sábado, 9 de março de 2019

Grand Prix de Judô Paralímpico vai abrir temporada de eventos da CBDV

Foto: Tadeu Casqueira/CBDV
Grand Prix de Judô Paralímpico vai abrir temporada de eventos da CBDV
Legenda: atletas perfilados no tatame na abertura do GP 2018, no Rio de Janeiro.

O Grand Prix de Judô Paralímpico vai abrir a temporada de eventos da CBDV em 2019. São esperados 152 atletas de 18 Estados, do Distrito Federal e da Ângola, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, a partir do dia 15 de março. A competição acontece no dia seguinte a partir das 8h30.

Serão realizadas disputas nas categorias Adulto e Iniciante, esta última denominada Copa Antônio Tenório de Judô Paralímpico, em homenagem ao tetracampeão das Paralimpíadas e detentor de outras duas medalhas, prata e bronze.

A campeã mundial Alana Maldonado e a medalhista de bronze Meg Emmerich estão confirmadas no evento. Elas e outras feras da Seleção Brasileira abrilhantam ainda mais as disputas pelo pódio. Os selecionados se apresentaram no CT na última quinta, 7, e ficam até a disputa do GP.

A aproximadamente um ano e meio dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, a competição é uma ótima oportunidade para a comissão técnica observar os atletas e, quem sabe, descobrir novos talentos. Nos últimos anos, muitos judocas que fazem parte da Seleção surgiram em uma etapa do GP, como Alana Maldonado, que apareceu na competição de 2014 e foi medalhista de prata dois anos depois nos Jogos do Rio.

Serviço
Grand Prix de Judô Paralímpico e Copa Antônio Tenório
Data: 16 de março de 2019
Horários:
- Abertura da Copa Antônio Tenório: 8h30
- Competição: 9h
- Premiação: 12h
- Abertura do Grand Prix de Judô Paralímpico: 13h
- Competição: 13h30
- Premiação: 17h
Local: Centro de Treinamento Paralímpico
Endereço: Rodovia dos Imigrantes, Km 11,5 – Vila Guarani/SP
Entrada franca

Fonte: cbdv.org.br

Brasil fatura três ouros em torneio internacional de parataekwondo

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Por CPB

Cada um dos três brasileiros que disputaram o Aberto dos Estados Unidos de Parataekwondo conquistou uma medalha de ouro. O Brasil foi representado por Cristhiane Neves (até 58kg), Débora Menezes (acima de 58kg) e Nathan Torquato (até 61kg). Todos são da classe K44, para deficiência em pelo menos um membro superior. A competição ocorreu na última sexta-feira, 1, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Quatro atletas do parataekwondo já têm vaga nos Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019.

A paulista Débora Menezes sagrou-se campeã ao vencer a turca Nurcihan Ekinci por 14 a 6. Débora, 28 anos, nasceu com uma má formação abaixo do cotovelo direito. A atleta também conquistou a medalha de ouro, da categoria acima de 58kg, no Campeonato Mundial de Parataekwondo, que aconteceu em fevereiro, em Antalya, na Turquia.

Já Cristhiane Neves conquistou sua medalha dourada por derrotar a americana Brianna Salinnaro, por 22 a 4. A brasileira de 32 anos sofreu uma amputação no braço esquerdo, abaixo do cotovelo, devido a um acidente de motocicleta, aos 28 anos. No mês passado, Cristhiane também subiu ao pódio, no Mundial da modalidade, ao faturar a medalha de bronze da categoria até 58kg.

O terceiro ouro brasileiro no Aberto do Estados Unidos foi conquistado por Nathan Torquato. O atleta de 18 anos lutou contra Santana Santana, da Espanha, e venceu por 16 a 9. Nathan nasceu na Praia Grande, litoral paulista, com uma má formação no braço esquerdo. No último torneio, o África Open de Parataekwondo, o paulista também faturou a medalha dourada da categoria até 61kg.

Ao todo, quatro brasileiros têm vaga, pelo parataekwondo, nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, em agosto. Débora Menezes, Cristhiane Neves e Nathan Torquato conquistaram suas vagas por meio do ranking mundial da modalidade. Já Bruno Motta (até 75kg) garantiu sua participação no Peru na etapa classificatória para o Parapan, que ocorreu nesta quinta-feira, 7, na República Dominicana. A modalidade fará sua estreia em Jogos Paralímpicos na edição de Tóquio, em 2020.

Brasileiros disputam Campeonato Americano de Triatlo neste sábado, 9

Marcelo Regua/MPIX/CPB
Imagem

Por CPB

A Seleção Brasileira de triatlo disputará o Campeonato Americano de Paratriatlo, o Pan-Americano da modalidade, neste sábado, 9, em Sarasota, nos Estados Unidos. Esta é a primeira competição da temporada 2019 do calendário da equipe nacional.

Ao todo, 55 atletas estão inscritos, de 10 países. O Brasil será representado por oito triatletas: André Barbieri (classe PTS2), Carlos Rafael (PTS5), Fernando Aranha (PTWC), Ivanildo Vasconcelos (PTWC), Jéssica Ferreira (PTWC), Jorge Fonseca (PTS4), Marcelo Collet (PTS4) e Ronan Cordeiro (PTS5).

A prova consiste em 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida, distância sprint. "O Pan-Americano tem uma boa pontuação para o ranking mundial, é uma das provas mais importantes do primeiro semestre", disse Hilton Lopes, coordenador técnico do paratriatlo na Confederação Brasileira de Triatlo (CBTri).

O triatlo não compõe o programa de provas dos Jogos Parapan-Americano de Lima 2019, no Peru. Neste ano, em junho, será será aberta a temporada de classificação para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, que se encerrará em junho de 2020. O ranking será formado com as três melhores marcas do atleta durante esse período e os oito primeiros colocados de cada classe garantem a vaga para os Jogos de Tóquio.

Fonte: www.cpb.org.br

Mãe pede ajuda para melhorar condições da filha de 1 ano que sofre de doença rara, em Goiânia - Vejam o vídeo.

Com apenas 1 ano, bebê vive acamada por conta de enfermidade. Além disso, mãe está grávida novamente e precisa de auxílio com enxoval.

Por Sílvio Túlio, G1 GO

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Mãe pede ajuda para melhorar condições da filha de 1 ano que sofre de doença rara

A dona de casa Natália Medeiros dos Santos busca ajuda para melhorar a qualidade de vida da filha Kemyelle Natyele Medeiros dos Santos, de apenas 1 ano, que sofre de uma doença rara. A família vive em Goiânia e até conseguiu uma home care - uma UTI domiciliar - pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas ainda precisa de auxílio em várias situações. Ela ainda necessita de um novo enxoval para a outra filha, já que está grávida.

Clique AQUI para ver o vídeo.

Aos sete meses, Kemyelle foi diagnosticada com Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica grave, que causa lesões neurológicas e perda dos movimentos. A criança vive deitada em uma cama.

O que a família diz precisar com mais urgência é de um ar-condicionado, uma vez que a ausência do aparelho pode piorar ainda mais o quadro da bebê.

"[O aparelho serve] para evitar a proliferação de bactérias por ela usa traqueostomia. Toda hora a gente tem que estar aspirando", explica a técnica em enfermagem Nathalya Cristina da Silva Oliveira, que acompanha a bebê.

Mãe pede ajuda para melhorar condições da filha de 1 ano que sofre de doença rara, em Goiânia — Foto: TV Anhanguera/Reprodução
Mãe pede ajuda para melhorar condições da filha de 1 ano que sofre de doença rara, em Goiânia — Foto: TV Anhanguera/Reprodução

Além disso, o quarto da menina precisa de reparos na fiação elétrica para que os aparelhos funcionem corretamente. Roupas de cama também são necessárias.

A família vive com um salário mínimo do marido de Natália, que trabalha como vendedor de malas. Eles tiveram de se mudar para uma casa maior por conta da UTI domiciliar. Por isso, o aluguel, de R$ 650 está atrasado, a conta de luz está perto de vencer e falta até alimentos.

"Mas principal para mim é o quartinho dela, a fiação que não é adequada. E também, se puder me ajudar com as coisas do bebê que está chegando, porque eu não tenho nada”, diz.

A família saiu da Bahia para morar em Goiás em busca de uma vida melhor. Kemyelle já teve duas paradas cardíacas e deixou a mãe preocupada, mas sem perder a esperança.

"Foi um momento horrível, não dava para acreditar, eu não conseguia. Mas em nenhum momento eu perdi a minha fé", afirma.

Fonte: g1.globo.com

Justiça manda Prefeitura retificar edital e suspende provas de concurso público em Osvaldo Cruz

Aplicação estava marcada para o próximo domingo (10). Promotoria apontou a violação de preceitos constitucionais quanto à reserva de vagas para portadores de deficiência.

Por Gelson Netto, G1 Presidente Prudente

Prefeitura de Osvaldo Cruz — Foto: Arquivo/G1
Prefeitura de Osvaldo Cruz — Foto: Arquivo/G1

A Justiça suspendeu a aplicação das provas marcadas para o próximo domingo (10) em concurso público realizado pela Prefeitura de Osvaldo Cruz.

Em liminar, a juíza Dayane Aparecida Rodrigues Mendes, da 1ª Vara Judicial do Fórum da Comarca de Osvaldo Cruz, determinou que a Prefeitura promova a retificação do edital de abertura do concurso público, adequando-o na forma da lei, no prazo de dez dias.

A suspensão das provas marcadas para o dia 10 de março vale até o cumprimento da medida de retificação do edital.

Em ação civil pública ajuizada no Fórum de Osvaldo Cruz, a Promotoria de Justiça alegou que a Prefeitura publicou a abertura do concurso público nº 001/2019 com violação de preceitos constitucionais quanto à reserva de vagas para candidatos portadores de deficiência, especificamente na cláusula 5.2.1, do edital, pois prevê uma forma de cálculo em caso de número fracionado, considerando apenas uma vaga inteira quando a fração for superior a 0,5, o que vale dizer que a vaga para pessoa com deficiência somente aparecerá se houver 20 vagas a serem preenchidas para determinado cargo.

“A regra que assegura a reserva de vagas a deficientes físicos visa dar concretude à garantia de isonomia material. Cuida-se de exceção constitucional fundada em válido fator de discrímen [diferença] a conferir efetivo tratamento isonômico aos participantes de concurso público”, pontuou a juíza Dayane Aparecida Rodrigues Mendes.

“Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, intentando garantir razoabilidade à aplicação do disposto no Decreto 3.298/99 (vide Decreto nº 9.508/2018), entendeu que o citado diploma legal deve ser interpretado conjuntamente com a Lei 8.112/90. Assim, as frações, mencionadas no então art. 37, § 2º, do Decreto 3.298/99 (agora § 3º do artigo 1º do Decreto 9.508/18), deverão ser arredondadas para o primeiro número subsequente, desde que respeitado o limite máximo de 20% das vagas oferecidas no certame”, citou a magistrada

De acordo com o item 5.2.1 do edital, “haja vista a quantidade de vagas inicialmente ofertadas no presente concurso público, não haverá reserva de vagas para candidatos portadores de deficiência. Os candidatos portadores de deficiência aprovados só serão convocados quando a aplicação do percentual de reserva de vagas (5%) sobre o número de vagas abertas para o respectivo cargo público alcançar o índice mínimo de 1 vaga, ou seja, a cada fração de 20 candidatos nomeados, a 20ª vaga será destinada aos portadores de deficiência física ou sensorial, obedecida a sua respectiva ordem de classificação”, e, conforme a liminar, o cálculo, em caso de número fracionado, consideraria apenas uma vaga inteira quando a fração fosse superior a 0,5.

“Diversamente dispõe o Decreto 9.508/2018 não fazendo qualquer restrição quanto ao número fracionado. Apenas assevera em seu § 3º do artigo 1º que, ‘na hipótese de o quantitativo a que se referem os § 1º e § 2º resultar em número fracionado, este será aumentado para o primeiro número inteiro subsequente’. Não há qualquer restrição de 0,5 como fez o edital em seu item 5.2.1”, salientou a juíza ao conceder a liminar que determinou a suspensão da aplicação da prova e a retificação do edital.

Outro lado

Em nota oficial divulgada na tarde desta sexta-feira (8), a Prefeitura de Osvaldo Cruz confirmou que, em virtude da decisão judicial, estão suspensas as provas agendadas para o próximo domingo (10) e que “uma nova data será marcada”.

Segundo a Prefeitura, “os candidatos devem aguardar nova convocação e data para os exames”.

“O edital inicialmente publicado precisará ser retificado, de acordo com a decisão judicial, o que ocorrerá pela empresa contratada a fim da realização do certame, o Instituto Excelência, de Maringá [PR]”, explicou o Poder Executivo.

Ainda na nota oficial, a Prefeitura garantiu que “não haverá prejuízo para os já inscritos”.

O edital prevê oportunidades para os cargos de assistente social, auxiliar de serviços I, dentista, enfermeiro, terapeuta ocupacional, escriturário, médico clínico geral, médico do trabalho, médico ginecologista, médico neurologista, nutricionista, professor de educação básica I (educação infantil) e professor de educação básica I (educação fundamental).

Fonte: g1.globo.com

Jovem com diagnóstico de autismo é formada em medicina em MG: “Batalha vencida”


GABRIELA BANDEIRA

Ana Cecília Domingues Oliveira é formada em medicina pela Universidade Estadual de Montes Claros (MG). A jovem de 27 anos foi incentivada pela família de médicos a fazer o curso e tinha o sonho de se tornar pesquisadora sobre algum tema de seu interesse. Durante a faculdade, no entanto, foi surpreendida com um diagnóstico: autismo leve.

Esta semana o Portal Singularidades apresenta uma série especial com mulheres autistas em diversas fases da vida, para mostrar suas conquistas e sonhos além do espectro.

Mesmo tendo de enfrentar os desafios que o diagnóstico impôs e sem saber direito o que era autismo, seguiu em frente. Em março de 2018, realizou o sonho de concluir a faculdade.

“Foi uma batalha vencida. Sei que muitas outras virão, mas sinto que hoje sou muito mais forte”.

Busca pelo diagnóstico

Com dificuldades de comunicação desde que estudava na escola regular, Cecília conta que a busca pelo diagnóstico teve início quando entrou na faculdade.

“Comunicação e flexibilidade ao ambiente foram exigidos de mim, e eu não apresentava essas capacidades muito bem desenvolvidas. Estava apresentando diversas crises nesse ambiente de universidade. Acabei por desenvolver um quadro de depressão”, lembra.

Na época, um professor do curso chegou a avaliá-la e cogitou um possível quadro de síndrome de Asperger. No entanto, a jovem passou por outros especialistas, inclusive um psiquiatra de Belo Horizonte (MG), que confirmou a suspeita.

Ainda com 22 anos, Cecília afirma que não sabia muito sobre autismo. “Só passei a perceber verdadeiramente quando me explicaram sobre TEA (Transtorno do Espectro Autista). Foi então que passei a estudar muito sobre o assunto. Eu entendia que eu fosse diferente da maioria das pessoas pelo meu jeito de se portar, de ver o mundo, mas não desconfiava sobre autismo”, afirma.

Ela ainda reforça que saber o motivo de ser e se sentir diferente dos outros foi essencial para se conhecer melhor. O parecer médico e as terapias que se seguiram fizeram diferença em sua vida pessoal e profissional. “De início tive dificuldade de me aceitar como eu sou. Minha autoestima era muito baixa, pois não conseguia exercer as atividades da vida pessoal ou acadêmicas da maneira que outras pessoas conseguiam”.

“Apesar das dificuldade de início de diagnóstico, com o tempo e com a terapia passei a me aceitar mais e entender que o diagnóstico foi um fator importantíssimo para me aceitar mais. Passei a entender que aquela era a resposta que faltava em minha vida. Hoje sinto que sou alguém muito mais feliz”.

Enfrentando desafios

O entendimento da própria condição também fez com que Cecília se visse pronta a encarar algumas dificuldades durante o curso. Com sensibilidade aos sons e estímulos, ela conta que tentou se manter longe de comemorações e festas, mas fez questão de participar de todos os eventos antes da formatura.

“Quase sempre ia embora mais cedo dos eventos, antes mesmo de começar em si. Na época da minha festa de formatura já era alguém bem mais adaptada com ajuda das terapias. Fiz questão de participar de todos os eventos. Isso também foi uma grande conquista pra mim. Já que frequentemente eu estaria na minha zona do conforto, com meus assuntos de interesse, sem muitas companhias”, diz.

Ela também teve oportunidade de entrar em contato com outros autistas. As amizades que criou a ajudam a se conhecer. “Ter uma amizade com outra pessoa autista ajudou a me entender melhor e até entender o outro. Acredito que passando a me conhecer melhor através do diagnóstico e entender as relações humanas que ainda me são muito complexas me possibilitou conviver melhor e de forma mais saudável com as outras pessoas”, analisa.

Medicina e sonhos

Embora uma parte do sonho já tenha sido realizada, Cecília agora enfrenta outro desafio – conseguir uma residência em patologia. Para isso, fez uma série de avaliações em 2018 e aguarda a resposta do processo seletivo, que devem ser divulgadas até o fim de março.

“Espero poder conseguir entrar nessa residência esse ano. Tenho boas chances de poder realizar meu objetivo de especializar nessa área e me tornar uma pessoa mais independente realizada no trabalho e pessoalmente também”, conta.

Animada para iniciar a vida como médica, ela ainda fala como se sente sobre possíveis discriminações que possam surgir. Fã da série The Good Doctor, Cecília acompanha a trajetória do médico da ficção com um olhar mais realista.

“Existe essa possibilidade que talvez terei que enfrentar. O pré-conceito existe, e é por isso que temos que lutar duramente para que as pessoas possam conhecer cada vez mais sobre autismo. Assim permitimos que as pessoas com autismo tenham uma vida mais plena. Espero poder conviver bem com a sociedade geral e que ela também possa conviver bem com as diferenças, assim podemos construir um mundo melhor”, afirma.

Em Portugal, especialistas defendem legalização da assistência sexual profissional a deficientes

Os especialistas defendem a regulamentação da assistência sexual a pessoas com deficiência, de modo a acabar com o estigma associado em torno do recurso a profissionais do sexo.


A regulamentação da assistência sexual a pessoas com deficiência, a partir de um debate alargado, é a solução apontada por especialistas para acabar com o estigma em torno do recurso a profissionais do sexo. Raquel Pereira, investigadora da Universidade do Porto, Nuno Teixeira, coordenador regional da Associação para o Planeamento Familiar (APF), e Rui Machado, do Centro Vida Independente, falaram à Lusa sobre a “sexualidade das pessoas com deficiência”, tema em foco no 12.º Salão Erótico do Porto, que vai decorrer até 10 de março, na Exponor, em Matosinhos.

Rui Machado vive na primeira pessoa o problema da deficiência, ainda que o facto de se locomover em cadeira de rodas não lhe retire ânimo nem força para lutar pelo que considera justo, concordando ser a “sexualidade em Portugal uma questão de lei”, mas também “cultural”. Crítico de “um entendimento da deficiência contaminado pelo modelo médico, em que o problema está na pessoa”, defendeu a necessidade de um debate para resolver o problema da sexualidade nas pessoas com deficiência.

“A participação de todos os envolvidos é uma premissa para um trabalho de grande impacto”, enfatiza Rui Machado para quem “a legalização do trabalho sexual era muito importante”, sustentando não “encontrar nenhuma razão em contrário”, num país com um “vazio legal” nessa matéria. Este trabalho, advertiu, deve também “diferenciar muito bem a assistência sexual da prostituição”, sob pena “de não se conseguir ajudar quem precisa”, numa conjuntura em que a não percepção por familiares e cuidadores do desejo sexual do deficiente a cargo “só vai agravar o problema”.

Segundo Rui Machado, o não acompanhamento do desejo sexual da pessoa com diversidade funcional faz com que piore com o passar da idade, num processo a que se juntam casos de indivíduos que não conseguindo “interpretar” as mudanças no seu corpo não sabem como “lidar” com isso. Da parte da APF, Nuno Teixeira apontou na mesma direção, reclamando uma abertura para que o tema possa “ser trabalhado de forma científica” e lembrando que este é um problema transversal à sociedade.

“Na deficiência, orientação sexual ou na identidade sexual, as famílias transportam toda a carga simbólica que a sociedade atribui à diferença e, perante a diferença, reagimos com medo”, apontou Nuno Teixeira, queixando-se que os “cuidadores formais e informais têm muito pouca competência” e que o “habitual é fazer de conta que estas pessoas [deficientes] são assexuadas”.

Defensor do recurso a trabalhadores sexuais para assistir deficientes, disse faltar na sociedade “uma maior discussão sobre todas estas questões”, envolvendo “pais, mães, escolas, as ONGs que trabalham nisto e Estado”, em busca da solução “mais informada e consciente possível”. Raquel Pereira integra o grupo de investigação e sexualidade humana da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto e disse haver hoje um “tabu social menor sentido pelas pessoas com incapacidades físicas“.

“Contudo, o problema continua, pois “as pessoas vão às suas consultas normais, com médicos, e nem sequer lhes é perguntado como está essa parte da sua vida, o que necessitam”, relatou a acadêmica que teve um período de formação na Holanda [no centro de Reabilitação Basalt, em Haia], que lhe permitiu avaliar diferenças entre os dois países.

“Tive a oportunidade de entrevistar profissionais que trabalham em contexto de reabilitação e que são sexólogos, focando a sua intervenção na sexologia” relatou Raquel Pereira de uma realidade “que em Portugal é praticamente inexistente, tirando Alcoitão, onde existe uma consulta da especialidade”, comparou.

E prosseguiu: “lá, explorei um bocadinho quais os desafios à implementação da sexologia em contexto de reabilitação, e para aquelas que já nasceram com algum tipo de incapacidade, e o tabu parece não estar tão presente”. “Existem desafios, sim, mas não tanto em relação à forma como a sexualidade é vista e encarada. Ela parece ser relativamente aceite como parte do cuidado holístico à pessoa”, completou.

Fontes: Observador - tetraplegicos.blogspot.com

Secretária Célia Leão recebe diretor do Memorial da América Latina

   Imagem: Secretária Célia Leão com Raul Juste Lores e Jorge Damião posam para foto


Na tarde desta sexta-feira, 08 de março, a Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Célia Leão, recebeu na sede da Secretaria o diretor presidente do Memorial da América Latina, Jorge Damião, e o diretor-chefe da Veja São Paulo, Raul Juste Lores.

O tema central da audiência foi a possibilidade de viabilizar parcerias e juntar esforços para a inclusão plena das pessoas com deficiência por meio da cultura. De acordo com dados do Censo IBGE, a população com deficiência soma 9,3 milhões no estado de São Paulo.

O Memorial da América Latina foi concebido para ser um espaço de integração e informação dos países latino-americanos, de suas raízes e culturas, e acolhe, também, a sede da Secretaria.

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o Memorial abriga um pavilhão de exposições; uma biblioteca com livros, jornais, revistas, vídeos, filmes e gravações sonoras sobre a história da América Latina; um salão para exposição e um auditório com capacidade para 1.679 pessoas, um dos maiores do Estado.

Todo o complexo é plano e acessível, além disso, conta com piso tátil e maquete acessível à pessoa com deficiência visual.

Abertas inscrições de alunos com deficiência para Jogos Escolares


  Imagem: logotipo dos Jogos Escolares do Estado de São Paulo


A partir do dia 11 de março estão abertas as inscrições de alunos atletas com deficiência física, intelectual ou visual para os Jogos Escolares do Estado de São Paulo. Até 29 de março, alunos das Redes Públicas Estadual, Municipal e Particular, além das Escolas Técnicas Estaduais e Federais podem se inscrever em 11 modalidades.

Os Jogos Escolares no âmbito do paradesporto, têm como objetivo promover por meio da prática esportiva, o intercâmbio entre os alunos, além de favorecer a descoberta de novos talentos esportivos que possam ser indicados para participar dos programas "Bolsa Talento Esportivo" e "Centro de Excelência Esportiva". A ideia é que também fomente a prática esportiva por jovens com deficiência nas escolas.

No total são 11 as modalidades para atletas com deficiência: Atletismo (masculino e feminino); Basquete em Cadeira de Rodas 3 X 3 (masculino); Bocha Paralímpica (misto); Futebol de 5 (Cegos) (masculino); Futebol de 7 (masculino); Goalball (masculino e feminino); Judô (masculino e feminino); Natação (masculino e feminino); Tênis em Cadeira de Rodas (misto); Tênis de Mesa (masculino e feminino); Voleibol Sentado (misto). Cada aluno pode ser inscrito em duas modalidades.

As inscrições dos alunos com deficiência física, intelectual ou visual deverão ser realizadas dentro do prazo de 11 a 29 de Março de 2019, por meio de cadastro, realizado no link: http://bit.ly/JogosEscolares2019

Os jogos também selecionam alunos com deficiência para as Paralimpíadas Escolares.


SERVIÇO
Inscrições para alunos com deficiência nos Jogos Escolares 2019
Ficha de Inscrição: http://bit.ly/JogosEscolares2019
Prazo: de 11 a 29 de março

Mulheres com deficiência. Homenagem ao Dia Internacional da Mulher - Vejam o vídeo

Mulheres com deficiência. Homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

por Ricardo Shimosakai

De acordo com o Censo de 2010 do IBGE, a população brasileira ultrapassou os 190 milhões de pessoas, dentre elas a maioria é do sexo feminino, com 51%, e também são a maioria nas universidades representando 57%. Dentro dessa enorme população, que é  a quinta maior do mundo, 45,6 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência no Brasil e destas, 25,8 milhões são mulheres.
Numa época onde a inclusão e a igualdade são amplamente reivindicados, se refletirmos melhor, há coisas que só cabe à mulher. A maternidade é a mais representativa delas, pois só a mulher pode gerar uma nova vida. Ser mãe é transformador, e ser uma mãe com deficiência vem carregado de significados e desafios.
O que era praticamente um bordão no passado, o “sexo frágil” atualmente se fortaleceu e agora exige seus direitos. Um símbolo dessa nova mulher é Maria da Penha, que ficou conhecida por lutar contra a agressão, de qualquer tipo, por parte dos homens que tratavam o sexo oposto como um objeto. Por conta desse pensamento, Maria da Penha acabou sendo agredida e ficando paraplégica.
Apesar desse movimento ter surgido faz pouco tempo, podemos encontrar no passado mulheres de força, que já trabalhavam para serem ouvidas, numa época muito mais difícil, e sem contar com o fato de serem mulheres, ainda possuíam algum tipo de deficiência. Anne Sullivan é um exemplo, além de surda também era cega. Toda essa impressionante determinação serviu de inspiração para criar o filme “O milagre de Anne Sullivan”.
Já é muito comum encontrar mulheres em importantes cargos, presentes em lugares onde a figura masculina era predominante. Mulheres antigamente eram basicamente empregadas, mas hoje em dia muitas já são empreendedoras. Collette Divitto é uma jovem com Síndrome de Down, que era rejeitada quando procurava emprego. Cansada disso, ela virou o jogo e criou seu próprio negócio, uma loja de biscoitos que agora emprega várias outras pessoas.




Startup brasileira de educação para surdos é finalista de prêmio internacional de tecnologia para ensino

A plataforma online de educação e capacitação para pessoas surdas, em Libras (língua brasileira de sinais) e com legendas, não tem concorrentes no Brasil ou no mundo. Conteúdo é quase todo desenvolvido pela comunidade surda.

Por Fabrício Vitorino, G1

Startup brasileira de educação para surdos é finalista do mais importante prêmio de tecnologia para ensino do mundo — Foto: Marcos Gama e Darley Goulart
Startup brasileira de educação para surdos é finalista do mais importante prêmio de tecnologia para ensino do mundo — Foto: Marcos Gama e Darley Goulart

A startup brasileira Signa, que oferece uma plataforma de educação online para surdos, é uma das 30 finalistas do Prêmio Next Billion Edtech, que será realizado em 23 e 24 de abril, em Dubai, durante o Global Education & Skill Forum. Os três primeiros colocados levam US$ 25 mil, e serão escolhidos por um júri composto por investidores, educadores e especialistas em "edtech" –tecnologia educacional – de todo o mundo.

“Foi uma surpresa, não estava no nosso radar”, diz Fabíola Rocha, co-fundadora e diretora geral da Signa, que tem sede em Florianópolis, SC. Para ela, a empresa atendeu a dois pontos importantes da premiação: trabalhar com educação e impactar pessoas que tenham dificuldade de ter acesso – seja por problemas financeiros ou por dificuldades “operacionais”. “No nosso caso, trabalhamos com surdos que não necessariamente não tenham dinheiro. Mas não existe oferta de produtos e serviços para eles”, diz a diretora.

A plataforma online de educação e capacitação para pessoas surdas, em Libras (língua brasileira de sinais) e com legendas, não tem concorrentes no Brasil, e mesmo no mundo. E o conteúdo é feito praticamente todo pela comunidade surda – seja produzido pela própria Signa, seja pela comunidade, de uma forma similar ao YouTube, por exemplo.

“Nós temos muitos surdos no Brasil que são formados e sabem muito bem Libras, têm experiência muito grande em alguma área específica, e que têm total potencial para produzir conteúdo. Ainda assim, nós fazíamos muita coisa 'em casa’”, lembra Fabíola. Mas a estratégia esbarrava no gargalo da alta demanda e da equipe reduzida. Foi aí que surgiu a ideia de criar um “marketplace”, ou seja, capacitar a comunidade surda para produzir conteúdo – e ganhar uma comissão por isso.

“Decidimos produzir um material ensinando tudo sobre como fazer cursos online, da ementa até o final. E aí a gente oferece isso para a comunidade surda para que eles possam produzir seu próprio curso e, ao final, ter a possibilidade de colocar seu conteúdo dentro da Signa”, conta Fabíola.

A diretora lembra ainda que o “marketplace” da Signa é o primeiro passo para uma internacionalização do serviço. “Imagine que teríamos que produzir conteúdo em outra língua sinais, para os EUA, por exemplo – afinal, eles não usam Libras. Seria muito complexo pensar tudo do zero. Assim, nós chegamos para a comunidade, mostramos que eles podem produzir e isso se torna viável em um tempo menor”.

Uma das startups vencedoras do Prêmio Next Billion Edtech de 2018 foi a Chatterbox, que oferece cursos de idiomas através de uma plataforma de baixo consumo de banda - e com aulas oferecidas por refugiados. Isso mostra que, além da tecnologia e da proposta educacional, a inclusão social tem papel fundamental na escolha dos jurados. E essa é uma das missões da Signa, diz Fabíola.

"A gente traz pessoas surdas pra equipe, e não faria sentido preparar os surdos para o mercado, mas não trazê-los para a gente. Damos cursos de Libras para todos na empresa. E, como fazemos reuniões diárias, é muito interessante ver como essa integração acontece. Para a gente, é uma experiência muito legal, que mudou muito a motivação da equipe”.

Fabíola Rocha, co-fundadora e diretora geral da Signa, que tem sede em Florianópolis, SC — Foto: Marcos Gama e Darley Goulart
Fabíola Rocha, co-fundadora e diretora geral da Signa, que tem sede em Florianópolis, SC — Foto: Marcos Gama e Darley Goulart

Segundo o Censo de 2010 realizado pelo IBGE, 9,7 milhões de pessoas têm deficiência auditiva. Pouca gente sabe, mas a Libras é uma das línguas oficiais do Brasil desde 2002 - tendo o mesmo status que o português. Mas engana-se quem pensa que é apenas uma transcrição gestual de nosso idioma.

A Libras uma língua com estrutura gramatical própria e com organização das informações é totalmente diferente do português. Por isso, a língua de sinais utilizada em Portugal (LGP) é um sistema completamente diferente do nosso - assim como a usada nos Estados Unidos (ASL). E um dado curioso: 80% dos surdos do mundo são analfabetos nas línguas escritas. Ou seja, boa parte da comunidade é alfabetizada em Libras - e sequer entende o português.

“Tem surdos que não sabem escrever, que é o caso do meu pai, que nunca foi educado no português. Ele usa Libras, que é seu meio de comunicação. Tem surdos que sabem um pouco das duas línguas, e tem surdos que não sabem Libras: só sabem o português. Dá para imaginar a complexidade de criar uma plataforma para a comunidade?’, diz Fabíola, que é uma “Coda”, sigla em inglês para “filho de um adulto surdo” (child of a deaf adult).

A Signa vai apresentar seu projeto no Global Education & Skills Forum (um “pitch”, no jargão das startups). Mas, no anúncio final, serão chamados ao palco principal apenas seis startups, e dentre elas as três melhores serão premiadas com US$ 25 mil. O grande vencedor também receberá o troféu do Prêmio Next Billion.

As 30 startups selecionadas para a final do Prêmio Next Billion são: Talk2U, OxEd, Whetu, Signa, SimBi, Moi Social Learning, Kuwala, Etudesk, PraxiLabs, Langbot, Seppo, Lesson App, Eneza, Aveti Learning Pvt. Ltd., Utter, Dost, Solve Education, M-Shule, eLimu, Wizenoze Ltd, ScholarX, Sabaq, Silabuz, Zelda, MTabe, Ubongo, Fineazy, TeachPitch, Big Picture Learning/Imblaze e Augmented Learning.

Fonte: g1.globo.com

sexta-feira, 8 de março de 2019

"Se eu tivesse tido a opção de escolher um aborto tardio, eu teria feito? Sim, cem vezes, sim", diz vítima de estupro

A americana Dina Zirlott, 31, conta detalhes do estupro que sofreu quando era jovem e mais, a gravidez inesperada e a condição de saúde de sua bebê, que morreu com pouco mais de um ano de vida

Por Crescer online

Dina e a pequena Zoe em 2017 (Foto: Arquivo pessoal)
Dina e a pequena Zoe em 2017 (Foto: Arquivo pessoal)

O que você faria se ficasse grávida após um episódio de estupro? Teria o bebê? Optaria por fazer um aborto? Hoje, no Brasil, interromper a gravidez em caso de estupro não é crime. Nesse caso, a vítima tem o direito de fazer sua escolha. Mas independentemente das leis de cada país, o assunto ainda é polêmico no mundo todo.

No entanto, uma americana resolveu trazer a tona sua história na tentativa de conscientizar as pessoas: é uma espécie de convite à reflexão. Dina Zirlott, 31, moradora de Mobile, no estado americano do Alabama, é casada e mão de três filhas. Ela adora fazer bolos e passa a maior parte do tempo em casa. No entanto, por trás dessa rotina pacata, esconde um passado dolorido e bastante perturbador. Veja o relato que ela publicou no site Huffpost sobre o estupro que sofreu quando ainda era jovem e todas as consequências que se deram depois disso.

Dina Zirlott: estupro e gravidez na adolescência

"Fui estuprada quando tinha 17 anos. Não me lembro da cor do céu quando acordei na manhã em que fui estuprada, ou o que fiz nas horas que antecederam. Em vez disso, lembro-me disso: um menino da escola que eu achava que era um amigo. Eu o convidei para a minha casa para assistir a um filme. Sua mão roçou minha perna. Quando pedi a ele para parar, tudo o que ele disse foi: 'Eu não quero'. Eu pensei que se eu me levantasse, isso iria difundir a tensão e certamente ele não me seguiria em minha própria casa. Eu fui para a cozinha pegar um pouco de água. Eu me lembro dele pressionando atrás de mim contra o balcão da cozinha, tirando o fôlego de mim. Sua mão sobre a minha boca se transformou em uma mão ao redor da minha garganta. O som de uma costura rasgando, a borda do balcão raspando minha barriga, minhas mãos escorregando contra o granito.

Eu lutei, tentei me afastar, e um ruído miserável arrancou do meu peito quando a mão se contraiu até que eu comecei a desmaiar. Eu parei de lutar. Além de um fragmento, eu fiquei imóvel. Eu estava fora de mim, observando-me - meu corpo estava curvado lá e tudo o que estava acontecendo com ele foi acontecendo sem mim. Não me lembro dele saindo da minha casa. Eu vagamente me lembro de me ajoelhar e limpar manchas de sangue do piso branco do chão da cozinha. Minha mente estava operando em algum nível além da autoconsciência. Nunca me ocorreu guardar minhas roupas ou acordar minha mãe, chamar a polícia ou procurar ajuda de qualquer maneira. Eu não era capaz de processar o que aconteceu. Eu deitei na minha cama, tentei envolver meus braços em volta de mim, mas não pude suportar ser tocada - nem mesmo por minhas próprias mãos. Eu me perguntei se eu era capaz de me afogar em nossa piscina. Eu me imaginei afundando, olhando para cima e abrindo minha boca.

Eu era uma estudante de honra no ensino médio, uma líder de torcida do time do colégio, e eu cantei no coral do show. Havia expectativas que eu tinha estabelecido para mim - um excesso de possibilidades que eu queria tocar e explorar. Três meses depois do estupro, minhas notas despencaram. Eu parei o time de líderes de torcida. Comecei a ficar doente e faltar à escola. Eu perdi peso. Eu estava ativamente suicida e fazendo planos. Foi quase oito meses depois que minha mãe encontrou um livro sobre recuperação após estupro embrulhado em jornal debaixo da minha cama. Ela chorou e se desculpou, contando todos os sinais que eu mostrei nos últimos meses.

A descoberta da gravidez

Quando pensei que não poderia ser pior, que não havia nada abaixo disso, minha mãe me levou ao seu ginecologista para me fazer o teste de DST e gravidez. Apenas o de gravidez voltou positivo. Eu estava tão mentalmente instável nos meses que se seguiram ao meu estupro, minha mente arrancada do meu corpo e nunca me ocorreu que a doença que eu estava sentindo nesses meses pudesse ter uma origem. Eu estava frágil. Meu estômago estava quase inchado. A enfermeira olhou para longe de mim e revirou os olhos. 'Você sabe quem é o pai?' Sua voz era plana. 'Eu fui estuprada', eu disse a ela enquanto observava a caneta parar de se mover entre os dedos. Minha mãe voltou comigo para o ultrassom. Eu estava com tanto medo de olhar para a tela do sonografista e ser confrontado com evidências inegáveis. 'Você quer saber o que é?', Perguntou o técnico. Eu devo ter dito sim, porque ela deu um tapinha no meu braço e disse: 'É uma menina'. Ela ficou em silêncio logo depois. O técnico limpou meu estômago e nos pediu para segui-lo em uma sala de conferências. Nós duas sabíamos, então, que algo terrível estava prestes a acontecer.

O médico veio até nós e espalhou as imagens de ultra-som pela mesa. Ele apontou para a escuridão onde a matéria cinzenta do cérebro deveria estar. Ele o chamou de hidranencefalia, um defeito congênito no qual o cérebro não desenvolve nem o hemisfério cerebral, mas sim o líquido cefalorraquidiano. O feto continuou a experimentar desenvolvimento porque o tronco cerebral ainda estava intacto, mas ela nasceria cega, surda, com atraso cognitivo, propensão a convulsões, diabetes insípido, insônia, hipotermia e muito mais. A lista de todos os distúrbios agonizantes que ela sofreria era tremenda. 'Essa condição não é compatível com a vida', disse ele com o tipo de neutralidade que alguém usa quando é espectador do desastre. Uma existência curta e dolorosa. Eu pensei que era minha culpa e que eu tinha feito isso com ela. Ninguém poderia me convencer do contrário.

Minha mãe perguntou quais eram nossas opções, mas eu já estava com oito meses e teria que ver essa gravidez até o fim. Na época, abortos eram permitidos no Alabama até o estágio de viabilidade fetal, geralmente entre 24 e 26 semanas de gestação. Já era tarde demais para mim. As palavras que me vieram à mente eram 'cruéis' e 'desumanas'. Eu já havia sofrido um trauma. Isso não foi suficiente? Eu era tão frágil, pendurada na minha vida por um fio, desesperada por algum senso de normalidade.

Eu saí da escola na segunda semana do meu último ano. Às vezes eu via meu violador nos corredores lotados - ele estava em todos os lugares que eu olhava, mesmo que ele não estivesse realmente lá. Minha mãe e meu padrasto perguntaram se eu queria denunciá-lo, mas não conseguia imaginar o confronto daquela noite em frente a um quarto de estranhos. Eu não era forte o suficiente e não pude sobreviver à dissecação no tribunal.

A luta da pequena Zoe

A primeira mamadeira de Zoe em casa (Foto: Arquivo pessoal)
A primeira mamadeira de Zoe em casa (Foto: Arquivo pessoal)

Minha filha nasceu em 27 de outubro de 2005. Eu a chamei de Zoe Lily. Eu não queria tocá-la a princípio, convencida de que causaria mais dor a ela. Eu temia que ela morresse em meus braços, com medo de que eu olhasse para ela e sentisse o mesmo desgosto que sentia por mim mesma. As funções mais básicas de seu corpo estavam sendo controladas por seu tronco cerebral, mas era isso. Seria uma gentileza, explicou, deixá-la confortável e deixá-la ir em paz. Lembro-me de me enrolar na maternidade, aos 18 anos, retraumatizada e relembrando o ataque, paralisada pela indecisão. Meu leite chegou e fiquei furiosa - parecia uma piada cruel. Eu não podia imaginar como isso iria evoluir ao longo de um ano, como eu poderia estar tão cheia de amor por essa criança e também gostaria que ela nunca tivesse nascido.

Nós levamos Zoe para casa. Nós a levamos para casa sabendo muito bem que ela morreria lá. Por um ano minha família a amou. Nós descobrimos como alimentá-la com uma mamadeira. Demorou duas horas para ela terminar uma garrafa. Nós a seguramos em incontáveis ​​noites sem dormir porque seu corpo não conseguia metabolizar os hormônios do sono. Ela trancava convulsões tônicas, grandes olhos azuis empurrando para um lado. Ela ficava rígida deitada ao meu lado, e eu a juntava em meus braços, meu nariz em seus cabelos, tentando memorizar o cheiro suave dela. Às vezes eu esperava que ela ficasse quieta, que seu coração parasse, para que ela ficasse livre do sofrimento. Eu implorei por isso e temi em igual medida. Nós a envolvemos em cobertores elétricos no meio do verão do Alabama porque ela não conseguia regular sua própria temperatura. Passamos todas as grandes férias no hospital naquele ano.

O momento da partida

Entre tudo isso, comecei a faculdade na universidade local. Eu estava dentro e fora das aulas para levar Zoe para consultas médicas, para revezar com a minha mãe para que ela pudesse ir trabalhar. Eu me inscrevi no programa de enfermagem porque fazia mais sentido na época, dada a situação. Eu fiz um amigo, que dois anos depois se tornaria meu marido. Minha vida estava em uma espiral, mas eu senti como se tivesse um pouco de controle sobre isso. Na Páscoa, estávamos de volta ao hospital com uma infecção do trato urinário, proteinúria, febre incontrolável, e o pediatra nos disse para nos prepararmos, que era assim que o final parecia. Fomos mandados para casa quando Zoe foi considerada estável.

Ao contrário do dia do meu ataque, lembro-me do dia em que Zoe morreu com clareza brutal. Ela estava tendo convulsões a noite toda. Isso não era incomum, mas minha mãe e eu concordamos em levá-la ao pronto-socorro ao amanhecer para começar a investigação. Era a semana dos testes de meio de aula, e nós concordamos que eu não deveria pular, especialmente porque eles provavelmente não estariam de volta à triagem até depois de eu terminar. Eu poderia encontrá-las mais tarde. Eu beijei a bochecha de Zoe.

A pequena Zoe no Natal, em casa (Foto: Arquivo pessoal)
A pequena Zoe no Natal, em casa (Foto: Arquivo pessoal)

Eu estava no meio de escrever um e-mail para o meu professor de inglês explicando que eu tinha uma emergência familiar e não faria a aula da noite. Minha mãe não estava atendendo ao telefone, e lembro-me claramente de pensar: 'talvez seja isso, e uma parte terrível de mim ficou aliviada com o pensamento'. Nada pode prepará-la para perder um filho, mesmo quando você sabe que está chegando. Minha melhor amiga entrou pela porta da casa da minha família. 'Precisamos ir ao hospital. Zoe acabou de morrer', disse. Eu caí no chão. Parecia a única coisa a fazer. Eu fiquei lá chorando, e assim como foi durante o meu ataque, eu não estava mais no meu corpo. Seu coração parou. Ela morreu nos braços do meu padrasto. Eu não consegui olhar para ela na morte. Eu também me senti como uma casca.

Em casa, colocamos todas as coisas dela fora de vista. Eu segurei o pijama dela em minhas mãos e senti tanta vacuidade. Eu só queria enfiar as meias nos pés minúsculos mais uma vez, beijar as mãos dela. Nós a enterramos com os cobertores que ela nunca poderia ser separada. Eu queria me deitar ao lado dela. Eu queria que tudo acabasse. Como eu deveria continuar? A tristeza está consumindo até agora. Isso me atrapalhou inúmeras vezes nos 12 anos desde sua morte. Estou em pedaços. Uma parte de mim ainda está lá, limpando o sangue do azulejo branco.

E se pudéssemos escolher?

                      Dina com o marido e as três filhas Aine (7), Ariadne (5) e Asher (3) (Foto: Arquivo pessoal)
Dina com o marido e as três filhas Aine (7),  Ariadne (5) e Asher (3) (Foto: Arquivo pessoal)

Eu tenho três filhas agora, e eu as amo com o tipo de ferocidade que pode me sufocar às vezes. Mas eu estaria mentindo se dissesse que não luto o que foi tirado de mim. Eu sofro com a pessoa que eu poderia ter me tornado se não fosse uma jovem vítima, uma jovem mãe, forçada a uma circunstância inimaginável, semeada por traumas compostos. Aquela garota também não merecia misericórdia? Sua vida era menos importante? Não deveria ter sido assim. Se eu tivesse tido a opção de escolher um “aborto tardio”, eu teria? Sim. Cem vezes, sim. Teria sido uma gentileza. Zoe não teria que suportar tanta dor na brevidade de sua vida. Seu coração poderia ter parado quando ela estivesse quente e segura dentro de mim, e ela teria sido poupada de tudo o que veio depois. Talvez eu pudesse ter sido poupada também.

Por que estou escrevendo isso? Depois de 12 anos carregando todos esses segredos na minha garganta, talvez tenha me cansado. Fica tão cansativo - toda a capitulação, toda a hemorragia que tenho feito em silêncio. Por que eu deveria continuar a me resignar a esse silêncio quando minhas palavras pudessem chegar mais longe do que minhas mãos jamais poderiam? Esses são nossos corpos e nossas vidas, e tão raramente pedimos as circunstâncias que comandam o peso dessas decisões críticas, mas essas escolhas são nossas. Não devemos pedir permissão para decidir o que é melhor para nós e para nossos filhos, mesmo aqueles que nunca nasceram - e talvez nunca devam nascer.

Adolescente junta dinheiro por dois anos para comprar cadeira de rodas para amigo

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Brandon Qualls se emocionou ao receber o presente do amigo, Tanner Wilson

O adolescente norteamericano Tanner Wilson, do Arksansas, trabalhou por dois anos em um emprego de meio-período para comprar uma cadeira de rodas elétrica para seu amigo do ensino médio, Brandon Qualls, após perceber que ele estava com muita dificuldade para se locomover em uma cadeira manual.

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Meus braços ficavam muito doloridos e eu precisava parar o tempo todo para descansar”, contou Brandon ao site Daily Mail. Sendo assim, Tanner começou a economizar para comprar uma cadeira de rodas que facilitasse a vida do amigo. “Ele é um ótimo amigo e eu queria lhe fazer um favor”, disse.

Quando Tanner enfim entregou o presente para Qualls, durante as aulas, os adolescentes foram dominados pelas emoções. “Ele veio e eu explodi em lágrimas. Eu estava tipo ‘Uau, não consigo acreditar que ele fez isso por mim!'”, contou Brandon.

Os professores da Caddo Hills High, escola em que estudam os adolescentes, ficaram orgulhosos com o gesto e dizem que esse comportamento é típico de Tanner. “Ele gosta de cuidar e ajudar os outros, é um ótimo rapaz”, disse a professora Kathy Baker.

Fontes: (Deficiente Ciente - via Daily Mail)  tvtecjundiai.com.br


Fogaça se emociona ao ver filha, que sofre com doença rara, andar - Vejam o vídeo

Olivia, de 12 anos, tem um tipo de epilepsia e precisa da ajuda de aparelhos

Por Da Redação

(@henrique_fogaca74/Reprodução/Instagram)

Henrique Fogaça, chef e jurado do Masterchef, começou o feriado de Carnaval com fortes emoções. Na terça-feira (26), ele compartilhou em seu Instagram cenas dos primeiros passos de sua filha, Olivia.

“Que emoção, que benção, que felicidade em ver minha Olivia aprendendo a andar. Deus maravilhoso no comando!”, escreveu na legenda do vídeo. Nele, é possível ver a pequena caminhando com a ajuda de um aparelho.

Clique AQUI para ver o vídeo.

Olivia, de 12 anos, tem tipo raro de epilepsia, doença que perturba a atividade das células nervosas no cérebro, causando convulsões. A condição dela é chamada de fármaco-resistente, ou seja, não responde aos medicamentos. O diagnóstico não é conclusivo.

De acordo com o chef, a doença da filha surgiu quando ela ainda era um bebê. Em entrevista ao site Bebê.com, da Editora Abril, ele diz que as crises frequentes impactaram o desenvolvimento da filha.

“Descobrimos logo no primeiro mês, quando ela teve que passar um mês internada em observação, que ela era diferente”, relembrou. “Ela tem hipotonia, que é a fraqueza muscular, e dificuldades de deglutição”, explicou.

O chef tem mais dois filhos, João, de 10 anos, e Maria, de 3. Confira o vídeo gravado pelo pai orgulhoso: