sábado, 26 de janeiro de 2019

Incansável! Com rara doença degenerativa, australiana representa país em três esportes - Veja o vídeo

Conheça os feitos de Jessica Gallagher, primeira atleta da Austrália a conquistar uma medalha nas Paralimpíadas de inverno e pioneira ao subir ao pódio também nos Jogos de verão, no Rio 2016

Por GloboEsporte.com — Rio de Janeiro

Tom Pennington/Getty Images
Incansável! Com rara doença degenerativa, australiana representa país em três esportes

Jessica Gallagher é incansável. Encontrou o esporte paralímpico após descobrir que tinha uma rara doença degenerativa e nunca mais parou: já representou a Austrália em três esportes – esqui alpino, atletismo e ciclismo de pista – e conquistou um grande pedaço da história esportiva do país. Ela foi a primeira atleta australiana, olímpica ou paralímpica, a subir ao pódio em edições de verão e inverno dos Jogos Paralímpicos.

Com apenas 17 anos, Gallagher foi diagnosticada com distrofia macular viteliforme, uma anomalia ocular que causa perda progressiva da visão. Quatro anos depois, começou a praticar esqui alpino e ganhou de vez os holofotes em Vancouver 2010, quando se tornou a primeira australiana a conquistar uma medalha em Jogos Paralímpicos – um bronze no slalom feminino.

Clique AQUI e veja o vídeo e Conheça os feitos da medalhista australiana:

Resultado de imagem para Jessica Gallagher, multicampeã paralímpica da Austrália
Jessica Gallagher, multicampeã paralímpica da Austrália

Após as Paralimpíadas de Inverno de 2010, Jessica passou a se dedicar ao atletismo. Conquistou a medalha de prata no salto em distância e um bronze no dardo no Campeonato Mundial de atletismo paralímpico de 2011, na Nova Zelândia. Retornou para o esqui alpino para disputar os Jogos de Sochi 2014 e faturou novamente a medalha de bronze, desta vez no slalom gigante.

Jessica Gallagher da Austrália e seu guia Christian Geiger em Sochi - 2014 — Foto: Ian Walton/Getty Images
Jessica Gallagher da Austrália e seu guia Christian Geiger em Sochi - 2014 — Foto: Ian Walton/Getty Images

Com sua prova preferida, o salto em distância, excluída do programa dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, Jessica se reinventou: estreou como ciclista, em busca de chance de disputar a competição. No Campeoanto Mundial de paraciclismo de 2016, conquistou o ouro e um novo recorde no sprint feminino, além de uma medalha de bronze no contra-relógio.

No Rio 2016, Jessica entrou de vez para a história por um feito impressionante: ela se tornou a primeira atleta australiana, olímpica ou paralímpica, a subir ao pódio nos Jogos de verão e inverno, com a conquista do bronze no contra-relógio de 1 km.

"Ser uma atleta com deficiência visual é tão complexo. A característica única de precisar de um guia e confiar nele. Não sou só eu naquela montanha"

Jessica teve passagens no atletismo e competiu na modalidade em Londres 2012 — Foto: Michael Steele/Getty Images
Jessica teve passagens no atletismo e competiu na modalidade em Londres 2012 — Foto: Michael Steele/Getty Images

Fonte:globoesporte.globo.com

Família de recém-nascida com doença rara na pele faz vaquinha para pagar exames em MT

Exames e estudos genéticos com os pais devem custar cerca de R$ 5 mil e não serão realizados fora do município onde a família mora.

Por G1 MT

Bebê precisa de exames — Foto: Cristiane Maria Ribeiro/ Arquivo pessoal
Bebê precisa de exames — Foto: Cristiane Maria Ribeiro/ Arquivo pessoal

A família de uma recém-nascida diagnosticada com epidermólise bolhosa – doença rara que causa bolhas na pele – está realizando uma vaquinha online para pagar exames de biópsia e mapeamento dos pais para descobrir a gravidade da doença, que é considerada genética. Agatha Ribeiro Pego Wandscheer mora com a família em Campo Novo do Parecis, a 397 km de Cuiabá.

De acordo com a avó dela, Cristiane Maria Ribeiro, os exames e estudos genéticos devem custar cerca de R$ 5 mil e são realizados fora do município onde eles moram. Além disso, a família precisa comprar curativos e medicamentos mais avançados para o tratamento do bebê.

“Os medicamentos são caros e até agora só temos o básico. Ela sente muita dor e sempre chora quando vamos trocar os curativos. São necessários cuidados mais avançados, mas não temos”, contou.

Até agora, a família já conseguiu arrecadar mais de R$ 5 mil com a vaquinha online.

A doença de Agatha, segundo a avó, foi descoberta logo após o nascimento. Ela ficou internada por 15 dias, sendo cinco dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Júlio Muller, em Cuiabá.

“Clinicamente, ela está bem, mas a doença é agressiva e precisamos fazer uma consulta mais detalhada para saber a gravidade dela”, ressaltou.

Cristiane disse que a neta não pode sair de casa e nem receber visitas. Além disso, é necessário estar perto dela a todo momento para que ela não faça nenhum movimento que possa prejudicar as bolhas que tem na pele.

“Na próxima semana vamos levá-la em uma consulta, em Cuiabá, para que possamos saber quais são os mais medicamentos e alimentação mais adequada”, disse.

Cristiane contou que a mãe de Agatha está terminando a faculdade de direto e o pai dela está fazendo 'bicos' para conseguir ajudar no tratamento da criança.

Fonte: g1.globo.com

Pesquisa liderada por brasileiro mostra relação entre defeito genético e autismo

Ter apenas uma cópia do gene Setd5 alterou as conexões entre neurônios e levou a comportamentos típicos do autismo em testes com camundongos. O estudo foi publicado na revista científica 'Nature Translational Psychiatry'.

Por Lara Pinheiro, G1

Alysson Muotri em seu laboratório na Califórnia — Foto: Alysson Muotri/G1
Alysson Muotri em seu laboratório na Califórnia — Foto: Alysson Muotri/G1

Uma equipe liderada por um pesquisador brasileiro na Universidade da Califórnia, em San Diego, conseguiu desvendar a relação entre um defeito genético e comportamentos típicos do autismo, transtorno que afeta o desenvolvimento do cérebro. O estudo, resultado de testes em camundongos, foi publicado na revista 'Nature Translational Psychiatry' no último dia 17.

O pesquisador, Alysson Muotri, compartilhou a descoberta em um post no Facebook.

Um camundongo chamado Ivan!
Meu filho Ivan foi um dos primeiros autistas a ter seu genoma completamente sequenciado. Na época, os resultados apontaram para uma mutação num gene ainda desconhecido, o SETD5, relacionado com modificações epigenéticas no DNA. Fiquei anos sem saber se esse gene era importante mesmo.
Nos últimos anos, esse gene aparece em uma série de estudos genéticos em populações de indivíduos autistas ao redor do mundo. A evidência clínica e genética, sugere um...

A pesquisa de Muotri tem como foco o gene Setd5, que funciona como um "leitor" de outros genes, diz o cientista, ativando ou desativando outros genes. Essas ativações ou desativações são feitas por meio de alterações químicas que alteram a expressão do gene.

"O Setd5 atua em estágios iniciais do desenvolvimento e é essencial para a vida. A perda de função das duas cópias do gene leva à morte prematura", explica Muotri. Cada pessoa tem duas cópias de cada gene no corpo.

"O que descobrimos é que, quando a célula tem apenas uma cópia funcional do Setd5, ele não é capaz de modular todos os genes durante o desenvolvimento. Em neurônios, isso equivale a redução do número de sinapses, levando a uma menor conexão entre as células. Como consequência, as redes nervosas se comportam de maneira imatura, levando ao atraso do neurodesenvolvimento", diz o cientista.

Com os testes, a equipe de pesquisadores conseguiu traçar um esboço dos problemas de desenvolvimento no cérebro, como os do autismo, que são causados pela perda dessa cópia. Isso trouxe um entendimento melhor de como o Setd5 atua nas células.

Mais de mil genes

Muotri explica, no entanto, que o Setd5 é apenas um de mais de mil genes implicados no autismo, que traz dificuldades na comunicação e interação social, além de distúrbios do sono, ansiedade e realização de comportamentos repetitivos.

Não há só um tipo de autismo, mas gradações dentro desse transtorno de desenvolvimento — daí vem a sua classificação como Transtorno do Espectro Autista. Enquanto alguns casos são mais leves, comenta Muotri — levando a quem tem o transtorno até a rejeitar a ideia de cura — , em outros o quadro traz mais problemas.

"Existem casos em que o sofrimento do autista é evidente — esses casos se beneficiariam de um tratamento ou mesmo cura. Já sabemos que o autismo pode ser reversível em alguns casos, então focamos em auxiliar esse processo naqueles menos favorecidos. A finalidade do cientista é trazer a “opção” de tratamento — a decisão final de se tratar ou não pertence a cada indivíduo", avalia.

Fonte: g1.globo.com

Com autismo e altas habilidades, curitibana de 15 anos vai cursar medicina na UFPR

Natãmy Nakano, que aprendeu a ler aos dois anos, gabaritou 10 de 14 questões na segunda fase do vestibular; 'Com esforço podemos conquistar até mais coisas do que uma pessoa considerada normal', diz ela.

Por Natalia Filippin, G1 PR — Curitiba

                         Com apenas 15 anos, curitibana é aprovada em Medicina na UFPR — Foto: Arquivo pessoal
Com apenas 15 anos, curitibana é aprovada em Medicina na UFPR — Foto: Arquivo pessoal

A curitibana Natãmy Nakano, de apenas 15 anos, que mora em São José dos Pinhais, na Região de Curitiba, vai cursar medicina na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o curso mais concorrido da instituição, a partir deste ano.

Portadora de um Transtorno do Espectro Autista (TEA), chamado Síndrome de Asperger, ela tem altas habilidades e superdotação.

A adolescente, que aprendeu a ler aos dois anos, gabaritou 10 de 14 questões, sendo que acertou parcialmente as outras quatro. A matrícula do curso foi feita na terça-feira (22), e o início das aulas está marcado para 4 de fevereiro.

“Se você tem um sonho, você tem que realizar independente da barreira. Estamos vivos, nada é por acaso. Com esforço podemos conquistar até mais coisas do que uma pessoa considerada normal”, diz Natãmy.

Filha única, a menina teve um problema de incompatibilidade sanguínea ainda na barriga da mãe que poderia ter deixado ela em estado vegetativo, conta Andréia Pichorim, que define a filha como "poço sem fundo de conhecimento".

“Não sabíamos qual seria o futuro dela, e então começamos a estimular desde cedo. Lia livros massageando a barriga, e depois de nascer interagíamos com ela o tempo todo com brincadeiras e atividades”, conta a mãe.

Mais tarde, depois da descoberta da síndrome, Natãmy também foi diagnosticada com hipersensibilidade nos sentidos, o que pode causar incômodo e até dor física com cheiros, barulhos, luzes, roupas, etiquetas e até alimentos.

Segundo a mãe, que também é portadora da Síndrome de Asperger e altas habilidades, um tumor no cérebro que ela teve quando a filha tinha dois anos ajudou a despertar o desejo da menina pela medicina.

“Acho que ela tinha medo de me perder. É um amor pela profissão que veio das raízes de outro amor, o amor de mãe e filha.”

                       Natãmy e Andréia no banho de lama após aprovação, em Curitiba  — Foto: Arquivo pessoal
Natãmy e Andréia no banho de lama após aprovação, em Curitiba — Foto: Arquivo pessoal

A inteligência extrema dela não significou uma vida fácil, até por conta do autismo.

“Eu era vista como a esquisita, hiperativa, a louca. Sofri muito bullying, não tinha amigos. Eu só sabia que eu tinha altas habilidades e superdotação assim como minha mãe, mas nada que pudesse me fazer diferente ou excluída pelos outros colegas”, explica.

Natãmy conta que os professores, em geral, não entendiam como ela aprendia tudo tão rápido. Quando estava na terceira série do ensino fundamental, já buscava saber dos conteúdos da oitava.

“Eu sentia que estava perdendo tempo, eu queria aprender mais. Eu não tinha amigos, então eu só tinha o estudo pra me distrair”, diz Natãmy.

Passou do sexto ano para o sétimo, e do sétimo foi direto para o nono ano. Ainda durante o ensino médio, a estudante fez iniciação científica em bioquímica e participou de simpósios.

Natãmy presta vestibulares desde os 11 anos. Aos 13, já havia conquistado uma vaga em engenharia de bioprocessos na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e, no mesmo ano, se tornou aluna do curso técnico em gás e petróleo da instituição.

“Precisava mandar ela comer, dormir, andar um pouco, se não era estudo 24 horas. Ela é muito focada”, explica a mãe.

Natãmy na engenharia de bioprocessos na UTFPR — Foto: Arquivo pessoal
Natãmy na engenharia de bioprocessos na UTFPR — Foto: Arquivo pessoal

Mas o sonho da menina era mesmo medicina. E no dia 11 de janeiro deste ano recebeu a tão esperada notícia da aprovação.

“Tinha esperança, mas não era nada confirmado. Minha mãe queria me jogar na lama há muito tempo. Levei boia, óculos e touca de natação até. Agora tenho pelo menos seis anos para tentar fazer amigos de novo”, conta, com animação.

Ela afirma que mesmo com as limitações de contato com o público, espera se especializar em pesquisa ou cirurgia. E antes mesmo de as aulas começarem, já está estudando bioquímica.

Aliado aos estudos relacionados ao curso superior, Natãmy ainda se dedica a outros tipos de conhecimento.

“Nesse primeiro semestre pretendo fazer um curso de corte e costura para produzir minhas próprias roupas, já que tenho sensibilidade”, diz a menina.

Na universidade, ela ainda terá a companhia da mãe, que é doutoranda em engenharia de materais e nanotecnologia. "Passei oito anos sem conseguir escrever, e hoje aos 41 anos, vou poder acompanhar a minha filha na UFPR", afirma.

                         Com apenas 15 anos, curitibana é aprovada em Medicina na UFPR — Foto: Arquivo pessoal
Com apenas 15 anos, curitibana é aprovada em Medicina na UFPR — Foto: Arquivo pessoal

Fonte: g1.globo.com




Com fut 7 (para atletas com paralisia cerebral) fora da lista, IPC confirma os 22 esportes da Paralimpíada de Paris 2024

Retirado dos Jogos Paralímpicos após a Rio 2016, futebol para atletas com paralisia cerebral segue fora do programa por mais 4 anos. Número de competidores deve girar em torno de 4.350

Por GloboEsporte.com — Londres

Foto: Cezar Loureiro/MPIX/CPB
Com fut 7 fora da lista, IPC confirma os 22 esportes da Paralimpíada de Paris 2024

Reunido em Londres para uma assembleia de quatro dias, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC - sigla em inglês) divulgou, nesta sexta-feira, as 22 modalidades que farão parte da Paralimpíada de Paris 2024. Retirado dos Jogos Paralímpicos após a Rio 2016, o futebol de 7 (para atletas com paralisia cerebral) segue fora do mega evento, com a possibilidade de retornar apenas em 2028.

- Acho que o programa de modalidades dos Jogos de Paris 2024 está bem atraente. São 22 esportes com grande apelo global, igualdade entre os gêneros e bem distribuídos entre os vários tipos de deficiência - disse o presidente do IPC, o brasileiro Andrew Parsons.

As modalidades que estarão em Paris 2024 são: atletismo, tiro com arco, badminton, futebol de 5 (para cegos), bocha, canoagem, ciclismo, hipismo, goalball, judô, halterofilismo, remo, tiro esportivo, vôlei sentado, natação, tênis de mesa, taekwondo, triatlo, basquete em cadeira de rodas, esgrima em cadeira de rodas, rugby em cadeira de rodas e tênis em cadeira de rodas.

Andrew Parsons anunciou o programa dos Jogos de Paris 2024 nesta sexta — Foto: Leandro Martins/MPIX/CPB
Andrew Parsons anunciou o programa dos Jogos de Paris 2024 nesta sexta — Foto: Leandro Martins/MPIX/CPB

Segundo Parsons, um dos motivos para a retirada do futebol de 7 da Paralimpíada é o balanço de gêneros. Como a modalidade para paralisados cerebrais é disputada apenas no naipe masculino, a sua inclusão desequilibraria o número entre homens e mulheres em Paris 2024 - são esperados 4.350 atletas para aquela edição dos Jogos.

- Estudamos várias possibilidades de reincluir o futebol de 7 nos Jogos Paralímpicos, mas a questão do balanço entre gêneros tem sido primordial na nossa seleção. A única maneira de compensar isso seria remover o naipe masculino de alguma outra modalidade, mas nós optamos por não fazer isso - comentou o presidente do IPC.

Os Jogos Paralímpicos de Paris 2024 estão previstos para acontecer de 28 de agosto a 8 de setembro daquele ano. O evento acontece logo após os Jogos Olímpicos da capital francesa, de 26 de julho a 11 de agosto.

Mulher cadeirante morre atropelada por ônibus no Centro de SP

Vítima era cadeirante e estava em faixa exclusiva do viaduto Orlando Murgel.

Por Bom Dia SP — São Paulo

Mulher morre após ser atropelada por ônibus no Viaduto Orlando Murgel — Foto: Reprodução TV Globo
Mulher morre após ser atropelada por ônibus no Viaduto Orlando Murgel — Foto: Reprodução TV Globo

Uma mulher morreu após ser atropelada por um ônibus na madrugada desta sexta-feira (25) no Centro de São Paulo. A informação inicial é que a mulher era uma cadeirante e estava na faixa exclusiva.

O atropelamento ocorreu no Viaduto Engenheiro Orlando Murgel. Duas faixas do viaduto estão bloqueadas nesta manhã e os veículos passam pela faixa da direita.

Hanseníase tem tratamento e pode ser curada; saiba mais sobre a doença

Imagem: Divulgação / Agência Brasil
Divulgação / Agência Brasil
Janeiro Roxo é o mês de conscientização sobre a hanseníase

Janaina Bolonezi Do Blog da Saúde

No último domingo do mês de janeiro é comemorado o Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase. Durante todo o mês, o Janeiro Roxo, ações chamam a atenção da população e de profissionais de saúde para os sinais e sintomas e alertam para a importância do diagnóstico precoce, tratamento oportuno e ações de controle da doença.

O combate ao estigma e à discriminação também faz parte das ações do Dia Mundial. Por isso, nesta celebração é importante lembrar que a enfermidade, marcada por um passado triste de discriminação e isolamento de pacientes, possui tratamento eficaz e pode ser curada.

É essencial a conscientização da população e também dos profissionais de saúde. Muitos mitos e preconceitos sobre a hanseníase ainda confundem as pessoas, o que prejudica tanto a prevenção quanto o tratamento. Conhecer a doença é fundamental para que o tratamento seja realizado da forma adequada.

Quanto antes a pessoa iniciar o tratamento, menores são as chances de surgirem incapacidades físicas, além de favorecer a interrupção da cadeia de transmissão. A hanseníase deixa de ser transmitida poucos dias após o início do tratamento. Além disso, é reforçada a importância de que familiares, amigos e colegas de trabalho também sejam examinados.

Convivendo com a hanseníase

                       Imagem: Arquivo Pessoal
                          Arquivo Pessoal
                      Marines Uhde sofreu as consequências da hanseníase

Marines Uhde, 44 anos, sentiu as consequências do início tardio do tratamento. Ela começou a sentir os primeiros sintomas da doença em 2004, mas não sabia exatamente do que se tratava. "Eu sou enfermeira e sempre desconfiei que poderia ser hanseníase. Mas eu não tive as manchas características pelo corpo. Comecei a sentir muitas dores no braço e fiz vários exames na época, mas não identificaram nada. Com o passar do tempo, tive nervos afetados e fui recebendo diagnósticos errados", lembra. O diagnóstico da doença foi feito em 2012.

Além das dores e demais consequências da hanseníase, Marines teve que enfrentar a discriminação. "Eu me lembro de uma situação no trabalho. Quando eu disse que tinha a doença, uma colega se afastou de mim na hora. Deu um passo atrás. No meu caso, a doença não causou incapacidades visíveis e não sofri tanto quanto outras pessoas. Mas sempre procurei falar muito sobre o assunto, com objetivo de conscientizar mesmo", explica.

A hanseníase é transmitida por meio de tosse ou espirro, pelo convívio prolongado com uma pessoa doente sem tratamento. Ou seja, não se pega a doença imediatamente ao ter contato com uma pessoa doente. Além disso, pessoas em tratamento não transmitem a doença.

Tratamento

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e centros de referências. O tratamento da doença é realizado com a poliquimioterapia, uma associação de antibimicrobianos, recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada pelo profissional de saúde. As demais são realizadas pelo próprio paciente.

Marines fez todo o tratamento pelo SUS e foi considerada completamente curada no ano de 2014. Porém, o tempo de espera até a descoberta da doença deixou complicações permanentes. "Pelo tempo passado, perdi a força da mão, pernas e braços. Ainda tenho dificuldades para realizar as atividades mais simples do dia a dia", conta.

Por isso, a enfermeira orienta as pessoas a conhecer a doença e a procurar um serviço de saúde se identificar algum sintoma. "Para pessoas que suspeitam ter a doença, eu aconselho que procurem uma segunda opinião, para iniciar o tratamento o mais rápido possível. Além disso, diria para as pessoas que procurem saber mais sobre a hanseníase. Existe muito preconceito e o que a pessoa mais precisa nesse momento é de apoio", desabafa.

Sintomas da Hanseníase

  • Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte do corpo, com perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas.
  • Áreas com diminuição dos pelos e do suor.
  • Dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas.
  • Inchaço de mãos e pés.
  • Diminuição sensibilidade e/ou da força muscular da face, mãos e pés, devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos.
  • Úlceras de pernas e pés.
  • Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.
  • Úlceras de pernas e pés.
  • Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.
  • Febre, edemas e dor nas juntas.
  • Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz.
  • Ressecamento nos olhos.

Uma doença histórica cercada de preconceitos

A hanseníase é uma das doenças mais antigas do mundo. Os primeiros registros históricos da remontam ao século 6 a.C. Por isso, também está associada com muito preconceito. Também conhecida como "lepra", no passado foi associada ao pecado, à impureza e à desonra. Além disso, narrativas religiosas associavam as marcas na carne aos desvios da alma. Por isso, durante muitos anos, os portadores da doença foram duramente discriminados e excluídos da sociedade.

Em uma tentativa de reduzir o estigma da doença, desde 1995, o termo "lepra" e seus derivados foram proibidos de serem empregados nos documentos oficiais no Brasil. A doença foi batizada como hanseníase, em homenagem ao seu descobridor, o cientista norueguês Gerhard Hansen.

VivaBem no Verão

O UOL VivaBem está no litoral paulista com o VivaBem no Verão. Um espaço com atividades para você se exercitar, mas também curtir e relaxar na entrada da Riviera de São Lourenço. Venha nos visitar!.

Data: até dia 03 de fevereiro de 2019, de quinta a domingo Horário: das 16h às 00h Endereço: Avenida da Riviera, ao lado do shopping, na praia de Riviera de São Lourenço Entrada: gratuita.

Estrela do dia, Larissa celebra título do São Paulo: "Muito feliz"

Se preço das 12 longas horas distante de casa foi o cansaço ao fim da tarde, recompensa foi impagável: ela ganhou uma medalha e foi homenageada

Guilherme Padin, do R7

Guilherme Padin/R7
Com a medalha nas mãos, Larissa foi só alegria pelo título do São Paulo
Com a medalha nas mãos, Larissa foi só alegria pelo título do São Paulo

A são-paulina Larissa, de seis anos, luta contra um câncer no cérebro. No início da manhã desta sexta-feira (25), ela viajou por três com sua mãe, Samanta, de São Carlos até a capital São Paulo, para poder acompanhar seu time de coração disputar a final da Copinha diante do Vasco.

Se o preço das exaustivas 12 horas distante de casa foi o cansaço ao fim da tarde, a recompensa foi impagável.

No mesmo dia, Larissa entrou em campo junto da equipe, recebeu  uma bela homenagem dos atletas tricolores e viu o São Paulo ser tetracampeão da competição.

Estadão Conteúdo/Guilherme Rodrigues
Tricolores rasparam a cabeça em homenagem à torcedora com câncer

Tricolores rasparam a cabeça em homenagem à torcedora com câncer


A felicidade foi completa quando, depois da conquista, ela ganhou uma medalha de campeã da Copinha — um presente do clube.

Após as comemorações, ela falou com o R7 e, com poucas palavras, resumiu os momentos que viveu na chuvosa tarde paulistana: "Feliz. Muito Feliz".

Mais tímida que a estrela do dia, Samanta Martins, sua mãe, descreveu o dia como "um momento de muita alegria". "Ela esteve muito animada durante o dia todo. Foi muito bom", disse Samanta.

                                Reprodução/Instagram
                                     Antony e Larissa celebraram juntos
                                Antony e Larissa celebraram juntos

Um dos momentos mais felizes do dia de Larissa, segundo ela, foi ver Antony marcar um dos gols do empate por 2 a 2 — nos penais, vitória paulista por 3 a 1. Ao longo da competição, o camisa 7 do São Paulo criou uma relação de amizade e carinho com a garota.

Nas oitavas de final diante do Mirassol, o atacante conheceu a pequena torcedora e, antes da bola rolar, a prometeu um gol. Dito e feito: em campo, balançou as redes na vitória por 3 a 0 e  chorou ao cumprir a promessa.

Divulgação/São Paulo FC
Antony se emocionou com gol marcado em homenagem a Larissa

Antony se emocionou com gol marcado em homenagem a Larissa


"523 livros em um ano: deficiente visual é a maior leitora da Biblioteca Pública em 2018" .

Albari Rosa/Gazeta do Povo
/ra/pequena/Pub/GP/p5/2019/01/22/Curitiba/Imagens/Vivo/maior leitor 011.JPG

blog do Eurico Paz

Se o brasileiro lê, em média, 2,43* livros por ano, Cristiane de Fátima Costa está um bom tanto acima da média. Só da Biblioteca Pública do Paraná, Cristiane, 53 anos, emprestou e leu 523 livros em 2018, o que fez dela a maior leitora entre os usuários do local. Boa parte deles era em braille, já que ela é deficiente visual.

A leitura sempre significou muito para mim. Eu gravo áudiolivros, então trabalho com leitura e literatura. Eu fiz faculdade de Letras e ensinei uma época”, conta. Para chegar a esse número de empréstimos, Cristiane visitou a biblioteca a cada dois ou três dias e leu, em média, 1,43 livros por dia - isso sem considerar aqueles obtidos de outra forma. “Eu recebo alguns livros em casa e empresto de outras bibliotecas de Curitiba, São José dos Pinhais”, diz a narradora de áudiolivros.

Cristiane conta que a leitura sempre fez parte de sua vida, devido à sua curiosidade. Mas o amor pelos livros talvez não se desenvolvesse da mesma forma se, inicialmente, não fosse o empenho de sua mãe, dona Ângela. A narradora nasceu prematura, de apenas seis meses, e teve um descolamento de retina devido à prematuridade (retinopatia da prematuridade), o qual a deixou cega.

Eu fui alfabetizada em braille aos 6 anos. Mas primeiro eu recebi o que chamamos de estimulação precoce - para desenvolvimento do tato. Minha mãe aprendeu a fazer isso e foi, para mim, uma reabilitadora. Tudo o que eu sei e que eu consegui desenvolver, foi devido a ela”, conta. Cristiane explica que a falta de estimulação precoce é um dos motivos pelos quais muitas pessoas com deficiência visual têm dificuldade aprender a ler - e, consequentemente, a escrever - em braille. O desafio acaba sendo ainda maior para quem perde a visão durante a vida.

Por volta dos 13 anos, Cristiane já lia com desenvoltura e já buscava nos livros conhecimentos que sua limitação física não a permitiria obter. “Sempre busquei algo além do que eu podia obter. Era desinquieta”, diz. À época, ela estudava na Escola Boa Vista (hoje Centro de Atendimento Especializado Boa Vista), uma escola regular que acolhia estudantes com deficiência, promovendo um ensino integrado, e já tinha suas primeiras experiências como professora, trabalhando como auxiliar.

Antes da graduação em Letras e da especialização em literatura brasileira e portuguesa, que a levaram oficialmente para as salas de aula, Cristiane fez ensino médio em escola particular. Como o material didático não era oferecido em braille, a família dela contratou uma pessoa que a ajudava lendo os materiais. “Hoje o acesso é melhor. Antes era bem mais difícil, principalmente para pesquisa”, conta Cristiane.

Hábitos

O acervo de livros em braille da Biblioteca Pública do Paraná também era mais restrito quando Cristiane começou a frequentar o local, por volta dos 14 anos. “Aumentou bastante, tanto em quantidade quanto em qualidade”, diz. Atualmente, ele é composto por aproximadamente 1.500 títulos - e, como a impressão em braille “ocupa mais espaço” do que a no alfabeto latino, cada um deles é composto por vários volumes, rendendo “sacoladas” de livros.

Albari Rosa/Gazeta do Povo

Além deles, Cristiane e outros deficientes visuais podem emprestar áudiolivros, como os que ela grava há oito anos. Desses, a Biblioteca Pública do Paraná conta com mais de 4 mil títulos. Entre os 523 livros emprestados por ela em 2018, há títulos em áudio, mas a preferência dela é pelos livros de papel. “Eu “leio” áudio quando não posso ler em braille. “O braille eu controlo e, com o áudio, você tem que ouvir a gravação e é um pouco mais lento, por melhor que a pessoa leia. Se eu puder optar, opto pelo braille”, revela.

Já no que diz respeito aos gêneros literários, ela é bem mais flexível. “Eu gosto literatura brasileira e portuguesa, mas de alguma coisa americana também, de filosofia. Gosto muito de Kafka, Saramago, Augustina Bessa-Luís. Gosto de livros que levem à reflexão. Só não gosto de autoajuda, acho que não funciona”, diz.

Independentemente do livro, Cristiane acredita que há formas de incentivar o hábito de leitura, como a realização de oficinas, rodas de conversa, workshops com escritores, etc. Porém, para ela, nem tudo deve vir de fora. “Minha mãe me estimulou a procurar algo além da minha limitação física, a não esmorecer. Mas, claro, você desenvolve isso, porque você pode ser estimulado e se acomodar”, destaca.

Seleção de futebol de 7 inicia preparação para principais competições do ciclo

Imagem

Por CPB

A Seleção Brasileira de futebol de 7 pc está no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, desde a quarta-feira, 23, para a primeira semana de treinamento da modalidade nesta temporada. Ao todo, foram convocados 14 atletas e cinco integrantes compõem a comissão técnica.

Neste ano, o Brasil disputará as duas competições mais importantes do ciclo paralímpico: o Mundial da modalidade, na Espanha, em julho, e os Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru, em agosto. O futebol de 7 pc não compõe o programa de provas dos Jogos Paralímpicos Tóquio 2020.

Além dos treinos de campo, os jogadores realizaram testes com a equipe de medicina do esporte do CT. “A temporada de 2018 foi boa e esse ano temos os campeonatos mais importantes: o Mundial e os Jogos Parapan-Americanos de Lima. Realizaremos seis fases de treinamento, todas aqui no CT. Nesta primeira semana de treinos temos atletas convocados pela primeira vez, atletas que ficaram fora de algumas convocações e estão retornando agora, e jogadores que participaram dos títulos do ano passado”, disse o técnico da Seleção Brasileira, Paulo Cabral.

Em 2018, o Brasil conquistou o título inédito da Copa do Mundo sub-19 da modalidade, em Sant Cugat del Vallès, na Espanha e o pentacampeonato da Copa América, em outubro, em Quito, no Equador.

O Campeonato Mundial de futebol de 7 pc acontecerá em Sevilha, na Espanha, de 4 a 29 de julho, e contará com a participação de 16 países (Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, Espanha, Inglaterra, Irlanda, Irã, Holanda, Irlanda do Norte, Rússia, Tailândia, Ucrânia, Estados Unidos e Venezuela). O Brasil conquistou a vaga na competição graças ao título de campeão da Copa América.

Em agosto, o Brasil defenderá o título de campeão parapan-americano, em Lima, no Peru. A classificação brasileira para este evento se deveu ao bronze no último Mundial da modalidade, em 2015, na Inglaterra.

Fonte: cpb.org.br

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

1ª vacina neonatal do mundo pode proteger recém-nascidos de meningite, pneumonia e infecções

Desenvolvida pela Universidade do Porto, em Portugal, o imunizante age contra a bactéria estreptococo do grupo B, transmitida ao bebê principalmente no parto

Por Luiza Tenente

recém-nascido; mãe; vacina (Foto: Thinkstock)


A primeira vacina neonatal do mundo está sendo desenvolvida pela Universidade do Porto, em Portugal. Destinada às mulheres, ela previne que a bactéria estreptococo do grupo B seja transmitida para os bebês no parto. Esse micro-organismo pode causar pneumonia, meningite e sépsis (infecção generalizada) no recém-nascido.

Se você ainda não ouviu falar nessa bactéria, saiba que ela está presente na flora intestinal de aproximadamente 20% da população, sem causar nenhum dano. Em alguns casos, há contaminação da parte genital e urinária da mulher.  Caso ela esteja grávida, o bebê pode ser infectado principalmente no momento do parto, durante a passagem pelo canal vaginal. Atenção: isso não significa que a cesárea poupará seu filho do risco. “Se a bolsa romper, não há mais uma barreira de proteção entre o útero e a vagina. Com isso, a bactéria pode ascender e contaminar o feto”, explica José Carlos Sadalla, ginecologista do Hospital Sírio Libanês (SP).


Mas fique tranquila: tomando os devidos cuidados, é possível preservar o bebê. O primeiro passo é fazer, entre a 34ª e a 35ª semanas de gestação, um teste ginecológico que detecte a presença do estreptococo do grupo B. É colhida uma secreção das regiões perianal e vaginal e feita uma cultura. Caso o exame acuse a presença da bactéria, avise seu obstetra e memorize essa informação. O tratamento só é feito cerca de 4 horas antes do parto – será ministrada uma dose de antibiótico (geralmente, penicilina) endovenoso. “O medicamento não pode ser dado durante a gestação, porque a bactéria tende a retornar, talvez até mais resistente”, esclarece o ginecologista. Seguindo os cuidados de prevenção corretos, não há risco algum em se fazer parto normal.

É claro que nem sempre há tempo suficiente para dar o antibiótico com a antecedência recomendada. “Nos casos em que há rompimento de bolsa, nascimento prematuro ou histórico de contaminação, o antibiótico é dado o mais rápido possível. O mesmo vale para as mulheres que não fizeram o exame até o momento de dar à luz”, esclarece Jurandir Passo, ginecologista especialista em medicina fetal do laboratório Delboni Auriemo (SP). Nessas situações de emergência, o bebê é monitorado por 72 horas – os especialistas analisam os exames de sangue e os sinais clínicos (febre, taquicardia) para detectar uma possível infecção.


Caso não sejam tomados os cuidados e haja a contaminação, as consequências para o recém-nascido são graves, principalmente para o prematuro. sistema imunológico de qualquer bebê ainda não está maduro – a bactéria pode entrar na corrente sanguínea e tomar alguns órgãos, causando meningite, pneumonia ou, no caso mais extremo, sépsis, que é uma infecção generalizada.

Exatamente por se tratar de doenças tão perigosas, não deixe de fazer o exame durante a gestação. Mesmo que seja detectada a bactéria, o tratamento é muito eficaz e seu filho ficará protegido. A Universidade do Porto já cedeu os direitos de comercialização da vacina contra o estreptococo do grupo B para uma empresa de biotecnologia portuguesa. Os cientistas recomendam que a dose seja tomada por meninas adolescentes, mesmo que ainda não tenham a pretensão de engravidar, para que os anticorpos já sejam produzidos. “Ela ajudará a diminuir o risco de mortalidade, além de trazer menos custos do que o tratamento das doenças causadas pela bactéria”, afirma Passos. O ginecologista Sadalla também vê boas perspectivas no desenvolvimento de imunização. “É como a vacina contra HPV: há meios de se evitar a doença, mas existir mais uma forma de prevenção é excelente”, compara.


Família vende canecas com desenhos feitos por menino com doença rara em AL

Dinheiro arrecadado é usado para custear o tratamento de João Gabriel, que tem Distrofia Muscular de Duchenne, e precisa viajar para dar continuidade ao tratamento.

Por Michelle Farias, G1 AL

Família de João Gabriel vende canecas com desenhos feitos pelo pequeno, para ajudar no tratamento dele — Foto: Michelle Farias/G1 AL
Família de João Gabriel vende canecas com desenhos feitos pelo pequeno, para ajudar no tratamento dele — Foto: Michelle Farias/G1 AL

Correr, pular, jogar bola. Essas são as brincadeiras preferidas dos meninos da idade de João Gabriel, de 9 anos. Mas essas atividades sempre foram difíceis para ele, que tem Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), doença genética degenerativa que afeta meninos e é transmitida pelo cromossomo X, da mãe.

Por causa do tratamento, o menino precisa ser levado a São Paulo a cada seis meses. Como esse é um procedimento caro, a forma que a família encontrou para ajudar nos custos foi começar a vender canecas estampadas com desenhos feitos pelo próprio João que, impossibilitado de brincar como as outras crianças, desenvolveu habilidades com os lápis de cor.

A mãe de João, Flávia Fernanda de Oliveira Aquino, diz que os sintomas começaram a aparecer quando o pequeno dava os primeiros passos.

“Eu e minha irmã ficamos grávidas ao mesmo tempo. E eu acompanhava o desenvolvimento da minha sobrinha. O João andava mais lento, não corria como as crianças que estão aprendendo a andar fazem. Eu levava no médico e eles diziam que era normal, que cada criança tem seu tempo”, afirma.

No dia das crianças de 2016, o comportamento do filho durante uma festa fez com que Flávia decidisse procurar ajuda especializada. “Era uma festa do dia das crianças aqui no condomínio. Todo mundo brincando e o João sem querer brincar, dizia que não conseguia. Eu fiquei muito brava, trouxe João pra casa e assim eu busquei vários médicos”, afirma.

João Gabriel utiliza vários medicamentos para retardar a Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) — Foto: Michelle Farias/G1 AL
João Gabriel utiliza vários medicamentos para retardar a Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) — Foto: Michelle Farias/G1 AL

Depois de procurar profissionais e não conseguir nenhuma resposta, Flávia encontrou uma médica que notou algo de errado no João. Ela pediu novos exames, que levantaram a suspeita de miopatia. Foi quando, então, pediu o exame de DNA, para confirmar se havia alguma doença ligada ao cromossomo.

“O resultado chegou e a médica me ligou. Pedi várias vezes para ela me adiantar e ela não queria. Insisti e ela disse que as suspeitas se confirmavam. Eu comecei a pesquisar e só via o lado ruim da doença. Um mês depois eu decidi ir para a consulta e lá ela me explicou tudo. Foi quando ela falou da cadeira de rodas, ele vai deixar de andar e nenhuma mãe quer ver o filho assim”, afirma.

Flávia pediu demissão do trabalho e decidiu cuidar do filho. “O João é o presente na minha vida e eu vou lutar por ele. Eu não posso mudar o mundo, mas eu posso mudar a história do João”, reforça.

Campanha

Como João não conseguia brincar como as outras crianças, ele começou a desenvolver suas habilidades com desenho. Ainda pequeno, ele sempre pedia para os pais comprarem canetas e papel, e passava horas desenhando.

“Conheci uma amiga na França que tem um filho que tem a doença do gene. Ela participa de um projeto chamado 'Caiu do Céu', onde começou a produzir canecas com os desenhos e pediu uns desenhos de João para estampar lá também. Aqui eu estava fazendo camisas, mas ficamos impressionados com a ideia de produzir canecas para arrecadar dinheiro para o tratamento do João”, diz.

A família começou a selecionar os desenhos e divulgar as imagens para a produção das canecas.

“Mandei um desenho do dinossauro para minha amiga e fez o maior sucesso. Todo mundo quis a caneca do dinossauro”, afirma.

Além do João, outras criança com a síndrome de Duchenne também são beneficiadas pelo Projeto Caiu do Céu, que não tem fins lucrativos e não recebe nenhuma verba do poder público ou privado.

Cada caneca custa R$ 34. Parte da verba arrecadada com a venda é para ajudar as famílias das crianças a custear o tratamento e a outra parte vai para o projeto, para que mais crianças possam ser atendidas (clique aqui para conhecer outros trabalhos do projeto ou acesse o Instagram @caiu.do.ceu).

A família do João afirma que o valor arrecadado ajuda a bancar o tratamento e as viagens para São Paulo, onde ele recebe atendimento médico.

Quem quiser encomendar uma caneca pode entrar em contato com a mãe do João, Flávia, pelo número (82) 98865-0096, ou também no site da campanha.

Família vende canecas para ajudar no tratamento de filho com doença degenerativa — Foto: Michelle Farias/G1
Família vende canecas para ajudar no tratamento de filho com doença degenerativa — Foto: Michelle Farias/G1

Rotina

O dinheiro obtido com a venda das canecas ajuda no tratamento do João, que tem uma rotina bem puxada. Ele precisa ir sempre a médicos e a cada seis meses, vai a São Paulo.

“Ele faz fisioterapia, terapia ocupacional, hidroterapia, vai a oftalmologista, pediatra, cardiologista, pneumologista. Tudo isso é custo e não temos condições financeiras”, diz Flavia.

No mês passado, Flávia e João foram mais uma vez para São Paulo, no Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco. Em uma consulta médica, descobriram que João vai precisar usar um bipap, que um aparelho que infla as vias aéreas superiores de modo a minimizar a apneia.

“O aparelho é caro e não temos condições ainda de comprar nem de alugar. Um aparelho desse custa R$ 5 mil e o aluguel R$ 359 e não temos condições. Ele toma muitos medicamentos, com corticóides, que o único capaz de retardar os efeitos dessa doença. A doença não afeta apenas os músculos, ele desenvolveu problemas pulmonares e cardíacos”, diz.

João faz fisioterapia e terapia ocupacional duas vezes na semana, para aumentar a mobilidade, flexibilidade.

"A maior dificuldade do João hoje é caminhar longas distâncias, então fazemos circuitos de equilíbrio, pega de objetos, e atividades funcionais para que ele não tenha uma perda tão severa dos movimentos. Hoje o João precisa usar um bipap porque ele chega a passar 46 segundos sem oxigenação durante o sono. Então trabalhamos também a fisioterapia respiratória, para retardar os efeitos degenerativos no aparelho respiratório", explica a fisioterapeuta Mirelle Farias.

                 João Gabriel e fisioterapeuta Mirelle Farias e a terapeuta ocupacional Rafaela de Morais — Foto: Ascom/Unimed
João Gabriel e fisioterapeuta Mirelle Farias e a terapeuta ocupacional Rafaela de Morais — Foto: Ascom/Unimed

Fonte: g1.globo.com

Autista se forma em medicina em MT e cria projeto de inclusão em escolas 20 anos após professora dizer que não seria alfabetizado

Enã Rezende nunca reprovou de nenhuma disciplina da faculdade. Projeto 'Autismo nas escolas' busca, com palestras nas escolas, conscientizar crianças e adolescentes sobre o comportamento do autista e a respeitá-lo.

Por Kessillen Lopes*, G1 MT - * Sob a supervisão de Pollyana Araújo

        Enã Rezende, de 26 anos, colou grau no dia 15 de janeiro — Foto: Érica Rezende/ Arquivo pessoal
Enã Rezende, de 26 anos, colou grau no dia 15 de janeiro — Foto: Érica Rezende/ Arquivo pessoal

Vinte anos depois de uma professora dizer que ele não teria condições de ser alfabetizado, Enã Rezende, de 26 anos, que tem autismo, se formou em medicina, neste mês, em Cuiabá. Junto com a mãe, a psicóloga Érica Rezende, 46 anos, ele desenvolve um projeto de inclusão social nas escolas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como autismo.

A iniciativa surgiu no dia 10 de fevereiro de 2017, quando o médico ainda estava na faculdade. A colação de grau dele aconteceu na terça-feira (15).

O objetivo do projeto 'Autismo nas escolas' é que crianças e adolescentes entendam o comportamento de um autista e aprendam a respeitá-lo, com palestras nas escolas.

                            Ã‰rica com os dois filhos — Foto: Érica Rezende/ Arquivo pessoal
                        Érica com os dois filhos — Foto: Érica Rezende/ Arquivo pessoal

A irmã de Enã, de 12 anos, também tem autismo. “Não foi fácil ver Enã e a irmã dele sofrendo preconceito. Quando ele estava na faculdade, aconteceu um episódio que nos marcou muito. Foi a partir desse dia que transformei nossas lágrimas em ‘vinho’ e escrevi o projeto”, contou Érica.

Enã afirmou que sempre sofreu preconceito, principalmente quando ainda estava na escola, devido às dificuldades que ele tinha para se comunicar com os demais alunos.

“Era uma criança considerada diferente e, por isso, as outras crianças me desprezavam e algumas até me batiam. Se o projeto existisse naquela época, teria sido diferente, pois a informação faz a diferença”, ressaltou.

A mãe de Enã avalia que, na maioria das vezes, a exclusão de pessoas autistas na sociedade está relacionada à falta de informação.

“Eu disse a ele: 'Se o autismo é um assunto complexo para as pessoas, precisamos informá-las'. Então nós trabalhamos no desenvolvimento do projeto e toda sexta-feira reservo parte do meu tempo e vou às escolas para falar do assunto”, disse.

                   Família inteira participa do projeto  — Foto: Érica Rezende/ Arquivo pessoal
          Família inteira participa do projeto — Foto: Érica Rezende/ Arquivo pessoal

O programa já passou por mais de 50 escolas em Cuiabá, Rondonópolis, Primavera do Leste, Itiquira, Goiânia e Mineiros (GO) e também para empresas e hospitais do estado. Segundo Érica, a ação tem resultados positivos.

“A partir da conscientização, as pessoas passam a ter uma compreensão melhor sobre o assunto e começam a tratar o autista de uma forma melhor. Com a informação correta, podemos desatar as amarras do preconceito”, pontuou.

Atualmente, Enã se dedica à carreira profissional. No entanto, junto com a família, ele sonha que o projeto seja levado para escolas de todo o país. Para isso, eles criaram um site o qual disponibilizam cartilhas, vídeos e slides sobre o assunto para que outras pessoas possam utilizar o material.

Alfabetização

A família do médico descobriu o autismo quando ele tinha dois anos. No entanto, o diagnóstico exato foi descoberto somente aos 19 anos.

Érica contou que sempre trabalhou a comunicação e a alfabetização do filho e, quando ele completou 6 anos, o matriculou em uma escola.

“A metodologia que a escola oferecia era boa, mas ele não conseguia ser alfabetizado. Ele tinha conhecimento das letras, mas não conseguia fazer a junção para formar as palavras. Foi então que a professora me disse que ele não seria alfabetizado”, contou.

Devido ao problema, Érica disse que o matriculou em outra escola. No entanto, não houve progresso na alfabetização dele.

“Ele já estava com 7 anos e ainda não fazia leitura. Então minha irmã, que trabalha com alfabetização, começou a ensiná-lo do jeito mais tradicional e, em dois meses, ele aprendeu”, disse.

Segundo Érica, não houve mais problemas com o aprendizado de Enã depois da alfabetização.

“Tudo que ensinava, ele aprendia de forma rápida. Nunca mais tive problemas com ele em relação a isso”, ressaltou.

Enã se formou em medicina em uma universidade particular, em Cuiabá, e nunca reprovou de nenhuma disciplina.

Agora, ele se prepara para seguir a carreira de médico no Exército Brasileiro.

Fonte: g1.globo.com