sábado, 7 de setembro de 2019

Pai cego salva filho com paralisia cerebral durante furacão Dorian

Rastros do furação Dorian na ilha de Grande Abaco, uma das mais afetadas
Rastros do furação Dorian na ilha de Grande Abaco, uma das mais afetadas Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / STF

O caos causado pelo furacão Dorian nas Bahamas, onde passou com categoria 5 — a maior que um ciclone tropical pode ter — deixou milhões de pessoas desabrigadas, buscando refúgio em ginásios e igrejas. Há ao menos 23 mortos, mas autoridades dizem esperar que este número aumente bastante enquanto o cenário de destruição vai ficando mais claro.

Aos poucos, histórias de sobrevivência vão surgindo. Uma delas é a de Brent Lowe, contada pelo New York Times, na quinta-feira. O telhado da casa de Lowe foi arrancado e o oceano, do lado de fora, engoliu sua vizinhança. Ele sabia que precisava escapar com seu filho de 24 anos, que tem paralisia cerebral e não consegue andar. Os obstáculos, entretanto, não pararam por aí: Lowe é cego.

Mesmo assim, ele colocou seu filho nos ombros e saiu de casa, com água no queixo. Ele foi tateando até a próxima residência que ainda estava de pé, a cerca de cinco minutos de distância. Junto a eles estavam outros vizinhos, incluindo duas crianças, cujas casas já haviam sido destruídas.

O Dorian foi a tempestade mais violenta a atingir as ilhas de Grande Bahama e Abaco, onde Lowe mora, de que se tem notícia. O grupo ficou na casa vizinha por mais um dia, até serem resgatados e levados para um abrigo. Na noite de terça-feira, Brent Lowe foi levado para Nassau, capital do país, para receber o tratamento de diálise que precisa realizar três vezes por semana. Seu filho ficou com a cunhada, em Abaco.

Lowe, que trabalhava como peixeiro antes de de perder sua visão em decorrência de complicações da diabete, agora está desabrigado — e ele não é o único. Tantas pessoas precisaram deixar suas casas por causa do Dorian que em Marsh Harbour, principal cidade de Abaco, há mais de 2 mil pessoas abrigadas em uma clínica e em um prédio do governo. Serão necessárias tendas para que todos os sobreviventes sejam acomodados.

Coreógrafo Lincoln Pereira prepara cadeirantes para concurso de Miss e desfile de escola de samba

O coreógrafo Lincoln Pereira, um lapidador de auto estima
O coreógrafo Lincoln Pereira, um lapidador de auto estima Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

Célia Costa

Lincoln Pereira já se dedicava a trabalhos de inclusão quando o termo ainda nem era popularmente usado. Professor de Educação Física e amante da dança, aos 58 anos, ele é um coreógrafo de cadeirantes apaixonado pelo que faz. O sorriso largo e a simpatia são marcas registradas desse ilustre morador de Campo Grande. Sua missão tem sido dar leveza e graça aos movimentos das cadeirantes, além de elevar a autoestima de pessoas com deficiência. A mais recente missão é fazer a coreografia do concurso Miss Cadeirante 2019, que acontece no próximo dia 21, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca.

O universo dos cadeirantes entrou na vida do professor em 2000, quando Lincoln Pereira foi convidado para coreografar uma ala de deficientes físicos na escola de samba Tradição.

— A partir desse trabalho, comecei a entender o universo dos cadeirantes e a saber como planejar e executar os movimentos com graciosidade e beleza. Na Tradição, eu só criava as coreografias e meu sonho era desfilar na Avenida. Quando fundaram a ala “Nós podemos’’ na Portela, o presidente da escola me chamou para coreografar e dançar. A emoção na Sapucaí foi indescritível — lembra Lincoln.

O trabalho na escola de samba Tradição tornou-se referência no carnaval e o levou a ser o mestre-sala da Embaixadores da Alegria, escola de samba formada por pessoas com deficiência motora e cognitiva, que há 12 anos abre o Desfile das Campeãs na Avenida Marquês de Sapucaí.

A porta-bandeira de Lincoln é Lu Rufino, ativista dos direitos das pessoas com deficiência e que foi vítima de poliomielite. A Embaixadores da Alegria é uma Organização Social voltada às pessoas com deficiência e que utiliza a arte e a cultura do carnaval como instrumento de inclusões social e emocional.

Lincoln Pereira é coordenador de dança e de ginástica olímpica do Centro Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande. O começo do trabalho com os cadeirantes foi um verdadeiro desafio e causou perplexidade entre os amigos.

— As pessoas me perguntavam: “O que você vai fazer com essas pessoas?”. Eu só enxergava possibilidades de fazer um trabalho com várias vertentes. E meapaixonei por isso — se emociona Lincoln, ao falar da trajetória.

O começo, segundo o coreógrafo, foi realmente muito difícil:

— Inicialmente, achei que não conseguiria realizar. Mas, depois que comecei a ver os primeiros resultados e mudei a minha perspectiva de visão, as ideias surgiram. Ao longo dos anos, aprendi que todos têm limitações, independentemente de ser deficiente ou não. A beleza está justamente na possibilidade de se trabalhar com isso — explica Lincoln Pereira, um apaixonado pelo que faz. — O trabalho com cadeirante é instigante. O artista vê o mundo por outro ângulo.

O concurso Miss Cadeirante foi mais um desafio. A disputa, que começou pequena em 2017, cresceu. Saiu dos palcos de Campo Grande, onde surgiu, para ocupar o grandioso Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. As 20 finalistas serão escolhidas numa votação pela internet, por meio de curtidas na página do Facebook Miss Cadeirante 2019. Já são 35 candidatas inscritas antes mesmo do encerramento do prazo, em 2 de agosto. O objetivo do concurso é lembrar que as cadeirantes são mulheres bonitas e também desejadas.

                       Lincoln Pereira possa com Fernanda Oliveira, miss cadeirante
Lincoln Pereira possa com Fernanda Oliveira, miss cadeirante Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

Uma dessas mulheres bonitas é a bacharel em Direito Fernanda de Oliveira, de 37 anos, que estará concorrendo no concurso. Moradora do Centro de Campo Grande, Fernanda é um exemplo de superação. Ela perdeu os movimentos após sofrer um acidente na adolescência e coleciona conquistas ao longos dos anos. Trabalha em um escritório de advocacia enquanto estuda para fazer a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Fernanda já participou de outras edições do concurso Miss Cadeirante e, este ano, está ensaiando com o coreógrafo Lincoln Pereira.

— Quando eu era mais jovem, os andantes (como alguns cadeirantes denominam as pessoas que andam normalmente) nos olhavam com sentimento de pena. Eram poucas as pessoas que faziam essas atividades com os cadeirantes. Hoje, o trabalho é reconhecido. Muitas pessoas querem até tirar fotos comigo — diz, orgulhosa, Fernanda de Oliveira.

O coreógrafo está há mais de duas décadas envolvido com trabalhos de dança. Fundou a Escola de Dança Lincoln Pereira, que levou para a Zona Oeste, e ganhou muitas premiações de gafieiras tradicionais cariocas, entre elas a Estudantil Musical e a gafieira Elite. Dançou para homenagear a bailarina Ana Botafogo e a cantora Maria Bethânia. Quando o príncipe Harry esteve no Rio de Janeiro, Lincoln participou das homenagens que foram preparadas para receber o herdeiro do trono britânico.



Aulão de canoagem para pessoas com deficiência, de graça, acontece neste sábado no Na Praia, em Brasília

Atividade programada para 30 participantes vai das 9h às 15h. Profissionais de Educação Física que trabalham com diversos tipos de deficiência coordenam atividade.

Por G1 DF

Na Praia oferece aulão de paracanoagem — Foto: Paracanoagem/ Divulgação
Na Praia oferece aulão de paracanoagem — Foto: Paracanoagem/ Divulgação

Um aulão de canoagem para pessoas com deficiência, de graça, está programado para este sábado (7), das 9h às 15h, no Lago Paranoá. A iniciativa faz parte do Na Praia e é uma parceria com a Associação de Paracanoagem de Brasília.

"O objetivo é fortalecer a prática de esportes no evento e representar o compromisso com a acessibilidade", afirmam os organizadores.

A atividade está programada para 30 participantes que serão divididos em seis grupos. As aulas, de 40 minutos, são coordenadas por profissionais de Educação Física especialistas em trabalhar com diversos tipos de deficiência.

Durante a manhã, além do aulão de canoagem para pessoas com deficiência, serão oferecidos outros esportes adaptados e orientados, como SUP, frescobol e tiro com arco.

Para participar, os interessados precisam enviar para o direct do Instagram @paracanoagembrasilia:
  • Nome completo

  • CPF

  • Tipo de deficiência

  • Dados do acompanhante

As 30 vagas serão preenchidas conforme a ordem de inscrição. O selecionados e acompanhantes terão acesso gratuito ao complexo Na Praia.

Serviço:
  • Aulão de canoagem para pessoas com deficiência

  • Data: 7 de setembro

  • Local: Complexo Na Praia (SHTN, atrás da Concha Acústica)

  • Horário: 9h às 15h

  • Inscrições @paracanoagembrasilia



  • De graça

Fonte: g1.globo.com

Cego cria bengala inteligente que usa Google Maps e sensores para identificar obstáculos - Veja o vídeo

A bengala inteligente possui alto-falantes que informam o usuário sobre lojas próximas e detalhes na infraestrutura das ruas e calçadas.

Por Gabriel Pietro

Foto: Reprodução/WeWalk
homem cego caminhando rua bengala

Uma bengala inteligente inventada por um engenheiro cego está revolucionando a maneira como as pessoas cegas podem se locomover pelas ruas.

Visando proteger essas pessoas de objetos suspensos e obstáculos acima do nível do peito, a bengala WeWalk usa sensores ultrassônicos que alertam o usuário por meio de vibrações em sua alça.

bengala pode ser emparelhada com o sistema Bluetooth de um smartphone para facilitar o controle. Como também é integrada ao software Voice Assistant e Google Mapas ela pode utilizar os alto-falantes embutidos em sua estrutura para informar o usuário sobre lojas próximas e detalhes na infraestrutura das ruas e calçadas.

O CEO e co-fundador da WeWalk, Kursat Ceylan, que também é cego, disse à CNN que ajudou a desenvolver a bengala a partir do desejo de usar a tecnologia moderna como uma ferramenta para os deficientes visuais.

Bengala inteligente

“Atualmente, estamos falando de carros voadores, mas essas pessoas ainda estão usando apenas uma bengala simples”, disse ele à agência de notícias.

“Como pessoa cega, quando estou na estação de metrô, não sei qual é a minha saída… não sei qual ônibus está se aproximando… [ou] quais lojas estão ao meu redor. Esse tipo de informação pode ser fornecida com o WeWalk.”

Atualmente, o aparelho está sendo vendido por US$ 500 (R$ 2020). À medida que a startup turca ganha mais força e se expande, os desenvolvedores esperam associar a WeWalk a aplicativos de carona e serviços de transporte para melhorar ainda mais suas habilidades de navegação.

Saiba mais assistindo ao vídeo abaixo:




Ex-fuzileiro carrega amigo que perdeu as pernas até topo de montanha

Significado de amizade atualizado com sucesso!

Foto: Reprodução
homem carregando amigo perdeu pernas topo montanha

Por Gabriel Pietro

O ex-sargento da Marinha dos EUA Jonathon Blank perdeu as pernas quando um explosivo improvisado detonou ao lado dele em outubro de 2010, no Afeganistão. No entanto, essa tragédia não o impediu de seguir sua vida.

Em 2014, após se aposentar e deixar de ser um fuzileiro naval, Jonathon se mudou para o estado de Utah, onde passou a caçar, velejar e esquiar nas diferentes estações do ano.

Recentemente, ele subiu no topo da montanha Timpanogos (que tem 3.581 m de altura) com seu amigo da Marinha, John Nelson, que lhe carregou nas costas.

Foram dois dias de trajeto até o cume, que está a 80 quilômetros de distância de Salt Lake City, cidade mais próxima.

Foto: Reprodução
montanha

“Serei suas pernas”

Eles percorreram 20 quilômetros até o topo, com uma mudança de altitude de 1.300 metros.

Outros aventureiros da trilha notaram a dupla e ficaram impressionados com sua dedicação. Um deles, Nate Larid, disse à CNN: “Quando você vê isso, tamanha dedicação para um objetivo em comum, você deseja ter isso para você mesmo e sua família”.

“A maioria das pessoas desiste quando descobre que há dor envolvida”, disse Blank. “Mas vale a pena chegar até o topo.”

Blank e Nelson serviram como fuzileiros navais de reconhecimento de força, que é um dos grupos da Marinha que fazem operações especiais.

Como fuzileiros navais, eles estavam acostumados a carregar torpedos que pesavam até 36 quilos. Blank, no entanto, neste dia, estava carregando 70, entre o peso de Nelson, água e suprimentos.

De fuzileiros a amigos

Os 24 membros do pelotão com quem Blanck serviu estão constantemente se reunindo para mais aventuras.

É o caso de Nelson, que viaja pelos EUA há meses visitando amigos e parques nacionais. Ele estacionou seu trailer em frente à casa de Blank, em Utah, e agora os dois estão explorando a área juntos.

Nelson sabia que o Monte Timpanogos chamava a atenção de Blank desde que ele chegara a Utah anos atrás. Um dia, ele perguntou: “Topa fazermos a caminhada amanhã?”.

“Tudo bem, chegou a hora”, respondeu Blank.

Foi um dia importante para a dupla de amigos, embora eles não esperassem que, quando seus companheiros de caminhada na trilha os vissem, ficassem emocionados.

Foto: Reprodução
homem sentado amigo perdeu pernas topo montanha

Nelson e Blank agora desejam escalar o Monte Whitney no Dia dos Veteranos dos EUA, que ocorre em novembro. Eles já estão planejando chamar mais amigos do antigo pelotão para se juntarem a eles na expedição.

O Monte Whitney está localizado na cordilheira de Sierra Nevada, no Sequoia National Park, Califórnia, e é uma das montanhas mais altas da América do Norte, erguendo-se 4419 metros acima do nível do mar.



O drama da mulher em uma busca mundial por doador de células-tronco - Veja o vídeo.

Uma mulher mestiça, de 42 anos, procura desesperadamente, na Alemanha, um doador de células-tronco ao redor do mundo.

BBC News

Resultado de imagem para O drama da mulher em uma busca mundial por doador de células-tronco

Astrid tem leucemia, tipo de câncer que atinge os glóbulos brancos do sangue, comprometendo o sistema de defesa do organismo.

Clique AQUI para ver o vídeo.

Mas por ser mestiça, filha de pai nigeriano e mãe alemã, ela está procurando uma agulha em um palheiro.

Embora haja cerca de 30 milhões de doadores de células-tronco registrados em todo o mundo, a maioria é branca - apenas 3% são mestiços.

Ela corre contra o tempo em busca de um doador. Para isso, começou uma campanha no Facebook.

"Não ser capaz de ver meus filhos crescerem, é insuportável para mim. Quero preparar meus filhos para a vida, não pela morte", desabafa.

O vídeo mostra a jornada emocionante de Astrid, que simboliza a luta de milhares de outras pessoas representantes de minorias étnicas em busca de doadores ao redor do mundo.

Palmeirense com deficiência visual entra em campo ao lado de Neymar

Nickollas ficou famoso ao ser flagrado com sua mãe narrando o jogo de seu time de coração em 2018. Silvia Grecco está concorrendo a prêmio da Fifa

Do R7

Reprodução/Twitter
Neymar entrou em campo acompanhado do menino Nickollas
Neymar entrou em campo acompanhado do menino Nickollas

A sexta-feira, dia 6 de setembro, provavelmente para sempre ficará na memória de Nickollas Grecco. O garoto, que sofre de deficiência visual e autismo, entrou em campo no amistoso entre Brasil e Colômbia, em Miami, nos Estados Unidos, ao lado de Neymar, grande craque da seleção brasileira atualmente.

Nikollas ganhou fama em 2018, enquanto acompanhava a um jogo do Palmeiras, seu time de coração e sua mãe, Silvia, foi flagrada pelas câmeras de transmissão narrando tudo o que acontecia na partida para seu filho.

Recentemente, Silvia foi até indicada como finalista ao prêmio de torcedor símbolo da temporada 2018/19. Em entrevista ao R7 na última segunda-feira, ela agradeceu o apoio à causa. "Mudou muito nossa rotina, as pessoas nos reconhecem! Não tenho dúvidas que o mais importante é dar visibilidade à causa da pessoa com deficiência. É o mundo ouvir que eles existem, que precisam ser amados, respeitados e incluídos. O futebol tem esse poder transformador", explicou.



Médico cego de SP mantém consultório, atende em hospital e orienta alunos

Endocrinologista perdeu totalmente a visão há oito anos e é especialista em tireoide

O endocrinologista Ricardo Ayello Guerra, que trabalha sem ajuda da visão - Marlene Bergamo/Folhapress


SÃO PAULO - A rotina do médico endocrinologista Ricardo Ayello Guerra, 47, é pesada como a de qualquer outro profissional de saúde. Ele atende em uma clínica particular e também dá expediente em dois grandes hospitais públicos de São Paulo, onde ainda orienta o trabalho de dezenas de colegas residentes. A diferença é que o doutor Ricardo não tem a visão, é totalmente cego.

Não há segredo nem assistencialismo para o sucesso profissional dele. Sua jornada foi marcada pela construção de um amplo conhecimento técnico e teórico, por adaptações básicas em sua rotina e pela permanente preocupação em prestar um bom serviço ao paciente.

Ricardo se formou em medicina pela Uerj (Universidade do Estado do Rio do Janeiro), uma das melhores do país, especializou-se em tireoide, cujos problemas são muitas vezes detectados pelo toque do médico. Para rotinas diárias, ele tem sempre ao seu lado um profissional de confiança que lê os resultados de exames e resolve questões práticas.

“Durante o período de faculdade, eu ainda tinha um pouco de visão [ele nasceu com retinose pigmentar] e enfrentava mais dificuldades em locais com pouca luz ou para usar instrumentos como o microscópio, pegar uma agulha. Tentava compensar estudando muito, até seis horas por dia”, afirma o médico.

Embora tenha sempre se deparado com questionamentos sobre sua competência e habilidade, de ter sofrido resistência e algum bullying de seus colegas, Ricardo, com apoio familiar e gosto pela prática médica, convenceu-se de que poderia seguir em frente na carreira.

“Ninguém conseguia me dar uma justificativa convincente para fazer eu desistir de ser médico. Passei num vestibular muito difícil, mas até estava disposto a abrir mão se houvesse algo que me impedisse de continuar. Conversei com vários catedráticos que me falaram que eu tinha, sim, condições de exercer a profissão com adaptações, estudos, com muito aprendizado.”

Em disciplinas muito práticas como pronto-socorro ou cirurgia, cumpriu toda a parte teórica, fez provas e foi aprovado. Em histologia —que estuda composição e função dos tecidos vivos— tomou bomba, pois o professor exigia que ele usasse o microscópio.

“Minha sorte foi que esse professor mais tradicionalista se aposentou e o novo que entrou no lugar dele aceitou e achou natural a forma que eu propus para realizar as avaliações, por meio de fotografias 3D. Não me lembro ao certo se fiquei com 9 ou 10.”

A psiquiatria foi uma das primeiras especialidades sugeridas a Ricardo, que já tinha convicção que poderia ser um bom médico de atendimento clínico, trabalhando em consultório. Escolheu a endocrinologia. Fez residência médica no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, onde, em 2002, prestou concurso para médico endocrinologista e passou em primeiro lugar.

Ele também é concursado no HSPM (Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo), onde ficou em segundo lugar nas provas. Fez mestrado na Universidade Federal de São Paulo com um trabalho já voltado aos estudos da tireoide.

Há 15 anos, a doença do médico começou a progredir e ele passou a perder gradativamente a capacidade de enxergar. Há oito anos ele é considerado totalmente cego. Ricardo ainda faz reabilitação na Fundação Dorina Nowill para lidar melhor com sua situação de forma independente.

Para a médica Daniela Yone Veiga Iguchi Perez, colega de Ricardo no HSPM, ele é “um médico extremamente competente, referência em conhecimento nas áreas em que atua. Um grande exemplo para os residentes e toda a equipe. Sua deficiência visual, que passa totalmente desapercebida no trabalho que desenvolve na assistência e no ensino, apenas aumenta a admiração que todos temos por ele”.

Duas vezes por semana, o endocrinologista atende em um consultório particular em Atibaia (a 66Km de São Paulo), onde também moram seus dois filhos Leonardo, 12, e Camila, 10. Ele é separado por duas vezes e planeja se casar pela terceira vez em novembro.

“Uma regra de quando saio na rua com meus filhos é a de eles manterem sempre as mãos atadas comigo. Eles ainda perguntam se vou voltar a enxergar e eu digo que não, o que não é fácil, afirma Ricardo.

“Por muito tempo achei que surgiria um tratamento milagroso para o meu caso, hoje, não vivo com essa expectativa. Me preservo, me cuido, mas se surgir algo será lucro. A aceitação da minha condição é um exercício diário e vai durar a minha vida inteira. Não posso dizer que seja algo simples”.

No consultório, além de ter auxílio de programas de computadores específicos para pessoas com deficiência visual, o médico conta com um auxiliar. Suas consultas são longas para captar as nuances dos problemas de seus pacientes e ele não dispensa uma boa avaliação tocando seus pacientes.

“Não tenho como prática falar antecipadamente ao paciente sobre minha condição, pois entendo que isso não levará nenhum benefício a ele. A pessoa chega e é atendida da melhor maneira possível. Se ela pergunta sobre minha visão, explico. Nunca recebi nenhuma reclamação por isso e o meu termômetro é a volta dos pacientes ao consultório. De modo geral, elas voltam.”

Em seu trabalho nos hospitais públicos, o médico faz orientação e debate de casos a respeito de diabetes, obesidade, tireoide entre outros com os residentes.

“O doutor Ricardo é um homem admirável, com conhecimento geral e médico extenso e atualizado. Bastante querido por todos os colegas e pacientes. Nos inspira diariamente, ao demonstrar que sua deficiência não significa, de maneira alguma, uma limitação”, afirma Adriano Radin, residente de endocrinologia do HSPM.

Ricardo, porém, não avalia que tudo seja simples e entende que há, sim, dificuldades para a atuação de pessoas com deficiência em algumas áreas e que é necessário haver coerência.

