sábado, 1 de dezembro de 2018

Governo quer mudar auxílio assistencial

Projeto propõe bolsa de R$ 477 a beneficiário do BPC que obtiver trabalho com salário de até dois mínimos; hoje, caso se formalize, perde o benefício

Idiana Tomazelli e Luci Ribeiro

Imagem Internet/Ilustrativa
Resultado de imagem para BPC

BRASÍLIA - Pessoas com deficiência e de baixa renda que hoje recebem um salário mínimo como auxílio assistencial do governo poderão buscar emprego com carteira assinada sem medo de perder o benefício. Essa é a proposta encaminhada ontem pelo governo ao Congresso Nacional. Se aprovada pelos parlamentares, a medida pode contribuir para preencher vagas no mercado destinadas a cotas e que hoje ficam vazias, ao mesmo tempo em que deve gerar economia de recursos aos cofres públicos.

O projeto de lei enviado pelo presidente Michel Temer cria o chamado auxílio-inclusão, que será pago a beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) que conseguirem trabalho com remuneração de até dois salários mínimos (R$ 1.908). Nesse caso, o indivíduo deixaria de receber o BPC, que equivale a um salário mínimo (R$ 954), e passaria a receber o novo auxílio, que equivale a 50% do BPC (R$ 477).

O ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, afirma que a ideia central da proposta é estimular as pessoas que recebem o BPC a buscarem trabalho formal: "Hoje o Brasil tem 100 mil vagas para PCDs (pessoa com deficiência) não preenchidas no mercado. Isso indica um potencial grande de essas vagas poderem ser ocupadas eventualmente. É uma ferramenta de estímulo."

Segundo Beltrame, parte dessas vagas hoje não são preenchidas porque os candidatos, beneficiários do BPC, têm medo de trocar um auxílio tido como certo por uma vaga de emprego cuja manutenção é sujeita a uma série de fatores. Além disso, há situações de ilegalidade em que o beneficiário do BPC opta pelo emprego informal, sem carteira assinada, para escapar da fiscalização e acumular o salário com o auxílio de um salário mínimo.

"A ideia do projeto é que a formalização do emprego não seja um risco como é hoje", explica o ministro. Quando algum beneficiário do BPC consegue um trabalho com carteira, o pagamento é suspenso pelas regras atuais.

O BPC é pago atualmente a 4,6 milhões de brasileiros, sendo que 2,6 milhões são pessoas com deficiência - público-alvo da medida. Segundo o ministro, apenas 5 mil estão com o benefício suspenso porque conseguiram trabalho com carteira.

O MDS calcula que a medida pode, no curto prazo, elevar os gastos, porque os 5 mil que estão com o benefício suspenso poderão pedir o auxílio-inclusão. A despesa seria de R$ 28,6 milhões ao ano.

Fonte: www.terra.com.br - Imagem Internet/Ilustrativa

Aluno usa dinheiro que ganhou de aniversário para pagar ida de amigo a excursão e viraliza na web

Estudante Matheus Monteiro usou dinheiro que ganhou de aniversário para pagar ida do amigo, Iago, a excursão escolar. Aluno não iria a passeio por não poder pagar. Os dois estudam no 5º ano de uma escola municipal em Bragança Paulista.

Por Camilla Motta, G1 Vale do Paraíba e Região

Iago (esquerda) e Matheus tiraram foto depois de conversar com a diretora para irem juntos na excursão — Foto: Arquivo Pessoal
Iago (esquerda) e Matheus tiraram foto depois de conversar com a diretora para irem juntos na excursão — Foto: Arquivo Pessoal

Um gesto de amizade entre dois estudantes emocionou funcionários de uma escola municipal de Bragança Paulista (SP). Matheus Monteiro, de 12 anos, juntou todo dinheiro que ganhou de aniversário para pagar a ida do amigo Iago a uma excursão da escola. Ele não poderia pagar pelo passeio e o caso viralizou na web ao ser compartilhado pela diretora.

Em menos de 24 horas a postagem feita em uma rede social teve mais de 2,7 mil curtidas e mais de 700 compartilhamentos. A excursão - para o museu Catavento e para o Museu do Futebol em São Paulo - foi planejada pela escola municipal Francisco Murilo Pinto em maio. Cada aluno pagou R$ 45 para o transporte, que poderia ser parcelado em até quatro vezes.

A mãe de Iago, Jocileia Oliveira contou que o filho não iria para o passeio porque ela e o marido estão desempregados e não teriam como pagar. “Estava decidido que o Iago não iria. Temos cinco filhos e não tínhamos de onde tirar esse dinheiro para ele ir”, contou.

Na quarta-feira (28), Matheus ganhou R$ 35 de aniversário de um tio e decidiu pagar a viagem para o amigo. Eles estudam juntos há quatro anos e todos os dias vão caminhando para a escola.

“Ele não pensou duas vezes, pegou o dinheiro e me pediu mais R$ 10 para inteirar. Eu dei e eles foram para a escola”, conta Thais Monteiro, mãe de Matheus.

Com o valor completo e o dinheiro em mãos, eles foram até a sala da diretora Mônica Camargo na quinta-feira (29).

“O Matheus tirou todo dinheirinho do bolso e perguntou se ainda dava para o Iago ir. Perguntei como ele conseguiu o dinheiro e, quando ele falou, fiquei emocionada. Elogiei muito. Ele tinha pouco e compartilhou esse pouco”, conta a diretora.

Dinheiro foi entregue por Matheus para a professora — Foto: Arquivo Pessoal
Dinheiro foi entregue por Matheus para a professora — Foto: Arquivo Pessoal

Felicidade

A mãe de Iago explica que depois de o amigo garantir a vaga do filho no passeio, o menino chegou comemorando em casa.

“Ele chegou pulando de alegria, correndo por todo lado, falando que iria na excursão. Ele está muito empolgado e eu estou feliz por ele e pelo Matheus que teve essa atitude. Quero ir na casa da família agradecer o que eles fizeram pelo meu filho”, contou.

Matheus também comemorou que o amigo estará na excursão. “Eu estava muito animado com a viagem e agora estou mais feliz porque o Iago vai”, comemorou.

Sinto que preciso compartilhar essa história...
A escola em que trabalho esta promovendo uma viagem ao Museu Catavento e ao Museu do Futebol em SP, com um valor simbólico apenas para o transporte. Hoje entraram em minha sala esses dois garotos me perguntando se ainda daria tempo de ir. Respondi que sim. No mesmo instante um deles (o de camiseta cinza) me entregou um pacotinho de dinheiro dizendo que iria pagar para o amigo. Surpresa, perguntei quem tinha dado o dinheiro a ele. —— Ontem foi meu aniversário diretora, ganhei e juntei mais um pouco e escolhi dar o presente pra ele...
Ele não tinha muito mas o suficiente para deixar o amigo feliz!!
São atitudes como essas que nos fazem acreditar que ainda vale a pena, que ainda existe razão para não desistir...
Obs: os dois ganharam a viagem...rs

Medalha

Nesta sexta-feira (30) Matheus foi presenteado pela escola com uma medalha de Atitude Solidária. “São atitudes que quase a gente não vê, quando tem algo assim, nos enchemos de orgulho. Demos a medalha e devolvemos o dinheiro para ele”, contou a diretora. A escola pagará a excursão para Iago.

Thais conta que o filho Matheus é muito solidário com os amigos e com os dois irmãos mais novos. “Achei muito bonita a atitude e isso é dele. No mesmo dia que soubemos da viagem ele perguntou se eu podia fazer dez pães com mortadela para ele levar e eu perguntei se ele ia comer tudo isso. Ele disse que era para dividir com quem não levasse lanche”, contou, emocionada.

A viagem será feita na próxima terça-feira (4) por 100 alunos do 5º ano.

Fonte: g1.globo.com

3º Semana Estadual de Pessoas com Deficiência traz programação gratuita a Belém

Campeão paraolímpíco Antônio Tenório é destaque do evento, que será neste domingo, 2. Entrada franca.

Por G1 PA — Belém

Foto: Divulgação
3º Semana Estadual de Pessoas com Deficiência traz programação gratuita a Belém

Antônio Tenório, um dos maiores atletas paraolímpicos do Brasil, estará em Belém neste domingo (2), em palestra gratuita, às 14h, na 3º Semana Estadual de Pessoas com Deficiência, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Pará, no shopping localizado na avenida Augusto Montenegro, em Belém. A entrada é franca.

Cego desde a adolescência, Tenório tornou-se um dos maiores judocas do mundo e já conquistou quatro medalhas de ouro nas paraolimpíadas. “Comecei a praticar esporte aos 7 anos. Perdi a primeira visão aos 13, e aos 19, me tornei deficiente visual com cegueira completa. Se o esporte não tivesse chegado cedo na minha vida... o esporte me resgatou. O esporte para as pessoas que têm deficiência é super importante. Resgata a autoestima, coloca ela fora da margem de exclusão e a põe em evidência, fazendo assim a sociedade ter mais admiração e respeito pela pessoa com deficiência. O esporte auxilia a saúde, coordenação motora e a confiança”, destaca o campeão.

Tetracampeão paraolímpico, medalhista de bronze em Londres e medalha de prata nas Olimpíadas do Rio 2016, Tenório há anos viaja o Brasil em eventos de políticas públicas para pessoas com deficiência (PCD). Ele destaca que, apesar de o Brasil ter uma ampla legislação que busca garantir os direitos de acessibilidade e equidade a pessoas com limitações de locomoção, na prática, há inúmeras barreiras a serem enfrentadas.

“Pelas minhas andanças pelo país a fora, o que se pode observar é que nós temos uma legislação muito boa para PCD, mas só que não é cumprida. Temos barreiras arquitetônicas, dificuldade em escolas, em tratamentos médicos. Política pública existe, mas tem que ter vontade política para que elas sejam transformadas em ações para pessoas com deficiência. Sem vontade política, nada acontece”, diz o judoca.

Programação

O evento reúne mais de 20 instituições e debate os direitos de pessoas com deficiência e políticas públicas de inclusão, a partir de 10h. A programação cultural começa às 13h30, com o Coral Cantart. Às 15h30, haverá apresentação do grupo Vitória Régia, Banda Revolução Nuclear, bailarinas da equoterapia da Polícia Militar, show do grupo Nosso Jeito, e danças do projeto Acorde com Sol/dançarina Ana Clara Mota. A partir de 17h, haverá palestra com Patrícia Costa, presidente da Associação de Musicoterapia do Pará, e às 17h30, bate-papo sobre as Vivências Musicoterapêuticas, com Patrícia Costa e Diego Xavier.

Serviço

Palestra com o atleta Antônio Tenório, neste domingo (2), em palestra gratuita, às 14h, na 3º Semana Estadual de Pessoas com Deficiência, no Parque Shopping, na Augusto Montenegro, em Belém. Entrada franca.

Fonte: g1.globo.com

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência será celebrado com mostra artística e seminário em Salvador

Evento começa na segunda-feira (3), com o Núcleo de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba), no Espaço Xisto Bahia, às 14h.

Por G1 BA

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência é celebrado no dia 3 de dezembro — Foto: Divulgação/SJDHDS
Dia Internacional das Pessoas com Deficiência é celebrado no dia 3 de dezembro — Foto: Divulgação/SJDHDS

Na próxima segunda-feira, dia 3 de dezembro, é celebrado o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Em Salvador, diversas atividades serão realizadas durante a semana para comemorar a data, com a participação da Superintendência dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Sudef), da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS).

Ainda na segunda, uma Mostra Artística com o Núcleo de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba) será realizada no Espaço Xisto Bahia, às 14h. Já na terça-feira (4), acontece o Seminário “Empoderando Pessoas com Deficiência e Assegurando a Inclusividade e a Igualdade”, no Auditório Afonso Garcia Tinoco - Sede do Ministério Público da Bahia (MPBA), no Centro Administrativo, das 14h às 18h.

O evento é promovido pelo Fórum de Combate à Violência Contra a Pessoa com Deficiência e conta com o apoio da SJDHDS.

O dia 3 de dezembro foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), desde 1992, para estimular reflexões e ações a respeito dos direitos à dignidade e bem estar social das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida no mundo.

Além das atividades, a SJDHDS produzirá cinco reportagens especiais que apresenta histórias de vida de pessoas com deficiência, a serem divulgadas nas redes sociais da Secretaria, sobre a temática PcD.

Fonte: g1.globo.com

Tetracampeão paralímpico, Antônio Tenório faz palestra gratuita em evento em Belém

Medalhista de ouro em Atlanta, Sidney, Atenas e Pequim, prata no Rio e o bronze em Londres, judoca viaja o Brasil para debater políticas públicas para pessoas com deficiência (PCD)

Por GloboEsporte.com — Belém (PA)

Antônio Tenório ficou com a prata nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 — Foto: André Durão
Antônio Tenório ficou com a prata nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 — Foto: André Durão

Antônio Tenório, um dos maiores atletas paraolímpicos do Brasil, estará em Belém neste domingo para palestra gratuita, às 14h, na 3º Semana Estadual de Pessoas com Deficiência. Cego desde a adolescência, Tenório tornou-se um dos maiores judocas do mundo e já conquistou quatro medalhas de ouro nas paraolimpíadas. A ação ocorrerá em um shopping no bairro Parque Verde, na avenida Augusto Montenegro. A entrada é franca.

– Comecei a praticar esporte aos 7 anos. Perdi a primeira visão aos 13, e aos 19, me tornei deficiente visual com cegueira completa. Se o esporte não tivesse chegado cedo na minha vida... o esporte me resgatou. O esporte para as pessoas que têm deficiência é super importante. Resgata a autoestima, coloca ela fora da margem de exclusão e a põe em evidência, fazendo assim a sociedade ter mais admiração e respeito pela pessoa com deficiência. O esporte auxilia a saúde, coordenação motora e a confiança – destaca o judoca.

Tetracampeão paralímpico, medalhista de bronze em Londres e medalha de prata nas Paralimpíadas do Rio 2016, Tenório há anos viaja o Brasil em eventos de políticas públicas para pessoas com deficiência (PCD). Ele destaca que, apesar de o Brasil ter uma ampla legislação que busca garantir os direitos de acessibilidade e equidade a pessoas com limitações de locomoção, na prática, há inúmeras barreiras a serem enfrentadas.

– Pelas minhas andanças pelo país a fora, o que se pode observar é que nós temos uma legislação muito boa para PCD, mas só que não é cumprida. Temos barreiras arquitetônicas, dificuldade em escolas, em tratamentos médicos. Política pública existe, mas tem que ter vontade política para que elas sejam transformadas em ações para pessoas com deficiência. Sem vontade política, nada acontece – ressalta Antônio Tenório.

O evento deste domingo, no Parque Shopping, reúne mais de 20 instituições e debate os direitos de pessoas com deficiência e políticas públicas de inclusão, a partir de 10h. A programação cultural inicia às 13h30, com o Coral Cantart. Às 15h30, haverá apresentação do grupo Vitória Régia, Banda Revolução Nuclear, bailarinas da equoterapia da Polícia Militar, show do grupo Nosso Jeito, e danças do projeto Acorde com Sol/dançarina Ana Clara Mota.

A partir de 17h haverá palestra com Patrícia Costa, presidente da Associação de Musicoterapia do Pará, e às 17h30, bate-papo sobre as Vivências Musicoterapêuticas, com Patrícia Costa e Diego Xavier. A palestra com Antônio Tenório será às 14h.

Afinal de contas, quem é pessoa com deficiência?

Entenda de forma clara e didática o conceito jurídico mais atual de pessoa com deficiência

POR THIAGO HELTON*

Descrição pra cego ver: Banner com símbolos de pessoas no centro com interrogações nos cantos.
Descrição pra cego ver: Banner com símbolos de pessoas no centro com interrogações nos cantos.

Por várias vezes já fui abordado por pessoas com dúvidas sobre ser ou não "pessoa com deficiência". Não que exista determinada característica para que alguém seja "rotulado" como tal, mas é importante esclarecer e compreender o que de fato pode ser considerada uma deficiência, para diversos fins, como por exemplo, o acesso a determinadas políticas públicas, verificar a titularidade de direitos e deveres específicos para esse público, dentre outras finalidades.

Então vamos lá, farei uma breve análise, tomando por base critérios objetivos do ordenamento jurídico brasileiro.

A rigor, um laudo médico é que poderá dizer e provar sobre a existência de uma deficiência. Mas é interessante sair do plano clínico, extrapolar o papel e pensar o porquê alguém pode ser considerado como pessoa com deficiência ou sem deficiência no mundo dos fatos.

Nos termos da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assim como reafirmado pelo art. 2º da Lei Brasileira de Inclusão da PcD (Lei nº 13.146/2015), considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

É importante destacar aqui três elementos definidores e necessários que podemos extrair desse conceito legal de deficiência, a saber: 

1. Impedimento a longo prazo; 

2. Barreira para participação social; 

3. Desigualdade de condições.

O primeiro elemento, o "impedimento a longo o prazo", pode ser de ordem física, mental intelectual ou sensorial. Daqui decorrem várias espécies ou classificações de deficiência, como a física, auditiva, visual, mental, intelectual, psicossocial, ou seja, para que se considere pessoa com deficiência, ao contrário do que muita gente pensa, nem sempre o impedimento será visível ou aparente, essa é uma característica que pode ser comum na deficiência física, mas não na deficiência mental por exemplo.

Então cuidado para não julgar determinadas situações sem ter conhecimento de causa! Vale destacar ainda que, não há óbice para que esses "impedimentos" sejam transitórios, desde que sejam por longo prazo.

O segundo elemento constitui-se pelas "barreiras para participação social", que, na forma da lei, seriam qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros.

Essas barreiras, são destacadas no art. 3º, IV, da Lei Brasileira de Inclusão da PcD, e podem ser de natureza urbanística, arquitetônica, de transportes, de comunicação, tecnológicas e atitudinais. Aqui eu vou chamar atenção para esta última, que entendo ser a mais gravosa para as pessoas com deficiência. As barreiras atitudinais são compostas por atitudes e comportamentos capazes de impedir e prejudicar a participação social da PcD de forma digna e em igualdade de oportunidades, e deve ser combatida, sobretudo, com informação, respeito e cidadania.

O terceiro elemento configura-se pela a "desigualdade de condições". Aqui a ideia fundamental é preservar o princípio constitucional da igualdade, em toda e qualquer forma de participação social. Se, em virtude de algum impedimento, houver barreiras capazes de gerar alguma diferença na forma de participação na sociedade, a desigualdade de condições estará presente e deverá ser combatida.

Sendo assim, na dúvida em ser ou não ser pessoa com deficiência, é interessante que se faça essa leitura refdinada dos fatos e que se busque identificar esses elementos caracterizadores.

Não é atoa que a própria legislação de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, trabalha todos esses conceitos de forma clara e direta. Ser pessoa com deficiência não é privilégio, muito menos um desprivilégio. É ser pessoa humana, como qualquer outra, mas com algumas características diferentes, qualidades que podem implicar em impedimentos ou barreiras que as deixem em desigualdades de condições com as demais pessoas.

THIAGO HELTON*
Advogado. Bacharel em Direito pela PUC Minas. Pós-graduado em Direito Constitucional e membro da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB/MG. Apresentador do quadro "Faça Parte" exibido no Balanço Geral pela Record TV Minas e palestrante. Thiago Helton é tetraplégico desde 2008, vítima de acidente de trânsito. Aqui no blog você fica por dentro de todo o universo da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência.

Após prata no Mundial, Cátia Oliveira é campeã no Brasileiro de Tênis de Mesa

Christian Martinez/RGB Studios/CBTM
Imagem

Por CPB

Uma das principais atrações do 52º Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa, em Concórdia (SC), Cátia Oliveira teve a oportunidade de mostrar todo o seu talento na disputa do ranking paralímpico, nesta quinta-feira, 29. Absoluta na classe 2, a vice-campeã mundial conquistou a medalha de ouro, sem perder nenhum set no torneio.

Na decisão, a atleta da Associação Nova Era de Tênis de Mesa de Bauru (SP) bateu Juliana Silva (AACD-SP), por 3 a 0 (11/5, 11/6 e 11/3). Após a vitória, dedicou a medalha ao pai Flávio Alves, morto no dia 20 de outubro, data em que conquistou a medalha de prata no Mundial da Eslovênia.

“Está bem difícil jogar. Depois que meu pai faleceu esse é meu primeiro campeonato. Todas as vitórias que eu tive foram dedicadas ao meu pai. Mas agora, todas que eu tiver daqui para frente vão ser dele, ele está olhando por mim lá em cima!"

Foram 21 finais de rankings das classes 1 a 11. Confira todas as decisões:

CLASSE 1 MASCULINO
Aloísio Lima (AABB Brasília/Rizzone-DF) 3 x 1 Conrado Contessi (S.R.Mampituba/FME Criciúma-SC) – 11/6, 11/3, 4/11 e 11/7).

CLASSE 2 FEMININO
Cátia Oliveira (Ass.Nova Era de Bauru-SP) 3 x 0 Juliana Silva (AACD-SP) – 11/5, 11/6 e 11/3.

CLASSE 2 MASCULINO
Ronaldo Pinheiro (Ass.M.Nogueira de TM-DF) 3 x 2 Anderson Miranda (AACD-SP) – 11/3, 9/11, 11/4, 15/17 e 11/2.

CLASSE 3 FEMININO
Thaís Severo (ADFEGO-GO) 3 x 0 Luciana de Moura (ADFP-PR) – 11/7, 11/8 e 12/10.

CLASSE 3 MASCULINO
Welder Knaf (ADFP-PR) 3 x 1 David Freitas (Academia Calangos/Andro/ Monsterglue/NRG Crato-CE) – 9/11, 11/5, 11/0 e 11/6.

CLASSE 4 FEMININO
Joyce Quinzote (AACD-SP) 3 x 0 Auzeni Pereira (ADFEGO-GO) – 11/3, 11/8 e 11/5.

CLASSE 4 MASCULINO
Eziquiel Babes (ADFP-PR) 3 x 0 Ivanildo Freitas (APMDFESP-SP) – 11/6, 11/9 e 11/7.

CLASSE 5 FEMININO
Sonia Oliveira (ADFP-PR) 3 x 1 Maria Luiza Passos (ADFP-PR) – 7/11, 11/7, 13/11 e 11/5.

CLASSE 5 MASCULINO
Claudiomiro Segatto (ADFP-PR) 3 x 0 Renato Santos (APMDFESP-SP) – 11/1, 11/3 e 11/4.

CLASSE 6 FEMININO
Dina Abreu (Ass.Itajaiense-SC) 3 x 0 Rosmeire Albertoni (ADFEGO-GO) – 11/6, 13/11 e 16/14.

CLASSE 6 MASCULINO
Lincoln Lacerda (Centro Social Chinês/Butterfly-SP) 3 x 0 Goutier Rodrigues (A.A. Adalberto Valle- AM) – 11/5, 11/7 e 13/11.

CLASSE 7 FEMININO
Millena França (ADFEGO-GO) 3 x 1 Aline Ferreira (AACD-SP) – 11/4, 9/11, 11/4 e 11/5.

CLASSE 7 MASCULINO
Israel Stroh (ADC Estrela/Joola/Santos F.C./Fupes-SP) 3 x 0 Gilberto Onofre (Ass.Amigos do Tênis de Mesa-SC) – 11/7, 11/5 e 11/4.

CLASSE 8 FEMININO
Elem da Silva (APCEF Manaus-AM) 3 x 1 Brigida Reis (FranTT-Tibhar/Café Morro Grande/Selam/Piracicaba-SP) – 11/5, 11/8, 8/11 e 11/9.

CLASSE 8 MASCULINO
Francisco de Melo (Centro Social Chinês/Butterfly-SP) 3 x 0 João Fernando Júnior (ADFP-PR) – 11/7, 11/7 e 11/5.

CLASSE 9 FEMININO
Alana Maschio (Neto TT Balneário Camboriú-SC) 3 x 0 Alenice de Jesus (Ass.M.Nogueira de TM-DF) – 11/3, 11/6 e 11/4.

CLASSE 9 MASCULINO
Ramon da Silva (S.R.Mampituba/FME Criciúma-SC) 3 x 0 Guilherme Ifanger (A.D.Indaiatubana-SP) – 11/7, 11/8 e 11/8.

CLASSE 10 FEMININO
Melanie Burlamaqui (ADFP-PR) 3 x 0 Antonilza Ricken (ADFP-PR) – 11/4, 11/9 e 11/4.

CLASSE 10 MASCULINO
Claudio Massad (Ass. Nova Era de Bauru-SP) 3 x 0 Antônio Carlos Melo (AABB Fortaleza-CE) (11/7, 11/6 e 11/1).

CLASSE 11 FEMININO
Ana Paula Cordeiro (APAE Francisco Beltrão-PR) 3 x 1 Tatiane Freitas (Ilece Londrina-PR) – 11/7, 11/8, 10/12 e 11/7.

CLASSE 11 MASCULINO
Lucas Hansen (Ass.Timobense-SC) 3 x 0 Filipe Ramos (Ass.Esportiva Lassalista-AM) – 11/8, 11/7 e 11/6.

*Com informações da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa

Fonte: cpb.org.br

CT Paralímpico receberá competição internacional de fut 5, em junho de 2019

Imagem

Por CPB

A Copa América de Futebol de 5 2019 será realizada no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, de 1º a 9 de junho de 2019. Esta competição antecederá a disputa dos Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru, evento mais importante do próximo ano, que está marcado para agosto.

“Esta Copa América não é classificatória para outras competições e, como o Brasil já conquistou a vaga para Tóquio 2020, será uma oportunidade para os jogadores mais novos ganharem experiência em jogos pela Seleção. Será bom para eles ganharem confiança e prepararmos melhor o time que brigará pelo ouro em 2020”, afirmou Fábio Vasconcelos, técnico da Seleção Brasileira de futebol de 5.

A última edição da Copa América ocorreu no fim de 2017 em Santiago, no Chile. Na ocasião, o time verde e amarelo ficou com o vice-campeonato após perder, nos pênaltis, para a Argentina. Foi o primeiro pódio sem o Brasil no lugar mais alto desde a Copa do Mundo de 2006, disputada em Buenos Aires, que teve os donos da casa como campeões.

No campeonato seguinte, o Brasil recuperou a soberania ao derrotar a Argentina na final do Mundial de Futebol de 5 2018, em Madri, na Espanha. O time garantiu não só a quinta taça mundial como a vaga para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.

Fonte: cpb.org.br

Débora Campos retorna aos pódios no Brasileiro de Tiro Esportivo após cirurgias

Marco Antonio Teixeira/MPIX/CPB
Imagem

Por CPB

O Campeonato Brasileiro de Tiro Esportivo, que começou na manhã desta sexta-feira, 30, em Deodoro, no Rio, marca o retorno aos pódios da carioca radicada em Curitiba, Paraná, Débora Campos, 43, após cirurgias nos ombros. A atleta faturou a medalha de ouro na prova de P2 – 10m pistola de ar SH1 logo na primeira prova da competição, no Centro Militar de Tiro Esportivo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O evento conta com a participação de 40 atletas de seis Estados: Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. As provas seguem até o domingo, 2.

Depois da participação nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, Débora constatou lesões nos dois ombros e ficou mais de um ano sem competir. Em julho de 2018, a atleta decidiu operar os dois ombros. Cerca de três meses depois das cirurgias, a atleta precisou participar do Campeonato Sul Brasileiro da modalidade, que é passagem obrigatória para se classificar para o Brasileiro deste final de semana, em Deodoro.

Ainda em fase recuperação, especialmente do ombro esquerdo, a canhota Débora já se consagrou campeã brasileira na prova P2 – pistola de ar 10m SH1 neste Brasileiro.

“Para a fase que ela está, de recuperação, o resultado foi bom. Débora ainda tem muito o que melhorar e acredito que conseguirá. Quero contar com ela na Seleção nas principais competições de 2019” disse James Walter, técnico da Seleção Brasileira de tiro esportivo paralímpico. Débora volta ao stand de tiro na tarde desta sexta-feira para disputar a prova de pistola standard 10m misto SH1. Neste sábado, 1, ela fará a prova P3 – pistola mista 25m SH1.

Aos 12 anos a esportista perdeu a perna acima do joelho devido a complicações depois de um atropelamento, e conheceu o tiro esportivo paralímpico em 2009.

Também na manhã desta sexta-feira, 30, aconteceu a qualificatória da prova P1 – pistola de ar 10m SH1 e os atletas Geraldo Rosenthal e Ricardo da Costa, ambos classificados para os Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019, conquistaram vagas para a final desta prova que acontecerá na tarde desta sexta. Ao todo, seis brasileiros já estão classificados para o Parapan de Lima: os paulistas Alexandre Galgani e Carlos Garletti, o gaúcho Geraldo Rosenthal, os paranaenses Marcelo Hyroshi e Sérgio Vida e o carioca Ricardo Gomes.

O Brasileiro de Tiro Esportivo encerra o calendário nacional da modalidade e é a competição com maior atribuição de pontos para o ranking brasileiro. O evento é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), e o ranking nacional serve como base para bolsas da próxima temporada.

No próximo ano, além dos Jogos Parapan-Americanos, haverá a disputa do Campeonato Mundial de Tiro Esportivo. A competição está prevista para outubro de 2019, em Sydney, na Austrália.

Confira abaixo os resultados desta sexta-feira, 30 de novembro:

P2 – Pistola de ar 10m SH1 feminino
1º lugar – Débora Campos
2º lugar – Beatriz Cunha
3º lugar – Eloisa Rodrigues

R9 – Rifle 50m SH2
1º lugar – Alexandre Galgani
2º lugar – Flavio Campos

R7 – Rifle 3 posições 50m SH1
1º lugar – Carlos Garletti
2º lugar – Benedito Silva
3º lugar – Enio Alfonso

P1 - Pistola de ar 10m SH1 masculino
1º lugar - Geraldo Rosenthal
2º lugar - Ricardo Costa
3º lugar - Ailton Silva

P5 - Pistola standard mista 10m SH1
1º lugar - Geraldo Rosenthal
2º lugar - Joaquim Santos
3º lugar - Sergio Vida

Time São Paulo
O atleta Alexandre Galgani é integrante do Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo que beneficia 62 atletas e seis atletas-guia de dez modalidades.

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir o Campeonato Brasileiro de Tiro Esportivo não precisam de credenciamento prévio. Bastará dirigir-se à sala de imprensa para identificação.

Patrocínios
O Campeonato Brasileiro de Tiro Esportivo tem patrocínio das Loterias Caixa.

Serviço
Data: 30 de novembro, 1 e 2 de dezembro
Cidade: Deodoro (RJ)
Local: Centro Militar de Tiro Esportivo (CMTE). Av. Brasil, 26.196 - Gericinó - RJ

Programação
Sexta-feira (30/12) – 9h às 12h / 14h às 17h
Sábado (1/12) - 9h às 12h / 14h às 17h
Domingo (2/12) – 9h às 12h30
*Programação sujeita a alterações

Fonte: cpb.org.br

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Fernanda de Freitas chora ao ver paciente com paralisia cerebral andar

Atriz participou do 'Encontro' desta quinta-feira, 29/11 e acompanhou a história de Dudu

Por Gshow — Rio de Janeiro

Foto: TV Globo
Fernanda de Freitas chora ao ver paciente com paralisia cerebral andar

O Encontro desta quinta-feira, 29/11, começou com emoção pura. O programa contou a história de Carolina, a fisioterapeuta que trabalham na recuperação de Dudu, que sofre com as sequelas motoras de uma paralisia cerebral. Fernanda de Freitas, que é uma das convidadas da atração, não segurou a emoção ao ouvir a história.

Encontro — Foto: TV Globo
Encontro  — Foto: TV Globo

A atriz chorou logo depois de ver vídeo de Dudu :

"Ele é uma gracinha".

Fonte:

Implante cerebral permite que tetraplégicos controlem tablet com pensamento

Tecnologia abre caminho para que pacientes se comuniquem com médicos e parentes

Uma das participantes tocou Beethoven num piano virtual Foto: BrainGate
Uma das participantes tocou Beethoven num piano virtual Foto: BrainGate

O Globo

STANFORD, Califórnia — Tablets e smartphones fazem parte da vida cotidiana, mas não das pessoas com paralisia, que poderiam se beneficiar dessas tecnologias para a comunicação. Para superar essa barreira, pesquisadores do consórcio BrainGate desenvolveram um pequeno chip implantado no cérebro que permite o controle dessas máquinas apenas com o pensamento.

No estudo, publicado este mês na revista “PLOS ONE”, três pacientes com tetraplegia foram capazes de navegar por aplicativos, incluindo serviços de e-mail, mensagens, streaming de música e de compartilhamento de vídeos. Apenas com o pensamento, eles controlavam um cursor na tela e, dessa forma, enviaram mensagens para amigos, parentes e membros da equipe de pesquisas. Surfaram na internet, checaram a previsão do tempo e um deles, músico, tocou um trecho da Sinfonia nº 9 de Ludwig van Beethoven em um piano virtual.

Por anos estamos trabalhando para desenvolver conhecimentos em neurociência e neuroengenharia para permitir que pessoas que perderam habilidades motoras que controlem dispositivos externos apenas pensando no movimento do braço e da mão — explicou Jaimie Henderson, neurocirurgião da Universidade de Stanford e coautor da pesquisa. — Neste estudo, aproveitamos esse conhecimento para restaurar a capacidade das pessoas em controlar as tecnologias cotidianas que elas usavam antes da doença. Foi maravilhoso ver os participantes se expressando ou apenas encontrando uma música que desejavam ouvir.

Trata-se de um pequeno chip, do tamanho aproximado de uma aspirina, implantado diretamente no cérebro para detectar sinais associados aos movimentos produzidos no córtex motor. Esses sinais são decodificados e roteados para dipositivos externos. Estudos anteriores demonstraram que implantes similares podem mover braços robóticos e até mesmo recuperar movimentos dos próprios membros.

Dois dos participantes tinham perdido o movimento dos braços e das pernas por causa da esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa que afeta os neurônios e o controle dos movimentos. O terceiro ficou paralisado por uma lesão na medula espinhal. No experimento, os sinais do implante foram roteados para um mouse virtual, que estava pareado a um tablet Google Nexus 9.

Os pacientes foram capazes de fazer até 22 cliques por minuto, usando vários aplicativos. Na edição de textos, eles escreveram até 30 caracteres por minuto usando aplicativos de e-mail e de troca de mensagens. De acordo com o estudo, os participantes consideraram a interface intuitiva e divertida.

Senti mais natural do que as vezes que me lembro usando um mouse — contou um dos pacientes.

A esperança é que a tecnologia sirva como canal de comunicação para pacientes com deficiência neurológica severa.

A tecnologia tem potencial para restabelecer a comunicação confiável, rápida e rica para pessoas com síndromes que as tornem incapazes de falar — afirmou Jose Albites Sanabria, da Universidade Brown. — Isso pode não apenas proporcionar interação com amigos e familiares, mas fornecer um canal para descrição de problemas de saúde aos cuidadores.

Criança com doença rara deve voltar sem transplante dos EUA 3 anos após campanha de R$ 1,5 milhão

Davi Miguel não tem condições de ser submetido a cirurgia e nunca esteve em fila de transplante, segundo Jackson Health Memorial. Audiência em dezembro deve confirmar retorno ao Brasil.

Por Rodolfo Tiengo, G1 Ribeirão e Franca

O menino Davi Miguel, de Franca (SP), se mudou para os EUA para tentar transplante contra doença rara — Foto: Jesimar Gama/ Arquivo pessoal
O menino Davi Miguel, de Franca (SP), se mudou para os EUA para tentar transplante contra doença rara — Foto: Jesimar Gama/ Arquivo pessoal

Mais de três anos depois de arrecadarem R$ 1,5 milhão e se mudarem para os Estados Unidos, os pais de Davi Miguel Gama devem voltar ao Brasil sem conseguir realizar a cirurgia para a doença rara do filho. Hoje com 4 anos, o menino tem uma síndrome que afeta as funções do intestino, mais conhecida como “diarreia intratável”.

Uma audiência de conciliação, marcada para 6 de dezembro pela Justiça Federal deve definir as condições e a data do retorno. Isso porque foi a Justiça quem determinou a forma como deveria ser gasto o dinheiro arrecadado com as campanhas feitas pela família.

Davi Miguel se mudou com os pais de Franca (SP) para Miami em julho de 2015, depois de uma  campanha que mobilizou até artistas. Um acordo firmado com a União permitiu o custeio das despesas gerais e do transplante no Jackson Health System por meio das doações e de repasses extras do poder público.

Segundo determinado pela Justiça, 70% do valor arrecadado seria destinado à cirurgia, que não aconteceu. O restante do dinheiro foi usado com despesas da família - a cada dois meses, os pais prestaram contas dos gastos com alimentação e moradia, e receberam o reembolso.

A União ainda arcou com o pagamento da nutrição parenteral de Davi Miguel, que não consegue se alimentar normalmente pela boca.

Sem cirurgia

Sem condições clínicas para ser submetida à cirurgia, Davi Miguel nunca esteve na lista nacional de transplantes dos Estados Unidos, confirmou pela primeira vez ao G1 o Jackson Health, que acompanha o menino desde 2015.

Os pais - que chegaram a informar em redes sociais na internet que o filho estava na fila pelo procedimento - disseram que o uso recorrente de cateteres causou tromboses no sistema circulatório, o que impediu o procedimento.

Em página sobre o menino Davi Miguel, família fala sobre entrada do menino para fila do transplante em 2015 — Foto: Reprodução/Facebook
Em página sobre o menino Davi Miguel, família fala sobre entrada do menino para fila do transplante em 2015 — Foto: Reprodução/Facebook

Em post, família de Davi Miguel afirma em 2016 que menino estava há mais de um ano fora da fila do transplante por causa de deterioração das veias — Foto: Reprodução/EPTV
Em post, família de Davi Miguel afirma em 2016 que menino estava há mais de um ano fora da fila do transplante por causa de deterioração das veias — Foto: Reprodução/EPTV

"Nossa equipe médica tem sido transparente com a família e o governo brasileiro a respeito do caso dele, enquanto continua a prover um tratamento de suporte de vida para Davi. O Jackson avalia a elegibilidade dos pacientes para serem listados para um transplante baseado em critérios financeiros, psicossociais, cirúrgicos e médicos. Davi infelizmente não é elegível para um transplante e nunca foi listado na lista nacional de transplante", informou o hospital.

Enquanto ainda alimentava esperanças de ver o filho curado, mesmo com a impossibilidade anunciada de antemão pelos médicos, a família viu os recursos destinados à permanência nos EUA praticamente se esgotarem.

"É triste porque a gente veio pra ficar um ano e meio com a esperança de que fosse feito o transplante e voltar com ele bem e deu tudo errado", diz o pai, Jesimar Gama.

Procurado em diferentes oportunidades pela reportagem do G1, o Ministério da Saúde não se manifesta sobre o caso, ou comenta a audiência de conciliação.

A pasta enviou uma nota, divulgada segundo ela em março deste ano, em que confirma a regularidade dos pagamentos à família, mediante a comprovação dos gastos, e que um médico do Jackson Memorial já declarava que o paciente deveria voltar ao Brasil por não ter condições de ser submetido ao transplante.

"Quando retornar ao Brasil, o SUS dará toda a assistência necessária ao paciente", comunicou.

Bebê Davi Miguel com os pais ainda no Brasil, há três anos — Foto: Dinea Gama/Arquivo Pessoal
Bebê Davi Miguel com os pais ainda no Brasil, há três anos — Foto: Dinea Gama/Arquivo Pessoal

Esperança

Pouco tempo depois de ser internado no Jackson Health System, em 2015, Davi foi dispensado para permanecer em casa. O menino teve a cirurgia descartada pelo hospital por não ter condições de saúde adequadas.

De acordo com o centro hospitalar norte-americano, esse tipo de decisão é baseado em critérios internacionais e na chamada Regra Final, protocolo que dita normas para a doação de órgãos nos Estados Unidos.

"Os centros de transplantes americanos, incluindo o Miami Transplant Institute, no Jackson, aderem a estatutos e políticas estabelecidas pela Rede de Aquisição e Transplante de Órgãos (OPTN). Esses regulamentos são projetados para cumprir os requisitos da Regra Final, que priorizam a alocação de órgãos escassos e aqueles pacientes que estão mais propensos a sobreviver e a prosperar na jornada do transplante, o que inclui a necessidade de acompanhamento de cuidados médicos e medicamentos pós-transplante ao longo da vida."

Desde então, os pais continuaram cuidando do menino, nutrindo a esperança de que as veias se desenvolvessem, conforme o filho fosse crescendo, e dessa forma a cirurgia pudesse ser realizada. Por isso, a família permaneceu nos Estados Unidos até hoje.

Nesse período, segundo o Jackson Health, a criança foi internada diversas vezes devido às suas condições médicas deterioradas.

Mas, enquanto alimentavam a esperança de que a saúde de Davi Miguel melhorasse, os pais, que não têm visto para trabalhar no exterior , esgotaram quase todo o recurso destinado à permanência deles no exterior - os 30% do total de R$ 1,5 milhão arrecadado com doações.

História de Davi Miguel mobilizou manifestantes em Franca por pagamento de transplante  — Foto: Chico Escolano/EPTV/Arquivo Pessoal
História de Davi Miguel mobilizou manifestantes em Franca por pagamento de transplante — Foto: Chico Escolano/EPTV/Arquivo Pessoal

Além disso, a família relata que passou a ter dificuldade para comprar a nutrição parenteral, principalmente após o governo federal atrasar pagamentos de US$ 47 mil. A conta foi paga, mas a mesma farmácia deixou de fornecer a alimentação especial, com medo de ter um calote, segundo Jesimar Gama.

O pai afirma que recorreu a outra farmácia, mas que o estabelecimento também não pretendia continuar a fornecer a nutrição parenteral por causa do acúmulo de novos débitos. "É a alimentação dele. Ele sobrevive dela, vai direito no sangue, é o que o mantém vivo", disse.

Em hospital em Miami, Davi Miguel come papinha pela primeira vez — Foto: Arquivo Pessoal
Em hospital em Miami, Davi Miguel come papinha pela primeira vez — Foto: Arquivo Pessoal

De um total de US$ 1 milhão reservado para ser usado pelo hospital, ainda restariam US$ 300 mil, mas o dinheiro só poderia ser usado na cirurgia. "Alegam que não podem usar desse dinheiro, que esse dinheiro seria para o transplante, e como ele não é candidato ao transplante, não podem usar para outros procedimentos", explicou Gama.

A volta ao Brasil

No início de setembro, os advogados de defesa da família se reuniram com representantes da União para uma audiência de conciliação na Justiça Federal, em Franca.

Nela, o governo federal garantiu arcar com as despesas referentes ao retorno da família ao Brasil, bem como apresentou dois centros – o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, em São Paulo, e o Hospital de Clínicas, em Porto Alegre (RS) – como opções para que o menino continue a ser acompanhado no Brasil.

Uma contraproposta, que deve ser avaliada em dezembro pela União, foi apresentada pelos pais, que confirmaram o interesse em permanecer em São Paulo na volta ao Brasil.

No entanto, isso não representa a possibilidade de o menino passar por uma cirurgia a curto prazo. No melhor dos cenários, Jesimar Gama espera que o filho cresça com saúde até que um dia possa ser operado, adulto, no sistema de saúde brasileiro.

"No momento ele não é apto ao transplante. Pode ser que, quando ele fique mais velho, as veias se restabeleçam, se recanalizem, mas no momento ele não tem condições de fazer", afirma.

                    Davi Miguel vive há mais de 2 anos nos EUA à espera de cirurgia para doença rara — Foto: Arquivo pessoal
Davi Miguel vive há mais de 2 anos nos EUA à espera de cirurgia para doença rara — Foto: Arquivo pessoal

Entenda o caso

Nascido em Franca, Davi Miguel recebeu o diagnóstico da doença no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). Em seguida, passou a ser acompanhado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Regional em Franca, e posteriormente, por decisão judicial, foi transferido para o Hospital Samaritano em São Paulo.

Sem condições de arcar com o tratamento oferecido no exterior, a família entrou na Justiça para que a União arcasse com o custeio da cirurgia. A disputa começou em agosto de 2014. Além da ação, os familiares também promoveram uma campanha para arrecadar fundos e pagar o procedimento.

A decisão que obriga a União a arcar com os custos do tratamento ocorreu quase um ano após o início do processo. A Justiça Federal também determinou que 70% do valor arrecadado pela família em doações fossem revertidos para pagar as despesas da cirurgia em Miami. O restante da quantia poderá ser usado para as despesas dos pais nos Estados Unidos.

Davi Miguel, levado por equipe médica de hospital em Franca  — Foto: Márcio Meireles/EPTV/Arquivo
Davi Miguel, levado por equipe médica de hospital em Franca — Foto: Márcio Meireles/EPTV/Arquivo

DOENÇA RARA DE DAVI MIGUEL







Fonte: g1.globo.com