sábado, 5 de outubro de 2019

Universitário com paralisia cerebral escreve livro para falar sobres os desafios da graduação

No livro "Caminho para a Faculdade" Geraldo descreve as dificuldades e conquistas de fazer uma graduação e a inclusão no início da carreira como jornalista.

Por *Lucas Oliver, G1MS — Campo Grande - *Estagiário supervisionado por Anderson Viegas.

             O jovem de 27 teve uma paralisia cerebral causada pela falta de oxigênio durante o nascimento e lançará o livro neste mês  — Foto: Geraldo Duarte Júnior/Arquivo pessoal
O jovem de 27 teve uma paralisia cerebral causada pela falta de oxigênio durante o nascimento e lançará o livro neste mês — Foto: Geraldo Duarte Júnior/Arquivo pessoal

A universidade como objetivo. Esse tem sido o motivo para Geraldo enfrentar as dificuldades e buscar o conhecimento. O jovem de 27 anos é natural de Bela Vista, região sudoeste de Mato Grosso do Sul, e tem paralisia cerebral causada pela falta de oxigênio durante o nascimento.

Geraldo Duarte Júnior é acadêmico no 5° semestre do curso de jornalismo em Campo Grande, e decidiu escrever o livro para falar sobre as dificuldades que enfrenta desde criança, e da importância em não se deixar abater pelas limitações.

“O livro fala sobre caminhos, e nele detalho de maneira geral o processo de uma pessoa com uma limitação na universidade, e no início da carreira profissional”.

Em 2016 ele deu uma entrevista ao G1, sobre o acesso de pessoas com deficiência ao ensino superior, e falava dos objetivos que queria alcançar, e que atualmente estão sendo realizados com o lançamento do livro.

Geraldo Duarte Júnior é acadêmico no 5° semestre do curso de jornalismo em Campo Grande — Foto: Geraldo Duarte Júnior/Arquivo pessoal
Geraldo Duarte Júnior é acadêmico no 5° semestre do curso de jornalismo em Campo Grande — Foto: Geraldo Duarte Júnior/Arquivo pessoal

O livro intitulado “Caminho para a Faculdade” já está em processo final de editoração, com previsão de lançamento no fim de outubro. Além de falar sobre a trajetória do estudante na vida acadêmica, a inclusão e informações sobre a paralisia fazem parte do contexto da obra.

Geraldo iniciou os estudos em uma escola convencional de bela Vista, antes de muda-se para a capital. No interior ele teve o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e depois passou a frequentar a Sociedade Pestalozzi, em Jardim, cidade vizinha. Por isso, decidiu fazer o lançamento do livro na cidade onde nasceu.

“Lá é onde tive os primeiros e mais importantes acompanhamentos. Atualmente já existe uma unidade da Pestalozzi em Bela Vista, e fazer o lançamento na minha cidade natal será ainda mais especial”.

Além de se dedicar a escrita, Geraldo também faz estágio na universidade. O término da graduação será em 2020, onde outra etapa vai começar: a aceitação no mercado de trabalho. De acordo com o estudante, a sociedade ainda precisa incluir mais pessoas com deficiência ou limitação nos postos de trabalho, um tema também abordado em seu livro.

“Estamos engatinhando sobre a aceitação no mercado de trabalho. As pessoas precisam saber que o intelecto e a eficiência não são dependentes exclusivamente de alguma limitação física”, conclui.

Fonte: g1.globo.com

Idoso cadeirante está desaparecido há quase 1 mês em Cuiabá

José Lopes de Oliveira morava sozinho no Bairro Nova Canaã. Ele foi visto pela última vez entrando em um carro vermelho.

Por Brígida Motta, TV Centro América

José Lopes de Oliveira, de 72 anos, está desaparecido — Foto: Divulgação
José Lopes de Oliveira, de 72 anos, está desaparecido — Foto: Divulgação

Um idoso de 72 anos está desaparecido desde o dia 6 de agosto deste ano, em Cuiabá. José Lopes de Oliveira é cadeirante e morava sozinho no Bairro Nova Canaã.

A família do idoso registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil logo após o desaparecimento dele. O caso está sendo investigado pelo Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Os vizinhos de José relataram que ele saiu de casa sozinho e entrou em um carro vermelho. No entanto, o idoso e o veículo não foram mais vistos.

Familiares disseram que ele não informou para ninguém onde iria e não fez nenhum contato com a família.

Fonte: g1.globo.com

Léo Melo é surpreendido e está convocado para o Mundial de Atletismo pelo Comitê Paralímpico

Cadeirante de Prudente entra na lista, e técnico anuncia que planejamento será refeito; principal competição do ano na modalidade vai de 7 a 15 de novembro, nos Emirados Árabes

Por João Paulo Tilio e Paulo Taroco — Presidente Prudente, SP

Léo Melo está convocado para o Mundial — Foto: Léo Melo / Cedida
Léo Melo está convocado para o Mundial — Foto: Léo Melo / Cedida

Surpresa boa! O prudentino Léo Melo não esperava, mas foi convocado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) para a disputa do Mundial de Atletismo, em Dubai, nos Emirados Árabes, de 7 a 15 de novembro. A divulgação da lista foi feita na manhã desta sexta-feira (4) e também conta com outra representante de Presidente Prudente, Jerusa dos Santos, como já era esperado.

Léo Melo, de certa forma, já tinha aberto mão do Mundial e organizado sua vida, em novembro, para a disputa de duas maratonas. Tanto que ele nem encarou o Campeonato Brasileiro, no último final de semana, que representou a última chance de obtenção de vagas por índice para Dubai. Porém, com a novidade, o planejamento será refeito, como explicou o treinador do competidor da categoria T54 (para cadeirantes).

Pegou a gente de surpresa, sim. Agora, vamos abandonar a Maratona de Nova York. Já estava tudo certo, mas entraremos em contato com a organização para fazer o comunicado. Em relação à de Oita, no Japão, segue tudo como antes – disse Edvandro Júnior.

Logo após o Brasileiro, o Comitê anunciou que, além dos 20 atletas que conquistaram o "índice A" para Dubai, o Brasil ainda levará mais paratletas para o Mundial, que seriam convocados por "critérios estabelecidos pela direção técnica do CPB".

Jerusa dos Santos já tinha obtido índice nos 100m e 200m, na categoria T11 (deficiência visual plena). Por sua vez, Eduardo Pereira (F38 – paralisia cerebral) e Gustavo Henrique (T13 – deficiência parcial da visão), outros paratletas que treinam em Prudente, ficaram fora da lista.

Conforme ressalta o CPB, o Mundial em Dubai é a principal competição da modalidade nesta temporada e valerá vagas para o país nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. Ao todo, 43 competidores representarão o país em Dubai.

Pedro Meschling revela usar aparelho auditivo há 4 anos: 'Praticamente não escuto'

                             
Pedro Neschling revela ser parcialmente surdo e usar aparelho há 4 anos Foto: Reprodução/Instagram

Extra

Pedro Neschling usou seu Instagram para revelar aos seguidores que é parcialmente surdo. O ator contou que não quase não escuta determinadas frequências e que as pessoas se surpreendem quando descobrem. Usando uma camiseta que diz "surdos que ouvem", ele descreveu como foi a aceitação da deficiência até a decisão de usar aparelho.

"Pouca gente sabe mas eu sou deficiente auditivo. O famoso surdo. 'Ah, Pedro, como assim? Mas você não ouve?'. Sim, apesar da minha grave perda em algumas frequências – eu praticamente não escuto agudos – tenho a capacidade de ouvir um tanto. E assim ao longo da vida eu me recusava a encarar a verdade: que eu precisava usar aparelho auditivo. Não por preconceito, porque juro que nunca vi qualquer problema nisso. Mas tampouco entendia que isso pudesse ser normal, como usar óculos é", começou.

"Depois de décadas sofrendo as consequências sociais de não escutar normalmente, comecei a usar aparelho há 4 anos. E já não sei como levei minha vida antes disso. Você que escuta normalmente não faz ideia da dificuldade que é ser surdo sem auxílio. Sobretudo porque se trata de uma deficiência 'invisível', difícil de fazer quem não sofre entender", desabafou Pedro.

Filho do maestro John Neschling e da atriz Lucélia Santos, ele ainda falou da necessidade do assunto ser debatido abertamente.

"Somos 30 milhões de surdos no Brasil. Isso mesmo, 14% da população. Precisamos falar mais sobre isso e tornar natural a compreensão da surdez. Informar sobre a reabilitação auditiva, fundamental pra quem tem essa deficiência.... Vamos espalhar amor e inclusão", contextualizou ele.

Com audiodescrição, fãs com deficiência visual curtem o dia do metal no Rock in Rio


Deficiente visual, o funcionário público José Rubens da Silva, de 38 anos, aproveita o festival por meio da audiodescrição
Deficiente visual, o funcionário público José Rubens da Silva, de 38 anos, aproveita o festival por meio da audiodescrição Foto: Rafael Nascimento/Agência O Globo

Rafael Nascimento

Eles podem não enxergar o que acontece no palco como a maioria das pessoas. Mas a emoção e o palpitar do coração com os riffs de guitarras vindas do Palco Mundo provocam a mesma euforia de outros fãs. É assim que deficientes visuais — e portadores de outras deficiências — aproveitam o dia do metal no Rock in Rio. Dois deles, ambos oriundos do estado do Piauí, se destacavam pela animação: com fones de ouvidos, eles gesticulavam e balançavam as cabeças durante a apresentação potente do Sepultura, primeira banda a se apresentar no palco principal da Cidade do Rock, nesta sexta-feira.

Pelos dispositivos nas orelhas, pela primeira vez no festival, era descrito tudo o que acontecia no palco: as imagens que apareciam no telão, a movimentação dos artistas, os gestos... Transformar imagens em palavras. Um deles, o funcionário público José Rubens da Silva, de 38 anos, veio pela primeira vez ao festival. Fã de rock pesado, ele conta que teve o problema na infância, que se acentuou na adolescência.

Pelo áudio, elas descrevem tudo o que está acontecendo no palco. Pela narrativa delas, a gente consegue ter as imagens e saber de tudo o que está acontecendo, além da música que toca — disse ele, que acrescentou o momento que mais gostou. — Eu me emocionei muito no momento em que falaram sobre o André Matos (ex-vocalista da banda Angra, morto este ano). Foi uma homenagem.

José acrescenta ainda que é a primeira vez que vem ao Rock in Rio. Além do Sepultura, é fã de bandas como o Iron Maiden, cuja apresentação também acontece nesta noite.

O pessoal precisa saber que o Nordeste não é só forró. Vamos tirar este estereótipo — brincou.

Esta é a primeira vez que pessoas com deficiência visual têm o auxílio de audiodescrição durante as apresentações. Melhor para Rogéria Rodrigues, de 34 anos, que pôde apreciar com mais detalhes o show de sua banda favorita, o Sepultura — ela, inclusive, ostenta uma camisa com o nome do grupo.

Estreante no festival, ela aprovou o auxílio e defende que a bandeira da "inclusão" não apenas nos eventos, mas em todos os âmbitos da vida.

                      Fã de Sepultura, Rogéria Rodrigues, de 34 anos, quer ser vista
Fã de Sepultura, Rogéria Rodrigues, de 34 anos, quer ser vista "para além da cegueira" Foto: Rafael Nascimento/Agência O Globo

A inclusão é um processo, a gente vem engatinhando, claro que encontramos falhas por aí. Mas as coisas melhoram — afirma ela. — Aqui, saber o que acontecia no palco deixou tudo ainda mais agradável, melhor. Espero o Iron Maiden... Eles e o Sepultura têm sons poderosos.

Rogéria adquiriu a deficiência ainda na infância, teve retinose pigmentar. Desde cedo, aprendeu a dar a volta por cima sobre as dificuldades que sempre enfrentou. Ela destaca a mobilidade como os pontos mais complicados em seu cotidiano.

Desde a adolescência, usamos o braile, a bengala e ferramentas da internet, por exemplo, para tocarmos a vida. As pessoas precisam nos enxergar para além da cegueira. Temos desejos e sonhos como qualquer pessoa.

Ao final da apresentação, José agradeceu uma das mulheres que fizeram a audiodescrição. Anna Lucia Motta, de 49 anos, conta que sempre se emociona quando percebe que o trabalho fez a diferença para alguém.

Os olhos enchem de lágrimas. É gratificante. Eu tento passar para eles tudo o que tem no palco. Os movimentos que os artistas fazem. É transformar imagens em palavras. — explicou Anna Lucia.

                      Lindomar Gonçalves, de 49 anos, veio do Mato Grosso aproveitar o Rock in Rio com os sobrinhos
Lindomar Gonçalves, de 49 anos, veio do Mato Grosso aproveitar o Rock in Rio com os sobrinhos Foto: Rafael Nascimento/Agência O Globo

Além de deficientes visuais, cadeirantes também estavam no espaço reservado próximo ao Palco Mundo. Um deles é Lindomar Gonçalves, de 49 anos. Aposentado, ele, que é do Mato Grosso, veio com os sobrinhos para aproveitar o Rock in Rio.

Eles moram em Uberlândia (MG) e vieram comigo. Gosto de tudo, inclusive de rock nacional — conta ele, que perdeu os movimentos das pernas por conta da poliomelite, que teve logo no início da infância. — É uma luta sempre circular, principalmente pelas calçadas. Mas a gente pula as barreiras para fazer o que a gente quer e consegue, se não der, paciência.

Carro OKM pode ser adquirido com até 30% de desconto para PCD

Legislação garante o direito do benefício a portadores de deficiências comprovadas

Por Isencar

Foto: Steve Buissinne por Pixabay
Carro OKM pode ser adquirido com até 30% de desconto para PCD

Nunca se falou tanto sobre isenções de impostos para pessoas com deficiências na compra de automóveis OKM como hoje. Esse direito concedido às pessoas com determinados tipos de necessidades especiais e/ou patologias é assegurado pela Lei nº 8.989, de 24 de Fevereiro de 1995.

É possível obter a isenção de IPI, ICMS e IPVA para beneficiários condutores e não condutores. Conheça a diferença dos deficientes que possuem o direito como:

Condutores: São as pessoas que necessitam de um carro adaptado para sua deficiência ou perda de mobilidade. Normalmente é apenas com câmbio automático e direção elétrica ou hidráulica, mas existem vários tipos de adaptações que podem ser incluídas. As restrições devem constar na CNH Especial.

Não Condutores: São as pessoas incapazes de dirigir um veículo mesmo com adaptações, devido a sua deficiência. Nesta situação, tanto adultos como menores de idade, podem ter o direito ao benefício como não condutor. Para tanto, será necessário a indicação de até 3 condutores para conduzir o veículo. As deficiências que caracterizam os não condutores são: visual, mental severa ou profunda, autismo e alguns tipos de deficiências físicas.

As  isenções do IPI mais o ICMS, podem reduzir o custo do veículo OKM em até 30% em relação ao preço público sugerido pela montadora.

Com a ampliação da divulgação do benefício, o mercado automobilístico passou a ser visto com outros olhos por PcDs e familiares que buscam melhoria de sua mobilidade, com o objetivo de promover o direito de ir e vir a cidadãos que, devido suas debilidades, têm restrições para executar ações comuns do dia a dia, como dirigir e se deslocar.

Foto: Andrzej Rembowski por Pixabay
 — Foto: Andrzej Rembowski por Pixabay

Crescimento singular e promissor

Um exemplo tangível deste novo momento é visto no expressivo crescimento das vendas de automóveis para a categoria PcD, conforme registro da Abridef – Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva. Segundo dados da entidade, apenas entre janeiro e agosto de 2019 foram comercializadas mais de 200 mil unidades de veículos para o público PcD, o que significou uma alta de mais de 30% em relação ao mesmo período no ano passado.

No próprio ano de 2018, as vendas já se mostravam expansivas, pois foram registradas 264,3 mil negociações de carros para pessoas com deficiência isto é, uma elevação de 41% em relação a 2017.

Patologias que podem dar direito às isenções de impostos

Uma questão interessante sobre o crescimento nas vendas de automóveis para PcDs é que ainda há muitas pessoas que não sabem que possuem direito ao benefício. Um em cada dois brasileiros tem direito à isenção de impostos para comprar carro 0km, segundo a Abridef. Contudo, as pessoas estão tendo mais acesso às informações para conhecerem os seus direitos.

Há diversas condições elegíveis, que possibilitam brasileiros com deficiência adquirirem automóveis 0 KM com isenção. Entre as deficiências e patologias que dão direito à compra de um carro com isenção de impostos, é possível destacar: amputação ou ausência de membro, além de membros com deformidades congênita ou adquirida.

Artrite, artrose, AVC, câncer, cardiopatia grave e doença de Parkinson também estão na lista. Doenças degenerativas, doenças neurológicas, hanseníase, hepatopatia grave, hérnia de disco, HIV positivo (se há sequela física/motora), hepatite C (se há sequela física/motora), moléstia profissional e poliomielite também se enquadram. E, ainda, pessoas com problemas nos joelhos (mesmo operados) ou que usam próteses internas e externas, que têm tendinite crônica, talidomida, tetraplegia e outras patologias também podem dar direito ao benefício.

Vale lembrar, que pessoas com cegueira, paralisia cerebral, paralisia infantil, transtorno do espectro autista e síndrome de Down não estão de fora. Em casos como estes, o direito à isenção de impostos na compra de veículos é garantida porém, algum familiar deverá ser o condutor do veículo.

Passos para solicitar a isenção na compra de automóvel PcD

Existem duas formas de solicitar a isenção de impostos para a compra do carro PcD. Para a pessoa com deficiência que possui capacidade de dirigir o processo começa na obtenção de relatório médico e exame, atestando a incapacidade ou limitação para dirigir, seguida pela alteração da CNH para Especial junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Mas, como comprar carro para deficiente incapacitado de dirigir? Para estes, a compra do veículo com isenções não envolve alteração de CNH pois algum familiar ou representante legal será o condutor do veículo.

Em ambos os casos, será necessário obter laudo de avaliação de médicos peritos, dentre outros documentos, para solicitar a isenção do IPI junto à Receita Federal, requisitar a isenção do ICMS à Secretaria da Fazenda do respectivo Estado (exclusiva para carros novos com preço inferior a R$ 70 mil), realizar a compra do veículo OKM na concessionária e após o faturamento do carro, fazer o pedido da isenção de IPVA junto a Secretaria da Fazenda do estado.

Por último, em cidades com rodízio de veículos, é preciso solicitar ao órgão competente a liberação do rodízio e a autorização para estacionar em vaga para deficientes em vias públicas e em estabelecimentos comerciais.

Em todas as etapas, no entanto, contar com uma empresa especializada em assessoria e elaboração de processos junto a órgãos públicos é fundamental para garantir o direito de isenções sem perda de tempo ou esforço diante de tantos procedimentos complexos. Em outras palavras, contar com orientação pode ser a forma mais eficaz de adquirir um carro PcD com todos os benefícios no menor tempo possível.

Curiosidades sobre a isenção de impostos de carro PcD

Qual a validade das isenções de impostos?

Para a isenção de IPI, a validade é de 270 dias a contar da data de emissão. E em relação ao ICMS, a validade também é de 270 dias a contar da data de emissão. Em ambos os casos, o pedido do carro deve chegar à montadora com boa antecedência para não ocorrer o vencimento da carta de isenção.

Quantos automóveis para PcD é possível adquirir?

A lei da isenção assegura que a pessoa com deficiência tem direito a aquisição de somente um automóvel com isenções de impostos.

Vender o veículo é possível?

Sim. No entanto, o Confaz – Conselho Nacional de Política Fazendária – determina que os carros PCD (a partir de 25 de julho de 2018) só poderão ser vendidos após quatro anos. Se o beneficiário vender antes do prazo, terá que devolver à Receita Federal e a Secretaria da Fazenda todos os impostos que foram isentos, com multa, juros e correção, calculados sobre o valor total do imposto independente do prazo decorrido. Além disso, terá que pagar o IPVA proporcional do mês que foi vendido o carro até dezembro do ano vigente.

Quais modelos de carros PCD podem ser comprados com isenção?

Para conseguir as isenções totais (IPI, ICMS), os veículos OKM precisam ser tabelados pela montadora em até R$ 70 mil. Se ultrapassar esse valor, o comprador terá direito a isenção somente do IPI. Em relação a isenção de IPVA, cada estado brasileiro possui regras específicas para concessão do benefício. Os veículos PCD mais vendidos são: Jeep Renegade, Nissan Kicks e Hyundai Creta, além de outros SUVs. Se a escolha for um carro com apenas isenção de IPI, a melhor opção seria com motor a diesel, por ter um desconto de 20%.

Carro PcD por herança, e agora?

No caso de espólio, os herdeiros que não são PcDs podem ficar com o veículo e transferi-lo para o nome ou vendê-lo. Em ambos os casos, será necessário pagar à Receita Federal o valor do IPI que foi isento mais os devidos acréscimos. Já no caso do ICMS, muitos estados isentam o pagamento do imposto em caso de morte.

Fonte: g1.globo.com

Prefeitura de Tupã passará a emitir Cartão de Identificação da Pessoa com Deficiência

Cartão visa garantir os direitos e facilitar a identificação das pessoas com deficiência nos estabelecimentos.

Por Prefeitura de Tupã

Cartão visa garantir os direitos e facilitar a identificação das pessoas com deficiência nos estabelecimentos — Foto: Prefeitura de Tupã/Divulgação
Cartão visa garantir os direitos e facilitar a identificação das pessoas com deficiência nos estabelecimentos — Foto: Prefeitura de Tupã/Divulgação

A Prefeitura de Tupã, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, emitirá o Cartão de Identificação com objetivo de valorizar e assegurar os direitos da pessoa com deficiência.

Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Patrícia Fernandes, o cartão de identificação, que está sendo implantado em parceria com a Câmara Municipal e o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, passará a ser emitido após a aprovação do projeto de lei de autoria dos vereadores Paulo Henrique Andrade e Gilberto Neves Cruz - “Capitão Neves”, que atualmente está tramitando no Legislativo.

“Fizemos uma cerimônia para o lançamento do Cartão de Identificação da Pessoa com Deficiência com a intenção de orientar os interessados sobre a importância do documento e quais os procedimentos para emiti-lo”, informou.

Patrícia destacou que o cartão visa garantir os direitos e facilitar a identificação das pessoas com deficiência nos estabelecimentos. “O registro é mais um meio de assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício de direitos fundamentais, visando a sua inclusão na sociedade”, explicou.

A secretária também comunicou que para o cadastramento e emissão do documento, a população deverá se dirigir a Secretaria Municipal de Assistência Social, localizada na rua Paiaquas, nº 609.

“Será necessária a apresentação de relatório médico que confirme o diagnóstico; documentos pessoais do portador e dos pais ou responsáveis; e Comprovante de Residência. Todos os documentos deverão ser originais e com fotocópia. Mais informações sobre o cartão podem ser obtidas pelo telefone (14) 3496-2464”, disse.

Já o prefeito Caio Aoqui ressaltou a importância da valorização dos direitos fundamentais e da inclusão dessas pessoas na sociedade. “Essas pessoas lutam diariamente para assegurar seu direito de ir e vir com igualdade. Por isso, devemos valorizar, incentivar e participar de todas as atividades que promovem a inclusão das pessoas com deficiência”, destacou.

O chefe do Executivo também parabenizou as ações que vêm sendo realizadas na 1ª Semana de Luta das Pessoas com Deficiência. “Gostaria de parabenizar o Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Câmara Municipal e a secretária Patrícia, por promoverem ações em conjunto que visam valorizar a luta dessas pessoas e colaborar para que tenham seus direitos assegurados”, concluiu.

Fonte: g1.globo.com

Nem herói nem coitado

Ele criou rede de educação inclusiva após ficar tetraplégico e critica a ideia de superação individual

BÁRBARA FORTE DE ECOA Pablo Saborido/UOL Pablo Saborido/UOL

Resultado de imagem para NEM HERÓI NEM COITADO

Rodrigo Hübner Mendes, 48, falava para uma plateia de jornalistas na primeira vez em que a reportagem de Ecoa teve contato com o professor e pesquisador. A palestra tratava dos desafios da cobertura jornalística sobre educação inclusiva, área à qual Rodrigo se dedica há mais de 25 anos.

A voz suave, mas com palavras firmes, orientava sobre formas de tratar o tema sem reforçar estigmas e destacava a importância de combater um dos vícios do jornalismo: a valorização da ideia de superação individual.

A história de vida de Rodrigo poderia ser um prato cheio para essa abordagem, pois é repleta de superações: desde a luta pela vida após levar um tiro em um assalto, passando pela aceitação da tetraplegia que o deixou na cadeira de rodas, até a criação de uma organização sem fins lucrativos que já formou mais de 9 mil professores para a educação inclusiva.

Rodrigo, no entanto, faz questão de reforçar o quanto isso é limitador. "Sabe aquele pensamento de que uma pessoa que faz parte de um segmento que enfrenta dificuldades, alguém que tem uma desvantagem, pode vencer as barreiras e ser uma pessoa vitoriosa a partir do seu esforço pessoal? Ele é, nada mais, nada menos, que uma abordagem limitadora dessa pessoa. A superação individual tem, no fundo, uma relação com a ideia do herói ou do coitado, do sofredor."

Nos dois encontros que a reportagem de Ecoa teve com Rodrigo para entrevistá-lo, ficou claro que essa história só poderia ser contada a partir da perspectiva da superação coletiva, em que não há heróis ou coitados, mas sim pessoas envolvidas em construir um bem comum.

"Eu gosto do conceito de uma superação coletiva, que vai muito além dessa superação individual. A sociedade costuma criar uma certa ilusão de que, quando a pessoa superou seu impedimento, o problema está resolvido. Quando, na verdade, é mais complexo que isso. Se o entorno não mudar, a gente não cria oportunidades, não elimina obstáculos, nas atitudes, na infraestrutura e na forma de a gente se comunicar."

Tratamento desigual

Quando tinha 24 anos, Rodrigo Hübner Mendes percebeu com a própria experiência a importância de um tratamento desigual. Ele prestou vestibular em São Paulo, e o comitê da prova disponibilizou enfermeiro, caso precisasse ir ao banheiro, e um escriba, que colocou no papel as respostas ditadas por Rodrigo. Ele então ingressou no curso de administração da FGV (Fundação Getulio Vargas).

"Eu tive um tratamento desigual em relação aos outros concorrentes. Um tratamento desigual que me permitiu adquirir a equidade de um direito: o de estudar. O princípio é antigo, vem dos gregos. Aristóteles dizia: 'Precisamos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida da sua desigualdade'."

A ideia se mantém como uma mantra para Rodrigo, que criou o Instituto Rodrigo Mendes (IRM) no mesmo ano em que passou no vestibular, 1994. "É ali que eu e mais vinte profissionais [educadores, psicólogos e equipe administrativa] colocamos nossa energia para melhorar as perspectivas da criança com deficiência, para que ela seja incluída na grade educacional regular, junto aos demais."

Entre outras ações, o IRM oferece formação continuada a professores de todo o Brasil para que consigam acolher alunos com deficiência e trabalhar de forma integrada na escola. Por meio de aulas gratuitas presenciais, semipresenciais ou à distância, o Instituto já formou mais de 9 mil educadores, de 19 estados brasileiros, que impactaram diretamente 265 mil estudantes.

"A inclusão contribui com uma escola melhor para todos, retrata o mundo como ele é, com as diferenças que estão presentes na sociedade. E não numa bolha que não representa o que é o nosso coletivo e nossa diversidade."

                  Resultado de imagem para NEM HERÓI NEM COITADO

Passado e mudança de rumo

Na infância e adolescência, Rodrigo era muito ligado aos esportes. Jogava futebol e praticava remo. Foi no futebol, aliás, que teve sua primeira grande adversidade: "Aos 13 anos, levei uma pancada no joelho que me levou à mesa de cirurgia. Passei por uma operação para a retirada do menisco". Totalmente recuperado, decidiu que queria ser médico: "Fiquei encantado, fascinado com o poder do médico em ajudar a curar as pessoas"

Aos 18 anos, porém, enfrentou uma mudança drástica de percurso. Quando saía de casa em São Paulo com seu irmão mais novo, Conrado, de 13 anos, foi abordado por dois assaltantes e levou um tiro. "A bala passou perto da coluna e seu calor fez com que eu tivesse uma lesão na medula." Rodrigo ficou tetraplégico.

A família e os amigos foram decisivos para que ele conseguisse seguir em frente. "Eu tive o melhor apoio que se pode imaginar. Meus pais, Sônia e José, e meus irmãos, Fabiana e Conrado, foram essenciais para eu conseguir criar condições para que me reinventasse."

Já nessa etapa de superação coletiva, veio a vontade de retribuir. "Eu fui sentindo, desde aquele momento de dificuldade no hospital, uma grande necessidade de agradecer, de retribuir tanta coisa que eu estava recebendo. Foi muito forte."

Pablo Saborido/UOL

Tomada de consciência

Em busca de alternativas de reabilitação, Rodrigo viajou para Cuba, onde ficou instalado em um centro para estrangeiros. "Meus familiares se organizaram, mais uma vez, para que eu pudesse ir para lá. Eram oito horas de fisioterapia por dia."

Nessa época, estava envolvido com a pintura, como parte do processo de reabilitação. Durante a estadia em Havana, pintou uma aquarela para Fidel Castro e conseguiu que ela fosse entregue para o então líder cubano, que, de fato, a recebeu e mandou, em agradecimento, seu livro de discursos, um cartão de visitas e uma foto para Rodrigo. Está tudo guardado como lembrança.

Depois de três meses de tratamento intenso, onde aprendeu exercícios que usa até hoje, Rodrigo decidiu colocar um ponto final na busca por independência motora. "Chegou uma hora em que falei: 'Já deu'. Eu tive uma tomada de consciência de que eu já tinha feito o que eu podia para recuperar a condição física. E que tinha chegado a hora de tocar minha vida, independentemente do que poderia vir em termos de novidades no campo da medicina."

Foi um marco. Quando voltou de Cuba, Rodrigo se desprendeu de fato do passado como esportista. "Mas minha essência continuou a mesma. Foi apenas uma percepção de que tinha chegado a hora de eu assumir aquilo."

"Durante todo o tempo, eu tive uma oportunidade maior de me conhecer. Foi uma chance de conversar, diariamente, comigo mesmo, especialmente nas fases mais críticas, nas primeiras semanas no hospital, em que eu estava sempre nessa fronteira entre a vida e a morte. As situações difíceis me deram a possibilidade de ver de forma positiva tudo pelo que passei."

Pablo Saborido/UOL

Escola de artes e inclusão

O envolvimento de Rodrigo com a pintura e a vontade de devolver algo positivo à sociedade estão na origem do Instituto Rodrigo Mendes, criado oficialmente em 1994, como uma escola de artes.

"Por meio de bolsas de estudo, oferecíamos oportunidades de desenvolvimento por meio da arte a pessoas com deficiência. Nossos objetivos começaram a mudar com o avanço dos meus estudos, quando começamos a olhar para a iniciativa do instituto como algo que precisava ter uma abordagem mais profissional, planejada e estruturada."

O que Rodrigo aprendia no curso de administração de empresas ia aplicando na escola, até que decidiu ter experiência numa grande organização e passou a trabalhar em uma consultoria de origem norte-americana. "Eu nunca tinha imaginado fazer. Foi uma descoberta, eu adorei trabalhar no setor privado, foi uma superescola para mim."

Aos poucos, Rodrigo foi entendendo que a educação tinha que ser inclusiva.

"Quando a gente começou aquele curso de artes, era exclusivamente voltado à pessoa com deficiência. Mas, logo no primeiro ano de existência do instituto, eu fui assistir a uma palestra do Romeu Sassaki, um especialista em inclusão.

Pela primeira vez, eu ouvi a reflexão sobre os riscos da segregação e da necessidade de a sociedade se transformar. Rapidamente percebi que esse era o caminho mais interessante. Em 1995, abrimos o curso de artes para todo tipo de pessoa. Em 2005, a gente começou a trabalhar com a formação de educadores.

As duas coisas conviveram por um tempo, até que, em 2011, a gente decidiu encerrar o programa de artes e canalizar toda a energia a uma ação em busca de boas práticas e formação de educadores. A partir de 2012, passamos a fazer um novo modelo de operação, focado na formação continuada de professores."

Pablo Saborido/UOL

Um sonho possível

"Eu tenho um mentor, um professor que conheci num curso em Harvard chamado Fernando Reimers. Ele pesquisa que tipo de educação faz sentido hoje, num mundo globalizado, integrado.

E ele diz que uma das principais competências buscadas pelas grandes organizações, pelo mundo do trabalho, é a capacidade de a gente se relacionar com quem é diferente, buscar cooperação, mediar conflitos. Essas são competências que são muito estimuladas quando a escola se propõe a trabalhar numa perspectiva inclusiva.

Essa escola com a qual a gente sonha valoriza tanto as competências cognitivas, mais tradicionais quando a gente avalia os modelos de ensino, quanto as competências socioemocionais, que estão mais relacionadas ao tipo de habilidade que hoje é buscada e tão valorizada no mercado de trabalho, na vida adulta."

"A gente tem vontade de melhorar o futuro, as perspectivas de quem nasce com deficiência. Mas, ao mesmo tempo, a gente acredita que esse processo vai contribuir com uma escola melhor para todos, pois vai melhorar a qualidade da educação, um dos grandes desafios do país."

"Um dos nossos projetos, o 'Portas Abertas para a Inclusão - Educação Física', trouxe vários casos dos quais eu me lembro com muito carinho. Um deles é em Belém, no Pará. Jhonni, um menino com paralisia cerebral, estuda na escola Terezinha Souza. Ele era sempre dispensado da aula de educação física.

Então um professor que fez o nosso curso semipresencial criou uma atividade de atletismo para que todo mundo pudesse participar, permitindo a cada um escolher o jeito de participar, de forma integrada com todos os alunos. Foi a primeira vez que ele fez a aula, porque as regras foram flexibilizadas.

Ali eu vi o impacto no futuro de uma pessoa. Vi o quanto uma mudança na forma de planejar a aula, desenvolver os alunos, muda completamente a vida de uma criança."

Pablo Saborido/UOL

Rodrigo Hübner Mendes é graduado em Administração de Empresas e mestre em Gestão da Diversidade Humana pela Fundação Getulio Vargas, onde atua como professor. Foi aluno do curso de Liderança e Políticas Públicas para o século 21 na Kennedy School of Government, em Harvard, EUA. Desde 2004, dirige o Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos fundada por ele em 1994. Rodrigo tem um blog em Ecoa, em que fala de educação inclusiva.

Por Iron Maiden, fãs enfrentam grade do Rock in Rio até de cadeira de rodas

Imagem: Renata Nogueira/UOL
O casal Sara Ferreira e Patrick Rocha, que vai assistir ao show do Iron Maiden coladinho na grade do Palco Mundo do Rock in Rio - Renata Nogueira/UOL
O casal Sara Ferreira e Patrick Rocha, que vai assistir ao show do Iron Maiden coladinho na grade do Palco Mundo do Rock in Rio

Renata Nogueira - Do UOL, no Rio

Que loucura você faria para ver seu ídolo de pertinho? No caso do Iron Maiden, banda que se apresenta hoje no Rock in Rio, os fãs não medem esforços. Vale até enfrentar de cadeira de rodas a grade - a parte mais próxima do palco, onde é inevitável o empurra-empurra.

É assim que Sara Ferreira vai assistir ao show da banda britânica de heavy metal. Junto com o namorado, Patrick Rocha, que a ajuda na locomoção, a carioca é frequentadora assídua de shows e diz que prefere enfrentar a muvuca a ficar na área reservada a cadeirantes e deficientes físicos, garantida por lei em qualquer evento.

"Da outra vez eu fiquei lá na plataforma de acessibilidade", explica Sarah, que está na segunda vez no Rock in Rio, após ver Red Hot Chilli Peppers em 2017. "Só que lá o campo de visão ficou muito restrito. Não consegui assistir nada, aqui achei bem melhor", explica ela, portadora desde o nascimento de artogripose múltipla congênita, que causa deformidade nos membros superiores e inferiores.

Para não perder o local na frente do palco Mundo, o casal veio preparado. "Na mochila tem pizza, biscoito e água. Água é o mais importante", conta Patrick, que acompanha a namorada em vários shows. "Eu me amarro. Somos um casal de roqueiros. A gente já foi a shows do Capital Inicial, Raimundos, Matanza...", conta Sara.

Estudo visa ajudar pacientes com lesão medular via inteligência artificial

Inteligência artificial

Por Portella

A Intel e a Brown University recentemente começaram a trabalhar em um projeto de Interface Espinha Inteligente, financiado pela DARPA, que visa usar a tecnologia de inteligência artificial (IA) para restaurar o movimento e o controle da bexiga em pacientes paralisados ​​por lesões graves na medula espinhal.

“Como aluno de doutorado na Brown, investiguei como fazer a interface do cérebro com as máquinas como um aplicativo. Agora, na Intel, estamos combinando nossa experiência em inteligência artificial com a pesquisa médica de ponta da Brown University para ajudar a resolver um problema médico crítico: como reconectar o cérebro e a coluna vertebral após uma grande lesão na coluna vertebral ”, diz Naveen Rao, vice-presidente corporativo da Intel e gerente geral do AI Products Group, em um comunicado de mídia da Intel Corporation.

Durante o programa de dois anos, os pesquisadores gravarão sinais motores e sensoriais da medula espinhal e usarão redes neurais artificiais para aprender a estimular o local pós-lesão para comunicar comandos motores.Cirurgiões no Hospital Rhode Island, perto da Brown University, implantarão conjuntos de eletrodos nas duas extremidades do local da lesão de um paciente, criando um desvio inteligente para, eventualmente, permitir que os nervos cortados se comuniquem em tempo real.

Os pesquisadores aproveitarão os softwares de código aberto Intel AI, como o hardware nGraph e o acelerador Intel AI, para atender aos requisitos em tempo real deste aplicativo.

“Uma lesão na medula espinhal é devastadora e pouco se sabe sobre como os circuitos restantes ao redor da lesão podem ser aproveitados para apoiar a reabilitação e a restauração da função perdida. Ouvir pela primeira vez os circuitos da coluna vertebral ao redor da lesão e, em seguida, agir em tempo real com as soluções combinadas de hardware e software de IA da Intel descobrirá novos conhecimentos sobre a medula espinhal e acelerará a inovação em direção a novas terapias ”, afirma David Borton, professor assistente de engenharia, Brown University, no lançamento.

Fontes: Intel Corporation - Business Wire - serlesado.blog.br

Tetraplégico anda com exoesqueleto comandado pela mente

Feito conseguido por pesquisadores franceses poderá revolucionar a vida de pessoas que perderam seus movimentos

exo-696x522
Thibault com seu exoesqueleto: "Ando quando quero e paro quando quero". Crédito: Clinatec Endowment Fund

Um francês conseguiu mover seus quatro membros paralisados ​​usando um exoesqueleto inovador, controlado pela mente, afirmaram cientistas em estudo publicado na revista “The Lancet Neurology”. O sistema, que funciona registrando e decodificando sinais cerebrais, foi testado durante dois anos nos centros de pesquisa Clinatec e CEA e na Universidade de Grenoble (França).

O tetraplégico de 28 anos, morador de Lyon e conhecido apenas como Thibault, perdeu os movimentos ao cair de uma altura de 12 metros em um acidente numa boate, há quatro anos.

“O cérebro ainda é capaz de gerar comandos que normalmente moveriam os braços e pernas, mas não há nada para realizá-los”, afirmou Alim Louis Benabid, professor emérito da Universidade de Grenoble e principal autor do estudo.

Os cientistas consideram que o processo ainda é experimental e sua aplicação clínica está a anos de distância. Mas se mostram otimistas quanto ao seu potencial de melhorar a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes.

Usando os membros robóticos, Thibault conseguiu andar e mover os braços usando uma espécie de armadura montada no teto para se equilibrar.

Fazer com o cérebro

“Quando você está em minha posição, quando você não pode fazer nada com seu corpo… Eu queria fazer algo com meu cérebro”, disse o rapaz.

Uma parte fundamental do processo foi uma cirurgia na qual dois implantes foram colocados entre o cérebro e a pele, para “ler” a área que controla os movimentos. Os 64 eletrodos em cada implante leram sua atividade cerebral e transmitiram as instruções para um computador. A seguir, um programa leu as ondas cerebrais e as converteu em instruções para controlar o exoesqueleto.

O estudo incluiu também a execução de tarefas mentais por Thibault (como jogos de computador) a fim de treinar um algoritmo para entender seus pensamentos e aumentar progressivamente o número de movimentos que ele poderia fazer. Seu progresso foi medido nos graus de liberdade que ele tinha durante as tarefas, como operar um interruptor acionado pelo cérebro para começar a andar ou estender a mão para tocar objetos.

“Era como [ser] o primeiro homem na Lua”, disse Thibault ao andar. “Não andei por dois anos. Esqueci o que é ficar de pé, esqueci que era mais alto que muitas pessoas na sala.”

“Não posso ir para casa amanhã em meu exoesqueleto, mas cheguei a um ponto onde posso andar. Eu ando quando quero e paro quando quero”, acrescentou o rapaz.

Não invasivo

Um segundo paciente recrutado para o estudo foi excluído porque um problema técnico impedia a comunicação entre os implantes cerebrais e o algoritmo.

Segundo Benabid, o exoesqueleto usado foi o primeiro sistema cerebral sem fio invasivo de computador para cérebro projetado para uso em longo prazo destinado a ativar os quatro membros.

“Estudos anteriores de cérebro-computador usaram dispositivos de gravação mais invasivos implantados sob a membrana mais externa do cérebro, onde acabam parando de funcionar”, disse ele. “Eles também foram conectados a fios, limitados a criar movimento em apenas um membro, ou concentraram-se em restaurar o movimento dos músculos dos próprios pacientes.”

De acordo com Benabid, embora o exoesqueleto “não tenha alterado o estado clínico” de Thibault, o rapaz “já considera sua mobilidade protética em rápido crescimento uma recompensa”.

Confira a convocação do Campeonato Mundial de Atletismo, em Dubai

Foto: Daniel Zappe/EXEMPLUS/CPB
Foto: Daniel Zappe/EXEMPLUS/CPB

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), por meio do seu Departamento Técnico, divulga nesta sexta-feira, 4, a convocação dos atletas que representarão o Brasil no Mundial de Atletismo, em Dubai, nos Emirados Árabes, de 7 a 15 de novembro.

Ao todo, 43 atletas participarão da principal competição da temporada para a modalidade. 


O Mundial em Dubai é a principal competição da modalidade nesta temporada e valerá vagas para o país nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. Na última edição do Mundial de Atletismo, o Brasil ficou na nona posição, com oito medalhas de ouro, sete de prata e seis de bronze. Confira aqui os critérios de entrada do Mundial de Atletismo 2019.

"O Brasil tem grandes participações em campeonatos internacionais, Mundiais e Jogos Paralímpicos. No Mundial de Lyon, em 2013, o Brasil fez a sua melhor performance, com 40 medalhas", comentou o presidente do CPB, Mizael Conrado.

O atletismo é uma das modalidades adaptadas mais vitoriosas do país. Nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, foi responsável por 38 medalhas, de um total de 72 pódios conquistados pela delegação brasileira.

Natalí de Faria mira ouro em Tóquio após ser finalista na BISFed 2019 em São Paulo

Natali de Faria durante a competição no CT Paralímpico (Crédito: Alê Cabral/CPB)
Natali de Faria durante a competição no CT Paralímpico (Crédito: Alê Cabral/CPB)

Nesta semana, o Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebe a etapa das Américas da BISFed 2019. A competição conta com 63 competidores de dez países e dá vaga nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 para o país do campeão de cada classe. Nesta quinta-feira, 3, Maciel de Souza Santos, da classe BC2, e Eliseu dos Santos, da classe BC3, garantiram vagas para o Brasil. A vice-campeã da BC2, Natalí de Faria, também projeta sucesso na próxima Paralimpíada.

“Minha expectativa é que nós todos do Brasil tenhamos um resultado excelente. Tenho certeza que iremos ter, porque estamos trabalhando muito para isso. São apenas detalhes que precisamos acertar. Meu sonho é ser campeã paralímpica e eu vou realizar, com certeza”, afirma Natalí.

A atleta nasceu com paralisia cerebral por falta de oxigenação na hora do parto. Ela só conheceu a bocha aos 20 anos, no local onde fazia fisioterapia. “Lá tinha como jogar bocha, para recreação, mesmo. Me chamaram para fazer entrevista com o Moisés, técnico da bocha. Ele tinha um clube no Guarujá. Ele me explicou as regras e logo no primeiro treino eu consegui colar a bola na bola branca. Eu perguntei: ‘É só isso’?"

Foram alguns anos para Natalí começar na bocha. Mas no mesmo ano que começou no esporte, em 2010, foi convocada para o Mundial em Portugal. De lá para cá, foram muitas presenças em competições internacionais, além das Paralímpiadas de Londres 2012. Dessas competições, ela trouxe algumas medalhas: prata no Parasul-Americano em Santiago, em 2014; prata na Copa América na Colômbia em 2017; prata no Mundial no Canadá, em 2018 e 2019.

“Desde que eu comecei na bocha, tiveram muitas mudanças. Passei a ser mais independente, melhorou a questão financeira. Tudo melhorou bastante.”

BISFed 2019

Até agora, o Brasil conquistou sete medalhas nas provas individuais: duas de ouro, três de prata e duas de bronze. As medalhas de ouro garantiram duas vagas brasileiras nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.

As disputas eliminatórias em dupla e por equipe iniciaram nesta sexta-feira, 4. As classes BC1 e BC2 foram uma única equipe, enquanto BC3 e BC4 jogam em pares, separados em suas classes.

Na classe BC3, todos os países se enfrentam. Quem tiver o maior número de vitórias é o vencedor. O mesmo acontece com as classes BC1 e BC2. Na classe BC4, os dois primeiros de cada chave se classificam para a semifinal.