sábado, 14 de setembro de 2019

Após tratamento contra câncer e amputação de perna, cearense de 10 anos realiza sonho de surfar

Menino luta há quatro anos contra osteossarcoma, doença que afeta os ossos.

Por Matheus Facundo e Lucas Falconery

Juan Yure Chagas, 10, luta há quatro anos contra câncer, e encontrou no surfe uma forma de superar a doença — Foto: Camila Lima/Sistema Verdes Mares
Juan Yure Chagas, 10, luta há quatro anos contra câncer, e encontrou no surfe uma forma de superar a doença — Foto: Camila Lima/Sistema Verdes Mares

Receber o diagnóstico de câncer não é fácil. E gera um impacto ainda maior quando o paciente é uma criança. Esta realidade foi conhecida cedo por Juan Yure Chagas, de apenas 10 anos de idade, mas que há quatro anos está em tratamento contra osteossarcoma, tipo de câncer que afeta os ossos. Ele, porém, encontrou no surfe uma forma de superar a doença. O menino cearense faz parte do grupo formado por 2.462 crianças e adolescentes atendidas no Hospital Peter Pan, em parceria com o Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), contra o câncer infantil, em Fortaleza.

No tratamento, Juan recebeu quimioterapia por dois anos e precisou amputar a perna direita. Por meio de um projeto social próximo de casa, na comunidade do Titanzinho, no Cais do Porto, capital cearense, ele passou a desenvolver um novo olhar sobre a vida. “Me sinto livre e muito bem. É muito bom saber que pessoas como eu sabem surfar, é incrível estar superando os limites”, declara sobre a atividade. Agora, uma vez por semana, ele faz aulas de surfe.

Foi em um acidente doméstico enquanto estava brincando que Juan machucou a perna e, ao realizar os exames posteriores, foi detectado o câncer, em novembro de 2014. “Foi um momento terrível, acabou com a gente no primeiro momento. Dois anos de muita dor e aflição, mas que tivemos apoio de amigos e do Hospital Peter Pan”, lembra Jenniffer Gomes Carneiro, mãe do menino.

Após receber alta médica, Juan passou a ser acompanhado a cada seis meses no Centro Pediátrico do Câncer e, então, a família teve a iniciativa de levá-lo à prática esportiva. “A gente conheceu o 'Projeto A Maré Vida', que é justamente para deficientes, e estamos lá”. Sobre os benefícios do esporte, Jenniffer percebe a alegria do filho. “Ajudou muito, ele gosta e diz que no mar se sente livre para fazer o que quiser e não sente que tem só um perna”, destaca.

Agora, Juan começa a guardar as primeiras medalhas dos campeonatos de surfe que participa. Nos sonhos, o desejo de ser surfista profissional. Ele não tem dificuldades para praticar o esporte nas pranchas comuns, mas precisa ter cuidados para não danificar a sua prótese. “O surfe é meu maior amor e os meus sonhos são muito altos. Conseguir juntar toda minha família, viver bem e poder todo dia ir para a praia brincar”, conclui.

Desafio familiar

Designer de sobrancelhas, a mulher precisou deixar o trabalho durante o tratamento de Juan para auxiliar seu esposo nos cuidados com o filho. “Tinha sido escolhida por uma empresa grande, ia ser bom para mim. Ia dar um futuro melhor para o meu filho e, logo na primeira semana, aconteceu isso”, conta.

Em meio à aflição com Juan, Jenniffer descobriu estar grávida e resolveu realizar em casa a atividade de estética para conseguir custear os gastos da família. “Montei meu próprio estúdio de sobrancelha em casa para a gente poder realizar o sonho de ter um carro”. Sobre a coragem para enfrentar os desafios, ela diz ter sido contaminada pela positividade do filho. “O próprio Juan nos deu força, sempre foi alegre e tinha fé”, aponta.

Campanha

Setembro ganhou o laço dourado para reforçar a importância do diagnóstico precoce do câncer infantil em meio às campanhas que alertam para os cuidados com a vida. “Na infância, os tipos de câncer que predominam são a leucemia e os tumores do sistema central”, explica Sandra Emília Prazeres, médica oncologista e gerente técnica da Associação Peter Pan.

Conforme a especialista, não há uma causa clara para o surgimento de câncer em crianças, mesmo com diversos estudos científicos na área. “Acredita-se que estejam ligados às questões genéticas, mas não se pode afirmar concretamente”, ressalta. Ainda assim, ela comenta que o tratamento feito no estágio inicial da doença aumenta as chances de cura.

Sobre o diagnóstico, Sandra destaca que é preciso estar atento aos sintomas que podem ser confundidos com doenças comuns da infância. Febre persistente, sem identificação da causa, e dores de cabeça que não passam, são exemplos ditos pela médica. “Não é um sinal isolado, uma criança que está com um quadro desse fica mais quieta sonolenta e perdendo peso”.

Fonte: g1.globo.com

Após ficar tetraplégico, artista aprende a pintar quadros com a boca: 'É uma terapia'

João Jacob, de 47 anos, encontrou uma forma de superar a limitação e descobriu um dom que nunca havia praticado.

Por Marília Moraes*, G1 Sorocaba e Jundiaí - *Colaborou sob supervisão de Ana Paula Yabiku.

João produz quadros em casa e na Associação dos 'Pintores com a Boca e os Pés' — Foto: João Jacob/Arquivo pessoal
João produz quadros em casa e na Associação dos 'Pintores com a Boca e os Pés' — Foto: João Jacob/Arquivo pessoal

Enfrentar a situação difícil com criatividade e superação. Foi o que fez João Jacob, de 47 anos, morador do bairro Júlio de Mesquita, em Sorocaba (SP), após ficar tetraplégico em 2001. Há 13 anos, ele passou a pintar quadros com a boca e os pés.

João conta que tinha 29 anos e estava comemorando o Dia das Mães, quando decidiu entrar em um rio em Tapiraí (SP), onde aprendeu a nadar. Durante o mergulho, bateu a cabeça, o que resultou na perda dos movimentos do pescoço para baixo.

Um dia, enquanto estava assistindo televisão, viu uma garota pintando com a boca e gostou da ideia. Pediu então que a família comprasse tinta, tela e pincel para que ele pudesse começar, mesmo nunca tendo feito isso antes.

Com o tempo e prática, João conheceu a Associação dos Pintores com a Boca e os Pés através de um programa de TV.

"O início da prática foi difícil, mas melhorei quando comecei a fazer as aulas práticas na associação, com a ajuda de professores. De lá consigo um apoio para adquirir o material de pintura. Amo muito pintar, para mim é uma terapia!", revela.

Segundo a cuidadora Marcely Bueno, João enviou os trabalhos para a associação para avaliação e, em torno de um ano, foi aprovado e começou a fazer parte.

"Hoje ele conta com uma bolsa, que complementa a renda da casa, pois só com a aposentadoria ficaria difícil. Ele melhorou muito desde que passei a ficar do lado dele. É muito legal ver a evolução dos quadros. Um material adequado e telas bem desenhadas fazem muita diferença. Procuro ajudar no que eu posso", comenta a cuidadora.

João se inspira na internet para ter ideias — Foto: Reprodução/Facebook
João se inspira na internet para ter ideias — Foto: Reprodução/Facebook

O pintor ressalta também a importância da prática e o quanto contribuiu para que ele pudesse seguir sua vida.

"Agradeço a Deus todos os dias por poder fazer isso. Fiz muitos amigos pela associação. Para mim é um motivo de superação pessoal e alegria, de poder ver a felicidade das pessoas com as minhas obras e, ao mesmo tempo, ser um exemplo de superação", conta.

João aproveita o ambiente externo para descansar — Foto: Arquivo pessoal
João aproveita o ambiente externo para descansar — Foto: Arquivo pessoal

Sobre as obras produzidas, João afirma que se inspira na internet para criar os desenhos.

"As obras complementam minha renda. Em Sorocaba, por enquanto não vendi muitas, apenas para o pessoal de Tapiraí, onde eu morava. Na frente de casa colocamos um banner para divulgar e também distribuímos folders."

Questionado pelo G1 se há algum plano, João conta que pretende continuar pintando e divulgar os trabalhos.

"Em outubro de 2018 participei de um bate-papo em uma universidade de Sorocaba com a turma de Terapia Ocupacional. Foi muito gratificante e quero fazer outros. Com a cadeira agora vai ficar muito mais fácil para tornar conhecido o meu esforço. E quero continuar divulgando meu trabalho", ressalta.

As obras estão disponíveis na página dele no Facebook.

Fonte: g1.globo.com

Espetáculo 'João e Maria' terá apresentação em libras em Petrópolis, no RJ

Evento faz parte das comemorações do Setembro Azul, mês dedicado às pessoas com deficiência auditiva. Entrada é gratuita.

Por G1 — Petrópolis

Imagem internet/Ilustrativa
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O musical "João e Maria Cantam Histórias" terá apresentação em libras em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, neste sábado (14).

O evento vai ocorrer na Associação de Assistência para Pessoas com Deficiências (Instituto Alliance) e a entrada é gratuita.

A apresentação faz parte das atividades do Setembro Azul, mês dedicado às pessoas com deficiência auditiva.

Todas as histórias, músicas e diálogos vão ser traduzidos na língua dos sinais por intérpretes.

As duas apresentações, marcadas para 10h30 e 15h, acontecem na sede do instituto, que fica na Rua João Caetano, 154, casa 13, no bairro Caxambu.

O espetáculo é assinado pela arte-educadora Valéria Vanderley com a participação do músico Diego Teixeira, membros da dupla Verso em Viola.

Segundo a organização, está prevista ainda uma temporada de apresentações para crianças de escolas públicas municipais de Petrópolis. A primeira exibição acontece nesta sexta-feira (13), no CEI André Rebouças.

Ainda de acordo com os organizadores, o espetáculo de cerca de 50 minutos tem como objetivo estimular a cultura e preservar a cultura alemã na cidade.

Fonte: g1.globo.com

Em palestra, escritora Lak Lobato fala sobre vida como surda em Belém

Evento acontece neste sábado, 14. Lak perdeu a audição aos nove anos é autora dos livros “Desculpe, não Ouvi!” e “E não é que eu ouvi?”.

Por G1 PA — Belém

Lak Lobato perdeu a audição aos nove anos e é escritora dos livros “Desculpe, não Ouvi!” e “E não é que eu ouvi?” — Foto: Divulgação
Lak Lobato perdeu a audição aos nove anos e é escritora dos livros “Desculpe, não Ouvi!” e “E não é que eu ouvi?” — Foto: Divulgação

A Associação dos Deficientes Auditivos e Usuários de Implante Coclear do Pará (Adeipa) apresenta neste sábado (14) a palestra com Lak Lobato, que perdeu a audição aos nove anos de idade, autora dos livros “Desculpe, não Ouvi!” e “E não é que eu ouvi?”.

O evento é em alusão aos 10 anos da Adeipa e tem como objetivo de chamar a atenção da sociedade em geral para a importância da entidade como promotora do bem-estar de pessoas com deficiência auditiva.

O encontro inicia às 8h, com um café da manhã com a escritora, que contará sobre sua experiência como surda oralizada. Lak Lobato perdeu a audição ainda criança e passou a se comunicar por meio de leitura labial. Apesar das dificuldades inerentes da deficiência, a escritora conseguiu estudar e terminar o ensino superior e também como usuária de implante coclear desde 2009.

"“Voltar a ouvir, pra mim, foi como voltar pra casa depois de muito tempo.”, descreveu.

Serviço

Café da manhã com a palestrante Lak Lobato
Data: 14/09 (sábado)
Horário: 08 às 12h
Local: Ed. Evolution - Travessa Dom Romualdo de Seixas, 1476, entre Antonio Barreto e Domingos Marreiros.

Fonte: g1.globo.com

Osteoporose, a silenciosa doença incapacitante que pode ser fatal - Veja o vídeo.

A condição preocupa por não provocar sintomas e por tender a acometer mais pessoas com o aumento da longevidade; mulheres são mais afetadas.

Por BBC

A osteoporose acomete mais mulheres - estima-se que sejam 200 milhões delas afetadas no mundo todo — Foto: Getty Images
A osteoporose acomete mais mulheres - estima-se que sejam 200 milhões delas afetadas no mundo todo — Foto: Getty Images

Silenciosa, incapacitante e muitas vezes fatal, a osteoporose atinge cerca de 200 milhões de mulheres no mundo todo, aproximadamente um décimo daquelas com 60 anos, um quinto das com 70 anos, dois quintos das com 80 anos e dois terços das com 90 anos. Os dados são da Fundação Internacional da Osteoporose (IOF, na sigla em inglês).

Clique AQUI para ver o vídeo.

Na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, a entidade indica que a doença afeta cerca de 75 milhões de pessoas, entre homens e mulheres. No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso), são cerca de 10 milhões.

Pelo documento Consenso: prevenção e tratamento da osteoporose na América Latina - estrutura atual e direções futuras, divulgado no fim do ano passado pela Americas Health Foundation (AHF, na sigla em inglês), 33% das mulheres brasileiras com mais de 50 anos têm a patologia.

Apesar de ser uma enfermidade bastante conhecida, ela é pouco diagnosticada e tratada tardiamente, na maioria dos casos apenas quando o paciente já sofreu alguma fratura, sua principal complicação.

Para se ter uma ideia, de acordo com a IOF, anualmente, a osteoporose causa mais de 8,9 milhões de fraturas osteoporóticas, resultando em 1 a cada 3 segundos.

E tudo isso gera um enorme impacto humano, com sequelas físicas e emocionais, e também socioeconômico - um estudo conduzido pela consultoria americana Cornestone Research Group, e apoiado pela biofarmacêutica Amgen, mostra que o custo anual mundial de hospitalização por fraturas causadas pela osteoporose é de R$ 19,8 bilhões; no Brasil, esse valor é de R$ 1,2 bilhão.

A principal preocupação, hoje em dia, é que, com o envelhecimento da população, o número de casos da doença e também os gastos com ela tendem a crescer substancialmente.

Com envelhecimento da população, acredita-se que osteoporose e gastos com seu tratamento cresçam no mundo — Foto: Pixabay
Com envelhecimento da população, acredita-se que osteoporose e gastos com seu tratamento cresçam no mundo — Foto: Pixabay

A IOF estima que o número de fraturas osteoporóticas subirá 32% até 2050 em todo o mundo. Só no Brasil, em 2030, deverão ser registradas 608 mil, aumento de 63% em relação a 2015 (373 mil).

Já a carga econômica global chegará a US$ 132 bilhões (cerca de R$ 536 bilhões) nos próximos 31 anos - na América Latina, em cinco anos, deverá subir para US$ 6,25 bilhões (aproximadamente R$ 25,3 bilhões).

O que é a osteoporose?

Pela definição da AHF, a osteoporose é "uma doença sistêmica do esqueleto, caracterizada por uma baixa massa óssea e a deterioração do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade dos ossos e suscetibilidade à fratura".

Distúrbio esquelético extremamente comum, e que afeta populações em todo o planeta, ele não provoca sintomas. Sua implicação mais grave é justamente a fratura, e nem todas geram incômodo.

"Isso pode acontecer com traumas mínimos e até sem traumas, em situações normais do dia a dia, como tossir e espirrar, pelo fato de o osso estar menos resistente", diz Ben-Hur Albergaria, professor de Epidemiologia Clínica da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e vice-presidente da Comissão Nacional de Osteoporose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Segundo o médico, que também é diretor-técnico do CEDOES Diagnóstico e Pesquisa da Osteoporose, as principais fraturas decorrentes da doença são de vértebra, antebraço e fêmur, sendo essa última a mais devastadora.

"De cada 4 pacientes que quebram o fêmur, 1 morre no primeiro ano após a ocorrência, por conta de suas possíveis complicações, como infecção, embolia e trombose. E dentre os que não morrem, cerca de 80% ficam com limitação para exercer uma ou duas funções básicas, por exemplo, cuidar da casa, se vestir ou caminhar", relata Albergaria.

Francisco Bandeira, vice-presidente do Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pontua que as fraturas sem sintomas também são perigosas.

"A mais comum é a vertebral, e seu maior agravamento é a cifose dorsal (encurvamento da coluna para frente). É uma condição bastante limitante, pois a pessoa fica com dor crônica e tem dificuldade para sentar, andar, dormir, andar...", adverte.

Mas o perigo dos ossos quebrados não para por aí. Estudos mostram que pacientes que tiveram algum tipo de fratura relacionada à osteoporose têm de duas a três vezes mais chance de ter uma nova, especialmente nos dois primeiros anos após a ocorrência.

No Brasil, a Abrasso considera que, das 10 milhões de pessoas com a doença, 14% têm fraturas. As mulheres são o maior grupo: pelos dados da IOF, 1 em cada 3 com mais de 50 anos sofrerá uma. No caso dos homens, essa relação é de 1 em cada 5.

Por que a doença acomete mais as mulheres?

Menopausa marca a redução na produção de hormônios que mantêm os ossos saudáveis — Foto: Unsplash
Menopausa marca a redução na produção de hormônios que mantêm os ossos saudáveis — Foto: Unsplash

Durante a vida, os hormônios estrógeno (feminino) e testosterona (masculino) têm um papel importante para manter os ossos saudáveis, regulando as células responsáveis pela perda e pelo ganho de massa óssea.

Porém, após os 50 anos, o corpo passa a produzi-los em menor quantidade, o que contribui significativamente para o aparecimento da osteoporose. No caso das mulheres, esse processo se dá de forma mais abrupta, na menopausa, por isso elas são as mais afetadas.

"O homem ainda tem uma vantagem, a geometria dos seus ossos. Eles são maiores e mais fortes", explica o reumatologista Charlles Heldan de Moura Castro, presidente da Abrasso e professor adjunto da disciplina de Reumatologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp).

Mas isso não quer dizer que eles estão livres da patologia. Muitos também a têm, especialmente após os 70 anos. "Eles, por demorarem mais para procurar o médico, têm um diagnóstico tardio, feito, normalmente, depois do aparecimento de alguma fratura", acrescenta o especialista.

De acordo com a IOF, embora a prevalência geral de fraturas por fragilidade seja maior nas mulheres, os homens apresentam taxas mais altas de mortalidade - em se tratando de quebra do fêmur, o risco de morte neles é duas vezes maior do que nelas.

O que causa a osteoporose?

Artrite reumatóide é um dos fatores de risco para a osteoporose — Foto: Unsplash
Artrite reumatóide é um dos fatores de risco para a osteoporose — Foto: Unsplash

Além do sexo e da idade, existem outros fatores de risco para o desenvolvimento da osteoporose. Um dos mais evidentes é a deficiência de cálcio, provocada por dieta pobre no mineral ou por alguma síndrome de má absorção (doença celíaca e inflamação intestinal, por exemplo).

Histórico familiar, baixo peso (mulheres pequenas e com menos de 54 quilos), uso prolongado de medicamentos a base de corticóide, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas (acima de três doses diárias) e baixa exposição à luz solar também são possíveis causas.

Ainda entram na lista: possuir enfermidades como artrite reumatóide, diabetes, aids e alguns tipos de câncer, ter deficiência ou excesso de certos hormônios e ter feito cirurgia bariátrica.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento da osteoporose?

Em muitos casos, a osteoporose só é diagnosticada após a ocorrência da fratura, mas o ideal, claro, é que isso seja feito antes. Portanto, a indicação é procurar o médico regularmente, e são várias as especialidades aptas a tratar doença, como ginecologia, endocrinologia, ortopedia, reumatologia, fisiatria, geriatria e gerontologia.

Uma das ferramentas utilizadas pelos profissionais de saúde para identificá-la é a FRAX (Fracture Risk Assessment Tool). Validada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma espécie de calculadora, online e gratuita - está disponível no site da Abrasso -, que avalia o grau de risco para fraturas maiores ou de quadril nos próximos 10 anos.

Os dados utilizados nela incluem idade, sexo, peso, altura, fatores de risco e a densidade mineral óssea (DMO), se disponível. Com base no valor obtido, e também no histórico do paciente, pode ser necessária a realização de exames.

O principal deles é a densitometria óssea, que permite fazer a medida da massa óssea e quantificar a sua redução. Geralmente, ele é indicado para mulheres acima de 65 anos e homens a partir dos 70 anos.

Seus resultados são divididos em três categorias: normal, osteopenia (entre 10 e 25% de perda de massa óssea) e osteoporose (a partir de 25% de perda de massa óssea).

Quanto ao tratamento, já deve ser iniciado na fase de osteopenia, para que ela não evolua para a doença. Nessa condição, se a pessoa não apresenta outros fatores de risco para fraturas, geralmente não se faz necessário o uso de fármacos, apenas a adoção de um estilo de vida mais saudável, com alimentação equilibrada, aumento no consumo de cálcio e de vitamina D - se com os alimentos não for suficiente, indicam-se os suplementos -, prática de atividade física regular (de baixo impacto) e exposição solar diária.

Para os casos confirmados de osteoporose, além dos mesmos cuidados, quase sempre a terapia medicamentosa é prescrita. "Apesar de a enfermidade não ter cura, temos disponível um grupo de remédios que atuam de forma segura e efetiva para reduzir a chance de fratura", afirma o presidente da Abrasso.

Fratura é a principal complicação da osteoporose — Foto: Unsplash
Fratura é a principal complicação da osteoporose — Foto: Unsplash

"O grande desafio do tratamento é a questão da percepção do risco. A maioria dos pacientes não tem noção da gravidade, e mesmo no caso das fraturas, acreditam que se trata de um evento mecânico, que basta engessar e está resolvido, mas, infelizmente, não é assim. A fratura, sobretudo a de quadril, requer hospitalização e cirurgia para reparação, pode causar dor crônica e a morte", complementa o médico.

Atualmente, estão disponíveis no Brasil três classes de remédios. Os mais usados são os antirreabsortivos bisfofonatos. Eles atuam inibindo a reabsorção óssea, e alguns são ofertados na rede pública.

Há opções indovenosas e orais. Nas primeiras, a infusão é aplicada a cada 12 meses. Na oral, têm os com ingestão semanal e mensal. Porém, como a absorção deles é baixa, existe todo um ritual para o uso, o que pode dificultar a adesão.

Como explica o doutor Bem-Hur, da Ufes e da Febrasgo, eles devem ser tomados em jejum e com um copo grande de água. Na sequência, é preciso ficar sem ingerir outros medicamentos ou alimentos por 60 minutos. A pessoa também não pode deitar.

Outra droga antirreabsortiva encontrada no país é a denosumabe. Trata-se de um anticorpo monoclonal pra uso subcutâneo em injeções semestrais. "Ele é altamente efetivo e mais conveniente para o paciente, porém, mais caro", pontua Castro, da Abrasso.

Também é comercializada por aqui a teriparatida, medicamento anabólico que aumenta a formação de osso. Sua aplicação é por via subcutânea, com injeções diárias pela manhã, por um período de 24 meses.

Por ter um preço mais elevado, é reservada para os casos mais graves da patologia, ou seja, pacientes com múltiplas fraturas, com densidade mineral óssea muito baixa ou que falharam com os tratamentos com os outros fármacos.

Em breve, o arsenal terapêutico nacional contra a osteoporose aumentará, com a chegada da droga romosozumabe. O diferencial dela é agir como antirreabsortivo (diminuindo a perda de massa óssea) e anabólico (ajudando na sua formação).

Já aprovada nos Estados Unidos, pela Food and Drug Administration (FDA), está em processo de análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser liberado no Brasil.

Castro pondera que alguns casos ainda podem ser tratados com reposição hormonal. "Vale para as mulheres nos primeiros 5 a 10 anos da menopausa, desde que não haja contraindicação e que elas não tenham doenças cardiovasculares e câncer."

Como prevenir a osteoporose?

Como adiantamos, a osteoporose, depois de instalada, não tem cura. Porém, há formas de preveni-la, e elas devem começar ainda na infância.

Segundo Bandeira, da SBEM, o mais importante é construir um bom patrimônio ósseo durante a vida.

"O pico de massa óssea se dá até os 30 anos, a partir daí, ela começa a diminuir. Nos primeiros três anos da menopausa, a mulher pode perde até 20%, por isso é fundamental ter uma boa reserva", explica.

Para atingir esse objetivo, a primeira coisa a fazer é consumir boas quantidades de cálcio e vitamina D, nutrientes essenciais para o desenvolvimento de um esqueleto saudável.

No caso do primeiro, as principais fontes são o leite e seus derivados, mas ele também está disponível em vegetais verde-escuros, como brócolis, couve e espinafre, peixes e alimentos enriquecidos.

Leite é fonte de cálcio, que ajuda a prevenir osteoporose — Foto: Pixabay
Leite é fonte de cálcio, que ajuda a prevenir osteoporose — Foto: Pixabay

A recomendação de ingestão para crianças e adolescentes é entre 700 e 1.300 mg/dia. Para os adultos, vai de 1.000 a 1.300 mg/dia. Para quem tem problemas como produtos lácteos ou outro tipo de restrição alimentar, existem os suplementos.

A vitamina D, por sua vez, é encontrada em poucos alimentos em sua forma natural: peixes gordurosos, como arenque, salmão e sardinha, óleo de fígado de peixe, castanhas e gema de ovo.

O melhor jeito de absorvê-la é tomando sol entre 15 e 30 minutos todos os dias - é preciso expor as pernas e os braços. Vale destacar que até a fase adulta, essa vitamina é sintetizada na pele pela ação dos raios ultravioletas, porém, com o envelhecimento, o corpo perde essa capacidade.

A quantidade indicada é de 600 UI/dia até os 18 anos, e de 800 UI/dia a partir daí. Assim como no cálcio, pode-fazer a suplementação.

Junto a esses cuidados, é primordial praticar atividade física regularmente - musculação, alternada com exercícios aeróbicos -, para fortalecer os músculos e o tecido ósseo e desenvolver o reflexo e o equilíbrio.

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Fraturas são comuns em idosos com osteoporose

Estudantes fazem vaquinha para instalar brinquedos acessíveis no Parque Madureira

Brinquedos estão quebrados na Praça do Trem
Brinquedos estão quebrados na Praça do Trem Foto: Pedro Zuazo

Pedro Zuazo

Um grupo de adolescentes criou uma vaquinha virtual para equipar o Parque Madureira com brinquedos adaptados para cadeirantes. Embora o principal espaço de lazer da Zona Norte do Rio tenha o acesso facilitado por rampas, não há equipamentos destinados a pessoas com deficiência. A ideia surgiu durante um trabalho escolar, dentro da sala de aula. Os estudantes conseguiram apoio de um arquiteto para fazer o projeto e, agora, se mobilizam para arrecadar os R$ 25 mil necessários para a compra e instalação dos brinquedos.

O esforço dos jovens de Madureira contrasta com o descaso da prefeitura na Praça do Trem, no Engenho de Dentro. O espaço foi reformado, em 2017, e recebeu dois brinquedos adaptados para cadeirantes. Ao longo do tempo, por falta de manutenção, os equipamentos foram corroídos pela ferrugem. Hoje, estão completamente inutilizados.

Equipamentos instalados em 2017 estão inutilizados no Engenho de Dentro
Equipamentos instalados em 2017 estão inutilizados no Engenho de Dentro Foto: Pedro Zuazo

O projeto dos adolescentes surgiu durante uma disciplina extracurricular do colégio e curso Pensi Madureira que tem o objetivo de desenvolver as competências socioemocionais dos estudantes. Instigados a buscar o protagonismo na sociedade, eles decidiram arregaçar as mangas em um projeto que tivesse impacto na vida das pessoas.

— A proposta era fazer um trabalho para atingir a população, ajudar a sociedade de alguma maneira. Começamos a pesquisar e chegamos a esses brinquedos adaptados. Tivemos então a ideia de criar o primeiro parque público para cadeirantes do Rio — conta Gabriela Pinheiro Pereira Cardoso, de 16 anos.

Alunos do colégio Pensi fazem campanha para brinquedos adaptados
Alunos do colégio Pensi fazem campanha para brinquedos adaptados Foto: Divulgação

Os nove adolescentes apresentaram um projeto ao gestor do Parque Madureira, que aprovou a proposta e indicou dois pontos do espaço que poderiam receber os equipamentos.

— O trabalho desse grupo surpreendeu porque eles não têm proximidade com cadeirantes, mas perceberam que não havia brinquedos adaptados nos parques da cidade, só em algumas ONGs, então tiveram a ideia de levar isso para um espaço público e gratuito, gerando também a inclusão — diz a professora Debora Oliveira.

Criada em abril, a vaquinha virtual já arrecadou R$ 4.211 dos R$ 25 mil. O prazo para as doações termina no dia 10 de outubro.

A lei 8.048/18, sancionada em julho do ano passado pelo então governador Luiz Fernando Pezão, determina a colocação de brinquedos e equipamentos adaptados para uso de crianças com deficiência em praças públicas. Apesar disso, a capital ainda não iniciou a instalação dos equipamentos.

Questionada sobre a falta de manutenção dos brinquedos da Praça do Trem, a prefeitura respondeu que "os equipamentos não foram instalados pela Fundação Parques e Jardins e, portanto, sua manutenção não está sob responsabilidade da Fundação. O programa Vem Pra Praça foi uma parceria da Prefeitura com a iniciativa privada".

Deficientes relatam dificuldades e desafios em relacionamentos amorosos

As dificuldades e desafios enfrentados por deficientes quando o assunto é namoro são tema de uma série transmitida pela TV britânica nesta semana.

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Programa fala sobre barreiras que deficientes enfrentam em vida amorosa

Em diversos relatos, deficientes físicos e mentais contam as barreiras que têm de superar para conquistar uma vida amorosa bem-sucedida.

Adrian Higginbotham, de 37 anos, conta que para ele, que é cego, as dificuldades começam no primeiro contato, o ponto de partida para qualquer relacionamento.

"Você não pode entrar em uma sala de modo casual e dar aquela olhada. Você não pode sorrir para alguém que você já viu duas vezes anteriormente passando pela rua", diz Higginbotham.

Com um título provocante, o programa "The Undateables" (que poderia ser traduzido como "Os Inamoráveis") conta histórias como a de Higginbotham e virou alvo de discussões acaloradas nas redes sociais principalmente por conta do título.

O programa mostra ainda uma agência de namoros especializada em pessoas com dificuldade de aprendizagem, a "Stars in the Sky", que assegura que seus clientes cheguem seguros ao local do encontro e os ajuda a encontrar "a pessoa certa".

A agência diz já ter organizado mais de 180 encontros desde 2005, com um saldo de um casamento, uma união entre pessoas do mesmo sexo, três noivados e 15 relacionamentos sérios.

Adrian Higginbotham
Adrian Higginbotham diz que para ele, que é cego, dificuldades começam no primeiro contato

Reações

O programa mostra que, apesar de muitos deficientes estarem casados e felizes ou não terem dificuldades para namorar, outros enfrentam uma gama variada de reações e, às vezes, atitudes estranhas, principalmente quando o par não sofre de deficiência.

Lisa Jenkins, de 38 anos, relata sua experiência em um encontro com um amigo de um amigo que não sabia que ela tinha paralisia cerebral.

"Nós entramos em um bar e ele imediatamente desceu os degraus diante de nós. Eu tentei descer, mas simplesmente não consegui. Não havia corrimão", conta.

Quando seu acompanhante perguntou se algo estava errado, Jenkins teve de contar sobre sua paralisia cerebral.

"Eu podia ver a mudança em seu rosto. Ele ficou instantaneamente menos atraído por mim", diz.

"Eu já tive homens que se sentiam atraídos por mim, mas achavam que havia algo de errado com eles por isso."

Jenkins conta que já chegou a ouvir de um potencial pretendente que ele "sempre teve interesse por sexo bizarro".

Em uma sondagem feita em 2008 pelo jornal britânico The Observer, 70% dos entrevistados disseram que não fariam sexo com um deficiente.

Shannon Murray, uma modelo na casa dos 30 anos, há 20 em uma cadeira de rodas, conta que, quando era adolescente, alguns rapazes lhe ofereciam uma bebida e em seguida perguntavam se ela ainda podia fazer sexo.

Lisa Jenkins
Lisa Jenkins fala sobre encontro com homem que não sabia que ela tinha paralisia cerebral

Internet

O programa discute também a era dos encontros pela internet e um novo dilema surgido com ela: um deficiente deve revelar sua condição imediatamente ou esperar que as pessoas o conheçam melhor antes de contar sobre sua deficiência.

Murray – que tem sempre em seu telefone uma lista de bares e restaurantes com acesso fácil para cadeiras de rodas, com medo de parecer pouco independente em um primeiro encontro – diz que já fez os dois.

Ela conta que em apenas uma ocasião um pretendente resolveu abandonar a relação após descobrir que ela era deficiente.

Murray diz que tentou também a abordagem oposta, colocando em um site de relacionamentos comum uma foto em que sua cadeira de rodas era bem visível e uma frase bem-humorada, dizendo que, se o interesse da pessoa era escalar o Everest, ela não poderia ir junto, mas ficaria no campo base e tentaria manter a barraca aquecida.

"Esperava que, revelando minha deficiência assim, no início, geraria menos interesse, mas acabei recebendo mais respostas do que quando escondia a cadeira. Fiquei entre as cinco mulheres que receberam mais atenção no site naquela semana", conta.

Lauro Chaman é bronze no contrarrelógio do Mundial de ciclismo, na Holanda


O brasileiro Lauro Chaman, atual campeão parapan-americano, conquistou nesta quinta-feira, 12, a medalha de bronze na prova de contrarrelógio individual no Campeonato Mundial de Paraciclismo de Estrada, disputado na cidade de Emmen, na Holanda, na categoria C5. A competição segue até domingo, 15 e reúne os melhores ciclistas da atualidade nas provas de contrarrelógio e resistência.

Menos de dez segundos definiu o pódio da categoria C5. Essa foi uma das provas mais acirradas dos últimos mundiais. O australiano Alistair Donohoe foi o primeiro a completar o percurso de 31,2km e estabeleceu o tempo de 39min22s. A segunda colocação ficou com o holandês Daniel Abraham com 39min24s, seguido pelo brasileiro Lauro Chaman, que cravou 39min31s.

“O resultado não deixa mentir. Foi uma prova muito acirrada e todos os atletas chegaram muito bem preparados em busca do título mundial. O contrarrelógio é uma prova rápida, de detalhes, então qualquer segundo faz uma grande diferença. Apesar de ter ficado tão perto do primeiro lugar, estou saindo feliz com o bronze e bastante motivado para brigar pela vitória na prova de resistência. Conto com a torcida de todos”, destacou Lauro.

Na categoria C1, a equipe brasileira competiu com Carlos Alberto, 17º colocado, e Marcos Roberto, que finalizou na 22 posição. Luis Carlos Steffens, da C3, conquistou a 13ª colocação, enquanto Victoria Barbosa completou a prova na 9ª colocação.

Nesta sexta-feira, Jady Malavazzi, que retorna de lesão, disputa a prova contrarrelógio. Sábado e domingo será a vez das provas de resistência. A programação completa está disponível no link https://bit.ly/2m6YX62

*Com informações da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC)