sábado, 18 de maio de 2019

Cadeirante de Mogi cria canal para compartilhar vídeos e denunciar falta de acessibilidade - Veja o vídeo.

Lívia Triboni, além de querer inspirar outros deficientes, quer buscar soluções do poder público.

Por Everton Souza, Diário TV 1ª Edição

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Cadeirante de Mogi publica vídeos na internet sobre acessibilidade

A rotina da falta de acessibilidade motivou a cadeirante Lívia Triboni a compartilhar as dificuldades em vídeos na internet. Entre os obstáculos, a moradora de Mogi das Cruzes encontra calçadas estreitas, buracos e obstáculos.

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Antes de nascer, Lívia foi diagnosticada com mielomeningocele e hidrocefalia e, aos 7 anos, teve mobilidade reduzida. Apesar da limitação, aos 22, já é formada em recursos humanos e trabalha na área. “Na primeira vez que eu andei de cadeiras de rodas foi no shopping. A primeira sensação foi muito ruim porque todo mundo olhava e você se sente um pouco constrangida. Até hoje alguns olham, mas é bem menos e hoje eu também estou mais tranquila em relação a isso.”

Lívia conta que os problemas são com a má adaptação dos locais, como guias rebaixadas com degraus. Há buracos, e até calçadas tão estreitas que a cadeira não passa. “Andar no Centro com desnível na calçada e na rua, você acaba indo para barzinhos e baladas e tenho que solicitar a ajuda de outras pessoas”, completa.

Além disso, os acessos para deficientes algumas vezes não são respeitados. A equipe do Diário TV flagrou um motorista estacionando o carro bem na frente da rampa para cadeirantes. Foi preciso a Guarda Municipal chamar a atenção para que ele tirasse o veículo.

Diante das dificuldades, Lívia resolveu criar um canal em uma rede social divulgando vídeos do que encontra no dia a dia. “Eu quero mostrar para as pessoas que algumas você pode enfrentar sozinha.”

O canal já tem mais de mil inscritos. Os retornos positivos das pessoas que acompanham Lívia são o grande incentivo. “É bem bacana poder divulgar essas informações e conseguir passar uma confiança para algumas pessoas com deficiência que têm receio de passar por algumas coisas.”

Lívia Triboni, de Mogi das Cruzes, criou canal em rede social para postar vídeos com as dificuldades que precisa enfrentar por causa da falta de acessibilidade — Foto: Reprodução/TV Diário
Lívia Triboni, de Mogi das Cruzes, criou canal em rede social para postar vídeos com as dificuldades que precisa enfrentar por causa da falta de acessibilidade — Foto: Reprodução/TV Diário

Com um celular na mão e muita coragem, ela pensa agora em sensibilizar o poder público para ajudar a mudar a realidade de pessoas como ela, que precisam de estrutura pra ter o simples direito de ir e vir. “A conscientização deve vir para melhorar a estrutura nos lugares da cidade e para a sociedade aceitar melhor. Parece que a sociedade ainda não aceita pessoas com deficiência”, finaliza.

A Secretaria Municipal de Transportes informou que vem trabalhando para a melhorar a acessibilidade em Mogi. Estão em andamento os trabalhos de implantação de 84 rampas e 6 travessias elevadas com recursos do convênio da Prefeitura com o Departamento de Trânsito (Detran) e de emenda parlamentar.

A secretaria também informou que, nos próximos 12 meses, serão implantadas mais 300 rampas e 15 travessias elevadas, em locais que vão ser discutidos com o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência.

Fonte: g1.globo.com

Cadeirante urina na roupa por falta de banheiro adaptado na Strans em Teresina - Veja o vídeo

A Strans informou que funciona, desde 2010, em um prédio alugado e que está tomando medidas para adaptar um banheiro para o uso dos cadeirantes.

Por Lorena Linhares* e Maria Romero, G1 PI - *Lorena Linhares, estagiária sob supervisão de Maria Romero.

Imagem Internet
Presidente da ASCAMTE denuncia falta de acessibilidade no banheiro da STRANS

O cadeirante Wilson Gomes passou pelo constrangimento de urinar na roupa por falta de banheiros com acessibilidade na Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) de Teresina. Ele denunciou ao G1 que estava na Strans nesta sexta-feira (17) e precisou usar o banheiro, mas sem local adaptado ele não teve tempo de buscar outro banheiro e fez xixi na recepção da Superintendência.

Clique AQUI para ver o vídeo.

A Strans confirmou o ocorrido e informou ao G1, por meio de nota, que o prédio é alugado e que está tomando medidas para adaptar um banheiro para o uso dos cadeirantes. Contudo, a Superintendência informou também que funciona no local há quase 10 anos.

Cadeirante urinou na roupa por falta de banheiro adaptado na Strans.  — Foto: Reprodução
Cadeirante urinou na roupa por falta de banheiro adaptado na Strans. — Foto: Reprodução

“Estou aqui passando por esse constrangimento terrível. Eu vim para uma reunião tratar sobre a falta de acessibilidade no embarque e desembarque de cadeirantes nos terminais de integração e aí eu precisei usar o banheiro aqui e fui informado que não há banheiro acessível. Eu tive que procurar uma 'moita', qualquer coisa, e não consegui e acabei me urinando”, lamentou Wilson, que é presidente da Associação Municipal dos Cadeirantes de Teresina (Ascamte).

A lei federal número 10.098, de 19 de dezembro de 2000, garante em seu capítulo IV, artigo 11, inciso IV, que os edifícios [públicos ou privados] "deverão dispor, pelo menos, de um banheiro acessível, distribuindo-se seus equipamentos e acessórios de maneira que possam ser utilizados por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida", diz o texto da lei.

A Strans informou por meio de nota que lamenta o ocorrido e que a superintendência funciona em um imóvel alugado, que não tem banheiro adaptado, mas que antes do ocorrido medidas já estavam sendo adotadas para adaptar um banheiro para o uso dos cadeirantes. Contudo, o órgão informou também que funciona no mesmo local há quase 10 anos, desde 2010.

Ainda na nota, a Superintendência declarou que um novo prédio está sendo construído e contará com banheiros adaptados.

Confira a nota na íntegra:

Com relação ao incidente ocorrido com o presidente Associação de Cadeirantes de Teresina (Ascamte), Antônio Wilson Gomes na recepção da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) esclarecemos que a superintendência funciona em um imóvel alugado, que não tem banheiro adaptado, entretanto desde antes do ocorrido medidas já estavam sendo adotadas no sentido de adaptar um banheiro para o uso dos cadeirantes. Também informamos que o novo prédio do órgão, que está em fase de construção, já conta com um banheiro adaptado, mas o uso ainda não foi liberado porque está em fase de obras. Lamentamos o ocorrido e vamos agilizar a execução da obra de adaptação do banheiro.

Fonte: g1.globo.com

"Não gosto que me vejam como superação. Sofri um acidente, sou cadeirante e vivo minha vida"

Michele Simões, consultora de estilo, criou o projeto Meu Corpo é Real, que visa aproximar o mercado da moda de pessoas com deficiência

MICHELE SIMÕES EM DEPOIMENTO A THALITA PERES

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                Michele Simões (Foto: E3 Fotografia)

“Eu nasci em São Bernardo do Campo e cresci no interior de São Paulo. Comecei a fazer faculdade na capital, mas não gostei muito e acabei indo estudar Estilismo em Moda na Universidade Estadual de Londrina, no Paraná.

Sofri um acidente de carro um mês após me formar e voltar a morar em São Paulo para trabalhar com comunicação e moda. Tive traumatismo raquimedular, quebrei três vértebras, costelas e fiquei quase três meses internada. Quando recebi o diagnóstico, não compreendia muito bem a dimensão do que era uma lesão medular. Tinha 24 anos, não conseguia entender direito. Costumo dizer que fui prática: mesmo não estando feliz, eu tinha que seguir em frente e entender que minha vida mudaria.

Demorei quatro anos para conseguir ficar sentada. Tive que fazer uma série de tratamentos para conseguir, mas em vez de ficar me lamentando, ficava feliz com o que estava conseguindo fazer. Aprendi a valorizar cada nova etapa da vida.

Via dificuldade em todos os sentidos. Não tinha noção do que era ser cadeirante e não achava referências com as quais me identificasse: eram ou histórias buscando uma cura ou casos tristes e ruins, o que eu buscava era apenas uma realidade que mostrasse que eu poderia ser feliz, sendo uma pessoa com deficiência.

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Michele Simões (Foto: Reprodução Instagram)

Assim que consegui ficar sentada, criei uma marca de bolsas para voltar ao mundo da moda sem precisar confeccionar roupas, já que o corpo de um deficiente praticamente não existe nesse mercado. Eu gostava tanto que me desafiava: mesmo com graves sequelas, fazia algumas bolsas e até aprendi a costurar com uma mão só.

Foi aí que resolvi fazer intercâmbio para Boston, nos Estados Unidos. Fiquei três meses. Eu precisava entender quais eram minhas reais limitações e isso foi um divisor de águas. Lá, vi que o problema não era ser deficiente, eu fazia quase tudo, simplesmente por viver num local que tinha acessibilidade.

Houve momentos em que senti medo, principalmente quando tive que ficar sozinha. Era um desafio porque, normalmente, tinha alguém comigo. Meu marido, que na época era namorado, ficou comigo por dois meses no intercâmbio, no último mês fiquei sozinha. Um dos meus maiores receios era cair – e não é que aconteceu, mesmo? Estava na plataforma do trem
e, na hora de entrar, acabei caindo e sendo socorrida pelas pessoas que estavam no local. Assim que entrei no vagão comecei a rir, afinal, eu caí, levantei e segui a vida, assim como todo mundo.

Tempos depois, realizei um projeto que me mandou para o Canadá. Quando estava para irembora de Toronto, descobri uma exposição em um museu, cujo tema falava sobre moda para pessoas com deficiência. Tive que entrar para conhecer e foi olhando para aquela forma inovadora de pensar moda, que pela primeira vez entendi que a a mesma poderia ser umagrande ferramenta de quebra de estereótipos e informação, afinal tudo que vestimos conta algo sobre nós.

De volta ao Brasil, comecei uma pós-gradução na Faculdade Belas Artes, em São Paulo, e dei início ao projeto Fashion Day Inclusivo, que esse ano ja vai para a 6 edição. Com ele desenvolvi trabalhos que hoje são abrigados pela plataforma MEU CORPO É REAL, onde promovemos através de ações e produtos, informações que fomentem o mercado de moda inclusiva.

Quanto ao termo superação, vejo que existe uma forma autômata de relacionar PCD’s ao tema, e isso é o que me incomoda. Estamos há anos lutando para sermos vistos como pessoas, para podermos evoluir em novos papéis na sociedade, uma vez que a mídia insiste em mostrar pessoas com deficiência quase sempre pelo mesmo viés: entre o coitadismo e a superação.

Também não me vejo como porta-voz. Eu vivo minha vida, tenho uma deficiência e desenvolvoum trabalho, que pensa em novas narrativas sobre o assunto, com pontos que a meu ver, podem ser melhorados.”

Justiça do AM anula ato administrativo que eliminou candidato de concurso da Polícia Civil por conta de deficiência auditiva

Inscrito para vaga de portador de deficiência em concurso para investigador de polícia, candidato foi eliminado do certame sob alegação de que seria inapto para exercício da função.

Por G1 AM

 Tribunal de Justiça do Amazonas. — Foto: Graziela Maia
Tribunal de Justiça do Amazonas. — Foto: Graziela Maia

A Justiça do Amazonas por meio das Câmaras Reunidas do Tribunal de Justiça (TJAM) negou provimento a um recurso de apelação que foi interposto pela Procuradoria-Geral do Estado e anularam ato administrativo que eliminou um candidato inscrito em concurso público para o cargo de investigador da Polícia Civil, sob a alegação de que o mesmo seria inapto para o exercício da função em razão de sua condição física.

Conforme a inicial do processo, o candidato participou do concurso público para provimento de cargos pertencentes ao quadro de pessoal da Polícia Civil do Estado, na condição de portador de deficiência auditiva e concorrendo a vagas reservadas aos portadores de deficiência.

O homem foi aprovado na prova de conhecimento. Ele apresentou os exames médicos nos quais constavam boas condições de saúde física e psíquica, aguardou o resultado e para sua surpresa seu nome não constou na relação de aptos, sendo informado, posteriormente, que após análise de recurso, uma Junta Médica o considerou inapto, levando o candidato a judicializar a questão, impetrando mandado de segurança.

O recurso de Apelação teve como relator o desembargador João Mauro Bessa, cujo voto – acompanhado unanimemente pela Corte de Justiça – afirmou que as normas do edital do certame, invocada pelo apelante "se encontra em desacordo com as normas e com a política de integração das pessoas com deficiência, às quais devem ser asseguradas ações que viabilizem o efetivo acesso ao serviço público, dentre elas o exame de compatibilidade realizado por equipe multidisciplinar no curso do estágio probatório, o que não fora observado", apontou o magistrado.

De acordo com o TJAM, o candidato, conforme os autos, possui deficiência em um dos ouvidos, havia sido aprovado na 4ª colocação na prova de conhecimentos do certame – em vaga destinada para pessoas com deficiência – mas fora eliminado das demais fases do concurso sendo considerado pela organização do certame "inapto, considerando que a deficiência do qual é portador não é compatível com o cargo".

Bessa disse que a eliminação do certame constituiu ato ilegal, abusivo e discriminatório, na medida em que, além de violar o princípio da isonomia, também afrontou os dispositivos do Decreto nº 3.298/1999 sobretudo quanto à exigência de uma equipe multiprofissional para a avaliação da compatibilidade entre as atribuições do cargo e a deficiência do candidato durante estágio probatório.

“Não foi, entretanto, o que ocorreu no caso em comento, em que a avaliação da deficiência do candidato fora realizada ainda no curso do certame, durante a fase de exames médicos e sem a presença de equipe multiprofissional, em clara violação ao dispositivo retromencionado (Decreto nº 3.298/1999)”, afirmou o desembargador.

Em contestação, a PGE requereu que o pleito do candidato fosse denegado, sob o argumento da prescrição do pedido e inexistência de direito líquido e certo. O Juízo da 4ª Vara da Fazenda Pública Estadual, contudo, desconsiderou tais argumentos e concedeu segurança ao Autor da Ação, levando a PGE a recorrer.

Além disso, Bessa afirmou que "a conduta da Administração, ao proceder à eliminação sumária do impetrante em virtude da sua deficiência auditiva , viola, para além da norma legal propriamente dita, os princípios de isonomia e da ampla acessibilidade aos cargos públicos, impondo-se reconhecer, portanto, a ilegalidade e abusividade do ato impugnado", mencionou o magistrado.

Fonte: g1.globo.com

Infância na rua: a realidade de pais e crianças em situação de rua em São Paulo

Desconforto. Privações. Incertezas. E muito amor. A luta pela sobrevivência de famílias em situação de rua na maior metrópole do país

Por Thais Lazzeri

Foto: Ênio Cesar / Editora Globo
CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)
Priscila* perdeu tudo o que tinha num incêndio, salvou a filha e os documentos

Um carrinho de bebê em tons de rosa se sobressai na pequena multidão masculina em uma rua pouco movimentada da Mooca, bairro da zona leste da cidade de São Paulo. Foi naquela vizinhança que a reportagem da CRESCER saiu a campo para conhecer um pouco da realidade de algumas famílias que enfrentam a dura rotina de criar seus filhos sem um teto seguro para morar. Do dia que começou frio sobraram cobertores com ursos e corações na porta de “casa”, uma barraca de plástico instalada na calçada. Do outro lado da rua, o espaço de convivência para moradores em situação de rua do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto. Era ali que Joana*, 27 anos, amamentava a filha, de 8 meses, que nasceu e cresce nas ruas da maior metrópole do país.

Nem Joana nem a filha existem para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que nunca contabilizou a população em situação de rua do país. A última estimativa nacional é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que projetou 101.854 pessoas a partir de dados do Censo do Sistema Único de Assistência Social de 2015. Segundo o Movimento Nacional da População em Situação de Rua, esse número seria três vezes maior. O último censo municipal de São Paulo, também de 2015, identificou 2.326 mulheres nas ruas ou em situação de acolhimento, 403 crianças de até 11 anos e 102 adolescentes na mesma condição.

Todos os dias, no fim da tarde, a família de Joana se separa. Acontece, sempre, depois do banho da bebê. Enquanto o companheiro – que, como 70% da população de rua, tem um trabalho informal – organiza os itens coletados para reciclagem com um carrinho de mão, mãe e filha caminham rumo a um abrigo, onde pernoitam.
Os pés da menina mostram o que ela ganhou no abrigo: catapora, mesmo vacinada, como outras três crianças, segundo Joana. “Separar a gente é ruim, mas passar frio na rua é ainda pior. Pela segurança dela, a gente fica longe”, diz, entre um beijo e outro na pequena. Não há abrigos próximos dali para a família toda, e os que existem, ela diz, não têm estrutura para, por exemplo, acomodar os pertences. Por isso, diariamente ela arruma uma mala para dormirem fora de casa – as coisas da filha vão dentro de uma mochila em formato de urso, doada. “Se chegar atrasado não entra, e lá acordam a gente às 5h da manhã.”
A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social da prefeitura de São Paulo informou que tem 148 serviços para a população em situação de rua. Destes, quatro são centros de acolhida para famílias.

CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)
Joana*, 27 anos - Todos os dias, no fim da tarde, a família se distancia. Mãe e filha vão para um abrigo, onde pernoitam, e o marido fica pelas calçadas. No albergue, não aceitam homens (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)

O maior medo: ficar sem os filhos

“Proteger o direito das famílias é proteger o direito da criança”, diz a coordenadora pedagógica Janaína Dantas, da Clínica de Direitos Humanos Luiz Gama, da Universidade de São Paulo. “Temos poucos centros de acolhida em São Paulo. Se essa família quer ficar junto, não pode ir para um abrigo. Se tem duas mães, não pode. O que a gente está fazendo hoje é separar as pessoas, e isso é um assunto muito sensível.” E continua: “Se essa família quer cuidar [do filho], a gente [poder público] tem muito pouco para oferecer”. Para o coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Leonildo José Monteiro Filho, é preciso mapear essa população. “Essa é uma das nossas grandes lutas. Quando você tem números, consegue criar políticas públicas segmentadas.”

O maior medo de Rita*, 18, não é a violência nas ruas – naquele dia ela tinha sido enxotada por pedir comida em uma lanchonete – nem tempestades que molham a barraca, localizada embaixo de um viaduto no centro de São Paulo. Ela teme que o filho, de 3 meses, seja vítima da institucionalização. Uma das medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a retirada da criança do convívio familiar em situações de risco. Deveria ser exceção, mas as famílias dizem que não é bem assim. Por isso, por medo, nenhuma das famílias desta reportagem quis identificar quem as ameaçou em relação à guarda dos filhos.
“Quem está na rua não tem resguardo, não come como deveria. Com dois meses meu leite secou. Mas isso não é o pior. Tentaram tirar o meu filho de mim no hospital porque eu não tinha um endereço. Você acha justo separar a minha família porque eu sou pobre, preta e não tenho um teto?”, diz, quando seus olhos já não conseguem mais segurar as lágrimas.
Rita diz que fugiu de casa aos 15 anos depois que a mãe, usuária de drogas, passou a explorá-la sexualmente. Aos 16, conheceu o atual companheiro. O filho, de 3 meses, nasceu dois anos depois. Todas as coisas do bebê cabem em uma bolsa pequena de maternidade, onde estão a carteira de vacinação – em dia – e a certidão de nascimento. “Quando eu lavo o macacão, ele precisa ficar embrulhado na mantinha... (silêncio) porque não tenho outro” , diz, em meio a um choro compulsivo.

Criar um filho na rua é estar preparado para responder a perguntas dramáticas. “Mãe, por que a gente mora na rua?” e “O que é “meter bala [atirar]?” foram algumas das questões que Valéria*, 27, já precisou explicar para a filha mais velha, de 4. Uma delas, aconteceu na noite em que foi anunciado o novo presidente do país. “Passaram uns caras comemorando a vitória. Quando o sinal fechou, eles abriram o vidro do carro e gritaram que iriam passar aqui e meter bala na gente. As crianças acharam que eles estavam festejando e começaram a pular e gritar também. Depois, vieram as perguntas.”

                      CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)
Mário*, 27 anos - Enquanto um trabalha – ele como catador de lixo, e sua mulher como diarista –, o outro precisa cuidar das duas filhas pequenas (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)

O desafio da sobrevivência

Não há romantismo em crescer nas ruas. As condições extremas levam a problemas extremos. Há famílias, como as que conhecemos nesta reportagem, que se esforçam para garantir a sobrevivência dos filhos com um pouco de dignidade. Mas há, também, as que exploram – como aconteceu com Rita antes de ela fugir –, as que são incapazes de cuidar por uso de drogas lícitas ou não, dentre outros motivos. E as que precisam conviver com o vício de outros moradores.

Há dois anos, os filhos de Valéria – o caçula tem 4 meses – crescem em uma praça na zona sul de São Paulo, de frente para um supermercado e ao lado de uma estação de metrô. Pelo menos outras dez crianças e 30 adultos vivem ali. Alguns, usuários de drogas. “A gente tem medo, mas ou enfrenta o pavor e come ou vejo meus filhos passando fome”, diz, sobre escolhas que nenhuma mãe deveria ser obrigada a fazer.

É uma incógnita o impacto da situação de rua na vida dessas crianças. A enfermeira Anna Maria Chiesa, especialista em saúde coletiva na Universidade de São Paulo, diz que ser “generalista e determinista” sobre o futuro delas é um engano. Ela acredita que ninguém pode dizer que a vida, como a desses pequenos, será um fracasso. Anna, que também é consultora da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, instituição focada no desenvolvimento integral da primeira infância, complementa: “O que se pode dizer é que essa criança vai precisar de um esforço muito maior para recuperar alguns desgastes. Viver com a família, ter um teto, acessar serviços de saúde, frequentar a escola, por exemplo, reduzem esses riscos.”
Uma pesquisa recente feita no Centro Médico de Boston, do Observatório da Saúde da Criança nos Estados Unidos, e publicada no periódico internacional Pediatrics, mostrou algo que quem acompanha o dia a dia das famílias já sabe: bebês, mesmo ainda na gestação, e crianças em situação de rua por mais de seis meses são mais suscetíveis a problemas de saúde em razão da vulnerabilidade. O levantamento, feito entre 2009 e 2015, incluiu 20 mil famílias.
“Essas descobertas confirmam o que já sabíamos sobre como o estresse da falta de moradia afeta a saúde das crianças. Mas isso nos ajuda a determinar quais crianças estão em maior risco.” A moradia possível oferece riscos. Em um dos barracos visitados pela reportagem, uma das crianças tinha sido mordida por ratazana. Virosesdiarreias e problemas respiratórios são as doenças mais comuns.
CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo) O mundo de quem vive em situação de rua cabe em carrinho, caixa ou no canto de um pequeno cômodo(Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)

CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)
(Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)

CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)
(Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)

CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)
(Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)

CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)
(Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)

CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)
(Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)

O que a vida quer da gente é coragem, escreveu Guimarães Rosa. Foi o que Priscila*, de 16 anos, precisou, em uma madrugada de dezembro de 2016. Naquele dia, um incêndio varreu a comunidade onde vive, a favela do Cimento, na zona leste de São Paulo. “Lembro de ouvir gritos e do cheiro de fumaça. Segurei minha filha, na época com 6 meses, nos braços e peguei uns documentos. Não deu para salvar mais nada. Tinha acabado de comprar umas coisinhas para ela. A gente já não tem muito, e o fogo levou tudo.”

Priscila não sonhou construir família sem ter um CEP. Um despejo obrigou ela e sua mãe a migrarem de Recife, em Pernambuco, para São Paulo, onde os avós maternos tinham conseguido se instalar em uma moradia informal.

Quem vive em ocupações, praças, embaixo de viadutos e até dentro de carcaças de veículos é considerado em situação de rua. “Ó, ó”, diz a filha, de 1 ano, para os brinquedos, organizados em duas caixas coloridas ao lado da cama de casal onde dorme com os pais. Na lateral do cômodo, mais caixas de papelão, que fazem as vezes de armário e abrigam a história da família. Descalça, a menina caminha por tapetes que cobrem o chão de terra batida.

Déficit nas creches

No Cimento, como os moradores se referem à comunidade erguida ao lado de uma estação de trem e em área de carga e descarga de caminhões, criança pequena não pisa na rua. “Só os grandes podem”, explica um primo da menina, 6 anos, que ainda é pequeno segundo as regras dali. A menina está em casa porque não há vaga na creche.

Também é o caso das duas filhas de Mário*, 27, a menor com 2 anos. Quando o salário passou a servir ou para pagar o aluguel ou para alimentar a família, ele decidiu viver em situação de rua. No cômodo-casa que levantou na comunidade, vive Mário, a mulher e as crianças. Se a companheira consegue trabalho como diarista, ele cuida das meninas. Do contrário, trabalha como catador. “Quem puxa carroça? Burro!”, diz, ressentido. “Se minhas filhas estivessem na creche, eu e minha mulher poderíamos trabalhar mais. Mas cadê lugar?” Na capital, segundo dados da prefeitura, cerca de 20 mil crianças estão na fila à espera de uma vaga.

E assim, do jeito que é possível, todos tocam o dia a dia. Há três gerações, a família de Priscila luta para se livrar das ruas. “Difícil” é a única palavra que o avô dela, Claudio*, 59, encontra para descrever as incontáveis vezes que protegeu a mulher e os filhos, então pequenos, de tempestades e do frio com uma pedaço de lona sob um carrinho onde armazena objetos para reciclagem. “Não tem folga para quem precisa garantir o amanhã.”

Claudio puxa carrinho junto com o marido de Priscila. Com o trabalho, mantém as duas casas – na dele, moram a mulher, uma filha e sete netos. Nenhum dos pequenos sai para ajudá-los, ele diz. “Lugar de criança não é na rua, é na escola. Para eles, eu quero outro futuro.” Naquele dia, os uniformes das crianças estavam todos pendurados em um varal do lado de fora da casa, na calçada.

CF305-INFANCIA-NA-RUA (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)
Rita*, 18 anos - Ela fugiu de casa aos 15 anos, quando a mãe, usuária de drogas, começou a explorá-la sexualmente. Aos 16, conheceu o atual companheiror (Foto: Ênio Cesar / Editora Globo)

Entre cuidados e carinhos

“As famílias em situação de rua são as primeiras a chegar na escola para buscar os filhos”, diz Marta Marques, coordenadora do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto (Bompar). Fundada em 1946, a entidade atende cerca de 10 mil pessoas em situação de rua diariamente em São Paulo. “A maioria das pessoas imagina que as crianças nessa condição vivem em abandono, quando nossa experiência de décadas mostra o contrário. O cuidado e o carinho são muito intensos. Os pais começam até a cuidar da própria saúde por conta do filho.”

As equipes do Bompar sensibilizam escolas sobre a situação das crianças sem endereço fixo. A família de Priscila integra a lista graças à parceria do centro com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, responsáveis pelo programa Consultório na Rua, que garante atendimento às gestantes, mães e bebês nas ruas de São Paulo. Graças ao trabalho da equipe, as gestantes recebem enxoval, fazem o pré-natal, têm um chá de bebê coletivo e um ensaio fotográfico – a primeira foto impressa que Priscila teve na vida é a do álbum da festa.

No Brasil, quase 7 milhões de famílias não têm uma casa para morar. “Hoje elas não têm alternativa. O modelo de investimento em assistência social é em etapas, pura e simplesmente”, diz a advogada e assessora jurídica Maria Eugenia Trombini, da Terra de Direitos, uma organização de direitos humanos. Sem um CEP, empregadores desistem de contratar, como aconteceu com Lurdes*, mãe de duas meninas, uma de 7 anos, outra de 2. “Perdi a vaga porque moro em barraco. Mas não me julgo moradora de rua, porque tenho um teto.” A cada 15 dias, ela trabalha três vezes por semana como faxineira. Nos outros, o marido sai para recolher material para reciclagem. Com o que entra, compram o básico e guloseimas que as filhas gostam, como iogurte de morango. Se a renda deles chegasse a R$ 2 mil, diz, alugariam uma casa.
Mãe solteira, Juliana*, 35, conheceu Lurdes no Cimento depois de perder o emprego. Sem condições de manter o aluguel, mudou-se para um dos casebres. “Imagine que, de repente, no seu mundo não tem mais banheiro para dar banho nas crianças, água na torneira, vaso sanitário.” Ela é mãe de três, o menor tem 9 meses. Enquanto a mais velha vai para a escola, os outros dois, sem vaga na creche, ficam brincando e vendo TV em casa, impossibilitando qualquer jornada de trabalho. Graças ao auxílio do Bolsa Família, diz, não passam fome. Ao lado dos filhos, já viveu quatro tentativas de reintegração de posse no terreno onde moram. “Não queira saber o que é ter trator de um lado e a Rota [polícia] do outro.” A rua é para os fortes.
Ser pai e mãe é, sempre, desafiador. Em condições de vulnerabilidade, é ainda mais difícil. Mas essas famílias não escolheram outra saída que não a melhor para os filhos.

Quer ajudar?

É possível colaborar com organizações que atendem pessoas em situação de rua presencialmente ou com doações em dinheiro. Conheça algumas iniciativas:

Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto
Além de roupas e itens de higiene, precisa de enxovais para distribuir às mães em situação de rua.
São Paulo, tel. (11) 2692-3165; marta.saudenarua@gmail.com

Paróquia São Miguel Arcanjo / Pastoral Povo da Rua
Liderada pelo padre Júlio Lancellotti, defensor e ativista das pessoas em situação de rua, recebe todo tipo de doação, inclusive qualquer objeto que sirva como abrigo, como lona e barraca.
São Paulo, tel. (11) 2692-6798; julio@oarcanjo.net

Legião da Boa Vontade
A associação tem 82 unidades de atendimento espalhadas pelo Brasil e auxilia famílias de baixa renda. Doações podem ser feitas pelo site www.lbv.org/doar/

Vó Dolores
Não é um abrigo, mas um projeto voluntário cuja missão é ajudar famílias carentes com crianças pequenas e gestantes. Aceitam artigos de criança, adulto, higiene pessoal.
Belo Horizonte, MG, tel. (31) 98836-8534 (WhatsApp) e (31) 2516-5699; projeto.vodolores@gmail.com

Pequena Casa da Criança
Atende crianças a partir de 2 anos e meio ou mais, jovens, adultos e idosos. A maior demanda é de crianças. Recebem doações de alimentos, roupas, calçados e via depósito bancário.

Porto Alegre, tel. (51) 3076-0524; projetossociais@pequenacasa.org.br

*A identidade dos personagens foi preservada a pedido dos entrevistados.
A reportagem começou a ser realizada em outubro/2018





Especialista sul-africana visita escola que criou material pedagógico acessível

Judith McKenzie, professora da Universidade da Cidade do Cabo, conheceu educadoras que participaram de formação do Instituto Rodrigo Mendes

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No dia 29 de abril, após bate-papo realizado no Instituto Rodrigo Mendes (IRM) pela manhã, Judith McKenzie, professora do programa de Estudos sobre Deficiências da Universidade da Cidade do Cabo, visitou a Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Teodomiro Toledo Piza, no Parque Grajaú, bairro da zona sul da capital paulista.

A escola pertence à rede municipal de São Paulo e foi uma das catorze da Diretoria Regional de Educação (DRE) Capela do Socorro, cujos educadores receberam formação em educação inclusiva e cultura maker em 2018.

McKenzie conheceu as instalações da unidade escolar, como as salas de professores e de recursos multifuncionais, e conversou com as educadoras Eliane Pereira de Oliveira, professora regente, e Sandra Azevedo Augusto, coordenadora pedagógica, sobre os desafios da atuação profissional e da formação docente. As professoras foram duas cursistas que, em grupo, idealizaram e criaram o protótipo de um tabuleiro de jogo interativo e inclusivo, chamado Trilha dos Seres Vivos.

A especialista sul-africana também teve a oportunidade de observar os estudantes brincando com o tabuleiro, que possui dado sonoro e visual, relevos, texturas, imagens, identificação em braile e outros recursos que o tornam acessível e possibilita o aprendizado de conteúdos relacionados aos animais a todos.

O projeto Materiais Pedagógicos Acessíveis é uma formação em serviço, desenvolvida e implementada pelo IRM, para educadores envolvidos no processo de escolarização de estudantes público-alvo da educação especial em escolas comuns, com o objetivo de contribuir na construção de materiais pedagógicos acessíveis que auxiliem o processo de ensino-aprendizagem de estudantes com e sem deficiência. Em 2019, o projeto é oferecido na DRE Itaquera.

O relato de experiência das educadoras da escola e o tutorial para a criação da trilha dos seres vivos estarão em breve disponíveis no DIVERSA, projeto educacional desenvolvido pelo IRM. No portal é possível acessar também outros materiais pedagógicos acessíveis já disponibilizados.

Fontes: Instituto Rodrigo Mendes - www.fernandazago.com.br

Aluna do Centro de Formação Esportiva disputará Mundial de Jovens de Goalball

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Por CPB

A Seleção Brasileira feminina de goalball está reunida no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, pela quarta vez nesta temporada. Dez jogadoras participam da fase de treinamento entre os dias 13 e 19 de maio. Uma delas, Emily França, de 18 anos, foi convocada pela Seleção Brasileira pela primeira vez e, em agosto, também estreará em competições internacionais, ao disputar o Campeonato Mundial de Jovens de Goalball, na Austrália.

“Estou realizando um sonho que tinha desde que comecei a praticar goalball. Estar aqui com a Seleção adulta é uma experiência ótima, que vou levar para o resto da minha vida. Não quero parar de treinar e quero ser um exemplo para as outras pessoas. O Mundial será minha primeira competição internacional, então este ano vou focar no goalball”, disse Emily, que é da classe B3, para atletas com baixa visão.

