sábado, 5 de janeiro de 2019

Justiça manda parque Beto Carrero World cumprir lei da meia entrada

Direito a pagar metade do valor é garantido mesmo em caso de promoções

Foto: Divulgação/Internet
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Por Redação

Foi negado o pedido feito pelo Beto Carrero Word para que fosse suspensa uma medida liminar obtida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) que obriga o parque temático a respeitar a lei da meia entrada em todas as plataformas de venda. Estudantes, pessoas com deficiência, idosos e jovens de baixa renda com até 29 anos têm o direito garantido pela legislação.

A ação com o pedido liminar foi ajuizada pela 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Balneário Piçarras, a qual abrange também o município de Penha, onde está localizado o parque. Na ação, a Promotora de Justiça demonstra que o Beto Carrero World, em vez de disponibilizar ingressos pela metade do valor cheio para as pessoas que têm o direito legal, utiliza uma tabela de preços de acordo com a idade do visitante.

As únicas meias entradas efetivamente oferecidas são para estudantes e idosos. Porém, no caso dos estudantes a informação de sua existência é de difícil visualização em sua página oficial, presente apenas no campo “dúvidas frequentes”.

Além disso, a obtenção do ingresso para estudante só é possível se for adquirido diretamente nas bilheterias do parque ou pela central de vendas por telefone, não sendo possível comprá-lo online ou nos demais postos de vendas físicos existentes.

Diante dos fatos apresentados pelo Ministério Público, a medida liminar foi concedida pelo Juízo da Comarca de Balneário Piçarras. Inconformado, o Beto Carrero World ingressou com recurso no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, no qual requereu o efeito suspensivo da decisão de primeiro grau.

O recurso ainda será julgado pelo TJSC. O pedido de efeito suspensivo, no entanto, foi indeferido por decisão monocrática do Desembargador Jorge Luis da Costa Beber, que manteve, assim, os efeitos da medida liminar obrigando o parque a oferecer meia entrada de acordo com o estabelecido pela legislação, e seu cumprimento vem sendo fiscalizado pelo Ministério Público.

Parque se manifesta

Em nota oficial, o parque Beto Carrero World informa que o departamento jurídico cumpriu a determinação judicial no prazo estabelecido. Segundo a nota, o parque disponibiliza o acesso a ingresso pela metade do valor a todos que têm direito e em todas as plataformas de venda.

Sobre valor promocional, a nota informa que o parque está de acordo com o Decreto n. 8.537, de 2015. O Beto Carrero World ressalta que “busca sempre proporcionar os melhores serviços e ofertas aos visitantes, bem como respeita e cumpre a legislação que garantem os direitos do consumidor”.

Crivella inaugura espaço para atender pessoas com deficiência

Centro de Referência na Praça Seca, na zona oeste do Rio, deve receber cerca 3.000 pacientes por mês; cadastramento começa na quarta-feira (26)

RIO DE JANEIRO Do R7

Divulgação
Atendimentos estão previstos para fevereiro
Atendimentos estão previstos para fevereiro

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, inaugurou o CRPD (Centro de Referência da Pessoa com Deficiência) do Mato Alto, na Praça Seca, Jacarepaguá, na zona oeste, nesta segunda-feira 24 de dezembro de 2018.

De acordo com a Prefeitura do Rio, a unidade do Mato Alto é a sétima do muncípio. O espaço conta com salas de atendimento, vestiários, auditório, anfiteatro e piscina para sessões de hidroterapia.

“Que aqui seja a casa delas, das pessoas com deficiência, que aqui encontrem fisioterapia, diversão, entretenimento, alento, cultura e inserção social, que é o sonho de nós todos. Agora os investimentos são voltados para as pessoas. Aquele momento de grandes obras e coisas caras já passou, agora o que precisamos realmente é saúde, educação, cuidar das pessoas com deficiência, melhorar a assistência social, dos nossos idosos e nossos órfãos. Para eles, toda a atenção” afirmou Crivella.

A expectativa é a de que a unidade do Mato Alto realize 3.000 atendimentos por mês. As inscrições começam nesta quarta-feira (26) na unidade e os atendimentos estão previstos para iniciar em fevereiro.

"A abertura do CRPD do Mato Alto sinaliza uma nova etapa nas ações da Subsecretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. Abrirá maior oportunidade de inclusão social para as pessoas com deficiência das comunidades no entorno da Praça Seca", disse o subsecretário Geraldo Nogueira.

Conheça a cafeteria de Santa Catarina em que todos os funcionários têm a Síndrome de Down

Conheça a cafeteria de Santa Catarina em que todos os funcionários têm a Síndrome de Down

Por Editor - Com informações Revista Versar

A Cafeteria Especial, em Blumenau, inaugurada em dezembro, tem um diferencial que chama atenção. Além da decoração aconchegante do ambiente, o atendimento merece destaque. Os sorridentes funcionários são pessoas com a Síndrome de Down, que convidam para uma experiência de acolhimento e olhar afetivo às inevitáveis diferenças.

Ao todo são seis funcionários, entre fixos e equipe de apoio, garantindo inclusão no mercado de trabalho, além da possibilidade de estágios e experiências de acordo com as habilidades de cada um. Para montar o quadro de funcionários, os fundadores da Educare Desenvolvimento Humano, Giorgio Sinestri e Delfino Andrade, também investiram em treinamentos específicos.

Os treinamentos iniciaram em setembro de 2017, antes de abrir a cafeteria, e acontecem com dois encontros mensais desde então. São aulas de culinária, comunicação, relacionamento interpessoal e atendimento ao cliente. Em 2019, iniciam aulas de barista, matemática financeira, libras e manipulação de alimentos. Estes cursos são para ajudar no uso do salário, no aprimoramento profissional e no desenvolvimento pessoal. A UFSC é parceira nos cursos, e a Educare Desenvolvimento Humano dá o suporte para o desenvolvimento pessoal – afirma Giorgio Sinestri.

A inclusão também está presente em acessibilidade. O cardápio está disponível em braille, oferecendo os tradicionais salgados, bolos, doces e tortas da região, lanches especiais sem glúten, sem lactose, veganos e vegetarianos, além do café expresso e da opção de café coado. Para o primeiro trimestre de 2019, a meta é adaptar todo o espaço com acessibilidade.

— Já aconteceram eventos com grupos de deficientes físicos, pessoas surdas e cegos, pois a comunidade sente que a cafeteria é um local que acolhe a todos. Famílias de cidades vizinhas vêm para conhecer o projeto e grupos de amigos têm realizado encontros – comenta Giorgio.

Parte dos lucros obtidos mensalmente com a cafeteria é revertida para a Associação Sorrir Para Down e a Apae Blumenau, parceiras do projeto.

O que é a Síndrome de Down?

É uma alteração genética causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Isso ocorre na hora da concepção de uma criança. As pessoas com síndrome de Down, ou trissomia do cromossomo 21, têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população.

A síndrome é a ocorrência genética mais comum que existe, acontecendo em cerca de um a cada 700 nascimentos, independentemente de raça, país, religião ou condição econômica da família.

Dupla de bandidos fingem ser cadeirantes e assaltam banco Sicredi em Coronel Freitas

Dupla de bandidos fingem ser cadeirantes e assaltam banco Sicredi em Coronel Freitas

Na manhã do dia, 04, às 12 horas, no município de Coronel Freitas a Guarnição PM foi acionada para atendimento de ocorrência de roubo na Agência Sicredi, no município de Coronel Freitas (SC), que no local feito contato com as vítimas as quais relataram, que dois homens chegaram na agência com uma cadeira de rodas, momento que o segurança abriu a porta para que entrassem. Os homens renderam o segurança, levado a arma do mesmo, um revólver, calibre .38, nº EO81336, além de levar uma certa quantidade em dinheiro que não foi contabilizado. Após pegarem o dinheiro exigiram a chave de um carro de um dos funcionários, veículo FORD/FIESTA FLEX (MHF3761), que então saíram pela Av Santa Catarina sentido sul em direção a Chapecó. Que enquanto a guarnição colia as informações, o veículo FORD/FIESTA FLEX (MHF3761) foi encontrado pela PM abandonado na Rua Marechal Deodoro da Fonseca, município de Coronel Freitas (SC), com a chave dentro. Os homens que efetuaram o roubo tinham as seguintes características:

Ag1: moletom vermelho, calça jeans, aproximadamente 1,70m de altura, moreno escuro, boné escuro.

Ag2: moletom azul, calça jeans, coturno amarelo e boné escuro com máscara cirúrgica, aproximadamente 1,80 m de altura.

A instituição financeira Sicredi emitiu uma nota sobre o assalto:

“Em relação ao assalto ocorrido na manhã desta sexta-feira, 04 de janeiro de 2019, na agência de Coronel Freitas (SC), o Sicredi informa que não houve feridos. A instituição financeira cooperativa lamenta o episódio e informa que está colaborando com as autoridades, concedendo as informações que se fizerem necessárias.

Informamos, ainda, que o Sicredi não realiza a divulgação de valores furtados, roubados, extraviados ou perdidos, em quaisquer situações que se apresentem. Esta postura está em acordo com protocolos de segurança seguidas por todas as instituições integrantes do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

Por fim, cabe ressaltar que a segurança dos associados e dos colaboradores são prioridades para a instituição.”


Fonte: chapeco.org

Projeto em Florianópolis leva pessoas com deficiência às praias - Veja o vídeo

Com ajuda de guarda-vidas, José Flávio, de 27 anos, que tem paralisia cerebral, esteve na praia de Jururê. Ele entrou no mar usando uma cadeira anfíbia, que pode ser colocada na água.

Por G1 SC

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Programa Praias Abertas dá acessibilidade para cadeirantes entrarem no mar em SC

Um projeto permite que portadores de deficiência possam ver o mar, em Florianópolis. Uma parceria entre a prefeitura e o Corpo de Bombeiros tem guarda-vidas que buscam as pessoas em casa para atividades de saúde, educação lazer.

Clique AQUI para ver o vídeo.

Foi o que aconteceu com o morador do Morro do Horácio, José Flavio, de 27 anos, nesta quinta-feira (3). Ele tem paralisia cerebral e esteve na praia de Jururê, no Norte da Ilha. Foi levado ao mar por guarda-vidas, em uma cadeia anfíbia, que pode ser colocada na água.

Oito estruturas que contam com esteiras acessíveis, cadeiras anfíbias e duchas sustentáveis são oferecidas nas praias de: Jurerê Internacional, Ingleses, Ponta das Canas, Barra da Lagoa, Joaquina, Areias do Campeche, Lagoa do Peri e Armação.

Os equipamentos estão disponíveis nos postos de guarda-vidas, sendo o deslocamento na areia e a permanência na água sempre apoiados e assistidos por guarda-vidas, profissionais aptos a oferecer a melhor segurança possível aos usuários.

 José Flávio entrou no mar usando uma cadeira anfíbia — Foto: Leonardo Sousa/Divulgação
José Flávio entrou no mar usando uma cadeira anfíbia — Foto: Leonardo Sousa/Divulgação

Fonte: g1.globo.com

Mundo registrou 30 casos de pólio em 2018, diz OMS

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Dia D de mobilização da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Sarampo.

Por Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil Brasília - Edição: Valéria Aguiar

Há 30 anos, o vírus selvagem da poliomielite paralisava cerca de 350 mil crianças em mais de 125 países todos os anos. Dados divulgados hoje (4) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2018, apenas 30 casos da doença foram notificados em dois países – Afeganistão e Paquistão. O mundo, segundo a entidade, está à beira de um sucesso sem precedentes na saúde pública: a erradicação global da doença.

“A OMS e seus parceiros da Iniciativa Global para Erradicação da Pólio se comprometem a apoiar integralmente os governos do Afeganistão e do Paquistão para combater a doença em seus últimos redutos e livrar-se dessa doença debilitante de uma vez por todas”, destacou a organização, por meio de comunicado.

De acordo com a nota, a erradicação da pólio exige altas coberturas vacinais em todo o planeta para que se consiga bloquear a transmissão de um vírus extremamente contagioso. Infelizmente, segundo a OMS, algumas crianças permanecem sem acesso às doses adequadas por motivos diversos, incluindo falta de infraestrutura, localidades remotas, migração, conflitos, insegurança e resistência à vacinação.

“A meta das equipes em solo no Afeganistão e no Paquistão é muito clara: localizar e vacinar todas as crianças antes que o vírus chegue até elas. Esses países alcançaram enorme progresso. Há 20 anos o poliovírus paralisava mais de 340 mil crianças em todo o Paquistão. Em 2018, apenas oito casos foram reportados em alguns distritos.”

A OMS destacou, entretanto, que o processo de erradicação da pólio deve ser um esforço no sentido “tudo ou nada” e que uma possível falha em acabar com esses últimos redutos poderia resultar no ressurgimento da doença, chegando a até 200 mil novos casos em todo o mundo num prazo de dez anos.

“Estamos no caminho certo para alcançar o sucesso. Um Paquistão e um Afeganistão livres da pólio significam um mundo livre da pólio”, concluiu a organização, citando que a erradicação da doença poderia economizar entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões, sendo a maioria em países de baixa renda. “E os benefícios humanitários serão sustentados para as gerações futuras: nenhuma criança jamais seria afetada novamente por essa terrível doença”.

Marcelo Yuka, fundador de O Rappa, está internado em estado grave

Músico de 53 anos, que ficou no grupo até 2001, deu entrada no hospital Quinta D'Or, no Rio. Estado, segundo apurou a reportagem, é muito grave

André Avelar e Isadora Tega, do R7

Reprodução/Instagram
Marcelo Yuka está internado em estado muito grave
Marcelo Yuka está internado em estado muito grave

Marcelo Yuka está internado em estado "muito grave" no hospital Quinta D'Or, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. O músico, fundador do grupo O Rappa, segundo apurou a reportagem, está em coma induzido com quadro de septicemia (infecção generalizada).

Os médicos, no entanto, teriam estabilizado a situação do músico.

Yuka completou 53 anos no último 31 de dezembro. O músico, que nasceu Marcelo Fontes do Nascimento Viana de Santa Ana, no Rio de Janeiro, atuava em uma ONG que incentivava a pesquisa de com células-tronco. Em agosto do ano passado, ele havia sofrido um AVC (acidente vascular cerebral).

Ainda em 1993, Yuka ajudou a fundar O Rappa. Na banda, sempre com letras politizadas e de forte cunho social, ele ficou até 2001. Entre suas músicas mais conhecidas estão Pescador de Ilusões, A Feira e Minha Alma e O que sobrou do Céu.

Em novembro de 2000, o músico foi baleado em um assalto que o deixou paraplégico e o impossibilitou de tocar bateria. Ainda assim, ele procurou novos caminhos e criou o F.UR.T.O. Como ele próprio costumava a dizer, o “F.UR.T.O era maior do que o Rappa poderia lhe oferecer”.

Em 2012, Yuka foi candidato a vice-prefeito do Rio de Janeiro pelo PSOL e ficou em segundo lugar.


Menina de 2 anos aprende Libras para comunicar-se com pais deficientes auditivos em MS

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Manuela Armstrong Martins de 2 anos e a mãe Thatyane Martins

Pai estava lavando louça quando a filha com menos de 1 ano disse “papai” em Libras pela primeira vez: ‘Ela me surpreendeu, fiquei muito emocionado’.

Manuela Armstrong Martins, de 2 anos, já fala e tem uma audição perfeita. Há 1 ano ela começou a aprender os primeiros gestos na Língua Brasileira de Sinais (Libras) com a própria mãe, Thatyane Martins, e hoje não há barreiras na comunicação da família que mora em Campo Grande (MS).

De acordo com o pai de Manu, Ralf Amorim Armstrong, de 34 anos, ele ficou emocionado quando a filha começou a se comunicar em Libras antes mesmo de completar o primeiro ano de vida:

“A primeira vez eu estava lavando louça quando ela chegou em mim e me chamou de ‘papai’ em Libras. Depois disso, ela só foi se aperfeiçoando”, explica.

Ralf lembra que ficou muito contente, porque viu o esforço da filha, tão pequena, tentando falar com os pais na língua deles.

Foi a mãe que começou a ensinar a criança a conversar em Libras, assim como a outra filha do casal. Thaminy Martins, de 13 anos, também nasceu com a audição perfeita.

A mãe precisou adaptar-se para atender as filhas porque, por exemplo, não ouvia o choro das crianças. Por telefone, a irmã de Ralf, Janaine de Barros, traduziu o depoimento de Thatyane para a equipe do G1:

“Como não ouvia a Manu chorar quando era bem pequena eu tive que colocá-la para dormir comigo e assim passei a entender os horários que ela acordava, mamava e até mesmo para dar banho nela. Chegou um ponto em que ela já não chorava para chamar minha atenção, ela me puxava”, relembra a mãe .

Thaminy é quem traduz o depoimento dos pais. Ela explica que a irmã está aprendendo a identificar os animais, e do jeito dela, fala com os pais.

Para a mãe, para pais surdos, ter filhos que falam e ouvem normalmente não representa uma dificuldade, pelo contrário: “É um presente de Deus para deixar a vida de todos mais bonita”.

Fontes: G1 - fernandazago.com.br

Alunos de Engenharia Mecânica desenvolvem protótipo para auxiliar na reabilitação de cadeirantes

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Alunos no Laboratório de Robótica Assistiva do curso de Engenharia Mecânica do UniSALESIANO

Um grupo de alunos do 10º termo do curso de Engenharia Mecânica do UniSALESIANO, desenvolveram um protótipo inovador e exclusivo que irá auxiliar no processo de reabilitação de pessoas com deficiência incapacitante dos membros inferiores.

Denominado “Exoesqueleto”, o equipamento possuí vários diferenciais como: baixo custo, boa funcionalidade, eficiência e durabilidade. Ele foi construído parcialmente no Laboratório de Robótica Assistiva da instituição.

O professor de Automação Industrial e Física, Edval Rodrigues de Viveiros, que acompanhou o desenvolvimento do Exoesqueleto, explica que a ideia de construir o equipamento surgiu da necessidade auxiliar na reabilitação da professora, Genilda Aguiar de Valparaíso, mãe de uma ex-aluna do curso de Fisioterapia da instituição.

“Há uns quatro anos conheci essa senhora que é tetraplégica devido a um acidente de carro. Pensando em sua reabilitação, apresentei a ideia do Exoesqueleto a um grupo de alunos e eles toparam”, disse.

Segundo Viveiros, o projeto é uma experiência inédita produzida com custo reduzido. “Equipamentos desta natureza já existem no mercado internacional, entretanto, seu custo não é menos que 25 mil dólares”, destacou.

O protótipo foi desenvolvido com materiais acessíveis como alumínio e plástico ABS. Apresenta o que chamam de “6 graus de liberdade”, ou seja, seis possibilidades de movimentação espacial, onde quatro delas são atuantes (joelho e quadril) com motores que produzem os movimentos.

Em uma abordagem multidisciplinar entre as engenharias e a fisioterapia foram realizados estudos de biomecânica do movimento de sentar, levantar e caminhar, e sobre o controle para permanecer na postura em pé, para equilíbrio.

O co-orientador do projeto, professor Fernando Henrique Alves Benedito, Fisioterapeuta e Engenheiro Mecatrônico, participou ativamente na construção do protótipo. Além da estrutura, destacou a importância que o aparelho terá no trabalho da fisioterapia com Genilda.

“Para se reabilitar, um paciente com disfunções neurológicas, causadas por um acidente vascular cerebral ou acidente automobilístico, há a necessidade de criar uma nova memória do movimento perdido, como o levantar-se e ficar em pé”, disse.

Segundo ainda Benedito, inicialmente o dispositivo será uma ferramenta de reabilitação neurológica, principalmente em clínicas, ambulatórios e instituições de cuidados a esses pacientes.

Participaram do desenvolvimento do Exoesqueleto os acadêmicos: Chaira Parpinelli Ferreira; Débora da Costa Gandra; Erick Vinicius Demarque Scarpim; Lincon M. T. Kawaguishi Junior; Marcio Cristiano da Silva Narcizo, Mike Vinicius de Souza; Orientado pelo professor Físico do UniSALESIANO, Edval Rodrigues de Viveiros e co-orientado pelo Fisioterapeuta e Engenheiro Mecatrônico, Fernando Alves Henrique Benedito, e pelo Engenheiro de Computação, Rodrigo de Andrade Simon.

ESPERANÇA

Genilda e sua filha Giseli Aguiar, descobriram sobre o projeto do Exoesqueleto em dezembro de 2017, quando receberam o Lift de transferência, também desenvolvido por alunos do UniSALESIANO, orientados por Viveiros.

“Saber que o professor Edval estava incentivando os alunos a voltarem seus trabalhos para um projeto tão importante e grandioso assim, me emocionou bastante”, disse Genilda.

Segundo ela, no Japão, já se usa o exoesqueleto nos asilos para auxiliar idosos que não tem força para caminhar. Nos Estados Unidos, o exoesqueleto é usado por soldados para percorrerem longas distâncias.

“Este projeto é muito complexo, ousado e moderníssimo. Sinto muito orgulho por estar sendo desenvolvido no UniSALESIANO”, salientou.

Para Giseli, o projeto é incrível, e vai muito além de apenas um trabalho de conclusão de curso. “Esta é uma ação maravilhosa. Pessoas que querem ajudar ao próximo, transformando em realidade o sonho de alguém”, destacou.

Segundo ainda a fisioterapeuta, o equipamento irá ajudar na reabilitação não apenas de sua mãe, mas de muitas outras pessoas que possuem esse tipo de deficiência.

Além de estimular emocional e psicologicamente os pacientes, a sensação de estar em pé traz muitos benefícios, como a melhora na frequência cardíaca, e também da circulação sanguínea.

“Se Deus quiser o Exoesqueleto será aperfeiçoado e o professor Edval atingirá seu objetivo com grande maestria. E, muitos serão os benefícios e beneficiados por este protótipo”, concluiu.

Fonte: UniSalesiano

'Para Praia' promove banho de mar para pessoas com deficiência em Itapuã

Projeto já atendeu mais de mil banhistas em cinco anos de atividades

Da Redação

Projeto já atendeu 1.500 banhistas em cinco anos de atividades - Foto: Divulgação

A praia do Farol de Itapuã recebe neste sábado, 5, a sexta temporada do projeto Para Praia, que promove um banho de mar assistido para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

O evento, que acontece a partir das 8h, tem assistência de professores e alunos dos cursos de fisioterapia, enfermagem e educação física da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, e contará com cadeiras anfíbias e acessórios flutuantes.

O projeto será realizado novamente em Itapuã no sábado seguinte, 12, e segue para o Litoral Norte no final de semana de 19 e 20. O objetivo é que o banho de mar seja promovido durante os sábados até dia 23 de fevereiro.

Em cinco anos, o Para Praia já atendeu 1.500 banhistas.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A empresa de tecnologia onde todos os empregados têm autismo

Um pai californiano criou uma empresa onde seu filho pudesse trabalhar e agora emprega mais de 150 pessoas.

Por BBC

Gray Benoist abriu a empresa para ajudar seus dois filhos autistas — Foto: Auticon/Divulgação
Gray Benoist abriu a empresa para ajudar seus dois filhos autistas — Foto: Auticon/Divulgação

Peter, Evan e Brian trabalham numa pequena empresa de tecnologia que fica em Santa Monica, na Califórnia, testando softwares e consertando bugs tecnológicos.

À primeira vista, parece igual a qualquer outra empresa de Los Angeles, com obras de arte de bom gosto penduradas nas paredes brancas e difusores espalhados pelo ambiente.

Peter descreve o clima como "calmo, mas divertido", e diz gostar especialmente do fato de que não há pressão para socializar, enquanto Evan diz que os outros funcionários são "muito compreensivos". Brian descreve o escritório como "único".

A Auticon é uma das poucas empresas que só contratam funcionários que sejam autistas.

Antes, a companhia se chamava MindSpark, até ser comprada pela Auticon, uma empresa alemã. A firma original foi criada por Gray Benoist, que tem dois filhos autistas e achava que havia poucas oportunidades adequadas para eles no mercado de trabalho.

