sábado, 22 de junho de 2019

Procuradoria do Rio encontra fraude de até R$ 60 milhões em remédios de doenças raras

Foto: Kathia Tamanaha/Estadão

Juliana Braga

Um pente-fino na concessão de remédios de alto custo para doenças raras identificou fraudes que podem alcançar R$ 60 milhões no Rio de Janeiro. Um falso positivo de um paciente com doença de Pompe, que sozinho causou prejuízo de R$ 648 mil, motivou a Especializada de Serviços de Saúde da Procuradoria-Geral do Estado a revisar usuários de outros medicamentos, inclusive os à base de canabidiol.

O que já encontraram assustou pelo volume. Dos 50 usuários de um remédio usado para a doença degenerativa macular (entre outras), por exemplo, 25 não precisavam — dano estimado de R$ 750 mil no último ano.

Para um dos medicamentos, cuja ampola custa R$ 2,5 mil, o grupo encontraram de trabalho formado por médicos e procuradores encontrou indícios de desperdício – os frascos, que poderiam ser usado por vários pacientes, estavam sendo usado por apenas um.

O esquema não poupou nem um tipo de leite indicado a crianças com graves alergias. Chamou a atenção da Procuradoria o fato de quase a totalidade das prescrições se restringirem a quatro unidades de saúde.

Com a intervenção, todos os pacientes já estão sendo reavaliados no recém-criado Pólo de Verificação, Dispensação e Aplicação, no Hospital Universitário Pedro Ernesto.



Inscrições para corrida do Autismo, em Ipatinga, seguem até dia 27 de junho

Parte do valor arrecadado com as inscrições vai ser doado para instituições que atendem pessoas com autismo na região do Vale do Aço

Por Redação
Inscrições para corrida do Autismo terminam no dia 27 de junho em Ipatinga — Foto: Divulgação
Inscrições para corrida do Autismo terminam no dia 27 de junho em Ipatinga — Foto: Divulgação

No dia 30 de junho vai ser realizada em Ipatinga a primeira corrida do autismo. O objetivo do evento, além de incentivar a prática de atividade física, é promover a interação da população e dar visibilidade aos apoiadores e familiares dos autistas.

O autismo é um distúrbio de desenvolvimento que afeta mais de um milhão de crianças no Brasil. Parte da verba arrecadada com as inscrições vai ser revertida para instituições que contribuem com a causa dos autistas. A corrida vai ter percurso único de cinco quilômetros e vai ser realizada a partir das 8h30 no Parque Ipanema.

As inscrições podem ser feitas exclusivamente pelo site da empresa organizadora até quinta-feira (27). Além da participar da corrida, os inscritos recebem um kit que tem camisa, um chip com o número de peito e um squeeze. Todos os competidores que completarem o percurso vão receber uma medalha.

Mesmo quem não participar da corrida, poderá participar do evento; o domingo no parque vai ser de ações voltadas para a população, como rodas de conversa sobre o distúrbio do autismo.

Menino com autismo começa a conversar após terapia com cães, em Morrinhos - Veja o vídeo.

Raylon Lomeu está entre os 12 pacientes atendidos pelos Bichos Terapeutas. Animais participam de sessões de fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia na rede pública.

Por Paula Resende, G1 GO, em Morrinhos

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Menino com autismo começa a conversar após terapia com cães, em Morrinhos

Nino, Thor e Tacha fazem parte de um time de respeito: Bicho Terapeutas. Os cachorros ajudam crianças e adultos durante sessões de fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia realizadas na rede pública, em Morrinhos, na região sul de Goiás. Entre os alunos está Raylon Lomeu, de 8 anos, que começou a falar após participar do projeto.

Clique AQUI para ver o vídeo.

“Com a presença do cão, a gente consegue que ele se comunique, fale com a gente, dê respostas, faça perguntas, coisas que não fazia. A criança fica mais espontânea, à vontade. Foi um resultado incrível”, afirma a fonoaudióloga Meiriely Duarte Silveira, responsável pelo tratamento.

Pai de Raylon, José Ricardo Dias Lomeu espera uma evolução constante do filho.

“Eu me sinto confiante que ele vai melhorar sempre. Cada dia uma coisa que ele faz é uma conquista para nós. Espero que seja independente, consiga se defender”, disse.

Rayssa Vieira esbanja alegria durante as sessões com os cães em Morrinhos, Goiás — Foto: Paula Resende/G1
Rayssa Vieira esbanja alegria durante as sessões com os cães em Morrinhos, Goiás — Foto: Paula Resende/G1

Professora do curso de zootecnia do Instituto Federal Goiano, Aline Camargos criou o projeto em 2014 e, desde então, 30 pessoas já foram atendidas pelos bichos -- uma maritaca também compõe o time. Atualmente, 12 pacientes fazem terapia com os animais, uma vez por semana. O tratamento dura, no mínimo, seis meses.

A estudante Rayssa Vieira, de 15 anos, nasceu com hidrocefalia e teve os movimentos prejudicados por causa de uma lesão na coluna. Os cães são como um espelho para ela durante as sessões de terapia ocupacional.

“Aqui, a gente realiza a escovação do pelo do cão e, depois, a gente traz isso para a atividade do dia a dia, que é pentear os cabelos”, explica a terapeuta ocupacional Natasha Azeredo.

Arnaldo Vieira Ramos caminha guiado pelo Nino nas sessões de fisioterapia com Rogério de França Martins, em Morrinhos, Goiás — Foto: Paula Resende/G1
Arnaldo Vieira Ramos caminha guiado pelo Nino nas sessões de fisioterapia com Rogério de França Martins, em Morrinhos, Goiás — Foto: Paula Resende/G1

Enquanto Raylon e Rayssa aprendem os movimentos, o aposentado Arnaldo Vieira Ramos, de 75 anos, precisa ganhar força para fazê-los novamente. Ele sofreu um acidente vascular cerebral em 2011 e perdeu a força do braço e perna esquerdos. Em vez de levantar pesos, ele levanta o Nino.

Os resultados surpreendem alunos e professores que desenvolvem o projeto.

“Os animais entram acelerando o processo de ganho de saúde. Me sinto realizada de ver o ganho dos pacientes e, não só dos pacientes, percebo que os alunos que eu trago evoluem muito como cidadãos. A gente percebe que o aluno que está ajudando é alguém que também precisava de ajuda”, destaca Aline.

Professores, alunos e profissionais da Saúde participam do projeto Bichos Terapeutas, em Morrinhos — Foto: Paula Resende/G1
Professores, alunos e profissionais da Saúde participam do projeto Bichos Terapeutas, em Morrinhos — Foto: Paula Resende/G1

‘Seleção’

Para participar do projeto, os animais precisam ser aprovados, inicialmente, pelo veterinário Flávio Barros Costa. “Os calendários vacinal e preventivo, tanto de verminose quanto de ectoparasita, têm de estar atualizados para que, entrando em contato com os pacientes, os cães não levem nenhuma zoonose ou doença. É um acompanhamento ininterrupto”, afirma.

Além dos testes de sanidade, os bichos também passam por avaliações comportamentais. "A partir do resultado do hectograma, a gente vai entender o quanto o cão gosta do contato com o ser humano, o quanto é receptivo a outras técnicas, o aprendizado de truques e adestramento", explica a coordenadora do projeto.

Aline ressalta que, para os animais atenderem bem, é necessário que eles estejam bem. “O bem-estar desses animais que atuam como co-terapeutas é bem importante para a gente. Eles só podem participar de três sessões de 30 minutos por dia. A gente não pode ultrapassar esse limite porque o animal cansa e, quando está cansado, estressado, ele começa a ter outras reações que diferem do comportamento natural deles”, explica.

“A gente tem a segurança que os cães estão gostando dos atendimentos”, completa a professora.

Raylon Lomeu começou a falar após as sessões de fonoaudiologia da Meiriely Siveira acompanhadas pela Tacha, em Morrinhos — Foto: Paula Resende/ G1
Raylon Lomeu começou a falar após as sessões de fonoaudiologia da Meiriely Siveira acompanhadas pela Tacha, em Morrinhos — Foto: Paula Resende/ G1

Fonte: g1.globo.com

Lei garante direito a autistas, mas nem sempre a legislação é cumprida na prática

Especialista esclarece questões sobre direitos de educação e saúde para pessoas com autismo. O Profissão Repórter desta semana mostrou a busca por tratamento e inclusão de pessoas com autismo no Brasil.

Por Nathalia Tavolieri

O Profissão Repórter desta quarta-feira (19) mostrou dificuldades de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) para conseguir tratamento e ensino de qualidade.

O transtorno, que afeta hoje uma em cada 59 crianças, não tem cura e o tratamento adequado pode custar R$20 mil por mês. Em 2012, a legislação brasileira passou a assegurar às pessoas diagnosticadas com TEA os mesmos direitos garantidos aos deficientes físicos e mentais. Mas, como a última edição do programa mostrou, nem sempre a lei é garantida na prática.

A advogada Diana Serpe, especialista em direitos relacionados ao autismo. — Foto: (Foto: Divulgação / Andrea Benedetti)
A advogada Diana Serpe, especialista em direitos relacionados ao autismo. — Foto: (Foto: Divulgação / Andrea Benedetti)

A advogada Diana Serpe, especialista em direitos relacionados ao autismo, esclarece abaixo dúvidas comuns sobre o acesso à educação e saúde.

SAÚDE

O que acontece quando a cidade não oferece o tratamento?

Diana Serpe - De acordo com a Lei 13.146/15, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve disponibilizar atenção integral e tratamento completo ao paciente diagnosticado com TEA em qualquer grau de complexidade. O município tem a obrigação de fornecer o transporte para deslocamento à cidade vizinha que disponibiliza o tratamento. Se for necessário, o governo também tem de pagar pela pernoite do paciente e de seu acompanhante. Quando não houver serviço em um município próximo, o Estado tem a obrigação de pagar pelo tratamento na rede particular. A família precisa ter em mãos relatórios médicos que comprovem a necessidade do tratamento e fazer a solicitação judicialmente. "A aplicação da lei fará a diferença. Cabe às pessoas, em caso de descumprimento, buscar o poder judiciário.", afirma Diana Serpe.

Como solicitar tratamento pela justiça?

Serpe - Procure um advogado. Caso a família não tenha condições financeiras, e possível entrar em contato com um defensor do Ministério Público ou advogado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da cidade. O indivíduo diagnosticado com autismo tem direito a um tratamento multidisciplinar. E importante requerer, por escrito, a solicitação do atendimento pretendido em detalhes. Quando a solicitação for feita por telefone, anote o número do protocolo, data e horário de atendimento. O pedido médico deve justificar o tratamento solicitado e a urgência do atendimento.

O plano de saúde pode recusar meu filho autista?

Serpe - Não. A Lei 12.764/12 afirma que o plano de saúde não pode negar beneficiário com TEA em razão de sua condição de pessoa com deficiência.

Segundo a advogada, era comum que planos de saúde se recusassem a pagar terapias comportamentais, como o ABBA, com a justificativa de que não constavam entra as terapias previstas pela Agência Nacional de Saúde (ANS).

Apesar desse tipo de negativa não ser mais tão recorrente, as famílias com pessoas com TEA ainda enfrentam problemas para conseguir tratamento via planos de saúde. Nas poucas clínicas particulares credenciadas para o atendimento, é difícil conseguir horário. Alguns locais chegam a oferecer terapias que deveriam ser individuais, em grupo. De acordo com a advogada, a família precisa ficar atenta e cobrar que as terapias necessárias sejam fornecidas da maneira apropriada e com a duração indicada pelo médico.

O convênio não pode limitar o número de horas ou sessões para o tratamento do autismo. Quem define isso é o medico. Além disso, o tratamento deve ser feito por profissionais capacitados nas técnicas exigidas para as terapias indicadas. A família pode, inclusive, solicitar a comprovação da capacitação dos profissionais por parte da clínica. Todos os profissionais envolvidos no tratamento do autismo precisam ser especializados. O local não pode se negar a apresentar os certificados. Denúncias e reclamações podem ser feitas diretamente para a ANS.

A advogada Diana Serpe complementa que os familiares que cuidam de pessoas com autismo têm direito a um acompanhamento psicológico e toda a orientação necessária para lidar e tratar o indivíduo autista.

EDUCAÇÃO

Se as escolas públicas de uma cidade não têm condições de acolher adequadamente uma criança com autismo, o governo tem de pagar pelo ensino em uma instituição particular.

A escola não pode cobrar nem um centavo a mais da mensalidade, anuidade ou qualquer outra taxa de um aluno com autismo, mesmo que essa cobrança seja para o fornecimento de atendimento educacional especializado e profissionais de apoio. O aluno de inclusão social paga o mesmo valor dos considerados "típicos". Tanto a escola pública como a particular têm o dever de disponibilizar um profissional de apoio para a criança com autismo - sem qualquer custo adicional para os pais, quando necessário. Se a escola tiver de contratar mais profissionais, por exemplo, o custo deve ser da escola.

A escola particular pode recusar a matrícula da criança autista?

Serpe - Não. Mas é comum que algumas instituições neguem o ingresso desses alunos. A lei não limita o número de alunos especiais por sala. O artigo 7º da Lei que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA (12.764/12) proíbe a recusa de matrícula de criança com TEA ou qualquer outro tipo de deficiência. Caso uma instituição de ensino, pública ou particular, recuse a matrícula de uma pessoa com deficiência, ela poderá entrar com uma ação judicial contra a escola. Ela também poderá solicitar a instauração de inquérito policial, visto que tal conduta e considerada crime, conforme art. 8º da Lei 7.853/89.

Como deve ser a inclusão do aluno autista na escola?

Serpe - Cabe à escola desenvolver um planejamento de estudo individual e um atendimento educacional especializado, promovendo a inclusão do aluno em todas as atividades. Um exemplo simples e a aplicação de provas adaptadas, com duração mais longa, numa sala diferente e com a presença de um acompanhante. A criança com necessidade especial não pode ser excluída de nenhuma atividade escolar. Tudo o que a escola oferece aos alunos "típicos" deve oferecer aos não "típicos" também. A legislação proíbe qualquer discriminação ao aluno com deficiência ou doença crônica em instituições de ensino públicas ou privada.

Fonte: g1.globo.com

Professora de História incentiva acessibilidade, e alunos montam mapas em braile e texturizados

Trabalho de um grupo de alunos
Trabalho de um grupo de alunos Foto: Reprodução/Facebook

Rafael Nascimento

Uma educação mais inclusiva. Esse foi o desejo que fez com que a professora Gabriela Costa, de 34 anos, pensasse "fora da caixinha" e propusesse um desafio a seus alunos, em uma escola particular na Pavuna, Zona Norte do Rio. O trabalho deste trimestre tinha como tema as "conquistas napoleônicas", conteúdo do oitavo ano do Ensino Fundamental, em que estudantes teriam que elaborar os mapas com territórios do imperador francês. A diferença é que os cartazes teriam que ser texturizados e também apresentar legendas e título em braile — para que deficientes visuais pudessem compreender as informações trazidas pelos adolescentes.

Num primeiro momento, contou a professora, alguns ficaram receosos com o desafio que tinham pela frente. Não durou muito tempo. A molecada, formada por alunos de 12 a 14 anos, abraçou a ideia e, após bastante esforço, apresentaram os trabalhos. Mais do que isso: ficaram muito ourgulhosos do que realizaram, nas palavras da própria Gabriela.

— Neste trimestre, após abordarmos o tema de inclusão e necessidades especiais em sala de aula, para tentar compreender um pouco a realidade dessas pessoas, tive a ideia de dar acesso através de um conteúdo de Historia que normalmente tem uma abordagem mais tradicional — explicou a professora, que acrescentou: — No início não exigi o braile na legenda, mas percebemos que tinha o alfabeto no livro de ciências e os alunos encararam o desafio.

                 Trabalho elaborado pelos alunos
              Trabalho elaborado pelos alunos Foto: Reprodução/Facebook

Os estudantes deixaram a imaginação rolar. Na elaboração dos mapas, os adolescentes utilizaram materiais como bolinhas, pedras, gravetos e algodão — para que, pelo tato, fosse possível diferenciar cada território. Além das legendas em braile. Na visão da professora, é importante incentivar a acessibilidade e também lidar com as diferenças, dentro de sala de aula.

— Não existe no currículo formal uma disciplina que aborde a temática da acessibilidade, ela, então, tem que ser feita de maneira transversal ao que está sendo trabalhado em sala de aula. Não é apenas importante, é essencial, pois se isso não for feito, não haverá outro lugar para que os alunos aprendam sobre estratégias de inclusão — disse a professora de história, que leciona em salas de aula há quatro anos. Nos outros sete de profissão, atuou em pesquisas históricas.

Gabriela contou que não tem alunos com necessidades especiais, mas argumenta que tarefas dessa natureza são importante para todos:

— Neste trabalho, o material não serve para incluir já que não tenho um aluno com esta necessidade, mas apresenta para comunidade escolar que estas estratégias existem e devem ser colocadas em prática — opinou ela. — Os mesmos alunos do oitavo ano já pediram para pensarmos em outro trabalho que atinja outras outros grupos. Vamos pensar.

Veículo que atropelou e matou idosa em cadeira de rodas após motorista furar sinal não tinha problema mecânico, diz delegado - Vejam os vídeos

Laudo da perícia mostra que o carro estava a uma velocidade de 46 km/h na hora do acidente. Faixa de pedestres foi pintada de vermelho para lembrar mortes no trânsito.

Por Wagner Sarmento e Edilson Segundo, TV Globo

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Ato lembra morte de cadeirante atropelada na faixa de pedestres no Recife

Um laudo da Polícia Civil apontou que o carro que atropelou e matou uma idosa em uma cadeira de rodas, após o motorista furar um sinal fechado na Avenida Agamenon Magalhães, no Centro do Recife, não apresentava nenhum problema mecânico. A informação foi repassada pelo delegado Paulo Jean, responsável pela investigação do caso, ocorrido em 13 de junho.

Clique AQUI para ver o vídeo

Ivanice Félix da Silva, de 65 anos, atravessava pela faixa de pedestres, no cruzamento da Avenida Agamenon Magalhães com a Rua do Paissandu, quando foi atropelada por um veículo de cor branca. O motorista fugiu sem prestar socorro à vítima, que foi levada ao Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas após o atropelamento.

Chovia no momento do acidente. A perícia apontou também que o carro estava a uma velocidade de 46 quilômetros por hora no momento do atropelamento, que foi flagrado pelas câmeras da Autarquia de Trânsito e Urbano do Recife (CTTU).

A Polícia Civil recebeu um segundo vídeo, feito por um motoqueiro, que mostra o momento da fuga do motorista. O condutor do carro seguiu pela Avenida Agamenon Magalhães, pegou uma alça do Viaduto Capitão Temudo e escapou pela Rua Imperial. É a rota de acesso ao bairro da Estância, onde mora o motorista.

Ele prestou depoimento e responde em liberdade. “Como o suspeito fugiu, livrou o flagrante. Ele só foi localizado no sábado (15) e foi ouvido na segunda-feira (17). Além dele, já ouvimos sete testemunhas”, afirma o delegado Paulo Jean.

De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE), o veículo que atropelou e matou a idosa acumula quatro multas em menos de um ano, por transitar em velocidade acima do permitido e por estacionamento irregular. As multas totalizam R$ 665,53.

Intervenção urbana

Cruzamento da Avenida Agamenon Magalhães com a Rua Paissandu é pintado de vermelho para lembrar vítimas de atropelamento — Foto: Reprodução/TV Globo
Cruzamento da Avenida Agamenon Magalhães com a Rua Paissandu é pintado de vermelho para lembrar vítimas de atropelamento — Foto: Reprodução/TV Globo

O local onde a idosa foi atropelada recebeu uma intervenção urbana nesta sexta-feira (21). Uma grande mancha vermelha foi pintada na faixa de pedestres no cruzamento da Avenida Agamenon Magalhães com a Rua Paissandu para lembrar os altos índices de atropelamentos na cidade.

A iniciativa foi promovida pelo movimento Cicloação Recife. De acordo com a organização do ato, a faixa de pedestres pintada de vermelho lembra um rastro de sangue para chamar atenção das autoridades sobre os acidentes de trânsito envolvendo pedestres.

Os ativistas reivindicam a implantação de mais dispositivos de fiscalização eletrônica na capital pernambucana, principalmente nas vias de maior velocidade. Por meio de nota, a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) informou que lamenta o caso do atropelamento e que a ocorrência foi registrada pela no boletim estatístico.

"Para prevenir o avanço de semáforos e garantir a segurança viária dos pedestres e condutores, a CTTU instala fotossensores para notificar os motoristas que não respeitam a legislação e avançam o sinal vermelho", diz a nota.

A autarquia afirma, ainda, que no cruzamento entre a Avenida Agamenon Magalhães e a Rua Paissandu, "há um desses equipamentos instalados para prevenir irregularidades", e que a CTTU "trabalha constantemente com educação para o trânsito, com o objetivo de garantir um trânsito mais seguro na cidade".

A autarquia afirmou, ainda, que "imagens do videomonitoramento, assim como o registro estatístico foram encaminhadas para as autoridades policiais e a CTTU está à disposição para contribuir com as informações que disponíveis para investigação do caso."

Veja o vídeo abaixo. (ATENÇÃO IMAGENS FORTES)

                  Idosa morre atropelada após motorista avançar sinal vermelho no Recife

O acidente

Um vídeo flagrou o atropelamento. Ao menos outras 15 pessoas também faziam a travessia quando o carro branco atingiu a idosa na cadeira de rodas, empurrada por um homem. A vítima foi jogada a alguns metros de distância.

O atropelamento aconteceu às 15h30 e a mulher foi levada para o Hospital da Restauração, onde morreu por volta das 18h. De acordo com a unidade de saúde, ela já chegou sem vida ao local.

Fonte: g1.globo.com

Fã de Sandy e Junior diz que canções da dupla a ajudam a superar paralisia cerebral

Amanda Cotrin tem 25 anos, é estudante de Letras e fã de Sandy e Junior
Amanda Cotrin tem 25 anos, é estudante de Letras e fã de Sandy e Junior Foto: Arquivo pessoal

Ricardo Rigel

A vida da estudante de Letras da Uerj, Amanda Cotrin, de 25 anos, nunca foi fácil. Acometida por uma paralisia cerebral ao nascer, a jovem teve que aprender desde cedo a se adaptar à cadeira de rodas. Mas a força para conquistar os seus objetivos veio dá música. Ou melhor dos interpretes delas. A jovem carioca cresceu tendo como grande referência os irmãos Sandy e Junior. E, segundo ela, são eles que garantem a ela parte de sua força:

— Escuto Sandy e Junior antes mesmo de me entender por gente. Com três aninhos já escutava. Minha mãe conta que via meu interesse por eles e que resolveu comprar o CD de "Nós nascemos para cantar", de 1997.

Amanda Cotrin com Sandy e Junior, em 2006
Amanda Cotrin com Sandy e Junior, em 2006 Foto: Arquivo pessoa

Amanda conta que o primeiro show dos irmãos que assistiu, foi em 2001, na turnê "Quatro Estações". Mas o contato com abraços e fotos só viria a acontecer cinco anos depois:

— Lembro como se fosse hoje. Era madrugada do dia 6 de maio. Tinha uma fila imensa de fãs que se espremiam para tentar entrar no camarim deles. Como sou cadeirante, tive que usar a minha "arma" de fã. Ameacei me jogar no chão e o segurança viu e me botou para dentro — descreve a fã: — Quando entrei e vi o Junior, fiquei em choque e não consegui falar. Mesmo ele perguntando o meu nome. Foi carinhoso, me abraçou e chamou a Sandy para tirarmos uma foto.

Depois do encontro, Amanda ficou ainda mais apaixonada pela dupla e passou a colecionar revistas e cds dos dois artistas. Para ela, as músicas dos irmãos a ajudam a enfrentar suas limitações físicas:

— Tem duas músicas deles que me dão muita força e provocam muita emoção em mim. Uma é "Super-herói (Não é fácil), interpretada pelo Junior. A outra é "Sim", do segundo álbum solo da Sandy. São letras que me fazem muito bem e me confortam.

Amanda, que vai assistir ao show da dupla no dia 2 de agosto, no Rio de Janeiro, conta que tem vontade de renovar o sonho.

— Não tenho a ilusão de me tornar próxima deles, mas gostaria muito de poder conversar com os dois por alguns minutinhos e falar para eles o quanto me fazem bem — comenta.

Sandy e Junior vão fazer turnê para celebrar 30 anos de carreira
Sandy e Junior vão fazer turnê para celebrar 30 anos de carreira Foto: Raquel Cunha/Rede Globo/Divulgação


Funcionário da ANTT é flagrado com carro oficial em vaga para deficiente - Veja o vídeo

Caso foi registrado em Foz do Iguaçu na tarde de terça-feira (18); órgão diz que vai apurar o caso e, se constatar a irregularidade, tomar as medidas cabíveis.

Por G1 PR e RPC Foz do Iguaçu

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Funcionário da ANTT é flagrado estacionando carro oficial em vaga para deficiente

Um morador de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, flagrou um carro da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estacionado em vaga de deficiente.

Clique AQUI para ver o video

O flagrante foi feito por Marcelo Silva com um telefone celular por volta das 16h de terça-feira (18), na Rua Belarmino de Mendonça, no Centro, e enviado à RPC.

Nas imagens, o carro aparece parado na vaga exclusiva de deficientes em frente a uma farmácia. Segundo o autor do vídeo, cerca de uma hora depois, o servidor volta com alguns produtos, embarca e vai embora.

O servidor que aparece no vídeo disse que estava em serviço na região naquele horário e sofre de pressão alta e passou mal. Contou ainda que parou no local porque procurou uma vaga para clientes da farmácia, mas ela já estava ocupada.

O funcionário declarou ainda que tem consciência que não deveria ter parado na vaga e que isso não deveria ter sido feito.

Em nota, a ANTT informou que “vai apurar o ocorrido e, caso constatado qualquer irregularidade, tomará as medidas cabíveis”.

Fonte: g1.globo.com

Pessoas com deficiências têm tratamento odontológico gratuito na USP

Atendimentos são realizados no Cape, em São Paulo, e incluem pacientes com doenças infecto-contagiosas, sistêmicas e neuromotoras

Por Bruna Diseró

Atendimento odontológico no Centro de Atendimento de Pacientes Especiais (Cape) da Faculdade de Odontologia (FO) da USP – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

O Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (Cape), da Faculdade de Odontologia (FO) da USP, em São Paulo, oferece tratamento odontológico gratuito e completo para pessoas com dificuldade em encontrá-lo em centros públicos e clínicas particulares. O grupo de pacientes atendido engloba aqueles com deficiências físicas e mentais, síndromes de malformação, doenças infecto-contagiosas, como pacientes HIV positivos, e sistêmicas, como cardiopatologia e hematopatologia.

O centro conta com 12 consultórios, além do centro cirúrgico. O Cape realiza atendimentos nas áreas de prevenção, semiologia (em que sinais não verbais do paciente são analisados), periodontia (análise de tecidos próximos à arcada dentária), dentística, cirurgia, endodontia (em que se analisa a raiz dos dentes e a polpa), prótese dental e ortopedia funcional dos maxilares.

Em média, mil pacientes são atendidos por mês, selecionados por meio de uma triagem anual. Para 2019, a lista já está fechada. Marina Gallottini, professora da FO e coordenadora do Cape, explica que a procura por atendimento é muito grande, não só por sua gratuidade, mas também pela especialização do centro. 

“Dentistas particulares e centros de especialidade odontológica têm dificuldade em atender pessoas com determinadas doenças.”

Professora Marina Gallotini coordena o Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (Cape) da Faculdade de Odontologia (FO) da USP, em São Paulo – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Marilei de Anísio é uma das atendidas no centro da USP. Em setembro do ano passado, ela começou o seu tratamento depois de encaminhamento do Hospital do Rim (Hrim) de São Paulo. “Hoje, eu vim tentar tirar outro dente”, conta sem demonstrar medo. A paciente já extraiu outros dois dentes no Cape. “Não sangrou muito. Fui bem atendida, os profissionais são muito educados.”

Ela conta que tentou tratamento em outros lugares, mas sem sucesso. “Ninguém quer mexer nos meus dentes, nem dentistas particulares, por causa do meu problema nos rins. Eles têm medo. No posto de saúde, demora de seis meses a um ano.” Quando chegou ao Cape, Marilei se sentiu bem assistida pela primeira vez. “Eles nos tratam igualmente, não tem branco, preto, rico ou pobre. Eu acho excelente.”

Thiago Lopes dos Santos, também paciente do Hospital do Rim, elogia a estrutura física do centro. “Tudo de ponta, material de primeira linha, um centro cirúrgico muito bem estruturado”. Morador do município de Cotia, em São Paulo, ele ouviu falar do Cape durante suas viagens até o Hrim. No dia da entrevista, ele faria sua primeira extração dentária. “A doutora é excelente e muito educada. O pessoal da recepção também é muito bacana.”

Especialização que acolhe a todos

O Cape foi idealizado nos anos 1980 pelo professor Ney Soares de Araújo, junto com outros profissionais de saúde, após notarem o aumento de pacientes HIV positivos que procuravam a Faculdade de Odontologia da USP para tratamento dental. “Percebemos que seria bom ter um ambulatório para reunir esses pacientes e conseguirmos mais experiência no tema”, explica Marina. “No início, os dentistas tinham medo de atendê-los porque não sabiam se havia risco de contaminação e como agir caso isso ocorresse.”

No primeiro ano de funcionamento do espaço, os pacientes não se limitaram aos HIV positivos. “Um paciente que viesse com um filho com paralisia cerebral, considerava-o especial. Assim como pacientes que faziam quimioterapia ou que acabavam de infartar, ou ainda que tinham diabete”, relata Marina.

Além de oferecer tratamento, o Cape funciona como um ambiente de formação profissional. Marina Gallottini calcula que, desde a reinauguração nos anos 2000, cerca de 400 alunos já passaram pelo centro como colaboradores, são de 60 a 80 estudantes por ano.

Para conseguir a vaga, o pós-graduando deve se inscrever no  programa de atualização da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão (PRCEU) da USP e realizar uma avaliação. São necessários também documentos que comprovem a atuação como cirurgião-dentista. “Todos têm a chance de se aprimorar. Mas sempre prezamos pela excelência do atendimento ao paciente”, afirma a coordenadora.

A doutoranda Marília Andrade Figueiredo faz parte do grupo de profissionais que atuam no Cape. Ela havia trabalhado no espaço antes, enquanto fazia seu mestrado. Especializada em pacientes com doenças renais crônicas, a doutoranda aponta que esse grupo de pessoas encontra dificuldade em clínicas comuns por usar coagulantes. “Não só a doença sistêmica afeta os dentes, mas o problema dental pode piorar a doença sistêmica do paciente”, explica.

Prédio do Cape fica na Faculdade de Odontologia da USP, dentro do campus Cidade Universitária, no Butantã – Foto: Divulgação

Por causa disso, muitos chegam com condições bucais precárias e precisam de tratamento completo. Para a doutoranda, trabalhar no Cape foi uma das condições que redirecionaram seu plano de carreira. “Ouvir do paciente que você tirou a dor dele ou que melhoramos o seu sorriso, é extremamente gratificante.”

É com a mesma gratidão que a também doutoranda Nathália Andrade atua no centro. Natural do Piauí, ela veio a São Paulo justamente pela possibilidade de trabalhar com pacientes odontológicos especiais. “A professora me propôs tratar pacientes com doença renal crônica que estejam fazendo hemodiálise”, conta. No início, ela atendia os que faziam parte do Cape, mas percebendo que eles tinham uma condição bucal boa, decidiu expandir os atendimentos.

O resultado de seu esforço aparece no retorno que recebe de seus pacientes. “Eles são muito agradecidos. Estou fazendo meu trabalho de doutorado, que me propus a fazer, minha obrigação, e eles me agradecem por atendê-los.” O doutorado de Nathália termina em março. Ela voltará para seu Estado com o primeiro título de especialista em odontologia para pacientes especiais, reconhecido pelo Conselho Federal de Odontologia. Sua expectativa é que a área se expanda no Piauí. “Depois que eu vim para cá, outros colegas começaram a fazer essa especialidade também.”

Para a coordenadora do Cape, um dos objetivos do centro é formar profissionais mais completos, para ajudar no tratamento de pacientes considerados “normais” em termos de saúde dentária. “A atuação junto a pacientes com deficiência dá ao dentista uma noção mais real de sua importância como profissional da saúde, não como um profissional técnico ou que tenha um foco direto à estética. Tudo isso é importante, mas ele tem que saber como a boca do paciente vai interferir no equilíbrio do indivíduo como um todo.”

Sem saúde, jovens norte-coreanos morrem por lesões de trabalho

Na Coreia do Norte, acesso a hospitais é escasso e instalações médicas carecem de medicamentos. Ao ano, 15.600 morrem por traumas e ferimentos

INTERNACIONAL - Ana Luísa Vieira, do R7

Lesões e ferimentos resultam em morte ou deficiência para norte-coreanos
Lesões e ferimentos resultam em morte ou deficiência para norte-coreanos EFE/Adrian Bradshaw

Sem acesso a um sistema de saúde de qualidade, norte-coreanos com idades até 29 anos morrem prematuramente em decorrência de lesões por acidentes — boa parte deles ocorrida durante o trabalho.

O dado é de um relatório publicado na última semana pelo Harvard Global Surgery and Social Change — programa da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, que visa capacitar líderes de saúde globais. O estudo se baseia em números levantados pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Segundo a OMS, 15.600 norte-coreanos morrem em decorrência de lesões, traumas e ferimentos todos os anos: um terço das mortes é causada por acidentes em estradas; quedas representam 10,9% dos óbitos e as chamadas injúrias mecânicas — ocasionadas por descargas elétricas, frio e calor, mudanças de pressão e radiação —

O levantamento de Harvard lembra que, na Coreia do Norte, o acesso a hospitais é escasso, o atendimento pré-hospitalar é inexistente, instalações médicas carecem de equipamentos e medicamentos especialmente fora de Pyongyang e, muitas vezes, a população é obrigada a procurar remédios em mercados locais.

Por todas essas razões, “as lesões e ferimentos geralmente resultam em deficiência, morte e grandes prejuízos financeiros”.

Comoção internacional

Casos recentes de acidentes fatais na Coreia do Norte ganharam atenção da comunidade internacional: em abril de 2018, por exemplo, a colisão de um ônibus no país liderado por Kim Jong-un deixou 32 turistas chineses e quatro trabalhadores norte-coreanos mortos. Também no ano passado, cerca de 200 trabalhadores teriam morrido pelo desabamento de um túnel em uma estação de testes nucleares na vila de Punggyeri.

Já em 2016, um prédio em um complexo residencial de prestígio em Pyongyang entrou em colapso enquanto trabalhadores da construção civil se encontravam dentro de sua estrutura — estima-se que a maioria tenha morrido. Em 2015, um acidente semelhante na província de North Hamgyong matou jovens estudantes que moravam em um prédio de cinco andares.

Ajuda humanitária

De acordo com a OMS, os acidentes são a quarta maior causa de morte entre os norte-coreanos — de todas as idades. As doenças cardiovasculares ficam em primeiro lugar, com 88.100 óbitos. Em segundo, está o câncer, que causa 42.500 mortes. As doenças respiratórias aparecem como a terceira causa, com 31.600 mortes.

O relatório da universidade americana conclui que “existe uma necessidade clara e urgente de reforçar o sistema de resposta das instituições de saúde na Coreia do Norte aos acidentes”.

Entretanto, o site 38 North — que analisa eventos envolvendo a Coreia do Norte — lembra que, embora as sanções internacionais impostas contra o país não restrinjam o envio de ajuda humanitária, há dúvidas se os medicamentos de fato chegariam ao seu destino.

Especial PcD: o que os carros perdem para entrar no teto de R$ 70.000

Versões para pessoas com deficiência abrem mão de muitos equipamentos para respeitar o cada vez mais apertado limite da isenção total

Por Fernando Miragaya

Jeep Renegade para PcD (Acervo Quatro Rodas/Quatro Rodas)

As marcas perceberam um grande filão no segmento PcD (pessoa com deficiência), mas também se depararam com o obstáculo do limite de R$ 70.000 para a isenção total (IPI e ICMS).

Restou pegar a calculadora para ver como enquadrar os modelos, em especial os SUVs compactos. Surgiram as versões especiais para PcD. Só que muitos fabricantes cortaram na lata… e no plástico e nos equipamentos.

Nessa equação, a roda de liga leve é o item mais sacrificado. Para-choques e capas dos retrovisores na cor da carroceria também são pintados de preto na cara dura.

Assim como os cromados no revestimento interior são interpretados como um requinte dispensável. Às vezes, sobra até para uma prosaica tampa de revestimento do porta-malas.

Outras mudanças não saltam aos olho, mas o alívio vem na forma de equipamentos. Centrais multimídias e sensores e câmera de ré podem ser eliminados nas versões PcD.

E também não se empolgue muito com cores. Em muitas destas configurações, a paleta é bem enxuta – tem carro, inclusive, que tem só uma cor para PcD.

Os itens que mais mudam
  • Rodas: são o alvo principal da economia. No lugar de liga leve, rodas de aço, algumas até sem calotas.

  • Faróis de neblina: o pessoal de venda PcD também não perdoa as luzes auxiliares, que geralmente ficam de fora nos modelos PcD.

  • Para-choques e capas dos retrovisores: vamos economizar na tinta? Pois é, muitas configurações têm essas e outras partes da carroceria pintadas de preto, em vez de na cor do veículo.

  • Barras no teto: o bagageiro também some em alguns SUVs voltados para o segmento.

  • Central multimídia: é uma vítima pontual dos modelos PcD em muitas marcas; em outras, é mantida até como diferencial.

  • Volante: aqui a economia pode ser no acabamento, abrindo mão do revestimento de couro, ou na funcionalidade, sem os comandos satélite.

  • Controle de cruzeiro: item meio bipolar neste mercado, já que algumas marcas colocam o equipamento em suas versões PcD e outras o retiram.

  • Sensores: o de ré de vez em quando é riscado do mapa, assim como o de monitoramento da pressão dos pneus.

  • Cromados: para que esse requinte todo? Vai de maçaneta com revestimento simples para ficar abaixo dos R$ 70.000.

  • Revestimento do porta-malas: é isso mesmo, em muitas versões PcD de SUVs o espaço de bagagem fica descoberto para a marca economizar com a tampa.

  • Cores: boa parte dos modelos específicos para vendas diretas só está disponível em cores sólidas e muitas vezes com duas opções – quando não única.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Dia Internacional da Esclerose Lateral Amiotrófica: brasileiros participam de pesquisa sobre genes da ELA

Instituto Paulo Gontijo (IPG) estuda a carga genética de pessoas que vivem com ELA e comparam o material com os genes de indivíduos saudáveis. Doença afeta os neurônios motores, responsáveis pela musculatura que acompanha os ossos.

Por Filipe Domingues, G1

A ELA é uma doença que afeta os neurônios motores, responsáveis pelo controle da musculatura que acompanha os ossos.  — Foto: Divulgação
A ELA é uma doença que afeta os neurônios motores, responsáveis pelo controle da musculatura que acompanha os ossos. — Foto: Divulgação

Um grupo internacional de pesquisadores, entre eles brasileiros, vem tentando descobrir as causas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Eles analisam a carga genética de pacientes para identificar genes causadores da doença. A equipe do Brasil é do Instituto Paulo Gontijo (IPG), e trabalha em colaboração com o Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da Universidade de São Paulo (USP) e o setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Fleury.

Este 21 de junho é o Dia Internacional da Esclerose Lateral Amiotrófica.

A ELA é uma doença que afeta os neurônios motores, responsáveis pelo controle da musculatura que acompanha os ossos. Talvez o caso mais notável da doença seja o do cientista Stephen Hawking.

O consórcio internacional "Project MinE", do qual o IGP faz parte, estuda a carga genética de 15 mil pessoas que vivem com ELA e comparam o material com os genes de 7,5 mil "indivíduos controle", ou seja, pessoas que não têm a doença.

Stephen W. Hawking discute teorias sobre a origem do universo em uma palestra em Berkeley, Califórnia, em 13 de março de 2007 — Foto: Kimberly White / Arquivo / Reuters
Stephen W. Hawking discute teorias sobre a origem do universo em uma palestra em Berkeley, Califórnia, em 13 de março de 2007 — Foto: Kimberly White / Arquivo / Reuters

Do total de 15 mil pacientes, 100 são brasileiros. E dos 7,5 mil indivíduos controle, 50 são do Brasil.

"O objetivo do projeto é identificar um perfil genético dos pacientes com a doença. E, ao mesmo tempo, que esse perfil seja diferente dos indivíduos controle", explica Miguel Mitne Neto, doutor em genética e coordenador científico do IPG.

                                                            — Foto: Infográfico G1

Doença sem cura

Em outras palavras, o objetivo do estudo é chegar aos genes causadores da ELA e descobrir o que cada um deles ocasiona. Atualmente, são conhecidos 35 desses genes. Dois foram reconhecidos recentemente: um há pouco mais de um ano e outro há cerca de oito meses.

"Variantes desse genes estão presentes em indivíduos com a doença, e em geral não são encontrados nas pessoas consideradas normais", afirma Mitne Neto.

Como ainda não se conhecem precisamente as causas da ELA, a doença leva em média de 3 a 5 anos para causar a morte do paciente após a identificação dos sintomas. Os tratamentos ainda são pouco eficazes: em média tendem a aumentar a vida da pessoa doente em 3 a 6 meses.

"Apesar de ser conhecida há mais de cem anos, não sabemos quais são as causas reais da ELA e o que leva ao desligamento motor", diz Mitne Neto.

A hipótese que prevalece atualmente entre os cientistas é a de que a ELA resulta de uma interação entre fatores genéticos e ambientais. Isso faz com que o estudo da doença seja extremamente complexo.

"Não conseguimos reproduzir todos os fatores ambientais. Não dá para fazer todas as pessoas viverem sob os mesmos fatores. Mas, do ponto de vista genético, é possível mapear, num trabalho de formiguinha." - Miguel Mitne Neto do IPG.

Compartilhamento

Os resultados obtidos pelo IPG na pesquisa são compartilhados com cientistas de todo mundo que também estudam ELA por meio do Project MinE. Segundo o pesquisador, a participação do Brasil é fundamental para o sucesso desse consórcio internacional por causa da miscigenação da população brasileira.

"Estudos anteriores com populações fechadas chegaram a identificar genes causadores da ELA, mas os resultados não foram reproduzidos em outras populações", diz Mitne Neto.

Em junho de 2019, foram alcançadas 48% da meta de mapeamento mundial do projeto e 34% da meta da equipe brasileira.

Para atingir a meta final do Brasil, o IPG recebe apoio financeiro de pessoas e empresas. "O processo de coleta, armazenamento e análise do material é extremamente caro e delicado. Das 15 mil amostras, fazemos o sequenciamento de 100 pacientes e 50 controles. Só para isso, são necessários 300 mil euros (R$ 1,3 milhão) – é muito dinheiro", afirma o pesquisador.

Fonte: g1.globo.com

Jovens com autismo severo recebem tratamento em fundação especializada - Veja o vídeo

A FADA - Fundação de Apoio e Desenvolvimento do Autista fica na Grande São Paulo. O Profissão Repórter acompanhou a rotina de dois alunos com autismo severo.

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Victor é um dos estudantes da Fundação de Apoio e Desenvolvimento do Autista.

Bruno Fernando, de 30 anos, foi diagnosticado com autismo severo por volta dos quatro anos. Desde os cinco frequenta uma instituição na Grande São Paulo especializada no tratamento de autistas, a FADA - Fundação de Apoio e Desenvolvimento do Autista. "Sem trabalho, sem atividade, eles ficam transtornados. Se você tem coisas para fazer, a sua vida tem sentido. Precisa dar sentido à vida desses meninos", diz Maria Lúcia Éboli, diretora da FADA.

Clique AQUI para ver o vídeo.

"Ele tem uma questão de simetria. Acha que tudo tem que estar na forma que ele acredita. A unha, o dente... Por conta dessa necessidade dele, a gente acabou ensinando ele a cortar a unha", conta Claudio Roberto da Cunha, psicologo e professor.

O coordenador pedagógico da FADA, Edson dos Santos Teles, explica que com base em um protocolo de habilidades dos alunos, os profissionais conseguem avaliar as que o aluno tem e as deve desenvolver. Dessa forma eles estabelecem um currículo de atividades para o aluno.

Bruno é um dos 31 alunos da instituição. Parte do tratamento de Bruno é paga pela prefeitura de Cotia. Ele e a maioria dos alunos são bolsistas . "O custo mensal do tratamento multidisciplinar é de R$ 4.600. Isso inclui uma mão de obra especializada porque são muitos profissionais para poucos alunos. São 31 alunos e 47 funcionários", explica a diretora da FADA.

Bruno mora com a mãe e o padrasto, que o criou desde bebê. "A escola diferencia demais, porque tem coisas que a gente não consegue entrar no mundo dele, aí a escola entrou com psicólogo, pedagogo, e conseguimos chegar a esse resultado dele estar praticamente social", diz Josuedison Teixeira, padrasto.

Repórter - Por que é tão difícil encontrar uma instituição que faça esse trabalho?
Maria Lúcia Éboli - Eu acho que é principalmente por causa do custo. Isso não interessa ao poder público... o atendimento dessas pessoas, principalmente o autista severo.

O Profissão Repórter acompanhou o primeiro dia de Victor, de 14 anos idade, na instituição. "A importância do primeiro dia é o vínculo com o profissional e com o local. O próximo passo é que ele fique com o grupo, monte um painel de rotina e aí começamos a formar o currículo dele a ser trabalhado aqui na fundação", comenta o coordenador pedagógico da FADA.

Foi com a mesma idade do Victor que André, outro jovem com autismo severo que a repórter Nathalia Tavolieri acompanhou, começou a ser acorrentado pela mãe, Marisa Padilha. Ela conta no programa que André nunca frequentou a escola. Entrevistado pelo programa, o secretário de saúde de Fernandópolis - SP, Flavio Ferreira declarou que "pela situação que ele tem, ele não tem condição de viver em sociedade", então ele acaba vivendo na casa dele, nas condições onde ele está hoje, infelizmente". 


"Eu acredito que sempre existe o que fazer por um autista. Se você der o mínimo de condição para ele se tornar uma pessoa independente, tomar banho sozinha, ajudar a mãe a lavar uma louça. Eu acho que você já está dando vida para aquela pessoa. A gente não pode dizer que uma pessoa não tem futuro. Eles têm", declara Maria Lúcia Éboli, diretora da FADA.

Dois meses depois a repórter Nathalia Tavolieri voltou à fundação para ver como o Victor estava. "Está mais confortável na sala, tá aceitando nossa demandas, está compreendendo as rotinas. Ele está ficando mais tempo e a semana que vem vamos aumentar mais um pouco", diz uma professora.

"Era bom se todos eles pudessem ser atendidos, mas infelizmente não é o que acontece, mas a gente vai torcer que um dia isso vai acontecer e todo mundo vai poder ter o seu atendimento", conclui a diretora da FADA.

Fonte: g1.globo.com