sábado, 29 de dezembro de 2018

A história do gay solteiro que adotou bebê com síndrome de Down rejeitada por 20 famílias

Menina foi abandonada pela mãe ao nascer e com 13 dias de vida já havia sido recusada por mais de 20 potenciais adotantes. Até sua história cruzar a de Luca, um italiano que sonhava em ser pai.

Por BBC

Luca Trapanese estava determinado a adotar uma criança com deficiência — Foto: Reprodução/Facebook/Luca Trapanese
Luca Trapanese estava determinado a adotar uma criança com deficiência — Foto: Reprodução/Facebook/Luca Trapanese

Luca Trapanese é solteiro, gay e em julho de 2017 adotou Alba, uma bebê com síndrome de Down que, segundo ele, já havia sido rejeitada por 20 famílias.

Em novembro, o italiano de 41 anos publicou o livro Nata per te (Nascida para Você, em tradução literal), escrito em parceria com Luca Mercadante, sobre sua experiência como pai.

Confira a seguir o depoimento dele, em entrevista ao programa de rádio Outlook, da BBC:

Quando eu tinha 14 anos, meu melhor amigo, Diego, descobriu que tinha câncer terminal. Quando me contou, decidi que eu nunca iria me separar dele.

Eu o acompanhei no hospital e sempre estive lá quando ele precisou de mim.

Eu teria feito qualquer coisa por ele e fiquei ao lado dele durante toda aquela dolorosa experiência, até o fim.

A morte de Diego me deixou com uma profunda consciência do que significa viver com uma doença.


Foi por isso que virei voluntário em uma igreja em Nápoles para ajudar pessoas com doenças críticas e crianças com deficiências.

Foi uma experiência maravilhosa que me permitiu conhecer muita gente que se tornou amiga para a vida inteira.

Romance
Esse período levou Luca a perceber o que queria fazer da vida: ajudar as pessoas necessitadas. E a melhor forma que ele enxergava para fazer isso era se tornar um padre católico:

Eu entrei no seminário aos 25 anos. Passei dois anos lá dentro, até conhecer um homem e me apaixonar por ele.

Deixar o seminário não foi difícil para mim. Meus amigos e familiares foram muito compreensivos.


Meu parceiro e eu passamos 11 anos juntos e foi a história de amor mais bonita da minha vida.

Juntos, fundamos nossa própria organização de caridade em Nápoles para pessoas com deficiências.

Novo irmão
Graças a sua fundação, Luca criou fortes vínculos com muitas pessoas, que se tornaram o que ele chama de sua "família estendida". Uma delas é Francesco, filho de uma professora aposentada, Florinda - e eles oficialmente viraram sua família.

Francesco é dois anos mais novo que eu e tem uma deficiência intelectual. Nós rapidamente nos tornamos amigos. Ele é cheio de vida, gosta de ir ao teatro, de ler notícias e é muito carinhoso.

Um dia, Florinda me perguntou se eu poderia ajudá-la. Estava preocupada com o que aconteceria com Francesco depois que ela morresse, já que não havia outros parentes para tomar conta dele.

Ela perguntou se poderia me adotar para que Francesco tivesse um irmão.


No começo eu hesitei, temia que meus pais biológicos achassem que eu os estava traindo. Mas quando falei com eles, eles me deram permissão imediatamente.

Nós fomos ao tribunal e agora eu tenho duas mães. Francesco estava conosco. Ele entendeu o que estava acontecendo e na mesma hora começou a me tratar como família, a ponto de vez ou outra ir ao meu apartamento sem avisar, para conversar.

A própria família
Meu parceiro e eu sempre falávamos sobre adotar e ambos concordamos que seria uma criança com deficiência.

Infelizmente, há alguns anos nosso relacionamento terminou e me mudei para morar sozinho.

Foi muito difícil porque eu ainda queria ser pai, mas na Itália pais solteiros ainda não podiam adotar.

Posteriormente as coisas mudaram e no início de 2017 consegui me candidatar como adotante.


Disseram-me que só me apresentariam crianças com doenças, deficiências graves ou problemas comportamentais - uma criança que tivesse sido rejeitada por todas as famílias tradicionais.

Eu estava completamente de acordo.

Graças à minha experiência pessoal, sabia que possuía os recursos necessários para lidar com os problemas que a criança tivesse.

Primeiro encontro
Em julho de 2017, eles me ligaram e disseram que tinham uma menina para mim, que o nome dela era Alba e que ela tinha apenas 13 dias de idade.

Tinha síndrome de Down. Foi abandonada pela mãe quando nasceu e rejeitada por mais de 20 famílias.

Foi difícil conter minha alegria. Eu disse sim na mesma hora.

Corri para o hospital para buscá-la. Ela estava em um bercinho pequeno, sozinha.

Quando a segurei em meus braços, me enchi de alegria. Senti nesse instante que ela era minha filha. Que eu estava pronto para ser o pai dela.


Nos primeiros dias, quis ficar sozinho com ela. Eu não queria que minhas mães estivessem por perto dizendo o que eu deveria ou não fazer.

Então a levei para a casa de campo da minha família para criar vínculos com ela e esses foram os nossos momentos mais doces.

Depois, organizei uma festa para apresentá-la a minha família estendida. Todos os meus parentes estavam lá, assim como meus amigos do trabalho de caridade.

Estereótipos
Alba tem 18 meses. Ela tem uma personalidade muito forte e às vezes é muito teimosa. Gosta de brincar e dançar o dia inteiro.

Ela adora estar com outras pessoas, então eu a levo para passear no parque, em museus ou para trabalhar comigo, o que ela ama.

Alba revolucionou completamente a minha vida. Agora tudo gira em torno dela.

Ela me trouxe felicidade e uma sensação de plenitude.

Tenho orgulho de ser o pai dela. Ela nunca foi minha segunda opção. Eu a quis de verdade.

              

Agora vejo um futuro em que passarei o resto da vida com uma garota que amo e nós faremos várias coisas maravilhosas juntos.

Nossa história destrói muitos estereótipos sobre a paternidade, a religião e a família. Não foi intencional. É simplesmente a nossa história.

Fonte: g1.globo.com

Alunos de MT gravam cantata de Natal em Libras com música de Kell Smith, vídeo viraliza na web e é comentado até pela cantora - veja o vídeo.

Música interpretada pelos alunos foi “Era uma vez”. A Língua Brasileira de Sinais (Libras) passou a ser ensinada na escola após a chegada de um aluno com deficiência auditiva, em 2016.

Por Maycon Araújo, TV Centro América

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Crianças cantam 'Era uma vez' de Kell Smith

Alunos do Centro Integrado de Ensino (CIE), em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, fizeram uma cantata de Natal em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e compartilharam o vídeo da apresentação nas redes sociais. A música interpretada pelos alunos foi “Era uma vez”, da cantora Kell Smith.

Clique AQUI para ver o vídeo

O vídeo viralizou. já possui mais de 3 milhões de visualizações e foi assistido até mesmo pela própria cantora, que gravou um vídeo à TV Centro América para comentar a apresentação e fez elogios.

“O vídeo chegou até mim através de um amigo e fiquei muito emocionada. Fico muito feliz, a arte é isso. Nós precisamos evoluir para um mundo e uma sociedade cada vez mais inclusiva”, disse Kell Smith.

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Kell Smith comenta apresentação de alunos

A ideia de gravar uma mensagem de fim de ano surgiu em 2016 quando a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi implantada na escola, após a chegada de um aluno com deficiência auditiva.

“A mãe do aluno pediu para aceitarmos o filho dela e nós o matriculamos. Quando estava próximo do início das aulas, apareceu um professor especializado em Libras e começou a dar as aulas”, contou a diretora da escola Iracema Denardi Peixoto.

Depois disso, a nova língua foi integrada na grade de ensino da escola, que atende 1,5 mil estudantes, segundo Iracema.

Cantata de Natal em Libras  — Foto: TVCA/ Reprodução
Cantata de Natal em Libras — Foto: TVCA/ Reprodução

“A inclusão para nós é normal. Os nossos alunos não têm problemas com isso, inclusive, temos crianças com Síndrome de Down, deficiente auditivo e autistas”, disse.

O projeto ganhou tradição na escola e, todos os anos, um novo clipe é gravado e publicado nas redes sociais como mensagem de Natal.

Fonte: g1.globo.com

Tecnologias dão esperança para quem perdeu a capacidade de andar - Vejam os vídeos

Pesquisas chegam a próteses mais leves e reabilitação feita com ajuda de robôs.

Por G1 — São Paulo

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Próteses dão chance para muitas pessoas voltarem a andar

Velocidade acima dos limites, ausência de cinto de segurança e beber e dirigir são as principais causas de acidentes de trânsito, que por sua vez são a maior causa de lesões medulares no Brasil, ao lado de outros traumas, como lesões medulares por mergulho em águas rasas.

Clique AQUI para ver os vídeos.

Para falar sobre o assunto, o Bem Estar desta sexta-feira (28) recebeu o fisiatra da AACD-SP Marcelo Ares e o médico radiologista coordenador do projeto de reabilitação do Hospital do Amor Daniel Marconi.

Não basta receber uma prótese, é preciso preparo para recebê-la e passar por reabilitação para usá-la. O caminho para andar com uma prótese de membros inferiores envolve desde a preparação para uma amputação correta, quando ela pode ser planejada, preparação da parte da perna que receberá a prótese (como condicionamento), reabilitação do quadril e de outras estruturas do corpo, entre outras medidas, além de auxílio de uma equipe multidisciplinar para aprender a usar o equipamento. Uma simples meia de silicone pode tornar o uso da prótese mais confortável.

Realidade e pesquisa

Um dos principais avanços na reabilitação é o uso de robôs que auxiliam o paciente na fisioterapia, por exemplo. Eles já são realidade em alguns centros de estudo. Ainda dentro do que é realidade há próteses cada vez mais leves, com maior mobilidade e para múltiplos usos, mas o custo ainda é uma barreira.

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Laís Souza enfrenta maratona de exercícios e fisioterapia para tentar recuperar movimentos

A eletroestimulação por meio de implante de eletrodos na medula, reestabelecendo a comunicação com o sistema nervoso central, é uma linha de pesquisa hoje, assim como transplante de nervos para substituir os que foram rompidos. Exoesqueletos são espécies de robôs vestidos pelo paciente e que se comunicam com o sistema nervoso central para fazer o movimento. Algumas das barreiras dessa linha que ficou bastante famosa na penúltima Copa são como captar os comandos do cérebro e fazer o movimento funcional, que permita autonomia em diferentes situações. Além disso, as estruturas ainda são extremamente pesadas.

Outro desafio são os estudos com células tronco. A dificuldade é que as células nervosas que comandam o andar são muito específicas e ainda não se conseguiu que se "transformem" nessas células tão especiais.

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Pesquisadores descobrem que transplante de células-tronco é mais eficiente que remédios

Fonte: g1.globo.com

Programa voluntário da Ambev leva capacitação a ONGs

Projeto VOA promove compartilhamento de conhecimento em gestão entre funcionários da cervejaria e organizações sociais

POR CERVEJARIA AMBEV

Bernardo Paiva explica processos de melhorias na ONG Pró-Saber Foto: Divulgação
Bernardo Paiva explica processos de melhorias na ONG Pró-Saber Foto: Divulgação

De um lado, ONGs com um papel fundamental em prol do avanço de suas comunidades, porém detentoras de certo amadorismo administrativo e pouca habilidade em gestão. Do outro, uma empresa presente em todo o território nacional e reconhecida por sua excelência em gestão. Com o projeto VOA, estas duas realidades se unem. A iniciativa é um programa voluntário criado pela Cervejaria Ambev, que promove o compartilhamento de conhecimento em gestão dos seus funcionários com organizações sociais.

No nosso dia a dia, atendemos e visitamos diversas comunidades pelo país e, no contato com essas diferentes realidades, percebemos que poderíamos ajudar mais. Percebemos que tínhamos algo muito especial para compartilhar com elas: nosso sistema de gestão – conta Bernardo Paiva, presidente da Cervejaria Ambev.

2018 foi o primeiro ano oficial do projeto. A empresa lançou um edital para as organizações interessadas se inscreverem e, ao mesmo tempo, chamou seus funcionários a participarem da iniciativa. O resultado não poderia ser melhor: a Ambev esperava que 200 voluntários demonstrassem interesse mas, nas primeiras 48 horas, recebeu 700 inscrições. Quanto às ONGs, a expectativa era de 500 inscrições, porém chegaram mais de 2.000, o que mostrou que, de fato, estas organizações têm uma demanda no aprendizado sobre gestão. No final do processo seletivo, a empresa conseguiu formar quase 200 pares (um voluntário e uma ONG), com 185 organizações e 190 voluntários.

– As realidades de uma grande empresa e de uma ONG têm diferenças. No entanto, quando falamos em gestão, são conceitos aplicados para as duas. Tanto empresa quanto ONG têm que ter um sonho, um propósito para seguir em frente. Têm que ter um bom controle do orçamento. Têm que ter pessoas, então precisam conhecer boas práticas de RH. São conteúdos de gestão aplicados para as duas realidades – diz Richard Lee, gerente de Sustentabilidade da Ambev.

Richard Lee destaca a importância do voluntariado para o engajamento geral do funcionário Foto: Felipe Gombossy / Divulgação
Richard Lee destaca a importância do voluntariado para o engajamento geral do funcionário Foto: Felipe Gombossy / Divulgação

O voluntário – que pode ser de qualquer setor da empresa – se transforma em padrinho da organização e transmite o conteúdo focado em gestão com a metodologia criada pela Ambev. São trabalhadas questões como rotinas de trabalho, orçamento, comunicação e relacionamento, capacitação, governança, projetos e soluções de problemas, focando nas situações práticas do dia a dia da entidade.

– O VOA é uma tradução muito literal do propósito da Ambev de unir pessoas por um mundo melhor. O voluntariado pensado como ótica de empresa, além do prazer pessoal, gera o engajamento geral do funcionário. Quando ele faz o voluntariado baseado em aptidão e talento, tem um sentimento positivo muito maior porque ele sabe que está ajudando aquela organização no que tem de melhor – considera Lee.

O voluntário e a ONG têm seis meses para percorrer todos os módulos, com uma mentoria ao longo do período. A periodicidade sugerida é de encontros mensais. Em novembro, eles apresentaram um projeto prático para a melhoria da organização. O melhor projeto desta primeira edição foi da ONG Pró-saber, que atua em Paraisópolis, na capital paulista.

Após o VOA, a Pró-Saber sonhou grande e definiu como objetivo principal atender, em até três anos, metade das crianças que vivem em Paraisópolis. Até 2021 eles devem aumentar em 1.200% seu impacto, atendendo 2.500 crianças.

Já a ONG Passos Mágicos, de Embu-Guaçu-SP, também teve seu projeto reconhecido como um dos melhores deste ano. Agora, a meta é atingir mais 1,5 mil jovens da rede pública de ensino, impactando 2 mil estudantes da região.

– Queremos que as próprias ONGs estejam aptas para criar e definir seus próprios processos. Quando as organizações começam a implementar suas ações, dentro da realidade de cada uma delas, existe mais aprendizado ainda. Esse é um trabalho que contribui para o desenvolvimento dos dois lados: as ONGs e os voluntários. Com isso, todo mundo aprende – afirma Paiva.

No dia 1º de dezembro foi realizado o Dia do VOA, quando cerca de mil voluntários da Ambev e integrantes das ONGs participaram de atividades como workshops de gestão, reformas estruturais, doação de materiais e livros . A ação aconteceu nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Jaguariúna (CSC), Jacareí, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Anápolis, Fortaleza, Salvador.

A expectativa maior do VOA, segundo Lee, é saber o impacto da experiência nos resultados das organizações. No ano passado, a empresa realizou um projeto-piloto com a ONG Gerando Falcões. Com a mentoria, a organização conseguiu, nos primeiros três meses deste ano, o mesmo resultado que obteve nos 12 meses de 2017.

– A organização conseguiu este resultado por estar mais capacitada, colocar metas para os funcionários, definir rotina, papel e responsabilidade de cada um da equipe, trabalhar melhor a gestão de orçamento e projeto – destaca Lee, revelando que, para o próximo ano, a Cervejaria Ambev avaliará os pontos positivos e negativos do formato de voluntariado, para reformular o que não deu certo e valorizar os sucessos. O edital para participar do VOA em 2019 deve sair ainda em dezembro.

Manifesto da Pessoa com Deficiência para Damares Alves

Futura ministra dos Direitos Humanos recebeu documento da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, composta por entidades e coletivos. Grupo definiu premissas essenciais à vida inclusiva na Saúde, Educação, Trabalho e Esportes. Em outubro, antes de ser eleito, Jair Bolsonaro assinou carta compromisso para fortalecer as políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência no Brasil.

Luiz Alexandre Souza Ventura
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IMAGEM 02: Em outubro, o presidente da República eleito assinou documento elaborado pelo Comitê Brasileiro de Organizações Representativas das Pessoas com Deficiência. Descrição #pracegover: Jair Bolsonaro está ao centro, rodeado por integrantes do comitê de pessoas com deficiência. Crédito: CRPD.

Organizações brasileiras e internacionais entregaram nesta semana à futura ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, o Manifesto em Prol do Direito à Vida Inclusiva da Pessoa com Deficiência.

A estrutura do ministério engloba a Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência, mas pouco se falou sobre essa questão desde a escolha de Damares para a pasta.

O documento elaborado pela Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência estabelece diretrizes para a vida inclusiva do cidadão com deficiência e define premissas para garantia de direitos.

O manifesto defende a importância de fortalecer políticas públicas para conhecimento da pessoa com deficiência, suas potencialidades e seus limites; a percepção da individualidade dessa pessoa, com autonomia e independência, assim como de suas necessidades específicas, com todos os apoios, além de reconhecer a capacidade do cidadão com deficiência de tomar decisões que digam respeito à sua própria vida, sem condicionamento de outras pessoas.

No dia 19 de outubro, durante o segundo turno da eleições, o atual presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL), assinou uma carta compromisso para fortalecer as políticas públicas voltadas à pessoas com deficiência no Brasil.

O documento foi elaborado pelo Comitê Brasileiro de Organizações Representativas das Pessoas com Deficiência (CRPD).

O grupo também apresentou ao presidente eleito uma lista de seis páginas detalhando as demandas dos cidadãos com deficiência para promoção de direitos, fortalecimento de parcerias, Previdência, saúde, educação, trabalho, assistência social, cultura, esporte e lazer.

Fontes: Estadão - fernandazago.com.br

Avenida Paulista ganha 1º audioguia de rua de São Paulo

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Avenida Paulista

A voz metalizada nos fones de ouvido aponta o caminho: “Pare! Olhe à esquerda!” Melhor obedecer: à sua esquerda, como indicou o timbre feminino, algum recanto desconhecido estará à mostra – alguém já parou para se olhar no espelho d”água do Parque Trianon, ou sentou-se na varanda dos fundos da Casa das Rosas, em cadeiras do início do século 20?

Pois esses são alguns dos pontos indicados pelo primeiro guia turístico de rua em áudio da capital paulista, lançado no último sábado. O programa leva o visitante a um passeio guiado apenas por som (em formato MP3) pela Avenida Paulista. A viagem começa no segundo andar do Conjunto Nacional (“bem na frente do elevador do meio”) e termina, 50 minutos depois, no jardim da Casa das Rosas, já próximo do Paraíso.

Criado pela produtora Núcleo Corpo Rastreado, com apoio da Fundação Nacional das Artes (Funarte), o audioguia está disponível na internet para download gratuito. Basta baixar as 12 faixas seguindo as instruções do site. A produtora tem 20 MP3 players para emprestar – mediante agendamento – para quem não tem o aparelho. “Me inspirei em um tour em Londres. Pesquisei e me surpreendi que não houvesse aqui, já que na Europa são comuns”, disse a responsável pelo projeto, a produtora de dança Vanessa Lopes, de 29 anos.

Passo lento. A dica ao longo do percurso é andar devagar, no ritmo dos passos gravados no MP3. Nos fones, entre ordens de “siga em frente pela calçada” e “espere o sinal verde para atravessar”, é contada a história da Avenida Paulista, inaugurada em 1891. Para tornar a experiência “mais sensorial” são recitados versos de Fernando Pessoa e o clássico O Espelho, de Machado de Assis. Um convite irresistível para diminuir o passo na agitação da avenida e – o melhor da experiência – sem que ninguém perceba o porquê.

Durante o passeio, a voz-guia indica – e conta a história – de pontos turísticos clássicos como o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Conjunto Nacional, e outros nem tanto, como o casarão da família Franco de Mello (entre a Rua Padre João Manuel e a Alameda Ministro Rocha Azevedo) e o Hospital Santa Catarina, perto da Estação Brigadeiro do Metrô.

“É uma viagem não só cultural, mas também artística, projetada para tirar o visitante da anestesia da multidão”, disse Vanessa. O passeio pega atalho também pelo Metrô – seis frases para entrar e sair do subterrâneo -, entre as Estações Trianon-Masp e Brigadeiro.

Flashback. Desde sábado, 478 pessoas entraram no site para baixar as faixas e aproveitar o guia. Uma delas é a consultora em comércio internacional Katícia Bendo, de 31 anos, que percorreu a Avenida Paulista com seu MP3 no fim de semana.

“Ouvir sobre o passado fez pensar em como seria ver carroças e charretes cruzando a Paulista de antigamente. Foi como mergulhar numa pintura antiga”, disse Katícia. “Mostra detalhes que você jamais veria. A sensação é que o passeio fica mais completo.”

Os versos clássicos mesclados com informações também fazem pensar. As palavras de encerramento do tour são de Fernando Pessoa. Ouvidas na Casa das Rosas, à esquerda de um antigo forno, na frente de árvores frutíferas, de costas para a avenida, são convite à reflexão: “Digo do que ontem fui, procuro explicar a mim próprio como cheguei aqui”. “Não há quem não respire fundo nessa hora”, diz Vanessa, que já começou a elaborar projeto para outro áudio tour, desta vez um percurso pelo centro da capital paulista.

LÁ TEM

Nova York

Há dezenas de audioguias da cidade, a maioria cobrada. Entre os gratuitos está o do Central Park (www.centralpark.com/pages/walking-tours.html). Há duas opções para download: tour familiar ou com explicações sobre a arquitetura do parque Londres

Premiado guia com temática ambiental, o And While London Burns (www.andwhilelondonburns.com) leva o visitante a conhecer ruelas do distrito financeiro, alertando para o aquecimento global. Download grátis.

Barcelona

O extenso audioguia leva o turista a conhecer 16 atrações num só passeio. Em www.iaudioguide.com, o download sai a 4,95

Serviço

Download gratuito em Corpo Rastreado. Reserva de mp3 em contato@corporastreado.com. Tour: segunda a sexta, das 10h às 17h. Nos fins de semana, por causa de saídas do metrô fechadas, faixas 9 e 10 são puladas.


Fontes: http://www.estadao.com.br - fernandazago.com.br

Comissão aprova novos critérios, além da renda, para concessão do Benefício de Prestação Continuada

Cleia Viana/Câmara dos deputados
Audiência Pública para debater sobre o acesso aos insumos, medicamentos e ao tratamento para diabetes no SUS. Dep. Carmen Zanotto (PPS - SC)
Carmen Zanotto: Poder Judiciário vem entendendo que renda mensao per capita inferior a 1/4 do salário mínimo é parâmetro insuficiente

Reportagem – Lara Haje - Edição – Rachel Librelon

A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa aprovou proposta que fixa parâmetros adicionais, além da renda, para caracterizar a situação de vulnerabilidade social que permite à pessoa com deficiência e ao idoso receberem o Beneficio de Prestação Continuada (BPC).

A medida está prevista no Projeto de Lei  9236/17,  do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que altera a Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.742/93).

A legislação atual permite a concessão do benefício à pessoa com deficiência ou idosa cuja renda mensal bruta familiar dividida pelo número de seus integrantes seja inferior a 1/4 do salário mínimo.

Porém, segundo a relatora da proposta, deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), “o Poder Judiciário, desde o final da década de 90, vem entendendo que esse parâmetro é insuficiente, já que muitos núcleos familiares com renda ligeiramente superior àquele critério encontram-se, em verdade, em estado pior do que os domicílios com idosos elegíveis para a prestação”. O parecer dela foi favorável à matéria.

A Lei 8.274/93 já permite que sejam utilizados outros elementos para comprovar a condição de miserabilidade e a situação de vulnerabilidade do grupo familiar, conforme regulamento. Entretanto, Zanotto destaca que o Poder Executivo não editou ato normativo regulamentando a utilização desses critérios complementares. “Diante desse vácuo, mostra-se oportuno e meritório o projeto”, disse.

Outros critérios
Pelo projeto, o critério de renda mensal familiar de até 1/4 do salário mínimo poderá seja ampliado até 1/2 salário mínimo, na forma de escalas graduais definidas em regulamento, de acordo com uma série de fatores, combinados entre si ou isoladamente, como:
- o grau dos impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo;
- o nível de perda de autonomia do idoso ou da pessoa com deficiência consistente na dependência de terceiros para o desempenho de atividades básicas da vida diária;
- as circunstâncias pessoais e ambientas e os fatores socioeconômicos e familiares que podem agravar as barreiras e os impedimentos à plena participação social do candidato ao benefício;
- o grau de comprometimento do orçamento do núcleo familiar com gastos com tratamentos médicos, fraldas, alimentos especiais e medicamentos.

Mesma família
O texto estabelece ainda que o valor do BPC ou da aposentadoria de até um salário mínimo já concedido a idoso ou pessoa com deficiência não será computado no cálculo da renda mensal bruta familiar para fins de concessão benefício a outra pessoa da mesma família. Pela proposta, o Benefício de Prestação Continuada poderá ser devido a mais de um membro da mesma família enquanto atendidos os requisitos exigidos na lei.

Tramitação
A proposta será analisada agora, em caráter conclusivo, pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Jovens com deficiência são inseridos no mercado de trabalho

Projeto Abrindo Caminhos para Seguir em Frente incentiva pessoas com deficiência a conquistarem autonomia, convivência social e cidadania

Clarice Castro/MDS

Jovens com deficiência são inseridos no mercado de trabalho

Andradas – É na recepção da Seção de Programas Sociais da prefeitura de Andradas, pequeno município do interior de Minas Gerais, que Rafael Donizete dos Reis, de 34 anos, chega para mais um dia de trabalho. Sorridente, cumprimenta a todos e já sabe quais tarefas têm a cumprir. O jovem não esconde a satisfação em poder ajudar. “Eu gosto de recepcionar bem as pessoas”, diz. Manter organizadas as pastas e os arquivos é outra de suas atividades. “Sinto-me muito feliz no que faço, porque me completa.” O local é a porta de entrada para que as famílias mais pobres sejam inseridas no Cadastro Único e possam se tornar beneficiários do Bolsa Família, ter a carteira do idoso, entre outros benefícios.

Ao falar sobre Rafael, Maria José Bressanin dos Reis, de 59 anos, emociona-se. Ela lembra que a gravidez do primeiro filho gerou muita emoção e expectativa na família, mas logo a angústia e o medo chegaram, junto com as palavras do pediatra, após o nascimento do bebê. “Ele disse que meu filho era diferente, que não se desenvolveria e talvez nem saísse do hospital”, descreve. “Em meio ao susto, recebi apoio de minha família e tive certeza de que nosso amor por aquele pequeno anjo venceria obstáculos considerados instransponíveis.” E venceu.

Maria José detalha que o trabalho foi transformador na vida do primogênito. “Tenho três filhos e muito do que os outros dois são é por causa do Rafael. Eles acompanharam a nossa luta para que ele pudesse evoluir, ter a sua independência”, relembra. E não é à toa. Com síndrome de Down, Rafael conquistou sua autonomia há dez anos, quando sua história serviu de inspiração para o projeto Abrindo Caminhos para Seguir em Frente.



Projeto – Muito mais do que oferecer oportunidade de emprego e renda às pessoas com deficiência ao inseri-los formalmente no mundo do trabalho, a iniciativa trabalha também o convívio social, a independência, a valorização e a cidadania. Abrir caminhos para pessoas como Rafael foi o que motivou a Secretaria de Saúde e Ação Social da Prefeitura de Andradas. Criado em 2009, o projeto era voltado apenas para alunos matriculados na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), com 16 anos ou mais, participantes de oficinas oferecidas pela organização e que demonstravam aptidão para o trabalho.

A iniciativa foi ganhando a confiança da população e outras pessoas com deficiência demonstraram interesse em participar. “O Abrindo Caminhos foi se expandindo e sentimos a necessidade de criarmos outra ação paralela voltada à população deficiente de Andradas: o Seguir em Frente. Com o passar do tempo, unificamos os dois e assim surgiu o Abrindo Caminhos para Seguir em Frente”, conta a idealizadora Rosângela Giusto de Paula. Ao longo de quase uma década, 33 alunos já passaram pelo projeto. Dezesseis ex-participantes estão inseridos em cinco empresas da cidade e uma no município de Espírito Santo do Pinhal (SP).

Há dois anos, a Câmara Municipal aprovou e o projeto virou lei. Ela prevê uma jornada de cinco horas diárias de trabalho aos participantes em oito dias úteis no mês. O serviço beneficia setores da prefeitura como a Seção de Programas Sociais, o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

Além de 1/3 do salário mínimo (R$ 320), os nove participantes recebem uma cesta básica e podem integrar o Abrindo Caminhos para Seguir em Frente até que sejam contratados pelas empresas parceiras – eles recebem todos os direitos como qualquer trabalhador. As despesas são pagas com recursos do Índice de Gestão Descentralizada Municipal do Programa Bolsa Família (IGD-M).

Dedicação - As histórias de sucesso que familiares e participantes compartilham é graças ao empenho do psicólogo da Apae Renato Silveira. Junto com um time de profissionais, ele é responsável por selecionar os jovens, identificar suas potencialidades e indicá-los para as empresas parceiras do Abrindo Caminhos para Seguir em Frente.

No turno inverso às atividades escolares, os alunos participam das oficinas de massas e cartonagem que ajudam a lapidar as habilidades de cada um. Comprometimento com horário, senso de coletividade e outras características são estimuladas para dar a autonomia que os alunos buscam. Dos 145 alunos atendidos pela Apae, 25 estão empregados. “Fico muito feliz quando vejo alguns ex-alunos adquirindo apartamento, outros com autonomia para morarem sozinhos. Na escola, trabalhamos para que eles não se sintam superprotegidos, que busquem seu crescimento. O ingresso no mercado de trabalho representa o ponto final de suas histórias na Apae”, complementa.

Progredir – Promover autonomia e incentivo ao mercado de trabalho é um dos pilares do projeto de Andradas, assim como o Plano Progredir do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que visa o empreendedorismo, a capacitação profissional e o acesso a microcrédito para que pessoas de baixa renda possam investir em um negócio próprio.

De acordo com o secretário de Inclusão Social e Produtiva, Vinícius Botelho, um dos grandes desafios do Progredir para os próximos anos será o mapeamento de todas as habilidades da população inscrita no Cadastro Único, o que não é diferente para as pessoas com deficiência. “Eles têm uma série de talentos que certamente podem ser explorados para que consigam melhorar de vida e conquistarem melhores qualificações no mercado de trabalho.” E completa dizendo que “existe uma demanda das empresas pela contratação desse público específico e várias delas já fazem parte da  Rede de Parceiros. Por meio da articulação entre as pessoas com deficiência inscritas no nosso portal e a demanda das empresas é possível construir ações que permitam que elas consigam emprego com mais facilidade”.

O Progredir é um plano de ações do governo federal de incentivo ao empreendedorismo, capacitação profissional e acesso a microcrédito para que pessoas de baixa renda possam investir em um negócio próprio. O foco são beneficiários do Bolsa Família e demais inscritos no Cadastro Único. Para saber mais, acesse aqui.

*Por Carolina Graziadei

Informações sobre os programas do MDS:
0800 707 2003

Informações para a imprensa:
Ascom/MDS
(61) 2030-1505 / 9.9229-6773

Fonte: mds.gov.br

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Deficiente físico se esforça para ajoelhar e pedir namorada em casamento após 53h de voo até o Brasil - Veja os vídeos.

Pedido foi feito no aeroporto de Palmas, depois que o turco Metehan Çakmak desembarcou no Brasil. Ele e a brasileira Nádia Guerra se conheceram pelas redes sociais.

Por Jesana de Jesus, G1 Tocantins

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Deficiente físico se esforça para ajoelhar e pedir namorada em casamento

Depois de viajar por 53 horas, da Turquia até o Brasil, Metehan Çakmak, de 24 anos, impressionou a namorada brasileira ao fazer um pedido de casamento no aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues em Palmas. Deficiente físico, ele se esforçou para se ajoelhar como manda a tradição. Se declarou para Nádia Guerra, de 35 anos, e ao final, presenteou a amada com um anel de noivado.

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Metehan e Nádia, os dois portadores de deficiência física, se conheceram pelas redes sociais há cerca de sete meses. 'Eu fiz algumas fotos a convite de um fotógrafo, as imagens foram compartilhadas e de alguma maneira chegaram até ele. Da Turquia, ele viu as fotos. Um dia acordei, e vi que ele estava falando comigo pelas redes sociais, em inglês".

Os dois passaram a se falar todos os dias pela web. Após um mês, Metehan pediu Nádia em namoro. "Eu não dava muita credibilidade, não acreditava que iria dar certo. Quando eu via alguma amiga conversando com homem pela internet, eu falava: 'Sai fora, homem de internet é furada'. Eu não entendia a língua dele, ele não sabia falar em português. Tivemos muitos contratempos", contou a moradora de Palmas.

Depois de viajar por 53 horas, da Turquia até o Brasil, Metehan Çakmak, de 24 anos, impressionou a namorada brasileira ao fazer um pedido de casamento no aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues em Palmas. Deficiente físico, ele se esforçou para se ajoelhar como manda a tradição. Se declarou para Nádia Guerra, de 35 anos, e ao final, presenteou a amada com um anel de noivado.

Metehan e Nádia, os dois portadores de deficiência física, se conheceram pelas redes sociais há cerca de sete meses. 'Eu fiz algumas fotos a convite de um fotógrafo, as imagens foram compartilhadas e de alguma maneira chegaram até ele. Da Turquia, ele viu as fotos. Um dia acordei, e vi que ele estava falando comigo pelas redes sociais, em inglês".

Os dois passaram a se falar todos os dias pela web. Após um mês, Metehan pediu Nádia em namoro. "Eu não dava muita credibilidade, não acreditava que iria dar certo. Quando eu via alguma amiga conversando com homem pela internet, eu falava: 'Sai fora, homem de internet é furada'. Eu não entendia a língua dele, ele não sabia falar em português. Tivemos muitos contratempos", contou a moradora de Palmas

                                           Deficiente físico se esforça para ajoelhar e fazer pedido de casamento — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Deficiente físico se esforça para ajoelhar e fazer pedido de casamento — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

                       Nadia e o turco Metehan se conheceram pelas redes sociais e agora noivos, planejam se casar — Foto: Arquivo Pessoal
Nadia e o turco Metehan se conheceram pelas redes sociais e agora noivos, planejam se casar — Foto: Arquivo Pessoal

Três meses após começar a namorar, o turco decidiu vir ao Brasil para conhecer a namorada. Juntou dinheiro e, pela primeira vez, viajou sozinho para fora do país de origem. Um vídeo gravado também no aeroporto de Palmas mostra a emoção dos dois quando se encontraram.

O turco passou quase três meses em Palmas conhecendo Nádia. Apaixonados, decidiram se casar. Com o objetivo de dar início aos papéis e oficializar a união, o jovem precisou voltar à Turquia para juntar os documentos. Para economizar, teve que pegar um voo mais longo, com escalas, que durou 53 horas. Ele desembarcou na capital na última quinta-feira (13) e surpreendeu Nádia.

"Ele tem dificuldades para se abaixar, sente muita dor, mas disse que queria pedir de joelhos. Ele quebrou barreiras. Nem a idade, o fato de eu não poder ter filhos, de eu já ter sido casada e nem o idioma nos separou. Eu não imaginava a surpresa, ele é um doce, amoroso, romântico, vê uma flor na rua e traz para mim, o oposto de muitos homens que não têm esse romantismo. É cultural, os pais na Turquia criam os filhos para tratar as mulheres bem", disse ela.

Agora, os dois se organizam para fazer o casamento. A empresária Silvia Dacs publicou a história nas redes sociais. Várias profissionais se manifestaram para ajudar na cerimônia. Ela doará o vestido para a noiva. "Várias pessoas me procuraram dizendo que vão doar os docinhos, a maquiagem, a decoração, fotografia. Agora precisamos de um local e de organizar os outros detalhes", disse ao G1.

Desempregados, Nádia disse que pretende se mudar para Turquia e viver ao lado do amado. Ela é manicure, maquiadora e também trabalha com culinária. "Ele é apaixonado por Palmas e pelo Brasil, mas está difícil conseguirmos emprego aqui. Aqui, não tenho minha família para nos ajudar e lá ele tem uma família grande, que abraça e nos acolhe".

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Turco e brasileira se encontram pela primeira vez em aeroporto de Palmas

A perda dos movimentos

Metehan sofreu acidente aos 12 anos, lesionou a coluna e teve os nervos reduzidos. Só consegue se movimentar e ficar em pé com a ajuda de um andador. Nádia conta que ele não se aceitava, só ficou sabendo que o noivo é portador de deficiência física após um mês de conversa.

"Ele não mostrava a deficiência e depois do acidente fez tratamento psiquiátrico porque o sonho dele era ser piloto de avião e amava jogar futebol. Depois que nos conhecemos, ele começou a se aceitar. Eu penso que não podemos nos esconder. Hoje, essa é a minha condição", disse.

A história de Nádia também é de superação. Há 13 anos sofreu um acidente de trânsito e perdeu os movimentos do corpo, dos seios para baixo. Ela já foi casada e está separada há dois anos. "Nós ficamos tão amigos, que resolvemos não ficar casados", brincou.

Prontos para viver uma nova história, os dois agora sonham em subir ao altar. "Ele diz que desde o primeiro dia que me viu, ele sentia que eu seria a esposa dele, eu não acreditava, ele insistia. Ele é um homem de fé mesmo", disse sorrindo.

Fotos de Nádia nas redes sociais encantaram o turco — Foto: Arquivo Pessoal
Fotos de Nádia nas redes sociais encantaram o turco — Foto: Arquivo Pessoal

                Turco pediu brasileira em casamento no aeroporto de Palmas — Foto: Arquivo Pessoal
Turco pediu brasileira em casamento no aeroporto de Palmas — Foto: Arquivo Pessoal

Fonte: g1.globo.com

Borderline: O que é, o que causa e sintomas do transtorno

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por Redação Minha Vida

O que é Transtorno de personalidade borderline?

O Transtorno de Personalidade Borderline é uma condição mental grave e complexa cujos sintomas instáveis podem invadir o indivíduo de modo súbito, caótico, avassalador e desenfreado. Segundo o DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª Ed. 2013), o Transtorno de Personalidade Borderline envolve um padrão de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e dos afetos e de impulsividade acentuada que surge no começo da vida adulta e está presente em vários contextos.

O termo Transtorno de Personalidade Borderline foi usado pela primeira vez em 1884 e desde então passou por diversos conceitos ao longo dos anos. Originalmente o termo "borderline" se referia a um grupo de pacientes que vivia no limite da sanidade (daí o termo limítrofe), ou seja, na fronteira (borda, borderline) entre a neurose e a psicose. Alguns autores da época usavam esse diagnóstico quando havia sintomas neuróticos graves. Foi só na década de 1980 que o diagnóstico da doença se tornou mais preciso. Até então, muitos médicos acreditavam, equivocadamente, que a personalidade de uma pessoa era imutável.

A prevalência média do Transtorno de Personalidade Borderline na população é estimada em 1,6%, embora possa chegar a 5,9%. Essa prevalência é de aproximadamente 6% em contextos de atenção primária, de cerca de 10% entre pacientes de consultórios psiquiátricos e de ambulatórios de saúde mental e por volta de 20% em pacientes psiquiátricos internados. A prevalência do Transtorno de Personalidade Borderline pode diminuir nas faixas etárias mais altas (DSM-5). O Transtorno de Personalidade Borderline é diagnosticado principalmente em pessoas do sexo feminino.

Causas

As causas e ou fatores envolvidos no surgimento de Transtornos de Personalidade, como o Transtorno de Personalidade Borderline, são vários e abrangem desde a predisposição genética até experiências emocionais precoces e fatores ambientais, com destaque para as situações traumáticas e situações de abuso e negligência. Entenda melhor cada uma delas

Fatores genéticos

Fatores genéticos têm um papel importante no desenvolvimento do Borderline. O Transtorno de Personalidade Borderline é cinco vezes mais frequente em parentes biológicos de 1º grau de pessoas com o transtorno do que na população em geral. É relevante a presença de pais borderlines (um ou ambos) na história clínica desses pacientes

Instabilidade familiar

Impacto do ambiente familiar no desenvolvimento da criança pode ser um fator importante entre as causas do borderline. Cerca de 80% dos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline veem o casamento de seus pais como muito conflituoso. Muitos desses pacientes passaram por negligência e abusos físicos e sexuais dentro da família. Porém, há pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline com familiares absolutamente comuns, sem nada de anormal.

Também há aumento do risco de Transtorno de Personalidade Borderline quando existe na família, o pai e ou mãe com transtorno por uso de substância, Transtorno de personalidade antissocial e transtorno depressivo ou transtorno bipolar.

O Transtorno de Personalidade Borderline seria também a consequência de uma educação muito autoritária, em que pais rígidos sempre imporiam seus desejos. Com o tempo as tentativas de autoafirmação da criança sucumbiriam aos desejos dos pais e ela se habituaria a se submeter sempre aos pais, desenvolvendo dúvidas sobre a própria capacidade e vergonha pelos seus fracassos. Aos poucos a criança iria parando de tentar expressar as suas vontades podendo levar a falhas na clarificação psíquica de si e do outro.