Emily nasceu com deficiência visual, mas só foi diagnosticada aos cinco anos. A paulistana conheceu o goalball em 2013, na escola. Há um ano, começou a frequentar o Centro de Formação em Esportes Paralímpicos do Comitê Paralímpico Brasileiro. Ela participou das Paralimpíadas Escolares pela delegação paulista de 2015 a 2018 e, nas duas últimas edições, conquistou a medalha de ouro.

Enquanto Emily França, Danielle Longuini, Mônica Santos e Letícia da Silva se preparam para o Campeonato Mundial de Jovens de Goalball 2019, que será de 2 a 10 de agosto, em Sydney, na Austrália, as demais atletas finalizam os treinos para a disputa do Malmö Intercup, de 31 de maio a 2 de junho, na Suécia.

Ainda este ano, as Seleções Brasileiras de goalball, feminina e masculina, participarão dos Jogos Parapan-Americanos de Lima 2019, de 23 de agosto a 1º de setembro. As equipes já estão garantidas nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 por terem conquistado o título mundial no masculino e o bronze no feminino no Mundial da modalidade de 2018, também em Malmö, na Suécia.

Brasil recebe seleção americana para intercâmbio internacional de goalball

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Por CPB

Entre os dias 14 e 18 de maio, acontece no CT Paralímpico, em São Paulo, o Intercâmbio Internacional de Goalball Masculino. Além da Seleção Brasileira, estão presentes a seleção americana e os times do Sesi, do Instituto Athlon e do Santos FC. Durante a manhã e a tarde são feitos jogos amistosos entre os times. O evento é importante para a preparação tanto para os Jogos Parapan-Americanos, que ocorrerão em agosto, no Peru, quanto para o Torneio Internacional de Goalball, que será entre os dias 29 de maio e 2 de junho, em Malmo, na Suécia.

"Na quinta, tevemos três períodos de treino: às 10h, às 14h e às 17h, justamente porque nos jogos de Malmo teremos um dia em que acontecerão quatro jogos. Então estamos buscando simular o que vai acontecer no Torneio de Malmo", explica Alessandro Tosim, técnico da Seleção Brasileira masculina de Goalball.

Neste sábado, 18, acontecerá um torneio. A equipe brasileira será dividida em duas; A e B, e todos os times se enfrentarão.

"Esta semana é muito importante para nós, até porque, neste ano, ainda não jogamos internacionalmente. Então, jogar com os EUA, que é uma equipe bastante qualificada no cenário mundial, é muito interessante. Além disso, também chegaremos nos jogos de Malmo com bastante competição na bagagem, porque já na próxima semana embarcaremos para lá. Obviamente, nosso ponto principal é o Parapan-Americano. E o intercâmbio nos dá uma base porque os EUA já está com a equipe deles que irá disputar o Parapan, praticamente formada", afirmou o técnico.

De acordo com a comissão técnica da Seleção, a definição do grupo que viajará aos Jogos Parapan-Americanos será feita somente após o torneio sueco.

As Seleções Brasileiras de goalball, feminina e masculina, já estão garantidas nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 por terem conquistado o título mundial no masculino e o bronze no feminino no Mundial da modalidade de 2018, também em Malmö, na Suécia.

Seleção de basquete em CR visa equilibrar defesa em treinos no CT Paralímpico

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Por CPB

A Seleção Brasileira masculina de basquete em cadeira de rodas esteve nesta semana no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. A última grande competição da equipe foi o Torneio de Páscoa, realizado em Blankenberge, na Bélgica, em que o time conquistou o bronze. Segundo Sileno Santos, técnico da Seleção, a área da defesa foi a que mais sofreu modificações desde a competição.

"O evento na Bélgica tinha o objetivo de dar ritmo de jogo em competições internacionais. A equipe ainda não estava 100% treinada e os jogos mostraram que os posicionamentos, principalmente os ofensivos, estão alinhados com as habilidades e capacidades dos jogadores."

"Fizemos jogos com equipes de renome mundial. A Grã-Bretanha, por exemplo, é a atual campeã mundial e fizemos com eles nosso jogo de estreia. Vencer a Holanda foi muito importante considerando que havíamos perdido os dois últimos amistosos feitos em 2018, durante preparação para o Mundial. Jogar com Japão é sempre muito importante porque é uma equipe que exige ações o tempo inteiro. Senti que o Brasil foi muito respeitado e as equipes tiveram que jogar bem para poder nos vencer. A estrutura do evento também foi muito boa, o que vale ressaltar o investimento feito pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e pela Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC) para que pudéssemos estar presentes na Bélgica."

Agora, a equipe se reunirá nos meses de junho, julho e agosto, antes do Jogos Parapan-Americanos. Nesses encontros, os sistemas de defesa, ataque, preparação psicológica e preparação física de manutenção serão reforçados.

"Estou fazendo acompanhamento semanal dos atletas e conversando com seus técnicos para alinhar informações. Além disso, os jogadores estarão envolvidos em jogos oficiais estaduais, fazendo com se mantenham motivados para render seu máximo no Parapan", afirmou o técnico.

A competição continental, que ocorrerá de 23 de agosto a 1º de setembro, classifica os três melhores colocados aos Jogos Paralímpicos de Tóquio. No Rio 2016, a Seleção masculina nacional ficou com a quinta colocação.

Lauro Chaman é prata na etapa da Bélgica da Copa do Mundo de Ciclismo

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Por CPB

Nesta sexta-feira, 17, o ciclista Lauro Chaman faturou a medalha de prata na prova contrarrelógio na etapa da Bélgica da Copa do Mundo de Paraciclismo. A competição termina neste domingo, 19. O evento vale pontos no ranking das nações que será utilizado para distribuição de vagas entre os países para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.

Lauro, da classe C5, terminou a prova em 37min40s83 e ficou com a prata, apenas 11s48 atrás do holandês Daniel Gebru. O bronze ficou com o ucraniano Yehor Dementiev com o tempo 37min44s23. O outro brasileiro nesta prova, Soelito Gohr, terminou em sétimo lugar (40min44s92). Na categoria tandem, para deficientes visuais, Marcia Fanhani e Cristiane Silva (piloto) não conseguiram terminar a prova devido a problemas na bicicleta.

"O Brasil está fazendo uma grande participação nas duas etapas europeias da Copa do Mundo, já somamos mais de 500 pontos no rankig das nações, com oito atletas pontuando. O ranking das nações é uma das principais metas do paraciclismo, pois assim teremos a oportunidade de ampliar o número de vagas em Tóquio em comparação as Paralimpíadas Rio 2016", declarou Edilson Rocha “Tubiba”, coordenador do ciclismo na Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC).

No último domingo, 12, o Brasil encerrou a etapa da Itália com seis medalhas, sendo um ouro, uma prata e quatro bronzes. No segundo semestre, a Seleção Brasileira disputará os Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru.

Neste sábado, 18, começam as provas de estrada com a handbike.

Confira os demais resultados do Brasil na etapa da Bélgica da Copa do Mundo:

Carlos Alberto (C1) - 9º lugar
Victor Luise (C2) - 15º lugar
Victoria Barbosa (C2) - 8º lugar
Telma Bueno (C5) - 10º lugar

Memorial da Inclusão participa de Virada Cultural 2019

   Imagem: banda se apresentando

No próximo sábado, 18 de maio, às 15h, o espaço Memorial da Inclusão, ação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, participa da Virada Cultural com show da banda Dudé e A Máfia na sede da Secretaria.

Dudé e A Máfia surgiu no final de 2013 por amigos fãs do Blues e do Hard Rock dos anos 70 e 80, iniciou suas atividades como banda autoral no início de 2014, em 2015, participou da Virada Inclusiva, evento organizado pela Secretaria abrindo show do músico Chico César no Memorial da América Latina.

Inaugurado no dia 3 de dezembro de 2009, o Memorial da Inclusão: os Caminhos da Pessoa com Deficiência tem o propósito de reunir em um só espaço fotografias, documentos, manuscritos, áudios, vídeos e referências aos principais personagens, às lutas e às várias iniciativas que incentivaram as conquistas e melhores oportunidades às pessoas com deficiências.

A Virada Cultural está na sua 15ª edição e promete ser a maior produzida com 1.200 atrações espalhadas em mais de 60 palcos durante 24 horas dos dias de evento.

SERVIÇO
Memorial da Inclusão na Virada Cultural 2019
Data: 18 de maio de 2019
Horário: às 15h
Local: Memorial da Inclusão sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 – Portão 10 – Barra Funda – São Paulo – SP, próximo à Estação Palmeiras - Barra Funda do Metrô - CPTM
Entrada: Gratuita

Lavatório e torneira apertados são inacessíveis. Conheça os hábitos dos usuários - Veja o vídeo.

Resultado de imagem para Lavatório e torneira apertados são inacessíveis. Conheça os hábitos dos usuários.

por Ricardo Shimosakai

Conhecer os hábitos dos usuários é um ítem importante quando se quer satisfazer as necessidades destes. Quando se trata de acessibilidade, este estudo geralmente não é feito. Na maioria das vezes, equipamentos são colocados para atender a uma propósito principal, mas não são observados algumas características diferentes, afinal o usuário pode ter hábitos diferentes.

Este vídeo exemplifica bem esta situação. Eu (Ricardo Shimosakai), tenho bexiga neurogênica, que resulta numa incontinência urinária, onde meu cérebro não consegue controlar as partes do corpo responsáveis para reter ou soltar a urina da bexiga. Fiz uma espécie de treinamento pelo que chamam de “educar a bexiga”, onde passamos a fazer o esvaziamento da bexiga nos mesmos horários todos os dias. Assim ela acostuma a soltar a urina somente nesses horários. Isso também é conhecido como cateterismo intermitente.
Geralmente, pessoas com incontinência utilizam coletores ou cateteres de alívio. Coletores ficam conectados por longos períodos, enquanto os cateteres de alívio são utilizados somente na hora do procedimento de esvaziamento da bexiga, e depois descartados. Eu utilizo o cateter de alívio, com intervalos de aproximadamente quatro horas.

Não utilizo o vaso sanitário, faço sentado na minha própria cadeira de rodas. O cateter é introduzido no pênis, e na outra ponta sai a urina, onde eu coloco uma garrafinha. Quando vejo que não há mais urina para sair, jogo o cateter no lixo, despejo a urina no vaso sanitário e depois lavo a garrafinha na pia.

O problema é que em diversos modelos de pias, não consigo ou tenho muita dificuldade em colocar a boca da garrafinha embaixo da torneira. Não é um procedimento comum para uma pia de banheiro, seria mais para uma pia de cozinha. Mas como eu disse anteriormente, este é um hábito diferente da maioria, mas muito comum para quem utiliza banheiros adaptados.

Então uma pia maior, ou uma torneira mais afastada é muito importante, afinal fazer a limpeza da garrafinha também faz parte da higiene. Outro detalhe importante, é um local para apoiar os materiais do procedimento. Além do cateter e da garrafinha, também podem ser necessários um lubrificante, luvas e lenços umedecidos, e tudo isso precisa ficar ao alcance das mãos, antes de começar o procedimento. Em alguns modelos de pias, há um pequeno espaço, mas em outros não. Então uma pequena prateleira ao lado facilitaria muito.

Dificilmente o mercado possui produtos desenvolvidos especialmente para pessoas com deficiência, então o mais comum é fazer adaptações. Mas reforçando a mensagem desta matéria, uma boa adaptação é feita quando se conhece os hábitos dos usuários.