sexta-feira, 12 de outubro de 2018

'Não quero ser deixado de lado só porque sou cego. Só quero me divertir', diz menino com deficiência visual - Veja o vídeo

Juan, de 10 anos, teve câncer e perdeu a visão aos 4 anos
Juan, de 10 anos, teve câncer e perdeu a visão aos 4 anos Foto: Raphael Andeeozzi

por Carla Nascimento

Juan pilota carrinho de controle remoto, joga videogame, ama Dragon Ball, gosta de andar de bike em alta velocidade, faz parkour na escola e desenvolveu técnicas apuradas para ganhar o pique-pega. Basicamente um menino de 10 anos sendo... um menino de 10 anos. O que ele quer neste Dia das Crianças? Além de um carrinho novo, um pedido que não custa nada: não ser deixado de lado quando as outras crianças resolvem brincar.

No Instituto Benjamin Constant, que atende pessoas com deficiência visual e de baixa visão, no Rio, Juan aprende a associar independência e segurança, e faz até aula de parkour. A cada volta no percurso, o menino, que perdeu a visão definitivamente aos 4 anos por conta de um retinoblastoma bilateral (câncer na retina), comemora. "É fácil", diz. O orgulho do garotinho revela muito sobre a realidade que enfrenta, em que precisa mostrar que é capaz, que pode, que consegue, a cada brincadeira. Tanto que, ao descrever sua rotina, ele contou que se arruma sozinho para ir para a escola, come sozinho, toma banho sozinho, faz tudo sozinho. Só tem mesmo uma coisa que ele prefere não fazer sozinho. Brincar.

— Para mim, ser uma criança cega não tem diferença nenhuma. Todos se divertem, todos são felizes, todos têm brinquedo. Às vezes os meninos que conseguem ver falam: 'Você não pode brincar porque você é cego, não vai conseguir'. O que importa é se divertir, não importa se eu vou ganhar ou perder, o que importa é que eu me divirta e os outros também. Não quero ser deixado de lado porque sou cego. Só quero me divertir - diz Juan.

Confira o vídeo:
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A perda da visão

Simone Souza, de 34 anos, espera pacientemente na arquibancada da quadra enquanto o único filho, Juan, dá entrevista. Os dois saem de casa às 5h, de segunda a sexta, e passam cerca de seis horas por dia nos caminhos de ida e volta da escola. O sacrifício, diz a mãe, é necessário, já que as instituições perto de casa não estão preparadas para receber pessoas com deficiência visual.

— Um dia o Juan me disse que ficava numa cadeira enquanto os colegas brincavam ou faziam alguma atividade. Decidimos que o melhor seria colocá-lo em uma escola que soubesse lidar com as necessidades dele —, conta a mãe, que deixou o trabalho para cuidar do menino.

Foram cerca de três anos de tratamento, entre cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Por fim, com a criança livre da doença, era hora de aprender a conviver com a nova realidade do garoto e de ajudá-lo a lidar com o desafio de lidar com sua nova condição.

— Posso dizer que ele se adaptou bem, porque foi perdendo a vista gradualmente. Às vezes ele diz que queria poder ver, como quando a gente foi pesquisar a armação de um óculos e ele queria tocar para saber como era, só que não podia. É triste ouvir esse tipo de coisa, mas ele muda de assunto rápido e logo inventa outra coisa. Ele é tão independente que às vezes dá medo —, completa Simone, com um sorriso no rosto.

Medo não é uma palavra muito frequente na vida de Juan, que gosta mesmo é de um desafio — como quando pula entre uma caixa e outra, na aula de educação física. O professor Marcelo Moreira explica que o Parkour Adaptado é parte de um projeto para promover inclusão.

— Defendemos o acesso pleno e irrestrito dos nossos alunos à Cultura Corporal do Movimento. Por isso criamos a oportunidade para que, além dos esportes paralímpicos, eles pratiquem mergulho em apneia, slackline e corrida de orientação, sempre com segurança —, explica o professor, antes de completar: — As pessoas muitas vezes tratam essas crianças como deficientes visuais apenas. Eu as trato primeiro como crianças — diz Marcelo.

Nova comissão permanente é criada na Câmara de Divinópolis

Comissão será volta a diversos temas: assistência social, mulher, igualdade racial, dos direitos da criança, do adolescente, da pessoa idosa e com deficiência.

Por Matheus Garrôcho, G1 Centro-Oeste de Minas

Criação da comissão foi aprovada na Câmara em reunião ordinária na tarde desta quinta-feira (11) — Foto: Reprodução/TV Integração
Criação da comissão foi aprovada na Câmara em reunião ordinária na tarde desta quinta-feira (11) — Foto: Reprodução/TV Integração

A Câmara Municipal de Divinópolis aprovou, em reunião ordinária realizada na tarde desta quinta-feira (11), o projeto de resolução 002/2018, que cria a Comissão Permanente da Assistência Social, Mulher, Igualdade Racial, dos Direitos da Criança, do Adolescente, da Pessoa Idosa e com Deficiência no município.

De acordo com o documento, a comissão, que terá seus integrantes definidos nos próximos dias, será responsável pela fiscalização, avaliação e acompanhamento da implantação e cumprimento de um Sistema Único de Assistência Social e de programas, projetos e serviços voltados para a área de assistência social.

A comissão também deverá fiscalizar, avaliar e acompanhar as políticas públicas municipais relativas à assistência social, trabalho, proteção à maternidade, à criança, ao adolescente, ao idoso e ao portador de deficiência.

De acordo com o Legislativo, caberá aos membros integrantes da comissão receber, avaliar e proceder investigações e denúncias relativas às ameaças do direito da mulher ou a violação dos direitos, em especial as vítimas de violência doméstica, física, psicológica e moral.

O texto que regulamenta a criação da comissão afirma que os integrantes da mesma também deverão colaborar com entidades que atuem na defesa dos interesses e dos direitos da mulher, da promoção da igualdade racial, da criança e do adolescente, da pessoa idosa e das pessoas com deficiência.

O documento diz, ainda, que os participantes deverão atuar em parceria com organizações da sociedade civil, apresentar emendas e garantir a suplementação de dotações orçamentárias, além de realizar audiências públicas para avaliar as políticas voltadas para a mulher, igualdade racial, infância e adolescência, da pessoa idosa e com deficiência.

Fonte: g1.globo.com

Cadeiras de rodas são colocadas em vagas de carros para conscientizar motoristas em Catanduva - veja o vídeo

Foram colados cartazes nas cadeiras com as principais justificativas dos condutores quando param nas vagas reservadas para idosos ou pessoas com deficiência.

Por G1 Rio Preto e Araçatuba

Campanha de trânsito deixa cadeira de rodas em vaga convencional para conscientizar motoristas — Foto: Reprodução/TV TEM
Campanha de trânsito deixa cadeira de rodas em vaga convencional para conscientizar motoristas — Foto: Reprodução/TV TEM

Para chamar a atenção de motoristas em estacionar no lugar certo, cadeiras de rodas foram colocadas em vagas convencionais de carros no centro de Catanduva (SP). A campanha de trânsito foi na manhã desta quinta-feira (11).

Clique AQUI para ver o vídeo.

A ação da Secretaria de Trânsito é para conscientizar os motoristas sobre a importância de não ocupar as vagas reservadas para idosos ou pessoas com deficiência.

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Campanha 'estaciona' cadeiras de rodas em vagas para conscientizar motoristas em Catanduva

Nas cadeiras ainda foram colocados cartazes com as principais justificativas dos condutores que estacionam irregularmente: “Calma, é rapidinho” ou “só vou demorar um minuto”.

Segundo o inspetor da Guarda Municipal Alessandro Ravazi, somente neste ano foram registradas 311 atuações deste tipo.

“Estacionar nestas vagas é considerado infração gravíssima, o motorista ainda perde sete pontos na carteira de habilitação e recebe uma multa de R$ 293”, diz o Guarda Municipal.

Fonte: g1.globo.com

Crianças com deficiência intelectual ainda têm dificuldades de inclusão

Secretaria Municipal de Educação atende 20.048 alunos com deficiência, física, intelectual, visual, auditiva e múltipla, transtornos globais de desenvolvimento

Fabíola Perez, do R7

Arquivo Pessoal
 Estatuto da Criança e do Adolescente também determina o direito ao atendimento especializado
Estatuto da Criança e do Adolescente também determina o direito ao atendimento especializado

Theo, Carol, Rafael e Alessandra. Em comum, têm a força de vontade para enfrentar dificuldades diárias e frequentar escolas regulares com um sorriso largo no rosto. A deficiência e os transtornos intelectuais que cada um deles apresenta é apenas um detalhe para quem, desde cedo, se habitua a batalhar por inclusão e direitos. No âmbito da educação, o Brasil possui diversas legislações que preveem o direito do atendimento educacional especializado a pessoas com deficiência no ensino regular.

Além da Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente também determina o direito ao atendimento especializado na rede regular de ensino. Mais recentemente, em 2012, a lei Berenice Piana instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtornos Autistas. A legislação chega a prever multa ao gestor escolar que recusar a matrícula de uma criança autista. A lei determina o atendimento e o incentivo a profissionais especializados nas escolas.

Apesar dos avanços na inclusão de crianças com deficiência e transtornos intelectuais nas escolas, pais e professoras relatam muitas dificuldades no atendimento a essa parcela da população. O diretor de uma escola municipal e autor do livro “Somos Todos Deficientes. Só nos Completamos no Outro e no Mundo”, Paulo Silvio Ferreira afirma que é um direito da criança ter acesso a todos os bens públicos e isso não deve ser restringido sob nenhuma hipótese.

A partir de relatos de educadores municipais e de pais de crianças com deficiência da rede municipal de ensino, Ferreira afirma que, apesar dos avanços, a inclusão ainda é uma grande dificuldade. “Não cabe ao professor o questionamento se o aluno pode ou não frequentar a escola”, diz.

Hoje, a Secretaria Municipal de Educação atende 20.048 alunos com deficiência, física, intelectual, visual, auditiva e múltipla, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades e superdotação. A pasta atua em parceria com a APAE de São Paulo para oferecer atendimento complementar aos alunos. “A política pública avançou muito, como transporte adaptado, mas ainda há ajustes a serem feitos”, afirma Ferreira.

As crianças com deficiência intelectual ou transtorno contam com um auxiliar de vida escolar para dar assistência. “Isso só foi possível por meio da inclusão”, diz ele. “Mas as políticas públicas não evoluem com tanta rapidez, muitas salas de aula ainda não muito lotadas.”

O filho de Paulo Ferreira, Rafael Granado Ferreira, de 13 anos e aos quatro meses foi diagnosticado com polimicrogiria, uma malformação no cérebro. Hoje, ele estuda no ensino fundamental de uma escola da rede municipal. “Acredito que eles deveriam permanecer na escola, mas não o tempo todo porque se cansam rapidamente”, afirma. Na escola de Rafael, segundo Ferreira, coordenadores enviam fotos das atividades de integração aos pais. “Isso é uma coisa boa, mas há muitas outras dificuldades”, diz.

Ferreira diz ainda que falar em inclusão é também debater os custos adicionais às famílias, já que os tratamentos podem implicar em um aumento de 30% no orçamento dos pais. “Muitas mães arcam com as despesas sozinhas, os pais não suportam o peso e vão embora. Algumas precisam deixar os filhos em cadeiras de rodas pequenas por não terem dinheiro para comprar uma nova.”

Deficiências e transtornos

Arquivo Pessoal
Theo, de 10 anos e a mãe Andréa Werner
Theo, de 10 anos e a mãe Andréa Werner

Theo Werner Bonoli, de 10 anos, descobriu o autismo com apenas um. “Quando chegou perto dessa idade começou a perder algumas habilidades que já havia adquirido, como bater palmas e olhar quando chamávamos”, afirma a mãe Andréa Werner. Quando entrou na escola pela primeira vez, aos dois anos, a mãe conta que a professora fez uma lista de características que ele apresentava e não eram típicas de crianças dessa faixa etária. “Ele não interagia com os colegas e não seguia instruções verbais”, diz Andréa.

A família descobriu o autismo de Théo quando ele tinha dois anos. “Começamos a pagar uma moderadora, mas percebemos que ela agia como se fosse uma babá, ninguém sabia o que fazer”, diz a mãe. Há quatro anos, ele estuda em uma escola privada, em uma classe reduzida e mista. “Nessa escola, ele tem atenção, material e currículo adaptado a ele. Mas meu desejo é que todas as crianças tenham acesso a esse mundo ideal”, afirma Andrea.

Andrea, que faz parte de um grupo de mães de crianças autistas, afirma que recebe muitos pedidos de orientação em função do não cumprimento da lei. “A situação ainda é muito crítica, com estagiários cuidando desses alunos com deficiência intelectual e transtornos em salas superlotadas”, afirma. “Tem crianças que passam o dia todo sozinhas no parquinho.”

Márcio Neves/R7
Ana Caroline Patriota, de 13 anos, com a família
Ana Caroline Patriota, de 13 anos, com a família

Ana Caroline Patriota, de 13 anos, vive com a avó Maria Aparecida Santos Patriota e o pai Thiago Patriota. Todos os dias, ela acorda por volta das seis horas da manhã para ir à aula na escola municipal em que estuda. Ao longo dos anos, Carol, com ajuda da família, aprendeu a driblar as dificuldades impostas pela malformação cerebral que a acometeu, a agenesia de corpo caloso. “No início foi muito difícil, ela não interagia, ficava nervosa, tive muitos problemas”, diz a avó.

Maria lembra que foi chamada na escola em decorrência das crises de nervosismo de Carol. “Era difícil as pessoas aceitarem. As escolas ainda não estão preparadas para cuidar de uma criança como ela”, diz a avó. “Toda vez que ela batia em um colega eu era chamada na direção, mas era uma consequência da deficiência”, afirma. Para a avó, uma das prioridades seria diminuir o número de crianças em sala e ter a possibilidade de um acompanhamento psicológico. “Mas agora ela está se acalmando. Ela vai sozinha e gosta do rapaz da perua”, diz Maria.

Boa adaptação

A advogada Adriane de Mendonça Chiocchetti, de 51 anos, mãe de Alessandra, de 13, escolheu trocar a filha, com síndrome de Down, da escola particular para a pública. O resultado foi uma excelente adaptação, segundo a mãe. Alessandra estuda no 6º ano da Escola Municipal Jean Mermoz, em São Paulo, e duas vez por semana frequenta as atividades de desenvolvimento oferecidas pela APAE, também de São Paulo.

Arquivo Pessoal
Alessandra estuda no 6º ano da Escola Municipal Jean Mermoz
Alessandra estuda no 6º ano da Escola Municipal Jean Mermoz

“Ela não tinha condições e a escola cobrava que pagássemos fono, fisioterapia. Fiquei muito tensa”, diz Adriane. Desde 2013, Alessandra estuda na escola pública e, segundo a mãe, teve a oportunidade de se desenvolver e se socializar com os colegas. “Nossa preocupação sempre foi com a alfabetização e, hoje, ela faz várias aulas de reforço.” Apesar da boa adaptação, Adriane afirma que existem colégios que negam a matrícula para pessoas com síndrome de Down.

Segundo ela, os professores também poderiam ser mais bem capacitados para dar aula para alunos com deficiência intelectual e transtornos. “A ideia é que ocorra a inclusão para todas as crianças”, diz. Hoje, Alessandra vai à escola feliz e empolgada. Além das aulas regulares, ela ainda participa das atividades complementares da APAE. “Eles ajudam a desenvolver a independência e atuam sempre que percebem alguma lacuna no crescimento deles.”



Médico cego de SP mantém consultório, atende em hospital e orienta alunos

Endocrinologista perdeu totalmente a visão há oito anos e é especialista em tireoide

Jairo Marques

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O endocrinologista Ricardo Ayello Guerra, que trabalha sem ajuda da visão – Marlene Bergamo/Folhapress

SÃO PAULO - A rotina do médico endocrinologista Ricardo Ayello Guerra, 47, é pesada como a de qualquer outro profissional de saúde. Ele atende em uma clínica particular e também dá expediente em dois grandes hospitais públicos de São Paulo, onde ainda orienta o trabalho de dezenas de colegas residentes. A diferença é que o doutor Ricardo não tem a visão, é totalmente cego.

Não há segredo nem assistencialismo para o sucesso profissional dele. Sua jornada foi marcada pela construção de um amplo conhecimento técnico e teórico, por adaptações básicas em sua rotina e pela permanente preocupação em prestar um bom serviço ao paciente.

Ricardo se formou em medicina pela Uerj (Universidade do Estado do Rio do Janeiro), uma das melhores do país, especializou-se em tireoide, cujos problemas são muitas vezes detectados pelo toque do médico. Para rotinas diárias, ele tem sempre ao seu lado um profissional de confiança que lê os resultados de exames e resolve questões práticas.

"Durante o período de faculdade, eu ainda tinha um pouco de visão [ele nasceu com retinose pigmentar] e enfrentava mais dificuldades em locais com pouca luz ou para usar instrumentos como o microscópio, pegar uma agulha. Tentava compensar estudando muito, até seis horas por dia", afirma o médico.

Embora tenha sempre se deparado com questionamentos sobre sua competência e habilidade, de ter sofrido resistência e algum bullying de seus colegas, Ricardo, com apoio familiar e gosto pela prática médica, convenceu-se de que poderia seguir em frente na carreira.

"Ninguém conseguia me dar uma justificativa convincente para fazer eu desistir de ser médico. Passei num vestibular muito difícil, mas até estava disposto a abrir mão se houvesse algo que me impedisse de continuar. Conversei com vários catedráticos que me falaram que eu tinha, sim, condições de exercer a profissão com adaptações, estudos, com muito aprendizado."

Em disciplinas muito práticas como pronto-socorro ou cirurgia, cumpriu toda a parte teórica, fez provas e foi aprovado. Em histologia -que estuda composição e função dos tecidos vivos- tomou bomba, pois o professor exigia que ele usasse o microscópio.

"Minha sorte foi que esse professor mais tradicionalista se aposentou e o novo que entrou no lugar dele aceitou e achou natural a forma que eu propus para realizar as avaliações, por meio de fotografias 3D. Não me lembro ao certo se fiquei com 9 ou 10."

A psiquiatria foi uma das primeiras especialidades sugeridas a Ricardo, que já tinha convicção que poderia ser um bom médico de atendimento clínico, trabalhando em consultório. Escolheu a endocrinologia. Fez residência médica no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, onde, em 2002, prestou concurso para médico endocrinologista e passou em primeiro lugar.

Ele também é concursado no HSPM (Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo), onde ficou em segundo lugar nas provas. Fez mestrado na Universidade Federal de São Paulo com um trabalho já voltado aos estudos da tireoide.

Há 15 anos, a doença do médico começou a progredir e ele passou a perder gradativamente a capacidade de enxergar. Há oito anos ele é considerado totalmente cego. Ricardo ainda faz reabilitação na Fundação Dorina Nowill para lidar melhor com sua situação de forma independente.

Para a médica Daniela Yone Veiga Iguchi Perez, colega de Ricardo no HSPM, ele é "um médico extremamente competente, referência em conhecimento nas áreas em que atua. Um grande exemplo para os residentes e toda a equipe. Sua deficiência visual, que passa totalmente desapercebida no trabalho que desenvolve na assistência e no ensino, apenas aumenta a admiração que todos temos por ele".

Duas vezes por semana, o endocrinologista atende em um consultório particular em Atibaia (a 66Km de São Paulo), onde também moram seus dois filhos Leonardo, 12, e Camila, 10. Ele é separado por duas vezes e planeja se casar pela terceira vez em novembro.

"Uma regra de quando saio na rua com meus filhos é a de eles manterem sempre as mãos atadas comigo. Eles ainda perguntam se vou voltar a enxergar e eu digo que não, o que não é fácil, afirma Ricardo.

"Por muito tempo achei que surgiria um tratamento milagroso para o meu caso, hoje, não vivo com essa expectativa. Me preservo, me cuido, mas se surgir algo será lucro. A aceitação da minha condição é um exercício diário e vai durar a minha vida inteira. Não posso dizer que seja algo simples".

No consultório, além de ter auxílio de programas de computadores específicos para pessoas com deficiência visual, o médico conta com um auxiliar. Suas consultas são longas para captar as nuances dos problemas de seus pacientes e ele não dispensa uma boa avaliação tocando seus pacientes.

"Não tenho como prática falar antecipadamente ao paciente sobre minha condição, pois entendo que isso não levará nenhum benefício a ele. A pessoa chega e é atendida da melhor maneira possível. Se ela pergunta sobre minha visão, explico. Nunca recebi nenhuma reclamação por isso e o meu termômetro é a volta dos pacientes ao consultório. De modo geral, elas voltam."

Em seu trabalho nos hospitais públicos, o médico faz orientação e debate de casos a respeito de diabetes, obesidade, tireoide entre outros com os residentes.

"O doutor Ricardo é um homem admirável, com conhecimento geral e médico extenso e atualizado. Bastante querido por todos os colegas e pacientes. Nos inspira diariamente, ao demonstrar que sua deficiência não significa, de maneira alguma, uma limitação", afirma Adriano Radin, residente de endocrinologia do HSPM.

Ricardo, porém, não avalia que tudo seja simples e entende que há, sim, dificuldades para a atuação de pessoas com deficiência em algumas áreas e que é necessário haver coerência.

"Não é possível determinar de antemão o que uma pessoa é capaz de fazer ou não. É preciso dar chances às pessoas, ouvi-las, entendê-las e agir sem preconceito, abrindo os espaços. Nem todo mundo terá características que atendam determinada profissional, mas isso vale para qualquer pessoa."

Fontes: Folha de SP - fernandazago.com.br

Libras pode se tornar disciplina obrigatória nas escolas públicas

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Aula de língua brasileira de sinais na UnB: ensino poderá ser estendido a alunos da educação básica

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) pode ser incluída como disciplina obrigatória nas escolas públicas do país. A ideia legislativa foi apresentada em março deste ano por meio do Portal e-Cidadania e, em menos de quatro meses, recebeu mais de 20 mil apoios de internautas. A proposta foi transformada na Sugestão (SUG) 15/2018 e aguarda relatório na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

A libras é um conjunto de gestos usados por deficientes auditivos para a comunicação com outras pessoas, surdas ou não. Quem apresentou a ideia legislativa foi a pedagoga Marilei Monteiro, de São Paulo. Ela argumenta que a Libras “é a segunda língua oficial brasileira”, já que a Lei 10.436, de 2002, reconhece o sistema “como meio legal de comunicação e expressão” do país.

— Fica evidente a negligência nessa questão, pois o surdo não é alfabetizado em sua primeira língua, a libras, mas sim em sua segunda, o português. O surdo chega à escola sem saber libras, tornando praticamente inútil o trabalho do intérprete em sala de aula — afirma Marilei.

A relatora na CDH é Ana Amélia (PP-RS). Se o parecer da senadora for favorável, a sugestão será convertida em projeto de lei. A partir daí, passa a tramitar nas comissões do Senado, que devem analisar o mérito da proposta.

Fontes: Agência Senado - fernandazago.com.br

CPB lança Programa Atleta Cidadão na próxima terça-feira, 16

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Por CPB

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) lançará na próxima terça-feira, 16, às 15h, o Programa “Atleta Cidadão”. Um evento no CT Paralímpico, em São Paulo, marcará a apresentação do projeto, que tem como objetivo estimular o desenvolvimento pleno da cidadania dos atletas em todas as fases da carreira (iniciação, alto rendimento e pós-carreira) por meio da capacitação e orientação profissional.

A imprensa interessada na cobertura deve confirmar presença ao e-mail imp@cpb.org.br.

A apresentação contará com a presença da multimedalhista paralímpico de atletismo o piauiense Antônio Delfino, e a goiana Adria Jesus, bronze no vôlei sentado feminino no Rio 2016. Os dois são os primeiros atletas a concluírem o ensino superior por meio da iniciativa do CPB.

O Atleta Cidadão visa aperfeiçoar o antigo projeto “Transição de Carreiras”. Criado em setembro de 2015, o “Transição” atendeu cerca de 250 atletas em sua fase final de trajetória. A ideia, no momento, é fazer a mentoria enquanto os esportistas ainda estão na ativa. Os esportistas recebem suporte por meio de cursos de graduação, idiomas e programas de mentoria e coaching.

"Entendemos que o processo de capacitação da pessoa com deficiência tem um papel vital na sua formação como indivíduo. Por este motivo, demos uma nova dimensão ao Programa Atleta Cidadão, com a intenção de abrir o leque de oportunidades a estes atletas desde o seu período ativo, o que dará a eles uma nova perspectiva e reduzirá impactos da saída do status quo quando o esportista decidir encerrar sua carreira", disse Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Para viabilizar o Atleta Cidadão, o CPB estabeleceu parcerias com instituições que realizam tais capacitações. Atualmente, o Comitê trabalha em conjunto com a Estácio, o Ernest Young Institute, a EF English Live, a Lee Hatch Harrison e a Adecco. No lançamento da próxima terça-feira, haverá a divulgação de um programa de bolsas de estudo de graduação no formato à distância (EAD). Maiores detalhes e o edital serão conhecidos na ocasião.

Fonte: cpb.org.br

Judocas brasileiros fazem últimos treinos antes do Mundial, em novembro

Márcio Rodrigues/MPIX/CPB
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Por CPB

Quinze judocas estão no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, para a última fase de treinamento antes do Campeonato Mundial da modalidade. A competição mais importante da temporada 2018 será realizada de 16 a 19 de novembro, em Lisboa, Portugal, e valerá pontos no ranking mundial classificatório para os Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2020.

“Vamos com 15 atletas, o que é uma equipe grande. Temos medalhistas experientes, por exemplo o (Antônio) Tenório, que vão brigar por medalha, e uma nova geração de atletas promissores, que estão treinando muito para brigar pelas primeiras posições e tentar conquistar a sua medalha e a vaga para Tóquio”, comentou Jaime Bragança, técnico da Seleção de judô.

Entre os atletas que participam desta fase de treinamento estão cinco medalhistas paralímpicos: Alana Maldonado (-70kg), Antônio Tenório (-100kg), Karla Cardoso (-48kg), Lucia Teixeira (-63kg) e Willians Araújo (+100kg).

“A gente está em um ritmo bastante intenso desde o começo do ano. Fizemos várias competições internacionais e fases de treinamentos, então estamos muito preparados para o Mundial”, avaliou Antônio Tenório, 47 anos, que coleciona seis medalhas paralímpicas – quatro ouros, uma prata e um bronze.

Esta é a sexta etapa de treinos realizada no CT Paralímpico, este ano. Além disso, em julho, oito atletas brasileiros foram à cidade de Hirosaki, no Japão, para um intercâmbio com os judocas do país de origem da modalidade e que sediará a próxima edição dos Jogos Paralímpicos.

A convocação dos atletas que representarão o Brasil na capital portuguesa, no próximo mês, será divulgada após esta última etapa de treinamento.

As vagas do judô em Tóquio 2020 serão definidas por meio do ranking mundial. Além do Mundial, outras três competições realizadas este ano contaram pontos para o ranking classificatório. Foram elas: as Copas do Mundo, na Turquia e no Cazaquistão, ocorridas em abril e maio, respectivamente, e o Campeonato das Américas, no Canadá, em maio.

Fonte:cpb.org.br

Halterofilistas usarão Brasileiro como seletiva para o Regional das Américas

Daniel Zappe/CPB/MPIX
Imagem

Por CPB

Começa nesta sexta-feira, 12, o Campeonato Brasileiro Loterias Caixa de Esgrima em Cadeira de Rodas e Halterofilismo, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. O evento contará com a participação de 94 halterofilistas e 40 esgrimistas, de 12 Estados e do Distrito Federal. Este será o último desafio nacional da temporada para os levantadores de peso, e servirá como seletiva para o Regional das Américas de Halterofilismo, na Colômbia, de 6 a 9 de dezembro.

Neste Brasileiro, os atletas serão observados pela comissão técnica e suas marcas servirão para alcançar vaga na Seleção Brasileira que viajará para a capital colombiana, Bogotá, para disputar a principal competição da temporada. Os regionais continentais contam pontos para o ranking paralímpico da modalidade - que é vital na obtenção de vagas para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.

“Além de melhorar a minha marca do ano, espero garantir a vaga para o Regional das Américas. A minha preparação foi muito intensa, com treinos de segunda a sexta-feira, com duas, três horas de atividades. Mantenho o foco na minha alimentação, para manter o meu peso e seguir na categoria até 79kg”, disse Márcia Menezes, medalhista de bronze no Parapan de Toronto 2015.

“Meu treinador sempre trabalha para que eu melhore a marca pessoal a cada etapa, e nessa não será diferente”, disse Mariana D’Andrea, recordista mundial júnior da categoria até 67kg.

No início desse ano, o Brasil solicitou a participação no Regional Europeu, para que os atletas pegassem experiência e pudessem participar da primeira competição que contaria pontos para o ranking paralímpico.

Neste ano, haverá outro atrativo no Campeonato Brasileiro. Os cinco clubes mais bem ranqueados do ano receberão premiações em dinheiro. “Nos últimos anos, a nossa equipe tem ficado entre os três melhores clube do país. Nós acreditamos que esse ano não será diferente, pois o técnico Valdecir Lopes trabalha visando ao melhor resultado da equipe em cada etapa”, completou Mariana, que representa o AESA-Itu (SP).

Simultaneamente, acontecerá o Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas, que servirá como preparação para duas etapas da Copa do Mundo da modalidade: na Geórgia, em novembro, e no Japão, em dezembro. O evento contará com a participação do medalhista paralímpico Jovane Guissone.

O Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas e Halterofilismo é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e encerra nacionalmente as competições de ambas as modalidades.

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir o Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas e Halterofilismo não precisam de credenciamento prévio. Bastará dirigir-se à sala de imprensa para identificação.

Patrocínios
O Campeonato Brasileiro de Esgrima em CR e Halterofilismo tem patrocínio das Loterias Caixa.

Serviço
Data: 12, 13 e 14 de outubro
Cidade: São Paulo (SP)
Local: CT Paralímpico Brasileiro, em São Paulo - Rodovia dos Imigrantes, km 11,5 (ao lado do São Paulo Expo)

Programação*
Campeonato Brasileiro de Esgrima em Cadeira de Rodas
Sexta-Feira (12/10) - 8h às 12h30 e 13h30 às 19h30
Sábado (13/10) 8h às 12h30 e 13h30 às 19h
Domingo (14/10) - 8h às 12h

Campeonato Brasileiro de Halterofilismo
Sexta-Feira (12/10) - 10h às 12h30 e 16h às 19h
Sábado (13/10) - 10h às 12h30 e 16h às 19h30
*Programação sujeita a alterações

Fonte: cpb.org.br

Criança autista de 6 anos é agredida com tapas por voluntária de escola pública do DF

Agressão foi vista por professora titular da turma. Instituição expulsou educadora; 13ª DP investiga.

Por Michele Mendes, TV Globo

Fachada do Centro de Educação Infantil 2 de Sobradinho, no DF — Foto: Google/Reprodução
Fachada do Centro de Educação Infantil 2 de Sobradinho, no DF — Foto: Google/Reprodução

Uma criança autista de 6 anos foi agredida com tapas por uma educadora social voluntária do Centro de Educação Infantil 2 de Sobradinho, no Distrito Federal. O caso ocorreu no último dia 18, em uma atividade conjunta entre os alunos.

Segundo a ata da escola que relatou o fato, a educadora social revidou o tapa que teria recebido no rosto. Depois disso, também deu outro tapa no braço. A professora titular da sala viu a ação e levou a voluntária para a coordenação.

A mãe da criança agredida, Thais Martins, registrou boletim de ocorrência na 13ª Delegacia de Polícia, em Sobradinho, e pretende entrar na Justiça contra a voluntária. "Quando os professores me contaram, eu me assustei, chorei, estava desesperada. Cheguei à escola e o diretor estava com o pessoal do conselho tutelar, que me aconselhou a fazer um boletim de ocorrência. Foi o que eu fiz", disse.

"Ela não era preparada para lidar com uma criança especial."

Depois da agressão, a criança deixou de ir para a escola, pois estava muito agitada. Agora, já retomou os estudos.

A orientadora foi expulsa da escola. A instituição colocou outra pessoa para cumprir a mesma função na turma.

Ata de escola registra agressão a aluno autista em Sobradinho, no DF — Foto: Arquivo pessoal
Ata de escola registra agressão a aluno autista em Sobradinho, no DF — Foto: Arquivo pessoal

O que diz o governo

Em nota, a Secretaria de Educação informou que "repudia qualquer forma de violência" e que fez o desligamento da voluntária da escola. Disse, ainda, que está dando "todo o apoio para o estudante e a família dele" e que o caso está em investigação na esfera policial.

O educador social voluntário trabalha no suporte de atividades de ensino integral, especializado e infantil. Para ocupar essa vaga, a pessoa deve ser universitária em formação, estudante da educação de jovens e adultos, ou estudante do ensino médio.

Eles colaboram em atividades diárias da escola de segunda a sexta-feira, sempre sob a orientação de um professor titular, recebendo um salário de auxílio de R$ 27 por dia.

Fonte: g1.globo.com

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Brasil tem 13 milhões de portadores de doenças raras

Profissão acompanha a luta de quem não consegue tratamento com remédios de alto custo.

Foto: Reprodução: TV Globo
Brasil tem 13 milhões de portadores de doenças raras

Margareth Mendes morreu em fevereiro deste ano por complicações de uma doença rara, a Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN). A situação se agravou quando o fornecimento do remédio de alto custo, que controla a doença, foi interrompido.

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"De junho de 2017 para cá, parou de receber. O Ministério da Saúde, não só ela, como todos os portadores de doenças raras que tinham decisão judicial favorável deixaram de receber esse medicamento e em novembro [de 2017] ela recebeu uma dose emergencial, mas que foi o suficiente para só um mês. E ficou sem o medicamento até fevereiro, até ela falecer", conta a irmã dela, Ruth Mendes.

Soliris, o remédio que Margareth tinha que usar continuamente, não existe no Brasil e tinha que ser importado pelo governo. Em dezembro de 2016, o Ministério da Saúde trocou a importadora do remédio e a nova empresa apresentou um documento, que, segundo a Anvisa, é falso. Por isso ele parou de ser distribuído.

Três meses antes de morrer, Margareth fez um testamento dizendo que se ela morrese por falta de medicamento, ela desejava que o Ministério Público fosse denunciado "por esse descaso com a vida". No documento, também estava uma lista com os nomes de pacientes de Belo Horizonte que também estão à espera de remédio.

A repórter Eliane Scardovelli ligou para essas pessoas. Ao todo, 18 pessoas morreram por complicação da doença e que a medicação poderia controlar. Oito continuam vivas.

Complicação após colocar prótese de silicone pode ter causado a manifestação de doença rara em uma médica

Em Cuiabá, MS, Letícia Franco toma seis doses de morfina por dia para aliviar as dores causadas por uma doença rara e sem cura, a ASIA Síndrome. O organismo começa a atacar células saudáveis e o paciente tem dores e inflamações nos músculos, articulações e na pele.

Letícia é médica oftalmologista, tem 36 anos e já foi internada 36 vezes na UTI. "Quando eu fiquei doente, eu era bem atlética. Gostava de correr, eu fazia esportes como karatê, jiu-jitsu, musculação. Eu era bonita, com corpo formado, tudo", conta para a repórter Nathália Tavolieri.

A médica já tinha predisposição genética a doenças autoimunes, mas diz que a ASIA Síndrome só surgiu após uma rejeição a uma prótese de silicone que implantou nos seios. "Os sintomas podem vir a aparecer, dez a 13 anos depois do implante. Isso não é falado para o paciente, não é feito o exame pré-operatório para ver se a pessoa tem uma proteína que pode desenvolver uma doença autoimune e de repente a minha vida mudou em questões de segundos. Por ser médica, eu entendo tudo o que está me acontecendo e vou ficando cada vez mais triste", diz.

Em março deste ano, Letícia procurou uma clínica especializada em eutanásia, na Suiça, país onde a morte assistida é legalizada para pacientes terminais. O pedido foi aprovado, mas a sua mãe a convenceu a mudar de ideia.

Médico com ELA cria instituto para ajudar portadores da doença

O repórter Guilherme Belarmino viajou de São Paulo para Macéio para encontrar o doutor Hemerson Casada Gama de 52 anos. Há seis anos, ele descobriu que era portador de Escleorose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa que causa perda gradual dos movimentos. Hoje, ele só consegue mexer os olhos.

Hemerson se comunica atráves de um software do computador, que reconhece para qual tecla ele está olhando e depois repete em voz alta a frase. Até 2012, o médico trabalhava como cirurgião cardiovascular e era triatleta.

"Ele fazia corrida de bicicleta na praia, nadava no mar. E era cirurgia o dia inteiro, às vezes à noite inteira quando tinha urgência e o restinho era para casa", conta a esposa dele, Paula Casado Gama.

Mesmo com todas as limitações da doença, Hemerson se mantém presente na família e na educação dos dois filhos, Daniel de 13 anos e Isabel de 9. Para ele, ao receber o diagnóstico "foi muito triste, porque eu não teria só uma doença, mas uma doença que iria me matar aos pouquinhos".

Essa doença é extremamente cara para uma família sustentar, só o aparelho que ajuda na comunicação custa mais de R$ 30 mil . Há quatro anos, o doutor Hemerson criou um instituto de ajuda a portadores da doença.

O paciente de ELA mais conhecido mundialmente era o físico britânico Stephen Hawking, que morreu em março deste ano depois de viver 55 anos com a doença. Uma campanha mundial também divulgou a doença, o "Desafio do Balde".

Hemerson, além de ajudar outros portadores da ELA, também continua auxiliando no cuidado dos filhos. Durante a gravação, as crianças quebram um objeto e o médico pede para que eles façam as pazes. "Desculpa", diz para a reportagem. Veja o programa completo e conheça mais sobre alguns dos brasileiros portadores de doenças raras no vídeo acima.

Fonte: g1.globo.com