“Não é possível determinar de antemão o que uma pessoa é capaz de fazer ou não. É preciso dar chances às pessoas, ouvi-las, entendê-las e agir sem preconceito, abrindo os espaços. Nem todo mundo terá características que atendam determinada profissional, mas isso vale para qualquer pessoa.”

Venda de ingressos para Jogos Paralímpicos Tóquio 2020 é iniciada

Marco Antonio Teixeira/MPIX/CPB
Marco Antonio Teixeira/MPIX/CPB

Nesta quinta-feira, 5 de setembro, a venda de bilhetes e pacotes internacionais para os Jogos Paraolímpicos de Tóquio 2020 começou. As próximas Paralimpíadas na Terra do Sol Nascente receberão cerca de 4400 paratletas de mais de 160 países em 22 modalidades, sendo a estreia do parabadminton e do parataekwondo nos Jogos Paralímpicos. A Cerimônia de Abertura será em 25 de agosto de 2020, no recém-construído Estádio Olímpico. Serão 12 dias de Jogos, com 540 premiações com medalhas.

"Como qualquer fã de esportes pode dizer, há poucas oportunidades mais inspiradoras ou emocionantes do que assistir aos Jogos Paralímpicos", disse Alexis Schaefer, diretor comercial do IPC.

“Há menos de um ano, Tóquio 2020 está a caminho de oferecer os maiores Jogos Paralímpicos de todos os tempos e temos o prazer de convidar fãs do esporte internacional a aproveitar essa experiência única. Os ingressos paralímpicos para residentes japoneses foram colocados à venda em 22 de agosto e houve uma demanda sem precedentes para garantir assentos. Esperamos que exista um interesse semelhante dos espectadores internacionais”, completou Schaefer.

Alguns pacotes incluem estadia em hotél, para simplificar a experiência nos Jogos Paralímpicos. Para conferir preços e condições de compra dos ingressos,  clique aqui.


Exposição sobre Batman tem área para pessoas com deficiência visual e auditiva

Mostra que celebra os 80 anos do super-herói fica em cartaz até o dia 15 de dezembro no Memorial da América Latina

Foto de uma das áreas da Exposição Batman 80

O Memorial da América Latina, em São Paulo, recebe até 15 de dezembro a exposição Batman 80. Com o objetivo de tornar a mostra acessível, os organizadores criaram uma área externa com ativações específicas para pessoas com deficiência. Ela é chamada de Batsense.

“Nós criamos a área para expandir a experiência para pessoas com deficiência visual e auditiva. Estátuas que podem ser tocadas pelos visitantes, conteúdo em Braille, em Libras, audiodescrição, imagens em alto-relevo, em alto contraste. Tudo isso para que as pessoas possam aproveitar todo tipo de conteúdo”, explicou Ivan Costa, curador da exposição, em  entrevista concedida ao UOL Entretenimento.

A Batman 80 está aberta de terça a sexta das 12h às 21h. Aos sábados, domingos e feriados abre às 10h. Os ingressos durante a semana custam R$ 35 inteira e R$ 17,50 meia e aos finais de semana e feriados é R$ 45 inteira e R$ 22,50 meia. Pessoas com deficiência conforme legislação vigente pagam meia-entrada.

Para mais informações, acesse o site da exposição Batman 80: 


Pessoas com deficiência representam 24% da população - Segundo o Censo IBGE de 2010,

Quase 46 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência

Por Thais Leitão

Deficiente visual
Deficiente visual: alguns indicadores, como posição no mercado de trabalho, revelam uma situação menos favorável dos brasileiros que têm algum tipo de deficiência (Bia Parreiras/EXAME/)

Rio de Janeiro – Quase 46 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência: mental, motora, visual ou auditiva. Esse número corresponde a 24% da população total do país. Embora 95% das crianças com deficiência com idades entre 6 e 14 anos estejam na escola, patamar bem próximo ao verificado entre as pessoas sem nenhuma das deficiências investigadas (97%), outros indicadores, como grau de instrução e posição no mercado de trabalho, revelam uma situação menos favorável dos brasileiros que têm algum tipo de deficiência.

A constatação faz parte do Censo Demográfico 2010 – Características Gerais da População, Religião e Pessoas com Deficiência, divulgado hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, enquanto 61,1% da população de 15 anos ou mais com deficiência não tinham instrução ou cursaram apenas o fundamental incompleto, esse percentual era de 38,2% para as pessoas dessa faixa etária que declararam não ter nenhuma das deficiências investigadas, representando uma diferença de 22,9 pontos percentuais.

No que se refere ao rendimento, o estudo aponta que 46,4% das pessoas ocupadas, com 10 anos ou mais de idade, entre os que têm deficiência, ganhavam até um salário mínimo ou não tinham rendimento. Já entre a população sem qualquer deficiência, essa era a realidade de 37,1%, o que indica uma diferença de mais de 9 pontos percentuais entre os dois grupos.

Segundo a coordenadora do Comitê do Censo Demográfico do IBGE, Andréa Borges, o levantamento aponta que para corrigir essas distorções são necessárias políticas públicas mais fortes que incentivem essa parcela da população a aumentar seu grau de instrução, o que interfere diretamente nos níveis de rendimento.

“Os dados revelam que a maioria das pessoas que têm deficiência está concentrada em níveis de instrução e de rendimento muito baixos. Já existem políticas públicas nesse sentido, mas elas podem ser melhoradas para que haja maior incentivo para que essa parcela de brasileiros não pare de estudar ao concluir o ensino fundamental, mas que vá adiante. Enquanto 10,4% dos que não têm deficiência tem [ensino] superior completo, apenas 6,7% das pessoas com deficiência estão nesse patamar”, ressaltou.

O levantamento aponta ainda que, em 2010, a população ocupada com pelo uma das deficiências investigadas representava 23,6% (20,3 milhões) do total ocupado (86,3 milhões) no país. Além disso, mais da metade (53,8%) dos 44 milhões de pessoas com deficiência em idade ativa (10 anos ou mais) estava desocupada ou não era economicamente ativa.

Em relação ao total da população desocupada ou não economicamente ativa, que somava 75,6 milhões em 2010, as pessoas com deficiência representavam 31,3%.

O documento constatou também que a maioria das pessoas com deficiência ocupadas era empregada com carteira assinada (40,2%), uma diferença de 9 pontos percentuais em relação à população sem nenhuma das deficiências investigadas (49,2%).

Já os percentuais de trabalhadores com deficiência classificados nas categorias por conta própria (27,4%), sem carteira (22,5%), militares e funcionários públicos estatutários (5,9%) e não remunerados (2,2%) são maiores do que na população sem deficiência (20,8%, 20,6% e 5,5%; 1,7%, respectivamente). Na categoria empregador, há uma diferença de 0,3 ponto percentual entre a população sem (2,1%) e com (1,8%) deficiência.

O que o caso da Lojas Americanas ensina sobre inclusão de PCDs

As práticas mostram as consequências da falta de uma política adequada de inclusão e de diversidade, segundo especialista

Por Karin Salomão

Lojas Americanas no Shopping Iguatemi, em São Paulo - 15/06/2012
Loja da rede Americanas: a bagunça de sempre, mas agora com tecnologia (Alexandre Battibugli/EXAME)

Assédio moral, humilhações constantes e tarefas inadequadas para as condições dos trabalhadores. A varejista Lojas Americanas foi multada em 11,3 milhões de reais em danos coletivos por discriminação contra pessoas com deficiência (PCDs). As práticas foram relatadas ao Ministério Público do Trabalho de Barueri, que multou a companhia. As práticas mostram as consequências da falta de uma política adequada de inclusão e de diversidade, segundo especialista ouvida por EXAME.

Na ação, testemunhas contam que colegas e superiores hierárquicos os obrigavam a realizar tarefas não condizentes com sua situação e os assediavam moralmente. Uma das testemunhas afirmou que ele e outras PCDs não conseguiam realizar certas tarefas que eram impostas pelos superiores, por limitações físicas. Ao invés de serem mudados de função, eram chamados de “preguiçosos” por chefes e alguns viam as cobranças aumentarem ainda mais.

Outro trabalhador, que tinha surdez, contou que era comum que supervisores e colegas de trabalho gritassem com sarcasmo: “você é surdo? Não ouve não?”. Segundo a testemunha, esse tipo de assédio moral ocorreu com mais dois colegas com outras deficiências, constantemente.

A empresa também teve casos de trabalhadores que foram colocados em funções diferentes daquelas para as quais haviam sido contratados, como forma de discriminação. Um deles, sem treinamento para a função e com deficiência nas pernas, tinha que descer plataformas de descarga sem a ajuda de escadas, o que acabou causando o agravamento de suas dores.

Os relatos foram recebidos pelo MPT de 2016 a 2018. Para a procuradora do Trabalho Damaris Salvioni, representante do MPT na ação, o assédio moral era organizacional, e não um fato isolado, e o objetivo seria fazer com que os trabalhadores pedissem demissão.

Diante dos diversos testemunhos, em 2018 o MPT ofereceu às Lojas Americanas um acordo (Termo de Ajustamento de Conduta – TAC) por meio do qual ela se comprometeria a evitar e refrear o assédio moral na organização. Entretanto, a empresa se recusou a assinar o documento.

Procurada por EXAME, a empresa afirmou que “ainda não foi notificada sobre a ação judicial em questão”. “A companhia afirma que o respeito entre seus associados está na base de sua cultura, e que repudia e pune com rigor qualquer prática de assédio moral, conforme disposto também em seu código de ética”, escreveu em nota.

Legislação e cultura

O caso mostra que, mesmo depois de quase 30 anos da Lei de Cotas para Pessoas Com Deficiência, muitas empresas ainda não incorporaram a inclusão em seus valores e cultura.

A lei determina que empresas com mais de 100 funcionários preencham uma parcela do quadro de funcionários com PCDs, de 2% a 5%. Segundo Ivone Santana, diretora executiva do Instituto Modo Parités, o Brasil tem uma das legislações mais avançadas em termos de inclusão de PCD. A Lei de Cotas começou a ser fiscalizada nos anos 2000, o que foi fundamental para que as empresas se mobilizem e estruturem bons programas, diz ela.

No entanto, cerca de metade dessas vagas não são preenchidas, por preconceito e desconhecimento de alguns gestores. “Esse caso da Lojas Americanas é um exemplo triste, mas recorrente, do que acontece quando uma empresa não incorpora valores de inclusão em sua cultura”, afirma Santana.

“A nossa sociedade foi baseada em segregações por muito tempo, de raça, mulheres, pessoas LGBT e pessoas com deficiência. Até pouco tempo atrás, piadas com negros ou mulheres eram vistas como engraçadas. Até hoje tem empresa que não tem banheiro para mulheres. Muita coisa mudou, mas ainda existe um desconhecimento gigantesco de como implementar a inclusão acessibilidade”, explica a especialista.

Ou seja, não adianta simplesmente contratar PCDs, sem uma política adequada de inclusão. Para conversar com uma pessoa surda, por exemplo, é necessário estar de frente a ela, sem dar as costas. No caso de pessoas com mobilidade reduzida, o espaço de trabalho precisa ser acessível fisicamente.

Não é uma tarefa simples, já que as deficiências podem ser físicas, intelectuais, visuais e auditivas, com uma pluralidade muito grande. Mas não é um problema sem solução. “Quando as empresas estão dispostas a aprender, a cultura muda”, diz Santana. “Temos visto transformações incríveis nas empresas. Às vezes começa em um setor e se espalha por toda a empresa. Mexe até no conceito de meritocracia, que era um consenso e está sendo revisto.

Além da questão moral, a inclusão também impulsiona os lucros da empresa. PCDs e suas famílias consomem cerca de 8 trilhões de dólares em todo mundo por ano. Além disso, a inclusão torna o ambiente mais diverso e agradável.

“Quando as pessoas podem ser quem são numa empresa, o ambiente fica melhor, aumenta a eficiência dos funcionários e diminui o turnover. Isso se traduz no balanço das empresas também”, afirma. “As empresas que não olharem para a diversidade, não só com a inclusão de PCDs, mas de gênero, orientação sexual e de raça, não serão sustentáveis no longo prazo”, diz.


sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Aluno que tem parente com microcefalia ou doença rara ganha prioridade de matrícula em escola integral

Nova lei foi sancionada pelo governo de Pernambuco, mas não contempla unidades de ensino que exigem prova para ingresso.

Por G1 PE

Lei é válida para escolas de tempo integral que não exijam prova para ingresso — Foto: Reprodução/TV Globo
Lei é válida para escolas de tempo integral que não exijam prova para ingresso — Foto: Reprodução/TV Globo

O governo de Pernambuco sancionou uma lei que assegura prioridade de matrícula em escolas públicas de tempo integral do estado para alunos que têm algum parente com microcefalia. A norma também garante esse direito no caso de estudantes em que a mãe ou o responsável possua dependente portador de doenças raras.

O projeto que originou a Lei Nº 16.618 é de autoria do deputado William Brígido (PRB). De acordo com a nova medida, as crianças e adolescentes em questão têm garantida a matrícula na série procurada pelo aluno, condicionada ao quantitativo de vagas ofertadas por turno. A norma, no entanto, não contempla as unidades que exigem prova para o ingresso.

Para garantir a prioridade na matrícula, é preciso apresentar um laudo médico especificando a doença e suas consequências. A lei exige também um documento comprovando que o aluno mora com a mãe ou responsável pela criança ou adolescente portador de microcefalia ou doença rara.

A norma entrou em vigor no dia 28 de agosto deste ano, data da publicação. O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Eriberto Medeiros (PP), promulgou a medida no dia 27 de agosto. De acordo com o texto, o governo precisará regulamentar a lei.

Fonte: g1.globo.com

Dançarinos com síndrome de Down ganham categoria especial para representar Brasil em festival na Argentina - Veja o vídeo.

Grupo de Limeira se classificou em 2018 para o Festival Internacional de Dança do Mercosul; organização criou categoria para receber pela primeira vez grupo formado exclusivamente por participantes com Síndrome de Down.

Por G1 Piracicaba e EPTV

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Dançarinos com síndrome de Down de Limeira se apresentam em festival internacional

Os melhores dançarinos do continente se reúnem no Festival Internacional de Dança do Mercosul a partir desta quarta-feira (4), em Puerto Iguazu, na Argentina. A edição deste ano contará com uma categoria criada especialmente para receber um grupo de Limeira (SP), o "Down Dance", formado exclusivamente por dançarinos com síndrome de Down que estão contando as horas para se apresentar ao público.

Clique AQUI para ver o vídeo.

"A dança sempre ilumina o meu dia. É isso o que eu quero", diz a dançarina Luísa Schenke.

Em 25 anos de história, o festival nunca recebeu um grupo formado exclusivamente por pessoas com síndrome de Down. A expectativa mexe também com as famílias dos dançarinos, que prepararam até camisetas para formar uma "torcida organizada".

"É muito gratificante. A gente nunca imaginou que fosse chegar tão longe, mas está sendo muito bom", diz Sonia Ferraz, mãe de uma aluna.

Grupo 'Down Dance' foi convidado para representar um Brasil em Festival de Dança Internacional — Foto: João Baxega
Grupo 'Down Dance' foi convidado para representar um Brasil em Festival de Dança Internacional — Foto: João Baxega

Para representar o Brasil no evento, o grupo conseguiu a vaga após a conquista de dois prêmios em um festival realizado em Pirassununga (SP), em 2018. Sem condições financeiras, eles contaram com a ajuda de amigos e familiares para bancar as despesas da viagem.

"A gente fica emocionado toda vez que eles vão se apresentar. Emociona eles, nós e o público", conta Nalva Bertagna, mãe de outra dançarina.

"Estamos juntos com fé em Deus para ver se a gente consegue esse prêmio", diz o dançarino Diego Gutierrez.

Serão 15 horas de viagem de ônibus até a cidade argentina onde será realizado o festival. O grupo viaja na quinta-feira (5) e a apresentação acontece no sábado (7).

Desenvolvimento

O grupo foi criado por uma associação de pais que queria que a dança fosse um recurso a mais para o desenvolvimento dos filhos com síndrome de Down. Eles se reúnem toda semana para aprender novos passos, o que, segundo o coreógrafo Bhetto Bastelli, é tirado de letra.

"Para mim é normal dar aula para eles, é como se fosse como os outros. Eles têm as limitações, mas a parte intelectual deles é muito boa. Decorar a coreografia, passos que eu dou, é na hora. Fiz uma vez e pronto, não esquecem mais", diz o professor.

Grupo de Limeira será a primeira equipe formada exclusivamente por dançarinos com Síndrome de Down a participar do festival — Foto: João Baxega
Grupo de Limeira será a primeira equipe formada exclusivamente por dançarinos com Síndrome de Down a participar do festival — Foto: João Baxega

Ao perceber a desenvoltura dos integrantes, o coreógrafo conta que começou a levar o grupo para pequenas apresentações e, depois, para concursos regionais, e o resultado foi surpreendente.

"Quando eu cheguei aqui, eles eram quietinhos, tinham medo. Hoje, quando a gente chega nos festivais, eles conversam com todo mundo, com todos os bailarinos", conta Bastelli.

Luísa Schenke, de 19 anos, conta o quanto é feliz dançando pelo grupo e faz jus aos comentários do professor dizendo que não tem dificuldades de pegar a coreografia. "Não, pra mim é fácil [a coreografia], eu decoro muito."

"É muito divertido [dançar], e eu estou muito feliz de fazer essa parte pelo grupo. A gente se esforçou muito pra dançar muito e ir para a Argentina. Estou muito feliz, muito empolgada pra ir", finaliza.

Luísa Schenke (ao centro), dançarina do grupo de síndrome de Down de Limeira que vai para a Argentina — Foto: João Baxega
Luísa Schenke (ao centro), dançarina do grupo de síndrome de Down de Limeira que vai para a Argentina — Foto: João Baxega

Fonte: g1.globo.com

PM realiza prova beneficente de meia maratona em Guarujá

Evento será realizado no dia 22 de setembro e tem o objetivo de arrecadar recursos para o Movimento pela Acessibilidade e Inclusões Sociais (Mais).

Prova beneficente será realizada na orla de Guarujá, SP — Foto: Unesp
Prova beneficente será realizada na orla de Guarujá, SP — Foto: Unesp

A Polícia Militar em Guarujá, no litoral de São Paulo, abriu as inscrições para o evento beneficente 21K Guarujá 2019, uma corrida de meia maratona com o objetivo de arrecadar recursos para o Movimento pela Acessibilidade e Inclusões Sociais (Mais), voltada ao auxílio de pessoas com deficiência.

De acordo com a organização do evento, a prova será realizada a partir das 7h do dia 22 de setembro, e além do percurso de 21 quilômetros, também contará com provas de 10 e cinco quilômetros de distância. A maior parte do percurso será realizada na Avenida Miguel Estéfano, na orla da Praia da Enseada.

Interessados devem se inscrever a partir do site disponibilizado pela Polícia Militar.

Fonte: g1.globo.com

UFPB promove Congresso de Inclusão e Acessibilidade no campus de João Pessoa

Comunidade acadêmica debate formas de melhorar acessibilidade e incluir pessoas com deficiência. UFPB tem aproximadamente 3,9 mil estudantes com deficiência.

Por G1 PB

UFPB universidade federal da paraíba joao pessoa pb — Foto: Gabriel Costa/Arquivo Pessoal
UFPB universidade federal da paraíba joão pessoa pb — Foto: Gabriel Costa/Arquivo Pessoal

A UFPB tem aproximadamente 3,9 mil estudantes com algum tipo de deficiência, segundo levantamento feito pelo Comitê de Inclusão e Acessibilidade (CIA) da universidade. Para discutir melhorias na acessibilidade de universidade e trocar experiências, o CIA promove entre esta quinta-feira (5) e sexta-feira (6) o I Congresso de Inclusão e Acessibilidade – Realidades e Perspectivas no campus de João Pessoa.

O evento, que conta com 200 inscritos e aborda em palestras e oficinas gratuitas a temática da deficiência, muitas vezes do ponto de vista de quem sente na pele os desafios e necessidades por políticas afirmativas.

“Nosso objetivo é levar a academia a pensar a acessibilidade em suas ações e concretizar a ideia de que todos nós somos responsáveis por esta ação, e não apenas um setor ou um órgão. O evento também vem alusivo à Luta da Pessoa com Deficiência, por seu espaço, seu direito à voz e posição na sociedade. Acredito que será um marco para a UFPB”, comentou o coordenador do Comitê de Inclusão e Acessibilidade (CIA), o intérprete de Libras Rafael Monteiro.

“A criação do comitê, há 7 anos, serviu para dar voz e atender às demandas de um segmento cada vez mais representativo no ensino superior local – e que quer se fazer reconhecer na educação, no trabalho e, por extensão, na sociedade como um todo”, reflete a terapeuta ocupacional Maria Natália Santos Calheiros, na vice-coordenadoria do CIA.

Confira a programação

Quarta-feira (5) - Tarde (14h às 17h)

Oficinas:

I - Prescrição de Tecnologia Assistiva no processo de inclusão escolar.

Ministrantes: Cláudia Galvão e Bárbara Iansã de Lima Barroso

Local: Departamento de Terapia Ocupacional.

II - Sentindo na pele: vivência de acessibilidade no ambiente constituído.

Ministrante: Bruna Ramalho Sarmento

Local: Centro de Tecnologia.

III- Parceiros na comunicação suplementar e alternativa.

Ministrante: Munique Massaro

Local: Centro de Educação.

IV - O professor do Ensino Superior diante do aluno com deficiência: Desafios e Possibilidades.

Ministrante: Adenize Queiroz

Local: Centro de Educação

V - Libras: Realidades e Perspectivas na UFPB.

Ministrante: Nayara Almeida Adriano

Local: Departamento de Letras-Libras

Sexta-feira (6) - Manhã (8h às 12h)

Local: Hall da Reitoria

Apresentação de Trabalhos (Sessão de painéis)

Tarde (14h às 17h)

Local: Auditório da Reitoria

Palestra e Mesa Redonda com o título:

"Inclusão e acessibilidade: Qual meu o papel?"

Palestrante: Professor Francisco Ricardo Lins Vieira de Melo (UFRN)

Mesa redonda: Membros representantes do CIA e das Subsedes.

Apresentação cultural

Encerramento

Fonte: g1.globo.com