sábado, 4 de maio de 2019

Wings for Life, uma corrida diferente em que a causa é mais importante do que a vitória - Veja o vídeo

Pai e filho, que tem paralisia cerebral, são alguns dos milhares de participantes do evento

Por Flávia Ribeiro — Rio de Janeiro

Rodrigo e Gabriel ao lado do paratleta Fernando Fernandes, embaixador do evento no Brasil, pouco antes da largada da Wings for Life do ano passado — Foto: Acervo Pessoal
Rodrigo e Gabriel ao lado do paratleta Fernando Fernandes, embaixador do evento no Brasil, pouco antes da largada da Wings for Life do ano passado — Foto: Acervo Pessoal

Em 2015, o engenheiro elétrico Rodrigo Silva Rocha conheceu a equipe de jornalistas do Eu Atleta após participar de uma corrida curta com seu filho, Gabriel, então com 13 anos. Foi quando soube pelos repórteres que, em breve, aconteceria uma prova que tinha tudo a ver com a sua história e a de Gabriel. O menino, agora com 17 anos, nasceu com graves restrições de movimento por causa de uma paralisia cerebral, resultado de falta de oxigenação durante a gestação. Naquele ano, então, a dupla participou de sua primeira Wings for Life World Run, corrida de rua que acontece em simultaneamente em mais de 70 países e que tem como objetivo a arrecadação de recursos para pesquisas relacionadas à cura de lesões da medula espinhal.

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Rodrigo e Gabriel, que estarão na Wings for Life, participaram de uma prova de triatlo em março

Neste domingo, 5 de maio, Rodrigo e Gabriel participarão mais uma vez da prova, que terá sua largada às 8h (horário de Brasília) no Rio de Janeiro. Dessa vez, pai e filho não correrão sozinhos. Há cerca de um ano, os dois uniram-se a outros familiares de cadeirantes para criar o Correndo por Eles, projeto que incentiva a formação de duplas entre pais, mães, irmãos e outros parentes próximos com o membro da família com necessidades especiais, para correrem juntos.

Clique AQUI para ver o vídeo

- Vão ser mais de 20 triciclos empurrados por familiares no Rio de Janeiro. E não é só fazer essa prova e acabou. A gente estimula que haja todo um programa de treinamentos conjuntos e vários eventos no ano para que as famílias saiam juntas de casa – diz Rodrigo, lembrando que participou da Wings for Life duas vezes em Brasília (2015 e 2017) e uma no Rio de Janeiro, no ano passado.

- Comecei a correr por ele e só corro por ele. Porque isso é dar algo a mais para o Gabriel, é uma forma de tirar mais um sorriso dele. Meu filho fica ansioso e animado antes de cada prova. Através do esporte, ele conseguiu muitos amigos, conquistou respeito, tornou-se um exemplo para outros jovens e suas famílias

Largada da Wings for Life de 2018: a prova arrecada recursos para pesquisas relacionadas à cura de lesões da medula espinhal — Foto: Divulgação/Marcelo Maragni
Largada da Wings for Life de 2018: a prova arrecada recursos para pesquisas relacionadas à cura de lesões da medula espinhal — Foto: Divulgação/Marcelo Maragni

O curioso da Wings for Life, criada em 2014, é que ela não tem linha de chegada. Os competidores de todo o mundo largam ao mesmo tempo e seguem, cada um na sua cidade, um circuito predeterminado. Um carro chamado catcher car larga meia hora depois. Quando o catcher car ultrapassa um participante, a corrida acaba para ele, e o último a ser alcançado é o vencedor. Até isso acontecer, o corredor pode dar várias voltas em torno do circuito. Em 2017, por exemplo, o sueco cadeirante Aron Anderson chegou a percorreu 92,14km nos Emirados Árabes Unidos antes de ser alcançado, estabelecendo um recorde que os corredores convencionais participantes ainda não conseguiram bater.

Quem não estiver no Rio ou em outra cidade do mundo onde haja um circuito da Wings for Life tem a opção de baixar o app do evento, se inscrever e correr seu próprio percurso, individualmente ou em equipe, sendo perseguido por um catcher car virtual. Isso permite que mais pessoas se unam à causa, que só no ano passado arrecadou 3 milhões de euros (ou cerca de R$ 13 milhões, segundo a cotação desta sexta-feira, 3 de maio) através das taxas de inscrição e de doações.

– Toda corrida é importante para a gente. Mas a Wings é diferente porque ela destina todo o dinheiro arrecadado para pesquisas que podem ajudar pessoas que, como o meu filho, não podem correr sozinhas. É algo fundamental para mim – afirma Rodrigo.

Não só para ele. Desde a primeira edição, em 2014, o Wings for Life tem atraído milhares de anônimos e um bom número de famosos tocados pela causa. No ano passado, cem mil pessoas correram em todo o mundo, quatro mil delas no Brasil. Este ano, a expectativa é de que esse número seja superado.

No Rio de Janeiro, num circuito que vai do Posto 12, no Leblon, até a Catedral Metropolitana, atletas de várias modalidades já confirmaram presença, como os surfistas Carlos Burle e Lucas Fink, o jogador de futevôlei Bruno Barros e a jogadora de vôlei de praia Duda Lisboa, que trocarão o mar e a areia pelo asfalto. Youtuber especialista em Fortnite, Flakes Power sairá da frente do computador para participar da prova, que contará também com o piloto de piloto de hard enduro Bruno Crivilin, o escalador Felipe Camargo, o ciclista Henrique Avancini e o triatleta Igor Amorelli. O embaixador do evento no Brasil é o ex-BBB e tetracampeão mundial de paracanoagem, Fernando Fernandes.

José Eraldo de Lima venceu a prova brasileira no ano passado e, como prêmio, vai disputar a deste ano em Munique, na Alemanha — Foto: Divulgação/Fabio Piva
José Eraldo de Lima venceu a prova brasileira no ano passado e, como prêmio, vai disputar a deste ano em Munique, na Alemanha — Foto: Divulgação/Fabio Piva

Há apenas um vencedor final no mundo, o último a ser alcançado. Mas os primeiros colocados das categorias feminina e masculina de cada país em que houver a corrida física também são premiados, recebendo um troféu e uma viagem, com acompanhante, para disputar a prova em qualquer país em que ela aconteça no ano seguinte. O brasileiro José Eraldo de Lima, que no ano passado só foi alcançado depois de 63,71km, a 12ª colocação global, este ano vai correr em Munique, na Alemanha.

Para Rodrigo e Gabriel, a Wings for Life tem um clima incomparável, que incentiva a sonhar e tentar coisas novas, vencendo ou não a prova. Tanto que eles se animaram a enfrentar outros desafios desde a primeira edição de que participaram. No ano passado, por exemplo, correram tanto os 21km da Meia Maratona do Rio, no sábado, quanto os 42km da Maratona, no dia seguinte, feito que planejam repetir esse ano, nos dias 22 e 23 de junho. Além disso, em março disputaram seu primeiro triatlo.

- Fizemos um triciclo adaptado para ser puxado por uma bicicleta. Então eu o empurrei nos 5 km de corrida e puxei, pedalando, nos 21km de ciclismo. Na hora da natação, Gabriel ficou num bote que tinha uma corda. Eu amarrei na cintura e nadei os 750m levando ele – conta Rodrigo, já planejando um Ironman. – Sei que vou conseguir. Mas meus pensamentos, no momento, estão na Wings for Life.

Serviço - Wings For Life World Run
Data: 05 de maio de 2019.
Horário da largada: 8h (horário de Brasília).
Local da largada: Leblon, Posto 12, Rio de Janeiro.
Valor da inscrição: R$130,00.
Inscrições: As inscrições online para a corrida do Rio de Janeiro já terminaram. Mas ainda é possível inscrever-se presencialmente no Audi Center Botafogo (Rua da Passagem, 175), nas seguintes datas e horários: 03/05, das 10h30 às 19h; e 04/05, das 10h às 21h. Os kits devem ser retirados no mesmo local, entre 10h30 e 19h30 do dia 3 e entre 10h e 20h do dia 4.
As inscrições pelo app, para corridas em outras cidades, podem ser feitas a qualquer momento, antes do horário da largada.

Doações: É possível doar através do site.

Projeto oferece acesso à cultura para pessoas com deficiência em Curitiba

Objetivo do Programa Educativo Gente Arteira é qualificar o acesso dos visitantes à arte, especialmente das exposições em cartaz nas galerias.

Por G1 PR

Projeto Educativo Gente Arteira promove acesso à arte para todos os públicos  — Foto: Divulgação/Caixa
Projeto Educativo Gente Arteira promove acesso à arte para todos os públicos — Foto: Divulgação/Caixa

O Programa Educativo Gente Arteira, promovido pela Caixa Cultural, em Curitiba, traz o acesso à cultura para todos os públicos, inclusive os com algum tipo de deficiência, através de ações educativas.

O objetivo principal é qualificar o acesso dos visitantes à arte, especialmente das exposições em cartaz nas galerias. Além disso, o programa também busca estreitar o contato entre pessoas e as práticas artísticas.

Espaço oferece visitas guiadas que promovem o acesso à arte e à cultura  — Foto: Divulgação/Caixa
Espaço oferece visitas guiadas que promovem o acesso à arte e à cultura — Foto: Divulgação/Caixa

Na quarta-feira (8), por exemplo, uma das atividades terá uma linguagem inclusiva para um grupo de pessoas com deficiência visual do Centro Estadual de Capacitação em Arte Guido Viaro.

As visitas, em geral, são mediadas com oficinas, seminários, rodas de conversa, contações de histórias, encontros, dentre outras atividades educativas sobre os mais variados temas.

Quem tiver interesse em agendar uma visita em grupo, deve entrar em contato pelo telefone (41) 2118-5114 ou pelo email gentearteira.pr@caixa.gov.br antecipadamente.

Autismo: pesquisadores defendem necessidade de métodos diferentes para diagnosticar meninas

O autismo pode ser mais comum em meninas do que se pensava. Segundo um estudo americano, elas costumam apresentar características diferentes dos meninos e, por isso, podem não estar sendo diagnosticadas corretamente

Por Crescer online

Menina com medo escondendo os olhos (Foto: Shutterstock)
Pesquisadores defendem o desenvolvimento de novos métodos para diagnosticar meninas (Foto: Shutterstock)

Diversas pesquisas já revelaram que os meninos são quatro vezes mais propensos do que as meninas a serem diagnosticados com transtorno do espectro do autismo. No entanto, um novo estudo realizado pelo Hospital Infantil da Filadélfia, nos Estados Unidos, desafia essa afirmação. Os pesquisadores descobriram que meninas e meninos autistas contam histórias de maneiras diferentes, o que poderia induzir a um "diagnóstico errado" em meninas.

Para chegar a essa conclusão, eles analisaram 102 crianças em idade escolar que tiveram um diagnóstico de autismo ou estavam tipicamente em desenvolvimento, e foram pareadas em idade, QI e educação materna. Foi mostrada a elas uma sequência de fotos envolvendo um pescador, um gato e um pássaro e, depois, elas contaram uma história baseada no que viram. Os cientistas se concentraram em como os participantes usaram substantivos (palavras-objetos) em comparação com as palavras do processo cognitivo.

"O autismo é uma condição social diagnosticada usando um comportamento observável, por isso queríamos estudar uma habilidade observável relacionada à capacidade social. Nós escolhemos contar histórias porque envolve muito mais do que gramática e vocabulário; ela depende de um senso de adequação social e lança luz sobre o que os palestrantes decidem que é importante transmitir", explica a principal autora do estudo Julia Parish-Morris, cientista do Centro de Pesquisa do Autismo e membro do corpo docente nos Departamentos de Psiquiatria Infantil e Informática Biomédica e Saúde do hospital.

DIAGNÓSTICO SENSÍVEL AO SEXO

Os resultados revelaram que as meninas autistas usaram significativamente mais palavras do processo cognitivo do que os meninos autistas, mesmo quando eles tinham níveis semelhantes de gravidade do autismo. Curiosamente, meninos e meninas autistas usaram mais substantivos do que crianças com desenvolvimento típico, demonstrando narrativas focadas em objetos. Assim, as meninas autistas mostraram um perfil narrativo único que se sobrepôs às meninas e meninos típicos, bem como aos meninos autistas.

"Para colocar essas descobertas em contexto, é importante entender que, como as meninas tendem a apresentar características diferentes dos meninos autistas, elas são diagnosticadas incorretamente ou perdidas por ferramentas de diagnóstico padrão. Essa discrepância também distorce a literatura de pesquisa", explica a pesquisadora.

"Estas descobertas sugerem que rastreios e métodos diagnósticos informados ao sexo podem nos ajudar a identificar autismo em meninas verbais em idade mais precoce, o que deve estimular esforços para desenvolver intervenções precoces e personalizadas adequadas, resultando em melhor apoio para meninas e mulheres com autismo", finaliza. Os resultados foram publicados recentemente na revista Molecular Autism.

Baixo alcance da língua de sinais leva surdos ao isolamento - Vejam os vídeos.

Como poucos "ouvintes" usam a Libras, pessoas com deficiência auditiva passam por sérios apuros no trabalho, nas ruas e até em hospitais. Senadores têm projetos para mudar o quadro

Ricardo Westin, da Agência Senado Colaborou: Ana Luísa Araújo

Filme "Libras É Merda?": personagem ouvinte é transportada para realidade onde todos conhecem apenas a língua de sinais

O enredo do curta-metragem tem um quê de kafkiano. Após maltratar um surdo, a protagonista se vê lançada, de uma hora para a outra, num mundo onde todos só se comunicam pela língua de sinais. Ninguém fala. Ela acaba sendo presa pela polícia por engano e tenta explicar — em bom português — que não tem nada a ver com o crime do qual é acusada. Suas palavras, porém, não significam nada para os policiais. Os sinais que eles fazem com as mãos tampouco fazem sentido para ela. Percebendo-se um peixe fora d’água nesse mundo de surdos, a personagem surta.

— Com essa inversão de papéis, transformando os surdos em maioria e os ouvintes em minoria, busco fazer a sociedade sentir o quão sofrida é a vida do surdo. Por não haver acessibilidade linguística, ele não compreende nem é compreendido — explica Johnnatan Albert, roteirista e diretor do filme Libras É Merda? (assista a cenas do filme no final desta reportagem), que foi lançado neste mês em Brasília, numa mostra de curtas-metragens produzidos por surdos, e deverá ser exibido em outros festivais pelo país.

Libras é a sigla para a língua brasileira de sinais, composta de um extenso e complexo repertório de gestos. Em 2002, a Lei 10.436 deu à Libras o status de meio legal de comunicação e expressão. Desde então, escolas, faculdades, repartições do governo e empresas concessionárias de serviços públicos estão obrigadas a providenciar intérpretes para atender aos surdos. A lei faz aniversário em 24 de abril, Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais.

A Libras ganhou uma visibilidade inédita neste ano. Na posse do presidente Jair Bolsonaro, em 1º de janeiro, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, fez um discurso na língua de sinais no parlatório do Palácio do Planalto.

Apesar da lei de 2002, os surdos ainda estão longe da plena inclusão na sociedade. Como o curta Libras É Merda? denuncia (às avessas), o grande obstáculo é a escassez de ouvintes que se comuniquem na língua de sinais. A Libras está restrita à comunidade surda. Isso pode transformar atividades corriqueiras num inferno. No ônibus, os surdos não conseguem saber do cobrador qual é a parada em que devem descer. Se o alto-falante do aeroporto anuncia troca de portão, eles correm o risco de perder o avião caso não estejam com os olhos grudados nos telões de voos.

Nos serviços de saúde, perdem a vez quando não estão atentos à enfermeira que grita o nome do próximo paciente, dificuldade que levou a um projeto-piloto do SUS no Hospital Federal de Ipanema com central de atendimento e consulta mediada por intérprete de Libras.

No cinema, mais obstáculos: não podem ver filmes nacionais, pois só os estrangeiros são legendados. Na loja, o vendedor menos paciente e esclarecido pode confundir os gestos da língua de sinais com brincadeira ou deficiência mental e simplesmente virar as costas para os clientes surdos.

Intérprete de Libras em audiência pública no Senado (foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

As situações podem inclusive ser trágicas. ONGs dedicadas aos surdos dizem que não são raros os casos em que pacientes com problemas sérios de saúde saem de consultas com uma prescrição errada de remédio, porque o médico não entendeu quais eram os sintomas, e situações em que inocentes são mortos porque não ouviram a ordem de parar e o policial atirou por não perceber que eram surdos.

— Deficiente não é o surdo, mas a sociedade que não sabe se comunicar com ele. Se o surdo encontrasse no dia a dia pessoas que soubessem a língua de sinais, ele não enfrentaria tantas barreiras e, por isso, nem perceberia a surdez como deficiência — afirma a coordenadora do Laboratório de Educação de Surdos e Libras, da Universidade de Brasília (UnB), Edeilce Buzar.

Segundo o Censo mais recente, viviam em 2010 no Brasil 2,1 milhões de pessoas que escutavam muito pouco ou nada — o equivalente à população de Manaus. A pesquisa do IBGE não apontou quantas faziam uso da língua de sinais.


As primeiras barreiras linguísticas por vezes são impostas pela própria família. Quando a criança nasce surda ou perde a audição ainda pequena, muitos pais rejeitam a língua de sinais e impõem a oralização. Sem ouvir a própria voz, o treinamento da fala e da leitura labial costuma ser lento e penoso. O aprendizado da língua de sinais, ao contrário, é natural para quem, compensando a lacuna da audição, tem na visão o sentido mais apurado.

— Eu consigo falar, mas não me sinto à vontade. Prefiro a língua de sinais — diz Johnnatan Albert, o diretor do curta-metragem, que tem 32 anos e perdeu a audição quando era bebê, como sequela da meningite. — Como não ouço minha voz e não consigo controlar muito bem a tonalidade e o volume, todas as pessoas que estão ao redor se viram para mim quando falo qualquer coisa. Algumas olham com ar de reprovação. Fico constrangido.

Johnnatan Albert dirigiu filme que mostra dramas enfrentados pelos surdos (foto: Pillar Pedreira/Agência Senado)

Raras escolas estão adaptadas para receber alunos surdos. A mera presença de um intérprete da língua de sinais ao lado do professor não é suficiente. Por um lado, muitas crianças surdas chegam ao colégio sem saber língua nenhuma e vão ter que aprender a Libras do zero. Por outro, as que já sabem a língua de sinais não encontram professores preparados para ensinar-lhes o português escrito. Nessa situação, como a Libras é a primeira língua do estudante, o português precisa ser apresentado como segundo idioma, com uma metodologia completamente diferente, tal como uma língua estrangeira. O professor precisa ser bilíngue e ter uma formação específica.

Em consequência do despreparo das escolas, muitos surdos chegam ao fim dos estudos como analfabetos funcionais. É por isso, aliás, que tentar se comunicar por escrito com um surdo nem sempre dá certo.

— Os surdos acabam sendo forçados a viver encapsulados em seus próprios mundos. São como almas que passam por nós sem que nos preocupemos em enxergá-los ou interagir com eles — compara o intérprete de Libras e ex-presidente da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos do Distrito Federal (Apada-DF) Marcos de Brito.


    
Intérprete mostra os gestos que representam, na Libras, os termos "brincar", "amar", "Deus", "Câmara dos Deputados" e "Senado" (fotos: Jonas Pereira/Agência Senado)

Desde 1991, a Lei 8.213 obriga as empresas a reservar uma parte de suas vagas para funcionários com algum tipo de deficiência. Para firmas que tenham entre 100 e 200 trabalhadores, por exemplo, a cota é de 2%. A inclusão efetiva nem sempre ocorre. Tarcísio Barroso, de 31 anos, ficou surdo ainda bebê, também por causa da meningite. Ele é oralizado, mas tem a Libras como primeira língua. Mesmo pós-graduado na área da tecnologia da informação, acabou sendo relegado a tarefas secundárias em muitas das empresas onde trabalhou, em Brasília.

— A comunicação com meus chefes sempre foi falha. Alguns não se preocupavam em articular bem as palavras na hora de falar, para eu fazer a leitura labial. Outros preferiam se comunicar por escrito, mas usavam palavras difíceis ou frases pouco objetivas, o que dificultava a minha compreensão. De tanto eu pedir que explicassem novamente cada orientação, acabavam concluindo que eu tinha deficiência intelectual e passavam a me deixar de lado. Já chorei muito por causa disso.

Tarcísio Barroso é pós-graduado, mas se queixa de ser subestimado no trabalho (foto: Pillar Pedreira/Agência Senado)

A mãe dele, Vanilda Barroso, lembra que a inadequação que ele agora sente no trabalho é muito parecida com a que sentia no colégio, quando os professores não exploravam as suas potencialidades e só apontavam as dificuldades.

— As empresas contratam um surdo e nem se preocupam em saber como os surdos são. Só querem cumprir a cota exigida pela lei. Não estão interessadas na inclusão — ela afirma. — E a inclusão não é difícil. Bastaria que as empresas deixassem de encarar o surdo como um incapaz e passassem a vê-lo como um estrangeiro que não compreende plenamente o português e precisa de explicações numa linguagem mais clara.

A questão preocupa os senadores. Eles estudam diversos projetos de lei que buscam reduzir a barreira linguística que isola os surdos. O PLS 155/2017, de Telmário Mota (Pros-RR), obriga os bancos a contar com intérpretes de Libras. O PLS 52/2016, de Ciro Nogueira (PP-PI), e o PLS 465/2017, de Kátia Abreu (PDT-TO), determinam a mesma adaptação aos hospitais públicos. O PRS 33/2018, de Paulo Rocha (PT-PA), prevê que as transmissões da TV Senado sejam traduzidas para a língua de sinais.

                     
                     
Senadores Ciro Nogueira, Kátia Abreu, Paulo Rocha e Telmário Mota apresentaram projetos que estimulam disseminação da língua de sinais (fotos: Roque de Sá, Jane de Araújo, Geraldo Magela e Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Em março, por sugestão de Romário (Pode-RJ), o Senado lançou um vídeo bilíngue (em português e Libras) com a íntegra da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146). Na visão do senador, para diminuir a exclusão dos surdos, é preciso estimular a difusão da língua de sinais entre os ouvintes, especialmente a partir das escolas.

— Eu mesmo tenho dificuldade para me comunicar com um surdo, pois não tive nenhuma disciplina escolar que me proporcionasse esse domínio — diz Romário. — Da mesma forma que ensinam inglês e espanhol, as escolas poderiam também incluir a Libras, mesmo que como disciplina optativa, algo que muitas universidades já têm feito.


Romário fez campanha para que o Detran de SP oferecesse intérprete de Libras (foto: Twitter @RomarioOnze)

Neste momento, a Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei que prevê a inclusão da língua de sinais como disciplina optativa nos colégios públicos localizados nas cidades com mais de 10 mil habitantes. A proposta original é do ex-senador Cristovam Buarque e sofreu alterações na Câmara. Se o texto for aprovado pelos deputados, terá que ser novamente submetido aos senadores.

Quando o outro sou eu

A partir de filme que inverte papéis entre surdos e não surdos, pessoas com deficiência auditiva tentam alertar os "ouvintes" para os problemas relacionados ao seu isolamento. Especialistas defendem a empatia e a popularização da língua de sinais como ingredientes para combater a exclusão.





Libras, Lei completa 17 anos e muitos desafios - Veja o vídeo

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Por Jessica Carecho

Criada em 24 de abril de 2002, a lei 10.436 foi um marco importante para a comunidade surda brasileira, ao reconhecer a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão e determinar que o poder público deve apoiar seu uso e difundi-la, e, passados 17 anos de sua publicação, ainda enfrenta desafios para ser plenamente cumprida.

A lei estabelece que instituições públicas e concessionárias de serviços públicos devem garantir atendimento e tratamento adequados aos surdos. Também determina que as redes públicas de ensino devem incluir a Libras nos cursos de formação de educação especial, fonoaudiologia e magistério em níveis médio e superior.



A chefe do Departamento de Ensino, Pesquisa e Extensão do Câmpus do Instituto Federal de Santa Catarina Palhoça Bilíngue, Simone Gonçalves de Lima da Silva, que é surda, destaca que um dos pontos positivos da lei foi reconhecer a pessoa surda como participante de uma minoria linguística. Depois da lei, diz Simone, os surdos passaram a ter mais acesso à escola, trabalho e informação.

“Antes da lei, o surdo ficava em casa com a família, que também não sabia Libras. Era difícil. A lei aumentou o conhecimento das famílias sobre a língua de sinais”, lembra. Simone é um exemplo disso. Ela tinha 22 anos quando a lei foi publicada e já estava na universidade, mas o caminho até ali não foi fácil. Na escola, tinha que copiar conteúdos dos colegas ouvintes e tentar fazer leitura labial para conseguir entender o que o professor estava dizendo. Da graduação em diante – hoje é doutora em Linguística – sempre teve acesso à língua de sinais nas aulas.

Por causa da lei e do Decreto 5.626, de 2005, que a regulamentou, melhorou também a qualidade do ensino da língua de sinais, e a Libras entrou na universidade e na formação de professores, afirma Simone.

Para Elisabeth Lima, que é mãe de Felipe, estudante surdo do Câmpus Palhoça Bilíngue, a lei foi muito importante e ajudou no desenvolvimento dos surdos no Brasil. Depois que seu filho foi diagnosticado com surdez, com cerca de um ano de idade, Elisabeth passou a estudar e conhecer mais sobre a língua de sinais e a legislação aplicada a ela. Felipe estudou dos três aos 15 anos em uma escola para surdos no Rio Grande do Sul.

“Escolhi essa trajetória para o meu filho, porque na época entendi, como entendo até agora, que uma pessoa surda só consegue se desenvolver intelectualmente através de sua língua própria, que é a língua de sinais”, lembra. Na escola, Felipe teve acesso à Libras, que foi sua língua materna, aprendeu a língua portuguesa e hoje, no IFSC, convive e interage com colegas e servidores surdos e ouvintes.

Desafios

Ainda que tenha trazido avanços para a inclusão dos surdos, o pleno funcionamento da Lei 10.436 caminha a passos lentos, na visão de Elisabeth. “Ela ainda está engatinhando”, comenta. Um dos pontos a melhorar, ela aponta, é a inclusão da Libras nos currículos desde o ensino fundamental. “Não é o que a gente vê acontecendo. O que a gente vê acontecendo é a Libras como parte integrante do parâmetro curricular nacional somente no âmbito da educação superior”, afirma.

Segundo a chefe de departamento Simone da Silva, os principais pontos que precisam ser aprimorados para que a lei cumpra sua função são: melhorar a formação para o ensino de Libras, formar mais intérpretes e aumentar o número de pessoas que são usuárias da língua de sinais. “Não só o surdo pode se comunicar em Libras. Todos podem aprender a língua para usá-la nas lojas, nos hospitais, nas escolas?”, ressalta.

O professor Fabrício Ramos acha que ainda falta mais divulgação sobre a língua de sinais e a cultura surda, para que os ouvintes deixem de ver os surdos com “pena” e sim como alguém que se comunica de maneira diferente. Também avalia que falta criar de mais escolas para surdos e incluir Libras nos currículos escolares.

O professor, de 39 anos, teve acesso à língua de sinais em toda sua trajetória escolar. Estudou numa escola para surdos de Porto Alegre desde um ano e meio de idade. Lá, chegou a fazer terapia com objetivo de oralizar, ou seja, pronunciar palavras, mas também aprendeu a Libras e acredita que os ouvintes também devem aprendê-la desde cedo. “Se a criança não sabe Libras, como vai se comunicar com um colega surdo?”, pergunta.


Sabado, 4, será de emoção com as semifinais do Sudeste 1 de Goalball

Equipes classificadas estão garantidas, no entanto, categoria masculina ainda precisa definir confronto


Por Comunicação CBDV

A reta final do Regional Sudeste 1 de Goalball chega com as disputas das semifinais neste sábado, 4, a partir das 14h, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. Os duelos da categoria feminina são APAE Leopoldina-MG x ADUC-MG e ADEVIBEL-MG x IBC-RJ. E no masculino os confrontos serão definidos após a última rodada do Grupo B que acontece pela manhã.

Atual campeã da segundo divisão nacional feminina, a ADEVIBEL-MG venceu os dois jogos que fez com facilidade e confirmou a liderança do Grupo B. Depois de bater a ACJF-MG, o time da capital mineira derrotou a ADUC-MG por 12 a 5. A equipe enfrenta na semifinal o IBC-RJ que foi derrotado pela APAE-MG por 11 a 5 e acabou a primeira fase em segundo do Grupo A, enquanto a equipe mineiro ficou em primeiro e vai encarar a ADUC-MG.

As quatro semifinalistas da categoria masculina foram confirmadas, mas os confrontos só serão definidos após a partida entre ADEVIBEL-MG x URECE-RJ pela última rodada do Grupo B na manhã deste sábado, valendo a liderança. No Grupo A, a AADV-PC-MG ficou com a primeira colocação ao vencer todos os jogos e a APAE Leopoldina-MG passou em segundo depois de derrotar a ADEVITRIM-MG por 12 a 11.

O penúltimo dia de competição começa com o encerramento da primeira fase com os dois jogos que restam da categoria masculina. Já eliminadas, ADUC-MG x ADEVIUDI-MG se enfrentam às 9h. E em seguida, é a vez de ADEVIBEL-MG x URECE-RJ decidirem a liderança do Grupo B, e consequentemente os confrontos das semifinais, que acontecem a partir das 14h.

Resultados do dia:

ADEVIBEL-MG 12 x 5 ADUC-MG (F)

ADEVIUDI-MG 5 x 15 ADEVIBEL-MG (M)

UNICEP-Es 11 x 16 ADUC-MG (M)

APAE-MG 17 x 7 FADA-MG (F)

APAE-MG 12 x 11 ADEVITRIM-MG (M)

CEIBC-RJ 1 x 11 AADV-PC-MG (M)

ADUC-MG 12 x 2 ACJF-MG (F)

UNICEP-ES 4 x 14 URECE-RJ (M)

ADUC-MG 6 x 16 ADEVIBEL-MG (M)

IBC-RJ 5 x 11 APAE-MG (F)

Acesse o boletim oficial da competição: http://bit.ly/2ValQpU

Brasil pega a Colômbia na estreia dos Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019

Seleção Brasileira conheceu os adversários que terá para chegar à quarta medalha de ouro parapan-americana


Por Comunicação CBDV

Na manhã desta sexta-feira, 3, foram sorteadas as partidas da competição de futebol de 5 dos Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019. A disputa pela medalha de ouro acontece de 24 a 30 de agosto, e a estreia do Brasil será contra a Colômbia, às 19h30, horário de Brasília. O evento conta ainda com a participação de Argentina, Costa Rica, México e Peru.

As seis equipes se enfrentam entre si e as duas melhores colocadas ao final dos confrontos decidem o título da competição no dia 30, que terá também disputa da medalha de bronze entre terceiro e quarto colocados da primeira fase.

A caminhada do Brasil em busca da quarta medalha de ouro em Jogos Parapan-Americanos tem duas paradas duras logo no início. Primeiro a Seleção Canarinho enfrenta a Colômbia na estreia da competição e no dia seguinte pega a Argentina. A sequência brasileira segue com o duelo contra o México, depois a Costa Rica e fecha a primeira fase diante do anfitrião Peru.

“Uma tabela com dois jogos difíceis nas primeiras rodadas. Temos que ter muita atenção, bem preparados. Tem o fator da estreia que costuma bater o nervosismo. Mas é bom já saber disso, então precisamos passar primeiro pela Colômbia, ganhar os três pontos e depois tentar ganhar da Argentina e deixar que eles decidam na última rodada entre si. Mas é uma tabela difícil, que temos que entrar focados pra tentar fazer o melhor. É importante pontuar nesses dois jogos pra tentar administar e chegar na final com os atletas recuperados. O trabalho está sendo bem feito e vamos entrar aceso para conseguir a classificação para a final e buscar mais uma medalha de ouro para o nosso país”, analisou o técnico Fábio Vasconcelos.

Confira a tabela com os dias e horários dos jogos do Brasil.

24/8, 19h30 – Brasil x Colômbia

25/8, 17h – Brasil x Argentina

26/8, 17h – Brasil x México

28/8, 19h30 – Brasil x Costa Rica

29/8, 19h30 – Brasil x Peru

Comunicação CBDV

Equipe de tênis de mesa embarca para disputa de importante torneio na Eslovênia

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Por CPB

Os mesa-tenistas paralímpicos brasileiros terão um desafio muito importante na próxima semana. O Aberto da Eslovênia, competição do Circuito Mundial Paralímpico, a partir de quarta-feira, 8, terá a presença dos principais jogadores de todo o planeta. O torneio é considerado pelos especialistas com nível superior ao de alguns Mundiais e Paralimpíadas, visto que em várias classes, principalmente masculinas, teremos a presença de todos os 20 primeiros do ranking mundial.

A delegação brasileira embarcou nesta madrugada, 3, para a Europa com nove atletas: Carla Azevedo, Cátia Oliveira, Guilherme Costa e Iranildo Espíndola (classe 2); Paulo Salmin e Israel Stroh (classe 7); Danielle Rauen e Jennyfer Parinos (classe 9); e, Claudio Massad (classe 10). Na programação, uma parada na Turquia, com um dia de treino. Depois o grupo segue para Lasko, local do evento, com escala em Viena, na Áustria.

O técnico Paulo Molitor ressaltou o forte nível do Aberto da Eslovênia. Ele acredita que este é um bom termômetro de preparação para as principais competições internacionais restantes no ciclo: os Jogos Parapan-Americanos, em Lima, e os Jogos Paralímpicos de 2020, em Tóquio.

“Perguntei aos meninos se eles já haviam jogado uma competição tão forte, tanto em qualidade quanto em quantidade. Todos foram unânimes em dizer que esse é o torneio mais difícil que já disputaram. Vai ser um ótimo parâmetro para fazermos ajustes”, lembra.

Os objetivos dos brasileiros são bem claros. E a classificação para os Jogos de 2020 já faz parte deste planejamento.

“Nas classes 2 e 7 masculino, vamos tentar fazer o maior número de pontos, para melhorar no ranking e encaminhar as vagas para Tóquio. No feminino, vamos buscar vitórias contra as melhores do mundo e uma possível medalha futuramente para todas”, detalha Molitor.

Com informações da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa - CBTM

Brasil fatura medalha de ouro no Open Mundial de Bocha em Montreal

Divulgação/ANDE
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Por CPB

O Brasil conquistou a primeira medalha no Open Mundial de Montreal, no Canadá. O atleta Maciel Santos, da classe BC2, conquistou pelo segundo ano consecutivo o lugar mais alto do pódio nesta competição ao derrotar o russo Dmitry Kozmin, por 4 a 1, na final na quinta-feira, 2.

Maciel teve uma campanha impecável, com 100% de aproveitamento, ao vencer todas as partidas Maciel venceu todas as partidas. Na estreia, no dia 30, contra a canadense Kristyn Collins com o placar de 10 a 0. No segundo jogo, com a eslováquia Rastislav Kurilak, vitória brasileira por 5 a 3. Ainda na fase de grupos, venceu o argentino Pablo Gonzalez (10x0). Nas quartas de final, o confronto foi com o israelense Nadav Levi, vitória para Maciel com o placar apertado e 3 a 2. Já pela semi-final, ele venceu o portugês Abílio Valente por 6 a 4.

O brasileiros Mateus Carvalho e José Carlos Chagas são os outros destaques nas disputas individuais. Ambos encerram a competição em 4º lugar. Nesta sexta-feira, 3, começam as disputas de pares e equipes. Ao todo, onze atletas representam o Brasil nesta competição que vale pontos no ranking para classificação para os Jogos Paralímpicos Tóquio 2020.

A Seleção Brasileira de bocha disputa até o dia 3 de maio o BISFed Open Mundial da modalidade, em Montreal, no Canadá. Ao todo, onze atletas representam o Brasil nesta competição que vale pontos no ranking para classificação para os Jogos Paralímpicos Tóquio 2020. Ao todo, estão inscritos 100 atletas de 22 países.

A Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE) transmitirá as partidas na página da entidade no Facebook.

Atletas nadarão por vaga no Mundial na I Nacional do Circuito Loterias Caixa

Alê Cabral / CPB
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Por CPB

O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, sediará a primeira etapa Nacional do Circuito Brasil Loterias Caixa de Natação nos dias 10 e 11 de maio. A competição conta com 236 atletas inscritos, de 14 Estados mais o Distrito Federal. Esta será a última oportunidade para os nadadores atingirem o índice classificatório para os Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019 e o Mundial da modalidade, em Londres, que acontecerão no segundo semestre.

Há uma semana, no CT Paralímpico, ocorreu o Open Internacional Loterias Caixa de Atletismo e Natação. Na ocasião, 21 nadadores atingiram o índice classificatório para o Mundial e 32 para o Parapan de Lima. Na primeira etapa Nacional do Circuito Brasil Loterias Caixa, nomes como o catarinense Talisson Glock (classe S6), a gaúcha Susana Schnarndorf (S4) e os paulistas Esthefany Rodrigues (S5) e Carlos Farrenberg (S13) nadarão pela marca classificatória.

”Nossa expectativa para a Nacional é fechar a Seleção que representará o Brasil no Mundial. Muitos já fizeram o índice no Open e os outros atletas virão focados para isso. A meta é levar 25 para o Mundial. Enquanto a Seleção para o Parapan de Lima, já está bem forte, mais de 30 alcançaram o índice“, disse Leonardo Tomasello, técnico-chefe da natação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Os atletas que disputarão as etapas nacionais do Circuito alcançaram, nas fases regionais, os índices classificatórios estabelecidos pelo Departamento Técnico do CPB. Ao todo, foram realizadas quatro estágios regionais: São Paulo, no CT Paralímpico, em fevereiro; Norte-Nordeste, em João Pessoa (PB), em março; Centro-Leste, em Uberlândia (MG), e Rio-Sul, em Curitiba (PR), em abril.

A segunda etapa Nacional do Circuito Brasil Loterias Caixa de Natação será nos dias 13 e 14 de julho, no CT Paralímpico, em São Paulo. Já a terceira fase nacional, receberá a denominação de Campeonato Brasileiro, que está programado para ocorrer nos dias 26 e 27 de outubro, também no CT, e reunirá os melhores nadadores do ano.

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir a primeira etapa Nacional do Circuito Brasil Loterias Caixa de Natação não precisam de credenciamento prévio. Bastará dirigirem-se à sala de imprensa do CT Paralímpico para identificação.

O Circuito
O Circuito Brasil Loterias Caixa é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e patrocinado pelas Loterias Caixa. Este é o mais importante evento paralímpico nacional de atletismo, halterofilismo e natação. Composto por quatro fases regionais e duas nacionais, tem como objetivo desenvolver as práticas desportivas em todos os municípios e estados brasileiros, além de melhorar o nível técnico das modalidades e dar oportunidade para atletas de elite e novos valores do esporte paralímpico do país. Em 2019, as disputas das fases nacionais serão separadas por uma modalidade em cada fim de semana - haverá ainda um Campeonato Brasileiro de cada esporte.

Patrocínios
A natação tem patrocínio das Loterias Caixa.

Serviço
Data: 10 e 11 de maio
Cidade: São Paulo (SP)
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo - Rodovia dos Imigrantes, km 11,5 (ao lado do São Paulo Expo).

Programação*
Circuito Brasil Loterias Caixa de Natação
Sexta (10/5) - 9h às 12h e 15h às 18h
Sábado (11/6) - 9h às 12h
*Programação sujeita a alterações

Brasil terá representantes em todas as categorias no Mundial de Tênis em CR

Alê Cabral / CPB
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Por CPB

O Brasil estará bem representado no Mundial de Tênis em Cadeira de Rodas, que neste ano será disputado em Israel, de 13 a 18 de maio. Pela primeira vez na história, o país levará representantes em todas as categorias do torneio: masculino, feminino, júnior e quad. Além do Brasil, apenas o Reino Unido também terá competidores em todas as disputas.

"Colocar as quatro equipes no Mundial é um marco para o tênis em cadeira de rodas brasileiro. É fruto de um trabalho que é realizado há anos, que não começou de ontem para hoje. São poucos os países que levam todas as suas equipes para o Mundial da modalidade", enfatiza Wanderson Cavalcante, coordenador do tênis em cadeira de rodas.

As equipes masculina, feminina e júnior obtiveram vaga no Mundial em Israel por conta do bom desempenho na última edição da competição. Já o quad, para atletas com deficiência em pelo menos três membros, conseguiu um wild card devido ao trabalho de desenvolvimento que é feito no Brasil.

A convocação foi definida e o país será representado pelos melhores do raking em cada categoria. No masculino, o capitão Leonardo Oliveira contará com Daniel Rodrigues, Gustavo Carneiro e Rafael Medeiros. O time feminino, capitaneado por Raphael Moraes, contará com Meirycoll Duval e Rejane Cândida. No quad, Ymanitu Silva e Augusto Fernandes terão Bruno Batista como capitão. E, no júnior, João Lucas Takaki, Breno Salles e César Silva serão liderados por Vinícius Lima.

"Teremos jogadores e treinadores com história no tênis em cadeira de rodas. São pessoas muito envovlidas na competição, em todas as categorias. Temos sempre a expectativa de superar a melhor marca que já alcançamos em cada categoria e desta vez não é diferente", complementa Cavalcante.

Além dos atletas e dos capitães, a delegação brasileira terá a presença, pela primeira vez de uma psicóloga. Parte da delegação embarca nesta sexta-feira para Israel, onde irá participar do Israel Open, para se aclimatar e se preparar para o Mundial. A equipe júnior viaja no dia 8 de maio.

Confira a lista de convocados:

Equipe masculina
Capitão: Leonardo Oliveira
Jogadores: Daniel Rodrigues, Rafael Medeiros e Gustavo Carneiro

Equipe feminina
Capitão: Raphael Moraes
Jogadoras: Meirycoll Duval e Rejane Cândida

Equipe Quad
Capitão: Bruno Batista
Jogadores: Ymanitu Silva e Augusto Fernandes

Equipe Júnior
Capitão: Vinicius Lima
Jogadores: João Lucas Takaki, Breno Salles e César Silva

*Com informações da Confederação Brasileira de Tênis (CBT)

Nota de pesar - falecimento do piloto Edson Luiz Resende

Marcelo Regua/MPIX/CPB
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Por CPB

O Comitê Paralímpico Brasileira comunica a morte de Edson Luiz Resende, ciclista de trajetória destacada no paradesporto nacional. Aos 33 anos, o paulista foi vitimado em um acidente de trânsito, nesta sexta-feira, 3, em São José, quando retornava de um treinamento ao lado do atleta Orides Lima. Edson foi medalhista de bronze nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, em 2015, em que foi piloto do tandem de Luciano da Rosa. O CPB se solidariza com sua família e deseja força.

Espasmo ou contração muscular involuntária. Você conhece? - Veja o vídeo

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por Ricardo Shimosakai

Espasmo é a contração muscular involuntária, súbita, anormal e geralmente acompanhado de uma dor localizada e enrijecimento prolongado do músculo (espasmo tônico) ou uma série de contrações muscular involuntárias alternando com relaxamento (espasmo clônico).

O espasmo não faz mal à saúde diretamente, mas é bastante incômodo, esteticamente estranho e pode causar acidentes. Na época que eu (Ricardo Shimosakai) estava fazendo minha reabilitação, procurei meios para parar ou pelo menos amenizar isso.
Cheguei a tomar remédios que prometiam inibir essas reações, que seriam tomados diariamente, mas para mim pouco adiantaram. Outro tipo de tratamento que também experimentei, foi a aplicação de botox (toxina botilínica).
O botox age bloqueando um neurotransmissor relacionado à contração muscular chamado acetilcolina. O produto é injetado diretamente no músculo-alvo do tratamento. Com isso, promove o relaxamento das fibras musculares, com consequente minimização das contrações involuntárias ou rigidez excessiva. Mas o efeito é temporário, durando entre três e seis meses, devendo ser aplicado novamente. Novamente, não achei que o resultado dessa opção valesse a pena o custo e o trabalho.



Conversando com profissionais da saúde, me disseram que as contrações na verdade eram uma coisa boa. Primeiro porque mostravam que minha perna estava “viva”, e depois este movimento, mesmo que esporadicamente, fazia bem aos músculos para se movimentarem.

Ao longo da minha vivência como lesado medular, descobri outros benefícios dos espasmos. Ele serve como um alerta, quando algo em seu corpo não está certo. Por exemplo, se eu sentar em alguma parte que está machucando, sem eu sentir, pois não tenho sensibilidade suficiente, a perna começa a produzir os espasmos com mais força e frequência. Eu também tenho espasmos no abdômen, quando a bexiga está muito cheia. Pessoas com tetraplegia também costumam ter espasmos nos braços.

Certa vez, os espasmos estavam me “atacando”, e passei a procurar o que poderia ser. Olhei a cadeira de rodas, minha roupa, e não encontrava nada que podia estar me machucando. Somente depois vi que o problema não era externo, e sim em mim mesmo. Uma unha do pé estava encravando, e isso estava machucando demais, formando até pus, e por isso os fortes espasmos.

Resolvi então aceitar essa condição e conviver com ela, melhor do que tomar remédios ou fazer tratamentos, além dos benefícios já mencionados. É claro que também tem a parte ruim. É muito estranho ficar se tremendo na frente dos outros, mas isso é somente uma questão de aparência, mesmo que não seja legal.

A partir do momento em que, por exemplo, a perna começa a tremer e fica batendo sem parar no apoio de pés da cadeira de rodas, isso começa a incomodar, pois faz barulho e isso não é bastante inconveniente numa reunião ou sala de teatro, onde é preciso silêncio.

Mas o pior mesmo é quando os espasmos podem desequilibrar e provocar um acidente. Podem ser fracos e espaçados, e depois ir aumentando a frequência e força, até dar fortes contrações como se fosse uma convulsão. Quando eles começam, se eu fizer uma pressão em cima das pernas, consigo inibir a reação temporariamente.

Já tive um episódio perigoso, quando estava dirigindo e minha perna esticou, jogando o pé em cima do acelerador. Ainda bem o carro da frente estava com uma distância suficiente para eu ter uma reação e conseguir frear com força. Na verdade, nem estava entendendo, pensei que era uma pane do carro. Depois disso, aprendi a me posicionar melhor no carro para evitar, e também como reagir caso acontecesse novamente.

Certa vez, uma amiga contou um episódio inusitado. Ela é cadeirante, e sua netinha se aproximou engatinhando dela. Foi então que o espasmo veio de repente e ela acabou chutando a criança. Não foi nada tão forte, mas a bebê ficou um pouco assustada!