoio a familiares de pessoas com autismo

“Quando Felipe tinha 1 ano e meio e ainda não falava nenhuma palavra, me preocupei com o atraso na linguagem. ‘Calma, cada criança tem seu tempo’ e ‘Você está transmitindo sua ansiedade para ele’ foram algumas das frases que eu mais ouvi, inclusive de pediatras. Felipe veio a falar, mas o atraso era evidente. A partir daí, começou a peregrinação pelos consultórios de neuropediatras, psiquiatras, fonoaudiólogas e psicólogas. Mas, por incrível que pareça, meu filho só recebeu o diagnóstico de autismo aos 5 anos, quando surgiram os meltdowns — crises nervosas com episódios de agressão, causadas por sobrecarga sensorial ou emocional.

A nossa história é parecida com a de muitas outras famílias. O diagnóstico do autismo é clínico, feito através de observação do comportamento e de entrevistas com os responsáveis. Quando os sinais não estão claros — se não existem estereotipias (movimentos ou sons repetitivos) ou ausência de linguagem, por exemplo — os médicos preferem diagnosticar um atraso global do desenvolvimento até que a idade traga mais clareza. Bom, a falta de preparo dos profissionais de saúde é uma outra conversa.

Infelizmente, para uma família, as consequências do diagnóstico tardio podem ser avassaladoras. É claro que a plasticidade cerebral acontece por toda a vida, mas, quanto mais jovem, maior é a capacidade do cérebro de mudar, se adaptar e desenvolver conexões sinápticas entre os neurônios. Assim, quanto mais precoces forem as intervenções terapêuticas, melhores os prognósticos de melhorar as habilidades sociais e de comunicação em crianças com autismo. Quando isso não acontece, o tempo perdido dificilmente pode ser recuperado.”

Expectativa nas pesquisas

“Hoje com 11 anos, Felipe se comunica minimamente para expressar as necessidades mais básicas, ainda não está alfabetizado e precisa de muita ajuda para as atividades diárias. Mas também é um meninão alegre e cheio de conquistas, que adora desenhar e cantar, do seu jeitinho.

Nunca saberemos como ele estaria se tivesse sido diagnosticado, no mínimo, desde a primeira vez em que eu suspeitei que havia algo diferente em seu desenvolvimento. Como não podemos voltar no tempo, procuro não pensar mais nisso. Mas quando ouço uma mãe dizendo que percebe em seu filho um atraso na comunicação, dificuldade de interação ou interesses restritos e repetitivos e que os médicos consultados não chegaram a um diagnóstico, chego a ficar arrepiada.

Por outro lado, notícias de pesquisas para desenvolver exames que podem indicar se uma criança desenvolverá autismo antes mesmo de surgirem sintomas comportamentais claros, levantando a possibilidade de intervir no transtorno muito cedo, enchem meu coração de esperança. Por todos os pequenos Felipes que ainda virão por aí.”


Cadeirantes sofrem com falta de acessibilidade em avenidas de Palmas - Veja os vídeos

Cadeirantes sofrem com esse problema em várias regiões da capital. Nem mesmo as faixas de pedestres têm a rampa para o acesso de quem é deficiente físico.

Por G1 Tocantins

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Cadeirantes sofrem com a falta de acessibilidade nas ruas de Palmas

Em Palmas, cadeirantes sofrem com a falta de acessibilidade. É o que acontece, por exemplo, na principal avenida no centro de Taquaralto, na região sul da capital. O estudante Rafael Freire sofreu um acidente de carro e por isso é cadeirante há quatro anos. Ele sente na pele a falta de acessibilidade.

Clique AQUI para ver os vídeos.

"Isso é um caso que se repete ao longo de toda a avenida. Eu necessito de alguns serviços que a avenida fornece como farmácia e não posso. Toda vez que venho aqui é necessário ter alguém me acompanhando por causa desse descaso", desabafa.

"A minha liberdade que é um direito garantido constitucionalmente, aqui é limitado. Que liberdade é essa que não posso transitar na avenida sozinho", reclama o estudante.

A faixa de pedestre que fica em frente à feira da 304 Sul também é um dos locais onde falta a rampa de acesso. Como mostra a telespectadora da TV Anhanguera.

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Telespectadora mostra falta de acessibilidade nas faixas de pedestres em Palmas

A Prefeitura de Palmas foi procurada, mas até a publicação dessa reportagem não enviou resposta.

Cadeirantes sofrem com falta de acessibilidade em Palmas — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Cadeirantes sofrem com falta de acessibilidade em Palmas — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Fonte: g1.globo.com


Deficientes de Niterói precisam pagar passagem em municípios vizinhos

O benefício do Vale Social não dá direito a viagens municipais em cidades que não sejam as de origem do beneficiário

Benefício parcial. Sidneia e Wagner, de São Gonçalo, na AFR Foto: Fábio Guimarães / Fábio Guimarães
Benefício parcial. Sidneia e Wagner, de São Gonçalo, na AFR Foto: Fábio Guimarães / Fábio Guimarães

Lívia Neder

NITERÓI - Beneficiários do Vale-Transporte Social que moram em municípios vizinhos, mas fazem tratamentos em unidades da cidade, como a Associação Fluminense de Reabilitação (AFR) e a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), vêm sofrendo com o excesso de burocracia para obter a gratuidade no transporte público.

O benefício do Vale Social — concedido a portadores de deficiência (física, visual, auditiva ou mental) e a doentes crônicos que estejam em tratamento médico ou medicamentoso, em unidade pública de saúde ou conveniada ao SUS — não dá direito a viagens municipais em cidades que não sejam as de origem do beneficiário, e muitos ficam com dificuldade para se tratar.

Concessão estadual

Como o vale emitido pela Secretaria Estadual de Transportes (Setrans) só dá direito a passagens em transportes de concessão estadual — rodoviário intermunicipal, metroviário, ferroviário e aquaviário —, na prática, quando os pacientes chegam ao Terminal Rodoviário João Goulart, por exemplo, e precisam pegar ônibus municipais para seguir para outros bairros perdem o direito à gratuidade.

Em tratamento na AFR, devido a sequela decorrente de uma paralisia cerebral, Tatiana Rodrigues, de 33 anos, moradora de São Gonçalo, conta que nos dias em que não tem dinheiro de passagem depende da boa vontade de motoristas:

— É revoltante e humilhante passar por isso. Tenho colegas na AFR que, às vezes, vão a pé do terminal a Icaraí porque não têm o dinheiro da passagem.

Acompanhando na AFR o filho Wagner, portador da Síndrome de Down, Sidneia de Andrade, também moradora de São Gonçalo, passa pelo mesmo problema:

— Parei de trabalhar para cuidar do meu filho, então esse dinheiro faz falta.

Coordenadora de voluntariado da AFR, Maria da Conceição Guimarães relata que o problema é recorrente:

— Nós encaminhamos o pedido de Vale Social ao estado para que a pessoa com deficiência não precise se deslocar, mas até a emissão tem sido muito demorada. Em geral, leva três meses.

Diretor da Andef, Anderson Lopes alerta que a legislação estadual precisa ser revista:

— Há cerca de dois anos o passe era unificado. Por conta de pressão dos empresários de ônibus, resolveram restringir essa situação para pessoa com deficiência, que já sofre todos os dias com a falta de acessibilidade. A pessoa com deficiência irreversível tem o direito ilimitado ao transporte, então imagina ter que fazer um vale em cada município aonde ela for.

Em nota, a Setrans diz que, caso o usuário necessite complementar o seu deslocamento com um transporte municipal, o benefício deverá ser solicitado à prefeitura. Esta afirma que estuda uma forma de atender em Niterói deficientes e doentes crônicos de outros municípios nessa situação, utilizando para isso o fundo de transportes municipal urbano.

Paralisia cerebral pode afetar desenvolvimento motor e cognitivo

Paralisia cerebral é caracterizada por alterações neurológicas permanentes que afetam o desenvolvimento motor e cognitivo

MAIARA RIBEIRO*

inalador crianca bebe

A paralisia cerebral (PC) é uma condição não progressiva caracterizada por alterações neurológicas permanentes que comprometem o desenvolvimento motor e/ou cognitivo do paciente, causando limitações nas atividades cotidianas. É a deficiência mais comum na infância. Hoje, existem cerca de 17 milhões de pessoas com paralisia cerebral. Uma em cada quatro crianças com esse diagnóstico não fala; uma em cada três não anda; uma em cada duas tem deficiência intelectual e uma em cada quatro tem também epilepsia. As informações são do movimento internacional World Cerebral Palsy Day (em português, Dia Mundial da Paralisia Cerebral, que é celebrado em 6 de outubro).

Uma das principais causas do problema é a hipóxia, situação em que, por algum motivo relacionado ao parto, tanto referentes à mãe quanto ao feto, há falta de oxigenação no cérebro, resultando em uma lesão cerebral. O dr. José Luiz Pedroso, professor afiliado do Departamento de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), explica que o cérebro é constituído por duas regiões bem delimitadas: uma mais superficial, chamada de córtex, que comanda as funções superiores, e uma mais profunda, a substância branca cerebral, por onde passam as vias motoras. “Lesões no córtex cerebral interferem na linguagem, memória, comportamento e visão, ao passo que lesões na substância branca cerebral causam problemas motores, postura anormal e alterações do tônus muscular. Essas lesões são permanentes, já que a célula nervosa (neurônio) tem uma regeneração parcial ou incompleta”, explica.

Além da falta de oxigenação, existem outras complicações, menos recorrentes, que podem provocar a paralisia. Entre elas estão anormalidades da placenta ou do cordão umbilical, infecções, diabetes, hipertensão (eclâmpsia), desnutrição, uso de drogas e álcool durante a gestação, traumas no momento do parto, hemorragia, hipoglicemia do feto, problemas genéticos e prematuridade com consequente fragilidade vascular.

LIMITAÇÕES

Foi exatamente a primeira situação (hipóxia) que acometeu a filha da professora Marina Dias. Durante a gestação de Yasmin – que a família apelidou de Mimi –, todos os exames estavam normais e a menina nasceu no tempo certo, mas no momento do parto houve uma complicação que fez com que ela viesse ao mundo sem respirar. A bebê foi reanimada logo após o nascimento e passou um mês internada antes de ir para casa. Nesse período, teve convulsões e foi colocada em coma induzido por alguns dias para reduzir o risco de mais danos cerebrais. “O médico que acompanhou o caso trabalhava na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e nos preparou para o que iria acontecer. Mimi teve paralisia cerebral e as sequelas poderiam variar, mas só o tempo nos diria como seria o seu desenvolvimento”, conta Marina.

Segundo o dr. Pedroso, a paralisia cerebral pode ser leve, moderada ou grave, conforme a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS). Existe ainda uma classificação quanto ao tipo de envolvimento do sistema nervoso: o problema pode ser apenas motor, cognitivo ou misto (quando tanto a parte motora quanto a cognitiva são afetadas). “A apresentação clínica e os sintomas relacionados à paralisia cerebral são muito variáveis, o que pode gerar uma diferença marcante entre os pacientes”, afirma o médico.

Os tratamentos propostos podem melhorar muito a qualidade de vida desses pacientes, mas na maioria das ocorrências permanecerá algum grau de limitação física. Não é possível falar de um prognóstico geral para todos os casos.

As alterações da parte motora incluem problemas na marcha (como paralisia das pernas), hemiplegia (fraqueza em um dos lados do corpo), alterações do tônus muscular (espasticidade que se caracteriza por rigidez dos músculos) e distonia (contração involuntária dos membros). Em casos graves, há necessidade do uso de cadeira de rodas. Já as alterações cognitivas incluem problemas na fala, no comportamento, na interação social e raciocínio. Os pacientes também podem ter convulsões.

A variabilidade de apresentações está diretamente relacionada à extensão do dano neurológico: lesões mais extensas do cérebro tendem a causar quadros mais graves. A PC pode ter diferentes graus de comprometimento motor e cognitivo, podendo ir desde um leve acometimento com pequenos déficits neurológicos até casos graves, com grandes restrições à mobilização e dificuldade de posicionamento e comprometimento cognitivo associado. Portanto, é possível que, em casos mais leves, um paciente consiga trabalhar, estudar, fazer faculdade e levar uma vida semelhante à de quem não tem a deficiência”, esclarece o dr. Ricardo Leme, coordenador do Departamento de Neurologia do Hospital Infantil Sabará.

TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR

O tratamento inclui diversos profissionais de saúde, como fisiatra, ortopedista, neurologista, pediatra e oftalmologista, além de outros especialistas da saúde, como fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, educador físico e nutricionista. O dr. Pedroso explica que a reabilitação com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional é fundamental e deve ser iniciada o mais rápido possível.

“A reabilitação tem como objetivos contemplar o ganho de novas habilidades e minimizar ou prevenir complicações (como a prevenção de deformidades articulares ou ósseas, por exemplo). O uso de órteses pode ser necessário em algumas situações. Deve-se sempre identificar as capacidades e incapacidades da criança, além de problemas relacionados, tais como convulsões, distúrbios respiratórios e digestivos. Não há prazo para o término da reabilitação, que pode se estender por toda a vida”, destaca.

Não há cura para a paralisia cerebral, mas o processo de reabilitação pode resultar em grandes avanços. “Os tratamentos propostos podem melhorar muito a qualidade de vida desses pacientes, mas na maioria das ocorrências permanecerá algum grau de limitação física. Não é possível falar de um prognóstico geral para todos os casos. Cada um deve ser visto isoladamente em razão da grande variedade de apresentações clínicas.”

No caso de Yasmin, a família buscou diversas terapias: fonoaudiologia, fisioterapia, equoterapia, hidroterapia e pet terapia. Mesmo assim, seu desenvolvimento era lento e, além disso, a menina tinha dificuldade para se alimentar. Nunca mamou no peito, não conseguia comer nada que não fosse pastoso e levava horas para terminar uma refeição. Aos cinco anos, teve que passar por um procedimento de gastrostomia para introduzir uma sonda alimentar. Desde então, se alimenta apenas dessa forma. Segundo Marina, isso dificultou ainda mais sua inclusão escolar. “A Mimi foi alfabetizada por mim na idade correta com adaptações que eu fazia e colava na mesa e ela apontava com muita dificuldade a resposta correta. E chegou a hora da escola. Fomos à Prefeitura, escolas particulares e públicas e tivemos muitas portas fechadas. Sua matrícula só aconteceu porque me comprometi a ficar com ela na sala. A primeira escola foi na rede particular, depois estadual e especial. Infelizmente, nada deu certo”, conta. Desde então, a mãe conduz a educação de Yasmin em casa.

AUTONOMIA DOS PACIENTES COM PARALISIA CEREBRAL

Para o dr. José Luiz Pedroso, da ABN, a sociedade precisa entender as limitações dos pacientes com paralisia cerebral e compreender as dificuldades enfrentadas por eles. Ao mesmo tempo, também é importante reconhecer suas capacidades de convívio social, produção e trabalho, permitindo, dessa forma, que possam ter uma vida normal. “Embora alguns pacientes apresentem formas graves e sejam dependentes de cuidados, outros podem desempenhar uma vida muito ativa e independente, trabalhar, estudar e levar uma vida semelhante à de quem não tem problemas neurológicos”, afirma.

Apesar de suas limitações físicas e atraso no desenvolvimento, Marina sempre acreditou que Yasmin tinha entendimento perfeito dos acontecimentos ao seu redor. Aos dois anos, a menina passou por uma avaliação cognitiva com uma professora dos Estados Unidos que estava na AACD. “Ela afirmou o que eu já sabia: minha filha tinha o cognitivo preservado e tínhamos que dar a ela possibilidades de se comunicar e criar autonomias. Sempre disse isso às terapeutas, mas achavam que naquele corpo frágil que não atendia a comandos não poderia estar uma criança inteligente e feliz. Foi aí que comecei a minha jornada de professora e mãe. A especialista disse que ela seria capaz de aprender qualquer coisa e isso aconteceu. Ela é muito inteligente. Já estudou inglês, sabe fazer contas e aprende tudo o que ensinamos”, conta.

Temos que respeitar a autonomia do deficiente e lutar para que ela aconteça de todas as formas. Sabíamos que pela sua deficiência motora grave, lutar pela comunicação alternativa era lutar para ela ter voz. E hoje ela tem.

No início, a comunicação acontecia apenas por meio de sorrisos, gestos e balbucios. Mas a família decidiu buscar uma forma para que Yasmin se comunicasse e todos entendessem. Hoje, é por meio de um aplicativo de celular com sensor de movimento que eles interagem. Ela consegue acessar a internet, fazer contas e escrever. Tem consciência de sua deficiência e muitos sonhos. “Agora percebemos o quão importante é a comunicação para os especiais. Ficávamos cheios de ‘achômetros’ e vejo atualmente que errava nas minhas escolhas por ela e a deixava frustrada. Temos que respeitar a autonomia do deficiente e lutar para que ela aconteça de todas as formas. Sabíamos que pela sua deficiência motora grave, lutar pela comunicação alternativa era lutar para ela ter voz. E hoje ela tem”, afirma Marina.

ROTINA E ESPORTE

Três anos após dar à luz Yasmin, Marina teve Nicolly de maneira planejada. A caçula levou alegria para a casa em um momento difícil para a família. “A gente se virava para cuidar das duas entre tantas terapias e as necessidades da Nicolly, normais de qualquer criança. Não lembro dos primeiros passos da Nick, do que ela gostava de comer ou de brincar. Sobrevivemos nesse início tão difícil. Mas as duas são muito unidas. Dormem no mesmo quarto, dividem roupas e têm gostos parecidos. Agradeço a Deus por ter tido coragem de ter a Nick, assim a Mimi tem com quem viver as coisas “normais” de crianças e adolescentes, sem o peso da deficiência. A vida ficou mais leve com sua chegada e as duas nos fazem muito felizes”, conta.

Marina junto com o marido, José Roberto, e as duas filhas, Yasmin e Nicolly, em evento no centro de reabilitação onde Yasmin faz fisioterapia.

Atualmente, Yasmin faz fisioterapia motora, musicoterapia, educação física adaptada e terapia ocupacional. “Aos finais de semana tentamos ter uma vida normal, como a de qualquer família com duas adolescentes. Vamos ao shopping, passeios, shows de rock, parques, praias ou qualquer outro evento. Ela odeia ficar em casa, tem pressa de viver e de ser feliz”, diz Marina. A mãe deixou o trabalho para se dedicar aos cuidados com a filha, que envolvem tanto seu tratamento como sua educação.

Desde maio de 2018, Yasmin também pratica bocha adaptada. O esporte sempre esteve nos planos da família e os resultados têm sido positivos. A atividade trouxe alegria, disciplina e até ganhos de movimento no braço. A fisioterapia é basicamente para manutenção dos seus progressos, e a bocha entrou como uma opção para proporcionar novos movimentos.

MAIARA RIBEIRO*
Jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella e interessada em temas relacionados a saúde da mulher e deficiências na infância.

Câncer de mama também pode afetar homens

Histórico de câncer de mama na família, mesmo em mulheres, obesidade e problemas no fígado são fatores de risco para a doença

JORNAL DA RECORD

Foto: Reprodução/Record TV
Câncer de mama não afeta apenas as mulheres. No mês de conscientização sobre a doença, especialistas chamam atenção para o problema, que pode ser desenvolvido por homens também 
Câncer de mama não afeta apenas as mulheres. No mês de conscientização sobre a doença, especialistas chamam atenção para o problema, que pode ser desenvolvido por homens também.

Foto: Pixabay
No Brasil, 500 casos são registrados por ano. O câncer é o mais comum entre as mulheres e, apesar de ser raro, também pode atingir homens. De cada 100 pacientes com câncer de mama, 1 é homem
No Brasil, 500 casos são registrados por ano. O câncer é o mais comum entre as mulheres e, apesar de ser raro, também pode atingir homens. De cada 100 pacientes com câncer de mama, 1 é homem.

Foto: Pixabay
A doença tem quase 100% de chance de cura, quando identificada no estágio inicial. Entretanto, a falta de informação e a baixa incidência faz com que os homens fiquem menos atentos aos sinais
A doença tem quase 100% de chance de cura, quando identificada no estágio inicial. Entretanto, a falta de informação e a baixa incidência faz com que os homens fiquem menos atentos aos sinais.

Foto: Pixabay
A mastologista Priscilla Vilella explica que os sintomas podem ser notados em um autoexame: “Um aumento de volume, uma retração de pele, que é quando o homem faz um movimento e percebe que tem um afundamento da pele. Na hora que ele apalpa, ele pode sentir um caroço'
A mastologista Priscilla Vilella explica que os sintomas podem ser notados em um autoexame: “Um aumento de volume, uma retração de pele, que é quando o homem faz um movimento e percebe que tem um afundamento da pele. Na hora que ele apalpa, ele pode sentir um caroço".

Foto: Pixabay
Além dos nódulos, os homens devem notar se há secreção, sensibilidade ou inchaço no mamilo, sinais que também podem indicar a existência do câncer de mama
Além dos nódulos, os homens devem notar se há secreção, sensibilidade ou inchaço no mamilo, sinais que também podem indicar a existência do câncer de mama.

Foto: Pixabay
Uma consulta de rotina basta para diagnosticar a doença. Quanto mais tempo leva para descobrir o câncer, mais difícil é o tratamento, que pode ser feito por quimioterapia e até cirurgia para a retirada da mama
Uma consulta de rotina basta para diagnosticar a doença. Quanto mais tempo leva para descobrir o câncer, mais difícil é o tratamento, que pode ser feito por quimioterapia e até cirurgia para a retirada da mama.

Foto: Pixabay
Histórico de câncer de mama na família, mesmo em mulheres, obesidade e problemas no fígado são fatores de risco em homens. Para assistir às matérias do Jornal da Record, acesse PlayPlus.com
Histórico de câncer de mama na família, mesmo em mulheres, obesidade e problemas no fígado são fatores de risco em homens. Para assistir às matérias do Jornal da Record, acesse PlayPlus.com.

Fonte: recordtv.r7.com


Ensino: um problema de inclusão em Portugal


Com a alteração legislativa, deixa de haver meninos do ensino especial, só meninos da escola - todos os alunos podem ter medidas de apoio para facilitar a aprendizagem. A nova lei, diz a associação Pais em Rede, é necessária mas difícil de aplicar. O Governo acredita que até ao final de novembro, as primeiras avaliações vão estar terminadas e as respetivas medidas de apoio a ser colocadas em prática.

O governo acredita que as primeiras avaliações sobre que alunos têm necessidades de saúde especiais devem estar concluídas até ao final de novembro. Ao Expresso, o secretário de Estado da Educação, João Costa, refere que os prazos não são o mais importante nesta fase de entrada em vigor das novas regras e que este é um ano letivo sobretudo de transição, apropriação de medidas e formação.

“Pelo que tenho recebido das escolas, diria que até ao final de novembro as primeiras avaliações já vão estar a ser concluídas e as medidas a começarem a ser implementadas. Pelo relato que temos tido das escolas, diria que sim”, disse João Costa.

E isto é possível? A Pais em Rede, organização não governamental para pessoas com deficiência, diz que é difícil, mas não impossível. “Até ao Natal, acho possível, até ao fim de novembro não é fácil, mas fazível”, diz Júlia Serpa Pimentel, professora do ISPA - Instituto Universitário e voluntária na associação, onde preside à mesa da assembleia geral. “Se está tudo bem? Não está. Se este ano vai estar tudo bem? Não sei. Se no próximo ano letivo vai estar tudo bem? Se as escolas quiserem…”

A nova legislação altera a lei da educação especial, e as medidas especiais poderão ser aplicadas a qualquer aluno. Ou seja, permite que qualquer aluno seja avaliado por uma equipa multidisciplinar, para que posteriormente seja objeto de medidas específicas. O que muda é que o critério para um maior acompanhamento seja exclusivamente médico. “O que temos é uma abordagem multinível, em que vamos adequar medidas às necessidades específicas de cada aluno: porque têm uma deficiência, porque estão a passar um momento familiar complicado ou porque são refugiados que acabam de chegar a Portugal. Afastámos-nos de um modelo estritamente clínico e médico para um modelo centrado na identificação das necessidades de cada um, que podem ser clínicas ou de outra natureza completamente diferente (background familiar, por exemplo)”, explica o secretário de Estado.

As aulas começaram há cerca de duas semanas e, devido a esta transição legislativa, há situações de fronteira - como o “PÚBLICO” noticiou no fim de semana, referindo casos de alunos com deficiência profunda que aguardam por uma avaliação - e entretanto estão numa situação escolar incerta. “São casos pontuais”, indica o secretário de Estado aos Expresso. Desde o começo do ano letivo, chegaram à Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) nove queixas, que foram “logo resolvidas”, segundo este organismo.

Os dois casos denunciados pelo “Público” estão regularizados: “Num dos exemplos, tinha havido uma transferência de Lisboa para Viana do Castelo, era um aluno novo na escola, para o qual já estavam a ser desenhadas as medidas de apoio. E quando se falou com a mãe estava já tudo tratado. No outro caso, o diretor reportou que tinha um conjunto de assistentes operacionais de baixa e, durante uns dias, questionou os pais se podiam ficar com os filhos até a funcionária voltar. Claro, isto não deve acontecer, pois o que a direção da escola deve fazer de imediato é pedir uma substituição”, diz João Costa. “Os alunos com deficiência têm exatamente os mesmos recursos e medidas que tinham no ano passado. É dada continuidade às medidas. É uma dúvida que nunca nos chegou. Quando a escola recebe um aluno com multideficiência, obviamente não vai pô-lo na sala de aula a fazer de conta que ele não tem multideficiência”, acrescenta.

A Pais em Rede assegura que não recebeu qualquer queixa relativamente à implementação da lei e sempre que recebe pedidos de esclarecimento encaminha-os para os organismos governamentais, que acredita “estarem a fazer de tudo para que as coisas aconteçam”. E, por isso mesmo, apelam - à semelhança do Ministério da Educação - que qualquer problema, situações de impedimento ou caso de discriminação sejam denunciados à DGEstE.

“É uma lei muito bonita no papel, mas não para pôr em prática. O que sabemos, e são coisas contadas mais a título particular, é que há locais em que a única mudança foi a placa à porta da sala. Passou de Salas de Apoio à Multideficiência para Centros de Apoio à Aprendizagem”, conta Júlia Serpa Pimentel.

UMA LEI URGENTE

“Foi tudo feito com bastante tempo”, refere a voluntária da Pais em Rede, que diz ter sido ouvida pelo Ministério há mais de um ano. “A questão é que a lei caiu no fim do ano letivo e foi posta em prática logo em setembro”, considera, lembrando que havia “pressão real para que a lei de 2008 fosse alterada”. A antiga legislação previa a criação de salas para alunos com espetro de autismo e também de apoio à multideficiência, o que as Nações Unidas defenderam já não fazer sentido - e por isso recomendaram a mudança legislativa.

“É uma lei necessária e positiva, embora não a fizesse exatamente desta forma. Acho também que se estivermos à espera que todos estejam preparados, nada muda”, defende.

Quando a lei foi pensada, estava previsto um ano para a sua aplicação, para a formação de professores e para a preparação das escolas, refere Júlia Serpa Pimentel. Isso não aconteceu. Segundo o Ministério da Educação, a lei esteve a ser trabalhada durante dois anos, houve reuniões com diretores por todo o país, workshops. “Cerca de 5000 professores foram abrangidos pelas ações de formação”, diz João Costa.

Para o secretário de Estado, não há dúvida que, na lógica de progressividade da legislação, os professores e as escolas estão “certamente preparados” para a mudança e todo o trabalho que esta implica. No entanto, quando questionado sobre a preparação das escolas e professores, relembra que 2018/2019 é “claramente um ano de apropriação e formação”. “Estas coisas não se fazem de uma dia para o outro”, sublinha.

A Pais em Rede lembra ainda que, tornando a escola inclusiva, em que as medidas especiais são universais e podem ser aplicadas a todos os alunos, deveria existir um reforço do pessoal. “Se não houver, corre-se o risco de os jovens que gastam mais recursos não terem os suficientes. De certeza que não vão ter os recursos que os pais desejariam, mas garantidamente não estavam melhor com a outra opção”, conclui Júlia Serpa Pimentel.

Fontes: Expresso - tetraplegicos.blogspot.com

Brasil lidera Ranking Mundial de Judô Paralímpico em três categorias

Foto: Leandro Martins/CPB/MPIX
Brasil lidera Ranking Mundial de Judô Paralímpico em três categorias
Legenda: Rebeca Silva tenta aplicar golpe em adversária.

No Ranking Mundial de Judô Paralímpico divulgado na última segunda-feira, 1, pela Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA – sigla em inglês) três brasileiros estão na liderança e dois na segunda colocação, de suas respectivas categorias. Ao todo são sete judocas do Brasil entre os dez primeiros colocados.

Antônio Tenório domina a categoria meio-pesado. O veterano conquistou recentemente a medalha de bronze na Copa do Mundo IBSA, no Cazaquistão, e somou pontos que o credenciaram na primeira colocação.

Com apenas 17 anos, Rebeca Silva assumiu a liderança pela primeira vez na sua carreira. A peso pesado foi campeã da Copa do Mundo e mostrou mais uma vez que é um dos grandes nomes do judô paralímpico brasileiro na atualidade. Na divisão de baixo, Alana Maldonado domina os médios. A vice-campeã dos Jogos Rio 2016 manteve a primeira colocação e superou as concorrentes.

O Brasil tem ainda como destaque Wilians Araújo e Lúcia Araújo, segundos colocados nas categorias pesado e meio-médio, respectivamente. Além deles, Arthur Silva (90kg) e Maria Nubea Lins (57kg) aparecem entre os dez primeiros, na oitava e nona colocação, respectivamente.

A Seleção Brasileira se apresenta neste sábado, 6, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, para a VI Fase de Treinamento, para dar continuidade na preparação dos atletas para o Campeonato Mundial IBSA, em novembro, na cidade de Lisboa, Portugal.