"Os dois são muito capazes e inteligentes e merecem uma oportunidade de mostrar isso", disse ele à BBC, em visita recente à empresa.

"Eu senti que havia um buraco e a única opção era eu preenchê-lo", diz Benoist.

Ele começou a empresa em 2013 e ela já tem mais 150 funcionários. Seu filho mais velho, que também se chama Gray, agora trabalha na equipe de finanças.

"Nossa missão é dar poder a um grupo de pessoas que não têm acesso aos mesmos direitos que nós. Há muitos segmentos da sociedade que são subaproveitados e autistas são um deles", diz Benoist.

Evan e Peter gostam de trabalhar na empresa, que eles dizem ter um ambiente relaxado e de apoio — Foto: Auticon/Divulgação
Evan e Peter gostam de trabalhar na empresa, que eles dizem ter um ambiente relaxado e de apoio — Foto: Auticon/Divulgação

Conforto e tranquilidade

Peter já havia trabalhado em outros escritórios, mas, para ele, eles não eram muito "normais". Ele compara essas experiências a um episódio da série Survivors, da BBC, que mostra a vida de um grupo de pessoas após uma epidemia de gripe erradicar boa parte da raça humana.

"Era tudo muito difícil de entender. Eu não conseguia fazer conexões sociais", disse ele à BBC.

Evan diz que, em outros empregos, ele "ficava sozinho comendo um sanduíche e ouvindo podcasts na hora do almoço".

O autismo afeta cerca de uma a cada 100 pessoas, segundo a Sociedade Nacional de Autismo do Reino Unido, mas menos de um quarto delas têm um emprego em tempo integral.

Muitos desistem porque a ansiedade, que muitas vezes é mais forte para autistas, torna uma entrevista de emprego uma experiência muito intimidante.

"As pessoas costumam contratar pessoas que são parecidas com elas, e os autistas não são como a maioria, eles são como eles próprios", diz Steve Silberman, autor do livro Neurotribes (Neurotribos, em tradução livre), um livro que conta a evolução do autismo.

"A lista de coisas que você não deve fazer numa entrevista é a definição de um autista, praticamente. 'Não olhe para os lados, olhe para o seu empregador nos olhos', todas essas coisas são muito difíceis para uma pessoa autista."

Brian queria muito usar suas habilidades de computação no trabalho, mas se sentia desestimulado a se candidatar a empregos no competitivo mundo da tecnologia.

"É muita pressão. Você tem de ficar competindo com outras pessoas", diz ele.

Aquilo era demais para ele, então, acabou tendo outros empregos menos importantes - trabalhou num mercado e lavando carros. Nenhum desses empregos usava bem seu talento e não o "levavam a lugar nenhum", como ele diz.

Algumas empresas acharam alternativas ao processo de entrevista tradicional. A empresa alemã de software SAP, que também emprega autistas, oferece a candidatos a oportunidade de criar robôs de Lego, em vez de fazer uma entrevista formal.

"Isso mostra a capacidade da pessoa de resolver problemas e o seu comprometimento", diz Silberman.

E a SAP obviamente acha que valeu a pena, apontando que não empregam autistas como uma forma de "caridade", mas sim porque "é bom para a empresa".

Além de terem mais ansiedade, autistas costumam ter dificuldade de interagir socialmente.

Por isso, na Auticon, se um funcionário quer usar fones de ouvido por causa do barulho, isso é permitido. Eles também podem trabalhar numa sala escura, se quiserem, não precisam gozar da hora do almoço e podem se comunicar com os colegas por mensagem de texto se não quiserem fazê-lo verbalmente.

Se eles ficarem muito incomodados, podem tirar "dias de folga por ansiedade".

"A sensibilidade com as questões dos nossos empregados é nossa prioridade", diz Benoist, "mas isso requer todo um processo por trás para que a empresa possa trabalhar com qualidade para os seus clientes, o que requer planejamento para os projetos e para como alocar recursos".

E quando se trata da temida avaliação profissional, tentam não ser muito críticos.

"O negócio é ter bons princípios de recursos humanos. É algo que outras empresas poderiam facilmente replicar", acrescentou.

Novo modelo

Silberman não está convencido de que escritórios com separações sejam uma boa ideia porque ele acha que tanto autistas quanto pessoas que tenham um funcionamento neurológico mais convencional podem aprender muito trabalhando juntas.

"Ao aprender a lidar com pessoas com pessoas diferentes, empregadores também aprendem a ajudar todas as outras pessoas", diz ele.

"Veja o Bill Gates, que certamente tem características autistas. Ele cresceu socialmente e se tornou um grande filantropo."

Há um treinamento de quatro semanas na Auticon que define quais candidatos são adequados ao trabalho em longo prazo.

Alguns não entram, especialmente aqueles que são pressionados pelos pais a se candidatar a um trabalho apesar de não terem nenhum interesse em dados, e é importante dizer que muitos autistas têm interesses diferentes disso.

Para os que ficam, a equipe parece ser muito solidária, mesmo se todos não saem para almoçar juntos.

Quando o novo escritório foi projetado, funcionários pediram que fosse aberto, sem cubículos fechados.

"É ótimo, relaxado, muito tolerante", diz Peter. "E todos são engraçados."

Brian e Evan agora vão aos almoços com os colegas, apesar de que Peter ainda acha difícil "se desapegar do trabalho".

Mas todos os três gostariam de trabalhar lá pelo resto da vida.

Essa é uma lição que outras empresas deveriam seguir, opina Silberman.

"Para muitos autistas, se eles acharem um lugar onde se sintam apoiados e sintam que suas habilidades podem prosperar, eles ficam muito dedicados e não saem. Isso é econômico para as empresas porque aí elas não precisam treinar novamente outras pessoas."

Fonte: g1.globo.com

Conheça a libras, língua de sinais, sua origem no Brasil e em que pé está sua aplicação

G1 falou com associações de surdos e profissionais sobre acessibilidade na educação, saúde e até no cinema. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, destacou a comunidade surda no discurso da posse presidencial: 'Vocês serão valorizados'.

Por Carol Prado e Rodrigo Ortega, G1

Parte do alfabeto na Língua Brasileira de Sinais — Foto: Divulgação / Associação de Tradutores Intérpretes de Língua de Sinais do Oeste do Pará
Parte do alfabeto na Língua Brasileira de Sinais — Foto: Divulgação / Associação de Tradutores Intérpretes de Língua de Sinais do Oeste do Pará

A língua brasileira de sinais (libras) virou assunto após a posse de Jair Bolsonaro (PSL) na Presidência da República, na terça-feira (1º).

O discurso da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, em libras no parlatório do Palácio do Planalto acendeu a discussão sobre as políticas públicas para acessibilidade de deficientes auditivos no país. E se elas, de fato, funcionam.

Segundo o IBGE, 9,7 milhões de brasileiros são surdos ou têm deficiência auditiva. O G1 conversou com profissionais de libras e membros de associações voltadas ao tema.

Eles reconhecem avanços recentes na legislação, mas dizem que as regras nem sempre são respeitadas e que, muitas vezes, são implementadas de forma precária.

Michelle faz parte do Ministério de Surdos e Mudos da Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, onde atua como intérprete de libras nos cultos que acontecem aos domingos.

“Gostaria de modo muito especial de dirigir-me à comunidade surda, às pessoas com deficiência e a todos aqueles que se sentem esquecidos: vocês serão valorizados e terão seus direitos respeitados. Tenho esse chamado no meu coração e desejo contribuir na promoção do ser humano”, disse a primeira-dama no discurso.

O que é libras?

As línguas de sinais usam gestos e movimentos para substituir a comunicação por meio de sons. Elas tem léxico e gramática próprios. Assim como cada povo desenvolveu seu idioma oral, cada comunidade criou sua língua de sinais. Portanto, há versões de diferentes países.

O sistema brasileiro é derivado da língua de sinais que se desenvolveu ao longo dos anos no país e também da língua gestual francesa. Por isso, tem semelhanças com línguas de sinais da Europa e da América.

A libras foi oficialmente reconhecida como uma língua brasileira em 2002, na Lei nº 10.436, de 24 de abril, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Quais são as principais regras?

O decreto que regulamenta seu uso nos serviços públicos foi assinado em 2005 pelo então presidente Lula (PT). Ele cria regras para o atendimento de deficientes auditivos na educação e saúde federais, entre outros serviços.

A lei que regulamenta a profissão de tradutor e intérprete de libras foi sancionada em setembro de 2010, a partir de um projeto apresentado pela deputada Maria do Rosário (PT).

Em 2015, a então presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a lei que criou o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Entre outras ações, ele determinou regras para facilitar o acesso de deficientes auditivos à saúde, educação e outros serviços públicos.

Em 2016, para atender ao estatuto sancionado no ano anterior, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) criou normas para garantir a pessoas surdas o acesso aos cinemas. O prazo para que todas as empresas de distribuição e exibição de filmes se adaptem às mudanças termina neste ano.

Conheça, abaixo, regras para uso de libras em diferentes setores. Saiba também como pessoas envolvidas avaliam sua aplicação.

Educação

O decreto de dezembro de 2005 diz que todas as instituições federais de ensino, da educação infantil à superior, devem garantir a inclusão de pessoas surdas nos processos seletivos e nas atividades curriculares.

Também precisam atender às necessidades educacionais especiais de alunos deficientes nas salas de aula e em atividades complementares.

Para isso, essas instituições têm entre as obrigações:


  • Ofertar, desde a educação infantil, o ensino de libras e também da língua portuguesa, como segunda língua para alunos surdos
  • Contratar professores ou instrutores de libras, além de tradutores e intérpretes
  • Contratar professores para o ensino de língua portuguesa como segunda língua para surdos
  • Promover cursos de libras para professores
  • Adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado dos deficientes
  • Disponibilizar equipamentos, acesso às novas tecnologias e recursos didáticos para apoiar a educação de alunos surdos

Na formação universitária de professores, a libras deve ser incluída como disciplina curricular obrigatória para o magistério em nível médio e superior, segundo o texto.

Neivaldo Zovico, diretor regional da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), explica que o sistema funciona, mas faltam profissionais mais qualificados nas escolas.

“Profissionais com formação em cursos de libras de poucas horas, que não têm fluência, conseguem muitas das vagas. Isso prejudica a comunicação dos surdos na sala de aula”, diz Neivaldo, que é surdo, em entrevista por WhatsApp.

Segundo ele, o ideal é que professores e intérpretes de libras passem por bancas de avaliação nas escolas, o que muitas vezes não acontece.

Vinicius Nascimento, representante da Federação de Tradutores e Intérpretes de libras, diz que a chance de formação dos profissionais de libras aumentou, mas ainda é insuficiente:

“São oito cursos universitários para formar profissionais que devem atender a mais de nove milhões de surdos no Brasil.”

Saúde

Pela lei, deficientes auditivos têm direito ao atendimento por profissionais capacitados em libras na rede de serviços do SUS (Sistema Único de Saúde) e nas empresas que detêm concessão de serviços públicos de assistência à saúde. Essas instituições devem dar apoio à capacitação desses profissionais.

Elas também são orientadas a promover ações integradas com a área da educação no atendimento fonoaudiológico às crianças, adolescentes e jovens matriculados no ensino básico.

“Isso só acontece em alguns lugares. A legislação obriga, mas nem sempre é cumprida”, diz Neivaldo. Ele conta:

“Eu mesmo já fui a posto de saúde para pedir remédios, não consegui ser atendido e fiquei sem o medicamento.”

Vinícius diz que algumas grandes cidades do Brasil tentaram concentrar esse atendimento de serviços públicos em centros em que tradutores de libras são chamados sempre que algum surdo tem dificuldade de usar algum serviço.

São Paulo, por exemplo tem a Central de Intermediação em Libras, em que a ajuda de profissionais pode ser agendada ou pedida para o uso de serviços da prefeitura.

“É uma iniciativa muito legal, mas ainda precisa que o surdo acione o serviço, e ele nem sempre vai poder atender. O que a comunidade surda deseja é que o atendimento esteja disponível antes do acesso, para que ele possa ir a um posto de saúde ou outro local como qualquer outro cidadão”, diz Vinícius.

Outros serviços públicos

Também são obrigados a garantir o atendimento a pessoas surdas por meio de libras os órgãos da administração pública federal e empresas concessionárias de serviços públicos.

Para isso, devem ter, no mínimo, 5% de servidores, funcionários ou empregados com capacitação básica na língua. Eles são autorizados ainda a contratar intérpretes especificamente para essa função.

O problema, neste caso, é determinar o que significa essa “capacitação básica”. Vinícius diz:

“Muitas vezes estes órgãos dão um curso de 30 horas para os atendentes. Neste tempo, ele só vai aprender a dar ‘bom dia’, ‘boa tarde’ e ‘boa noite’ em libras.”

A experiência de Neivaldo confirma isso. “Depende do lugar a que vamos. Há interpretes que são capacitados, e outros não, que prejudicam o atendimento. Ele precisa ter uma fluência para nos atender.”

Cultura

Em 2016, a Ancine publicou uma instrução normativa para regulamentar a acessibilidade visual e auditiva na distribuição e exibição de filmes no país.

O texto determina que devem ser adaptadas com tecnologias de legendagem descritiva, audiodescrição e libras:


  • 50% das salas de cinema comerciais de grupos exibidores com mais de 20 salas
  • 30% das salas de grupos com menos de 20 salas

A orientação é que os recursos não interfiram na fruição dos demais espectadores.

O prazo para as empresas adotarem as mudanças, inicialmente fixado em 16 de novembro de 2017, foi adiado para a mesma data de 2018. Segundo a Ancine, 16 de setembro de 2019 é o prazo limite para que todo o parque exibidor brasileiro ofereça os recursos.

Há dois anos, a maioria das produtoras e distribuidoras já entregam os filmes com audiodescrição, legendas descritivas e leitura em libras aos cinemas, conforme exigência da Ancine.

O atraso para o público ter acesso a isso acontece por falta de um formato de exibição destes conteúdos acessíveis nas salas de cinema, diz Ronaldo Bettini Jr. Diretor de negócios da ProAcess, empresa que produz equipamentos de áudio e interpretação simultânea.

Uma das soluções desenvolvidas por sua empresa é de um monitor individual, que pode ser acoplado ao porta-copos da cadeira de cinema, por exemplo, que pode exibir a legenda descritiva ou o vídeo com a leitura em libras. Ronaldo explica:

“O monitor tem haste flexível e uma tela na ponta. O usuário faz um movimento com a haste e posiciona a tela na altura que quiser, na direção da tela principal, e por ali ele vai ter a informação tanto de vídeo quanto de legenda descritiva.”

Segundo ele, algumas salas de cinema de São Paulo vão começar a oferecer estes monitores ao público surdo em fevereiro de 2019, mesmo antes do prazo determinado pela Ancine, em setembro.

Fonte: g1.globo.com

Homem cego de um olho consegue na Justiça direito a Bilhete Único Especial em SP

SPTrans recorreu da decisão; lei municipal nº 11.250/92 autoriza isenção no transporte público às pessoas com deficiência. Empresa diz que ele já está usufruindo da gratuidade.

Por G1 SP

Recarga do bilhete único do transporte público de São Paulo — Foto: TV Globo/Reprodução
Recarga do bilhete único do transporte público de São Paulo — Foto: TV Globo/Reprodução

Um homem cego de um olho conseguiu na Justiça o direito de ao Bilhete Único Especial na cidade de São Paulo. A SPTrans recorreu da decisão, mas o juiz manteve a decisão que o isenta de pagar passagem nos ônibus municipais, informou o Tribunal de Justiça (TJ) paulista.

De acordo com o TJ, o homem, que não possui a visão do olho esquerdo, reivindicou a isenção na passagem de ônibus por causa da deficiência. A Justiça em primeira instância concedeu o direito com base na lei municipal nº 11.250/92, que autoriza o benefício.

A SPTrans, órgão responsável pelos coletivos da cidade, recorreu.

No julgamento da apelação, o desembargador Leme de Campos concluiu que o homem comprovou a deficiência visual e, por isso, manteve o direito ao benefício.

“A necessidade de isenção de tarifas de transporte público não se limita à locomoção até o trabalho, mas também para as consultas médicas e tratamentos em entidades destinadas a atender os deficientes”, disse o magistrado.

Em nota, a SPTrans disse que já cumpre a decisão judicial, que o Bilhete Único Especial do solicitante foi entregue em 23 de maio de 2018 e que ele está usufruindo da gratuidade. A empresa acrescenta que avaliará se cabe recurso após o acórdão ser publicado no Diário da Justiça.

Fonte: g1.globo.com

O que é a diabulimia, considerado um dos distúrbios alimentares mais perigosos do mundo

Nos casos mais graves, transtorno pode levar a insuficiência cardíaca, amputação de membros e até morte.

Por BBC

foto: Pixabay
O que é a diabulimia, considerado um dos distúrbios alimentares mais perigosos do mundo

"Tenho a minha vida e tenho meus pés. São duas das coisas mais importantes para mim, considerando o dano que eu poderia ter causado a mim mesma".

Becky Rudkin, de 30 anos, tem diabulimia — termo usado para descrever pessoas com diabete tipo 1 que tomam deliberadamente menos insulina que o necessário com o objetivo de perder peso.

A diabetes tipo 1 — doença autoimune, que costuma ser diagnosticada na infância — ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente. Seu tratamento prevê a aplicação de injeções diárias do hormônio, responsável por controlar a glicose no sangue e fornecer energia ao organismo.

A diabulimia não é reconhecida oficialmente pela comunidade médica, mas uma verba de 1,2 milhão de libras (cerca de R$ 5,7 milhões) acaba de ser concedida para o financiamento de uma pesquisa sobre o tema na Grã-Bretanha.

A expectativa é que os cientistas consigam elaborar um programa de tratamento eficaz para pessoas que sofrem com o transtorno.

Becky, que é de Aberdeen, na Escócia,  participou do documentário da BBC Diabulimia: The World's Most Dangerous Eating Disorder ("Diabulimia: o Transtorno Alimentar Mais Perigoso do Mundo", em tradução livre), produzido em 2017.

Becky Rudkin tem diabulimia, transtorno alimentar que pode levar à morte — Foto: Becky Rudkin/via BBC
Becky Rudkin tem diabulimia, transtorno alimentar que pode levar à morte — Foto: Becky Rudkin/via BBC

Na época, ela revelou que, por não estar tomando insulina suficiente, os ossos dos seus pés começaram a se desintegrar no que os médicos descreveram como "favo de mel e papa". Eles estavam tão frágeis que quebravam com frequência.

"O dano no nervo é tão sério que eu nem sinto — só consigo ver o quão inchados estão", relatou na ocasião.

Becky precisou usar muletas por causa do problema nos pés e passou três anos entrando e saindo de uma clínica de distúrbios alimentares.

A diabulimia é considerada mais perigosa do que a anorexia e a bulimia. Nos casos mais graves, pode levar à insuficiência cardíaca, à amputação de membros e até à morte.

"As pessoas com diabetes tipo 1 (que sofrem com o distúrbio) têm medo que a insulina leve ao ganho de peso. Esse medo é tão forte que faz com que omitam a dose de insulina que precisam tomar com o objetivo de perder peso", explicou Khalida Ismail, professora do King's College London, especializada em diabetes e saúde mental, ao documentário da BBC.

"Se um paciente com diabetes tipo 1 não tomar insulina, ele vai morrer muito rápido", completou.

Diário da diabulimia

Em 2016, a BBC News Brasil relatou o caso da britânica Lisa Day, que morreu em 2015, aos 27 anos, após sofrer por anos de diabulimia.

Ela tinha sido diagnosticada com diabetes tipo 1 aos 14 anos de idade. Por isso, precisava de injeções diárias de insulina e tinha de cuidar da dieta. Mas ela tomava quantidades bem abaixo de insulina do que deveria. Os efeitos do descompasso no uso da medicação foram devastadores: emagreceu, teve problemas nos rins e nos olhos. Com a saúde debilitada, sofreu um infarto fatal.

Katie Edwards, a irmã mais velha de Lisa, cedeu à BBC trechos do diário escrito pela caçula, para alertar a respeito desse distúrbio pouco conhecido.

Lisa começou a escrever o diário pouco depois de ser diagnosticada com diabetes, em setembro de 2001.

Os relatos revelam um perfil típico de uma jovem com anorexia, mas que também tem de lidar com o diabetes:

"15 de março de 2002

Me sinto tão gorda. Me odeio. Amanhã começo a trabalhar em um petshop. Há uma discoteca no FC amanhã. Vou com Holly.

18 de março de 2002

Tive uma 'hipo' (hipoglicemia) terrível na hora do almoço. Estava sentada com Mike e sua namorada. Não acho que ele ache que eu estou em boa forma."

A ciência por trás da diabulimia

A ciência básica por trás da diabulimia é que, sem insulina para processar a glicose, o corpo não pode quebrar os açúcares dos alimentos para obter energia. Em vez disso, as células do corpo começam a quebrar a gordura já armazenada no organismo, liberando o excesso de açúcar pela urina. Na ausência de gordura, o corpo começar a queimar músculo.

Um ano depois do documentário, Becky contou ao programa Newsbeat, da Radio 1 da BBC, que "as coisas meio que melhoraram" para ela.

Becky e Joe ficaram noivos no ano passado e estão planejando se casar em julho — Foto: Becky Rudkin/via BBC
Becky e Joe ficaram noivos no ano passado e estão planejando se casar em julho — Foto: Becky Rudkin/via BBC

Ela não precisa mais usar muletas, tampouco consultar a equipe de acompanhamento de saúde mental. E diz que está animada com os planos para o futuro:

"Estou noiva e vou me casar. Meu companheiro foi morar comigo e temos uma cachorrinha."

"Ela é meu bebê agora e isso tem me ajudado muito. Animais de estimação têm esse poder, ela me dá muito carinho", contou.

O financiamento para a pesquisa sobre diabulimia foi obtido pela cientista clínica Marietta Stadler, que trabalha no King's College Hospital, em Londres.

Ela e sua equipe vão usar a verba para tentar entender melhor a condição. Para isso, vão entrevistar pessoas que apresentam o transtorno.

"Você não pode ter um bando de médicos decidindo sobre uma intervenção, as pessoas que vivem com a condição precisam estar envolvidas", diz ela.

A pesquisa deve levar cinco anos, e o plano atual é criar um programa de tratamento de 12 módulos — uma sessão quinzenal por seis meses — para pacientes com diabulimia.

Ao saber da pesquisa, Becky diz que "já não era sem tempo, porque o diabetes é negligenciado". Mas ela também manifesta algumas preocupações.

"Todo mundo é diferente e cada um de nós trata a diabulimia e diabetes de formas completamente distintas. Então eu suponho que é onde poderia pegar um pouco."

"O que você pode fazer em 12 sessões com alguém que tem diabulimia? Você não vai a fundo em um encontro quinzenal, não sei se é suficiente", completa.

O financiamento foi concedido pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde (NIHR, na sigla em inglês), que oferece verba para projetos de pesquisa que dizem ter "um claro benefício para os pacientes e para o público".

"Tudo o que financiamos deve ter um efeito real e útil para o NHS (sistema público de saúde do Reino Unido), e a pesquisa de Marietta foi um grande exemplo disso."

Marietta Stadler afirma, por sua vez, que a pesquisa é apenas o "primeiro passo". Segundo ela, após os cinco anos de financiamento, seria necessário um estudo maior antes de qualquer programa oficial de tratamento ser adotado pelo NHS.

"Como todo mundo, quem é diagnosticado com diabetes tipo 1 não tem apenas necessidades de saúde física, também tem necessidades de saúde mental", disse um porta-voz do governo.

A ONG Diabéticos com Transtornos Alimentares (DWED na sigla em inglês) estima que 40% das mulheres com diabetes tipo 1 admitem ter negligenciado a administração de insulina para perder peso.

Fonte: g1.globo.com