Sintomas
Sintomas de Transtorno de personalidade borderline

Os sintomas de Transtorno de Personalidade Borderline são, principalmente, uma grande instabilidade emocional, desregulação afetiva excessiva, sentimentos intensos e polarizados do tipo “tudo ótimo e tudo péssimo” ou “eu te adoro e eu te odeio”, angústia de abandono, percepção de invasão do self, entre outros. Não raro, isso leva a comportamentos impulsivos perigosos sendo comum a presença recorrente de atos autolesivos, tentativas de suicídio e sentimentos profundos de vazio e tédio. O início do transtorno pode ocorrer na adolescência ou na idade adulta e o uso dos recursos de saúde e saúde mental é expressivo nesses pacientes.

Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline são verdadeiros vulcões prontos a explodir a qualquer instante. Elas apresentam alterações súbitas e expressivas de humor e suas relações interpessoais são intensas e instáveis sendo muito difícil o convívio próximo com elas.

Elas temem o abandono real ou temido, com frequência vivenciam sentimento crônico de vazio e reação pungente ao estresse, protagonizando sucessivas ameaças (ou tentativas) de suicídio e automutilação. O modus operandis desses pacientes traz um sofrimento enorme tanto para si próprios como para os que com eles convivem. Uma só palavra mal colocada, uma situação inesperada sem relevância ou uma leve frustração pode levar o borderline a um acesso de raiva e ódio que duram em média poucas horas. Outra característica importante é que o borderline nem sempre sabe lidar com o êxito. É comum que eles abandonem ou destruam seus alvos e metas justo quando a perspectiva de consegui-las é real e próxima.

Abaixo os critérios do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais (DSM-V, na sigla inglesa) para que um paciente seja diagnosticado com a doença. Sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline:

  • Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginário
  • Padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização
  • Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou da percepção de si mesmo
  • Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas (gastos, sexo, abuso de substância, direção irresponsável, compulsão alimentar)
  • Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante
  • Instabilidade afetiva devida a uma acentuada reatividade do humor (disforia episódica, irritabilidade ou ansiedade intensa com duração geralmente de poucas horas e apenas raramente de mais de alguns dias)
  • Sentimentos crônicos de vazio
  • Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la (mostras frequentes de irritação, raiva constante, brigas físicas recorrentes)
  • Ideação paranoide transitória associada a estresse ou sintomas dissociativos intensos.


Diagnóstico e Exames
Buscando ajuda médica

Sempre que o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline apresentar sintomas muito angustiantes e ou reações que possam afetar ou machucar a si mesmos ou a outras pessoas, ele deve procurar o médico. Em casos de atos (auto) lesivos e compulsivos severos como jogo patológico, compulsão a compras, presença de comorbidades como doenças clínicas concomitantes, por exemplo.

O mesmo ocorre quando há intenção suicida ou mesmo tentativa. Nesses casos é muito importante que a família e principalmente os terapeutas tenham conhecimento desses pensamentos, pois eles podem ajudar. Por vezes tanto pacientes como familiares ficam muito assustados, mas os terapeutas compreendem bem essa situação e sabem como lidar.

Diagnóstico de Transtorno de personalidade borderline

O diagnóstico do Transtorno de Personalidade Borderline é baseado através de uma minuciosa avaliação psiquiátrica feita por profissional de saúde mental qualificado. Muitos profissionais envolvem o paciente no seu próprio diagnóstico na medida em que vão mostrando a ele os critérios diagnósticos e perguntando quais deles os definem plenamente. Este método ajuda o paciente a aceitar melhor o diagnóstico.

Entretanto, há profissionais que preferem não dizer ao paciente o diagnóstico por conta do estigma e também porque antigamente o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline era tido como intratável.

De modo geral, falar com o paciente sobre o diagnóstico é a conduta preferível para a maioria dos especialistas. Questões que precisam ser perguntadas são sobre ideações suicidas, atos autolesivos e pensamentos sobre machucar os outros. O diagnóstico é clínico, baseado no relato do paciente e nas observações do médico.

É importante lembrar que hoje, o diagnóstico de TBP é feito pela presença de uma coleção de traços e não por um critério isolado. Assim, merece ser destacado no diagnóstico o esforço desesperado que o portador do transtorno faz para evitar o abandono real ou imaginário e a gravidade das alterações das relações interpessoais, na família, escola, trabalho e lazer e, posteriormente, também com os profissionais que se aproximam para oferecer tratamentos.

Mas todo o cuidado é pouco. O psiquiatra que se baseia somente nos sintomas do DSM pode errar. É comum a confusão do Transtorno de Personalidade Borderline com o transtorno bipolar, por exemplo. E além do diagnóstico ser às vezes difícil, o psiquiatra precisa saber lidar com o paciente.

Exame físico e testes de laboratório são recomendáveis para eliminar sintomas possíveis, como problemas de tireoide e abuso de substâncias. Exames de imagem são usados para afastar outras causas.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Transtorno de personalidade borderline

O tratamento inicial do Transtorno de Personalidade Borderline é a psicoterapia. Ela ajudará o paciente a controlar melhor seus impulsos e entender seu comportamento. Nesse caso, o tratamento foca principalmente as questões do suicídio e da automutilação, além do aprendizado de novas habilidades, como consciência, eficácia interpessoal, cooperação adaptativa nas decepções e crises e na correta identificação e regulação de reações emocionais.

Mas é preciso fazer uma terapia específica: o terapeuta deve ser mais ativo, mais próximo, mais participante. O borderline é uma pessoa que sofre muito. Ele pode oscilar o humor e romper com as relações que poderiam dar certo. A impulsividade acaba estragando muito a vida profissional e social deles. Com o tratamento, é possível evitar muitos sofrimentos.

Os atendimentos demandam muita energia do especialista, que têm que deixar sempre um canal aberto para o paciente, seja de dia ou de noite ou madrugada ou nos finais de semana e inclusive durante viagens e férias. O psiquiatra tem que estar à disposição 24 horas por dia. Muitos telefonemas são feitos por pacientes que estavam à beira de um suicídio ou se cortando. São situações que podem não esperar o dia amanhecer. Por isso é essencial que a família busque especialistas que tenham esse perfil e essa disponibilidade de tempo que o tratamento do portador de Transtorno de Personalidade Borderline exige mantendo-os por tempo indeterminado, caso a caso.

Pode ser feita terapia familiar também, pois em geral a família tende ou a abandonar o paciente ou a se tornar superprotetora. Na maioria dos casos, familiares, amigos e leigos não compreendem como o sofrimento pode levar um indivíduo com Transtorno de Personalidade Borderline a querer se matar. Já os pacientes relatam que a automutilação e o suicídio são maneiras que eles encontraram de extravasar um sofrimento insuportável. Os pais se dizem impotentes e relatam sofrer tanto quanto o paciente.

Estudos em geral mostram que nenhuma medicação se mostra promissora para o sentimento de vazio crônico, perturbações de identidade e medo de abandono que a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline sente. Mas eles podem agir em sintomas isolados. Por exemplo, podem ser usados antidepressivos para comorbidades como a depressão, ou estabilizadores de humor para problemas interpessoais e de raiva, além de antipsicóticos para a impulsividade.

Normalmente o Transtorno de Personalidade Borderline demora a ser diagnosticado. Pode levar três, cinco, dez ou ainda mais anos até que seja descoberto. É muito importante que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível e que o tratamento seja logo iniciado. É extremamente importante que toda a família se trate, pois na grande maioria dos casos a dinâmica familiar se encontra dilapidada pelo sofrimento e por anos de busca por um diagnóstico correto.

No início, o tratamento pode aliviar alguns sintomas, principalmente aqueles que mais perturbam as pessoas, porém se pensarmos em desenvolvimento da personalidade, o tratamento deverá ser de médio em longo prazo. O objetivo é ir além dos sintomas, buscando o desenvolvimento duradouro das capacidades psíquicas do paciente. Os tratamentos devem considerar cada caso em sua particularidade. Podem ser breves com duração de 20 sessões ou de longo prazo, de dois a três anos. Pesquisas atuais têm apontado que tratamentos de longo prazo produzem resultados mais duradouros no decorrer da vida.

Sabidamente, o Transtorno de Personalidade Borderline é considerado um transtorno fronteiriço ou limítrofe entre uma modalidade “não normal” da personalidade de se relacionar com o mundo e um estado que pode ser considerado francamente patológico. Assim sendo, os pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline deve ser considerados caso a caso.

Convivendo/ Prognóstico

Várias mudanças no comportamento e estilo de vida precisam ser implementadas para a minimização das complicações decorrentes do Transtorno de Personalidade Borderline. Ter o conhecimento e a aceitação do diagnóstico é fundamental para que ele possa buscar ajuda médica e psicológica adequadas ao seu problema.

Fazer contato com o psiquiatra sempre que sentir um excesso de angústia que possa transbordar a sua capacidade de continência psíquica, senão o paciente irá buscar alívio através de atos lesivos no próprio corpo. Tratar de todas as comorbidade que surgirem e suspender o uso de álcool e qualquer outra substância ilícita psicoativa sem ordem médica.

Passar a viver uma vida com mais qualidade, regrada e sem excessos. A prática de exercícios físicos, higiene do sono e alimentação saudável são condutas indicadas. frequentar grupos de apoio específicos para o Transtorno de Personalidade Borderline também é importante.

Complicações possíveis

A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline tende a estar em constante estado de agitação. As complicações costumam ocorrer quando há separação, abandono percebido ou desaprovação de outra pessoa. O ambiente de trabalho pode proporcionar um fórum de turbulência nas relações com supervisores e colegas de trabalho.

Os indivíduos com este transtorno exibem impulsividade em áreas potencialmente prejudiciais para si próprios, tais como nos esportes, nos jogos de azar, no consumo de tabaco, álcool e drogas. Eles podem jogar, fazer gastos irresponsáveis, comer em excesso, abusar de medicamentos, engajar-se em sexo inseguro e ou dirigir de forma imprudente.

As pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline costumam apresentar comportamento, gestos e ou ameaças suicidas ou comportamento automutilante.

Não raro nos deparamos com complicações decorrentes do Transtorno de Personalidade Borderline como distúrbios alimentares, obesidade mórbida, síndrome metabólica, promiscuidade, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), gravidez indesejada, problemas com a lei, dilapidação do patrimônio, graves acidentes, entre outros.

Caso haja comorbidades, ou seja, outros transtornos psiquiátricos associados com o Transtorno de Personalidade Borderline, certamente o curso, tratamento e prognóstico vão se complicar ainda mais. Gestos suicidas, bem como suicídio consumado são as complicações mais graves. Lesão aos outros também pode ocorrer.

Transtorno de personalidade borderline tem cura?

Os conhecimentos mais recentes mostram que mesmo com toda a conturbação e sofrimento que o portador do Transtorno de Personalidade Borderline causa a si próprio e a seus familiares o curso do transtorno não é tão negativo como se pensava antes. Hoje sabemos que o risco maior de completar o suicídio no Transtorno de Personalidade Borderline é nos 5 a 7 anos do início da manifestação. Depois disto o risco cai muito. Sabemos também que 10% das pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline completam o suicídio.

Os sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline melhoram com o passar do tempo. Por volta dos 30, 35 anos, os pacientes apresentam uma melhora grande. Estatísticas sugerem que com o devido tratamento, portadores de TPB tendem a sofrer recessão dos sintomas em algum momento da fase adulta. Dos que procuram ajuda profissional de uma maneira geral, 75% sofrem remissão da maior parte dos sintomas entre os 35 e 40 anos de idade, 15% entre os 40 e 50 anos de idade e os 10% restantes podem não apresentar resultados satisfatórios ou podem cometer o suicídio. Os sintomas tendem a sumir depois dos 40 anos. Mas quando tratado adequadamente o paciente poderá se organizar e melhorar a qualidade de vida e as suas relações.

Prevenção

Intervenções sociais como prevenção do abuso infantil, da violência doméstica e do abuso de substâncias nessas famílias pode ajudar a diminuir a ocorrência não só de Transtorno de Personalidade Borderline como também de um número significativo de diferentes problemas de saúde mental.

Em contraste, a prevenção específica do Transtorno de Personalidade Borderline tende a se concentrar em reconhecer os traços da doença o mais cedo possível, seguido de tratamento intensivo dos mesmos.

Em outras palavras, especial atenção deve ser dada ao Transtorno de Personalidade Borderline, pois tais pacientes costumam provocar reações importantes naqueles que os cercam devido às mudanças abruptas no humor e sentimentos. Impulsividade, irritabilidade, dificuldade em expressar ou controlar a raiva adequadamente, sentimento de vazio, desespero, pânico, isolamento e sentimentos paranóides são frequentes. Esta configuração pode levá-los a maiores dificuldades em relações amorosas, de trabalho ou amizade. Por isso é importante que o parceiro e a família aprendam a lidar com o transtorno evitando assim mais sofrimento e a chance de novas crises no paciente.

Igualmente, incentivar esses pacientes a buscar profissionais experientes e que possam entendê-los é da maior importância, pois eles frequentemente relatam sentir angústia de abandono e separação. Ora o paciente se sente altamente invadido por aqueles que o cercam, ora abandonado, podendo ser isto realidade ou fantasia, porém sentido de forma intensa. Paralelamente, as pessoas que se relacionam com eles também se deparam com vivências muito intensas e ambivalentes – amor e ódio – no momento em que se dispõem a ajudá-los. Há uma linha tênue e muito delicada entre o amor e o ódio, e entre o abandono e a separação. Os cuidadores precisam se fortalecer para prevenir desdobramentos sombrios e perigosos por parte dos pacientes.

Referências

Dra. Evelyn Vinocur, psiquiatra e mestre em neuropsiquiatria pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e psicoterapeuta cognitivo comportamental, especializada em Saúde Mental da Infância e Adolescência pela Santa Casa de Misericórdia do Estado do Rio de Janeiro (SCMRJ) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Membro associado da Associação Brasileira de Psiquiatria (CRM-RJ: 303514)

DSM-IV, American Psychiatric Association - Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais 4ª ed. Edit. Artes Médicas

DSM-V, American Psychiatric Association - Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais 5ªed. Edit. Artes Médicas

Sobrevivência Emocional: as feridas da infância revividas no drama adulto", de Rosa Cukier. Editora Ágora, 1998

The UK National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) 2009 clinical guideline for the treatment and management of BPD

National Institute of Mental Health – Borderlline personality disorder

Associação Psiquiátrica Americana