Confira a relação dos brasileiros melhores colocados em cada peso:

60kg – Thiago Marques – 17º
66kg – Halyson Boto – 29º
73kg – Luan Pimentel – 15º
81kg – Harlley Arruda – 14º
90kg – Arthur Silva – 8º
100kg – Antônio Tenório – 1º
+100kg – Wilians Araújo – 2º

48kg – Luiza Oliano – 15º
52kg – Michele Ferreira – 14º
57kg – Maria Nubea Lins – 9º
63kg – Lúcia Araújo – 2º
70kg – Alana Maldonado – 1º
+70kg – Rebeca Silva – 1º

Patrocínio e apoio ao esporte

Com o patrocínio da Infraero desde 2009, o judô paralímpico brasileiro conta com recursos oriundos desta parceria, fundamentais na execução das fases de treinamento, realização das duas etapas do Grand Prix, intercâmbios dos atletas da seleção, contratação de profissionais para a equipe multidisciplinar, além de atender outros projetos importantes para o crescimento da modalidade no país.

Fonte: cbdv.org.br

Brasileiro Loterias Caixa de Esgrima em CR e Halter será no próximo fim de semana

Daniel Zappe/MPIX/CPB
Imagem

Por CPB

A esgrima em cadeira de rodas e o halterofilismo descobrirão seus campeões brasileiros no próximo fim de semana, de 12 a 14 de outubro. O primeiro Campeonato Brasileiro Loterias Caixa das modalidades acontecerá no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, e contará com a participação de 94 halterofilistas e 40 esgrimistas, de 12 Estados e do Distrito Federal.

Para os levantadores de peso, o Brasileiro servirá como seletiva para a principal competição internacional do ano: o Campeonato Regional das Américas, que acontecerá em dezembro, na cidade de Bogotá, na Colômbia. Os regionais continentais contam pontos para o ranking paralímpico da modalidade - que é vital na obtenção de vagas para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.

“Nem medalhistas paralímpicos têm vaga garantida para o Regional das Américas, então teremos uma competição bastante forte. Nossos principais atletas virão para brigar por vaga”, disse Felipe Dias, coordenador-técnico do halterofilismo e da esgrima em cadeira de rodas no Comitê Paralímpico Brasileiro.

As marcas feitas pelos halterofilistas em São Paulo serão homologadas no ranking mundial, já que a competição é reconhecida pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em Inglês). Por isso, alguns atletas passarão pela classificação funcional internacional. “Ficamos um tempo sem pedir o reconhecimento para o IPC, mas entendemos a importância disso, não só para os atletas, mas também para os árbitros. Assim, os atletas podem pleitear Bolsa Pódio, por exemplo, e a arbitragem ganha experiência e pode subir de nível internacionalmente”, comentou Felipe.

Participam desta competição os atletas que atingiram o índice mínimo qualificatório. No masculino, além do índice, a inscrição ficou restrita apenas aos oito primeiros colocados do ranking nacional de cada categoria.

Já na esgrima em cadeira de rodas, o Campeonato Brasileiro Loterias Caixa encerra a temporada nacionalmente e será última oportunidade de a comissão técnica avaliar os atletas visando às próximas convocações para Seleção Brasileira. Ainda neste ano, o Brasil disputará mais duas etapas da Copa Mundo da modalidade: na Geórgia, em novembro, e no Japão, em dezembro.

“A categoria C está perdendo força mundialmente, então naturalmente no Brasil também temos menos atletas. Nesta competição, não teremos nenhum atleta desta classe e a constância do número de inscritos nos deixa feliz porque significa que as categorias A e B tiveram um aumento de atletas”, analisou Felipe.

O Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas e Halterofilismo é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Ao longo desta temporada, três etapas nacionais de cada modalidade foram realizadas e os melhores colocados do ranking nacional pleitearam a vaga para o Brasileiro.

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir o Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas e Halterofilismo não precisam de credenciamento prévio. Bastará dirigir-se à sala de imprensa para identificação.

Patrocínios
O Campeonato Brasileiro de Esgrima em CR e Halterofilismo tem patrocínio das Loterias Caixa.

Serviço
Data: 12, 13 e 14 de outubro
Cidade: São Paulo (SP)
Local: CT Paralímpico Brasileiro, em São Paulo - Rodovia dos Imigrantes, km 11,5 (ao lado do São Paulo Expo)

Programação*

Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas
Sexta-Feira (12/10) - 8h às 12h30 e 13h30 às 19h30
Sábado (13/10) 8h às 12h30 e 13h30 às 19h
Domingo (14/10) - 8h às 12h

Campeonato Brasileiro de Halterofilismo
Sexta-Feira (12/10) - 10h às 12h30 e 16h às 19h
Sábado (13/10) - 10h às 12h30 e 16h às 19h30
*Programação sujeita a alterações

Fonte: cpb.org.br