sábado, 29 de junho de 2019

Saiba o que muda na proposta do governo para a Reforma da Previdência

O Congresso está fazendo alterações com o objetivo de fazer a convergência entre os diferentes regimes de aposentadoria.

Marta Gueller



A proposta do governo, a PEC 6/2019, já foi modificada pelo Congresso Nacional a fim de garantir sobrevivência digna aos mais pobres.

O benefício assistencial de prestação continuada (LOAS) não terá critérios de idade e renda modificados (fica mantida a idade de 65 anos e o critério da renda familiar ¼ do salário mínimo para família de 4 pessoas, com renda mínima, e o mesmo critério de renda para pessoas portadoras de deficiência).

Os trabalhadores rurais não ficarão de fora da reforma. O Congresso manteve, por enquanto, a idade mínima de 55 anos para as mulheres e 15 de contribuição, para os homens, porém a idade seria de 60 anos e o tempo de contribuição subiria para 20 anos.

Para os trabalhadores urbanos, a idade mínima será de 62 anos para as mulheres e 15 de contribuição e 65 anos para os homens, além de 20 anos de contribuição.

O texto alterado no Congresso prevê mais uma regra de transição que beneficiará aqueles que estão mais próximos da aposentadoria, permitindo o acesso ao beneficio com cumprimento de pedágio de 50% do tempo que faltar, na data da PEC, além do tempo de contribuição de 30 anos para a mulher e 35 para os homens. A regra valeria para mulheres com 57 anos de idade e homens com 60 anos.

Professoras do ensino médio e fundamental terão que comprovar 57 anos de idade e os professores 60 anos de idade. Ficarão sujeitos a tempo de contribuição diferenciado que será objeto de Lei Complementar.

Os policiais civis, agentes penitenciários e educativos terão que comprovar 55 anos de idade para ambos os sexos, 30 anos de contribuição e 20 anos na carreira. A pensão para a categoria, nos casos de morte no exercício da função será de 100%.

Estados e municípios terão que se adequar às novas regras constitucionais, após a aprovação da Reforma (PEC 6/2019), caso fiquem mesmo de fora. Geralmente é fixado prazo de até 180 dias para adequação.

O cálculo da pensão por morte será de 60% do salário de benefício, acrescido de 10% para cada dependente até o limite de 100%. O texto original foi alterado e garantirá 100% do benefício quando houver dependente portador de deficiência.

O regime de capitalização previsto orginalmente na PEC 6/2019 foi retirado do texto.

O Congresso está cumprindo o seu papel, fazendo as alterações para garantir o interesse de todos, com o objetivo de convergência entre os regimes, ao longo dos anos, para que todos os trabalhadores, guardadas as suas peculiaridades e respeitadas as diferenças (rural, deficientes, homens e mulheres e professores), tenham as mesmas regras para obtenção da aposentadoria.

CDH debate projeto que classifica o cego de um olho como pessoa com deficiência

Edilson Rodrigues/Agência Senado
Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realiza audiência pública para marcar o
O senador Flávio Arns é o relator da proposta que assegura à pessoa que enxerga com apenas um olho os mesmos direitos garantidos à pessoa com deficiência, além de garantir a implantação da prótese

Da Redação

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) fará audiência pública, na segunda-feira (1º), para analisar o projeto que classifica a visão monocular como deficiência visual e assegura à pessoa que enxerga com apenas um olho os mesmos direitos e benefícios garantidos à pessoa com deficiência, além de garantir a implantação da prótese. A reunião ocorrerá na sala 6 da ala senador Nilo Coelho, a partir das 9h.

Projeto de Lei 1.615/2019 está sendo relatado pelo senador Flávio Arns (Rede-PR). Ele quer ouvir a opinião de especialistas sobre a iniciativa, de autoria dos senadores Rogério Carvalho (PT-SE), Rose de Freitas (Podemos-ES), Wellington Fagundes (PL-MT) e Otto Alencar (PSD-BA). Caso aprovada, a nova norma será denominada Lei Amália Barros

Amália Barros é jornalista e militante dos direitos dos deficientes monoculares. Perdeu a visão de um olho aos 20 anos, por complicações da toxoplasmose. Foram 11 cirurgias entre a retirada do globo ocular e a implantação de prótese. Ela defende que as pessoas com visão unilateral apresentam limitações médicas, psicossociais, educacionais e profissionais, são alvos de discriminação e precisam ser reconhecidas como pessoas com deficiência.

Convidados

Para o debate, foram convidados Volmir Raimondi, da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência; Antonio Rulli Neto, advogado; Diego Chevillarde Pereira, militante da causa monocular; Wagner Maia, proprietário do site Portal da Deficiência Visual; e Maria Aparecida Haddad, representante do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

Também farão exposições Maria Aparecida Gugel, subprocuradora-Geral do Ministério Público do Trabalho; Francisco da Silva Soares, analista judiciário do TRT, em Belo Horizonte (MG); Clovis Alberto Pereira, da Organização Nacional de Cegos do Brasil; Moisés Bauer, presidente do Comitê Brasileiro de Organização Representativa das Pessoas com Deficiência; e Daniel Monteiro; coordenador municipal de Defesa das Políticas da Pessoa com Deficiência de Santos (SP).

COMO ACOMPANHAR E PARTICIPAR

Participe: 
http://bit.ly/audienciainterativa
Portal e-Cidadania:
senado.leg.br/ecidadania
Alô Senado (0800-612211) 

Cabeleireiro é preso por suspeita de estuprar mulher deficiente mental em São Paulo

Homem foi detido pela Polícia Civil seis dias depois de crime cometido no Butantã, Zona Oeste da capital.

Por Kleber Tomaz, G1 SP — São Paulo

Imagem Internet/Ilustrativa
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Um cabeleireiro foi preso por suspeita de estuprar uma mulher deficiente mental na região do Butantã, Zona Oeste de São Paulo.

De acordo com a Polícia Civil, o homem de 59 anos foi detido na quarta-feira (26), seis dias após o crime cometido no salão onde ele trabalha.

A vítima, que tem 33 anos, contou que o cabeleireiro a convenceu a fazer sexo em troca de cortes de cabelo na semana passada.

Como a mulher tem transtorno mental, o irmão dela procurou o 51º Distrito Policial (DP), também no Butantã, onde registrou o caso.

“O suspeito foi indiciado pelo crime de estupro de vulnerável”, confirmou ao G1 o delegado Lupércio Dimov, titular do 51º DP.

A mulher foi levada ao Instituto Pérola Byington, onde passou por exames para saber se contraiu alguma doença sexualmente transmissível.

O cabeleireiro é casado e, até então, não tinha passagens criminais pela polícia. A delegacia pediu à Justiça a prisão temporária do suspeito.

O nome da vítima e do cabeleireiro não foram divulgados. O G1 não localizou os representantes dos dois para comentarem o assunto.

Fonte:g1.globo.com - Imagem Internet/Ilustrativa

Falta de acessibilidade, remédio vencido e demora: TCE aponta irregularidades na UPA São José

Unidade do SUS de Campinas (SP) foi uma das 300 fiscalizadas em ação do Tribunal de Contas do estado. Prefeitura diz que está investindo na melhoria da unidade.

Por G1 Campinas e Região

                 Relatório do TCE indica falta de atendimento organizado na UPA São José, em Campinas (SP) — Foto: TCE/Divulgação
Relatório do TCE indica falta de atendimento organizado na UPA São José, em Campinas (SP) — Foto: TCE/Divulgação

Falta de acessibilidade, de atendimento organizado e de farmacêutico, reclamações de demora, banheiro sem assepsia e medicamentos vencidos. A lista de irregularidades na UPA São José, em Campinas (SP), faz parte do relatório divulgado nesta sexta-feira (28) pelo Tribunal de Contas do estado (TCE-SP), que fiscalizou 300 unidades que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Na região, foram avaliados 15 hospitais e unidades de pronto-atendimento em 14 municípios. No dia da ação, realizada na terça (25), o TCE já havia apontado problemas em unidades de Holambra (SP), Monte Alegre do Sul (SP) e Paulínia (SP).

No relatório sobre a UPA São José, o fiscal destaca a falta de separação para atendimento nas filas. "Ficam muitas pessoas na sala de espera e algumas pessoas ficam até fora da sala de recepção normal, em bancos de concreto", diz o texto.

O documento aponta ainda falta de acessibilidade da unidade, que não possui rampa central, piso tático e corrimões. Além disso, o banheiro oferecido aos usuários, apesar de possuir acessibilidade, não apresenta boa condições de assepsia. "Não existe tampa higiênica e nem papel (...) não há também separação de uso banheiro masculino e feminino", aponta o fiscal.

                    Relatório do TCE aponta falta de assepsia no banheiro da UPA São José, em Campinas (SP) — Foto: TCE/Divulgação
Relatório do TCE aponta falta de assepsia no banheiro da UPA São José, em Campinas (SP) — Foto: TCE/Divulgação

Atendimento 'regular'

Os fiscais que estivaram na UPA realizaram uma pesquisa de satisfação com usuários, que classificaram o atendimento da unidade como regular, já que há o "atendimento deveria ser mais rápido e geralmente faltam médicos." No dia da ação do TCE, no entanto, não havia problema de falta de profissionais. A UPA São José estava com clínicos gerais e pediatras disponíveis.

Segundo a pesquisa, o tempo médio de espera para o atendimento varia entre 170 e 180 minutos, sendo que em consulta, o tempo médio varia entre 4 a 5 minutos.

Farmácia

De acordo com o relatório do TCE, o responsável pela farmácia da UPA São José não possui formação na área - a farmacêutica foi transferida para o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.

No local foram encontrados remédios armazenados em contato com solo e parede, além de medicamentos vencidos, como glicerina e amicacina.

Além disso, o relatório apontou que a UPA possui uma sala que funciona como depósito, onde foram localizados diversos equipamentos quebrados armazenados.

Fiscal do TCE encontrou medicamento vencido na UPA São José, em Campinas (SP) — Foto: TCE/Divulgação
Fiscal do TCE encontrou medicamento vencido na UPA São José, em Campinas (SP) — Foto: TCE/Divulgação

O que diz a prefeitura?

Questionada sobre os problemas apontadas pelo TCE, a Prefeitura, por meio da Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar informou que "não recebeu o relatório oficialmente mas que, no entanto, ressalta que vem investindo em melhorias em todas as unidades, como a contratação de uma empresa especializada que fará a manutenção predial das Unidades de Pronto Atendimento da cidade, incluindo a do São José."

Segundo a Rede Mário Gatti, sobre a acomodação dos pacientes, está ocorrendo uma substituição das cadeiras. "Algumas já foram trocadas e o restante será substituído em breve."

"A UPA é uma unidade porta aberta, que atende todos os pacientes que procuram a unidade. Casos mais graves são atendidos na frente. Casos de menor complexidade costumam esperar mais tempo. Em relação à farmácia, a rede está finalizando a contratação de uma empresa que fará toda a logística de armazenamento, controle de estoque e distribuição de medicamentos e insumos. Essa empresa conta, também, com farmacêuticos e técnicos de farmácia. Sobre a limpeza, está em andamento a licitação para a contratação da nova empresa de higiene que substituirá a atual", diz a nota.

Transportes rodoviários de Belém devem garantir gratuidades a idosos e pessoas com deficiência em julho, diz MP

Gratuidades são previstas em lei, mesmo durante a alta temporada do verão.

Por G1 PA — Belém

Foto: Ascom/MP
Transportes rodoviários de Belém devem garantir gratuidades a idosos e pessoas com deficiência em julho, diz MP

Empresas de transportes rodoviários interestadual e intermunicipal de Belém devem garantir gratuidades a idosos e pessoas com deficiência também durante o mês de julho. É o que destaca a recomendação expedida, na quinta-feira (27), pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), em conjunto com a Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE) e o Procon.

A recomendação orienta que as empresas de transporte rodoviário interestadual e intermunicipal de Belém reservem duas vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual ou superior a dois salários mínimos. Além disso, as transportadoras devem conceder desconto mínimo de 50% no valor das passagens para os idosos que excederem as vagas gratuitas, com renda igual ou inferior a dois salários mínimos.

Outro aspecto destacado diz respeito à necessidade de cumprimento dos horários de saída e chegada das viagens, conforme divulgação aos consumidores, mantendo em local visível e de fácil acesso a tabele de preço e horários de suas viagens e serviços, inclusive com mapa de assentos.

A recomendação é assinada pelo promotor de Justiça César Mattar Júnior, titular da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor; pelo defensor público Cássio Bitar e pelo diretor-geral do Procon, Nadilson Neves. Eles estiveram nesta semana no terminal rodoviário de Belém para inspecionar a prestação do serviço de transporte.

Segundo o promotor de Justiça César Mattar Júnior, a recomendação foi motivada pela chegada do mês de julho e a expectativa do aumento da demanda pelos serviços de transporte rodoviário interestadual e intermunicipal. Neste período de férias escolares, há o risco de desrespeito às vagas reservadas aos idosos e pessoas com deficiência. A previsão é que mais de 213 mil passageiros utilizem o Terminal Rodoviário de Belém ao longo de julho.

Em razão deste aumento da demanda, a recomendação conjunta também orienta as empresas a realizarem manutenção preventiva em seus veículos e gerencie períodos de descanso aos seus funcionários, em especial aos motoristas que realizam viagens de longa distância.

Fonte: g1.globo.com

Judoca com deficiência auditiva fatura bicampeonato nacional e espera ir a Sul-Americano

Rômulo Crispim, de 17 anos, se sagrou campeão da Surdolimpíadas. Sensei acredita que atleta seja convocado a Sul-Americano da categoria

Por Jeferson Carlos — Ariquemes, RO

Judoca campeão na Surdolimpíadas do Brasil — Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Judoca campeão na Surdolimpíadas do Brasil — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Um exemplo de superação e motivação para todos. Isso é o que dizem a maioria dos colegas do judoca de Ariquemes, Rômulo da Silva Crispim, de 17 anos. O jovem possui deficiência auditiva e na última semana, conquistou o primeiro lugar no pódio na Surdolimpíadas, em duas modalidades, meio-leve e absoluto, disputada em Minas Gerais.

O atleta cursa o 1° ano do ensino médio, na escola Anísio Teixeira, em Ariquemes, que possui ensino aos alunos surdos e também ao ensino da Libras. A escola ainda possui um trabalho integrado ao Judô, desenvolvido pelo sensei Lucas Henrique.

– O objetivo do judô Anísio é integrar a prática esportiva ao rendimento escolar. Os resultados têm sido positivos, tanto em competições escolares como outras competições e isso tem aumentado o interesse dos alunos. Permanecendo nas aulas, a gente trabalha o rendimento escolar, postura, conduta, no ambiente escolar e fora dele – detalhou o sensei.

Judoca nos treinos — Foto: Rede Amazônica/Reprodução
Judoca nos treinos — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Mesmo diante da sua limitação, Rômulo começou a praticar o judô há cinco anos. De lá para cá, o atleta passou a conviver com diversas conquistas, seja em nível estadual ou a nível nacional.

– O Rômulo é um dos nossos atletas de destaque e hoje é um judoca que a gente tem como fator de motivação para os demais. Mesmo possuindo outros alunos com bons resultados como sendo campeões estaduais, campeões de jogos escolares, líderes no ranking estadual, o Rômulo hoje é um espelho para todos – frisou o sensei.

A última conquista saiu no dia 23 de junho, em Pará de Minas (MG), e o feito cravou o nome de Rômulo como o primeiro atleta de Rondônia a se tornar bicampeão no judô. Ao lado da tradutora, o judoca disse estar muito feliz com as conquistas e agradeceu o apoio de todos em sua volta.

– Todos no clube me incentivam e estou com foco em diversos campeonatos, para continuar com as conquistas. A minha família, o sensei e os amigos sempre me ajudaram e me incentivam. Às vezes, quando estou desanimado, eles me dão muitas forças para continuar focado. Fica o meu incentivo às pessoas que possuem alguma limitação, para que elas escolham algum esporte para praticar – expôs.

Judoca com a tradurora — Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Judoca com a tradurora — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Agora, a expectativa de todos é de que Rômulo seja convidado pela Confederação Brasileira de Desportos de Surdos, CBDS, para disputar os Jogos Sul-Americanos de Surdos, que acontece em setembro, no Equador.

– Agora que eles viram o potencial do atleta, a nossa expectativa é para que a Confederação, de repente o convoque para essas competições a nível internacional. Estamos na torcida e acho que vem notícia boa por aí – comentou o treinador.

A competição será disputada entre os dias 17 a 28 de setembro, em Cuenca, no Equador. O treinador espera pela convocação do judoca para que ele leve o nome do esporte em um degrau ainda mais alto.

Vacinas: tire suas dúvidas

A volta de doenças que já foram consideradas erradicadas, como o sarampo, reacende discussões e provoca questionamentos sobre a vacinação. Especialistas respondem as 15 perguntas mais comuns dos pais para ajudar a entender melhor o assunto

Por Nathalia Ziemkiewicz

(Foto: Getty Images)
A close-up of doctor's hand using a syringe for the vaccination of a baby (Foto: Getty Images)

Em 2018, a vacinação infantil no Brasil teve o menor índice de imunizados dos últimos 16 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Nenhuma vacina atingiu a meta de 95% de cobertura recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A tetraviral, que previne contra rubéola, sarampo, caxumba e varicela (catapora), teve o pior desempenho – pouco mais de 70% das crianças foram imunizadas. A queda nas taxas ficou evidente com o surto de sarampo no ano passado, com mais de 10 mil casos confirmados e 12 mortes. Um retrocesso significativo: em 2016, o país havia recebido da Organização Pan-Americana da Saúde o certificado de eliminação da circulação do vírus. E o perdeu este ano.
Para os especialistas, uma das explicações para a volta de doenças consideradas erradicadas é – ironicamente – o sucesso das campanhas de vacinação em massa ao longo das últimas décadas. “O programa nacional de imunização do Brasil é considerado um dos mais completos do mundo”, diz o pediatra Daniel Becker, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Muitos pais nunca viram crianças com poliomielite, por exemplo. Isso pode fazê-los supor que ela não exista mais ou não seja tão grave assim. Aí, deixam de levar os filhos para vacinar ou atrasam o esquema das doses até que a notícia de um novo caso provoque uma corrida aos postos de saúde e clínicas particulares. Foi o que aconteceu em março deste ano, após a divulgação equivocada de que o neto do ex-presidente Lula teria morrido de meningite.
Desinformação e falta de confiança de uma pequena parcela da população quanto à segurança e eficácia das vacinas também são responsáveis pela redução no número de crianças imunizadas. Grupos antivacinas ganham força nas redes sociais disseminando, para centenas de milhares de pais, fake news como “vacina causa autismo” (leia mais sobre esse mito na pág. 54). “Esse movimento antivacina é criminoso, dissemina notícias falsas. Claro que vacinas têm efeitos colaterais, mas os riscos das doenças são bem mais sérios”, afirma Becker.
As autoridades de saúde pública do mundo todo enfrentam o desafio de tirar o infundado medo das vacinas da cabeça dos adultos: por enquanto, infelizmente, apresentar evidências científicas não parece suficiente. Alguns países já tomam medidas de “convencimento” mais duras.
Nos Estados Unidos, em 2019 os casos de sarampo subiram para o seu nível mais alto em 25 anos. O prefeito de Nova York declarou emergência de saúde pública nos dois bairros que concentraram mais registros da doença (reduto de comunidades judaicas ultraortodoxas avessas à vacinação por motivos religiosos), ameaçando aplicar multas de US$ 1 mil (cerca de R$ 4 mil) aos indivíduos não vacinados. Na Itália, o governo acaba de implementar uma lei que obriga os pais a manter a vacinação dos filhos em dia para que possam frequentar a escola. Sem comprovação, crianças de até 6 anos serão excluídas do berçário ou jardim de infância, enquanto as maiores de 7 seguirão matriculadas após o pagamento de multa e apresentação do comprovante de vacinação.
(Foto: Getty Images/Westend61)
Multiple syringes organized in a pattern over pink background (Foto: Getty Images/Westend61)

Como informação adequada é o melhor caminho para proteger seu filho contra doenças que podem ser evitadas, CRESCER conversou com especialistas para responder a 15 dúvidas mais comuns dos pais sobre vacinação infantil.
1. Quais vacinas podem ser aplicadas juntas? E qual é o intervalo ideal entre as aplicações?
A maioria das vacinas pode ser aplicada simultaneamente, no mesmo dia, sem problemas – ou com um intervalo de 30 dias entre elas. “É mais fácil explicar o que não pode”, diz a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Crianças menores de 2 anos não devem receber no mesmo dia as vacinas tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) e febre amarela, porque alguns estudos indicam interferência na eficácia.

2. Quais as diferenças entre as vacinas da rede pública e privada?
Embora boa parte das vacinas seja igual, a rede privada tem opções mais modernas (acelulares, que são feitas com frações do vírus e, portanto, menos suscetíveis a reações) e completas. “A pentavalente (que protege contra difteria, tétano, coqueluche, haemophilus influenza tipo B e hepatite B) da clínica particular, por exemplo, dá menos reação que a do posto”, diz Daniel Becker. “Outras dão uma cobertura maior.” É o caso da pneumocócica, cuja versão particular oferece proteção para três variações a mais de pneumococos, e da meningo. Atualmente a rede pública imuniza apenas contra a meningite tipo C, enquanto na rede privada é possível tomar a vacina quadrivalente (contra as formas A, C, W, Y).

3. O calendário de vacinação pelo SUS é suficiente ou devo complementar pagando pelas vacinas na rede particular? Quais?
Os especialistas afirmam que as vacinas disponíveis na rede pública são seguras, eficazes e imunizam as crianças contra a maioria das doenças. Isso não significa que as doses encontradas na rede particular sejam desnecessárias. Para Daniel Becker, o complemento mais importante seria a vacina contra a meningite tipo B, que pode custar até R$ 700. “Mas não se sinta mal se não puder pagar por ela”, diz. “O calendário do SUS é adequado para a proteção das crianças.”

4. Quais as reações mais comuns?
Dor, vermelhidão e calor no local do corpo em que a vacina foi aplicada, assim como febre. A pediatra Isabella Ballalai explica que não são sintomas de doença, mas indicativos de que o organismo reconheceu o antígeno (substância estranha ao organismo capaz de provocar uma resposta imunológica, ou seja, formar anticorpos) e se mobilizou para combatê-lo: “A vacina precisa causar uma inflamação para que o sistema imunológico produza anticorpos contra ele”. Nem sempre a inflamação provoca febre ou outras reações, portanto a criança está imunizada mesmo sem apresentá-las.

5. Pode dar algum remédio antes da aplicação? Existem formas eficazes de amenizar as dores das vacinas?
O uso preventivo de analgésicos e antitérmicos não é recomendado pelo Ministério da Saúde. Estudos concluíram que a prática pode reduzir a eficácia das vacinas. Mesmo assim, os pequenos que tomaram tais medicamentos não precisam ser imunizados de novo. Para a pediatra Isabella, amamentar o bebê durante a aplicação é umas das melhores estratégias para amenizar o desconforto. Para crianças maiores, a dica não é para reduzir a dor, mas aplacar a ansiedade. “É melhor falar a verdade, que a picada dói um pouco, como uma beliscadinha, e papai e mamãe estarão lá para abraçar e ajudar”, aconselha Becker. Isabela completa: “Os pais devem acolher o medo da criança, mas demonstrar segurança. E distraí-la durante o preparo da vacina, pois ela não precisa ver a agulha”, diz. Caso o seu filho vá tomar mais de uma vacina, a médica sugere a vacinação dupla simultânea, uma em cada braço – assim, ele passa pelo estresse de uma só vez. Em caso de dor após a vacinação, ela indica compressas frias por 20 minutos no local até três vezes ao dia.

6. Qual a diferença entre a vacina com vírus morto ou atenuado? Uma tem mais risco que a outra?
Vacinas inativadas, como a da hepatite A, são produzidas com microrganismos mortos ou pedaços deles. Elas provocam uma resposta imunológica mais suave, o que as torna mais seguras. Por outro lado, em geral, são necessárias mais de uma dose para garantir uma defesa prolongada. Já as vacinas atenuadas, a exemplo da febre amarela e do sarampo, contêm vírus vivos (ou fragmentos de suas proteínas) que foram modificados e diminuídos em laboratório. “Nas pessoas com sistema imunológico normal, eles induzem a formação de anticorpos sem causar a doença”, explica o infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (SP). O risco é para pessoas com sistema imunológico enfraquecido, idosos e gestantes, que podem desenvolver uma forma branda da doença.

7. É verdade que a vacina da gripe pode provocar a doença?
Não. Como explica o infectologista Jean Gorinchteyn, ela é formulada por pedaços de vírus inativados (mortos), incapazes de causar mal algum. Mas e aquela história de quem apresenta febre, dor no corpo e coriza depois de tomar a vacina? O efeito imunizante não é imediato: o organismo leva cerca de duas semanas para produzir anticorpos e ficar protegido. Ou seja, se a pessoa foi exposta ao vírus no período anterior, pode desenvolver a doença. “Além disso, às vezes surgem sintomas muito mais brandos que são atribuídos a um quadro de gripe, quando, na verdade, se trata de um resfriado”, afirma?

(Foto: Getty Images)
Girl receives anti-polio vaccination drops. (Foto: Getty Images)

8. Devo dizer à criança que a vacina vai doer?
Para a psicóloga Rita Calegari, da Rede de Hospitais São Camilo (SP), a regra básica é não mentir – dizendo que vão passear ou fazer algo muito legal – , além de transmitir segurança: “Diga que estão indo cuidar da saúde e a picadinha pode doer, mas que será rápido e o pequeno é forte”. A forma como os pais lidam com o tema impacta no estado emocional e na autoestima dos filhos. Ela explica que, às vezes, o medo é incutido no dia a dia com frases ameaçadoras como: “Se não se comportar, vou levar você ao médico para tomar injeção”.

9. A criança pode tomar vacina mesmo se estiver doente? Ou quanto tempo é melhor aguardar?
A recomendação do Ministério da Saúde é que crianças com febre adiem a vacinação até que o quadro seja resolvido. Assim, não há o risco de atrapalhar o diagnóstico, atribuindo à vacina as manifestações de doença. De acordo com a pediatra Isabella Ballalai, resfriados e diarreias ou mesmo o uso de antibióticos não são contraindicações. “Vacinas com vírus vivo atenuado também devem ser evitadas em crianças com deficiências imunológicas, que podem ter uma forma leve da doença”, afirma. Em casos específicos como esse, procure a orientação do médico.

10. Existe mesmo relação entre as vacinas e o risco de autismo?
Não. O mito surgiu na década de 90, quando um estudo científico relacionou o transtorno do espectro autista a uma substância encontrada na vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola). O autor teve a licença médica cassada após novas pesquisas comprovarem que os resultados eram infundados. “Não existe nenhum indicador ou relação de causa e efeito entre a vacinação e o autismo”, afirma o neuropediatra Antônio Carlos de Farias, do Hospital Pequeno Príncipe (PR), citando um estudo dinamarquês publicado recentemente, que monitorou por uma década mais de 650 mil crianças. “É inacreditável que, depois de tantas evidências, isso ainda seja discutido.”

11. As vacinas devem ser tomadas em idades específicas para ter eficácia? Se der uma dose e perder o prazo das outras não faz efeito?
“A do rotavírus é a única vacina com limite de tempo para ser tomada”, afirma o pediatra Nelson Douglas Ejzenbaum, da Sociedade Brasileira de Pediatria. Tanto a versão monovalente da rede pública quanto a pentavalente, da privada, estipulam prazos para a primeira dose (que varia na rede pública e privada) e a última dose (até no máximo 7 meses e 29 dias). As outras vacinas podem ser administradas depois da idade recomendada, mas a criança ficará vulnerável às doenças enquanto isso. Da mesma forma, se os reforços das doses estiverem atrasados, ela não estará totalmente protegida.

12. Crianças com alergia ao leite de vaca e/ou ovo podem tomar todas as vacinas – inclusive a da gripe?
A única vacina contraindicada para alérgicos à proteína do leite de vaca é a tríplice viral (protege contra sarampo, caxumba e rubéola) disponível na rede pública. Os pais devem avisar sobre a condição da criança para que o posto aplique uma versão específica do imunizante que não contém a proteína. Segundo o Ministério da Saúde, alérgicos ao ovo de galinha podem ser imunizados contra a gripe. Apenas os casos severos, com histórico de reação anafilática, não devem receber a vacina contra febre amarela.

13. A vacina BCG tem de deixar marca para fazer efeito?
O consenso sobre a famosa marquinha mudou recentemente: estudos comprovaram a eficácia da imunização também em crianças que não ficaram com a cicatriz após a aplicação da BCG – responsável por proteger contra os tipos mais graves de tuberculose. Ou seja, de acordo com a recomendação atual da Organização Mundial da Saúde, não é preciso revaciná-las.

14. Se a criança já teve a doença, ela precisa ser vacinada mesmo assim?
Depende. Doenças como sarampo, rubéola, varicela (catapora) e hepatite A são imunizantes: significa que se a criança já teve, o organismo produziu anticorpos e ela não precisa ser vacinada. “Outras doenças, como a meningite, são causadas por diferentes tipos de vírus e bactérias, então a vacina continua sendo útil”, diz o pediatra Becker. Outro exemplo é a vacina da gripe, que protege contra o Influenza, um dos vírus mais perigosos, e que sofre mutações todos os anos. Por isso, é importante tomar a vacina atualizada.

15. É preciso dar a gotinha contra pólio se meu filho já recebeu a Salk? Qual a diferença entre elas?
De acordo com o Ministério da Saúde, sim. A criança deve tomar três doses injetáveis da Vacina Inativada Poliomielite (VIP) – aos dois, quatro e seis meses. Conhecida como Salk, ela é feita a partir de fragmentos mortos do vírus causador da pólio e considerada mais segura para bebês, que têm sistema imunológico enfraquecido. Pelo Calendário Nacional de Vacinação, são necessários reforços com a Vacina Oral Poliomielite (VOP) aos 15 meses e aos 4 anos. Essas “gotinhas” contêm o vírus atenuado, mas não há motivo para preocupação, já que a criança está previamente protegida pela Salk.

Crianças com deficiência: quando o futuro é hoje

Há 3,5 milhões de crianças com deficiência no Brasil que, dia após dia, ganham mais espaço e atenção da sociedade e das autoridades. Conheça histórias de crianças que, junto de outras, vivem a puxada rotina entre escola e terapias

Por Carolina Juliano Fotos – Raquel Espírito Santo


                  CF306-MAT-CAPA-INCLUSAO (Foto: Raquel Espírito Santo / Editora Globo)
Eliane “frequenta” a escola com o filho, levi. ele precisa de atenção exclusiva e, na instituição, não há infraestrutura - Levi veste camiseta Renner. Bermuda Jouer. tênis Converse. Eliane usa camisa e saia da Predilect’s Plus. Tênis Moleca (Foto: Raquel Espírito Santo / Editora Globo)

Ninguém está preparado para gestar e ver nascer uma criança com deficiência. Por mais instruídos como mães e pais, por mais sensibilizados que sejamos como cidadãos com todas as causas e movimentos de aceitação e inclusão dessas crianças na sociedade, diante do diagnóstico ou da percepção da deficiência, o que sentimos é pânico.

Eu tive uma gestação de risco porque tinha miomas. Fiz muito mais exames de ultrassonografia do que o normal. Nenhum deles mostrou o que a Maria Laura escancarou assim que saiu do útero. Ao primeiro corte, durante a cesárea, minha filha esticou o braço direito e exibiu sua mãozinha diferente, com meia palma e apenas o dedinho polegar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas tem algum tipo de deficiência no mundo e, uma em cada dez, é criança. No Brasil, 45,6 milhões de pessoas são portadoras de deficiência. Destas, 7,5% são crianças de até 14 anos de idade, segundo o último censo do IBGE, de 2010, ou seja, cerca de 3,5 milhões de crianças.

Entre 2000 e 2010, houve uma queda de 5,5% no número de crianças do grupo de 0 a 14 anos. Mas mesmo com a diminuição, o volume de crianças com deficiência dentro dessa faixa etária cresceu 3,2%. “Hoje, é muito mais comum encontrarmos crianças com deficiência nos espaços públicos, nas praças e parques e, principalmente, nas escolas, porque elas estão mais inseridas na sociedade”, explica a psicóloga Flavia Parente, do Paratodos, um movimento para promover a inclusão por meio de reflexão e de ações de conscientização. “Não houve um boom de crianças com deficiência, elas simplesmente estavam escondidas.” Dois fatores principais fazem com que essas crianças estejam mais entre nós: o avanço nas leis de inclusão e o fato de os pais terem mais acesso à informação e buscarem os direitos dos filhos de estar inseridos.

A sociedade brasileira, segundo Flavia, ainda tem muito o que aprender. Aceitar, incluir e conviver com uma criança com deficiência é um tabu tão grande que ninguém sabe bem como se referir a ele. “Não as chamamos de crianças com necessidades especiais, porque todos precisamos de atenção, amor, de um trabalho, de amigos, de escola. Também não falamos deficientes, porque isso confere a elas uma menor valia, como se não fossem capazes de nada. Essas crianças têm a deficiência como uma de suas características e ponto.”

FORÇA DE SUPER-HERÓI

Afastadas as hipóteses de a má-formação da mãozinha da minha filha estar associada a alguma síndrome ou problema clínico mais grave, com ela em perfeito estado de saúde, eu era a pessoa mais forte do universo. Mas essa força veio, tenho plena consciência, da necessidade urgente de ter de encarar o medo que estava sentindo do mundo e das pessoas.

Quadrilhando sobre Rodas” traz a inclusão social para a Pirâmide do Parque do Povo

Foto: Codecom/CG

Da Redação com Codecom/CG

Campina Grande, a cidade da acessibilidade, só reafirma a importância deste tema. A abertura dos festejos juninos, realizada nesta sexta-feira (07), trouxe para a Pirâmide do Parque do Povo, o projeto “Quadrilhando sobre Rodas” diretamente de João Pessoa, que visa a trazer a importância da inclusão social, tanto nos festejos juninos como para a sociedade.

O projeto “Quadrilhando sobre Rodas” nasceu em 2013, na capital paraibana, e animou todo o público presente, que prestigiou a apresentação, ao som de muito forró e muita animação. O Coordenador do Grupo de Vivência em Artes da Funad da Paraíba, Juliano Almeida, afirmou que o projeto nasceu com o intuito de trazer à tona a importância do uso da música nordestina como instrumento de reabilitação.

Foto: Codecom/CG

“As leis até existem, mas elas estão no papel. A gente vem, na perspectiva, de poder trazer isso, essas leis, para prática, onde as pessoas participem, onde as pessoas respeitem o direito da pessoa com deficiência”, – ressaltou.

O casal de forrozeiros Renata Valéria (24) e Rafael Souza(19), se conheceu durante o projeto e se casaram há dois anos. Renata afirma que o projeto traz consigo uma série de responsabilidades, pois é a partir dele que as pessoas passam a olhar os cadeirantes de forma mais inclusiva.

Foto: Codecom/CG

“A nossa expectativa é levar a mensagem que a gente tenta trazer através da quadrilha, para sermos reconhecidos como uma quadrilha, independente de usar cadeira de rodas ou não”, – afirmou.

A Prefeitura de Campina Grande sempre preza pela importância da inclusão social dos deficientes físicos e oferece, por mais um ano, o Camarote da Acessibilidade, próximo ao palco principal, no Parque do Povo. O camarote estará disponível, no segundo dia do festejos juninos, para que todos possam forrozar n’O Maior São João do Mundo.

Prefeitura de São Bernardo do Campo investe no acompanhamento materno de alunos com deficiência

alunos da rede municipal de ensino de São Bernardo do Campo posa para a fotografia com os braços levantados. Em destaque, na frente, criança em cadeira de rodas com o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando

As mães de crianças matriculadas na rede municipal de ensino da cidade de São Bernardo do Campo, região metropolitana do ABC Paulista, receberam um presente e tanto no Dia das Mães. Elas receberão uma ajuda de custo de R$ 1 mil para acompanhar os seus filhos no ambiente escolar. Dentro da sala de aula o Atendimento Educacional Especializado é responsabilidade de uma equipe multidisciplinar.

A Lei municipal No. 6.785/2019, sancionada no dia 10 de maio, determina que as mães que integrarem o Programa Mães Especiais serão remuneradas para acompanharem os seus filhos numa jornada de 20 horas semanais. De acordo com a Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo, o programa não contraria a Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015), mas soma em ações.

Direcionada para famílias de baixa renda, as inscrições para seleção de participantes do programa Mães Especiais ainda não iniciaram, mas deve ser anunciada em breve. De acordo com a prefeitura, as mães receberão cursos preparatório.

“Muitas mães não podem trabalhar e são dedicadas somente ao cuidado do filho com deficiência. O programa possibilita que ela vá junto com seu filho à escola e seja inserida no ambiente escolar, contribuindo em diversas atividades”, diz o prefeito e autor do projeto, Orlando Morando. De acordo com a prefeitura, a verba para o primeiro ano Serpa de R$ 10 milhões e pode ser renovada para mais um ano. ao primeiro ano do programa, com possibilidade de renovação para mais um ano.

Confira as regras do Programa Mães Especiais:

– exclusivo para mães com mais de 18 anos e desempregadas ou em situação de trabalho desprotegido;

– ser mãe de criança, adolescente e adulto com deficiência matriculado na rede municipal ou creches parceiras;

– renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa da família;

– residir em São Bernardo do Campo há pelo menos quatro anos;

– laudo médico verificador que comprove a deficiência.

Confira a íntegra da LEI Nº 6.785, DE 9 DE MAIO DE 2019 Clique AQUI

Fonte: www.camarainclusao.com.br

Brasileiro cego ganha prêmio internacional com app SnapSects de áudio-descrição científica sobre insetos

Foto do Professor Francisco Lima junto de um banner em que se lê: Morfologia Externa de Artrópodes. À direita da fotografia, em pé, o Professor Francisco segura com a mão direita um bloquinho de resina, dentro do qual está preservado um besouro. À esquerda, parcialmente oculto pelo corpo do professor, o banner mostra a fotografia colorida da abelha europeia, Apis mellifera. Acima do bolso esquerdo da camisa do professor, há um bottom do SnapSects

Texto: Adriana do Amaral

Em sua pesquisa de pós-doutoramento realizada junto ao National Museum of Natural History Smithsonian Institute, dos Estados Unidos, o Professor da Universidade Federal de Pernambuco, Francisco Lima, inovou ao focar no universo dos insetos viabilizando o estudo e aprendizado pelas pessoas cegas. Ele desenvolveu um método de tradução visual, unindo a descrição científica de artrópodes com as técnicas e diretrizes tradutórias da áudio-descrição. Ou seja, recurso utilizado para que pessoas com deficiência visual tenham acesso às imagens, como em figuras, fotografias, vídeos, e outras configurações.

“A beleza que a biodiversidade apresenta aos olhos de quem enxerga não pode ser negada aos olhos e aos ouvidos de quem não vê”, enfatiza. Por isso, desenvolveu um modelo que pode ser utilizado por cientistas e tradutores visuais para tornar os fenômenos visuais da entomologia acessíveis para estudantes, professores e pesquisadores com deficiência visual. Como professor e homem cego, ele entende que a ciência – e a diversidade dos insetos- precisa ser acessível a todos, independentemente de enxergarem ou não.

Apesar de ressaltar que tem havido grande esforço para tornar os fenômenos visuais – que estão costumeiramente indisponíveis às pessoas com deficiência visual – acessíveis por meio de palavras escritas, sinalizadas ou oralizadas, ele pondera que a áudio-descrição é o recurso que torna as imagens possíveis às pessoas cegas ou com baixa visão. Um programador cego, Luiz Eduardo Porto Mariz, ajudou na viabilização do aplicativo interativo móvel batizado de SnapSects. Uma ferramenta acessível e inclusiva em três versões: SnapSects Academic, SnapSects School, e o SnapSects Web, que permite a classificação taxonômica e descrição científica de artrópodes.

“Como você descreveria um grilo? Perguntou o professor para a reportagem da Câmara Paulista de Inclusão. Como um estudante cego pode fazer provas baseadas em desenhos e mapas sem recursos apropriados?

“Há muitos jovens com deficiência visual que vão prestar o Enem e uma ferramenta como o aplicativo SnapSects pode ajudar esses alunos a se prepararem para tão importante certame. Mas para isso, os professores precisam se conscientizar de que a inclusão dos alunos com deficiência depende da atitude proativa dos docentes”, alertou.

Com a pesquisa, o brasileiro foi agraciado com o prêmio “Prêmio Dra Margaret Pfanstiehl Memorial em Áudio-descrição – Pesquisa e Desenvolvimento”, conferido pelo American Council of the Blind/Audio Description Project. O professor Francisco Lima, que também recebeu o prêmio Barry Levin, é o único brasileiro a fazer parte do Audio Description Advisory Committee, da Academy for Certification of Vision Rehabilitation and Education Profissionals (ACVREP).


Seleção de bocha aposta em análise de desempenho de rivais para competições

Daniel Zappe/CPB/MPIX
Daniel Zappe/CPB/MPIX

Até a próxima terça, 2, a Seleção de Bocha realiza a quinta fase de treinamento no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. Esta fase é a penúltima antes do Jogos Parapan-Americanos de Lima que, para Moisés Fabrício, coordenador da seleção brasileira, servirá de prévia para a Copa América em outubro, que conta pontuação no ranqueamento para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.

"O Parapan vai ser antes da Copa América, então, para nós, tem um sabor especial. Vai ser de grande valia, porque, com a nossa equipe de análise de desempenho, conheceremos melhor quem vamos encontrar na Copa América. E até quem a gente não encontrar, vamos subentender que vem surpresa e que temos que nos preparar", afirma Moisés.

"O atleta pode ir diretamente ao analista de desempenho para saber como o próximo adversário joga. Quando se trata de alto rendimento, qualquer detalhe é muito importante, até mesmo se a cadeira é motorizada ou manual. Hoje, a gente tem a relação de 98% de todos os jogadores do mundo, na palma da nossa mão. Temos um aplicativo no celular e o controle desses atletas. E a gente faz o acompanhamento monitorando eles, caso haja mudança de estilo de jogo, conseguimos tabular isso e ter guardado para quando for útil, utilizarmos", acrescentou o coordenador.

Para Maciel Santos, que conquistou o ouro na disputa individual da classe BC2 no Mundial de Bocha pela segunda vez consecutiva este ano, a análise de desempenho é muito importante. "O jogador sempre tem uma melhor qualidade na quadra. Por exemplo, a minha, é na frente. Os atletas que analisarem isso, vão pensar, "a qualidade maior dele é na frente. Então, vou jogar a bola no fundo da quadra", explica o atleta.

"Então a gente estuda muito os atletas para poder estar preparado para, na hora do jogo, saber onde ele joga melhor e montar uma estratégia de onde jogar a bola. Tudo isso, dentro do jogo de bocha, é muito importante. Você está atento naquilo que o adversário é melhor e no que ele tem mais dificuldade para poder usar no jogo também", avalia Maciel.

Para ele, nos Jogos Parapan-Americanos já é possível sentir o clima dos Jogos Paralímpicos: "Já tem vila, as competições são melhor resolvidas, com intervalo maior. O Parapan é uma prévia das Paralímpiadas. Tem bastante gente, muitos atletas. Já dá para sentir o clima".

Brasil ganha três medalhas no Aberto da Oceania de Parataekwondo, na Austrália


Por CPB

Nesta sexta-feira, 28, a Seleção Brasileira de parataekwondo faturou um ouro e dois bronzes no Aberto da Oceania da modalidade, que foi realizado em Gold Coast, na Austrália. O parataekwondo está no programa dos Jogos Parapan-Americanos de Lima, que serão disputados de 23 de agosto a 1º de setembro, também fara sua estreia no Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. A modalidade é praticada por atletas com deficiência em pelo menos um dos braços.

A paulista Débora Menezes, 28 anos, ganhou a primeira disputa, que foi contra a australiana Jenifer Watson, no Golden point. A luta normal terminou em 6 a 6 e no Golden as adversárias também empataram, dessa forma a brasileira saiu vitoriosa devido aos critérios de desempate. Na final, Débora enfrentou a francesa Laura Schiel e conquistou o ouro com o placar de 15 a 5. A atleta também conquistou a medalha de ouro, da categoria acima de 58kg, no Campeonato Mundial de Parataekwondo, que aconteceu em fevereiro, em Antalya, na Turquia.

O baiano Bruno Mota, 24 anos, venceu o americano Michael Stacey na primeira luta por 20 a 9. No entanto, perdeu a semifinal para o turco Celik Fatih por 40 a 5 e ficou com a medalha de bronze da categoria até 75kg.

O caçula da Seleção Nathan Torquato, 18 anos, ganhou a primeira luta do japonês Chitara Ito por 41 a 27. Mas na semifinal, apesar de ter liderado o placar por 36 a 19 sobre o turco Mahmut Bozteke, foi desclassificado por chute baixo e ficou com o terceiro lugar da categoria até 61kg.

A Seleção contou com Bruno Mota (até 75kg), Cristhiane Neves (até 58kg), Débora Menezes (acima de 58kg) e Nathan Torquato (até 61kg) no Aberto da Oceania. Estes quatro atletas possuem vaga no Parapan de Lima. Na próxima semana, a equipe estará na Coréia, onde disputará o Chuncheon Open.

Adesivos com QR Code são espalhados por Barcelona para guiar deficientes visuais - Veja o vídeo

Divulgação / NaviLens
Ilustração com 15 QR Codes coloridos em 3 linhas

Por Thaís Augusto

Adesivos espalhados pelo sistema de transporte público de Barcelona, na Espanha, têm guiado deficientes visuais que precisam encontrar seu caminho pela cidade. Neste caso, o segredo está no QR Code inserido no adesivo, que oferece aos usuários informações sobre o local onde estão e alertas de obstáculos até a plataforma de embarque.

O programa é do Transports Metropolitans de Barcelona (TMB) para tornar a cidade mais fácil de acessar por seus milhares de cidadãos com deficiente visual. Os adesivos coloridos têm sido espalhados pela rede de transporte da cidade nos últimos meses – as marcas estão sendo colocadas perto de saídas, plataformas, escadas rolantes, bilheterias, interfones e corredores.

O sistema de QR Code foi desenvolvido pelo Mobile Vision Research Lab da Universidade de Alicante, em parceria com a startup espanhola NaviLens. Usando uma câmera de smartphone e um aplicativo gratuito, pessoas com deficiência visual podem escanear os códigos e escutar as informações armazenadas dentro de cada um deles.

Adesivos coloridos da NaviLens guiam deficientes visuais por Barcelona (Foto: Divulgação)

Com os adesivos, também é possível ouvir cronogramas de transporte público e descrições físicas do ambiente ao redor. No aplicativo, os usuários ainda podem baixar tags simples e personalizá-las para adicionar a qualquer coisa que quiserem, inclusive caixas de comida ou documentos pessoais.

De acordo com a NaviLens, para que seu sistema funcionasse, foi preciso recriar o código QR do zero. Tudo isso para que o adesivo de 5 polegadas de largura pudesse ser lido a uma distância de até 12 metros em um trigésimo de segundo – o tempo que uma câmera de smartphone leva para capturar um único quadro.

Com a tecnologia desenvolvida, o smartphone também não precisa ler o QR Code inteiro: basta que o usuário encaixe o adesivo em um ângulo de até 160º, mesmo em movimento. O aplicativo da NaviLens pode registrar mais de 200 tags em um único quadro. "Realmente parece mágica quando você lê um rótulo a vários metros de distância", diz Juan Nuñez, residente em Barcelona, ​​que é deficiente visual. "Até agora não havia alternativa senão aprender o layout das estações, memorizando as rotas a seguir".

Quando os usuários varrem o ambiente com um smartphone, sinais de áudio permitem que eles encontrem e centralizem a tag no campo de visão do telefone. Uma sacudida no pulso faz com que os detalhes contidos na etiqueta sejam lidos – isso facilita a vida dos deficientes visuais, que geralmente mantêm uma mão ocupada com cão-guia ou bengala.

QR Code para deficientes está colado em paradas de ônibus e na entrada de metrôs (Foto: Divulgação)

Outros usuários cegos e deficientes visuais fora de Barcelona também ficaram impressionados com a tecnologia. "Há um pouco de ceticismo no começo, mas logo se transforma em uma risadinha e um momento de surpresa: 'Eu realmente detectei algo a metros de distância?'", comentou o judoca cego, Marc Powell, que participou dos Jogos Paraolímpicos de 2012. "Sabendo o que está por aí: uma sala silenciosa, uma máquina de venda automática, essas coisas trazem o prédio de volta à vida". Recentemente, o atleta também ajudou a chefiar o departamento de inovação do Royal National Institute for Blind People, do Reino Unido, que testa o sistema.

A NaviLens ainda conta que as informações do QR Code podem ser lidas em vários idiomas, com o smartphone selecionando automaticamente o idioma nativo do usuário – detalhe importante para uma cidade que recebe quase 10 milhões de visitantes todos os anos. Atualmente, o sistema NaviLens está sendo expandido para todas as 159 estações de metrô e 2.400 pontos de ônibus de Barcelona, totalizando dezenas de milhares de tags que formarão uma infraestrutura de realidade aumentada.

A NaviLens diz querer expandir seu serviço para outras cidades europeias em breve. A companhia entra em um mercado lotado de aplicativos de navegação para deficientes visuais, que inclui o Be My Eyes, BlindSquare, DigitEyes e Moovit. A diferença é que a maioria destes aplicativos usam o GPS para guiar os usuários.

A Neosistec, empresa controladora da NaviLens, também desenvolveu um aplicativo separado para pessoas com visão que usa as tags para gerar sinalizações de realidade aumentada que direcionam os usuários ao seu destino. Veja como funciona o QR Code da NaviLens: