sábado, 25 de abril de 2020

'Disseram que ela tinha suspeita de Coronavírus, mas não fizeram teste´: A mãe que não conseguiu se despedir de filha com Autismo Grave

Graça considera que o acompanhamento médico dado à filha foi inadequado. A dona de casa afirma que não houve uma apuração profunda do caso de Carola antes de passarem a considerá-la uma paciente como suspeita do novo coronavírus.

Vinicius Lemos

Carola junto com os pais: rotina da família era totalmente adaptada aos cuidados da filha mais velha Foto: Reprodução
Carola junto com os pais: rotina da família era totalmente adaptada aos cuidados da filha mais velha Foto: Reprodução

BBC topo (Foto: BBC)

O arco-íris era uma das grandes paixões de Caroline Maduro desde pequena. Ela costumava desenhá-lo em papéis e nas paredes. "Ela dizia que queria caminhar pelo arco-íris", diz a dona de casa Graça Maduro, de 64 anos, ao se recordar da filha mais velha.

São lembranças como a paixão pelo arco-íris que Graça procura guardar de Carola, como era chamada. A dona de casa luta para esquecer a imagem do caixão lacrado da filha, enterrada na tarde de 12 de abril em um cemitério de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, cidade em que a família mora.

Carola morreu aos 30 anos. Ela foi considerada uma paciente com suspeita de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Em razão disso, a cerimônia de despedida dela teve de ser curta e reuniu poucas pessoas — seguindo as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para casos suspeitos ou confirmados do vírus.

O que mais entristece a dona de casa, que se dedicou intensamente aos cuidados com Carola nas últimas décadas, é a solidão da filha antes de morrer.

"Eu sempre cuidei dela com muito carinho e amor. Saber que ela morreu longe de mim e depois foi colocada em um caixão lacrado é uma sensação horrível", diz à BBC News Brasil.

Graça considera que o acompanhamento médico dado à filha foi inadequado. A dona de casa afirma que não houve uma apuração profunda do caso de Carola antes de passarem a considerá-la uma paciente como suspeita do novo coronavírus. "A minha filha estava em isolamento havia semanas, pois não saía de casa. Quem teve contato com ela também estava isolado", declara.

"Entendo que os profissionais de saúde estão sobrecarregados e, por isso, podem ter medo. Mas considerar uma paciente como suspeita de coronavírus, sem estudar a fundo o caso, e afastá-la da família em seus últimos momentos de vida é algo imensamente triste", afirma a mãe.

Dias depois da morte, Graça soube que não fizeram o teste para apurar se a filha realmente tinha o novo coronavírus. "Como consideram suspeita e não testam?", questiona.

Graça dedicava intensamente a vida aos cuidados com a filha mais velha, que tinha autismo severo Foto: Reprodução
Graça dedicava intensamente a vida aos cuidados com a filha mais velha, que tinha autismo severo Foto: Reprodução

A VIDA DE CAROLA

A história de Carola com os pais nasceu quando ela tinha um ano e quatro meses. Graça e o marido, o microempresário Sérgio Maduro, adotaram a garota. Eles contam que a mãe biológica da menina decidiu doá-la, pois não tinha condições de cuidar da criança.

Nos primeiros anos de vida, Carola apresentou dificuldades para caminhar, falar e socializar. Aos oito anos, foi diagnosticada com autismo severo.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido popularmente como autismo, é uma desordem complexa do desenvolvimento cerebral caracterizada por dificuldades na socialização e comunicação, além de padrões de comportamentos repetitivos.

Ele se manifesta em diferentes níveis. No mais severo, são necessários cuidados por toda a vida — e os pacientes costumam ter outras condições, como deficiência intelectual, transtornos de linguagem, epilepsia ou síndromes genéticas.

Segundo um estudo de cientistas americanos, estima-se que, aproximadamente, uma a cada 59 crianças tenha alguma característica do TEA. Não há dados específicos sobre pessoas com o grau mais severo.

Como costuma acontecer nos casos severos, Carola também tinha outras condições, como Transtorno Opositivo-Desafiador — caracterizado por um comportamento desobediente—, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e epilepsia.

Graça abandonou a carreira como professora e assistente social quando percebeu as dificuldades que a filha tinha Foto: Reprodução
Graça abandonou a carreira como professora e assistente social quando percebeu as dificuldades que a filha tinha Foto: Reprodução

Em razão das dificuldades, ela precisava de acompanhamento constante. As paredes do quarto dela eram forradas com placas de espumas coloridas, para evitar que Carola agredisse a si — o material foi colocado no cômodo após sucessivas crises nas quais ela bateu a própria cabeça na parede.

Por conta das dificuldades da filha, Graça deixou a carreira de professora infantil e assistente social há mais de 20 anos. A dona de casa passou a se dedicar aos cuidados com Carola e com o caçula — ela engravidou quando a filha ainda era pequena.

"Não havia nenhum lugar onde poderia deixá-la enquanto estava trabalhando. Tive de parar. Naquela época, já era difícil. Hoje, as dificuldades continuam as mesmas", relata Graça.

A história de Carola é um exemplo do autismo severo e da dedicação que os parentes das pessoas com essa condição precisam ter. Para relatar o que vivia com a filha e ajudar outras mães, Graça criou uma página no Facebook anos atrás.

A página "O autismo em minha vida", que hoje tem mais de 32 mil seguidores, se tornou referência entre pessoas que cuidam ou conhecem indivíduos com autismo severo.

Foi na página que Graça revelou, em novembro de 2018, que a filha quase morreu após uma grave crise epiléptica que a acometeu enquanto dormia. Na época, Carola desenvolveu uma pneumonia aspirativa — infecção do pulmão causada pela aspiração de partículas que atingem as vias respiratórias e levam a sintomas como tosse e falta de ar.

Em razão do episódio, ela passou dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até se recuperar. Os problemas causaram uma lesão cerebral que fez com que Carola parasse de andar sozinha. Desde então, ela passava grande parte de seus dias deitada.

Em 2019, Carola apresentou diversas dificuldades ao longo dos meses, mas seguiu se desenvolvendo aos poucos.

Última festa de aniversário de Carola, em fevereiro, teve o arco-íris como tema Foto: Reprodução
Última festa de aniversário de Carola, em fevereiro, teve o arco-íris como tema Foto: Reprodução

A MORTE EM MEIO AO CORONAVÍRUS

Na manhã de 10 de abril, uma sexta-feira, Carola não acordou. Ela teve uma broncoaspiração enquanto dormia — quando líquidos, alimentos ou até a saliva são aspirados para o pulmão. Uma ambulância a encaminhou para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Petrópolis, onde recebeu os primeiros atendimentos.

Na última vez em que Graça viu a filha, Carola estava sendo levada para a sala vermelha da unidade de saúde. "A minha filha estava sedada. Mas ainda assim, queria estar ao lado dela naquele momento", lamenta.

No dia seguinte, Carola foi levada para um hospital municipal de Petrópolis, especializado em pacientes com a covid-19, onde permaneceu entubada. A equipe que a acompanhou considerou que ela pudesse ter o novo coronavírus.

"Ela não tinha o coronavírus. Isso pra mim sempre foi muito claro. A minha filha vivia reclusa com a gente. Até as sessões de fisioterapia, que ela fazia, foram suspensas no começo de março, para que ela não tivesse contato com pessoas de fora de casa. Só se ela pegou depois que chegou ao hospital", afirma a mãe.

Nas redes sociais, Graça relatava a rotina com Carola e se tornou apoio para muitas famílias de pessoas com autismo severo Foto: Reprodução
Nas redes sociais, Graça relatava a rotina com Carola e se tornou apoio para muitas famílias de pessoas com autismo severo Foto: Reprodução

Graça acredita que a filha teve mais uma pneumonia aspirativa, como no fim de 2018. "Não apuraram a fundo o caso dela, apenas consideraram suspeita de covid-19 por ela estar com problemas respiratórios e pronto", afirma a mãe. Em casos de suspeita do novo coronavírus, o paciente deve permanecer isolado.

Quadros de pneumonia aspirativa são considerados comuns entre pessoas com problemas de deglutição, principalmente em decorrência de dificuldades neurológicas, como era o caso de Carola. Para argumentar que a filha não teve a covid-19, Graça cita o caso da morte do pequeno Arthur, filho da cearense Maria Inamá Araújo Santiago. O garoto morreu em 31 de março, aos três anos. Ele não teve direito a velório, pois também foi considerado um caso suspeito do novo coronavírus. Duas semanas depois, um exame apontou que ele não tinha o vírus. Os médicos concluíram que ele morreu por pneumonia aspirativa.

Para Graça, assim como no caso de Arthur, a suspeita de que Carola pudesse ter a covid-19 foi equivocada. "Eles deveriam apurar melhor o que minha filha tinha, para que ela não ficasse sozinha. Eu sempre fui uma mãe presente e queria estar com ela", lamenta.

Os médicos chegaram a propor que Carola fosse tratada com cloroquina, remédio que vem sendo testado no combate à covid-19. "Eu não deixei, porque isso poderia prejudicá-la ainda mais. A minha filha tomava vários remédios e isso poderia piorar o quadro dela, principalmente porque eu não acredito que ela tivesse coronavírus", justifica Graça. A decisão da mãe foi apoiada pelo médico que acompanhara Carola nos últimos anos.

A dona de casa relata que desde que a filha foi levada para o hospital, sabia que ela tinha poucas chances de sobreviver. "A Carola estava muito mal. Eu não acredito que ela pudesse resistir. Mas o que me dói é saber que ela se foi sem que eu estivesse por perto", diz.

Na manhã de domingo, 12 de abril, Carola morreu. "A minha filha descansou, mas não queria que as coisas fossem dessa forma", lamenta Graça. Horas mais tarde, ela e o marido participaram da cerimônia de despedida, em um cemitério de Petrópolis. "Queria muito ter visto a minha filha, mas era caixão lacrado e isso me deixou muito angustiada. Não ter visto o rostinho dela naquele momento me deu a sensação de que ela não morreu."

"A funerária pegou o corpo dela no hospital, embalou em um plástico e levou para o cemitério no caixão", diz.

Por ser um caso apontado como suspeita de covid-19, a cerimônia de despedida contou com poucos convidados, os pais e dois casais de amigos, e durou poucos minutos. "Foi uma situação horrível", declara.

"Te tiram o direito de velar o seu filho. As pessoas dizem que é só um corpo. Realmente é só um corpo, mas o velório é uma despedida, é uma forma de concretizar a morte. Mas nem isso a minha filha teve direito", diz a dona de casa.

Carola morreu aos 30 anos. Médicos consideraram o caso dela como suspeita de covid-19, mas a mãe não acredita que a filha pudesse ter a doença, pois vivia em isolamento Foto: Reprodução
Carola morreu aos 30 anos. Médicos consideraram o caso dela como suspeita de covid-19, mas a mãe não acredita que a filha pudesse ter a doença, pois vivia em isolamento Foto: Reprodução

SEM EXAME

Depois da morte da filha, Graça aguardou o resultado do exame da covid-19. "Disseram que deveria ficar pronto em uma semana", relata. Porém, ela foi surpreendida dias após o falecimento de Carola.

"Eu perguntei novamente sobre o exame e não tinham mais como me esconder, disseram que não foi feito."

"Trataram a minha filha como suspeita de covid-19. Me deixaram distante dela e sequer fizeram o teste. Era esse exame que eu aguardava para comprovar que agiram errado no acompanhamento da minha filha, pois tinha certeza de que daria negativo", critica Graça.

Os exames no Brasil são considerados insuficientes para atender a todos os casos. O Ministério da Saúde adquiriu novos lotes, que estão sendo distribuídos gradativamente pelo país. Ainda assim, a quantidade é considerada baixa, diante do crescimento exponencial de casos. A principal orientação do ministério é que pacientes graves com suspeita, como era o de Carola, sejam testados.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Petrópolis. Por meio de assessoria de imprensa, os representantes do município não informaram se foi feito o teste de covid-19 em Carola. Eles justificam que não podem passar informações específicas sobre pacientes. "O sigilo médico é firme neste aspecto e não podemos burlar as determinações", justifica, em nota encaminhada à BBC News Brasil.

No atestado de óbito de Carola consta que ela morreu por uma sequência de problemas de saúde: insuficiência respiratória aguda, pneumonia, broncoaspiração, crise convulsiva e epilepsia. O documento não cita a suspeita de covid-19.

Graça cobra respostas. Nos próximos dias, ela deve receber um documento com os detalhes do acompanhamento médico que a filha teve enquanto esteve internada. "Não vou descansar enquanto tudo não estiver esclarecido", assevera. Nas próximas semanas, planeja tomar as medidas cabíveis.

"Sempre tratei a minha filha da melhor forma possível. No final da vida, ela foi tratada feito um animal. Isso é muito triste para a minha família e não podemos deixar isso passar assim", declara.

Enquanto aguarda esclarecimentos, Graça tem evitado pensar no futuro. "A minha vida era a minha filha. Agora não sei o que vai ser daqui pra frente. A Carola me ensinou a viver. Me transformou em outra pessoa. Conviver com ela foi uma escola. Passei a valorizar aquilo que realmente tem valor. Aprendi muito. Tenho sentido muita falta dela."

A única certeza que Graça tem sobre os próximos meses é de que continuará com a página criada para retratar a rotina da filha. "Não vou parar, porque sei que ajuda muitas pessoas que têm parentes com autismo severo. É um assunto que precisa ser cada vez mais falado e esclarecido, para que as pessoas compreendam e para diminuir o preconceito", pontua Graça.

Para lidar com a saudade frequente, a dona de casa procura pensar que a filha está bem. "Agora ela vai poder brincar no arco-íris, como sempre quis."



AACD continua em movimento - Veja o vídeo.

Arrecadação financeira para reabilitação e habilitação de pessoas com deficiências físicas e necessidades ortopédicas de todas as idades de São Paulo, Minas Gerais, Recife e Rio Grande do Sul

Foto: divulgação
AACD continua em movimento

A AACD dedica suas atividades a reabilitação e habilitação de pessoas com deficiências físicas e necessidades ortopédicas de todas as idades. A maior parte dos atendimentos é público, ou seja, sem nenhum custo direto aos pacientes, a pandemia provocada pelo novo coronavírus trouxe para a AACD o desafio de manter os mais de 800 mil atendimentos e mais de 7.500 cirurgias/ano em suas unidades.

Áreas de atuação da instituição: Ibirapuera (SP), Mogi das Cruzes (SP), Mooca (SP), Osasco (SP), Lar Escola Sao Francisco (SP), Recife (PE), Porto Alegre (RS), Poços de Caldas (MG) e Uberlândia (MG)

Como ajudar:
As doações podem ser feitas pelo site da AACD. Para empresas que desejam se tornar parceiras da Instituição, os contatos são empresaparceira@aacd.org.br e (11) 5576-0852.


Quando o direito de acesso à comunicação é tirado de pessoas com deficiência auditiva e visual

Dados do Censo do IBGE apontam que cerca de 24% da população brasileira se autodeclara como pessoa com algum tipo de deficiência

LILIANE ROCHA* (@LILIANEROCHAOFICIAL)

(Foto: Camilo Freedman/APHOTOGRAFIA/Getty Images)
Braile, deficiente visual (Foto: Camilo Freedman/APHOTOGRAFIA/Getty Images)

Neste mês, tivemos duas datas muito importantes que nos ajudam a refletir sobre a importância do diálogo. Ainda mais relevante é analisar como fazemos para dialogar, nos comunicar, trocar ideias com todas e todos, sem distinção.

A primeira data foi o Dia Nacional do Sistema Braille, celebrado em 8 de abril, que nos remete a pessoas cegas ou com baixa visão. E a segunda, o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais Libras, em 24 de abril, que nos remete a pessoas surdas ou com baixa audição. Dados do Censo do IBGE (2010) apontam que cerca de 24% da população brasileira se autodeclara como pessoa com algum tipo de deficiência, ou 7%, considerando um refinamento deste estudo, no qual foram especificadas somente deficiências mais severas.

Ainda segundo o IBGE, há no país mais de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, se houvesse um número maior de ações efetivas de prevenção e tratamento, a maioria dos casos poderia ter sido evitada.

Já o estudo do Instituto Locomotiva, realizado em parceria com a Semana da Acessibilidade Surda (SAS) em 2019, aponta que cerca de 10 milhões de brasileiros são pessoas com deficiência auditiva, e desse total 2,3 milhões são surdas.

Estamos falando de milhões de brasileiros que têm o direito de ter acesso a conteúdos, por leitura em braille, áudio leitura ou língua dos sinais, à educação, e principalmente ao emprego. Vamos lembrar aqui novamente que, desde 1991, temos uma legislação no Brasil que nos diz que empresas com mais de 1001 funcionários, mencionando apenas as grandes companhias, devem ter 5% de pessoas com deficiência em seu quadro de profissionais.

Se a comunicação é uma limitação para os profissionais que apresentam esses dois tipos de deficiência, como as áreas de recursos humanos vão chegar até eles? Como irão divulgar as vagas? E, principalmente, como farão um processo seletivo justo e correto quando essa pessoa chegar até a empresa?

Veja, as iniciativas a serem tomadas são simples, mas precisamos nos adaptar. Sim, nós pessoas sem deficiência precisamos nos adaptar. Parar de cobrar uma mudança do outro, ou falar que o outro precisa mudar. As pessoas com deficiência não precisam mudar, quem precisa mudar somos nós. E a sociedade.

Divulgar as vagas somente em meios impressos não é suficiente, vamos divulgar nas rádios também. Vamos tornar os nossos sites acessíveis, com sistema de som e áudio. E que tal incluir Libras em nossos eventos? Vamos divulgar as nossas vagas em instituições que atuem com pessoas com deficiência, vamos contratar especialistas que estudaram sobre esse tema.

Por exemplo, o Brasil tem duas línguas oficiais, e uma delas é a Libras. Por que então não estudamos para ter conceitos básicos dessa língua desde o ensino primário? Até o século 15 XV, acreditava-se que pessoas surdas eram incomunicáveis. O francês Charles-Michel foi quem criou, na metade do século XVIII, o sistema de sinais para alfabetizá-las.

No Brasil, a luta pela educação das pessoas surdas começou em 1857, após a vinda do francês, Eduard Huet, que era surdo, para a fundação da primeira escola para surdos, hoje conhecida como Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES). Em 1966, o americano Orin Cornett deu mais uma importante contribuição para o desenvolvimento da língua, unindo a utilização dos sinais com a leitura labial. Todas as línguas de sinais utilizadas atualmente no mundo derivam do alfabeto manual francês, mas apresentam pequenas variações em função da gramática local.

Ainda assim, infelizmente parece que até hoje algumas empresas e pessoas acreditam que pessoas com deficiência auditiva continuam incomunicáveis.

A Lei N° 10.436/02, que dispõe sobre Libras e a reconhece como segunda língua oficial do Brasil, prevê o seu uso em ambientes públicos e privados, com o objetivo de proporcionar acessibilidade e visibilidade à comunidade de surdos.

O Braille, por sua vez, sistema criado e adaptado para a comunicação de pessoas com deficiência visual, existe há quase 200 anos. Este modo de escrita e leitura em relevo foi desenvolvido inicialmente pelo francês Louis Braille, em 1837.

Como podem dois sistemas de comunicação para pessoas com deficiência existirem há cerca de 200 e 300 anos e ainda serem, em 2020, um tabu para a sociedade? Como é possível não garantirmos que as informações relevantes estejam disponíveis e acessíveis a todos? Como é possível até hoje impormos a limitação a determinados grupos sociais nos processos seletivos, com base em nosso desconhecimento sobre o tema?

Essas datas nos dão a oportunidade de refletirmos sobre a construção de “novas” empresas, uma nova sociedade mais inclusiva para todos. Como disse certa vez a Mariana Rosa, do Diário da Mãe de Alice: “Pessoas não são deficientes. Deficientes são as estruturas sociais, a arquitetura o sistema de ensino e trabalho que não estão acessíveis para todos”.

Ou como disse Benedita Casé Zerbini, filha de Regina Casé, em uma rede social, revelando que é uma pessoa com deficiência auditiva para apoiar outras pessoas surdas: “Não sabia até onde eu chegaria, como iria me virar, estudar, me formar, trabalhar, casar, ter filho [...], busquem reabilitação auditiva e vejam que é possível, sim, ir muito mais longe do que a gente imagina”.

Sim, as pessoas surdas e cegas podem ir muito além das barreiras impostas pela sociedade, mas é inegável que para isso precisam de líderes e gestores que estejam abertos para as suas habilidades. Mais do que estar aberto à inclusão desses profissionais, o verdadeiro líder permite que esses profissionais se desenvolvam e cresçam dentro de suas empresas.

*Liliane Rocha CEO e Fundadora da Gestão Kairós, consultoria especializada em Sustentabilidade e Diversidade, autora do livro Como ser um líder Inclusivo e premiada com o 101 Top Global Diversity and Inclusion Leaders.

Um ano após inelegibilidade, André Brasil projeta retorno sem pressão

Campeão paralímpico aguarda definição da Justiça para planejar futuro

© Cristina Indio/Agência Brasil

Por Lincoln Chaves - Repórter da TV Brasil - Edição: Cláudia Soares Rodrigues

Na tarde de 24 de abril de 2019, André Brasil publicou a seguinte mensagem nas redes sociais. "Indignação, revolta, tristeza. Uma história apagada em um dia". Horas antes, o nadador campeão paralímpico foi considerado inelegível para eventos de atletas com deficiência nas provas em que é especialista. Exatamente um ano depois, e com o recurso negado no Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês), ele ainda aguarda resposta da Justiça alemã, à qual recorreu - com apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) -  para poder voltar a competir.

Por um lado, André está mais conformado com a perspectiva de não disputar a Paralimpíada de Tóquio (Japão), mesmo após o adiamento para 2021 devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), o que poderia lhe dar mais tempo para treinar, se fosse liberado. Por outro, espera uma posição definitiva para “sair do limbo” e “continuar a sonhar”, como relatou o nadador, de 35 anos, em entrevista à Agência Brasil.

"Sonhar a gente sonha muito, mas eu já não sei se tenho essa vontade, esse querer de estar nos Jogos e não poder, de repente, fazer o que sempre fiz a vida inteira. Meu corpo não é mais o mesmo, a cabeça não é mais a mesma. Não sei se, com tudo que vivenciei, se teria tempo hábil. O corpo não responde tão rápido como quando se tem 20 anos. Ganhar massa ou emagrecer fica mais difícil", reflete André.

André Brasil disputa a prova de 100m costas no Mundial, em 2017
André Brasil conquistou o ouro na a prova de 100m costas no Mundial, em 2017 - Daniel Zappe/CPB/MPIX/Direitos Reservados

Além de ter retomado as atividades físicas só em setembro "para manter a qualidade de vida”, o atleta não compete desde 2018, quando precisou se submeter a uma cirurgia no ombro esquerdo.

"Provavelmente, é a sentença de um juiz que vai determinar algo. Não foi para isso que entrei no esporte, que sonhei conquistar alguma coisa, que quis mostrar a beleza de uma pessoa com deficiência. Eu brincava que era o 'Perninha' e as pessoas me admiravam pelo que eu fazia. Quero continuar com meus objetivos e metas. Meu pedido para esse ano é saúde, principalmente, e que isso se resolva. Que saia uma determinação o quanto antes, sim ou não, para que a gente possa continuar a sonhar. Não sei se caminho para frente ou para trás e já faz um ano disso", desabafa.

Para entender o imbróglio: as classes de 1 a 10, entre as 14 da natação paralímpica, são voltadas a deficientes físico-motores. André era da classe S (do inglês swimming) 10, de menor grau de comprometimento funcional. Ele teve poliomielite diagnosticada aos dois meses de vida, após reação à vacina, que deixou com sequela na perna esquerda, mesmo depois de oito anos em hospitais e sete cirurgias.

As reclassificações pelas quais o brasileiro passou há um ano em São Paulo - antes do Open Internacional, disputado no Centro de Treinamento Paralímpico - avaliaram que ele não era deficiente ‘o suficiente’ para se enquadrar na classe S10. Como não há categorias acima, André foi considerado inelegível após 15 anos de carreira, 14 pódios paralímpicos, 32 mundiais e 21 parapan-americanos. Na ocasião, segundo ele, a análise na piscina constatou uma mínima propulsão no tornozelo esquerdo – o que, até hoje, o nadador não digeriu.

"Enquanto uma pessoa que estudou fisioterapia por três anos e meio, não posso dizer 100% com propriedade, mas, posso achar e ter convicção de algumas coisas. O estudo do movimento, a cinesiologia, não mudou a ponto de a gente ter grandes modificações nesses 15 anos na classificação funcional. Acho que ela precisa ser mais transparente, para pessoas, atletas e técnicos entenderem um pouco mais. Imagina a cabeça de um indivíduo que vai para uma competição sem saber qual sua classe?", indaga.

André só não está 100% fora do movimento paralímpico porque pode competir em provas de peito. Há um ano, o nadador descartava a possibilidade – segundo ele, não é o melhor nado. Hoje, pensa diferente. "Conversei e pretendo participar de competições, de Jogos Regionais e Abertos, como atleta adaptado. Nadar eventos que o CPB determinar nessa prova. É fechar um ciclo em partes. Não da forma como queria, mas figurando com amigos, aproveitando momentos, entendendo um pouco dessa entrega do que vivenciei nesses anos e, de repente, pensar no que vem pela frente", planeja.

O brasileiro, porém, não se vê brigando por vaga paralímpica no estilo no qual foi medalhista de ouro parapan-americano em Guadalajara (México), em 2011 – e nem se pressiona a isso. "O peito será muito mais descontraído, sem cobrança maior que em outras provas. Talvez, seja uma forma de devolver, em parte, tudo que foi feito, por mais que não seja a prova que me trouxe glórias, seria um pouco a maneira de ter as pessoas presentes", conclui.

Moro manda PF analisar caso de humoristas que cometeram crime contra autistas


O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, recém demitido da pasta, pouco antes de pedir sua demissão, encaminhou para a Polícia Federal (PF) o ofício enviado pelo deputado federal João Roma (Republicanos) solicitando investigação contra a dupla de humoristas Dihh Lopes e Abner Henrique por piadas contra autistas. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a dupla “brinca” com uma banda de meninos autistas de Brasília.

Moro recebeu o ofício e mandou à PF para “análise e providências cabíveis, inclusive sobre eventual caracterização de infração penal e sobre a eventual competência da Polícia Federal na apuração”.

Além de procurar o ministro da Justiça, o parlamentar baiano enviou ofícios solicitando apuração do caso ao Procurador Geral da República (PGR), Augusto Aras, e ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Aras encaminhou o ofício a Cláudio Drewes José de Siqueira, chefe da Procuradoria da República no Distrito Federal, “para as providências que entender cabíveis”. Já na OAB, a investigação deve ser seja feita junto à Comissão Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência do Conselho Federal da ordem.

Para Roma, os humoristas podem ser acusados de praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência, crime previsto na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. “Naquela apresentação foi cometido o crime de capacitismo, que é a opressão e discriminação praticadas contra a pessoa com deficiência. Quando a piada ofende ou constrange o outro não é humor, mas sim desrespeito, crueldade e uma atitude criminosa”, afirmou.

O caso chegou a Roma por meio do vice-presidente da Associação de Amigos do Autista da Bahia (AMA-BA), Leonardo Martinez, que mantém diálogo com o deputado para buscar as medidas cabíveis contra a dupla. Os ofícios do parlamentar levam em conta fundamentação feita pelo advogado e professor Marcelo Válio, que denunciou o caso em suas redes sociais e é atuante na área de direito das pessoas com deficiência.

Em Brasília, Roma tem defendido políticas inclusivas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Sou um apoiador da causa das pessoas com autismo, defensor da inclusão em todas as esferas e diante desse absurdo não poderia me calar. É inadmissível posturas como essa diante de tanta luta e tantas políticas para conscientizar e incluir pessoas com deficiência dentro da sociedade”, frisou.

CBDV Entrevista: Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional

Dirigente fala sobre adiamento dos Jogos de Tóquio e cita 'satisfação em dobro' para os medalhistas no Japão

#Acessibilidade: Andrew Parsons discursa em uma tribuna, com dois microfones apontados em direção à sua boca.

Renan Cacioli - Comunicação CBDV

adiamento dos Jogos de Tóquio para o ano que vem trouxe junto uma série de mudanças de planejamento para todos os envolvidos: federações, atletas e dirigentes. À frente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), o brasileiro Andrew Parsons vem buscando equilibrar os fatores econômicos, organizacionais e, é claro, técnicos, para que a competição no Japão em 2021 seja bem-sucedida.

Em entrevista concedida para a Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), o presidente do IPC contou até o que mudou no seu dia a dia em meio à pandemia do novo coronavírus: "Minha rotina é uma não rotina", confessa o dirigente, que acredita na Paralimpíada no seu mais elevado nível técnico no próximo ano e com um gosto em dobro para os medalhistas. Afinal, já terão superado um adversário invisível, o vírus, antes de subirem ao pódio. Confira a entrevista:

Quais são os maiores desafios do IPC a partir deste adiamento dos Jogos de Tóquio?

Os maiores desafios são, em primeiro lugar, tratar de todos os efeitos que esse adiamento causa, tanto em relação a instalações esportivas, não-esportivas e níveis de serviço. Estamos trabalhando com o Comitê Organizador em relação a tudo que envolve a realização dos Jogos como inicialmente planejado. Além disso, existe também a questão do fluxo de caixa. Assim como todas as organizações, também foi necessário apertar o cinto. Muitos parceiros nossos e detentores de direitos de transmissão querem efetuar pagamentos relacionados a Tóquio no ano que vem, então estamos trabalhando em relação a isso. Outro desafio é como podemos apoiar os membros, principalmente os comitês paralímpicos nacionais e federações internacionais mais frágeis, para que elas não sofram com o adiamento dos Jogos, principalmente na questão financeira. Muitas são apoiadas por governos nacionais, que também vão enfrentar dificuldades com uma provável recessão pós-pandemia.

Acredita que os atletas conseguirão chegar ao seu nível máximo de competitividade mesmo com essa mudança de um ano no planejamento?

Sabemos que esse era um ciclo de preparação que não foi inicialmente planejado para cinco anos. Mas acreditamos que, pelo fato de o adiamento ter sido anunciado com mais de 500 dias para o início dos Jogos, será possível uma adaptação aos treinamentos que fará com que tenhamos um nível alto de competitividade. Temos grandes treinadores nos comitês paralímpicos e federações nacionais que vão conseguir fazer com que os atletas cheguem em altíssimo nível aos Jogos de Tóquio.

O COI publicou que a data limite para classificação dos atletas será o dia 29 de junho de 2021. Isto vale também para os paralímpicos?

O impacto do adiamento dos Jogos atinge muitas áreas e a classificação é uma das principais. Embora muitos fatores ainda permaneçam desconhecidos, estamos trabalhando com o Comitê de Classificação para que as oportunidades de classificação possam recomeçar assim que as competições sejam retomadas. Esperamos poder compartilhar mais informações com nossos membros em breve.

Não há precedente na história recente de um problema global que tenha atingido o mundo todo ao mesmo tempo. Isto, obviamente, nenhum dirigente de nenhum segmento é capaz de prever. No seu caso, particularmente, como tem lidado com um desafio dessa magnitude? Tem procurado escutar quais pessoas antes de tomar uma decisão?

Estamos buscando sempre o melhor interesse do Movimento Paralímpico, mas, no que diz respeito aos Jogos, estamos numa operação que depende muito do Comitê Organizador, do governo do Japão e do Comitê Olímpico Internacional. Temos uma comunicação próxima e constante com esses parceiros. Em relação a quem tenho ouvido nesse momento, depende muito do assunto. Pode ser o Governing Board do IPC, como também o estafe do IPC, ou nosso Comitê de Classificação, Conselho de Atletas. Mas uma das coisas mais importantes é o exercício de conversar com todos os países e comitê paralímpicos nacionais de forma direta. Assim é possível ter uma perspectiva dos desafios de cada um e tomar melhores decisões que vão beneficiar um número maior de membros.

Descreva um pouco de sua rotina pessoal nesse momento. Como tem dividido seu tempo entre o trabalho e os cuidados com a família?

Minha rotina é uma não rotina. O que mudou inicialmente foi que eu tinha um número muito grande de viagens, mas tem sido uma época de muito trabalho. Principalmente com tudo o que envolveu o adiamento e a definição das novas datas dos Jogos. As reuniões quase sempre eram no horário da Europa, então tinha de acordar muito cedo para participar. Às vezes, também estou às 11 horas da noite falando com comitês paralímpicos da Ásia, por exemplo. Por isso, digo que essa rotina é uma não rotina, algo novo. Também tenho procurado estar mais próximo dos comitês paralímpicos nacionais. É um exercício de falar com praticamente todos os países-membros, de todos os continentes, para entender seus desafios. Isso toma bastante tempo, mas é fundamental. É para isso que o IPC existe. Somos uma organização que existe para servir seus membros. Ao mesmo tempo, também estou cuidando da família, saindo apenas para comprar comida e cuidando da educação da minha filha, para que estude nos horários corretos, faça as lições de casa. Por fim, também estou tentando manter atividades físicas regulares, até para ajudar no aspecto da saúde mental. Estamos fazendo todos nossa parte no que diz respeito à contenção do coronavírus.

Andrew comemora com a seleção brasileira de goalball masculina a classificação para a final em Londres, 2012. Foto: CPB

Que mensagem poderia transmitir aos atletas paralímpicos brasileiros nesse momento?

A minha mensagem é a de que a decisão de adiar os Jogos foi tomada pensando principalmente no bem-estar dos atletas, para que ninguém se sentisse obrigado a botar sua saúde em risco para treinar. Agora temos mais tempo para que eles possam se preparar e cuidar da sua saúde, que é a prioridade neste momento. A gente entende a frustração pelo adiamento dos Jogos, que também é nossa no IPC. Mas quando eles acontecerem ano que vem, vão continuar sendo incríveis. Serão Jogos que terão uma mistura muito grande da tradição japonesa com a tecnologia que é característica do país, junto com um desejo muito grande do Japão e do IPC de deixar um impacto de longo prazo para as pessoas com deficiência do mundo todo – não somente os atletas. Os Jogos terão um alcance jamais visto. Para se ter uma ideia, no Rio foram 12 as modalidades transmitidas ao vivo. Em Tóquio, serão 19 das 22 modalidades. A repercussão será muito maior. Agora queremos que os atletas possam cuidar da sua saúde e das suas famílias, mas serão Jogos incríveis e eles não perdem por esperar.

Acredita que, para os atletas, conquistar uma medalha em Tóquio trará uma satisfação em dobro: pelo feito esportivo e pela superação de atravessar este período da pandemia?

Claro que conquistar uma medalha é sempre um momento inesquecível na carreira de um atleta. Mas, sabendo que vamos ter deixado essa pandemia para trás e que a humanidade vai ter vencido um inimigo que é comum a todos os indivíduos do planeta Terra, sem dúvida, terá um gosto especial. A Cerimônia de Abertura de Tóquio terá um significado maior talvez do que dos Jogos anteriores, porque vai ser um momento de celebração de que nós vencemos. As pessoas com deficiência venceram, porque fizeram parte dessa vitória num momento que pôs toda a humanidade do mesmo lado. Acredito que será uma satisfação em dobro, tanto para os atletas quanto para suas famílias, que enfrentaram a ameaça desse vírus que impactou profundamente a vida pessoal de cada um.

Fonte: cbdv.org.br

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Jovem com Síndrome de Down supera coronavírus e deixa hospital em SP após 17 dias de tratamento - Veja o vídeo.

Marianne Tudeia, de 20 anos, ficou dez dias na UTI do Hospital do Servidor Público. Hospital autorizou que a mãe da estudante acompanhasse tratamento da filha durante parte do período de internação.

Por SP1 — São Paulo

Jovem com Síndrome de Down supera coronavírus e deixa hospital em ...
Paciente com síndrome de down consegue se recuperar do novo Coronavírus

A estudante Marianne Medeiros Tudeia, de 20 anos, portadora da Síndrome de Down, recebeu alta hospitalar após ser diagnosticada com coronavírus. Ela passou 17 dias no Hospital do Servidor Público, em São Paulo, sendo dez deles na UTI.

Clique AQUI para ver o vídeo.

A jovem deixou o hospital fazendo brincadeiras, poses e ganhando aplausos da equipe médica.

Segundo o Ministério da Saúde, pessoas com Síndrome de Down fazem parte do grupo de risco para a doença.

Marianne celebrou o retorno para casa e contou que a parte mais difícil do processo foi superar o isolamento da família. "Foi muito difícil", atesta.

Lídia Aparecida de Medeiros Tudeia, mãe de Marianne, disse que a filha chegou a sair pelo corredor do hospital dizendo que não queria ficar sozinha. "Ela saiu do isolamento pelo corredor gritando: eu quero a minha mãe, mãe", recorda.

Após o pedido, o hospital autorizou a presença de um acompanhante. A mãe de Marianne pode ficar com a filha quando a jovem já tinha deixado a UTI e estava em recuperação no quarto.

Lídia também relata que o susto da descoberta da doença. Segundo ela, os primeiros sintomas apareceram no dia 24 de março, logo após Marianne celebrar duas décadas de vida. Com tosse e cansaço, a família procurou atendimento médico. "Achei que ela estava triste por conta do aniversário [por não poder comemorar] dela, não achei que era Covid". Uma semana depois, com a permanência dos sintomas, Marianne foi internada.

Casos da doença

O número de mortes por coronavírus no estado de São Paulo subiu para 1.134 pessoas nesta quarta-feira (22), segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Já são 15.914 casos confirmados da doença no estado. Nas últimas 24 horas foram 141 novas mortes e 529 novos casos confirmados da doença nos municípios paulistas.

No estado, 241 municípios têm pelo menos um caso confirmado da doença e 100 cidades já registraram pelo menos uma morte. Sete deles possuem mais que dez óbitos (Guarulhos, Osasco, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Paulo e Sorocaba), sendo a maior concentração na capital, com 778 mortes.

A taxa geral de ocupação nas UTIs do estado é de 55,3%. Na enfermaria, é de 63%. Na Grande São Paulo, a taxa de ocupação em UTIs é de 73,7% e nas enfermarias é de 63%.

Vários hospitais de referência já estão com o sistema sobrecarregado. A taxa de ocupação das UTIs dos hospitais mais procurados na capital varia de 60%, percentual registrado no Hospital Geral da Itapevi, a 93%, valor verificado na UTI do Hospital Emílio Ribas, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.

De acordo com a Secretaria de Saúde, há cerca de 6 mil pacientes, suspeitos e confirmados, internados em UTI e enfermarias de hospitais de São Paulo.

Fonte: g1.globo.com

Lei obriga que bancos ofereçam agendamento prioritário a idosos, gestantes e deficientes em Ribeirão Preto

Norma deve ser cumprida enquanto durar a pandemia do novo coronavírus. Opção é atender em horário exclusivo. Cidade possui 238 casos da Covid-19, com cinco mortes.

Por G1 Ribeirão Preto e Franca

Medida visa evitar que idosos, grávidas e pessoas com deficiência fiquem muito tempo em filas — Foto: Hosana Morais/G1/Arquivo
Medida visa evitar que idosos, grávidas e pessoas com deficiência fiquem muito tempo em filas — Foto: Hosana Morais/G1/Arquivo

As agências bancárias de Ribeirão Preto (SP) terão de oferecer agendamento prioritário para idosos, gestantes e pessoas portadoras de deficiência durante a pandemia do novo coronavírus. A lei foi sancionada e publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (23).

Segundo o texto, as instituições terão dez dias, a partir desta quinta, para se adaptar à medida. Depois, o desrespeito pode levar a multa de R$ 2.761 por infração.

O agendamento pode ser oferecido por telefone, site ou aplicativo.

Opção de horário exclusivo

Apesar de estabelecer a multa, a lei garante aos bancos a opção de separar um horário para atendimento exclusivo dos grupos e, assim, evitar a aglomeração junto com o restante dos clientes.

“No caso da impossibilidade do agendamento, a agência bancária deverá disponibilizar horário exclusivo de atendimento para idosos, gestantes e deficientes físicos”.

O G1 enviou e-mail para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre a medida e aguarda retorno.

Fonte: g1.globo.com

Saiba qual é o melhor fone de ouvido para prevenir a perda auditiva

Os modelos recomendados por especialistas são aqueles que têm cancelamento de ruído externo

Por Da Redação

Fones de ouvido
Os ouvidos humanos trabalham em conjunto para fornecer maior sensação de intensidade, por isso, sempre use os dois fones iStock/Getty Images

Quase 10 milhões de brasileiros sofrem com algum problema de audição, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um estudo dinamarquês mostrou que as dificuldades auditivas estão aparecendo cada vez mais cedo: cerca de 14% das crianças de 9 a 11 anos analisadas mostraram sinais de perda auditiva em decorrência do uso de dispositivos de áudio, como fones de ouvido.

No ano passado, um estudo realizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) mostrou que 53% dos participantes com problemas de audição disseram não terem sido regularmente expostos a ruídos intensos no trabalho, indicando que outros fatores ambientais, como o uso de fones de ouvido em volume muito alto, poderiam ser a causa. O estudo também revelou que 19% das pessoas com idade entre 20 e 29 anos tinham a audição prejudicada.

Já um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 2050 cerca de 900 milhões de pessoas no mundo terão perda auditiva incapacitante – 93% mais do que as que sofrem hoje. A entidade associou alguns casos aos níveis de som prejudiciais dos dispositivos de áudio. “A exposição excessiva ao som alto é a causa número 1 da perda auditiva. E o som mais comum é a música”, disse Brian Fligor, audiologista e diretor de desenvolvimento da Lantos Technologies, empresa especializada em fones de ouvido, ao jornal americano The Washington Post.

A exposição ao ruído alto por um longo período de tempo pode matar pequenas células auditivas responsáveis por transmitir sinais sonoros para o cérebro. Quando há um grande número de células danificadas, ocorre um problema de audição.

Melhor dispositivo

Especialistas indicam que é necessário seguir algumas recomendações para evitar problemas auditivos relacionados à utilização de fones de ouvido, que incluem diminuição do volume, fazer pausas no uso e evitar utilizá-los em ambientes muito barulhentos, onde se costuma aumentar o volume para níveis potencialmente perigosos. Alguns modelos de fone também oferecem menos riscos.

Segundo Kevin H. Franck, da Faculdade de Medicina de Harvard, em ambientes silenciosos, o estilo do fone de ouvido não faz muita diferença. No entanto, se o local for barulhento, a recomendação é usar dispositivos com cancelamento de ruído – função que reduz a quantidade de som externo que entra nos ouvidos.

“Fones com cancelamento de ruído podem minimizar os problemas. Você pode ouvir a música em um nível moderado”, explicou Maria Rerecich, diretora de testes eletrônicos da revista Consumer Reports.

Cautela

Se o seu fone não oferecer essa opção, será necessário tomar algumas medidas para reduzir o risco de dano auditivo.

Abaixar o volume

Se a pessoa do seu lado consegue escutar a música que você está ouvindo, significa que está alto demais. O mesmo é válido se alguém estiver falando com você, mas você não consegue entender o que está sendo dito. Outro sinal de que o volume está muito elevado é se, ao falar, você precisa levantar a voz para que a outra pessoa consiga entender: isso indica que seus ouvidos estão sobrecarregados até mesmo para escutar sua própria voz.

Princípio volume-tempo

De acordo com Fligor, o indivíduo deve considerar a regra 80-90: quem usa 80% do volume, deve utilizar os fones de ouvido por no máximo noventa minutos por dia. Alguns modelos de fone mais modernos oferecem recursos que rastreiam o tempo e ajustam o volume para níveis mais seguros sempre que necessário. A maioria dos celulares também oferece essa função ou avisa quando o volume está acima do recomendado.

Já a OMS tem trabalhado em parceria com organizações privadas para elaborar orientações que ajudem os fabricantes a incorporar esses recursos aos aparelhos.

Dois fones de ouvido

A recomendação de especialistas é que as pessoas procurem usar os dois fones ao mesmo tempo. Isso porque os ouvidos humanos trabalham em conjunto para fornecer maior sensação de intensidade. Quando plugamos apenas um dos lados, o som não parece tão alto, então aumentamos o volume.

Mantenha o foco

Outra orientação dos especialistas é para que os fones de ouvido sejam deixados de lado durante atividades que exijam maior atenção aos sons ao redor, como dirigir ou andar de bicicleta. “Não é muito prejudicial para a sua audição, mas é perigoso para a saúde. Quando você se impede de ouvir sinais de alerta importantes ao seu redor, isso pode te matar”, alertou Fligor.

Dia Nacional de Educação de Surdos - Veja o vídeo.


A História mostra que a comunidade surda, desde a antiguidade, vive uma busca por reconhecimento e aceitação, e pelo direito de ensinar e de aprender. Hoje, a população surda conta com leis federais que versam sobre a importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras), sobre o processo de inclusão do aluno surdo na rede pública de ensino e também sobre a formação que regulamenta a profissão do Tradutor e Intérprete de Libras.

Para Roque Bakof, presidente da Faders – Acessibilidade e Inclusão, o contexto histórico dos surdos percorreu um caminho de exclusão, depois de segregação, avançou para integração e, atualmente, está no âmbito da inclusão. “Hoje, dentro da visão de inclusão, temos de considerar a grande importância das escolas bilíngues neste processo, onde inclusão não é incluir este com aquele, mas sim incluírem-se todos”, disse o presidente.

“A Língua tem um papel muito importante no desenvolvimento cognitivo de todo sujeito. Imagina isso trazendo para o processo cognitivo do sujeito surdo, onde o som é inexistente e a alfabetização é extremamente visual. Então, quando há a Língua de Sinais como primeira Língua, o processo de aprendizagem acaba sendo normal, fluido. Além do processo de aprendizado e reconhecimento, que leva o aluno surdo a ser protagonista de sua Língua, de sua cultura, do seu meio, a escola bilíngue faz também com que o aluno cresça a partir da interação social”, afirma Alessandra Goulart, intérprete de Libras da Faders.

Escolas Bilíngues

No final da década de 1970, baseado em conceitos sociológicos, filosóficos e políticos surgiu a “Proposta Bilíngue de Educação do Surdo“. Essa proposta se baseia no fato de que o surdo vive numa condição bilíngue e bicultural, isto é, convive no dia a dia com duas línguas, por isso, duas culturas: a língua gestual e cultural da comunidade surda do seu país e a língua oral e a cultural ouvinte de seu país.

Dessa forma, há o entendimento que na educação de crianças surdas devem ter um ensino bilíngue, em primeiro Libras e, em segundo, a Língua Portuguesa (ou língua pátria). Uma vez que a criança surda não nasce com conhecimento de Libras, é necessário que elas aprendam, e é dever não somente da sociedade, mas da escola de ensinar Libras.

A defesa do bilinguismo passa pela compreensão de Libras e de sua representação para os surdos. Além de significar uma forma de comunicação que funciona como pré-requisito para outras aprendizagens como português e matemática. Assim, a língua de sinais representa a valorização do surdo, uma vez que permite que sejam ouvidos e representados.

Bakof acredita que deve haver o estímulo para que as pessoas com deficiência auditiva e surdas procurem as associações dos seus municípios e a partir disso, junto à Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), se instruam para que seus direitos sejam devidamente aplicados.

Educação de surdos no Brasil

No Brasil, os surdos só começaram a ter acesso à educação durante o Império, no governo de Dom Pedro II, que criou a primeira escola de educação de meninos surdos, em 26 de setembro de 1857, na antiga capital do país, o Rio de Janeiro. Foi quando o professor surdo Eduard Huet foi para a cidade a pedido do Imperador.

Com a fundação do Imperial Instituto de Surdos-Mudos, se iniciou o processo de educação formal dos surdos no Brasil, que passaram a ter uma escola especializada para sua educação e oportunidade de criar a Língua de Sinais dos Centros Urbanos (LSCB).

Contudo, apenas em 2002, por meio da sanção da Lei 10.436, que Libras foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão no país. A regulamentação ocorreu em 2005, quando um decreto presidencial incluiu, entre suas determinações, a inserção de Libras como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício dos magistérios médio e superior. O decreto previu, ainda, que as Libras sejam ensinadas na educação básica e em universidades por docentes com graduação específica de licenciatura plena em Letras.

A legislação determinou também que deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão de Libras como meio de comunicação objetiva.

Fontes: ASCOM/Faders – Acessibilidade e Inclusão - revistareacao.com.br